A Ferrari Berlinetta Boxer foi produzida pela Ferrari de 1973 a 1984, com design de Leonardo Fioravanti, do Estúdio Pininfarina. Ela sucedeu a Ferrari 365 GT4 BB, a primeira das Ferrari de estrada com motor montado entre eixos na traseira, e para o modelo de 1976, ela ganhou o nome de BB 512, com seu motor Boxer de 12 cilindros opostos.
Enzo era resistente a produzir uma Ferrari com motor
central, pois achava que seus clientes teriam dificuldades para conduzi-la nas
estradas. O tempo e a insistência dos seus engenheiros o convenceram de adotar
este layout para as Ferrari de rua.

A nova configuração da 365 GT4 BB
A Ferrari 365 GT4 BB, apesar de compartilhar a
designação sucedendo a GTB/4 Daytona, era radicalmente diferente devido ao seu
layout, pois agora o motor estava entre eixos, longitudinalmente na traseira.
A equipe de design baseou-se no chassi existente da
Ferrari 250 LM e do Dino 206/246, apresentando um protótipo no Salão do
Automóvel de Turim, em 1971. Depois de muitos testes nas estradas e nas pistas,
e aproveitando a experiência que tinham com as Ferrari de competição, o
desenvolvimento da 365 GT4 BB prosseguiu rápido e com poucas mudanças, entrou
em produção em 1973.
O engenheiro Giuliano de Angelis ficou encarregado de desenvolver o motor Tipo F102A, derivado do Tipo 001 de 3,0 litros projetado por Mauro Forghieri para a Ferrari 312B de 1969 na Formula Um, e no motor da 365 GTB/4 com uma cilindrada total de 4.390,35 cc.
Apesar de ter o nome “Berlinetta Boxer” e a sigla “BB”
para se referir aos modelos, este motor não era verdadeiramente um boxer, pois
as bielas eram montadas no mesmo mancal, fazendo com que os pistões opostos se
movimentassem na mesma direção, tecnicamente era um motor Flat-12, com os
cilindros opostos em 180º.
Construído em liga Silumin, as camisas eram de ferro
fundido, com pistões de liga leve e o virabrequim de aço forjado. Os cabeçotes
eram muito semelhantes aos do motor 365 GTB/4, com comandos duplos, acionados
por correias dentadas (com menor peso) e quatro válvulas por cilindro; alimentados
por quatro carburadores Weber 40 IF 3C de 3 bbl. A ignição era Magneti Marelli
com duas bobinas, inicialmente tinha carte úmido, mas foi substituído pelo cárter
seco mais eficiente na 512 BB. Este motor produzia 380 cv a 7100 rpm, levando o
carro a 302 km/h (188 mph) durante os testes, e o modelo de produção acabou
fiocando com 360 cv a 7500 rpm, com 311 lb/ft de torque a 4500 rpm.
A transmissão era manual com cinco marchas e
diferencial de deslizamento limitado, colocados logo abaixo do motor, ao lado
do carter de óleo. Tinha uma embreagem a seco com disco único Fichtel &
Sachs, na parte traseira do motor. Este layout elevava o centro de gravidade do
carro, mas encurtava o comprimento do carro, de modo que mesmo com a distância
entre eixos menor, o espaço e o conforto da cabine eram muito bons.
O design da carroçaria foi feito pela Pininfarina, supervisionada por Leonardo Fioravanti, e foi influenciado pelo carro-conceito Ferrari P6 Berlinetta Speciale, de 1968. Com os faróis escamoteáveis, a frente ficou bem baixa e afilada, em forma de cunha, e o para brisa bem inclinado favoreciam a aerodinâmica, e a traseira curta era truncada; os estudos em túnel de vento indicaram a necessidade de um pequeno spoiler logo atrás da cabine, para direcionar o ar para auxiliar a refrigeração do motor.
A frente era Flip-Nose, ao passo que o capô traseiro
também, mas em sentido contrário, facilitando o acesso ao motor para manutenção
e reparos. O visual recebeu um pintura em dois tons, com a parte inferior
abaixo da metade das rodas em preto acetinado, criando um efeito visual que
reduzia a altura do carro, ficando depois conhecida como “pintura Boxer”,
quando a Ferrari passou a oferecer este estilo em outros modelos da casa de
Maranello.
O chassi era construído com tubos de aço, padrão da
Ferrari na época, assim como era na 250 LM e no Dino 206/246, tinha um
semi-monocoque na cabine central, e subchassi frontal e traseiro tubulares,
para deformar e absorver a energia durante uma colisão, assim como duas traves
diagonais que faziam o papel de barras anti capotamento.
As suspensões eram independentes de duplo triângulo,
com conjunto de mola/amortecedor na dianteira e conjuntos duplos na traseira,
ambas com barras estabilizadoras. A direção era de pinhão/cremalheira, sem
assistência hidráulica e os freios eram a disco nas quatro rodas. As rodas de
liga leve eram calçadas com pneus Michelin XWX, com pneus 215 70 VR15.
A versão de produção foi apresentada no Salão do Automóvel de Paris, em 1973, ano em que houve o embargo do petróleo dos países árabes, reduzindo a demanda inicial. O primeiro ano viu apenas 25 exemplares deixarem a linha de produção, mas foi aumentando gradualmente, até o final, quando se fazia um carro por dia. Mesmo assim, apenas 387 unidades foram fabricadas entre 1973 e 1976, tornando o modelo bastante raro. Destas, 88 unidades tinham o volante à direita, com 58 destinados ao Reino Unido.
A Ferrari 365 GT4 BB era construída por Scaglietti,
com a montagem final feita na fábrica da Ferrari de Maranello. O modelo foi bem
recebido pela imprensa automotiva, elogiando seu desempenho e manuseio. A
revista Road & Track testou um exemplar em junho de 1975, marcando 0-6- mph
em 7,2 segundos, 0-100 mph em 14,8 segundos, com o quarto-de-milha em 15,5
segundos. A máxima atingiu 175 mph (281 km/h), tornando-o o mais rápido
esportivo de estrada na época. A revista Car and Driver registrou 0-60 em 6,1
segundos e 0-100 mph em 14,1 segundos.
Em 1976, no Salão do Automóvel de Paris, a Ferrari apresentou a BB 512, ou 512 BB, alterando a nomenclatura que se referia ao volume de um cilindro (365 cc) para 512 (5 litros e 12 cilindros), mesma numeração das Ferrari que competiram no Mundial de Marcas.
O motor Tipo F102 B foi ampliado para 4.943cc, com a
taxa de compressão aumentada para 9,2:1, atingindo a potência de 360 cv a 6200
rpm, e 449 N-m a 4300 rpm. Na época, a revista Autocar testou um 512 BB em
maiode 1978, medindo de 0-60 mph em 6,2 segundos e máxima de 163 mph (262 km/h).
A embreagem era de disco duplo, lubrificação por
carter seco, e largos pneus Michelin 225/70 VR15 com as rodas traseiras com 9
polegadas de tala, obrigando a uma reestilização dos para lamas traseiros para acomodar
as largas rodas. Um novo spoiler dianteiro foi instalado, evitando a frente de
levantar em altas velocidades; entradas de ar tipo NACA foram adicionadas logo
antes das caixas das rodas traseiras para refrigerar o escapamento e os freios.
O painel traseiro recebeu duas lanternas de cada lado, em vez das três da 365
GT4 BB.
Um total de 929 exemplares foi produzido entre 1976 e
1981.
Última versão: 512 BBi

