domingo, 18 de outubro de 2026

The Driver - 1978


The Driver é um filme dirigido por Walter Hill, em 1978, com personagens cujos nomes não são revelados; The Driver (Ryan O’Neal), The Player (Isabelle Adjani), The Detective (Bruce Dern) como principais personagens. Todos os demais também não tem nomes, no máximo, são chamados por apelidos, como The Connection (Ronee Blakley), Glasses (Joseph Walsh) e The Kid (Rudy Ramos), entre outros.

The Driver é um motorista de fuga, piloto talentoso e sistemático, sempre conseguia despistar a polícia, e particularmente o Detetive fica obcecado em prendê-lo, sendo chamado por ele como “Cowboy”.

A ação se passa em Los Angeles, e num roubo a um cassino, The Driver percebe que The Player (Isabelle Adjani) o viu antes da fuga, e a contacta mais tarde para que ela não o denuncie à polícia.

O Detetive faz um acordo com uma quadrilha (Teeth, Glasses e Fingers) para contratá-lo para um roubo real, e caso ele seja preso, teriam suas fichas limpas. The Driver se recusa a fazer o serviço, e desafiado pela quadrilha sobre suas habilidades, faz uma demonstração com o Mercedes laranja num estacionamento deserto aterrorizando os bandidos em manobras que acabam por destruir o carro com eles dentro.

The Driver (Ryan O'Neal) e The Player (Isabelle Adjani)

O assalto não resulta bem, Fingers é morto por Glasses, que foge com Driver e pretende matá-lo e ficar com o dinheiro do roubo, mas acaba morto e Driver esconde o dinheiro num armário da Union Station; e pede para Connection lavar o dinheiro sujo e contrata The Player para recuperá-lo quando estiver limpo. Teeth encontra Glasses morto e vai atrás de Connection, que revela os planos de Driver e é morta por Teeth.

Entra em cena Exchange (Cambista), que troca o dinheiro sujo por notas limpas, foge num trem, mas é seguido pelo Detective, e durante um tiroteio é morto por ele. The Player tem a chave do armário com o dinheiro limpo, mas Teeth rouba sua bolsa, e foge com The Kid num Pontiac Firebird Trans-Am 1976.

The Driver pega The Player numa pickup Chevy e persegue Teeth, e no confronto num armazém, para não baterem de frente, Teeth se desvia e capota, e é morto por Driver quando se recusa a se render. The Kid sobrevive, devolve a bolsa de Player e é liberado.

The Driver e Player vão à Estação buscar o dinheiro, no que são surpreendidos pelo Detective, mas todos descobrem que a bolsa está vazia, pois Exchange roubou o conteúdo. Por falta de provas, ambos são liberados e o Detetive não consegue prender ninguém.

SINOPSE:

Numa garagem deserta, Driver (Ryan O'Neal) abre casualmente um carro com uma chave de fenda, liga o motor sem a chave e foge. Num cassino, The Player (Isabelle Adjani) distribui as cartas numa mão de pôquer, faz sua aposta e sai da mesa para trocar suas fichas, enquanto Driver espera do lado de fora no carro roubado. Quando The Player passa pela segurança, dois ladrões nocauteiam o guarda e começam a assaltar o cassino. Ela observa os dois ladrões entrarem no carro e Driver arrancar, iniciando uma perseguição policial agressiva pela cidade. O resultado é que Driver acelera em direção a duas viaturas policiais que vinham na direção oposta, forçando-as a sair da rota e permitindo que ele escape sem ser punido. Ele leva o carro roubado para um ferro-velho para se livrar das provas, deixando a chave de fenda dentro, e recolhe seu dinheiro. No dia seguinte, Detective (Bruce Dern)e seus dois parceiros à paisana retiram o carro do ferro-velho e encontram a chave de fenda.

No ferro-velho, destruindo as provas


Em uma fila de reconhecimento policial, as testemunhas não conseguem identificar Driver, incluindo The Player, que insiste que ele não é o mesmo homem que viu no cassino. Sem se deixar abalar pela falta de testemunhas, Detective  ainda acredita na culpa de Driver e tenta, sem sucesso, arrancar uma confissão dele em um bar, prometendo, em vez disso, capturá-lo eventualmente. Mais tarde naquela noite, uma gangue de ladrões amadores assalta um supermercado local e foge de forma desajeitada com um motorista diferente, que era um antigo parceiro de Driver. Após ser preso, Detective oferece um acordo ao chefe da gangue, Glasses (Joseph Walsh): se ele concordar em cooperar em uma operação secreta para incriminar Driver, será libertado sem prisão. Embora um dos policiais à paisana, parceiro de Detective, hesite quanto ao plano secreto de simular um assalto a banco, Detective o ameaça de chantagem caso Glasses não participe.

