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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ford Cortina – Lotus Cortina

Ford Cortina, no London Motor show de 1962

O Ford Cortina foi lançado no Reino Unido em 1962, e a geração Mk1 foi fabricada até o ano de 1966. O final dos anos 1950 prenunciava tempos animadores para uma Europa que começava a esquecer as agruras da II Guerra, retomando a vida onde tudo de bom podia ser feito.

O mercado automobilístico também era um reflexo desta atitude, e a Ford britânica trabalhava febrilmente para atender este anseio do público com novos modelos. O projeto do Ford Cortina ganhou forma em 1960, e em três meses, foi construído um modelo em argila em tamanho real, e entrou em produção apenas 21 meses depois, um tempo recorde para a época.

Patrick Hennessy, presidente da Ford Britânica, visitou os Estados Unidos em 1960, e soube que a Ford americana havia abandonado um projeto de um sedã compacto, repassando-o para a Ford da Alemanha. Era um pequeno sedã cujo codinome era “Cardinal”, tinha um motor V4 com tração dianteira, e eventualmente, se tornaria o Taunus 12M na Alemanha.

Ford Cortina, modelo de pré-produção

Hennessy viu potencial no conceito, mas acreditava que o mercado britânico precisava de um modelo mais simples e econômico. Voltou para o Reino Unido e trouxe Harley Copp, para chefiar a Unidade de Design e Engenharia, e liderou todos os projetos da Ford britânica durante a década de 1960, até retornar aos Estados Unidos depois da conclusão do Cortina Mk3.

Hennessy convenceu a Ford americana a lhe dar passe livre para desenvolver a versão britânica deste carro, e apesar de serem a mesma companhia, as divisões britânica e alemã não tinham uma boa política de cooperação, então, eles assumiram o projeto a seus modos, denominando inicialmente como Consul 225, e depois como “Project Archbishop”.


Terence (Terry) Beckett foi designado Chefe de Planejamento de Produto, e Fred Hart, Engenheiro-Chefe de Carros Leves ─ que tinha experiência por desenvolver o Ford Anglia e Consul ─ ficaram responsáveis pela engenharia e design do novo modelo. As diretrizes eram ter um design distintivo da concorrência, uma construção inovativa com redução de peso (menos de 770 kg), o máximo de espaço e conforto para um carro pequeno, e agradável de dirigir. Dennis Roberts, engenheiro vindo da Bristol Aeroplane, trouxe a tecnologia aeronáutica empregada na construção do carro.

Roy Brown, mais conhecido por desenhar o malfadado Edsel, foi exilado para a Grã-Bretanha, e colaborou na finalização do Project Archbishop. Brown e a equipe entregaram o Ford Cortina, um carro pequeno, simples, mas altamente eficaz; com um design de linhas angulares, vincos afilados nas laterais e as lanternas traseiras CND, que se tornaram icônicas.

Equipado com o motor “Kent” 105E do Anglia, aumentado para 1.198 cc, gerava 49 hp, atingindo 75 mph (120 km/h) de máxima, e fazendo de 0-60 mph (96 km/h) em 22,5 segundos. Tinha suspensões dianteiras McPherson e eixo rígido traseiro, e seu peso ficou apenas 20 lb (9,0 kg) a mais do que o previsto.

Terence Beckett (depois recebeu o título de “Sir”) disse: “O Cortina ficou abaixo do custo e, o mais importante, fizemos isso em tempo recorde. Acredito que levamos 21 meses desde o protótipo em argila em tamanho real até o primeiro protótipo, o que, na época era um recorde absoluto para a indústria. Decidimos que precisávamos de uma carroceria maior e também de mais espaço para as rodas. Decidimos que iríamos incluir um porta-malas de verdade – de certa forma, exageramos um pouco, mas era perfeito para um representante que queria levar amostras e também para o motorista da família.”

Ford Consul Cortina Saloon (sedã 4 portas), 1963

Lançado em 20 de setembro de 1962 no London Motor Show, o Ford Cortina definiu o segmento dos carros familiares pelas próximas duas décadas, sedimentando a liderança da Ford Britânica no mercado.

