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quarta-feira, 2 de julho de 2025

Chevrolet Chevette - O carro mundial da GM

Chevette Sedan 1973

No inicio da década de 1970, as montadoras começaram a planejar “carros mundiais”, veículos que poderiam ser comercializados em diversos países em que elas operavam, visando principalmente redução dos custos e otimização da produção.

Em julho de 1970, uma equipe de engenheiros, estilistas e executivos da GM americana, britânica, australiana e brasileira se reuniram para dar início ao Projeto T, com base no sucessor do Opel Kadett B (Projeto 909), sucesso na Europa. Entre os brasileiros, Francisco Nelson Satkunas, um dos principais idealizadores o futuro carro. O nome Projeto T veio da plataforma T americana, que era a base do Chevrolet Vega.

Lançado mundialmente no Brasil em 24 de abril de 1973, como um sedã de duas portas, a versão de quatro portas veio em 1978, e em 1979 a versão hatchback de duas portas. Em 1976 surgiu a versão SL (de luxo).

Chevette Hatchback, duas portas, 1979

A Marajó, versão Station wagon de duas portas veio em 1980, juntamente com a versão esportiva 1,6 SR (somente com 4 cv a mais, devido à uma taxa de compressão mais elevada).

A Station Wagon Marajó

O esportivo Hatch SR


Ganhou o design dianteiro do Chevette americano, com faróis redondos nas molduras quadradas e uma nova grade em 1978, perdendo os quebra-ventos das janelas dianteiras. Os motores 1,6 litro, antes movidos somente a álcool (etanol), agora também tinham a opção de ser alimentados com gasolina. Em 1979 o sedan ganhou a versão quatro portas. Em 1981 novo facelift na dianteira com faróis retangulares e unidos por uma grade, e para choques envolventes com um “borrachão” para proteger de pequenos impactos. O painel traseiro foi remodelado com lanternas maiores e formato retangular.

A Chevy 500, para 500 kg de carga

A Versão Pickup Chevy 500 veio em 1983 e seguiu com a família Chevete até o seu final em 1995.

Chevette GP II, com motor 1,6 litro

A motorização básica do Chevete era um quatro cilindros em linha com 1,4 litro (1973-76) com 69 cv a 6000 rpm e 7,2 kgfm a 3500 rpm, atingindo a velocidade máxima de 131 km/h. As versões SL (luxo), GP e GP II (esportivas) vinham com o mesmo motor com taxa de compressão mais elevada, gerando 72 cv a 5800 rpm e 10,8 kgfm de torque a 3800 rpm. Os motores movidos a álcool tinham a mesma potência declarada.

Um dos destaques deste motor era o fluxo cruzado, com a mistura entrando por um lado do cilindro e a saída pelo lado oposto, segundo a engenharia, produzia uma queima melhor do combustível, além do comando no cabeçote, acionado por correia dentada, itens de modernidade na época. Apesar disso, a tração era traseira com eixo rígido (herança dos Kadett alemães), contrapondo-se com a tendência de motores e tração dianteira.

Outro item de segurança era o tanque de combustível instalado na vertical, logo atrás do banco traseiro, ficando mais protegido em caso de colisão traseira; a direção tinha coluna retrátil não invasiva na cabine em caso de colisões, freios a disco na dianteira, e pisca-alerta, uma novidade em carros de sua classe.

Chevette Hatch, 1980

A versão hatch foi descontinuada na Alemanha, por isso o ferramental foi trazido ao Brasil e em 1980 essa configuração teve boa aceitação no Brasil, e nos anos seguintes, o Hatch passou a custar mais caro do que o sedan.

Chevette SL, 1981

A partir de 1981, somou-se a eles o motor quatro cilindros 1,6 litro a gasolina, com 76 cv a 5800 rpm com 11,6 kgfm de torque a 3600 rpm, levando o Chevette a 160 km/h de máxima. Em 1988, a potência do motor 1,6 litro (gasolina) subiu para 78 cv a 5200 rpm com 12,6 kgfm de torque a 3200 rpm, e a versão a álcool tinha 81 cv a 5200 rpm com 12,9 kgfm de torque a 3200 rpm.

As transmissões (4 marchas) eram da Clark alemã em 1973, mas no período de 1974 a 1984 foram fornecidas pela Isuzu japonesa (4 marchas); a Clark voltou a fornecer para a GM o cambio com 5 marchas entre 1983 e 1994. A Eaton passou a equipar os Chevette com o cmabio de 5 marchas entre 1991 e 1994; sendo uma caixa automática da Isuzu de 3 marchas opcional entre 1985 e 1990.