Chevelle Malibu 1973

Mais tarde, quando Driver encontra The Player para entregar o pagamento, Detective visita o apartamento dela. Escondido no quarto, Driver ouve as tentativas de Detective de forçar a Jogadora a identificá-lo, mas ela se recusa, apesar das ameaças dele de expor seus crimes passados. Em um bar, Driver conhece Connection (Ronee Blakley), que lhe fala sobre um grupo de clientes em potencial. Embora não demonstre interesse em trabalhar com atiradores, ele os encontra em um estacionamento. Para convencê-los de suas habilidades, ele os conduz pelo estacionamento, quase destruindo a Mercedes roubada deles. Apesar de a equipe estar convencida de sua destreza, Driver recusa o trabalho. Mais tarde, um dos atiradores, Teeth (Rudy Ramos), tenta persuadir Driver a aceitar o trabalho sob a mira de uma arma, mas Driver o derruba de uma escada e reitera sua recusa. Na tentativa de convencer Driver, Detective vai até o apartamento dele, oferece-lhe a chave de fenda que deixou no carro sucateado e propõe um jogo: se Driver conseguir realizar o roubo, ele fica com o dinheiro, mas se Detective o pegar, terá a satisfação de colocar Driver na prisão.

Mercedes-Bnez 280S


Aceitando a proposta, Driver aceita o desafio de Detective. Ao informar aos atiradores que dobrou o preço, Driver também estipula que Teeth não pode participar da operação. Glasses então relata a Detective que fizeram um acordo com Driver, mas exige que o Detective cumpra sua parte do acordo, ao que o Detective exige que não haja tiroteios durante o assalto. O subsequente roubo ao banco, no entanto, dá errado. Quando Fingers aciona o alarme, Glasses atira nele e o deixa para trás para a polícia, antes de fugir no carro de fuga de Driver. Após chegar a um galpão vazio, Glasses rende Driver com uma arma, presumindo que ele esteja desarmado, e lhe diz que o assalto foi uma armadilha da polícia. Driver também saca uma arma e atira em Glasses, matando-o. Depois que Driver foge com o dinheiro, Teeth aparece no local em uma motocicleta e descobre o corpo de Glasses.

Driver esconde o dinheiro num armário na Union Station, hospeda-se num hotel barato e encontra-se com a Connection, que concorda em organizar uma troca do dinheiro sujo por dinheiro lavado. Mais tarde, The Kid (Frank Bruno) invade o apartamento de Connection, e com a ameaça de uma faca em sua garganta, ela revela o esconderijo de Driver e a localização do dinheiro, mas acaba morta. The Player aparece no quarto de hotel de Driver e tenta convencê-lo a ficar na dele e esperar seis meses antes de pegar o dinheiro, mas ele diz que quer levar o jogo adiante com Detective de qualquer maneira. Mais tarde, ela troca as chaves do armário com Exchange (Denny Macko) na Union Station, enquanto um dos parceiros à paisana de Detective descreve a interação para ele por um telefone público. Depois de recuperar o dinheiro do armário, Exchange embarca num trem que parte, mas é seguido por Detective, que procura uma mala que corresponde à descrição do seu parceiro à paisana. Após uma altercação no banheiro do trem, Exchange é morto a tiros por Detective e cai de uma janela.

Chevy C10 Pickup 1973


Ao sair da Union Station, Teeth rouba a bolsa de The Player e foge com a chave do armário onde está o dinheiro lavado. Do lado de fora, Driver a espera em um carro e eles perseguem Teeth. A perigosa perseguição pelo centro de Los Angeles termina em um armazém, onde os dois carros travam um jogo de gato e rato. Quando The Kid e Teeth tentam escapar, são confrontados por Driver, que acelera em sua direção. O carro deles derrapa, capota e fica destruído, mas Teeth se recusa a desistir e Driver é forçado a atirar em Teeth, matando-o, quando ele saca sua arma. Depois de pegar a bolsa de The Player e libertar o motorista de Teeth, Driver retorna à Union Station para recuperar o dinheiro. Ao abrir a mala, Driver olha para trás e vê  Detective, seus parceiros à paisana e um grupo de policiais esperando para prendê-lo. Enquanto The Player observa, Detective declara sua vitória com um ar de superioridade, mas sua autossatisfação rapidamente se transforma em raiva quando Driver lhe apresenta uma maleta vazia, comentando que ambos foram enganados. Driver então se retira, livre.