O pequeno sedã veio com o motor de 1.198 cc com três mancais, com válvulas no cabeçote, derivado do Ford Anglia; um modelo familiar prático e despretensioso, mas que trazia uma engenharia moderna debaixo de sua aparência discreta. As vendas impressionantes confirmaram as previsões de Hennessy, e o Cortina se tornou o mais novo queridinho do mercado.

Isso motivou a Ford a incrementar o Cortina, e já em 1963, lançava o Cortina Super, equipado com o motor ampliado para 1.498 cc, com cinco mancais, prenunciando a vocação esportiva do modelo, preparando o caminho para a vinda da versão GT, lançada no verão de 1963.

Ford Cortina GT, 1965

O Cortina GT foi uma grande evolução, comprovando que os compradores queriam mais desempenho. A suspensão foi rebaixada, e o motor de 1.498 cc preparado para gerar 78 cv, com um comando mais agressivo, um cabeçote retrabalhado com dutos maiores, um coletor de escape tubular e o carburador WEBER 28/36 DCD de corpo duplo, tornaram o pacato Cortina o terror de sua classe frente aos Morris Marina da BLMC e Sunbeam da Chrysler britânicos. A revista Autocar de 1963 apontava que o carro fazia de 0-60 mph em 13,9 segundos e atingia a máxima de 94 mph (152 km/h).

Ainda em 1963 a linha foi ampliada com a introdução da versão 1200 DeLuxe e o 1500 Super, esta última também disponível como Station-Wagon, com painéis de madeira nas laterais, imitando as grandes peruas americanas com estes acabamentos.

Lotus Cortina, 1964

Colin Chapman com Jim Clark no Lotus Cortina

O último e maior desenvolvimento desta geração Mk1 do Cortina foi o Lotus Cortina, versão de alta performance feita em colaboração com a Lotus, de Colin Chapman, para correr no Grupo 2, que exigia pelo menos 1.000 exemplares para ser homologado. Partindo de um motor quatro cilindros (125E/126E) de 1.558 cc, com duplo comando no cabeçote, modificado por Chapman e instalado no Lotus Coventry Climax, o Lotus Cortina veio a ser um formidável competidor nas corridas e um ícone, a seu próprio modo. O motor gerava 105 hp a 5500 rpm e 146 N-m de torque a 5500 rpm. Os exemplares de corrida tinham até 150 hp no motor. Um total de 3.306 exemplares foram construídos, mais de três vezes os 1.000 carros previstos que o chefe de competição Walter Hayes havia imaginado.

A suspensão modificada pela Lotus

O motor 1,6 litro com 150 hp

Chapman instalou este motor, acoplado a um câmbio manual de quatro marchas, com carcaça em alumínio, com as relações do Lotus Elan; carburadores que captavam o ar fresco do nariz do carro, um radiador maior e de maior capacidade e cardã em peça única com diâmetro de 3 polegadas. A suspensão traseira foi rebaixada e redesenhada com molas e amortecedores verticais, em vez das lâminas, com braços de arrasto para posicionar o eixo; e havia um braço triangular, com o vértice fixado na carcaça do diferencial e os tirantes presos à carroceria. A carcaça do diferencial também era de alumínio, visando a redução do peso.

A suspensão dianteira também foi modificada, com molas mais curtas e amortecedores mais firmes, com braços forjados em vez dos estampados, o camber e o cáster foram alterados e barras estabilizadoras foram instaladas para melhorar o desempenho nas curvas. O sistema de direção recebeu novos tirantes, a caixa de direção teve a relação melhorada em 12%, e o volante foi trocado por um de 15 polegadas, com aro de madeira e centro com o logotipo da Lotus, e a coluna teve o comprimento reduzido, ficando pouco mais recuada, mas os raios do volante ficaram mais cônicos, para melhorar a posição de pilotagem.

Os freios eram Girling com discos de 9,5 polegadas na frente e tambores de 9x1,75 polegadas atrás, com servofreio. As rodas de aro 13 tinham 5,5 polegadas de tala.

No interior, novos bancos foram feitos pela Lotus, com mais suporte lateral, mais inclinados e confortáveis. O consolo central tinha apoio para os braços; o painel de instrumentos tinha velocímetro até 140 mph (225 km/h), conta-giros até 8000 rpm, marcadores de combustível, pressão do óleo, temperatura da água, similar ao do Lotus Elan.