Chevette Junior, com motor de 1 litro

Em 1990, o governo reduziu a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 40 para 20%, para os carros que tivessem motor de um litro apenas (conta-se que foi um lobby   da Fiat para lançar o Uno Mille), inaugurando a categoria do “Carro Popular”, segmento que explodiu e durou mais de duas décadas no Brasil. A Chevrolet foi a segunda montadora a lançar um carro popular, o Chevette com motor 1,4 reduzido para 999 cc movido somente a gasolina.

O motor 1 litro do Chevette Junior

Com 50 cv a 6000 rpm e 7,2 kgfm de torque a 3500 rpm, o desempenho não era dos melhores: fazia de 0-100 km/h em 21,58 seguindos e atingia apenas 131 km/h de velocidade máxima, em quarta marcha. O diferencial foi encurtado em 25% e as relações das 3 primeiras marchas forma encurtadas, visando dar mais força nas acelerações, mas a quarta permaneceu a mesma. No cambio opcional de cinco marchas, a quinta era overdrive, buscando poupar combustível por reduzir as rotações do motor, mas somente em estradas em que se podia manter velocidades mais constantes.

O projeto do Chevette era superdimensionado para a categoria, e a GM tentou deixar o carro o mais leve possível, além de barato: não tinha encostos de cabeça, retrovisor externos do lado direito, eliminação de vários frisos e guarnições de borracha, carpetes, painel e vidros mais finos em espessura, e menos material de revestimento acústico na cabine. Chegava então aos 863 kg depois deste regime...

Ainda assim, tinha como itens de série bancos de veludo iguais aos do Kadett SL (a geração seguinte ao Chevette na Alemanha), termômetro da temperatura de água no painel, retrovisor interno dia/noite, ventilador do radiador com controle eletromagnético, pneus 155SR13 e ignição eletrônica.

Como curiosidade, o nome Kadett foi descartado no Brasil por causa da ditadura vigente no país, e a GM não desejava utilizar termos militares para batizar o novo Chevrolet. Entre os nomes considerados, havia Gemini (que acabou batizando a versão produzida pela Isuzu no Japão, e pela Holden australiana), uma corruptela de “GM” e “Mini”, e o nome Chevette seguiria o nome do Opala, segundo se diz, uma combinação de “Opel” e “Impala”, e aplicado ao novo carro, combinando-se “Chevrolet” com “Corvette”, ficou o nome Chevette.

O sucesso do Chevette é revelado pelos números de vendas: mais de 1.200.000 unidades no Brasil e mais de 400.000 unidades exportadas para diversos países.

CARRO MUNDIAL

Opel Kadett, 1973-77, na Alemanha

Originalmente planejado para substituir o Kadett B na Alemanha, o Chevette foi fabricado no Brasil e em diversos países em que a GM tinha linhas de produção: Opel Kadett C na Alemanha, Isuzu Gemini no Japão, GMC Chevette na Argentina, Vauxhall Chevette na Inglaterra, Chevair na África do Sul, Opel 1204 em Portugal, Holden Gemini na Austrália e Chevrolet Chevette e Pontiac T1000 nos Estados Unidos (vendido nos México como Chevy Nova).

Isuzu Gemini, no Japão 

GMC Chevette, na Argentina


Vauxhall Chevette, na Inglaterra

Nos Estados Unidos, foi lançado em 16 de setembro de 1975, em Washington, DC, e vendeu 2.793.353 unidades até o encerramento de sua produção, em 1987. Produzido apenas na versão Hatchback duas portas, os motores podiam ser o 1,4 litro OHV (53 cv) ou 1,6 litro OHC (60 cv) a gasolina, este último teve a potência aumentada para 70 cv. O cambio era manual de 4 marchas, mas havia um opcional automático de 3 velocidades. Era o menor e mais barato automóvel comercializado pela GM no país.

Chevy Chevette, Estados Unidos, 1976

Havia as versões “Rally”, “Woody” e “Scooter”, este o modelo de entrada, mais barato. O Rally vinha com o motor 1,6 de fábrica e decoração exclusiva. A versão Woody caracterizava-se pelas laterais imitando madeira (comum nos EUA) como as station wagon antigas. Todos os motores eram carburados, com um Holley duplo.



Em 1981 foi lançado o motor diesel (da Isuzu) de 1,8 litro, e a direção hidráulica. Em 1982 o cambio passou a ser de cinco marchas, e os catalizadores vieram para reduzir a emissão de poluentes. As vendas foram caindo com a concorrência apresentando novos modelos, e a produção americana se encerrou em 23 de dezembro de 1986.

