terça-feira, 11 de agosto de 2026

’70 Ford Escort RS 1600


A primeira geração do Ford Escort foi projetada na Grã-Bretanha como um substituto para o envelhecido Ford Anglia e foi um grande avanço para a empresa nos mercados europeu e da Ásia-Pacífico, com inovações no sistema de direção por cremalheira e pinhão, e suspensões para melhorar sua dirigibilidade e desempenho. Apresentado no final de 1967 como modelo 1968, era um carro familiar, pequeno europeu, contrariando a tendência da tração dianteira que surgia em muitos dos carros de sua classe, o Escort com chassi monobloco, suspensão MacPherson na dianteira e eixo rígido De Dion na traseira com molas semi-elípticas; era equipado com o pequeno motor 1,1 litro, baixa taxa de compressão e baixa potência; visava mais a economia do que desempenho. 





Nas configurações Sedan (2 e 4 portas), perua e ‘panel van’ (tipo fugão), foi lançado no Brussel Motor Show (Salão de Bruxelas) nas versões De Luxe, Super, Super 1300cc e GT.


O design é típico dos anos 1970, e a grade em formato de “osso de cão” conferiu-lhe uma personalidade distinta. Seu ponto forte era a simplicidade e a robustez do conjunto, aliados à agilidade pelo baixo peso, era apenas questão de tempo para receber um motor que pudesse usar todo o potencial do pequeno Escort.

Equipado com o motor Kent crossflow, com 1,1 L e 1,3 L, e outro de 940cc disponível para alguns mercados de exportação, como Itália e França.

O Escort que venceu o Rally do Mexico em 1970.

A versão esportiva 1300GT vinha com o 1,3 L com comando simples no cabeçote, mas logo foi disponibilizado o 1,5 litro com duplo comando (Twin Cam – Group 2) feito pela Lotus com 8 válvulas no cabeçote para equipar o Lotus Elan da época. Uma vitória significativa foi no 1970 London to Mexico World Cup Rally (a Copa 70 em que o Brasil foi tricampeão), com o finlandês Hannu Mikola e seu co-piloto sueco Gunnar Palm, com um Escort Twin Cam de 1599cc de 85 hp a 5500 rpm e 124 N-m de torque a 4000 rpm. Em novembro de 1970, a Ford lançou uma edição comemorativa deste feito equipados com o motor de 1598 cc Cross-flow e vendeu 10.352 exemplares com reforços na carroçaria para os que desejavam colocar o carro em corridas. O mesmo motor equipava o Escort Sport, versão com acabamento mais simplificado, e mais tarde a versão 1300E (“E” de Executiva) com um acabamento mais sofisticado, com detalhes de madeira no painel e nos revestimentos internos das portas.



Sua carreira esportiva começou quando Brian Hart preparou um MKI para correr em Rallies e atingiu 245 hp no motor. Com as competições de Rally são comuns na Europa, foi um passo para a Cosworth pegar o motor BDA (Belt Drive A Series) de 1,5 litros e levá-lo a 1601 cc, ganhando a sigla RS (Rally Sport), com o bloco do motor “Cross-Flow” e o cabeçote de 16 válvulas da Cosworth. Imediatamente, o pequeno Escort RS começou a ganhar várias corridas de rally, e fez a fama dos ingleses na versão de “muscle-cars” europeus: pequenos carros e motores potentes!

A própria Ford disponibilizou versões mais apimentadas do Escort, como a Twin Cam, México, RS1600 e a RS2000, criando uma reputação consagrada nos Rallies em que competiu.



O Twin Cam (DOHC) tinha o motor de 1558cc, de 8 válvulas por cilindro, dois carburadores Weber 40 DCOE, gerando 110 hp a 6000 rpm, atingindo a velocidade máxima de 182 km/h. A carroçaria era reforçada, túnel de transmissão modificado e suspensão do Lotus Cortina com diferencial Atlas. Foi concebida visando a homologação para correr nos ralis do Grupo 2 da FIA. Um modelo preparado para a Alan Mann Racing correr no Campeonato Britânico de Carros de Turismo em 1968 e 1969, com motor Ford FVA de 16 válvulas (o mesmo utilizado na Formula 2) produzia mais de 200 cv, e pilotado ´pelo australiano Frank Gardner venceu facilmente o campeonato de 1968.