Pontiac Firebird Trans-Am 1976



Cars from “The Driver” – 1978 Movie

Chevrolet Chevelle Malibu 1969 e 1973

Chevrolet C-10 Pickup 1973 - Ringed Disc (Black rim and white disc)

Mercedes-Benz 280 S 1970

Pontiac Firebird 1977

Pontiac Firebird Trans-Am 1976

Ford Galaxie 500 LTD 1974

Legado

The Driver não foi muito bem sucedido nos Estados Unidos, exibido em 642 cinemas e arrecadando US$ 2 milhões no fim de semana da estréia; mas nos anos seguintes teve maior sucesso em outros países, como na França, onde 1 milhão e 100 mil pessoas tornaram The Driver o 33º filme mais popular do ano.

Com o tempo, o filme se tornou mais popular e frequentemente é o primeiro filme exibido nas retrospectivas de Hill.

Diversos filmes fizeram referência a The Driver, como Pulp Fiction, onde Vincnet Veja pega a estrada com Mia Wallace em overdose no banco do passageiro é copiada da perseguição inicial de The Driver. Beatrix Kiddo, em Kill Bill: Volume 2 é descrita como “a cowgirl que nunca foi pega” foi uma citação da descrição de Driver “o cowboy que não podia ser pego”, e Wensley Clarkson, que escreveu “Tarantino – o Homem, os Mitos e seus Filmes” afirma que Tarantino lista The Driver como um dos “filmes mais legais de todos os tempos”.

Nicolas Winding Refn refilmou Drive (2011), com Ryan Gosling no papel de Driver, e Tarantino comentou que “certas coisas são homenagem, e tudo bem. É muito elogioso...”

The Driver também influenciou o videogame interativo Drivers (1999) da Reflections, que tem várias inspirações temáticas do filme; e a versão de 2006 se passa inicialmente em 1978, o mesmo ano em que The Driver foi lançado.

Edgard Wright, que dirigiu Baby Driver, confessa que foi muito influenciado por The Driver: “Sua influência nos videogames é muito clara e, nos filmes, seu estilo ecoou por todo o trabalho de Michael Mann, James Cameron, Quentin Tarantino, Nicolas Refn e no meu Baby Driver”.

Da minha coleção

O Chevelle Malibu 1973 e o Ford Crown Victoria são da Greenlight, mas do filme de 2011, e a pickup Chevy C10 Vermelha é um Matchbox, customizado com rodas da AC Custon, do filme de 1973.

Chevelle Malibu 1973, Greenlight


Ford Crown Victoria, 1992


Pickup Chevy C10 1973, Matchbox


Customizada com rodas especiais e pneus de borracha da AC Custon



Referências:

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Driver

https://www.youtube.com/watch?v=j2tv3fTa7OY

https://www.youtube.com/watch?v=EgFHD9ULa0Q

https://www.youtube.com/watch?v=xhwg_OiEteM

https://www.imcdb.org/yourcomments.php?formovie=77474&page=8

https://www.imcdb.org/m77474.html

https://www.imdb.com/title/tt0077474/characters/nm0641939?ref_=tt_mv_close

https://www.motoringnomad.com/2023/01/the-driver-1978.html#:~:text=No%20film%20of%20this%20type%20would%20be,C%2D10%20and%20a%201974%20For%20Galaxie%20500.

https://www.quora.com/Watching-the-old-movie-The-Driver-could-the-red-pickup-truck-driven-by-Ryan-ONeills-character-really-match-a-contemporary-Trans-Ams-speed

https://www.youtube.com/watch?v=_nIiroTIEBw

https://www.youtube.com/watch?v=EgFHD9ULa0Q

https://www.imcdb.org/m77474.html

https://matchbox.fandom.com/wiki/%2775_Chevy_Stepside

https://everything.explained.today/The_Driver/

Official trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=K9HIFF8_26M

terça-feira, 11 de agosto de 2026

’70 Ford Escort RS 1600


A primeira geração do Ford Escort foi projetada na Grã-Bretanha como um substituto para o envelhecido Ford Anglia e foi um grande avanço para a empresa nos mercados europeu e da Ásia-Pacífico, com inovações no sistema de direção por cremalheira e pinhão, e suspensões para melhorar sua dirigibilidade e desempenho. Apresentado no final de 1967 como modelo 1968, era um carro familiar, pequeno europeu, contrariando a tendência da tração dianteira que surgia em muitos dos carros de sua classe, o Escort com chassi monobloco, suspensão MacPherson na dianteira e eixo rígido De Dion na traseira com molas semi-elípticas; era equipado com o pequeno motor 1,1 litro, baixa taxa de compressão e baixa potência; visava mais a economia do que desempenho. 





