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| FIAT 642 N2 Bartoletti, 1956 |
Necessitando de um veículo para levar seus carros nas corridas pela Europa, a Ferrari adquiriu um par de ônibus 642 RN2 Alpine da Fiat Veicoli Industriali, e foram entregues à Carrozeria Bartoletti, em Forli, a apenas uma hora de Modena, para adaptá-los ao transporte de carros de corrida. Em 1956, a Bartoletti finalizou as duas unidades e a Ferrari encomendou mais duas, que passaram a transportar as carrocerias Scaglietti, em Modena, e levá-las até Maranello para serem completadas pela Ferrari. Três unidades tinham chassis numerados como 002989, 003002 e um deles cujo número não é conhecido, e o quarto 001461 foi convertido do modelo 682 RN2.
Um dos exemplares foi encontrado em um galpão perto de Cremona, Itália, em 1988, em muito mau estado. Apenas o motor funcionava corretamente, e a carroçaria estava bem atacada pela ferrugem. O colecionador americano Richard Freshman o comprou e restaurou-o ficando como novo; em 1997, Freshman o vendeu para Clive Beecham por US$ 400,000, que por sua vez, o vendeu ao colecionador alemão Fritz Grashei, em cujas mãos repousa até hoje (2026)
Era equipado com um motor Diesel Tipo 364A de 6.650cc
com seis cilindros em linha e 92 cv. Tinha 9,085 m de comprimento, 2,492 m de
largura e 2,924 m de altura. A velocidade máxima atingida era de apenas aproximadamente
85 km/h, suficiente para levar três automóveis, um estoque considerável de
peças e ferramentas, e pelo menos sete tripulantes/mecânicos às pistas.
| O FIAT 642 da Maserati, em fase de restauração |
A Maserati também utilizou um modelo quase idêntico, o FIAT 642 RN2 ‘Alpine’ de 1956, mas com um terceiro eixo com rodagem simples, para aumentar o comprimento geral do transporter. O veículo era utilizado para levar o Maserati 250F de Fangio, campeão de 1957, e registra-se que levou o Maserati Piccolo 250F (chassi 2533) de Fangio para sua última corrida em Reims, em 1958.
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| O interior do FIAT da Maserati |
O transporter foi adquirido por Lance Reventlow, do Team America Scarab, e posteriormente, foi vendido para Carrol Shelby quando ele ainda competia nas corridas. Shelby o repassou para a Alan Mann Racing, de Byfleet, Inglaterra, que corria com os Ford GT 40 na Europa. Por fim, o piloto David Piper que corria com as Ferrari 275 LM e as 330 P numa equipe privada, adquiriu o FIAT Bartoletti, e foi pintado com o verde da BP, que patrocinava a equipe. Em 1969-70, foi adquirida pela Solar Productions, de Steve McQueen, para as filmagens de “Le Mans”, pintado de vermelho para fazer parte da equipe Ferrari.
Após as filmagens, Anthony Bamford da JCB Historic
Racing do Reino Unido, adquiriu o FIAT Bartoletti, e anos depois, o renomado
historiador e entusiasta dos Shelby Cobra Michael Shöen o adquiriu para sua
coleção. Shöen acabou abandonando o FIAT Bartoletti ao ar livre por muitos
anos, e felizmente o ar seco do deserto de Mesa, no Arizona preservou o estado
dele, até que Don Orozco, colecionador e entusiasta dos Scarab, e que também
havia possuído e restaurado o Maserati Piccolo 250 F de Fangio, ficou curioso
com o destino do transportador, e na sua busca, contactou Carrol Shelby, que forneceu
o telefone de Michael Shöen. Joe Shöen, irmão de Michael, era o presidente do
Grupo AMERCO, dona da empresa de aluguel de caminhões U-Haul, e Orozco fez
vários contatos, mas o andamento da negociação acabou ficando lento e não
chegaram a um acordo. Depois de muito tempo, do nada, Orozco recebeu uma
ligação de Harry Duchene, vice-presidente da U-Haul, e nas conversas, se
mostrou bem amigável e cooperativo, de modo que agendaram um encontro em
Scottsdale, de onde foram para Mesa no Arizona.
Ali, num pátio de descarte de equipamentos usados da
U-Haul, Harry mostrou o FIAT Bartoletti dilapidado, desbotado e enferrujado,
sob o sol escaldante, precisando urgentemente de ressuscitação. Sem para
brisas, portas que já não se fechavam, peças faltando, Orozco já imaginava que
teria um grande trabalho para recuperar o antigo brilho do transporter.
Duchene colaborou bastante e revisou o motor Bedford
TurboDiesel na oficina da U-Haul, deixando-o em condições de funcionamento;
mesmo assim, Orozco se empenhou num processo bem caro e exigente para produzir
novos para brisas, peças mecânicas e guarnições de borracha, além dos
instrumentos do painel, revestimentos e painéis de carroçaria. As rampas e o
mecanismo de elevação foram refeitos, o interior para quatro pessoas na
traseira e três na frente, também uma cama dobrável de metal e lona, para que
um piloto dormisse enquanto outro pilotava, para não perder tempo entre os
trajetos para os locais de corrida. Os emblemas e logotipos originais foram refeitos,
e muitos painéis foram moldados à mão para repor os que não podiam ser
recuperados.