O México foi batizado assim para homenagear a vitória do Escort MKI no Rali Mundial Londres-México. Com o motor Kent de 1601cc, caixa de câmbio 2000E e freios a disco do modelo RS1600, ficou posicionado acima do 1300GT e do luxuoso 1300E.



O RS1600 lançado em abril de 1970 tornou-se um ícone de alto desempenho, fabricado na Advanced Vehicle Operations da Ford em Aveley, especializada em preparar carros de maior performance. Era equipado com o motor BDA (Belt Drive, A Type) de 1601cc com duplo comando no cabeçote, desenvolvido pela Cosworth, gerava 120 hp de potência, acelerava de 0 a 60 mph em 8,9 segundos, atingindo a máxima de 113 mph (182 km/h). Seu câmbio era o 2000E de quatro marchas, freios Girling PowerStop com discos dianteiros e tambores traseiros, fazendo-o um sucesso nos ralis. Apenas 1.137 exemplares do Escort RS1600 foram construídos, tornando-o bastante procurado entre os colecionadores.

A versão RS2000 tinha o motor Pinto OHC de 2,0 litros gerando 140hp a 5750rpm e 146 Nm de torque a 3750 rpm. Atingia 175 km/h de velocidade máxima e fazia de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos.


O Escort foi um sucesso no mercado, atingindo dois milhões de unidades vendidas apenas seis anos após seu lançamento, com 60% da produção feita na Grã-Bretanha e o restante na Europa. O Ford Escort foi construído ou montado em vários países: na Europa (Bélgica e depois Alemanha), além de Austrália e Nova Zelândia; montado em CKD em Israel e África do Sul; comercializado também no Japão (somente o sedã 4 portas com motor 1,3L por causa do imposto menor) especialmente nos países em que a direção fica no lado direito do carro.

O Ford Escort MKI é considerado como a primeira geração, foi fabricada do final de 1967 até 1974, quando foi substituída pela segunda geração, o Escort Mark II, desenvolvida em conjunto pela Ford do Reino Unido e Alemanha.

1973 Ford Escort RS1600 Works Rally - Roger Clark

O Escort de Roger Clark, vencedor do RAC Rally de 1972.

O Ford Escort da foto foi preparado pela Ford Works, o Departamento de Competição Ford Boreham, onde eram desenvolvidos e preparados os carros de Rally da Ford Britânica.

Roger Clark, famoso piloto britânico de rallyes, o primeiro a vencer o RAC Rally em dupla com Tony Mason em 1972 pilotando um Ford Escort RS 1600 MKI por 580 km, em difíceis condições de pista e no inverno, em dezembro de 1972. Na sequência, foram mais sete vitórias consecutivas no RAC Rally, nas mãos de pilotos como Hannu Mikola, Timo Makkinen e Björn Waldegard.

O carro continuou competindo até 1974, no World Cup Rally. Restaurado para as condições iniciais, tem o motor Cosworth BDG com carburadores Weber, uma caixa de velocidades ZF de competição com cinco marchas, e uma transmissão traseira Atlas reforçada com diferencial de deslizamento limitado. A suspensão é reforçada, com amortecedores Bilstein, rodas Minilite clássicas, características dos carros de rallye dos anos setenta.

Fast And Furious 6


Com a franquia de Dom Toretto e sua equipe fazendo sucesso, os produtores precisavam ampliar as marcas de automóveis utilizados nos filmes, e a internacionalização dos roteiros abriu a oportunidade para incluir carros europeus e superesportivos, além dos tunados japoneses e “muscle-cars” americanos.

