quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dodge Viper - a víbora da Chrysler

Dodge Viper RT-10 1992 - Burago 1:18
O conceito do Viper em 1992 era um carro sensacional, hipnotizando as multidões com seu espetáculo de ser um carro desafiadoramente fora do politicamente correto. Ele não era um veículo com novas tecnologias, mostrando um caminho alternativo para o futuro. Era uma besta selvagem, celebrando a embriaguez pela gasolina fóssil e fritando borracha no asfalto das ruas a cada saída de semáforo.

O Viper era todo força bruta, um carro ridiculamente impraticável, sem capota para os dias de chuva, ou sol, não tinha vidros nem maçanetas nas portas, e os escapes laterais esquentavam a lateral da cabine; mas mobilizou os desejos do público pela potência e força selvagem que aquela máquina podia despejar ao pressionar o pé direito no acelerador.
Dodge Viper GTS Coupe 1996  - Burago 1:18
Em outubro de 2015, a agora Fiat-Chrysler Automobiles (FCA) anunciou que encerraria a produção do Viper em 2017, alegando poucas vendas, enquanto outras fontes alegavam que o carro não atendia os requisitos para a instalação dos airbags de cortina para as janelas laterais. A Chrysler anunciou que faria cinco edições especiais no ano-modelo que encerrasse a linha.

Assim, um carro que recolocou a Chrysler e a Dodge na boca de todos os aficionados por velocidade e desempenho, está saindo de cena, depois de 25 anos no mercado, cinco gerações e inúmeras versões de rua e de pista, um carro único que era pura força bruta, um troglodita devorador de asfalto, que evoluiu recebendo mais e mais tecnologia e conforto no decorrer de sua vida, tornando-se mais civilizado, mas sem perder o poder de gerar adrenalina ao pressionar o pé direito.
Dodge Viper GTRS 2004 - Hot Wheels 1:18
Fruto de homens apaixonados, como Lee Iacocca, Bob Lutz e Carrol Shelby, atravessou tempos difíceis e fusões com a Daimler e a FIAT, sobrevivendo às reconfigurações corporativas e mudanças do mercado, em que cada vez mais a sofisticada tecnologia da informática toma o lugar do homem na condução automotiva, o Viper é um verdadeiro gerador de emoções, dando o irrestrito prazer de dominar uma máquina violenta, selvagem e feita para existir em velocidade.



Leia a história completa do Viper, atualizada em agosto/2017, com o anúncio do final de sua produção, em:

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

DODGE VIPER - 1991-2017

Dodge Viper R/T-10
Escapando da falência em 1979, graças aos empréstimos que Lee Iacocca que viera da Ford para tentar salvar a Chrysler conseguira com os bancos americanos, em 1981 a empresa lançou a plataforma K para fazer seus carros, e nos anos seguintes, utilizou extensivamente dela para sobreviver no mercado americano.
A plataforma K era para fazer carros pequenos e econômicos, mas a Chrysler estava tirando leite de pedra, e em 1988 praticamente toda a sua linha era baseada nesta plataforma. Desde os sedans, limousines e minivans, até mesmo os modelos esportivos eram baseados nela.
Claro, o mercado acaba percebendo certas coisas mais sutis, e a concorrência não perde tempo, então, a Chrysler começou a ter vendas menores, devido à falta de competitividade de sua linha frente às outras montadoras, e Iacocca começou a ficar preocupado com outra crise em gestação.
O trunfo que a Chrysler tinha chamava-se Bob Lutz. Vindo da Ford, recrutado por Iacocca em 1986, acreditava firmemente que os produtos eram a coisa mais importante das industrias, a verdadeira alma das empresas. Ex-Fuzileiro Naval, sabia que as tropas (seus colegas de trabalho) precisavam de um carro que fizessem os consumidores se apaixonarem por ele, e consequentemente, pela empresa. São os carros que encantam os consumidores, e fazem com que as companhias ganhem dinheiro, criam valor no mercado e entusiasmam as pessoas que os dirigem.
Conta-se que num domingo, Lutz quis sair para dar uma volta de carro, para refrescar suas idéias, e na sua garagem havia um Autokraft AC Cobra MkIV. A Autokraft era uma empresa inglesa que adquiriu os direitos de uso da marca AC e seu ferramental, e decidiu retomar a produção do clássico que dera origem ao Cobra de Carrol Shelby. Pegou o melhor de tudo, a carroceria e o chassi do MKIII (que usava os Big Block V8 de 427 cid), e instalou o Small Block V8 de 302 cid, o mesmo que equipou os nossos Maverick e Landau anos atrás. Além da atualização mecânica, a Autokraft caprichava no acabamento, na carroceria de alumínio feita à mão e o interior idem.
Bob Lutz havia comprado um ao sair da Ford, e foi com este carro que saiu para passear nas sinuosas estradas das montanhas de Michigan numa ensolarada manhã de 1988.
Ao rodar com o Cobra, seus pensamentos eram de como a Chrysler poderia suportar até que os novos produtos da linha LH de cabine avançada e a linha de pick-ups RAM fossem lançados, e ele sabia que seriam um sucesso; mas e até lá?
Pensou também como era delicioso dirigir o Cobra, e sentiu uma pontada de remorso de não estar andando num carro da Chrysler, e que talvez pudesse colocar um V8 da companhia no cofre daquele carro; mas não havia na empresa uma unidade que pudesse atender à demanda de potência que um carro assim pedia. Só se pusesse um V8 de pick-up, e com alguma preparação, quem sabe...
Aí a “ficha caiu”! E se fizermos um Cobra moderno? Não uma reedição do clássico, como da Autokraft, mas uma releitura moderna com um V10 de oito litros das pick-ups RAM?
Já na segunda-feira, cooptou Francois Castaing, vice-presidente de engenharia, e Tom Gale, chefe de Design Criativo e Hot Rodder nas horas vagas. Sem falar em Carrol Shelby, que havia trocado a Ford pela Chrysler nos anos 80 e era amigo de Iacocca, por conta do que fizeram juntos com os Mustang esportivos na Ford. Um modelo em argila foi apresentado a Lutz alguns meses depois, e com as devidas aprovações, um modelo em metal foi construído pela Metalcrafters.
Em janeiro de 1989, no Salão de Detroit, a Chrysler apresentava o protótipo do Viper R/T 10, com um motor de pick-up de oito litros, 400 hp e rodas e pneus de um tamanho nunca visto antes.
Tom Gale, Carrol Shelby, François Castaing e Bob Lutz no lançamento do Viper
Cartas começaram a chover, pedindo para a Chrysler produzir o Viper, inclusive, muitas com notas de 100 dolares dentro. Amigos e conhecidos de Iacocca, executivos e políticos ligavam para ele reservando um lugar na fila para comprar um deles.
Não só na América, mas no mundo todo, a repercussão do Viper foi igual. Não havia como desistir agora; e Iacocca alocou 50 milhões de dólares, autorizando Lutz a montar um time de engenharia. E algo inusitado ocorreu: todos queriam trabalhar no projeto do Viper, a chama da inovação se acendeu até mesmo em ex-funcionários que já estavam aposentados, mas que se voluntariavam para participar do projeto, pois sabiam que ele faria história. Todos sabiam do brilho que um grande carro provoca no mercado, e queriam brilhar junto com ele!
Roy Sjoberg, Engenheiro-chefe, foi encarregado de desenvolver o Viper de produção, convocando 85 engenheiros para formar o “Team Viper”, começando a trabalhar em março de 1989. A encomenda do motor foi feita para a Lamborghini em maio, e a estrutura do chassi de produção ficou pronta no outono, colocando para rodar em dezembro, ainda com um motor V8 no carro-mula. A Lamborghini entregou o motor em fevereiro de 1990, e com os toques finais, Lee Iacocca deu seu OK final em maio de 1990.
A revista Road & Track comentou: “Há três razões pelas quais o Viper é um carro importantíssimo para a Chrysler: primeira, se for produzido, será um carro excepcionalmente musculoso, com um dos motores mais poderosos que já se tem notícia, o V10 de oito litros! Possivelmente terão de recalibrar os dinamômetros para poder aferir a potência do bruto. Segunda: o Viper traz um estilo que quebra todos os parâmetros dos esportivos até agora, indo muito além da pele muito esticada dos Ford Aero-Ovais. Chame-o de chapa de metal barroca. Advogados descrevem o estilo do Viper como apaixonado, complexo e voluptuoso. Seus críticos alegam que suas linhas beiram o grotesco. E em terceiro lugar, as linhas do Viper foram concebidas como um exercício mecânico minimalista. Numa época em que os “econoboxes” podem vir com tração nas quatro, Compact-disc players e assentos aquecidos eletricamente, este Dodge é despojado, com tração nas rodas traseiras, e se entrar em produção, poderá não ter nem um teto de lona sobre os ocupantes.”
O conceito do Viper era um carro sensacional, hipnotizando as multidões com seu espetáculo de ser um carro desafiadoramente fora do politicamente correto. Ele não era um veículo com novas tecnologias, mostrando um caminho alternativo para o futuro. Era uma besta selvagem, celebrando a embriaguez pela gasolina fóssil e fritando borracha no asfalto das ruas a cada saída de semáforo.
A reação do público foi esmagadora. Era o único assunto de que todos falavam no Salão de Detroit, a mídia especializada o cobria como se Abraham Lincoln tivesse retornado dos mortos apenas para dirigí-lo, e de repente, as crianças do mundo todo tiveram algo novo para desenhar nas salas de aula. Alguns disseram que a única questão que restava era se a Dodge tinha a audácia – e colhões de liga de berílio e titânio – para colocá-lo em produção. Outros achavam que a Dodge não tinha escolha: se não colocassem o Viper em produção, arriscava a ter uma multidão irritada (e provavelmente armada) acampada na frente de sua sede por uma década.
O que realmente importava era que o Viper se tornou uma realidade de produção apenas três anos depois.