Nas configurações Sedan (2 e 4 portas), perua e ‘panel van’ (tipo fugão), foi lançado no Brussel Motor Show (Salão de Bruxelas) nas versões De Luxe, Super, Super 1300cc e GT.


O design é típico dos anos 1970, e a grade em formato de “osso de cão” conferiu-lhe uma personalidade distinta. Seu ponto forte era a simplicidade e a robustez do conjunto, aliados à agilidade pelo baixo peso, era apenas questão de tempo para receber um motor que pudesse usar todo o potencial do pequeno Escort.

Equipado com o motor Kent crossflow, com 1,1 L e 1,3 L, e outro de 940cc disponível para alguns mercados de exportação, como Itália e França.

O Escort que venceu o Rally do Mexico em 1970.

A versão esportiva 1300GT vinha com o 1,3 L com comando simples no cabeçote, mas logo foi disponibilizado o 1,5 litro com duplo comando (Twin Cam – Group 2) feito pela Lotus com 8 válvulas no cabeçote para equipar o Lotus Elan da época. Uma vitória significativa foi no 1970 London to Mexico World Cup Rally (a Copa 70 em que o Brasil foi tricampeão), com o finlandês Hannu Mikola e seu co-piloto sueco Gunnar Palm, com um Escort Twin Cam de 1599cc de 85 hp a 5500 rpm e 124 N-m de torque a 4000 rpm. Em novembro de 1970, a Ford lançou uma edição comemorativa deste feito equipados com o motor de 1598 cc Cross-flow e vendeu 10.352 exemplares com reforços na carroçaria para os que desejavam colocar o carro em corridas. O mesmo motor equipava o Escort Sport, versão com acabamento mais simplificado, e mais tarde a versão 1300E (“E” de Executiva) com um acabamento mais sofisticado, com detalhes de madeira no painel e nos revestimentos internos das portas.



Sua carreira esportiva começou quando Brian Hart preparou um MKI para correr em Rallies e atingiu 245 hp no motor. Com as competições de Rally são comuns na Europa, foi um passo para a Cosworth pegar o motor BDA (Belt Drive A Series) de 1,5 litros e levá-lo a 1601 cc, ganhando a sigla RS (Rally Sport), com o bloco do motor “Cross-Flow” e o cabeçote de 16 válvulas da Cosworth. Imediatamente, o pequeno Escort RS começou a ganhar várias corridas de rally, e fez a fama dos ingleses na versão de “muscle-cars” europeus: pequenos carros e motores potentes!

A própria Ford disponibilizou versões mais apimentadas do Escort, como a Twin Cam, México, RS1600 e a RS2000, criando uma reputação consagrada nos Rallies em que competiu.



O Twin Cam (DOHC) tinha o motor de 1558cc, de 8 válvulas por cilindro, dois carburadores Weber 40 DCOE, gerando 110 hp a 6000 rpm, atingindo a velocidade máxima de 182 km/h. A carroçaria era reforçada, túnel de transmissão modificado e suspensão do Lotus Cortina com diferencial Atlas. Foi concebida visando a homologação para correr nos ralis do Grupo 2 da FIA. Um modelo preparado para a Alan Mann Racing correr no Campeonato Britânico de Carros de Turismo em 1968 e 1969, com motor Ford FVA de 16 válvulas (o mesmo utilizado na Formula 2) produzia mais de 200 cv, e pilotado ´pelo australiano Frank Gardner venceu facilmente o campeonato de 1968.

O México foi batizado assim para homenagear a vitória do Escort MKI no Rali Mundial Londres-México. Com o motor Kent de 1601cc, caixa de câmbio 2000E e freios a disco do modelo RS1600, ficou posicionado acima do 1300GT e do luxuoso 1300E.



