A Ferrari F40, além de celebrar os 40 anos de fundação da Ferrari, foi o último modelo aprovado pelo "Comendattore" Enzo. A F40 nasceu em 1984 da evolução da 288GTO para competir no Grupo B da FIA, especialmente contra o Porsche 959; Nicola Materazzi havia proposto a Enzo para ser uma vitrine aos clientes da Ferrari, com um desempenho além do que os compradores regulares podiam ter em seus carros.
No entanto, com a extinção da categoria no final de
1985, Enzo ficou com o mico de cinco exemplares da 288 GTO Evoluzione já
desenvolvidos em fase final para competição. Para não desperdiçar todo o
trabalho até então, a solução foi criar um supercarro de corridas, mas para
rodar legalmente nas ruas. Conta-se que um executivo de marketing da Ferrari
comentou: "Queríamos que fosse muito rápido, extremamente esportivo e
espartano", "Os clientes vinham dizendo que nossos carros estavam
ficando muito macios e confortáveis." "A F40 é para os mais
entusiasmados dos nossos proprietários que só querem puro desempenho. Não é um
laboratório para o futuro, como o 959. Não é Star Wars. E não foi criado porque
a Porsche construiu o 959. Teria acontecido de qualquer jeito."
A carroçaria foi projetada por Aldo Brovarone, da Casa Pininfarina, com Nicola Materazzi cuidando do motor, câmbio e outras partes mecânicas para torna-lo apto para circular nas ruas.
Equipado com um V8 a 90º de 2,9 litros e duplo turbocompressor
e intercooler, desenvolvia 478 hp a 7000 rpm e 577 lb-ft de torque a 4000 rpm;
fazia de 0-100 km/h em 3,8 segundos (a versão preparada para corridas fazia em
2,99 segundos). A F40 foi o primeiro carro vendido ao público que quebrou a
barreira das 200 mph (320 km/h).
Em 1987 ao ser apresentada ao público, no Centro Cívico de Maranello, era o mais rápido, potente e caro modelo da Ferrari vendido ao público: o preço posto fábrica era de US$ 400,000; porém logo que chegou ao mercado, alguns exemplares eram anunciados (e vendidos) a US$ 1.6 milhões.
O design da casa Pininfarina foi executado em kevlar, fibra de carbono e alumínio, para baixar o peso, e aerodinâmica muito estudada para atingir altas velocidades com segurança. O carro tinha ar-condicionado, mas não vinha com sistema de som, não possuía maçanetas para abrir as portas, nem porta-luvas, bancos de couro, carpetes ou painéis de acabamento as portas; os vidros eram de Lexan, para aliviar o peso, e as janelas laterais eram de correr na horizontal, que foram substituídas por vidros que se abriam verticalmente depois das primeiras cinquenta unidades construídas.
A aerodinâmica foi estudada para ajudar o resfriamento do motor, otimizando o fluxo de ar para os radiadores, seção dianteira e cockpit, e difusores atrás do motor, para extrair o ar quente devido aos turbocompressores. Um novo pneu P-Zero foi desenvolvido pela Pirelli, exclusivamente para a F40, com carcaça de Kevlar, e padrões assimétricos na banda de rodagem, aplicando a tecnologia usada na Formula Um de 1980 a 1985.
A Ferrari F40 foi produzida de 1987 a 1992, com 1.311 exemplares fabricados, dos quais 213 unidades foram exportadas para os Estados Unidos. Todas saíam de fábrica na cor Rosso Corsa, com volante à esquerda. O exemplar que pertenceu a Nigel Mansell (que correu pela Ferrari na Formula Um) foi vendida em 1990 por £1 milhão, um recorde que só foi superado em 2010.
Um carro tão visceral como a Ferrar F40 não podia
deixar de criar polêmica, e diversas publicações que testaram o modelo teciam
elogios ao desempenho e dirigibilidade, em velocidades próximas das 200 mph
(322 km/h), mas outras criticaram severamente a brutalidade esportiva do carro,
como Mel Nichols, da Autocar, escreveu: "Ainda não sei se a F40 é
intransigente no trânsito, temível na chuva, desconfortavelmente agressiva em
estradas esburacadas ou muito barulhenta em viagens longas. Não tem espaço para
bagagem e entrar e sair é complicado. Mas eu sei disso: em uma estrada lisa, é
um carro incrivelmente rápido, dócil e encantador por natureza; um carro
exigente, mas não difícil de dirigir, abençoado com enorme aderência e, ainda
mais importante, equilíbrio e maneiras excepcionais. Você pode usar seu
desempenho, o mais próximo que qualquer fabricante de carros de produção já
chegou do nível de carros de corrida, e se deleitar com isso."