PRIMEIRA GERAÇÃO: VIPER R/T 10 ROADSTER – 1992-95
Gale, Shelby, Castaing e Lutz no lançamento do Viper
Em novembro de 1991, o carro foi apresentado aos distribuidores e as entregas começaram em janeiro de 1992. Praticamente idêntico ao conceito, o Viper de produção trazia os imensos escapes laterais, o capô dianteiro em uma peça única parecendo ter uma milha de comprimento, conhecido como “flip-nose” abrindo ao estilo do Jaguar E-Type; gigantescos exaustores de ar quente do motor seguindo pelas portas; rodas de 17 polegadas de três raios, calçadas com os largos Michelin XGT-Z (P275/40ZR17 na frente e malvados P335/35ZR17 atrás), espaço para apenas duas pessoas, sem capota, nem maçanetas nas portas ou vidros nas laterais. Algumas indulgências foram feitas para a produção; o para-brisas era maior e mais alto, havia um arco atrás dos bancos para ter uma proteção contra capotamentos, faróis maiores e espelhos retrovisores grandes o suficiente para enxergar o que acontecia atrás do carro. De modo geral, pode-se dizer que o carro de produção seguiu fielmente o conceito apresentado em Detroit, três anos atrás.
A mecânica teve uma evolução, pois o conceito trazia o motor da Pickup V10 de oito litros, com bloco de ferro fundido, ao passo que o Viper entrou em produção com um motor em liga de alumínio, trabalhado pela Lamborghini, na época no grupo Chrysler. Os italianos desenvolveram um coletor de admissão  mais baixo e de melhor fluxo, cabeçotes retrabalhados e modificações no comando de válvulas e no virabrequim. Comparado ao bloco original da pick-up RAM, ele emagreceu quase 70 kg, regime necessário para gerar um desempenho digno dos melhores esportivos do planeta. Dick Winkles, engenheiro-chefe de motores, supervisionou todo o trabalho, passando boa parte do tempo na Itália.
O câmbio era um TREMEC T-56 de seis velocidades, suspensão totalmente independente nas quatro rodas, com braços triangulares assimétricos e molas helicoidais na dianteira e traseira, com amortecedores pressurizados a gás, acopladas num chassi tubular de aço. Os freios eram enormes discos perfurados e ventilados de 13 polegadas de diâmetro na frente e 12 atrás, sem ABS; e a direção era de pinhão e cremalheira. Sua carroçaria em fibra de vidro, baixa, com o longo capô era quase fálica em sua forma provocativa, original, e visualmente um dos carros mais surpreendentes jamais construído nos Estados Unidos.
Enquanto se falava em 300 hp na época do conceito, quando o V10 de alumínio entrou em produção, acusou 400 hp a 4600 rpm e uma locomotiva com 450 libra-pé (63,9 mkgf) no pico de torque a 3600 rpm. Não havia controle de tração, nem ABS, nem airbags ou ar condicionado, e a avaliação foi de um G nas curvas. Hoje pode não impactar tanto, mas em 1992, isso era arrasador no mercado de carros esportivos.
No primeiro teste feito pela revista Car and Driver o Viper foi cronometrado de 0-60 mph em 4,6 segundos e esmagou o quarto-de-milha em 13,2 segundos a 107 mph. Os números foram melhores do que os tempos que a revista havia obtido com outro ícone de desempenho no início dos anos 90: o Corvette ZR-1.
“E com o vento arrancando novas configurações em suas sobrancelhas e o motor grasnando pelos escapes laterais, você não vai dar a mínima para a falta das janelas ou maçanetas de portas. Os passeios mais emocionantes desde que Ben-Hur inventou as bigas em Roma”.
Infelizmente, o som que vinha do poderoso V10 surpreendia os que esperam o grave ronco dos tradicionais V8 americanos. Com os escapes laterais, na verdade, tínhamos cinco cilindros “grasnando” em separado, e não era uma melodia impressionante, mas que atendia ao limite federal de 80 decibéis. Então, o Viper parecia soar como um furgão de entregas da UPS (famosa empresa de logística americana) a 3000 rpm, roncando mais como um aspirador de pó dos deuses.
Antes de chegar ao mercado em 1992, o Viper serviu como carro-madrinha na Indy 500 em maio de 1991, e a razão de sua participação como um protótipo de pré-produção foi devido à Dodge ter concordado em fornecer um Dodge Stealth R/T com 300 hp com duplo turbo e tração total para a corrida. Mas alguém mencionou que o Stealth era de fato um Mitsubishi 3000 GT VR4 montado no Japão e travestido como um carro da Chrysler para o mercado americano. Os brios nacionalistas não podiam permitir que um carro não-americano fizesse tal papel na Indy 500, e com urgência, foi preparado então um exemplar do Viper que estava em desenvolvimento para honrar a casa nesta importante corrida. Pilotado por ninguém menos do que Carrol Shelby, este carro hoje repousa com sua glória no museu do Indianápolis Motor Speedway.
O Viper era todo força bruta, um carro ridiculamente impraticável, sem capota para os dias de chuva, ou sol, não tinha vidros nem maçanetas nas portas, e os escapes laterais esquentavam a lateral da cabine; mas mobilizou os desejos do público pela potência e força selvagem que aquela máquina podia despejar ao pressionar o pé direito no acelerador.

SEGUNDA GERAÇÃO: VIPER GTS COUPE  (1996) E VIPER R/T10 ROADSTER (1997)