Todo o processo de restauração foi conduzido pelos mestres artesãos Olle Erickson, Brad Hand e Willy Stryker, trabalhando cinco dias por semana durante 18 meses, para terminar antes da Corrida Monterey Historics de 2008, em Laguna Seca e o Concurso de Pebble Beach. Depois de todas as fases, a pintura em azul foi refeita por Jesse Cruz, da Equipe RAI, correspondendo às cores utilizadas pela Equipe Shelby Cobra.
Levado ao Monterey Historics de 2008, transportando
dois Scarab da coleção de Orozco, ele comentou: “'Certamente tivemos uma
recepção fantástica, e foi um daqueles momentos realmente angustiosos depois de
um projeto tão imenso e de um período tão intenso de trabalho realmente
minucioso. Para os torcedores californianos em particular, este foi o time Scarab
da nossa juventude revivido e vivo novamente em Laguna'.”
Uma curiosidade com a restauração do FIAT Bartoletti,
aconteceu quando Orozco navegava na Web sobre os Scarab, viu um anúncio sobre
uma colcha e cortinas de tecido estampadas com três Scarab Grand Prix – um
vermelho, um amarelo e um azul – entre outros modelos de Fórmula Um da época.
Negociando a compra, descobriu que a mãe do vendedor havia comprado a colcha e
as cortinas na loja Woolworth’s, cadeia de lojas pertencente a Barbara Hutton,
mãe de Lance Reventlow, que criou os Scarab na década de 1960. Deduz-se que era
uma forma de “merchandising” da época para divulgar a paixão do filho pelas
corridas.
O FIAT Bartoletti foi leiloado em setembro de 2015
pela Bohams Auctions na reunião Goodwood Revival, com o atual proprietário
deixando a JD Classics para manter o histórico veículo em perfeitas condições
de funcionamento. O FIAT foi exibido no Goodwood Revival (2016, 2017), no
Goodwood Members Meeting (2017, 2018) e no Le Mans Classic (2016), onde
completou uma volta no circuito.
Durante sua vida freneticamente movimentada, este
transportador FIAT-Bartoletti transportou carros realmente incríveis – os
Maserati 250F oficiais, os Scarab oficiais, os roadsters Shelby Cobra oficiais
e os cupês Cobra Daytona, os Ford GTs quase oficiais e tantos Ferraris
particulares – pilotados em nível de campeões mundiais por figuras icônicas do
automobilismo como Juan Manuel Fangio, Jean Behra, Harry Schell, Dan Gurney,
Phil Hill, Ken Miles, Graham Hill e muitos outros, merecendo o respeito e
admiração por todo seu histórico passado.
Team Transport #83 – FIAT 642 N2 Bartoletti 1956
A série Team Transport da Hot Wheels é uma coleção
premium lançada em 2018, composta por conjuntos de dois carros: um carro e um
caminhão de transporte com a mesma pintura. Esta série foca-se no transporte de
carros de corrida até as pistas onde se realizavam as competições. As
decorações com as marcas e logotipos celebram as diversas tradições do
automobilismo e a cultura do automóvel. Cada conjunto inclui um carro de
corrida na escala 1:64 e o seu respectivo veículo de transporte, formando um
conjunto que valoriza as coleções com a temática das competições.
A Edição #83 de 2025 é composta pela Ferrari 250 GTO, um novo casting feito por Ronald Wong, depois que a Mattel recuperou o licenciamento para fazer as miniaturas da Ferrari; e o transporte, este o caminhão real que levava as Ferrari para as corridas, o Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter, o único que restou dos quatro que a Ferrari utilizava nos anos 1960. Vale dizer que é um dos poucos caminhões reproduzidos como Hot Wheels de veículos reais, tornando o set bem atrativo para os colecionadores.
A decoração do FIAT Bartoletti baseia-se no chassi 002989. O modelo conta com uma plataforma inferior deslizante. A base da miniatura traz a inscrição "Fiat 642 RN2 Bartoletti".
Ferrari 250 GTO
A Mattel havia perdido o licenciamento para fazer as Ferrari, mas recuperou o contrato em 2024/25, e refez os casting para os modelos lançados nesta nova fase. A 250 GTO foi relançada em grande estilo neste set do Team Transport #83, de 2025, em conjunto com o Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter. A 250 GTO desta nova série é baseada no chassis 3757GT, cujo proprietário é o músico inglês Nick Mason.
A
matéria completa sobre a Ferrari 250 GTO pode ser acessada no link abaixo:
https://leotogashi.blogspot.com/2018/04/ferrari-250-gto.html
Referências:
https://hotwheels.fandom.com/wiki/2025_Car_Culture:_Team_Transport
https://hotwheels.fandom.com/wiki/Ferrari_250_GTO_(2025)
https://www.e-collectable.com/blog/lost-and-found-the-fiat-642-rn2-bartoletti-ferrari-transporter/
https://www.classicdriver.com/en/car/fiat/bartoletti-tipo-642/1956/554250
https://robbreport.com/motors/cars/historic-ferrari-gto-record-auction-most-valuable-1235414924/
https://justacarguy.blogspot.com/2009/02/ferrari-vintage-race-car-transporter.html




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