quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ford Cortina – Lotus Cortina

Ford Cortina, no London Motor show de 1962

O Ford Cortina foi lançado no Reino Unido em 1962, e a geração Mk1 foi fabricada até o ano de 1966. O final dos anos 1950 prenunciava tempos animadores para uma Europa que começava a esquecer as agruras da II Guerra, retomando a vida onde tudo de bom podia ser feito.

O mercado automobilístico também era um reflexo desta atitude, e a Ford britânica trabalhava febrilmente para atender este anseio do público com novos modelos. O projeto do Ford Cortina ganhou forma em 1960, e em três meses, foi construído um modelo em argila em tamanho real, e entrou em produção apenas 21 meses depois, um tempo recorde para a época.

Patrick Hennessy, presidente da Ford Britânica, visitou os Estados Unidos em 1960, e soube que a Ford americana havia abandonado um projeto de um sedã compacto, repassando-o para a Ford da Alemanha. Era um pequeno sedã cujo codinome era “Cardinal”, tinha um motor V4 com tração dianteira, e eventualmente, se tornaria o Taunus 12M na Alemanha.

Ford Cortina, modelo de pré-produção

Hennessy viu potencial no conceito, mas acreditava que o mercado britânico precisava de um modelo mais simples e econômico. Voltou para o Reino Unido e trouxe Harley Copp, para chefiar a Unidade de Design e Engenharia, e liderou todos os projetos da Ford britânica durante a década de 1960, até retornar aos Estados Unidos depois da conclusão do Cortina Mk3.

Hennessy convenceu a Ford americana a lhe dar passe livre para desenvolver a versão britânica deste carro, e apesar de serem a mesma companhia, as divisões britânica e alemã não tinham uma boa política de cooperação, então, eles assumiram o projeto a seus modos, denominando inicialmente como Consul 225, e depois como “Project Archbishop”.


Terence (Terry) Beckett foi designado Chefe de Planejamento de Produto, e Fred Hart, Engenheiro-Chefe de Carros Leves ─ que tinha experiência por desenvolver o Ford Anglia e Consul ─ ficaram responsáveis pela engenharia e design do novo modelo. As diretrizes eram ter um design distintivo da concorrência, uma construção inovativa com redução de peso (menos de 770 kg), o máximo de espaço e conforto para um carro pequeno, e agradável de dirigir. Dennis Roberts, engenheiro vindo da Bristol Aeroplane, trouxe a tecnologia aeronáutica empregada na construção do carro.

Roy Brown, mais conhecido por desenhar o malfadado Edsel, foi exilado para a Grã-Bretanha, e colaborou na finalização do Project Archbishop. Brown e a equipe entregaram o Ford Cortina, um carro pequeno, simples, mas altamente eficaz; com um design de linhas angulares, vincos afilados nas laterais e as lanternas traseiras CND, que se tornaram icônicas.

Equipado com o motor “Kent” 105E do Anglia, aumentado para 1.198 cc, gerava 49 hp, atingindo 75 mph (120 km/h) de máxima, e fazendo de 0-60 mph (96 km/h) em 22,5 segundos. Tinha suspensões dianteiras McPherson e eixo rígido traseiro, e seu peso ficou apenas 20 lb (9,0 kg) a mais do que o previsto.

Terence Beckett (depois recebeu o título de “Sir”) disse: “O Cortina ficou abaixo do custo e, o mais importante, fizemos isso em tempo recorde. Acredito que levamos 21 meses desde o protótipo em argila em tamanho real até o primeiro protótipo, o que, na época era um recorde absoluto para a indústria. Decidimos que precisávamos de uma carroceria maior e também de mais espaço para as rodas. Decidimos que iríamos incluir um porta-malas de verdade – de certa forma, exageramos um pouco, mas era perfeito para um representante que queria levar amostras e também para o motorista da família.”

Ford Consul Cortina Saloon (sedã 4 portas), 1963

Lançado em 20 de setembro de 1962 no London Motor Show, o Ford Cortina definiu o segmento dos carros familiares pelas próximas duas décadas, sedimentando a liderança da Ford Britânica no mercado.