O RS1600 lançado em abril de 1970 tornou-se um ícone de alto desempenho, fabricado na Advanced Vehicle Operations da Ford em Aveley, especializada em preparar carros de maior performance. Era equipado com o motor BDA (Belt Drive, A Type) de 1601cc com duplo comando no cabeçote, desenvolvido pela Cosworth, gerava 120 hp de potência, acelerava de 0 a 60 mph em 8,9 segundos, atingindo a máxima de 113 mph (182 km/h). Seu câmbio era o 2000E de quatro marchas, freios Girling PowerStop com discos dianteiros e tambores traseiros, fazendo-o um sucesso nos ralis. Apenas 1.137 exemplares do Escort RS1600 foram construídos, tornando-o bastante procurado entre os colecionadores.

A versão RS2000 tinha o motor Pinto OHC de 2,0 litros gerando 140hp a 5750rpm e 146 Nm de torque a 3750 rpm. Atingia 175 km/h de velocidade máxima e fazia de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos.


O Escort foi um sucesso no mercado, atingindo dois milhões de unidades vendidas apenas seis anos após seu lançamento, com 60% da produção feita na Grã-Bretanha e o restante na Europa. O Ford Escort foi construído ou montado em vários países: na Europa (Bélgica e depois Alemanha), além de Austrália e Nova Zelândia; montado em CKD em Israel e África do Sul; comercializado também no Japão (somente o sedã 4 portas com motor 1,3L por causa do imposto menor) especialmente nos países em que a direção fica no lado direito do carro.

O Ford Escort MKI é considerado como a primeira geração, foi fabricada do final de 1967 até 1974, quando foi substituída pela segunda geração, o Escort Mark II, desenvolvida em conjunto pela Ford do Reino Unido e Alemanha.

1973 Ford Escort RS1600 Works Rally - Roger Clark

O Escort de Roger Clark, vencedor do RAC Rally de 1972.

O Ford Escort da foto foi preparado pela Ford Works, o Departamento de Competição Ford Boreham, onde eram desenvolvidos e preparados os carros de Rally da Ford Britânica.

Roger Clark, famoso piloto britânico de rallyes, o primeiro a vencer o RAC Rally em dupla com Tony Mason em 1972 pilotando um Ford Escort RS 1600 MKI por 580 km, em difíceis condições de pista e no inverno, em dezembro de 1972. Na sequência, foram mais sete vitórias consecutivas no RAC Rally, nas mãos de pilotos como Hannu Mikola, Timo Makkinen e Björn Waldegard.

O carro continuou competindo até 1974, no World Cup Rally. Restaurado para as condições iniciais, tem o motor Cosworth BDG com carburadores Weber, uma caixa de velocidades ZF de competição com cinco marchas, e uma transmissão traseira Atlas reforçada com diferencial de deslizamento limitado. A suspensão é reforçada, com amortecedores Bilstein, rodas Minilite clássicas, características dos carros de rallye dos anos setenta.

Fast And Furious 6


Com a franquia de Dom Toretto e sua equipe fazendo sucesso, os produtores precisavam ampliar as marcas de automóveis utilizados nos filmes, e a internacionalização dos roteiros abriu a oportunidade para incluir carros europeus e superesportivos, além dos tunados japoneses e “muscle-cars” americanos.

Para F&F 6, a produção comprou cinco Escort RS 1600 na Grã-Bretanha e os reconstruiu completamente para as filmagens, pintados na clássica or azul com faixas brancas. Alguns tinham o motor Vauxhall Redtop de 2L da Opel, enquanto outros eram equipados com os Kent de 1,6 L com cabeçotes DOHC Cosworth, carburadores WEBER duplos, e cambio de cinco marchas manual, foram instalados roll-bars e um par de bancos de corrida. O painel de instrumentos foi substituído com medidores Revotec, e não tinham chave de ignição; só um interruptor ligado à bateria para acionar a bomba de combustível e dar a partida no motor de arranque.

As rodas Compomotive Minilite de 13x7 polegadas eram calçadas com pneus Federal Super Steel 595, e saíam das caixas das rodas, mesmo com os alargadores e spoilers aplicados à carroçaria.