Viper GTS Coupe (1996) e RT-10 Roadster (1997)
Se o roadster já era impressionante, o modelo 1996 GTS Coupe era ainda mais. Com um teto “double bubble” obviamente inspirado no clássico Cobra Daytona Coupe, que venceu o Campeonato GT da FIA em 1965, e um agressivo spoiler traseiro no melhor estilo “rabo-de-pato”, o GTS Coupe era simplesmente deslumbrante na viva cor azul com listras brancas clássicas. Se foi difícil acreditar que o estilo minimalista do Viper roadster pudesse ser superado, só outro Viper pôde fazê-lo. Mais e 90% do GTS era novo, em comparação com o Roadster, apesar da sua semelhança. O coupe foi o primeiro Viper que veio com Airbags, ar condicionado, maçanetas e vidros nas portas.
Além do novo teto, no GTS os escapamentos foram direcionados para a traseira do carro; produzindo um som mais agradável na saída dos 450 hp que o V10 de oito litros produzia nesta versão. Na mecânica, foi incluído o sistema de controle de emissões OBD-II, braços de alumínio no sistema de suspensão e na segurança, airbags frontais para motorista e passageiro. No Roadster, o motor gerava 415 hp e foi adicionado um teto de tecido opcional, para amenizar nas horas de sol ou chuva.
As principais queixas em relação ao Viper eram devido à natureza de seu projeto, espartano e brutal, um carro para acelerar inclusive os batimentos cardíacos de quem o pilotava. O acabamento interno era o item que mais gerava reclamações, e a Chrysler foi amenizando estes problemas a cada ano-modelo.
Viper SRT-10 ACR 2006
A partir de 1999, um novo pacote “American Club Racer” (ACR) fazia parte das ofertas opcionais da Viper. Destinado a compradores que usariam seus carros em pistas em vez meramente nas estradas, o ACR incluía rodas BBS fundidas de 18 polegadas, amortecedores reguláveis Koni de competição, molas especiais e um filtro de ar K&N, com decoração diferenciada, e um motor com 460 hp no longo cofre dianteiro. Não vinha com ar condicionado, nem radio, mas tinha retrovisores com controle elétrico.
Numa comparação feita pelo site Edmunds.com colocando o Viper contra um Corvette Z06 e um Mustang Cobra R preparado pela SVT, o Viper ficou em terceiro lugar. Por que?
Se você quiser possuir o carro que mais se aproxima de um carro de corrida SCCA Trans-Am ou NHRA , então o Viper deve ser a sua escolha. O Mustang Cobra R é um dos carros mais rápidos lá fora e o Viper absolutamente castigou-o, tanto quanto os números puros mostram. Deixe sua mente pulsar alegremente sobre estes resultados: zero a 60 mph em 4,2 segundos. O quarto de milha em 12.3 segundos a 115.9 mph. Nos cinco testes de desempenho instrumentados, o Viper ficou em primeiro lugar em 4. No percurso de estrada, seu tempo de volta mais rápido foi mais de 3 segundos mais rápido do que o Cobra. Quão grande é esta margem? Pilotos são conhecidos por matar suas mães, a fim de cavar um mero décimo de segundo por volta."
O que jogou a pontuação do Viper para baixo foi justamente a praticidade do carro. Tanto o Corvette como o Mustang são carros confortáveis, com décadas de desenvolvimento para satisfazer o conforto e praticidade dos seus condutores, e mesmo nas versões mais preparadas, seus projetos são bem mais “amigáveis” do que o do Viper. A entrada no carro já é um problema, com abertura da porta restrita e a largura da soleira dificultam o acesso ao interior. A alavanca do freio de mão em aço inox, os revestimentos internos de baixa qualidade (ainda), interruptores parecem colocados ao acaso no painel, e o sistema de som Alpine é tudo menso premium. E não há ar condicionado... por um preço de US$ 86,860; quase 40 mil a mais do que custa um Corvette!!!
Freios ABS vieram em 2001, e poucas “Edições Finais” foram costruídas em 2002; era tempo para a serpente que chutou os traseiros de todos uma década atrás se aposentar, porque o novo século precisava de um novo Viper!