Para F&F 6, a produção comprou cinco Escort RS 1600 na Grã-Bretanha e os reconstruiu completamente para as filmagens, pintados na clássica or azul com faixas brancas. Alguns tinham o motor Vauxhall Redtop de 2L da Opel, enquanto outros eram equipados com os Kent de 1,6 L com cabeçotes DOHC Cosworth, carburadores WEBER duplos, e cambio de cinco marchas manual, foram instalados roll-bars e um par de bancos de corrida. O painel de instrumentos foi substituído com medidores Revotec, e não tinham chave de ignição; só um interruptor ligado à bateria para acionar a bomba de combustível e dar a partida no motor de arranque.

As rodas Compomotive Minilite de 13x7 polegadas eram calçadas com pneus Federal Super Steel 595, e saíam das caixas das rodas, mesmo com os alargadores e spoilers aplicados à carroçaria.


No filme, Tej Parker compra o Escort e outros carros num leilão, e durante a perseguição ao tanque na rodovia, Brian ajuda Roman a escapar do Mustang que está sendo atropelado pelo tanque. Brian salta de uma pista para a outra e consegue que Roman salte no teto do Escort, e freia o carro, com o tanque passando ao seu lado. Neste salto, um dos carros caiu na pista e capotou, ficando com as quatro rodas para cima. Outro caiu sobre as rodas, mas teve sua estrutura comprometida; após o filme, ficou armazenado num galpão por anos, até que foi adquirido por um colecionador e restaurado a um custo de £70 mil. Outro foi utilizado para a sequência, num salto menor, e seguiu o rastro do tanque para o resgate de Roman.

Da minha coleção

O Escort de Brian, na escala 1:55 

O Escort RS1600 de Fast & Furious 6 é um Hot Wheels, mas na escala 1:55, um pouco maior do que os Hot Wheels comuns. É de uma série especial que a Mattel fez com poucos carros, de filmes diversos da franquia, e creio que não teve boas vendas, pois não teve sequência nos anos seguintes. O casting é perfeito, reproduz bem o carro utilizado no filme, e as rodas (sempre elas) são bem fiéis ao original.

O EScort de Fast&Furious 6 na escala 1:64

O mesmo Escort de F&F 6 saiu na Série Fast & Furious: Fast Imports, em 2019, na escala 1:64, seguindo o mesmo design do filme.


O preto acima Nº 16 saiu na Série Car Culture: Door Slammers, em 2020.

Da Série HW Dirt

O Escort de Nº 70 (referindo-se ao ano do original) tem a cor Metalflake Rootbeer, e saiu na Série HW Dirt, em 2026; todos, exceto este, tem rodas especiais com pneus de borracha. O modelo consta da linha Hot Wheels em todos os anos, desde que foi lançado em 2015, com diversas decorações e cores, muitos deles com pintura de competição, evocando seu passado de vitórias nos Rallies.

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2770_Ford_Escort_RS1600

https://supercarnostalgia.com/blog/ford-escort-mk1-rs1600

https://www.carandclassic.com/pt/carro/C2030369

https://mk1escort.org/the-complete-history-of-the-mk1-ford-escort/

https://www.ultimatespecs.com/br/carros-ficha-tecnica/Ford/148754/Ford-Escort-I-RS2000.html

https://fastandfurious.fandom.com/wiki/Ford_Escort_MK_I#SnippetTab

https://www.edmunds.com/car-reviews/features/fast-furious-6-cars-1970-ford-escort-rs1600.html

https://www.roadandtrack.com/car-culture/entertainment/a34142126/fast-6-crashed-two-real-ford-escort-rs1600s/

Video from Craig Lieberman, technical advisor for F&F 6 – Ford Escort RS1600 ’70:

https://www.youtube.com/watch?v=8y49ovREUuI

https://youtu.be/8y49ovREUuI

https://youtu.be/gu3jFPjBNeg

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Escort_(Europe)

Roger Clark (rally driver) - Wikipedia


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter

FIAT 642 N2 Bartoletti, 1956

Necessitando de um veículo para levar seus carros nas corridas pela Europa, a Ferrari adquiriu um par de ônibus 642 RN2 Alpine da Fiat Veicoli Industriali, e foram entregues à Carrozeria Bartoletti, em Forli, a apenas uma hora de Modena, para adaptá-los ao transporte de carros de corrida. Em 1956, a Bartoletti finalizou as duas unidades e a Ferrari encomendou mais duas, que passaram a transportar as carrocerias Scaglietti, em Modena, e levá-las até Maranello para serem completadas pela Ferrari. Três unidades tinham chassis numerados como 002989, 003002 e um deles cujo número não é conhecido, e o quarto 001461 foi convertido do modelo 682 RN2.