No filme, Tej Parker compra o Escort e outros carros num leilão, e durante a perseguição ao tanque na rodovia, Brian ajuda Roman a escapar do Mustang que está sendo atropelado pelo tanque. Brian salta de uma pista para a outra e consegue que Roman salte no teto do Escort, e freia o carro, com o tanque passando ao seu lado. Neste salto, um dos carros caiu na pista e capotou, ficando com as quatro rodas para cima. Outro caiu sobre as rodas, mas teve sua estrutura comprometida; após o filme, ficou armazenado num galpão por anos, até que foi adquirido por um colecionador e restaurado a um custo de £70 mil. Outro foi utilizado para a sequência, num salto menor, e seguiu o rastro do tanque para o resgate de Roman.

Da minha coleção

O Escort de Brian, na escala 1:55 

O Escort RS1600 de Fast & Furious 6 é um Hot Wheels, mas na escala 1:55, um pouco maior do que os Hot Wheels comuns. É de uma série especial que a Mattel fez com poucos carros, de filmes diversos da franquia, e creio que não teve boas vendas, pois não teve sequência nos anos seguintes. O casting é perfeito, reproduz bem o carro utilizado no filme, e as rodas (sempre elas) são bem fiéis ao original.

O EScort de Fast&Furious 6 na escala 1:64

O mesmo Escort de F&F 6 saiu na Série Fast & Furious: Fast Imports, em 2019, na escala 1:64, seguindo o mesmo design do filme.


O preto Nº 16 saiu na Série Car Culture: Door Slammers, em 2020. Acho a cartela deste set uma das mais belas ilustrações, os carros do conjunto fazem parte de uma arte só, e as cartelas individuais mostram o modelo em close.

Da Série HW Dirt

O Escort de Nº 70 (referindo-se ao ano do original) tem a cor Metalflake Rootbeer, e saiu na Série HW Dirt, em 2026; todos, exceto este, tem rodas especiais com pneus de borracha. O modelo consta da linha Hot Wheels em todos os anos, desde que foi lançado em 2015, com diversas decorações e cores, muitos deles com pintura de competição, evocando seu passado de vitórias nos Rallies.

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2770_Ford_Escort_RS1600

https://supercarnostalgia.com/blog/ford-escort-mk1-rs1600

https://www.carandclassic.com/pt/carro/C2030369

https://mk1escort.org/the-complete-history-of-the-mk1-ford-escort/

https://www.ultimatespecs.com/br/carros-ficha-tecnica/Ford/148754/Ford-Escort-I-RS2000.html

https://fastandfurious.fandom.com/wiki/Ford_Escort_MK_I#SnippetTab

https://www.edmunds.com/car-reviews/features/fast-furious-6-cars-1970-ford-escort-rs1600.html

https://www.roadandtrack.com/car-culture/entertainment/a34142126/fast-6-crashed-two-real-ford-escort-rs1600s/

Video from Craig Lieberman, technical advisor for F&F 6 – Ford Escort RS1600 ’70:

https://www.youtube.com/watch?v=8y49ovREUuI

https://youtu.be/8y49ovREUuI

https://youtu.be/gu3jFPjBNeg

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Escort_(Europe)

Roger Clark (rally driver) - Wikipedia


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter

FIAT 642 N2 Bartoletti, 1956

Necessitando de um veículo para levar seus carros nas corridas pela Europa, a Ferrari adquiriu um par de ônibus 642 RN2 Alpine da Fiat Veicoli Industriali, e foram entregues à Carrozeria Bartoletti, em Forli, a apenas uma hora de Modena, para adaptá-los ao transporte de carros de corrida. Em 1956, a Bartoletti finalizou as duas unidades e a Ferrari encomendou mais duas, que passaram a transportar as carrocerias Scaglietti, em Modena, e levá-las até Maranello para serem completadas pela Ferrari. Três unidades tinham chassis numerados como 002989, 003002 e um deles cujo número não é conhecido, e o quarto 001461 foi convertido do modelo 682 RN2.


Um dos exemplares foi encontrado em um galpão perto de Cremona, Itália, em 1988, em muito mau estado. Apenas o motor funcionava corretamente, e a carroçaria estava bem atacada pela ferrugem. O colecionador americano Richard Freshman o comprou e restaurou-o ficando como novo; em 1997, Freshman o vendeu para Clive Beecham por US$ 400,000, que por sua vez, o vendeu ao colecionador alemão Fritz Grashei, em cujas mãos repousa até hoje (2026)

Era equipado com um motor Diesel Tipo 364A de 6.650cc com seis cilindros em linha e 92 cv. Tinha 9,085 m de comprimento, 2,492 m de largura e 2,924 m de altura. A velocidade máxima atingida era de apenas aproximadamente 85 km/h, suficiente para levar três automóveis, um estoque considerável de peças e ferramentas, e pelo menos sete tripulantes/mecânicos às pistas.