TERCEIRA GERAÇÃO: VIPER SRT-10 CONVERTIBLE (2003) E COUPE (2006)
Viper SRT-10 (2003) e SRT Coupe (2006)
O novo Viper SRT-10 de segunda geração ainda era um Viper – bastante radical e mais rápido do que nunca – com a Chrysler mantendo o design geral impactante mas agora com um pouco mais de conforto e praticidade, mas ainda perigoso na condução cotidiana. Com a colaboração da Daimler-Chrysler, o Viper foi redesenhado, e a versão SRT-10 substituiu a R/T-10 e a GTS.
Retrabalhado pelo designer Osamu Shikado, teve as linhas do capô rebaixadas, mas com alguns vincos no que era antes uma concha bem curvilínea. Com um fundo mais liso e a traseira retrabalhada, o coeficiente de arrasto foi reduzido em cerca de 7%. E as aberturas do capô favorecem a circulação de ar admitido pela grade dianteira para ventilar o enorme compartimento do motor. Também, o capô agora vinha com abertura normal, e não mais em peça única, que era o terror das companhias de seguro em caso de batidas frontais.
Os pilares A são 3 polegadas avançadas em relação ao modelo anterior, e junto com as 2,6 polegadas a mais no entre-eixos, favoreceram para criar portas maiores, facilitando o acesso ao interior.
Outras melhorias não tão visíveis eram um aperfeiçoamento do chassi, um pouco mais longo e rígido, para acomodar o ainda monstruoso V10, agora com 505 cid (8,3 litros) que produzia 500 hp a 5.600 rpm, o que pedia reforços também no câmbio manual de seis marchas. Na sequência, freios e suspensão refinados para parar os 1.550 kg do bruto e melhorar o desempenho em curvas, e os pneus e rodas forjadas em alumínio, as dianteiras de 18 polegadas com pneus Michelin 275/35ZR18 e as colossais traseiras eram as mais largas já oferecidas num carro de produção nos Estados Unidos, com 19 de diâmetro e 13 polegadas de tala, calçadas com os 345/30ZR19, dignas dos hp que trazia no motor.
Esta combinação de potência e transferência ao solo dava uma sensação incrivelmente segura ao acelerar nas curvas mais fechadas. Podemos fazer o Viper girar sobre o seu próprio eixo usando apenas o pedal do acelerador, como também no modelo anterior, mas aquele era um pouco mais “arisco” do que o novo Viper.
Assim também a capota de lona perdeu a precariedade da proteção dada e melhorou a sensação de “estar dentro” do carro. Um painel redesenhado, com o Conta-giros no centro e o velocímetro ao lado que marca até 220 mph (354 km/h), e relógios em profusão no console central, voltados para o motorista, com uma aparência refinada e profissional, perdendo o aspecto de “brinquedo” dos modelos anteriores.
Apareceu o apoio para o pé esquerdo, há muito requisitado pelo público, apesar do exíguo espaço para os pés do piloto. Assentos mais confortáveis e controles melhorados, assim como maçanetas, pinos de travas e acabamento da alavanca de câmbio em metal ao invés de plástico, junto com um nicho de porta-objetos no console (porta-copos ainda não eram desta vez que viriam). O sistema de som deu um salto em qualidade com um CD-Player de seis discos integrado ao painel.
O Viper já era rápido, e este é ainda mais rápido; apesar de falar em rapidez nestes níveis em que tais carros andam, é necessário ter um radar em mãos para detectar a diferença de tempo em acelerações ou no quarto-de-milha. Falar em 100 kg mais leve, um sistema de escape que dá um ganho de 40 hp, com ganhos de tração com novos pneus e suspensão refinada, poderíamos estar falando de 11 segundos no quarto-de-milha, ou um pouco menos.
Novamente, a Edmonds.com na sua 2003 American Exotics Comparison Test, teve a chance de colocar lado a lado o Viper SRT-10 contra o Corvette Z06 e um Mustang SVT Cobra. Desta vez, o Viper ficou com o segundo posto, superando o bem balanceado Z06. “Estética à parte,” escreveu Ed Hellwig, “o Viper com o chassi mais rígido, entre-eixos aumentado e suspensão revisada se torna mais condescendente ao rodar nos pisos mais rústicos, mas não alimente falsas esperanças – ele é ainda um carro de ‘cair o queixo’ nas ruas. O mais problemático é o calor irradiado pelos escapes laterais; em velocidades de cruzeiro residenciais você se sente pilotando um forno de torradeira de 10 cilindros. O novo sistema de ar condicionado funciona bem o suficiente para manter as coisas suportáveis, mas o Viper continua como um peixe fora d’água nas ruas da cidade”.
Mas isso é deixado de lado do ponto de vista do Viper. Este carro é maldosamente rápido: “Os dados colhidos nos testes indicaram um tempo de 4 segundos na aceleração de 0-60 mph, e apenas 12 segundos e mais de 120 mph no quarto-de-milha, os tempos mais baixos que já tivemos nos testes que já realizamos”.
“Em última análise, pode ser que o Viper SRT-10 seja muito carro para qualquer mortal dirigir, mas agora ele é um carro esporte mais completo, em vez de um protótipo ainda em desenvolvimento” conclui Hellwig. “O fato de que ele perde pontos porque suas capacidades estão além do alcance de nossas habilidades de condução pode ser um pouco injusto, mas novamente, somos mais a regra do que a exceção. O Viper pode ser um exótico americano no verdadeiro sentido da palavra, mas quando se trata de escolher o carro que coloca tudo junto no pacote mais impressionante possível, esse é o que queremos”.
O coupe surgiu no Detroit Auto Show de 2005 como modelo 2006, e manteve sua aparência mais preservada com o GTS anterior, com o mesmo teto “double-bubble”, painel e lanternas traseiras, e a pintura azul com faixas brancas do primeiro coupe. Não houve alteração no chassis, mas o motor agora produzia 510 hp a 5.600 rpm, somados aos aperfeiçoamentos na suspensão, rodas e pneus, redução do coeficiente aerodinâmico e aumento da downforce  melhoraram a performance em velocidade final e maneabilidade.

QUARTA GERAÇÃO: 2008-2010
Viper Coupe e Convertible 2008
Em 2008, com a introdução do motor V10 de 512 cid (8,4 litros), o Viper rendia agora 600 hp a 6000 rpm, com 560 lb.ft (760 N.m) a 4600 rpm de torque, recebendo novos cabeçotes com fluxo melhorado e válvulas com maior diâmetro. Recebeu também um comando variável para exaustão dos gases queimados, desenvolvido pela Mechadyne, e o limite de giro foi elevado em 300 rpm com o cabeçote aperfeiçoado. O trabalho foi feito com assistência externa da McLaren Automotive e Ricardo Consulting Engineers. Com isso, o Viper acelerava de 0-60 mph em 3,6 segundos, 0-100 mph em 7,6 segundos e máxima de 197 mph (317 km/h) para o Roadster e 202 mph (325 km/h) para o coupe.
O câmbio agora era um TREMEC TR 6060 de seis velocidades com triplo sincronizador na primeira marcha e dois nas demais velocidades. O diferencial Dana M44-4 tinha o sensor GKN ViscoLok de deslizamento limitado, auxiliando sobremaneira a aderência dos pneus em fortes acelerações. Que agora eram run-flat Michelin Pilot Sports 2 com melhor aderência, deixando o Viper mais neutro nas curvas.
Confrontado com o Corvette Z06, o Ford GT, o Nissan GTR, e os Porsche 911 Turbo, 911 GT3 e 911 GT2, Audi A8, pela revista Motor Trend no Virginia International Raceway, o Viper foi o  mais rápido entre todos.
O sistema de escapamento recebeu melhorias, e ajudou a não esquentar demais a cabine, e ajudou a produzir notas mais agradáveis na saída do escape.
Em novembro de 2009, o Presidente da marca Dodge Ralph Gilles anuncia que o Viper terá sua produção encerrada no verão de 2010, ao mesmo tempo em que anunciava várias edições especiais do Viper 2010.
O Viper saiu de cena mas deixou saudades, tanto que no New York Auto show de 2012, Ralph Gilles, fazendo um “mea culpa”, anunciou o novo SRT Viper 2013. Na verdade, o carro passou três anos no limbo, e voltou a ser produzido com a nova denominação SRT (perdendo a paternidade da marca Dodge), reservada às máquinas de alto desempenho da Chrysler e convertida em marca da montadora. Vale lembrar que a Chrysler havia pedido concordata em 2010 e em 2011 teve parte de suas ações adquirida pela FIAT.