O V12 injetado da versão BBi
Em 1981, o 512 BB recebeu sua última atualização: o
motor Tipo 110 A foi equipado com uma injeção de combustível BOSCH K-Jetronics
CIS, produzindo emissões menores e um melhor equilíbrio entre desempenho e
dirigibilidade. O sistema de ignição Magneti Marelli “Diniplex” tinha um
limitador de rotações, com a potência de 340 cv a 6000 rpm, tornando-o o menos
potente desta série.

O interior da 512 BBi
O BB 512i usava pneus e rodas Michelin TRX de tamanho
métrico, substituindo os pneus Michelin XWX usados nos modelos BB anteriores.
Os pneus tinham o tamanho 240/55 VR 415 na frente e na traseira, com rodas de
tamanho 180 TR 415 na frente e 210 TR 415 na traseira.
Um total de 1.007 exemplares do BB 512i foram
produzidos entre 1981 e 1984.
CURIOSIDADE
As letras “BB” normalmente utilizadas para designar
este modelo da Ferrari são definidas pela fábrica como “Berlinetta Boxer”, mas
relatos de pessoas ligadas à Ferrari sugerem que o significado destas letras é
diferente.
Segundo Mauro Forghieri, a letra “B” deveria significar
“Bialbero” e não “Boxer”, visto que o motor não tinha esta configuração na
verdade. Os pistões de cada mancal se moviam para a mesma direção e não como um
motor Boxer, com movimentos opostos. Depois que a imprensa automotiva passou a
usar o nome “Berlinetta Boxer”, as tentativas de correção feitas por Forghieri
não foram bem sucedidas, e o nome ficou.
Outra versão contada por Leonardo Fioravante afirma
que ele, e os designer Angelo Bellei e Sergio Scaglietti apelidaram o carro
como “Brigitte Bardot”, durante o seu desenvolvimento; devido à beleza do
carro, como a atriz e modelo francesa. O apelido se espalhou na Ferrari, e “Berlinetta
Boxer” foi inventado pelos executivos da Ferrari antes do lançamento no Salão
do Automóvel de Turim, em 19710, com a justificativa de que nomear uma Ferrari
com o nome de uma atriz era inadequado.
Da minha coleção
Minha Ferrari 512 BB é uma miniatura da TOMICA japonesa, na escala 1:61, com um bom detalhamento, como a pintura “saia e blusa”, o capô traseiro que se abre, revelando o motor V12, as rodas Ferrari com cinco raios, e os faróis escamoteáveis que se levantam revelando os quatro faróis embutidos.
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| Os faróis se levantam |
Referências:
https://en.wikipedia.org/wiki/Ferrari_Berlinetta_Boxer
https://motogallery.com/blogs/ferrari-database/ferrari-512-bb







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