Batizada como Giulia, referindo-se a uma das mais patriarcais da antiga Roma Imperial ─ da qual Julio César fazia parte ─ a Alfa Romeo Giulia foi lançada em 1962, projeto de Orazio Satta Puliga e Giuseppe Busso, com design mais quadrado do que a Giulietta, mas estudada no túnel de vento da Universidade Politécnica de Turim, comprovou o design da “coda tronca” (cauda truncada) como bem eficiente aerodinamicamente falando.
Um brilhante motor de quatro cilindros, associado a um
chassi excepcionalmente estável, logo saltou para o topo nas vendas ao público,
e foi escolhido pelos “carabinieri” para policiar as ruas e estradas italianas.
A Alfa Romeo Giulia TI Super, conhecida na Itália como “Giulia Quadrifoglio” era a versão esportiva do sedan familiar de quatro portas, e seguiu a tendência no final dos anos 1950, com os fabricantes colocando estes modelos para correr, de modo a criar junto ao público uma imagem esportiva favorável, com a competitividade de tais modelos nos Campeonatos de Turismo locais. O conceito era “Win on Sunday, sell on Monday” ("Vencer no domingo, vender na segunda-feira").

As Alfa Romeo Giulia TI Super, apresentada
em Monza, no ano de 1963
A Alfa Romeo, através da Autodelta, sua divisão de competições, chefiada por Carlo Chiti, ex-engenheiro da Ferrari; pegou o Giulia e criou o Tipo 105.16, homologando o modelo na categoria European Touring Car Challenge, no Grupo 2 da FiSA (antecessora da FIA) com a sigla TI (Turismo Internacional). O TI Super foi apresentado em 24 de abril de 1963, a um grupo de jornalistas italianos e estrangeiros, no Autódromo de Monza. Foram construídos 501 exemplares para homologação, e a versão foi a primeira a receber o emblema “Quadrifoglio” nos para lamas dianteiros depois da II Guerra, símbolo dos carros de corrida da Alfa Romeo, desde que começou a competir em 1923.

Faróis substituídos por uma grade 
O interior preparado pela Touring, aliviando o peso
A preparação incluía o alívio de peso, e a Touring
ficou encarregada de eliminar tudo o que era dispensável, e substituir outras
peças por outras mais leves. Mantendo a configuração de quatro portas, elas
tiveram todo o mecanismo dos vidros (substituídos por lâminas de acrílico)
eliminados, inclusive as maçanetas e trincos. O painel recebeu conta-giros,
medidores de pressão do óleo, além dos medidores de temperatura e combustível. Todo
o revestimento anti-ruído foi eliminado, os bancos dianteiros foram trocados
pelos esportivos Zagato, o banco traseiro se manteve para homologação, mas era
facilmente retirado nas corridas, assim como os para choques de linha. As rodas
de chapa de aço foram trocadas pelas 155 HS 15 Campagnolo de liga, e até os
pequenos faróis centrais foram eliminados, e uma malha metálica soldada no
lugar, ajudando a entrada de ar para o motor.
O motor Tipo AR00516, de quatro cilindros em linha, com 1570cc e 112 hp DIN (129 hp SAE) a 6000 rpm, com 13,5 kgm de torque a 4200 rpm, tinha o bloco em liga leve, com câmaras de combustão hemisféricas, duplo comando no cabeçote, era alimentado por dois carburadores WEBER 45 DCOE 14 duplos horizontais, com filtro de ar a seco e bomba de combustível elétrica. As versões de corrida tinham cerca de 145 hp, e apesar do design mais quadrado, tinham um coeficiente aerodinâmico excelente, 0,34, atingia velocidade máxima de 185 km/h.
A transmissão era sincronizada com 5 marchas, e embreagem com disco seco simples. A direção tinha esferas recirculantes ou rosca sem fim e engrenagem, a suspensão dianteira era independente, com braços oscilantes deformáveis, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos não-coaxiais, com barra estabilizadora. A traseira era de eixo rígido, molas helicoidais, com braços longitudinais, estabilizador transversal, amortecedores hidráulicos telescópicos co-axiais. Os freios eram Dunlop a disco nas quatro rodas, com sistema hidráulico, mas sem servo-freio.