QUINTA GERAÇÃO: SRT VIPER E SRT VIPER GTS (2013-2014)
SRT Viper e SRT Viper GTS 2013

Apresentado em abril de 2012, no Salão de Nova York, a nova geração do esportivo Viper foi mostrada na cor vermelha, marcando o papel da italiana FIAT na ressurreição do esportivo mais brutal da montadora.

Com um novo motor todo de alumínio com 8,4 litros e 640 hp com 600 lb.ft de torque, com a caixa mannual TREMEC TR6060 de seis marchas, e chassi 50 % mais rígido contra torções, controle eletronico de estabilidade, controle de tração, ABS de 4 canais, carroçaria de fibra de carbono e aluminio, e coeficiente de 0,364 de arrasto, Pirelli P Zero Z, freios Brembo de 4 pistões com calipers de aluminio e discos ventilados de 355x32 mm (diametro x espessura), posição de pilotagem 20mm mais baixa, sistema de conectividade veicular da Uconnect RA3 ou RA4 Access para interatividade com celulares e tablets, com opcional Sirius XM Travel Link, Harman Kardon audio system, faróis bi-xenon com diodos emissores de luz branca, assim como luzes de posição diurna e piscas de LED também. Vários comandos estavam disponíveis para controle no volante, associado a uma tela de 4 polegadas no painel, que exibia todas as configurações das informações do veículo. As lanternas LED traseiras integravam as luzes de freio e piscas e vinham com uma textura semelhante à pele de cobra. Rodas de cinco raios em aluminio forjado estilo “Rattler” totalmente polidas, e opcionais pintadas de Hyper Black ou preto fosco. A velocidade máxima atingia 208 mph (335 km/h) e fazia de 0-60 mph em 3,5 segundos.
O SRT Viper GTS incluía couro nos assentos - que tinham controle elétrico e aquecimento - laterais de portas e console central. As conchas dos bancos de competição Sabelt eram de kevlar e fibra-de-vidro, capô, teto e porta-malas de fibra de carbono, painéis de portas em aluminio, rodas estilo “Venom” diamantadas de seis raios em aluminio forjado e acabamento grafite, opcionais pintados em Hyper Black ou preto fosco. Opcionais incluíam pneus Pirelli P Zero Corsa e rodas mais leves com o mesmo acabamento das  normais.
Em 2014 o equipamento mais significativo foi a inclusão de um terceiro modo no controle de tração, para melhor perfomance em chuva.
As vendas não foram boas e em outubro de 2013 a produção foi reduzida para um terço do previsto, pois os estoques estavam crescendo nas lojas. Em 2014 a Dodge reduziu o preço do Viper em 15 mil dolares e que os modelos 2015 viriam também com a mesma etiqueta de preço.
Dodge Viper 2015
Para 2015, a nomenclatura SRT foi eliminada e o Viper foi rebatizado de Dodge Viper apenas. O V10 recebeu um extra de mais 5 hp, chegando a 645 hp e o consumo em estradas ficou em 20 mpg (milhas/galão de 3,6 litros)
Havia uma versão intermediária entre o Viper básico e o GTS, a GT, que proporcionava aos proprietários ajustar a suspensão em dois modos diferentes e 5 opções de controle de estabilidade, assentos em couro Nappa com detalhes em couro Alcantara acentuando o contraste nos estofamentos.
A partir de 2015, diversas edições limitadas do Viper foram produzidas, para turbinar as fracas vendas do agora Viper em fim de carreira. Expressões como The Time Attack (TA – apenas 96 unidades fabricadas), Anodized Carbon Edition, Ceramic Blue (baseada no GTS e limitada a 40 unidades), Dodge Viper GTC, que podia ser customizado em 8000 cores diferentes e 24000 desenhos de filetes pintados á mão, 10 tipos de rodas, 16 acabamentos internos, 6 pacotes aerodinâmicos e outros opcionais que totalizavam 25 milhões de acabamentos possíveis para o comprador.