O pequeno sedã veio com o motor de 1.198 cc com três mancais, com válvulas no cabeçote, derivado do Ford Anglia; um modelo familiar prático e despretensioso, mas que trazia uma engenharia moderna debaixo de sua aparência discreta. As vendas impressionantes confirmaram as previsões de Hennessy, e o Cortina se tornou o mais novo queridinho do mercado.

Isso motivou a Ford a incrementar o Cortina, e já em 1963, lançava o Cortina Super, equipado com o motor ampliado para 1.498 cc, com cinco mancais, prenunciando a vocação esportiva do modelo, preparando o caminho para a vinda da versão GT, lançada no verão de 1963.

Ford Cortina GT, 1965

O Cortina GT foi uma grande evolução, comprovando que os compradores queriam mais desempenho. A suspensão foi rebaixada, e o motor de 1.498 cc preparado para gerar 78 cv, com um comando mais agressivo, um cabeçote retrabalhado com dutos maiores, um coletor de escape tubular e o carburador WEBER 28/36 DCD de corpo duplo, tornaram o pacato Cortina o terror de sua classe frente aos Morris Marina da BLMC e Sunbeam da Chrysler britânicos. A revista Autocar de 1963 apontava que o carro fazia de 0-60 mph em 13,9 segundos e atingia a máxima de 94 mph (152 km/h).

Ainda em 1963 a linha foi ampliada com a introdução da versão 1200 DeLuxe e o 1500 Super, esta última também disponível como Station-Wagon, com painéis de madeira nas laterais, imitando as grandes peruas americanas com estes acabamentos.

Lotus Cortina, 1964

Colin Chapman com Jim Clark no Lotus Cortina

O último e maior desenvolvimento desta geração Mk1 do Cortina foi o Lotus Cortina, versão de alta performance feita em colaboração com a Lotus, de Colin Chapman, para correr no Grupo 2, que exigia pelo menos 1.000 exemplares para ser homologado. Partindo de um motor quatro cilindros (125E/126E) de 1.558 cc, com duplo comando no cabeçote, modificado por Chapman e instalado no Lotus Coventry Climax, o Lotus Cortina veio a ser um formidável competidor nas corridas e um ícone, a seu próprio modo. O motor gerava 105 hp a 5500 rpm e 146 N-m de torque a 5500 rpm. Os exemplares de corrida tinham até 150 hp no motor. Um total de 3.306 exemplares foram construídos, mais de três vezes os 1.000 carros previstos que o chefe de competição Walter Hayes havia imaginado.

A suspensão modificada pela Lotus

O motor 1,6 litro com 150 hp

Chapman instalou este motor, acoplado a um câmbio manual de quatro marchas, com carcaça em alumínio, com as relações do Lotus Elan; carburadores que captavam o ar fresco do nariz do carro, um radiador maior e de maior capacidade e cardã em peça única com diâmetro de 3 polegadas. A suspensão traseira foi rebaixada e redesenhada com molas e amortecedores verticais, em vez das lâminas, com braços de arrasto para posicionar o eixo; e havia um braço triangular, com o vértice fixado na carcaça do diferencial e os tirantes presos à carroceria. A carcaça do diferencial também era de alumínio, visando a redução do peso.

A suspensão dianteira também foi modificada, com molas mais curtas e amortecedores mais firmes, com braços forjados em vez dos estampados, o camber e o cáster foram alterados e barras estabilizadoras foram instaladas para melhorar o desempenho nas curvas. O sistema de direção recebeu novos tirantes, a caixa de direção teve a relação melhorada em 12%, e o volante foi trocado por um de 15 polegadas, com aro de madeira e centro com o logotipo da Lotus, e a coluna teve o comprimento reduzido, ficando pouco mais recuada, mas os raios do volante ficaram mais cônicos, para melhorar a posição de pilotagem.

Os freios eram Girling com discos de 9,5 polegadas na frente e tambores de 9x1,75 polegadas atrás, com servofreio. As rodas de aro 13 tinham 5,5 polegadas de tala.