O FIAT 642 da Maserati, em fase de restauração

A Maserati também utilizou um modelo quase idêntico, o FIAT 642 RN2 ‘Alpine’ de 1956, mas com um terceiro eixo com rodagem simples, para aumentar o comprimento geral do transporter. O veículo era utilizado para levar o Maserati 250F de Fangio, campeão de 1957, e registra-se que levou o Maserati Piccolo 250F (chassi 2533) de Fangio para sua última corrida em Reims, em 1958.

O interior do FIAT da Maserati

O transporter foi adquirido por Lance Reventlow, do Team America Scarab, e posteriormente, foi vendido para Carrol Shelby quando ele ainda competia nas corridas. Shelby o repassou para a Alan Mann Racing, de Byfleet, Inglaterra, que corria com os Ford GT 40 na Europa. Por fim, o piloto David Piper que corria com as Ferrari 275 LM e as 330 P numa equipe privada, adquiriu o FIAT Bartoletti, e foi pintado com o verde da BP, que patrocinava a equipe. Em 1969-70, foi adquirida pela Solar Productions, de Steve McQueen, para as filmagens de “Le Mans”, pintado de vermelho para fazer parte da equipe Ferrari.

Após as filmagens, Anthony Bamford da JCB Historic Racing do Reino Unido, adquiriu o FIAT Bartoletti, e anos depois, o renomado historiador e entusiasta dos Shelby Cobra Michael Shöen o adquiriu para sua coleção. Shöen acabou abandonando o FIAT Bartoletti ao ar livre por muitos anos, e felizmente o ar seco do deserto de Mesa, no Arizona preservou o estado dele, até que Don Orozco, colecionador e entusiasta dos Scarab, e que também havia possuído e restaurado o Maserati Piccolo 250 F de Fangio, ficou curioso com o destino do transportador, e na sua busca, contactou Carrol Shelby, que forneceu o telefone de Michael Shöen. Joe Shöen, irmão de Michael, era o presidente do Grupo AMERCO, dona da empresa de aluguel de caminhões U-Haul, e Orozco fez vários contatos, mas o andamento da negociação acabou ficando lento e não chegaram a um acordo. Depois de muito tempo, do nada, Orozco recebeu uma ligação de Harry Duchene, vice-presidente da U-Haul, e nas conversas, se mostrou bem amigável e cooperativo, de modo que agendaram um encontro em Scottsdale, de onde foram para Mesa no Arizona.

Ali, num pátio de descarte de equipamentos usados da U-Haul, Harry mostrou o FIAT Bartoletti dilapidado, desbotado e enferrujado, sob o sol escaldante, precisando urgentemente de ressuscitação. Sem para brisas, portas que já não se fechavam, peças faltando, Orozco já imaginava que teria um grande trabalho para recuperar o antigo brilho do transporter.

Duchene colaborou bastante e revisou o motor Bedford TurboDiesel na oficina da U-Haul, deixando-o em condições de funcionamento; mesmo assim, Orozco se empenhou num processo bem caro e exigente para produzir novos para brisas, peças mecânicas e guarnições de borracha, além dos instrumentos do painel, revestimentos e painéis de carroçaria. As rampas e o mecanismo de elevação foram refeitos, o interior para quatro pessoas na traseira e três na frente, também uma cama dobrável de metal e lona, para que um piloto dormisse enquanto outro pilotava, para não perder tempo entre os trajetos para os locais de corrida. Os emblemas e logotipos originais foram refeitos, e muitos painéis foram moldados à mão para repor os que não podiam ser recuperados.


Todo o processo de restauração foi conduzido pelos mestres artesãos Olle Erickson, Brad Hand e Willy Stryker, trabalhando cinco dias por semana durante 18 meses, para terminar antes da Corrida Monterey Historics de 2008, em Laguna Seca e o Concurso de Pebble Beach. Depois de todas as fases, a pintura em azul foi refeita por Jesse Cruz, da Equipe RAI, correspondendo às cores utilizadas pela Equipe Shelby Cobra.

Levado ao Monterey Historics de 2008, transportando dois Scarab da coleção de Orozco, ele comentou: “'Certamente tivemos uma recepção fantástica, e foi um daqueles momentos realmente angustiosos depois de um projeto tão imenso e de um período tão intenso de trabalho realmente minucioso. Para os torcedores californianos em particular, este foi o time Scarab da nossa juventude revivido e vivo novamente em Laguna'.”