Um dos exemplares foi encontrado em um galpão perto de Cremona, Itália, em 1988, em muito mau estado. Apenas o motor funcionava corretamente, e a carroçaria estava bem atacada pela ferrugem. O colecionador americano Richard Freshman o comprou e restaurou-o ficando como novo; em 1997, Freshman o vendeu para Clive Beecham por US$ 400,000, que por sua vez, o vendeu ao colecionador alemão Fritz Grashei, em cujas mãos repousa até hoje (2026)

Era equipado com um motor Diesel Tipo 364A de 6.650cc com seis cilindros em linha e 92 cv. Tinha 9,085 m de comprimento, 2,492 m de largura e 2,924 m de altura. A velocidade máxima atingida era de apenas aproximadamente 85 km/h, suficiente para levar três automóveis, um estoque considerável de peças e ferramentas, e pelo menos sete tripulantes/mecânicos às pistas.

O FIAT 642 da Maserati, em fase de restauração

A Maserati também utilizou um modelo quase idêntico, o FIAT 642 RN2 ‘Alpine’ de 1956, mas com um terceiro eixo com rodagem simples, para aumentar o comprimento geral do transporter. O veículo era utilizado para levar o Maserati 250F de Fangio, campeão de 1957, e registra-se que levou o Maserati Piccolo 250F (chassi 2533) de Fangio para sua última corrida em Reims, em 1958.

O interior do FIAT da Maserati

O transporter foi adquirido por Lance Reventlow, do Team America Scarab, e posteriormente, foi vendido para Carrol Shelby quando ele ainda competia nas corridas. Shelby o repassou para a Alan Mann Racing, de Byfleet, Inglaterra, que corria com os Ford GT 40 na Europa. Por fim, o piloto David Piper que corria com as Ferrari 275 LM e as 330 P numa equipe privada, adquiriu o FIAT Bartoletti, e foi pintado com o verde da BP, que patrocinava a equipe. Em 1969-70, foi adquirida pela Solar Productions, de Steve McQueen, para as filmagens de “Le Mans”, pintado de vermelho para fazer parte da equipe Ferrari.

Após as filmagens, Anthony Bamford da JCB Historic Racing do Reino Unido, adquiriu o FIAT Bartoletti, e anos depois, o renomado historiador e entusiasta dos Shelby Cobra Michael Shöen o adquiriu para sua coleção. Shöen acabou abandonando o FIAT Bartoletti ao ar livre por muitos anos, e felizmente o ar seco do deserto de Mesa, no Arizona preservou o estado dele, até que Don Orozco, colecionador e entusiasta dos Scarab, e que também havia possuído e restaurado o Maserati Piccolo 250 F de Fangio, ficou curioso com o destino do transportador, e na sua busca, contactou Carrol Shelby, que forneceu o telefone de Michael Shöen. Joe Shöen, irmão de Michael, era o presidente do Grupo AMERCO, dona da empresa de aluguel de caminhões U-Haul, e Orozco fez vários contatos, mas o andamento da negociação acabou ficando lento e não chegaram a um acordo. Depois de muito tempo, do nada, Orozco recebeu uma ligação de Harry Duchene, vice-presidente da U-Haul, e nas conversas, se mostrou bem amigável e cooperativo, de modo que agendaram um encontro em Scottsdale, de onde foram para Mesa no Arizona.

Ali, num pátio de descarte de equipamentos usados da U-Haul, Harry mostrou o FIAT Bartoletti dilapidado, desbotado e enferrujado, sob o sol escaldante, precisando urgentemente de ressuscitação. Sem para brisas, portas que já não se fechavam, peças faltando, Orozco já imaginava que teria um grande trabalho para recuperar o antigo brilho do transporter.