No interior, novos bancos foram feitos pela Lotus, com mais suporte lateral, mais inclinados e confortáveis. O consolo central tinha apoio para os braços; o painel de instrumentos tinha velocímetro até 140 mph (225 km/h), conta-giros até 8000 rpm, marcadores de combustível, pressão do óleo, temperatura da água, similar ao do Lotus Elan.

Ford Consul Cortina Sports Special, mais conhecido
como Lotus Cortina

A carroçaria do Lotus Cortina recebia o piso do Sedan 2 portas Type 74 Saloon, reforçado, para dar mais rigidez às torções. Era feito na fábrica de Dagenham, mas fora da linha normal de produção, nos estágios iniciais da construção do monobloco. Depois recebia os demais componentes (faróis, vidros, luzes, aquecedor, limpadores de para brisa, motor, fechaduras e outros itens). Só então ele era enviado para Cheshunt, a fábrica da Lotus em Hertforshire, Reino Unido, para montagem final com os componentes especiais da Lotus e a decoração final.

A Lotus substituía as portas, capô do motor e do porta-malas por peças feitas de alumínio, a bateria era realocada no porta-malas, as suspensões eram modificadas e recebiam alguns componentes especiais. No exterior, a cor Ermine White era padrão, com as faixas em Verde Sherwood, emblemas da Lotus no final delas e na grade dianteira.

Em janeiro de 1963, o Consul Cortina Sports Special foi lançado, mas ao chegar ao mercado, passou a ser conhecido como Lotus Cortina pela imprensa automotiva. Michael Turner foi o ilustrador que fez as imagens da brochura de lançamento do Lotus Cortina, e a figura mostra Colin Chapman no banco do passageiro, e concluímos que o piloto é Jim Clark, que fez vários testes nos carros de pré-produção ─ tanto do carro de rua como do Lotus Cortina ─ e se tornou um embaixador, para divulgar o Lotus Cortina, a Ford, a Lotus, e o esporte motor da Inglaterra nos anos 1960.


A imagem de Jim Clark fazendo curvas em três rodas
ficou antológica

O Team Lotus corria no Reino Unido, enquanto Alan Mann Racing competia nas pistas da Europa, e a Ford americana inscrevia o Lotus Cortina na Trans-Am na classe abaixo de 2000 cc. Conseguiu pódios no Campeonato Austríaco de Carros Sedan, no Campeonato Sul-Africano de Sedan Nacionais, no Campeonato de Gelo Sueco e no “Wills” Seis Horas da Nova Zelândia. No 1964 BRSCC British Saloon Car Championship, Jim Clark, correndo com o Lotus Cortina, venceu todas as 8 etapas, sagrando-se campeão invicto na Classe B. São famosas as imagens de Jim Clark fazendo as curvas em apenas três rodas com o Lotus Cortina, e conta-se que uma ocasião, Chapman andou com Clark e se surpreendia com a forma com que ele entrava nas curvas, fazendo uma trajetória diferente do habitual (Chapman também correu como piloto), e Clark explicou que cada carro exigia dele um comportamento diferente (ele corria com os Formula Um e Dois). 


O Lotus Cortina de Jim Clark, campeão da temporada de 1964 

Evento em homenagem aos 50 anos da vitória 
de Jim Clark

Outros Lotus Cortina também estavam presentes
O Lotus Cortina usado por Clark na temporada de 1964 hoje pertence a Dario Franchitti, três vezes vencedor da Indy 500, e em 2019, ele cedeu o modelo para ficar exposto no Jim Clark Motorsports Museum, localizado na cidade de Duns, Escócia.

Em 1965, correndo pela Alan Mann Racing, Sir John Whitmore venceu o Campeonato Europeu de Carros de Turismo em sua classe; Jack Sears venceu o Campeonato Britânico de Carros Sedan, Jacky Ickx venceu o Campeonato Belga de Carros Sedan, e o carro venceu o New Zealand Gold Star Saloon Car Championship, a Snetterton 500 e as Seis Horas de Nürburgring.