Ford Consul Cortina Sports Special, mais conhecido
como Lotus Cortina

A carroçaria do Lotus Cortina recebia o piso do Sedan 2 portas Type 74 Saloon, reforçado, para dar mais rigidez às torções. Era feito na fábrica de Dagenham, mas fora da linha normal de produção, nos estágios iniciais da construção do monobloco. Depois recebia os demais componentes (faróis, vidros, luzes, aquecedor, limpadores de para brisa, motor, fechaduras e outros itens). Só então ele era enviado para Cheshunt, a fábrica da Lotus em Hertforshire, Reino Unido, para montagem final com os componentes especiais da Lotus e a decoração final.

A Lotus substituía as portas, capô do motor e do porta-malas por peças feitas de alumínio, a bateria era realocada no porta-malas, as suspensões eram modificadas e recebiam alguns componentes especiais. No exterior, a cor Ermine White era padrão, com as faixas em Verde Sherwood, emblemas da Lotus no final delas e na grade dianteira.

Em janeiro de 1963, o Consul Cortina Sports Special foi lançado, mas ao chegar ao mercado, passou a ser conhecido como Lotus Cortina pela imprensa automotiva. Michael Turner foi o ilustrador que fez as imagens da brochura de lançamento do Lotus Cortina, e a figura mostra Colin Chapman no banco do passageiro, e concluímos que o piloto é Jim Clark, que fez vários testes nos carros de pré-produção ─ tanto do carro de rua como do Lotus Cortina ─ e se tornou um embaixador, para divulgar o Lotus Cortina, a Ford, a Lotus, e o esporte motor da Inglaterra nos anos 1960.


A imagem de Jim Clark fazendo curvas em três rodas
ficou antológica

O Team Lotus corria no Reino Unido, enquanto Alan Mann Racing competia nas pistas da Europa, e a Ford americana inscrevia o Lotus Cortina na Trans-Am na classe abaixo de 2000 cc. Conseguiu pódios no Campeonato Austríaco de Carros Sedan, no Campeonato Sul-Africano de Sedan Nacionais, no Campeonato de Gelo Sueco e no “Wills” Seis Horas da Nova Zelândia. No 1964 BRSCC British Saloon Car Championship, Jim Clark, correndo com o Lotus Cortina, venceu todas as 8 etapas, sagrando-se campeão invicto na Classe B. São famosas as imagens de Jim Clark fazendo as curvas em apenas três rodas com o Lotus Cortina, e conta-se que uma ocasião, Chapman andou com Clark e se surpreendia com a forma com que ele entrava nas curvas, fazendo uma trajetória diferente do habitual (Chapman também correu como piloto), e Clark explicou que cada carro exigia dele um comportamento diferente (ele corria com os Formula Um e Dois). 


O Lotus Cortina de Jim Clark, campeão da temporada de 1964 

Evento em homenagem aos 50 anos da vitória 
de Jim Clark

Outros Lotus Cortina também estavam presentes
O Lotus Cortina usado por Clark na temporada de 1964 hoje pertence a Dario Franchitti, três vezes vencedor da Indy 500, e em 2019, ele cedeu o modelo para ficar exposto no Jim Clark Motorsports Museum, localizado na cidade de Duns, Escócia.

Em 1965, correndo pela Alan Mann Racing, Sir John Whitmore venceu o Campeonato Europeu de Carros de Turismo em sua classe; Jack Sears venceu o Campeonato Britânico de Carros Sedan, Jacky Ickx venceu o Campeonato Belga de Carros Sedan, e o carro venceu o New Zealand Gold Star Saloon Car Championship, a Snetterton 500 e as Seis Horas de Nürburgring.

O Lotus Cortina foi um sucesso também nos Rallies, com Vic Elford e David Seigle-Morris chegando em 4º no Tour de France de 1964 (10 dias e 6.400 km), e vencendo em sua classe. Chegou em sexto na geral e primeiro na categoria Handicap, no RAC Rally com Taylor e Brian Melia; foi muito competitivo em 1966, no Rally de Monte Carlo, Rally dos Alpes, Rally de San Remo, Tulip Rally, Acropolis Rally, Geneva Rally, Swedish Rally e no Australian Rally Championship. Jim Clark também correu com o Lotus Cortina em Rallies, mas sofreu com a confiabilidade dos carros, chegando em terceiro no Canadian Shell 4000; segundo no Rally da Grécia e quarto no Rally da Polônia.