Duchene colaborou bastante e revisou o motor Bedford TurboDiesel na oficina da U-Haul, deixando-o em condições de funcionamento; mesmo assim, Orozco se empenhou num processo bem caro e exigente para produzir novos para brisas, peças mecânicas e guarnições de borracha, além dos instrumentos do painel, revestimentos e painéis de carroçaria. As rampas e o mecanismo de elevação foram refeitos, o interior para quatro pessoas na traseira e três na frente, também uma cama dobrável de metal e lona, para que um piloto dormisse enquanto outro pilotava, para não perder tempo entre os trajetos para os locais de corrida. Os emblemas e logotipos originais foram refeitos, e muitos painéis foram moldados à mão para repor os que não podiam ser recuperados.


Todo o processo de restauração foi conduzido pelos mestres artesãos Olle Erickson, Brad Hand e Willy Stryker, trabalhando cinco dias por semana durante 18 meses, para terminar antes da Corrida Monterey Historics de 2008, em Laguna Seca e o Concurso de Pebble Beach. Depois de todas as fases, a pintura em azul foi refeita por Jesse Cruz, da Equipe RAI, correspondendo às cores utilizadas pela Equipe Shelby Cobra.

Levado ao Monterey Historics de 2008, transportando dois Scarab da coleção de Orozco, ele comentou: “'Certamente tivemos uma recepção fantástica, e foi um daqueles momentos realmente angustiosos depois de um projeto tão imenso e de um período tão intenso de trabalho realmente minucioso. Para os torcedores californianos em particular, este foi o time Scarab da nossa juventude revivido e vivo novamente em Laguna'.”

Uma curiosidade com a restauração do FIAT Bartoletti, aconteceu quando Orozco navegava na Web sobre os Scarab, viu um anúncio sobre uma colcha e cortinas de tecido estampadas com três Scarab Grand Prix – um vermelho, um amarelo e um azul – entre outros modelos de Fórmula Um da época. Negociando a compra, descobriu que a mãe do vendedor havia comprado a colcha e as cortinas na loja Woolworth’s, cadeia de lojas pertencente a Barbara Hutton, mãe de Lance Reventlow, que criou os Scarab na década de 1960. Deduz-se que era uma forma de “merchandising” da época para divulgar a paixão do filho pelas corridas.

O FIAT Bartoletti foi leiloado em setembro de 2015 pela Bohams Auctions na reunião Goodwood Revival, com o atual proprietário deixando a JD Classics para manter o histórico veículo em perfeitas condições de funcionamento. O FIAT foi exibido no Goodwood Revival (2016, 2017), no Goodwood Members Meeting (2017, 2018) e no Le Mans Classic (2016), onde completou uma volta no circuito.

Durante sua vida freneticamente movimentada, este transportador FIAT-Bartoletti transportou carros realmente incríveis – os Maserati 250F oficiais, os Scarab oficiais, os roadsters Shelby Cobra oficiais e os cupês Cobra Daytona, os Ford GTs quase oficiais e tantos Ferraris particulares – pilotados em nível de campeões mundiais por figuras icônicas do automobilismo como Juan Manuel Fangio, Jean Behra, Harry Schell, Dan Gurney, Phil Hill, Ken Miles, Graham Hill e muitos outros, merecendo o respeito e admiração por todo seu histórico passado.

Team Transport #83 – FIAT 642 N2 Bartoletti 1956

A série Team Transport da Hot Wheels é uma coleção premium lançada em 2018, composta por conjuntos de dois carros: um carro e um caminhão de transporte com a mesma pintura. Esta série foca-se no transporte de carros de corrida até as pistas onde se realizavam as competições. As decorações com as marcas e logotipos celebram as diversas tradições do automobilismo e a cultura do automóvel. Cada conjunto inclui um carro de corrida na escala 1:64 e o seu respectivo veículo de transporte, formando um conjunto que valoriza as coleções com a temática das competições.