Gordon Murray, que projetou o McLaren F1, disse na edição de julho de 1990 da revista Motor Trend: "É a falta de peso que torna a Ferrari tão empolgante. Não há nada mais de mágico no carro... Eles estão pedindo tubos de aço de dois e três polegadas de diâmetro no nível do datum base do chassi para fazer todo o trabalho, e isso fica evidente – você sente o chassi flexionando no circuito e ele balança por todo lado na estrada. Realmente balança. E, claro, quando você excita o chassi, os painéis das portas começam a balançar e ranger. Enquanto os outros carros parecem firmes e sólidos, este é como um kart grande com uma carroceria de plástico." Ele criticou severamente a antiga tecnologia de corrida: "Nem é tecnologia dos anos 60, do ponto de vista da estrutura, é tecnologia de dois tubos dos anos 50, nem mesmo um spaceframe. Ele só tem chassis locais para segurar a antepara no painel, fixar a suspensão dianteira, a suspensão traseira e a barra de proteção. E aí você tem a cola de marketing Kevlar com um quarto de polegada de borracha."
Car & Driver chamou o
carro de "uma mistura de puro terror e excitação pura". O mais
divertido era acelerar na primeira marcha a partir de 15 mph (24 km/h), o
"terror puro" era dirigir em uma rodovia movimentada. A visão
traseira era tão ruim que trocar de faixa exigia "saltos de fé". Foi
considerado inadequado para uso diário em estrada, "desajeitado e
rabugento" na cidade, "tão mecanicamente inadimplente que um mecânico
a bordo é aconselhado"; para descrever o desconforto do motorista foi
usado "prisão para devedores de Bangkok".
Mesmo assim, a Ferrari F40 tem o carisma de ser a celebração dos 40 anos da Ferrari, o legado de Enzo para um carro puramente esportivo, com performance inigualável, brutal e até assustador para os desavisados.
Da minha coleção
A F40 Hot Wheels é um novo casting, feito depois que a Mattel conseguiu renovar a licença para produzir as miniaturas da Ferrari. Mais bem detalhada do que os lotes antigos, ela reproduz a versão Competizione, a pedido de um importador da França, que desejava correr com ela nas 24 Horas de Le Mans. Dez exemplares foram construídos, os dois iniciais foram denominados F40 LM, e os oito restantes, chamados Competizione, porque a Ferrari achava que a sigla LM era um tanto restritiva. A versão tinha 691 hp a 8100 rpm com um upgrade nos turbocompressores do motor V8, atingindo a velocidade máxima de 367 km/h (228 mph).

Ferrari F40 Competizione
Não confundir com a versão F40 LM preparada por Michelotto
(de Pádua), que construiu três unidades para correr na IMSA na classe GTO/GTU
em 1989 e 1990. Os três carros continuaram correndo em 1991 até 1995, quando um
quarto exemplar foi desenvolvido independentemente pela Pilot-Aldix Racing e
Strandell. Até 1996, um total de 19 exemplares foram construídos cem estas
especificações para participar de competições de longa duração.
O modelo da TOMICA é bem detalhado, casting bem cuidado, pintura uniforme no vermelho Ferrari. Destaque para o grande capô traseiro que se abre, mostrando o poderoso V8 com dois turbos. Decalques do Cavalinho Rampante bem-feitos, rodas com o mesmo design do original, e as lanternas dianteiras caprichadas em plástico incolor. Com algum trabalho a mais no detalhamento, fica uma miniatura excelente nas coleções dos Ferraristas de plantão.
Referências:
https://hotwheels.fandom.com/wiki/Ferrari_F40_Competizione
https://en.wikipedia.org/wiki/Ferrari_F40
https://tomica.fandom.com/wiki/Special:Search?scope=internal&navigationSearch=true&query=Ferrari+F40
http://rmsothebys.com/mo15/monterey/lots/1994-ferrari-f40-lm/1076049
https://www.youtube.com/watch?v=vU5NOcpXgVc
Ferrari F40 (1987) - Ferrari.com








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