Uma curiosidade com a restauração do FIAT Bartoletti, aconteceu quando Orozco navegava na Web sobre os Scarab, viu um anúncio sobre uma colcha e cortinas de tecido estampadas com três Scarab Grand Prix – um vermelho, um amarelo e um azul – entre outros modelos de Fórmula Um da época. Negociando a compra, descobriu que a mãe do vendedor havia comprado a colcha e as cortinas na loja Woolworth’s, cadeia de lojas pertencente a Barbara Hutton, mãe de Lance Reventlow, que criou os Scarab na década de 1960. Deduz-se que era uma forma de “merchandising” da época para divulgar a paixão do filho pelas corridas.

O FIAT Bartoletti foi leiloado em setembro de 2015 pela Bohams Auctions na reunião Goodwood Revival, com o atual proprietário deixando a JD Classics para manter o histórico veículo em perfeitas condições de funcionamento. O FIAT foi exibido no Goodwood Revival (2016, 2017), no Goodwood Members Meeting (2017, 2018) e no Le Mans Classic (2016), onde completou uma volta no circuito.

Durante sua vida freneticamente movimentada, este transportador FIAT-Bartoletti transportou carros realmente incríveis – os Maserati 250F oficiais, os Scarab oficiais, os roadsters Shelby Cobra oficiais e os cupês Cobra Daytona, os Ford GTs quase oficiais e tantos Ferraris particulares – pilotados em nível de campeões mundiais por figuras icônicas do automobilismo como Juan Manuel Fangio, Jean Behra, Harry Schell, Dan Gurney, Phil Hill, Ken Miles, Graham Hill e muitos outros, merecendo o respeito e admiração por todo seu histórico passado.

Team Transport #83 – FIAT 642 N2 Bartoletti 1956

A série Team Transport da Hot Wheels é uma coleção premium lançada em 2018, composta por conjuntos de dois carros: um carro e um caminhão de transporte com a mesma pintura. Esta série foca-se no transporte de carros de corrida até as pistas onde se realizavam as competições. As decorações com as marcas e logotipos celebram as diversas tradições do automobilismo e a cultura do automóvel. Cada conjunto inclui um carro de corrida na escala 1:64 e o seu respectivo veículo de transporte, formando um conjunto que valoriza as coleções com a temática das competições.

FIAT 642 N2 Bartoletti


A Edição #83 de 2025 é composta pela Ferrari 250 GTO, um novo casting feito por Ronald Wong, depois que a Mattel recuperou o licenciamento para fazer as miniaturas da Ferrari; e o transporte, este o caminhão real que levava as Ferrari para as corridas, o Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter, o único que restou dos quatro que a Ferrari utilizava nos anos 1960. Vale dizer que é um dos poucos caminhões reproduzidos como Hot Wheels de veículos reais, tornando o set bem atrativo para os colecionadores.


A decoração do FIAT Bartoletti baseia-se no chassi 002989. O modelo conta com uma plataforma inferior deslizante. A base da miniatura traz a inscrição "Fiat 642 RN2 Bartoletti".

Ferrari 250 GTO



A Mattel havia perdido o licenciamento para fazer as Ferrari, mas recuperou o contrato em 2024/25, e refez os casting para os modelos lançados nesta nova fase. A 250 GTO foi relançada em grande estilo neste set do Team Transport #83, de 2025, em conjunto com o Fiat 642 RN2 Bartoletti Transporter. A 250 GTO desta nova série é baseada no chassis 3757GT, cujo proprietário é o músico inglês Nick
 Mason.






A matéria completa sobre a Ferrari 250 GTO pode ser acessada no link abaixo:

https://leotogashi.blogspot.com/2018/04/ferrari-250-gto.html

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/2025_Car_Culture:_Team_Transport

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Ferrari_250_GTO_(2025)

https://www.e-collectable.com/blog/lost-and-found-the-fiat-642-rn2-bartoletti-ferrari-transporter/

https://www.classicdriver.com/en/car/fiat/bartoletti-tipo-642/1956/554250

https://robbreport.com/motors/cars/historic-ferrari-gto-record-auction-most-valuable-1235414924/

https://justacarguy.blogspot.com/2009/02/ferrari-vintage-race-car-transporter.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Lance_Reventlow