Com pouco mais de 3.000 exemplares fabricados, o Lotus Cortina pode não ser tão procurado pelos colecionadores como o Lotus Elan e o Lotus Europa, mas em setembro de 2014, um modelo Mk1 de 1966 foi leiloado no Goodwood Revival pela Bonhams por £$ 73,703 (quase US$ 100 mil em jan/2026), e outro também Mk1 de 1966, de um único dono, com 6.200 milhas no odômetro, bateu o martelo no Quail Lodge da Bonhams por £115.000 ( US$ 156 mil em Jan/2026). O carro pilotado por Jim Clark em 1964 foi leiloado em 2007 pela quantia de £136,800 (US$ 185.000 em jan/2026). Nada mal para um sedan de apenas 96 cid (1.600 cc).



O sucesso do Ford Cortina Mk1 proporcionou a consolidação da Ford Britânica, combinando a praticabilidade, preço acessível e uma condução dinâmica excelente, definindo o padrão para os carros familiares, e alavancando a operação da Ford na Grã-Bretanha.

Ele foi mais do que um carro: seu planejamento detalhado e a execução perfeita do Project Archbishop demonstrou a qualidade do trabalho em criar um carro excelente, no prazo e no custo previsto. As gerações posteriores Mk2 e Mk3 provaram estas premissas e seu sucesso foi expandido por toda a Europa nos vinte anos seguintes.

A geração Mk1 durou apenas quatro anos, de 1962 a 1966, mas os números provam seu sucesso: 1.012.391 exemplares saíram da fábrica de Dagenham, em Londres, tornando-se um dos carros mais bem-sucedidos e influentes no mercado automobilístico britânico.

Da minha coleção



O Lotus Cortina é um Hot Wheels, da linha normal (Mainline), e saiu na Serie Compact Kings, na escala 1:64. Ele reproduz o carro com que Jim Clark venceu o 1964 British Saloon Car Championship de forma invicta. O detalhamento é o normal dos Hot Wheels, e até as rodas aro 13 estão na escala 1:64, um ponto em que a Mattel não é tão exata assim.


As fotos abaixo são da mesma mini, customizada com rodas especiais e pneus de borracha de um Greenlight, grade, faróis, escapamento, lanternas, limpadores de para brisa e a placa do carro com que Jim Clark correu em 1964; ficou bem melhor.




terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

’67 Lotus Type 49

Lotus 49, 1967

Colin Chapman marcou para sempre a história da Formula Um com os carros que construiu, fundando a Lotus em 1952 e implementando seus conhecimentos de engenharia aeronáutica para criar verdadeiras inovações no mundo da Formula Um. Entre suas criações, estão o chassi monocoque com o motor sendo parte integrante da estrutura do Lotus 25 (1965), a aplicação dos aerofólios (1968) e o carro-asa Lotus 78 (1977), cujo fundo era uma asa invertida, criando um downforce que colava o carro nas curvas. Também leva o crédito por ser o primeiro a ter o patrocínio estampado nos seus carros, gerando enorme riqueza para as equipes depois disso.

Colin Chapman

O Lotus 49, projetado junto com Maurice Philippe era o carro para a temporada de 1967, o primeiro Formula Um equipado com o motor Ford Cosworth DFV de 3 litros; outro crédito atribuído a Chapman, que convenceu a Ford a construir o motor que passou a década de 1970 equipando quase a totalidade dos monopostos de Formula Um. O motor era preso diretamente na parte posterior do monocoque e tinha as suspensões traseiras afixadas no motor, com tirantes para alinhar e manter os movimentos das rodas. Jim Clark venceu a corrida de estreia do Lotus 49, o Grande Prêmio da Holanda, em 1967, e foi nele que venceu sua última corrida, o Grande Prêmio da África do Sul, antes de morrer na prova de Formula Dois pilotando um Lotus 48, em Hockenheim no dia 7 de abril de 1968. Grahan Hill acabou vencendo a temporada de 1968, provando a competitividade do Lotus 49, que recebeu a sigla 49B quando foi equipado com os primeiros aerofólios na Formula Um. Estes eram instalados diretamente nas suspensões, em suportes bem altos, para máxima eficiência, porém, depois de vários acidentes, estas asas altas foram banidas e a Lotus foi forçada a montar as asas fixas no corpo do próprio carro.