Da minha coleção

Chevy Chevette, Serie Compact Kings, 2025


O Chevette Hatch é um Hot Wheels, da Serie Compact Kings, de 2025. A decoração de um Dragster da NHRA ficou muito atrativa, e parece ter sido baseada no Mustang de Don Nicholson. O ressalto no capô do motor dá idéia do motorzão que há ali dentro. As rodas, apesar de serem de plástico, tem um estilo mais adequado para um carro de arrancada.





O Mustang Dragster de Dino Don Nicholson




Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2776_Chevy_Chevette

https://en.wikipedia.org/wiki/Chevrolet_Chevette

https://carroemotos.com.br/chevette-no-brasil-origem-curiosidades-e-transformacoes/#google_vignette

https://www.vrum.com.br/noticias/chevette-50-anos-trajetoria/

https://autopapo.com.br/noticia/trajetoria-chevette-20-anos-chevrolet/

https://www.carrosegaragem.com.br/gm-chevette-junior-o-primeiro-e-fracassado-1-0-da-chevrolet-brasileira/




quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Opala – uma lenda de 24 anos

Opala Sedan 4 portas, 1969

A General Motors no Brasil estava no Brasil desde 1925, mas só fabricava caminhões e picapes, mas em 1968 lançou seu primeiro automóvel no país: o Opala. Baseado no Opel Rekord da Opel alemã, com motorização americana, combinação que podia justificar o acrônimo de “Opel” com “Impala”, resultando no nome que o carro ganhou aqui.

A plataforma do Rekord ganhou uma nova frente, inspirada no Chevy americano, e um novo painel traseiro. A engenharia teve de se desdobrar porque o projeto alemão seguia o sistema métrico, e o americano o sistema imperial, em polegadas; então a fábrica a produzir a metade traseira baseada no Rekord no sistema métrico, e a metade dianteira baseada no Impala, em polegadas. Isso obrigou a GM brasileira a manter duas linhas de montagem, por cerca de dez anos, até unificar o sistema de medidas em 1979.

O Opel Rekord, que serviu de base para o nosso Opala

O esportivo SS de 1971


Equipado com motores americanos de quatro cilindros com 2,5 litros e seis cilindros com 3,8 litros, eram um desenvolvimento dos Chevrolet Stovebolt, projeto de 1929. A versão de quatro cilindros foi atualizada no Chevy Nova de 1961, e o de seis no Impala de 1963; e pela sua robustez, equiparam os Opala até o final de sua linha em 1992, passando até a equipar seu sucessor, a linha Ômega até 1998.

O câmbio manual de três marchas com alavanca na coluna de direção, tração traseira, suspensão dianteira independente e traseira por eixo rígido, ambas com molas helicoidais, rodas de ferro calçadas com pneus diagonais, era uma configuração típica da época. Com o tempo, vieram o câmbio de quatro marchas com alavanca no assoalho (1971), e o câmbio automático em 1973. Os freios eram a tambor, e passaram a discos na dianteira com duplo circuito hidráulico apenas em 1976.

A linha do Opala em 1978

Lançado inicialmente como um sedã de quatro portas, novas versões foram surgindo com o tempo: cupê duas portas, cupê esportivo com motor de 4,1 litros, versões de acabamento Especial (básico), Luxo, Gran Luxo e SS (esportivo); a Caravan (Station wagon) surgiu em 1975, e a versão Gran Luxo passa a ser denominada Comodoro.

Opala de Luxo, 1975

O SS de 1978

Com o aumento da concorrência, com os Maverick da Ford, e os Dodge Dart e Charger da Chrysler, que tinham motores maiores e mais potentes do que o Opala, a GM teve de lançar o 250-S, o seis cilindros de 4,1 litros como opcional para os que desejavam mais desempenho. Neste modelo, o comando tinha mais abertura por mais tempo, carburador duplo e tuchos mecânicos em vez dos hidráulicos, permitindo atingir maiores rotações sem flutuação das válvulas, taxa de compressão de 8,5:1, exigindo gasolina azul, de maior octanagem. A potência passou de 140 cv para 171 cv, com torque de 32,5 m.kgf; acelerando de 0-100 km/h em 10 segundos e máxima de quase 200 km/h.

Diplomata, topo de linha em 1980

O Diplomata passa a ser o top de linha em 1980, com direção hidráulica e ar-condicionado como itens de série. Em 1983, o câmbio passa a ter cinco marchas, e as atualizações estéticas se resumem à frente e traseira, mantendo-se a mesma plataforma, sem alterar as linhas laterais da carroçaria.