FIAT 642 N2 Bartoletti


A Edição #83 de 2025 é composta pela Ferrari 250 GTO, um novo casting feito por Ronald Wong, depois que a Mattel recuperou o licenciamento para fazer as miniaturas da Ferrari; e o transporte, este o caminhão real que levava as Ferrari para as corridas, o Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter, o único que restou dos quatro que a Ferrari utilizava nos anos 1960. Vale dizer que é um dos poucos caminhões reproduzidos como Hot Wheels de veículos reais, tornando o set bem atrativo para os colecionadores.


A decoração do FIAT Bartoletti baseia-se no chassi 002989. O modelo conta com uma plataforma inferior deslizante. A base da miniatura traz a inscrição "Fiat 642 RN2 Bartoletti".

Ferrari 250 GTO



A Mattel havia perdido o licenciamento para fazer as Ferrari, mas recuperou o contrato em 2024/25, e refez os casting para os modelos lançados nesta nova fase. A 250 GTO foi relançada em grande estilo neste set do Team Transport #83, de 2025, em conjunto com o Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter. A 250 GTO desta nova série é baseada no chassis 3757GT, cujo proprietário é o músico inglês Nick
 Mason.






A matéria completa sobre a Ferrari 250 GTO pode ser acessada no link abaixo:

https://leotogashi.blogspot.com/2018/04/ferrari-250-gto.html

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/2025_Car_Culture:_Team_Transport

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Ferrari_250_GTO_(2025)

https://www.e-collectable.com/blog/lost-and-found-the-fiat-642-rn2-bartoletti-ferrari-transporter/

https://www.classicdriver.com/en/car/fiat/bartoletti-tipo-642/1956/554250

https://robbreport.com/motors/cars/historic-ferrari-gto-record-auction-most-valuable-1235414924/

https://justacarguy.blogspot.com/2009/02/ferrari-vintage-race-car-transporter.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Lance_Reventlow

terça-feira, 21 de julho de 2026

Ford C800 - Caminhões Ford da Série C

Ford C-800, chassi curto

A Série C dos caminhões médios da Ford iniciou sua fabricação em 1948, baseada na Serie F, porém tinha a característica que ficou conhecida como COE, ou “Cab Over the Engine” (cabine sobre o motor), devido à redução do comprimento da cabine para aproveitamento do restante da plataforma de carga, ela ficava posicionada mais alta e os pés do motorista acabavam ficando logo acima do final do motor.

Os primeiros da Série C, com o design COE - Cab Over the Engine

O design acompanhava o visual da Série F, e tinha várias versões de 1948 a 1952: C-500, C-600, C-700, C-750, C-800, C-850 e C-900, este último também tinha a versão “Big Job” destinada basicamente para ser equipado para os Corpos de Bombeiros. As versões equipadas com motores Diesel tinham um zero a mais na nomenclatura (C-8000).


Em 1957, a Ford renovou o design da Serie C, com linhas mais retilíneas e a cabine avançada (à frente do eixo dianteiro), e para acessar os componentes mecânicos, toda a cabine era escamoteável, facilitando as operações de manutenção. Projetada pela Ford, era construída pela Budd Company, e de forma incomum, a Ford autorizava que a Budd Company fornecesse a cabine também para outros fabricantes de caminhões, sempre sob aprovação da Ford.

A cabine escamoteável facilitava a manutenção mecânica

Pelo menos quatro fabricantes utilizaram a cabine inclinável da Budd Company, sendo o mais conhecido o Mack “N”, produzido de 1958 a 1962. A Four-Wheel-Drive Auto Company utilizou algumas cabines da Série C da Ford, e a Yankee-Walter usava componentes da Série C em alguns de seus caminhões de emergência em aeroportos, e no Canadá, a Thibault, de Pierreville, Quebec, usou peças da Série C em seus caminhões de bombeiros.