Gold Leaf Team Lotus, Graham Hill, 1967

O ano de 1968 também marcou a entrada da Imperial Tobacco, patrocinando o Team Lotus, que trocou o British Racing Green/Yellow pelas cores da embalagem dos cigarros Gold Leaf: branco, vermelho e dourado, mudando para sempre o lado financeiro das equipes, não só da Formula Um, mas de todas as categorias do automobilismo de competição. Entre 1968 e 1971, a Lotus venceu dois campeonatos de pilotos, dois de construtores, prosseguindo a parceria com a Imperial Tobacco com o negro e dourado da John Player Special até a temporada de 1986.

C



omo curiosidade, Wilson Fittipaldi correu com um Lotus 49C, obtendo o nono lugar no Grande Prêmio da Argentina de 1971, e Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna também pilotaram os Lotus. No total, doze exemplares do Lotus 49 foram construídos, entre as várias versões A, B e C; e sete delas foram preservadas: o chassi #R3, pilotado por Grahan Hill, foi vendido ao colecionador John Love, hoje está em exibição no National Motor Museum, em Hampshire, Inglaterra.


O chassi #R4, com que Jim Clark correu e venceu o Grande Prêmio da África do Sul em 1968, foi depois vendido para o Rob Walker Team, correndo com Jo Siffert ao volante. Na Corrida dos Campeões, em Brands Hatch, Siffert bateu o carro e ele foi enviado à sede da Rob Walker Team para reparos. Lá, ele foi vítima de um incêndio, que quase reduziu a cinzas diversos veículos valiosos. Vinte anos depois, Walker concordou em restaurar o 49B #R4, e John Chisman, ex-mecânico-chefe da equipe foi encarregado da tarefa, mas não conseguiu concluir  o trabalho. Tom Wheatcroft, então proprietário do autódromo de Donington Park, assumiu a restauração do carro, mas nenhum progresso foi feito até 1995. Neste ano, um consórcio liderado por David McLaughlin assumiu o desafio de finalmente colocar o carro de volta à glória que realmente merecia, e o carro foi levado para as oficinas dos renomados especialistas em carros de Grande Prêmio Hall & Fowler. Concluído em 1998, foi exibido no Lotus 5th Anniversary Meeting, em Brands Hatch, e no ano seguinte, Jackie Oliver pilotou o carro em Goodwood, apenas para se chocar com Sir Jack Brabham ao volante de uma Mclaren M5A. Nesta exibição, o 49 carregava as cores do Rob Walker Team.




Reparado, ficou decidido que seria restaurado com as cores que correu no GP da África do Sul de 1968, e para manter a fidelidade, foram utilizados como referência dois exemplares genuínos do 49. Coincidentemente, o GP da África do Sul de 1968 foi a última corrida vencida por Clark, e a última com as cores verde e amarela, antes de vestir as cores da Gold Leaf.

Mais de duas décadas depois de ser ressuscitado, o #R4 foi vendido a um colecionador japonês, e em abril de 2020, foi colocado em leilão pela ChromeCars, na Alemanha, sendo estimado em atingir a cota do milhão de dolares para trocar de mãos.

Da minha coleção

Lotus 25, Matchbox, anos 1960.

Uma das primeiras miniaturas que tenho é um Lotus 25, da Matchbox, dos idos anos 1960, que está na minha coleção até hoje. Ela tem o acabamento da época, e foi customizada com decalques de carrinhos de autorama. Tem muitos sinais de desgaste, mas é assim que ela irá permanecer comigo.



O Lotus 49 da Quartzo é na escala 1:43, reproduz o carro da última vitória de Clark na Formula Um, e o 49B de Grahan Hill, também da Quartzo, é da quarta vitória dele em Mônaco, em 1968. Ambas tem um excelente acabamento, com detalhes de motor e decoração bastante fiéis aos originais, peças bem valorizadas em qualquer coleção.




