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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ih, esqueci!



Em certa ocasião, quando perguntaram a Einstein onde morava, ele pediu uma lista telefônica, o que gerou a pergunta: “Você não sabe nem o endereço de sua casa?”
A resposta de Einstein foi: “Esta informação está acessível na lista telefônica. Não ocupo meu cérebro para guardar informações que não preciso”
Lembrar-se de todos os compromissos e tarefas, ler e responder os e-mails, estar conectado pelo celular, marcar o dentista, lembrar do aniversário de casamento, pagar as contas da casa, fazer a manutenção do carro, e acompanhar o dia-dia das crianças ocupam boa parte de sua mente para lembrar-se de tudo o que tem para administrar em um curto período de tempo.
O que dizer então da memória de longo prazo, se faz um curso ou treinamento, lê um livro, ou faz planos para as férias daqui a seis meses; ocupam também sua mente, e não raro, acabamos exclamando a frase-título deste post...
Não se lembrar de onde deixou o celular na hora de sair de casa; ou ficar cismado se trancou o carro quando o deixou na rua, são pequenos lapsos de esquecimento que não nos devem preocupar demasiadamente. Falta de organização ou desatenção podem muito bem ser a causa deste tipo de situação.
Apenas se isso começa a se agravar, com o aumento da repetição ou o esquecimento de fatos importantes, devemos consultar um médico e averiguar o que pode ser a causa disso.
Lidar com o volume de informações que temos hoje certamente se torna desafiador para os nossos cérebros. Perceber, avaliar, priorizar e responder aos milhares de estímulos diários que recebemos, desde o momento em que despertamos, saímos de casa, realizamos as atividades diárias e retornamos ao lar é uma carga que aumenta a cada dia que passa.
Por isso nos sentimos tão cansados, mesmo que não façamos tanta atividade física. O estresse resultante desta aceleração cobra seus tributos fazendo o cérebro desligar, ou “apagar” certos setores, para economizar energia.
Claro, como um músculo, nossa mente precisa de atividade para se manter em boas condições; com o passar do tempo, manter o cérebro ocupado pode prevenir danos maiores pelas doenças que surgem com a velhice; tal como o Mal de Alzheimer, ou outros distúrbios de memória.
Intercalar com períodos de descanso, ter uma alimentação equilibrada, são fatores que ajudam a manter sua saúde em forma.
Providências simples, tal como alistar as tarefas que tem a fazer durante o dia, anotar seus compromissos em uma agenda, usar os recursos de seu celular para lembrar-se deles meia hora, uma hora antes, são maneiras de evitar a famosa frase: “Ih, esqueci”, quando já é tarde demais.
Nossos cérebros são fantasticamente poderosos, mas precisam de uma pequena ajuda para que tenham um desempenho satisfatório.
Seja mais organizado, melhore sua concentração, alimente-se equlibradamente, faça atividade física e descanse ou durma o necessário; e verá que poderá lidar com os terabytes de informação diários que jorram sobre nós todos os dias.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Resiliência


Muito se fala hoje em resiliência, uma qualidade desejável em muitos profissionais, devido às grandes pressões que sofremos dentro das organizações, seja pela carga de trabalho, seja pela busca de resultados, seja pela competitividade dos mercados globais.
Resiliência é um substantivo, do ramo da Física; denomina a característica mecânica que define  resistência aos choques de materiais.
Emprestado à psicologia, define a qualidade de um individuo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, sem entrar em surto psicótico.
O termo ganhou maior popularidade após o ataque terrorista ao World Trade Center, nos EUA, em 11 de setembro de 2001. O governo americano distribuiu uma cartilha às pessoas envolvidas com a tragédia para estimulá-las a retomar a vida normal, de modo a superar o trauma.
Aplicado ao mundo corporativo, o termo ganhou o significado de pessoas que sofrem fortes influências do meio em que estão, às vezes até o limite, mas que depois que as influências mudam ou são removidas, voltam ao seu normal, preservando suas características, e principalmente, enriquecidas com o aprendizado daquilo que sofreram, saindo renovadas e mais fortalecidas do que antes.
Claro que, em maior ou menor medida, todos temos tal característica, somos pressionados por situações que não desejamos passar, trabalhos estressantes, colegas e superiores nem sempre amigáveis, resultados que nem sempre nos satisfazem, o que dirá de nossos chefes?
Junte-se a isso as demandas de nossa vida familiar; esposa ou marido, namorada ou namorado, filhos ou sobrinhos, sogra, cunhado, cachorro, papagaio; a saúde que nunca é perfeita; o trânsito numa cidade grande (agora infestando também as pequenas); e temos aí um cenário perfeito para praticarmos nossa resiliência em toda a sua plenitude.
Um dos melhores exemplos, que até utilizo nas palestras sobre Mudanças & Valores que faço, é o do bambu, que diante de uma tempestade com fortes ventos, se verga quase até o chão, se balança pra lá e pra cá; mas depois que a tormenta passa, ele volta à sua posição normal, sem se quebrar, devido à flexibilidade de seu caule.
Outro ponto que nos chama a atenção sobre o bambu é que ele nunca está sozinho. Vários deles crescem juntos, formando um bloco bastante compacto, e isso nos lembra de que precisamos uns dos outros para resistir às pressões da vida.
Magali de Souza Alvarez, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, analisou o comportamento de moradores de rua em São Paulo por dez anos, vivendo num cenário agressivo, violento e cheio de preconceito e marginalização. Ela chegou à conclusão de que a interação com outros indivíduos; homens, mulheres e crianças, era fundamental para superar as dificuldades de tais moradores de rua; o relacionamento com outras pessoas fortalecia a determinação de lutar todos os dias contra um mundo desfavorável a eles.
Os bambus não crescem sozinhos...
Também esta qualidade não é nova; temos uma citação na Bíblia pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios, cap. 3, versículos 12 e 13 que diz:  “Ora, se alguém construir sobre o alicerce ouro, prata, pedras preciosas, materiais de madeira, feno, restolho, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o dia a porá à mostra, porque será revelada por meio de fogo; e o próprio fogo mostrará que sorte de obra é a de cada um.”  Falando sobre a edificação dos discípulos de Jesus, alguém que era como ouro ou prata poderia sofrer reveses, até mesmo se derretendo com o calor aplicado a ele, mas depois de novamente solidificado, seria de novo ouro ou prata; diferente da madeira, feno, que submetidos ao fogo, se tornam cinzas, e não mais adquirem suas características originais.
Todos podemos aprender ou desenvolver nossa resiliência, ou aumentar o grau de resiliência que já temos. Ter mais tolerância com e aceitar as mudanças, definir objetivos claros em sua vida (pessoal e profissional), ser mais otimista, respeitar o seu próprio comportamento e fortalecer sua estrutura emocional são passos decisivos para enfrentar as turbulências da vida.