Alfa da Jolly Club
Sua carreira esportiva se destacou, com o Campeonato
Italiano de Rally de 1964, com Arnaldo Cavallari, e o vice no Campeonato de
Rally da Suécia. A equipe Jolly Club correu nas 6 Horas de Brands Hatch em
junho de 1964, com Andrea de Adamich e Roberto Businello, obtendo o terceiro
lugar na Classe 5; e na corrida de Monza, Giancarlo Baghetti, Gino Munaron e
Ricardo di Bona fizeram 1-2-3 na geral, e Ernesto Prinoth fechou o quarto lugar
na classe 5, e em 6º na geral, com o Giulia TI Super. Em Monza, na temporada de
1965, a Alfa Romeo conquistou as seis primeiras posições: na classe 2 com a
Giulia TI Super com Adamich/Arcioni, Biussinello/Prinoth e Enrico Pinto em
primeiro, segundo e terceiro; e Leonibus/Cappio e Luciano Selva, em primeiro e
segundo na Classe 3.

Alfa preparado pela Autodelta para as 3 Horas de Sebring
O Alfa Romeo Giulia TI Super com chassi AR595469 é
aceito como um dos carros preparados pela Autodelta para correr nas 3 Horas de
Sebring, de 1965, nos Estados Unidos. Pilotado pelo veterano Teodoro Zeccoli,
da Alfa Romeo Works, terminou em sexto lugar e terceiro na categoria, logo
atrás do vencedor Ford Lotus Cortina, pilotado por Jim Clark. Restaurado em
1982, hoje está numa coleção no Japão. As documentações que carrega são os
manuais da SCCA, referente ao título dos Estados Unidos, Certificados de
Conformidade da Alfa Romeo SpA e muitos outros documentos e registros de
imprensa.

A Alfa em vermelho 
Alfa na cor "London Fog"
Para decidir qual cor seriam pintados, um era branco e
outro vermelho, e foi decidido que toda a produção seria pintada de branco,
sendo um exemplar feito a pedido, na cor “London Fog”, hoje no Museu Fratelli Cozzi,
em Legnano, Itália. O exemplar vermelho pertence a um colecionador argentino. Em
face dos 501 exemplares fabricados, poucos sobreviveram, e um branco de 1964,
chassi AR595221 restaurado foi leiloado pela Sotheby’s em março de 2021 pela
soma de € 160,000.

Giulia TI Super com chassi AR595475 
Motor da Giulia TI Super chassi AR595475
O Giulia TI Super com chassi AR595475 originalmente
foi exportado para a Argentina, mas voltou para a Itália, e foi encontrado na
fábrica de uma grande empresa que comercializava madeira, e fabricava móveis de
cozinha. A empresa faliu e o carro ficou num depósito por muitos anos, até 2018.
Depois de descoberto, acabou nas mãos do Sr. P.N. que iniciou uma restauração,
mas foi interrompida, e por fim, o vendeu em 8 de maio de 2018 para a Scuderia
del Portello. Durante a restauração, descobriu-se que o bloco do motor estava
trincado, e foi substituído por um da mesma série, afinado e preparado como o
original, pelo especialista Samuele Baggioli. Os bancos foram reformados, e
toda a mecânica revisada, praticamente como saiu da fábrica, recebendo o
Certificado de origem pela Alfa Romeo Documentation Center, em 24 de janeiro de
2020, e também foi registrado no “Catalogo Vetture da Competizione Scuderia del
Portello Alfa Romeo” sob nº 053, ganhando também um novo registro para portar
uma placa original do período.