Os motores com que foi equipado durante sua vida foram os movidos a gasolina, um seis cilindros em linha com 300 cid (4,9L), um V8 Super Duty com 401 cid, 477 cid e 534 cid, os Y-Block Ford 292 e 292HD (até 1963), //os Ford 330MD/HD, 359XD, 361 e 389XD, 391FT V8 (de 1964 a 1978), o Lincoln V8 Y-Block de 302 e 332 cid (de 1957 a 1963) e motores comerciais Ford de 370 e 429 cid (de 1979 a 1990).


Os motores Diesel foram os Caterpillar 1160/3208 V8, Cummins Série N de seis cilindros em linha, este o primeiro caminhão Ford equipado com motor Diesel nos Estados Unidos, tendo a opção de ser equipado com um turbo-compressor; Cummins C8.3 também com seis cilindros em linha, Ford 6,6L e 7,8L com seis cilindros em linha, e o V8 Detroit 8,2L “Fuel Pincher”.

Vários Corpos de Bombeiros utilizaram os C-800 Big Job

As transmissões incluíam uma caixa manual de cinco velocidades com duas relações de diferencial, totalizando dez marchas ao todo. Havia outra caixa Roadranger com oito velocidades e uma automática com seis marchas.


Com diversos comprimentos de chassi, o C-800 serviu para transportar inúmeros tipos de cargas e setores de transporte, como basculantes para construção, caminhões de lixo para diversas prefeituras, carroçaria de carga seca, baús para cargas diversas como alimentos e bebidas, os chassis com entre eixos curto serviam como guinchos, ou equipados com a quinta roda, puxavam carretas com diversas configurações abertas ou baús; e os “Big Job”, equipados com motores mais potentes e direcionados para ser equipados como Bombeiros ou veículos de emergência em aeroportos.

A Série C foi fabricada até 1990, apenas com pequenas mudanças de design, mantendo o mesmo estilo com que foi renovado em 1957. Foi fabricado também no Canadá com a marca Mercury como M-Series Truck até 1972.


Série H, com cabines mais altas e eixo dianteiro avançado

Em 1961, a Ford introduziu uma variante da Serie C para entrar no mercado da Classe 8, de caminhões pesados. Chamada de Série H, sua cabine era muito mais alta do que a Série C, e o eixo dianteiro foi movido para frente, ficando mais próximo do para choque. A Série H ficou conhecida também pelo nome Falcon, e foi fabricada até 1966, quando foi substituída pelos caminhões COE da Série W.

Ford Cargo, fabricado no Brasil

Em 1981, a Ford introduziu o Ford Cargo, inicialmente fabricado na Europa, com o design de cabine avançada, bem mais moderna do que os da Série C, que sobreviveu até o ano de 1990, depois de 33 anos, quando efetivamente deixou de ser fabricado. A partir de 1986, o Ford Cargo passou a ser comercializado nos Estados Unidos vindo da planta do Brasil, convivendo até o final dos anos 1980 com a Série C.

Da minha coleção

Ford C-800, Série Car Culture: Team Transport #28, 2021


O Ford C-800 é um transporte de carros de corrida, saiu na Série Car Culture: Team Transport #28, Mix 1, em 2021. É um dos poucos caminhões Hot Wheels que reproduzem um modelo real, e no set que acompanha o Mercury Comet Cyclone, é mais fiel à escala, ficando mais proporcional do que o modelo Mainline da Matchbox.





Ford C-900, Matchbox




O C-900 amarelo é da Matchbox, Mainline, e podemos notar que o Casting é um pouco diferente nas proporções entre o Matchbox e Hot Wheels. A grade do Matchbox é mais fiel ao original, ao passo que a altura da cabine é mais correta no Hot Wheels, e o lettering “FORD” um tanto exagerado.

Comparando os modelos da Hot Wheels com Matchbox e o Caminhão real


Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Ford_C-800

https://classiccars.fandom.com/wiki/Ford_C-Series

https://www.curbsideclassic.com/blog/vintage-trucks/vintage-truck-of-the-day-ford-h-series-jacked-up-c-series-highway-tractor/

https://motor-car.net/ford-usa/item/25830-ford-c-series