Em 2024, a Hot Wheels lançou o Lotus Type 49, de 1967, reproduzindo o carro de Jim Clark, um casting muito bem-feito, o piloto em branco foi escolhido para homenagear os uniformes brancos utilizados pelos pilotos da Lotus na época. Uma versão idêntica foi produzida com o piloto na cor cinza.

Podemos comparar a diferença de 60 anos entre o meu Matchbox antigo e os novos castings da Mattel, sem dúvida um progresso muito bom nos detalhes.




Referências:

https://primotipo.com/2015/02/17/jim-clark-taking-a-deep-breath-lotus-43-brm/

https://www.topspeed.com/cars/car-news/history-of-the-1967-lotus-49-and-how-you-can-own-one/

https://en.wikipedia.org/wiki/Lotus_49

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2767_Lotus_Type_49

Lotus 25 - Wikipedia

sábado, 19 de outubro de 2024

Lotus Type 49

Lotus 49, pilotado por Jim Clark, 1967

Colin Chapman marcou para sempre a história da Formula Um com os carros que construiu, fundando a Lotus em 1952 e implementando seus conhecimentos de engenharia aeronáutica para criar verdadeiras inovações no mundo da Formula Um. Entre suas criações, estão o chassi monocoque com o motor sendo parte integrante da estrutura do Lotus 25 (1965), a aplicação dos aerofólios (1968) e o carro-asa Lotus 78 (1977), cujo fundo era uma asa invertida, criando um downforce que colava o carro nas curvas. Também leva o crédito por ser o primeiro a ter o patrocínio estampado nos seus carros, gerando enorme riqueza para as equipes depois disso.
Colin Chapman



O Lotus 49, projetado junto com Maurice Philippe era o carro para a temporada de 1967, o primeiro Formula Um equipado com o motor Ford Cosworth DFV de 3 litros; outro crédito atribuído a Chapman, que convenceu a Ford a construir o motor que passou a década de 1970 equipando quase a totalidade dos monopostos de Formula Um. O motor era preso diretamente na parte posterior do monocoque e tinha as suspensões traseiras afixadas no motor, com tirantes para alinhar e manter os movimentos das rodas.

Jim Clark no Lotus 49, GP Holanda, 1967

Jim Clark venceu a corrida de estreia do Lotus 49, o Grande Prêmio da Holanda, em 1967, e foi nele que venceu sua última corrida, o Grande Prêmio da África do Sul, antes de morrer na prova de Formula Dois pilotando um Lotus 48, em Hockenheim no dia 7 de abril de 1968.

Os primeiros aerofólios eram bem altos

Grahan Hill acabou vencendo a temporada de 1968, provando a competitividade do Lotus 49, que recebeu a sigla 49B quando foi equipado com os primeiros aerofólios na Formula Um. Estes eram instalados diretamente nas suspensões, em suportes bem altos, para máxima eficiência, porém, depois de vários acidentes, estas asas altas foram banidas e a Lotus foi forçada a montar as asas fixas no corpo do próprio carro.



O ano de 1968 também marcou a entrada da Imperial Tobacco, patrocinando o Team Lotus, que trocou o British Racing Green/Yellow pelas cores da embalagem dos cigarros Gold Leaf: branco, vermelho e dourado, mudando para sempre o lado financeiro das equipes, não só da Formula Um, mas de todas as categorias do automobilismo de competição. Entre 1968 e 1971, a Lotus venceu dois campeonatos de pilotos, dois de construtores, prosseguindo a parceria com a Imperial Tobacco com o negro e dourado da John Player Special até a temporada de 1986.

Como curiosidade, Wilson Fittipaldi correu com um Lotus 49C, obtendo o nono lugar no Grande Prêmio da Argentina de 1971, e Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna também pilotaram os Lotus. No total, doze exemplares do Lotus 49 foram construídos, entre as várias versões A, B e C; e sete delas foram preservadas: o chassi #R3, pilotado por Grahan Hill, foi vendido ao colecionador John Love, hoje está em exibição no National Motor Museum, em Hampshire, Inglaterra.