O Lotus Cortina foi um sucesso também nos Rallies, com Vic Elford e David Seigle-Morris chegando em 4º no Tour de France de 1964 (10 dias e 6.400 km), e vencendo em sua classe. Chegou em sexto na geral e primeiro na categoria Handicap, no RAC Rally com Taylor e Brian Melia; foi muito competitivo em 1966, no Rally de Monte Carlo, Rally dos Alpes, Rally de San Remo, Tulip Rally, Acropolis Rally, Geneva Rally, Swedish Rally e no Australian Rally Championship. Jim Clark também correu com o Lotus Cortina em Rallies, mas sofreu com a confiabilidade dos carros, chegando em terceiro no Canadian Shell 4000; segundo no Rally da Grécia e quarto no Rally da Polônia.

Com pouco mais de 3.000 exemplares fabricados, o Lotus Cortina pode não ser tão procurado pelos colecionadores como o Lotus Elan e o Lotus Europa, mas em setembro de 2014, um modelo Mk1 de 1966 foi leiloado no Goodwood Revival pela Bonhams por £$ 73,703 (quase US$ 100 mil em jan/2026), e outro também Mk1 de 1966, de um único dono, com 6.200 milhas no odômetro, bateu o martelo no Quail Lodge da Bonhams por £115.000 ( US$ 156 mil em Jan/2026). O carro pilotado por Jim Clark em 1964 foi leiloado em 2007 pela quantia de £136,800 (US$ 185.000 em jan/2026). Nada mal para um sedan de apenas 96 cid (1.600 cc).



O sucesso do Ford Cortina Mk1 proporcionou a consolidação da Ford Britânica, combinando a praticabilidade, preço acessível e uma condução dinâmica excelente, definindo o padrão para os carros familiares, e alavancando a operação da Ford na Grã-Bretanha.

Ele foi mais do que um carro: seu planejamento detalhado e a execução perfeita do Project Archbishop demonstrou a qualidade do trabalho em criar um carro excelente, no prazo e no custo previsto. As gerações posteriores Mk2 e Mk3 provaram estas premissas e seu sucesso foi expandido por toda a Europa nos vinte anos seguintes.

A geração Mk1 durou apenas quatro anos, de 1962 a 1966, mas os números provam seu sucesso: 1.012.391 exemplares saíram da fábrica de Dagenham, em Londres, tornando-se um dos carros mais bem-sucedidos e influentes no mercado automobilístico britânico.

Da minha coleção



O Lotus Cortina é um Hot Wheels, da linha normal (Mainline), e saiu na Serie Compact Kings, na escala 1:64. Ele reproduz o carro com que Jim Clark venceu o 1964 British Saloon Car Championship de forma invicta. O detalhamento é o normal dos Hot Wheels, e até as rodas estão na escala 1:64, um ponto em que a Mattel não é tão exata assim.







Referências:

https://en.wikipedia.org/wiki/Lotus_Cortina

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Lotus_Cortina

https://www.lotuscortinainfo.com/?page_id=401

https://www.ultimatespecs.com/car-specs/Ford/20584/Ford-Lotus-Cortina-Mk1-.html

https://www.lotuscars.com/en-NO/lotus-story/road-cars/cortina

https://en.wikipedia.org/wiki/1964_British_Saloon_Car_Championship

https://www.thetruthaboutcars.com/2014/05/mk-i-lotus-cortina-the-original-lotus-tuned-car/

https://www.escuderia.com/eficaz-en-todos-los-sentidos-el-ford-lotus-cortina-de-jim-clark-1964/

https://www.scotsman.com/heritage-and-retro/heritage/winning-car-of-scots-racing-legend-jim-clark-comes-home-1414041

https://autoentusiastas.com.br/2017/07/jim-clark-sobre-curvas-e-uso-dos-freios/

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

’18 Camaro SS – 53th Anniversary – Hot Wheels

Camaro, 2016

O Camaro SS de 2018 é da sexta geração do modelo, lançado em 16 de maio de 2015, como modelo 2016, e foi substituído pela sétima geração em dezembro de 2023. Ele compartilha a plataforma Alpha da GM, com o Cadillac ATS e CTS; projeto renovado em cerca de 70% dos componentes em relação à geração anterior.