FINAL DA PRODUÇÃO
Em outubro de 2015, a agora Fiat-Chrysler Automobiles (FCA) anunciou que encerraria a produção do Viper em 2017, alegando poucas vendas ou questões sobre emissões, enquanto outras fontes alegavam que o carro não atendia os requisitos das normas de segurança para a instalação dos airbags de cortina para as janelas laterais; motivo este confirmado por ocasião do anúncio do final de produção do Viper.
Em junho de 2016 a Chrysler apresentou ao mercado as Edições de 25 anos do Viper, cada exemplar identificado com uma plaqueta no painel com o seu número de série e que podia receber o nome do proprietário também. Após mais de 30 mil exemplares produzidos nos 25 anos de produção, o Viper entra em seu último ano de vida com estas versões:
O Viper 1:28 Edition ACR (American Club Racer) comemora o recorde de tempo de volta no autódromo de Laguan Seca (1 min 28 s 65) estabelecido em outubro de 2015, vem em preto com faixas vermelhas e tem freios de carbono-cerâmica.
O GTS-R Commemorative Edition ACR segue a pintura tradicional americana, em branco com faixas azuis, e tem os mesmos freios e cintos em vermelho.
No Viper Voo-Doo II Edition ACR, que reedita a versão Voo-Doo /acre de 2010, a faixa sobre a carroceria foi inspirada numa pele de cobra; padrão de pintura que se repete na Snakeskin Edition GTC.
Edições Especiais dos 25 anos do Viper
Finalmente, a Viper Dodge Dealer Edition é uma versão ACR oferecida apenas nas concessionárias Tomball e Roanoke, líderes de vendas do modelo, e tem a pintura branca com as faixas azuis, freios de carbono-cerãmica e detalhes internos em vermelho. Todas estas versões trazem no cofre o motor V10 aspirado de 8,4 litros com 645 cv de potência.

Em 16 de agosto de 2017, o último e derradeiro Dodge Viper foi fabricado em Detroit, Michigan, EUA. O encerramento da montagem foi divulgado no Instagram por Ralph Gilles, chefe de estilo da FCA (FIAT-Chrysler Automobiles), que publicou: “A quinta geração teve um ótimo ciclo de cinco anos e a plataforma do Viper, que não mudou tanto com o tempo, teve um grande ciclo de 25 anos!”.
Assim, um carro que recolocou a Chrysler e a Dodge na boca de todos os aficionados por velocidade e desempenho, está saindo de cena, depois de 25 anos no mercado, cinco gerações e inúmeras versões de rua e de pista, um carro único que era pura força bruta, um troglodita devorador de asfalto, que evoluiu recebendo mais e mais tecnologia e conforto no decorrer de sua vida, tornando-se mais civilizado, mas sem perder o poder de gerar adrenalina ao pressionar o pé direito.
Fruto de homens apaixonados, como Lee Iacocca, Bob Lutz e Carrol Shelby, atravessou tempos difíceis e fusões com a Daimler e a FIAT, sobrevivendo às reconfigurações corporativas e mudanças do mercado, em que cada vez mais a sofisticada tecnologia da informática toma o lugar do homem na condução automotiva, o Viper é um verdadeiro gerador de emoções, dando o irrestrito prazer de dominar uma máquina violenta, selvagem e feita para existir em velocidade.

DODGE TOMAHAWK
Pegue o motor bestial do Viper e construa uma motocicleta propelida pelo V10 de 8,3 litros e 532 hp de potencia e 72,6 m.kgf de torque. Teremos então a Dodge Tomahawk, que pode alcançar teóricos 710 km/h.
Apresentada no North American International Auto Show, em 2003, fruto do design de Mark Walters (designer da Chrysler Group) e sua equipe, ele comenta: “Se eu não estivesse dormindo, eu estava trabalhando no projeto. Se eu estava dormindo, eu sonhava com isso. Na verdade, eu tinha sonhos com telas de Autocad. Ela foi minha obsessão nos últimos cinco meses que antecederam a sua apresentação”.
Walter diz que os pneus foram fabricados pela Dunlop, e sua inspiração foi o estilo Art Deco, com referências de todo os modelos de motocicletas, sistemas de desempenho e equipamentos de precisão”. O projeto foi ditado pelo desafio de encaixar um corpo humano em torno de um motor V10 do Viper.
Com quatro rodas de 20 polegadas, muitos questionam se ela é realmente uma motocicleta, mas não há dúvidas de que ela é um exemplo do que os projetistas são capazes quando deixam a imaginação correr solta! A distribuição de peso chega perto do ideal, com 49% à frente e 51% atrás, seu câmbio tem apenas suas velocidades (pra que mais?), e faz de 0-96 km/h em 2,5 segundos.
Faróis e lanternas de LED, eixos curtos e pneus 120/60 na dianteira e 150/50 na traseira, a transmissão final usa duas correntes e cada roda possui um disco de freio com 506 mm de diâmetro.
A engenharia aplicada à Tomahawk é cheia de inovações de alto nível: ela não tem quadro; todos os elementos mecânicos são ancorados no bloco do motor ou a outra estrutura ancorada nele. Para deixar o motor em posição mais baixa possível, o sistema de lubrificação foi mudado para carter seco e o tanque de óleo e radiador colocado à frente do motor. O radiador de água viraram dois pequenos e  foram posicionados entre o V dos cilindros, onde um sistema de indução de ar força o calor para fora, mas pela traseira da moto.
Partes do motor que entram em contato com o corpo humano foram revestidos com um revestimento térmico especial, que direciona o fluxo de calor para fora dos dutos. As medidas dos cabeçotes são diferentes e o sistema de escape perdeu 5 hp para melhorar o ronco do motor.
O projeto da Tomahawk previa apenas a fabricação de 100 unidades, que seriam comercializadas pela Neiman Marcus, que vende produtos de alto padrão para endinheirados americanos principalmente. Cotada em US$ 555,000 apenas nove foram vendidas, até porque elas não são habilitadas para rodar legalmente nas ruas. A Chrysler descreve o veículo como uma “escultura automotiva”, criada para exibição apenas, e ela é “dirigível”.
Testes e dados reais não foram confirmados pela Chrysler, nem unidades foram cedidas para que a imprensa pudesse efetuar avaliações técnicas como fazem com outros veículos “normais”. Wolfgang Bernhard, Chefe de operações da Chrysler disse em 2003 que ninguém que andou com a Tomahawk passou dos 160 km/h nos testes realizados pela empresa. Também a Chrysler declinou ofertas para avaliação da máquina em dinamômetros para simulação de velocidade real e não se tem notícia de alguém que levou a Tomahawk à sua velocidade máxima.