O Lotus 49 vencedor do GP da Holanda, em 1967, com Jim Clark

O chassi #R4, com que Jim Clark correu e venceu o Grande Prêmio da África do Sul em 1968, foi depois vendido para o Rob Walker Team, correndo com Jo Siffert ao volante. Na Corrida dos Campeões, em Brands Hatch, Siffert bateu o carro e ele foi enviado à sede da Rob Walker Team para reparos. Lá, ele foi vítima de um incêndio, que quase reduziu a cinzas diversos veículos valiosos. Vinte anos depois, Walker concordou em restaurar o 49B #R4, e John Chisman, ex-mecânico-chefe da equipe foi encarregado da tarefa, mas não conseguiu concluir  o trabalho. Tom Wheatcroft, então proprietário do autódromo de Donington Park, assumiu a restauração do carro, mas nenhum progresso foi feito até 1995. Neste ano, um consórcio liderado por David McLaughlin assumiu o desafio de finalmente colocar o carro de volta à glória que realmente merecia, e o carro foi levado para as oficinas dos renomados especialistas em carros de Grande Prêmio Hall & Fowler. Concluído em 1998, foi exibido no Lotus 5th Anniversary Meeting, em Brands Hatch, e no ano seguinte, Jackie Oliver pilotou o carro em Goodwood, apenas para se chocar com Sir Jack Brabham ao volante de uma Mclaren M5A. Nesta exibição, o 49 carregava as cores do Rob Walker Team.

Reparado, ficou decidido que seria restaurado com as cores que correu no GP da África do Sul de 1968, e para manter a fidelidade, foram utilizados como referência dois exemplares genuínos do 49. Coincidentemente, o GP da África do Sul de 1968 foi a última corrida vencida por Clark, e a última com as cores verde e amarela, antes de vestir as cores da Gold Leaf.

Mais de duas décadas depois de ser ressuscitado, o #R4 foi vendido a um colecionador japonês, e em abril de 2020, foi colocado em leilão pela ChromeCars, na Alemanha, sendo estimado em atingir a cota do milhão de dolares para trocar de mãos.

Da minha coleção

Lotus 25, Matchbox

Uma das primeiras miniaturas que tenho é um Lotus 25, da Matchbox, dos idos anos 1960, que está na minha coleção até hoje. Ela tem o acabamento da época, e foi customizada com decalques de carrinhos de autorama. Tem muitos sinais de desgaste, mas é assim que ela irá permanecer comigo.

Jim Clark, Lotus 49, Quartzo, 1:43

Grahan Hill, Lotus 49B, Quartzo, 1:43

O Lotus 49 da Quartzo é na escala 1:43, reproduz o carro da última vitória de Clark na Formula Um, e o 49B de Grahan Hill, também da Quartzo, é da quarta vitória dele em Mônaco, em 1968. Ambas tem um excelente acabamento, com detalhes de motor e decoração bastante fiéis aos originais, peças bem valorizadas em qualquer coleção.

Hot Wheels, Serie Race Day, 2024






Em 2024, a Hot Wheels lançou o Lotus Type 49, com o número 5 de 1967, reproduzindo o carro de Jim Clark, e o número 4, de Graham Hill, um casting muito bem-feito, o piloto em branco foi escolhido para homenagear os uniformes brancos utilizados pelos pilotos da Lotus na época. Uma versão idêntica foi produzida com o piloto na cor Metalflake gray.



Podemos comparar a diferença de 60 anos entre o meu Matchbox antigo e os novos castings da Mattel, sem dúvida um progresso muito bom nos detalhes.



Em 2025, a Hot Wheels lança o Lotus 49 nas cores do Gold Leaf Team Lotus, pela primeira vez, um patrocinador muda o nome da equipe, e Colin Chapman inova mais uma vez na categoria, pintando seus carros nas cores da embalagem dos cigarros Gold Leaf, e injetando dinheiro para investir na equipe para construir carros que fizeram a história da Formula Um.



O detalhe é que o logo da Gold Leaf não foi licenciado, então a Mattel faz um “fake” e põe Team Lotus/Team Lotus na lateral do modelo, e assim também o casting é o mesmo do Lotus 49 de 1967, mas a cartela traz a identificação como “’68 Lotus Type 49”.




Referências:

https://primotipo.com/2015/02/17/jim-clark-taking-a-deep-breath-lotus-43-brm/

https://www.topspeed.com/cars/car-news/history-of-the-1967-lotus-49-and-how-you-can-own-one/

https://en.wikipedia.org/wiki/Lotus_49

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2767_Lotus_Type_49