Varias versões da Caravan

As mudanças de acabamento e estética eram acompanhadas de atualizações mecânicas que o mercado demandava, como os motores a álcool, ignição eletrônica, pneus radiais e suspensões revisadas, amortecedores pressurizados, barras estabilizadoras, câmbio com overdrive, freios da disco também nas rodas traseiras, direção hidráulica, vidros elétricos, alarmes antifurto travas automáticas, ajuste da altura do volante, vidros laminados, faróis halógenos, de longo alcance e de neblina, bateria selada, catalizador para reduzir emissões, bancos de couro e alterações internas nos motores, menos visíveis mas que deram uma sobrevida ao Opala, que virou Diplomata no fim da vida.

Diplomata, 1981

Diplomata, 1991

Pela versatilidade e robustez, o Opala foi utilizado em diversos segmentos do mercado, como veículo de executivos, foi Carro Oficial da Presidência da República, e diversos órgãos públicos como a Polícia Civil e Militar, Polícia Rodoviária, Guardas Municipais, Corpos de Bombeiros e ambulâncias fizeram uso do modelo em suas frotas.

Muitos pilotos e equipes de corridas utilizaram os Opalas nas pistas, com vários níveis de preparação e potência; e a categoria dos Stock-Cars começou com eles, seguindo o padrão dos americanos; mas depois o Opala ficou travestido com apliques de fibra de vidro, para melhorar a aerodinâmica e conseguir mais velocidade. Ainda encontramos alguns exemplares preparados para as corridas de arrancada, mas esses carros muitas vezes tem a mecânica totalmente alterada dos originais.

O Diplomata da Serie Collectors, de 1992

Em abril de 1992, saíram da linha os últimos deles, um Diplomata automático e uma Caravan Ambulância. Para marcar o encerramento foi lançada a série especial Diplomata Collectors (colecionadores), de estimadas 150 a 200 unidades, que vinha acompanhada de certificado, fita de vídeo e brochura com a cronologia do Opala desde o projeto inicial, relógio, caneta e chaves com inscrições douradas. No lugar dos logotipos Diplomata, na traseira e no volante, vinha Collectors. Bancos revestidos em couro eram opcionais e havia as cores preta, azul e vinho.

Da minha coleção


Opala SS Cupê, 1972, da BR CLassics em 1:64


Opala Caravan SS, 1978, da BR CLassics em 1:64

Os Opala da BR Classics são os mais detalhados, a marca brasileira tem conseguido muitos admiradores no mercado e valem o preço delas. Tanto a escala como os detalhes de faróis e lanternas, rodas e pneus proporcionais aos reais, decoração e interior detalhado fazem a diferença, além de ser um modelo que ficou mais de vinte anos no mercado brasileiro, e mesmo que não tenha possuído um deles, vale a pena ter na coleção.

Chevrolet SS, da Serie 2012 New Models

Chevrolet SS, da Serie HW Showroom: HW Performance, de 2013

Customizado com motor de Dragster e rodas da AC Custon


Os da Hot Wheels são bem mais simplificados, claro, mas não deixam de ter um atrativo, visto que a Mattel está reproduzindo carros exclusivos do mercado brasileiro, como estes Opalas (oficialmente denominados Chevrolet SS pela Mattel), a Brasilia, o SP-2, o Maverick e o Dodge Charger na versão que foi fabricada aqui pela Chrysler nos anos 1970. O exemplar vermelho foi customizado com um motor de dragster saindo do capô, e as rodas trocadas pelas AC Custon.

Já na escala 1:43 saíram diversos Opalas na bem numerosa Chevrolet Collection, da Salvat Editora, com minis feitos pela IXO ou Altaya, e a série dos Carros Inesquecíveis do Brasil ─ que incluía vários Opalas, Caravans e Diplomatas na coleção ─ podiam ser adquiridos nas bancas de jornais. São bem detalhados pela escala maior, e reproduzem os modelos que muitos de nós vimos nas ruas em mais de 20 anos.

Caravan 1979, da Chevrolet Collection, em 1:43 antes e depois de customizada


Opala 4 portas, 2500cc, 1969

Opala Gran Luxo Cupê, 1972

Opala Especial (Básico) Cupê, 1973

Opala Luxo, 4 portas, 1974

Opala SS Cupê, 1975

Opala SS Cupê, 1976

Caravan Diplomata, 1988

Opala Diplomata, 1992

Opala Polícia Rodoviária

Opala Stock-Car - Affonso Giaffone

Opala Stock-Car - Ingo Hoffmann, 1992

Opala Stock-Car - Wilson Fittpaldi Jr.

Opala Stock-Car - Ingo Hoffmann, 1980

Opala Stock-Car - Paulo Gomes


Referências:

https://autolivraria.com.br/bc/informe-se/passado/historia-chevrolet-opala-comodoro-diplomata-ss-caravan-2500-3800-4100/