A Giulia de Peter Zahnd 
A Giulia de Peter Zahnd, agora restaurada
Peter Zahnd, trabalhava num concessionário Alf em
Agno, na Suíça, e quando foi transferido para Zurique, continuou com os Alfa, e
na metade dos anos 1960, muitos Alfas eram comprados pelos suíços, até
importando exemplares da França; e Peter acabou ficando com um Giulia TI Super para
si, do importador Sofar, da França. Sua família era “Alfisti”, como são
apelidados os admiradores da marca, e entre seus carros estão três dos mais
cobiçados pelos colecionadores: um 1600 GTA Corsa, um 1300 GTAm e claro, o
Giulia TI Super, o seu preferido.
Com a aquisição da Alfa Romeo pela FIAT em 1986, todas
as operações suíças da Alfa foram transferidas para Genebra, e Peter, que
corria com os Alfa nos eventos clássicos por toda a Europa pela Scuderia del
Portello, acabou deixando a Alfa e abriu a Garagem Peter Zahnd, continuando a
cuidar dos Alfa e outros carros especiais, junto com seu filho Dino.
Peter diz: "Sim, foi uma época louca quando a
Alfa Romeo teve aqueles tempos dourados na Suíça e tínhamos a melhor clientela
de todos os estilos da vida."
Algo se perdeu no mundo da Alfa Romeo, quando passou a
fazer parte de um ambiente corporativo enorme, e o sentimento de entusiasmo e
aventura não tinha mais lugar no final dos anos 1980, mas Peter guarda com
carinho os anos que passou em Agno e Zurique, compartilhando suas memórias com
aqueles que ainda valorizam grandes carros e suas histórias.

Giulia de Jürgen End 
Interior da Giulia de Jürgen End
Outro exemplar sobrevivente dos 501 fabricados, é o de
chassi AR595241, de 1964; adquirido por Julio Stagna, de Roma, em 9 de maio de
1964. Ele ficou com o carro até abril de 1973, quando o vendeu para Rolando
Belasich, que o repassou para Emilio Gallavaglia, de Milão, em novembro de
1987. Emilio, por sua vez, o vendeu em novembro de 1999 para Jürgen End, de
Heusweiler, Alemanha, onde está até hoje. Jürgen End era piloto de corrida, e
restaurou o Alfa conforme as especificações do Apêndice K da FIA, referente ao
Período F (1962-65), bancos, cintos de segurança, motor, faróis halógenos,
amortecedores Koni, molas originais, instrumentos de painel, e apesar de ter os
para-choques, não os instalou no carro. O modelo tem outras documentações, como
Registros da Áustria, Formulários de Identificação de Veículos Históricos da
FIA, e o Cartão de Identidade FIVA.
A Alfa começou fabricando o TI Super em Portello, mas com o crescimento da linha, transferiu toda a produção para a fábrica de Arese, e nos anos seguintes, o desenvolvimento levou aos cupês, projetados pelo jovem Giorgetto Giugiaro, na época, funcionário do Estúdio Bertone. Os modelos Sprint GT, GTA, 1750 Veloce e 2000 GTV tiveram esta herança da Giulia TI e triunfaram em muitas competições nos vinte anos seguintes.
Da minha coleção
O Alfa Romeo Giulia TI Super é um Hot Wheels, e reproduz o modelo vermelho, e tem uma gaiola de proteção no lugar do banco traseiro. O acabamento é o padrão dos Hot Wheels, mas foi customizado com as rodas especiais e pneus de borracha da AC Custon, detalhes da grade, lanternas, escapamento foram adicionados, valorizando esta bela mini. Como curiosidade, o nome do modelo gravado na base está incorreto: Alfa Romeo Guilia TI Super.
A variação em branco vem com os mesmos decalques, com a base em verde, merecendo uma customização para receber faixas vermelhas e verdes estreitas, como eram decorados os carros italianos que corriam nas pistas.
Referências:
https://hotwheels.fandom.com/wiki/Alfa_Romeo_Giulia_TI_Super
https://it.wikipedia.org/wiki/Alfa_Romeo_Giulia_TI_Super#Bibliografia
https://www.classicdriver.com/en/car/alfa-romeo/giulia/1964/1023540
https://www.alfattitude.com/cars-with-attitude/pure-alfa-racing-spirit
http://www.giulia-ti-super.org/history/index.html
http://www.giulia-ti-super.org/history/monza.html
https://racecarsdirect.com/Advert/Details/136794/1965-alfa-romeo-giulia-super-ti-historic-race
https://www.sportscarmarket.com/profile/1964-alfa-romeo-giulia-ti-super-competition-saloon
https://www.motorbox.com/auto/magazine/lifestyle-auto/alfa-romeo-giulia-1962-77
https://www.classicdriver.com/en/car/alfa-romeo/giulia/1964/578925
https://velocetoday.com/alfas-exclusive-swiss-facility-part-3/#more-155117
https://www.portellofactory.com/en/cars/giulia-ti-super-stradale-2/












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