As versões disponíveis no decorrer desta geração eram muitas, combinando motores, transmissões e carroçaria coupe ou conversível. Os motores disponíveis eram os seguintes:

LTG Ecotec Turbo - 4 in-line, 2,0 litros; 275 hp a 5600 rpm e 295 lb-ft de torque a 3000 rpm;

LGX – V6 de 3,6 litros; 335 hp a 6800 rpm e 284 lb-ft de torque a 5300 rpm;

LT1 – V8 de 6,2 litros (o mesmo do Corvette C7); com 455 hp a 6000 rpm e 455 lb-ft de torque a 4400 rpm;

LT4 – V8 de 6,2 litros com compressor, este exclusivo para o modelo ZL1, compartilhado com o do Corvette Z06, gerava 650 hp a 6400 rpm com 650 lb-ft de torque a 3600 rpm.

Camaro 2018

Camaro 2019

As transmissões eram a TR-3160 ou TR-6060 de 6 velocidades manual; as automáticas de 8 velocidades 8L45, 8L90; automáticas de 10 velocidades 10L60 e 10L80, e ainda a automática 10L90 de 10 marchas exclusiva do ZL1. O controle via Paddles atrás do volante foi disponibilizado para todos os modelos a partir de 2017.

Camaro SS, 2016

Havia diversas configurações de suspensões, freios, controle de tração, diferencial de deslizamento limitado, rodas e pneus, além do acabamento interno, cores e decoração com  acessórios externos, como spoilers dianteiro e traseiro, tornando difícil encontrar dois exemplares idênticos nesta geração.

ZL1 1LE Extreme Track Performance Package

New York Auto Show, 2017

As versões SS e ZL1 eram as mais exclusivas, mas além delas havia outras edições especiais, como a ZL1 1LE Extreme Track Performance Package (2017), com componentes aerodinâmicos estudados em túnel de vento, que geravam cerca de 300 lb (136 kg) de downforce e aumentava a aderência nas curvas. Também vinha com amortecedores ajustáveis Multimatic, rodas de 19 polegadas 1 kg mais leves do que as normais de serie, calçadas com pneus Goodyear Eagle F1 Supercar com formulação exclusiva para o modelo. O peso foi reduzido em cerca de 60 kg, com o uso de vidro traseiro mais fino, e outras peças da suspensão mais leves. Este modelo foi levado para a Alemanha, e fez o Nürburgring Nordschleife, pilotado por Bill Wise, em um tempo 13,1 segundos mais rápido do que a versão normal do ZL1.

50th Anniversary Special Edition

Camaro 50th Anniversary, 2017

Celebrando os 50 anos do primeiro Camaro, esta edição especial foi lançada em 2017, vinha na cor especial Nightfall Gray Metallic, rodas de liga com 20 polegadas, o pacote visual RS Appearance Package, e um emblema laranja exclusivo referente aos 50th Anniversary nas faixas no capô e porta-malas, além do emblema “FIFTY” nos para lamas dianteiros. A cor laranja também aparecia nos calipers de freios, em detalhes do estofamento dos bancos , painéis das portas e volante.

Hot Wheels Special Edition

Camaro Hot Wheels Special Edition, 2018
As rodas seguem o design da miniatura Hot Wheels.

Apresentado no SEMA Show em outubro de 2017, esta edição especial foi lançada para comemorar os 50 anos do primeiro Camaro (modelo 1967) que saiu na linha Hot Wheels em 1968. O design das rodas de 20 polegadas era similar às da miniatura, na pintura exclusiva Crush Orange, faixas decorativas na cor Satin Graphite com detalhes prateados; um emblema “Hot Wheels 50th Anniversary” nos para lamas dianteiros, grade dianteira diferenciada, calipers de freio em laranja, estofamentos de couro Jet Black com detalhes em laranja, assim como no painel, painéis das portas e volante revestido em couro Alcantara. Detalhes em laranja também constavam da forração do piso, e nos cintos de segurança. Quando as portas se abriam, a luz projetada no chão formava o logotipo “Hot Wheels”.