EM ESCALA
O Viper R/T-10 da Burago na escala 1:18 reproduz bem o carro que chegou às ruas em 1992, na marcante cor vermelha e as sinuosas curvas com o capô dianteiro “flip-nose” e as enormes rodas de três raios. Traz o interior em cinza e preto, abrindo as portas e o capô dianteiro e traseiro.
Viper R/T-10 1992 (Burago) - Viper GTS 2004  (Burago) - Viper GTRS 2004 (HotWheels)
O Viper GTS na cor azul com faixas brancas é o modelo 2004, também da Burago com seu tradicional acabamento em detalhes. Já o outro modelo azul é da HotWheels e reproduz o modelo de 2004, na versão GTRS, com o enorme aerofólio traseiro.
Diversas empresas foram licenciadas para reproduzir o Viper em suas várias gerações na escala 1:18 - Maisto, Jada, AutoArt, Hot Wheels, Motormax – e a HotWheels, quando lançou o Viper 2013 na sua tradicional escala 1:64 – não se sabe se acidental ou propositadamente – se antecipou à apresentação do carro real, com as miniaturas chegando às lojas antes do modelo ser lançado oficialmente pela Dodge.

REFERÊNCIAS: 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O MUSTANG 390 DE FRANK BULLIT

Na mais eletrizante perseguição do cinema, Frank Bullit e seu Mustang 390 correm atrás de dois gangsters em um Dodge Charger R/T pelas ruas de São Francisco, e os 9 minutos e 42 segundos na edição final imediatamente se tornaram um clássico.
Dois Mustang e dois Charger foram preparados por Max Balchovsky, amigo de McQueen, em 5 semanas de trabalho. Motores retrabalhados, reforços na suspensão, molas e amortecedores de competição, não foram suficientes para que um dos Mustang se desintegrasse nos saltos nas ladeiras de São Francisco, e um dos Dodge foi destruído numa explosão quando se choca com um posto de combustível, no final da perseguição.
McQueen pilotou o Mustang em várias cenas, mas quando sofreu um pequeno acidente, o dublê Loren Janes acabou fazendo as cenas mais arriscadas. O Dodge era pilotado pelo dublê Bill Hickman atuando mesmo como um dos gangsters. Como o Charger tinha um motor Magnum de 7,2 litros e 375 hp, contra os 6,4 litros e 325 hp do Mustang, Hickman tinha de aliviar o pé para que o Mustang conseguisse acompanhá-lo em algumas tomadas.
As filmagens levaram três semanas, com as habituais refilmagens, há problemas com a continuidade: a lateral do passageiro do Mustang mostra danos bem antes dos choques que os causaram. O Dodge perde oito calotas nas ruas de São Francisco, e ainda assim, numa cena da estrada, ele aparece com a calota na roda traseira.
As tomadas de uma mesma cena em vários angulos, após a edição, dão a impressão que os carros percorrem diversas ruas, mas um Volkswagen acaba se sobrepondo em duas delas, assim como um Pontiac Firebird branco 1968, um Cadillac e outros carros se repetem nas tomadas. Uma das razões era que diversos carros estacionados nas ruas eram da Warner, para o caso do Mustang ou do Dodge perderem o controle, evitariam ressarcir os danos a muitos proprietários.
EM ESCALA
Os modelos da AutoArt, ERTL e Greenlight
Há três fabricantes produzindo o Mustang de Frank Bullit na escala 1:18 – a ERTL, a Greenlight e a AutoArt. Num primeiro exame, o modelo da AutoArt parece mais exato. Os espelhos retrovisores são redondos como no carro do filme (o da ERTL e o da Greenlight tem espenhos retangulares), e a parte traseira do retrovisor interno é preta (AutoArt e Greenlight) como no filme (o da
Mustang 390 AutoArt
ERTL é prateado). As maçanetas das portas no AutoArt e a fechadura são corretos, ao passo que no ERTL são ligeiramente diferentes; mas na dianteira, o ERTL reproduz corretamente a frente do carro, sem o friso cromado em torno dos faróis (AutoArt e Greenlight tem cromados), e não traz nenhum emblema (ERTL e Greenlight - característica de um carro de policial nos EUA), ao passo que o da AutoArt traz a palavra Mustang no capô traseiro.
Em todos os casos, os modelos abrem as portas, capô dianteiro e porta-malas, e as rodas dianteiras esterçam. O da AutoArt é mais detalhado, o compartimento do motor apresenta cabos de velas, mangueiras de água, filtro de ar e carburação detalhados, com decalques de fábrica; freios a disco dianteiros, suspensão detalhada e estepe no porta-malas. A grade dianteira em metal reproduz o padrão do carro do filme, e os frisos que emolduram as janelas são bem acabados, e trazem até os pinos de travas das portas. Os cintos de segurança são feitos de tecido e os terminais de travas são feitos de metal, e o interior é carpetado. Por sua vez, o modelo da Greenlight traz a figura de McQueen ao volante.
Mustang 390 AutoArt

O modelo da Greenlight e o da AutoArt