Da minha coleção



O Camaro SS de 2018 é reproduzido pela Hot Wheels com a decoração dos 53 anos do lançamento dos primeiros Hot Wheels, em 1968. Ele faz parte da Serie Orange and Blue, de 2021, e foi cusotmizado com rodas especiais e pneus de borracha da AC Custon.

Este casting é de autoria de Brendon Vetuskey, e foi criado para celebrar os 50 anos do lançamento dos Hot Wheels, em 1968. Como citado acima, a Chevrolet lançou a Edição Especial Hot Wheels, na mesma cor e rodas iguais às da miniatura. 

A mini Hot Wheels que corresponde à Edição Especial
do Camaro em tamanho real


O Camaro 1981 de Brendon Vetuskey


Por sinal, Vetuskey tinha um Camaro 78 prateado customizado como modelo 1981, que se tornou a inspiração para uma miniatura da linha Hot Wheels em 2012. O número 8927 na porta do piloto se refere ao número que recebeu quando ele correu com seu carro na Old Bridge Township Raceway Park nos anos 1990.

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2718_Camaro_SS

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2781_Camaro

https://www.caranddriver.com/chevrolet/camaro/specs/2018/chevrolet_camaro_chevrolet-camaro-ss-coupe_2018

https://en.wikipedia.org/wiki/Chevrolet_Camaro_(sixth_generation)

sábado, 17 de janeiro de 2026

Porsche 718 – de 1957 até hoje

Porsche 718 RSK

O Porsche 718 surgiu na esteira do sucesso do Porsche 550 Spyder, sendo um desenvolvimento aprimorado, uma nova carroçaria, um motor mais potente e novas suspensões com barras de torção, que melhoraram o seu desempenho.

 Sua designação 718 RSK vinha de “RennSport” (Sport Racing) e “K” era a sigla para a carroçaria revista e as suspensões por barras de torção.

 Como um típico carro de competição, teve muitas variações, enquanto participou de diversas corridas e categorias, com muito sucesso, consolidando a vocação esportiva da Porsche neste período.

718 RSK Mitellenker

718 RSK? Mittellenker

Em 1957, a FIA (Federação Internacional do Automóvel) modificou o regulamento para que modelos encarroçados também pudessem competir na categoria dos carros de Fórmula. O Porsche 718 Mittellenker (1958) era um Spyder mas com apenas um lugar para o piloto, posicionado no centro do cockpit, e a Porsche inscreveu três modelos para correr no German Grand Prix Formula Two em 1958, onde Edgar Barth se colocou em sexto na geral e em segundo na sua classe em Nürburgring. Também em 1958, Jean Behra correu com ele vencendo em Reims, no Grand Prix de Berlin, e em Avus, Masten Gregory venceu tanto na geral como na sua classe.

Em 1959, outros RSK foram convertidos para corridas de monopostos e, na XV B.A.R.C. '200' em Aintree, em 1960, a Porsche conquistou as três primeiras posições com Stirling Moss, Jo Bonnier e Graham Hill, todos em 718. O feito foi repetido mais tarde nesse mesmo ano na corrida em Zeltweg, Áustria.

718/2

718 monoposto de Formula 2

Em 1959, a Porsche apresentou a versão monoposto do 718 RSK, na configuração tradicional com as rodas descobertas, motor 1500cc. Na temporada de 1960, a carroçaria foi revisada, recebeu uma transmissão transaxle de seis velocidades e a distância entre-eixos foi aumentada em 100mm.
A Porsche inscreveu três 718 para Dan Gurney, Hans Herrmann e Jo Bonnier. Gurney conquistou três segundos lugares (França, Itália e Estados Unidos), o que o levou ao 4º lugar no Campeonato de Pilotos.

Com a alteração do regulamento da FIA para a Formula 1, em 1961, a capacidade dos motores seria limitada aos mesmos 1,5 litros da Formula 2, então a Porsche pôde inscrever os mesmos 718/2 quase sem alterações para correr na Formula 1. Os pilotos eram Dan Gurney, Hans Hermann e Jo Bonnier. Gurney conseguiu três segundos lugares (França, Itália e Estados Unidos) chegando em quarto lugar no Campeonato Mundial de Pilotos. Em 1962, a Porsche apresentou um novo carro, o Porsche 804, na Fórmula 1.

RS 60

718 RS60, 1960

Nos carros esporte, o RS 60, equipado com um motor de 1,6 litro com 160 hp, e uma nova suspensão com braços duplos, trouxe a vitória nas 12 Horas de Sebring com Hans Hermann e Olivier Gendebien. Venceram também a Targa Florio, com Hermann e Jo Bonnier; e venceu o Campeonato Europeu de Subida de Montanha por três vezes consecutivas.

RS 61

Praticamente o mesmo carro, com ligeiros aperfeiçoamentos, venceu novamente o Campeonato Europeu de Subida de Montanha pela quarta vez.

W-RS

718 W-RS


Esta versão era de 1961, começou com o mesmo motor de quatro cilindros, mas depois recebeu um flat-eight de 2,0 litros (Type 771) que produzia 240 hp. Finalizou em oitavo nas 24 Horas de Le Mans de 1963, e faturou novamente o Campeonato Europeu de Subida de Montanha com Edgard Barth em 1963. Aliás, a Porsche venceu todos os Campeonato Europeu de Subida de Montanha até 1982, num total de 42 títulos. O modelo continuou competindo até ser substituído pelo modelo 904, em 1965.

718 GTR Coupé

718 GTR Coupe

Uma versão Coupé foi desenvolvida a partir do RS 61. Inicialmente equipado com um motor de 4 cilindros, este carro também foi atualizado para um motor de 8 cilindros derivado da F1 que produzia 210 cavalos de potência (160 kW). O carro também foi equipado com freios a disco. Com o GTR Coupé, os pilotos Jo Bonnier e Carlo Maria Abate venceram a Targa Florio em 1963 mais uma vez.

Origens do Boxster e Cayman

No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, a Porsche necessitava incrementar seus lucros e ao mesmo tempo, reduzir custos. A estratégia para atender esta necessidade foi criar um novo carro, menor e mais barato do que o famoso 911, um novo esportivo de entrada para os amantes da marca de Sttutgart.

Boxster, 1996

Baseado na plataforma da geração 996 do Porsche 911, com a sigla 986, a Porsche lançou em 1996 o Boxster, a moderna reinterpretação do não menos famoso 550 Spyder, e como ele, com um motor flat-six posicionado entre-eixos, e não como o 911, que apesar do desenvolvimento e performance recebe críticas devido à posição do motor atrás do eixo traseiro.

Equipado com o flat-six de 2,5 litros, produzia 201 hp, e com o tempo, o motor foi ampliado para 2,7 litros, sendo o Boxster S equipado com um flat-six de 3,2 litros, igual ao do 911, mas reduzido em 200cc. O equilíbrio dinâmico, pelo fato do motor localizado entre-eixos, foi muito melhor, e o peso menor, com materiais modernos e mais leves, associado a um estilo renovado, e a configuração Spyder, com tento aberto logo criaram uma legião de admiradores.

Boxster, segunda geração, 2004

Ao lançar a segunda geração do Boxster (internamente identificada como 987) em 2004, a Porsche apresentou sua variação de teto rígido, denominada Cayman em 2005. Mantendo a mesma silhueta da geração anterior, o detalhe mais chamativo foram os faróis dianteiros, no mesmo design do modelo Carrera GT, na época o top de linha da marca. Os motores flat-six receberam um upgrade para 2,7 e 3,4 litros, resultando numa performance melhorada. O chassi e as suspensões receberam aperfeiçoamentos, proporcionando uma direção melhor e maior conforto na rodagem. Esta geração consolidou o Boxster e o Cayman como excelentes carros esportivos.

A terceira geração (981) foi lançada em 2012 e durou até 2016, refinando as inovações e elevando a experiência de pilotagem destes modelos. O design ficou mais agressivo, mantendo o mesmo estilo geral, mantendo os mesmos motores de 2,7 e 3,4 litros. Surgiu o Cayman GT4, versão voltada para quem desejasse competir nas pistas, equipada com o flat-six de 3,8 litros derivada do 911, mesma unidade debaixo do capô do Boxster Spyder S.

718 Boxster e Cayman – Quarta geração: 2016

Cayman, 2018

A quarta geração do Porsche Boxster/Cayman (982) recebeu o código 718, evocando o modelo com o mesmo nome, que venceu inúmeras corridas nos anos 1950 e 1960, e que tinha um motor flat-four posicionado entre-eixos. Projeto de Peter Varga e Fabian Schmöiz, tem as versões 718 Boxster e Spyder (designado assim a partir de 2019), sendo a 718 Cayman com teto rígido.

Boxster, 2018

Apresentado em janeiro de 2016, no Geneva Motor Show, e no Salão de Beijing em abril do mesmo ano, o Porsche 718 era equipado com o motor turbocomprimido de quatro cilindros opostos, com 2,0 litros (Boxster/Cayman) e 2,5 litros (Boxster S/Cayman S). Utilizando a tecnologia VTG (Variable Turbine Geometry), proporciona uma excelente performance em torque e potência, combinada a um baixo consumo de combustível. 

O estilo do modelo é similar ao da terceira geração, com alterações na traseira, com um acabamento preto conectando as lanternas no painel traseiro; o design dianteiro também foi revisto, nos faróis e para-choques.

718 Spyder, quarta geração

Apesar do motor ter perdido dois cilindros, em relação à geração anterior (981), o desempenho e aceleração são superiores, com um controle melhor na condução e respostas melhores nas acelerações

Na matéria da Motor Trend, Miguel Cortina observou: "A suspensão é exatamente o que você quer sentir em um carro como este - rígida, esportiva, firme. Você tem uma ótima sensação do que está acontecendo na estrada."

No entanto, para os amantes da Porsche, o ronco de um motor quatro cilindros turbo não se compara ao flat-six tradicional da Porsche, causando uma impressão negativa, mesmo com as melhorias de performance do modelo.

T

718 Cayman GT4

718 Spyder GT4

Talvez devido a isso, em 2019 a Porsche apresentou o 718 GT4 (modelo 2020), retornando ao motor aspirado flat-six, mas com 4,0 litros, derivado do flat-six de 3,0 litros do Porsche 992. Esta unidade gerava 414 hp a 7600 rpm, com 310 lb-ft de torque entre 5000 e 6800 rpm; câmbio manual de 6 marchas ou o DCT automático de 7 marchas. Para manter o consumo reduzido, foi equipado com o mecanismo que desliga dois cilindros quando em baixa utilização, o primeiro Porsche com este recurso.




Entre as alterações do modelo, recebeu suspensões adaptativas e rebaixadas, com freios do 911 GT3 RS, barras estabilizadoras, câmbio PDK com 7 marchas e dupla embreagem com o opcional.

Preciosismos à parte, o 718 Boxster/Cayman são verdadeiros Porsche, ainda que mais baratos do que os  911, entregam uma experiência ao volante digna dos melhores automóveis esportivos, e as variações em configuração mecânica e estética nos anos seguintes garantem que o 718 é digno de herdar um número consagrado para identificar este Porsche no século 21.

Da minha coleção



O Porsche 718 Spyder é um Matchbox, saiu na Série Moving Parts, de 2025. Tem um bom detalhamento, com as portas se abrindo. Como é um carro de rua, a decoração é simplificada, com os emblemas da Porsche no capô dianteiro e os dizeres “Spyder RS” no para choque traseiro. Os faróis dianteiros e lanternas traseiras estão demarcados, e os detalhes das tomadas de ar no capô, o painel de instrumentos, console central e o volante estão bem melhores do que o padrão da Mattel com os Hot Wheels.







Referências:

https://en.wikipedia.org/wiki/Porsche_718

https://www.stuttcars.com/porsche-718-rsk-mittellenker/

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