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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Mudanças à vista no mundo do automóvel

Num cenário em que as mudanças se sucedem rapidamente e em maior quantidade, em todos os campos da vida humana, o mundo do automóvel sinaliza que a matriz energética do combustível fóssil está mudando irreversivelmente, para a eletricidade.
Os veículos elétricos (híbridos ou totalmente elétricos) estão em crescimento nos mercados mais avançados e dinâmicos, com novos players tomando o lugar dos tradicionais fabricantes de veículos. Nem a formação de grandes conglomerados impede que marcas e fabricantes dos quais só ouvimos falar nos últimos dez acabam roubando a cena na mídia.
Quando falamos sobre veículos elétricos, consideramos os veículos autônomos, que se movem independentes de receber a energia como trólebus ou bondes. Veículos elétricos autônomos são denominados PEV (Plug-in Electric Vehicles): recarregáveis em tomadas de força, com baterias que armazenam eletricidade; podem ser divididos como:
- BEV - Battery Electric Vehicles: os puramente elétricos, recarregados numa tomada e movidos unicamente por motores elétricos;
- PHEV - Plug-in Hybrid Vehicles: híbridos, que possuem um motor a combustão, que tracionam as rodas ou que funcionam como um gerador de eletricidade, alimentando os motores elétricos que movimentam o veículo.
Não vamos tratar dos veículos elétricos dedicados, como trólebus e ônibus elétricos, ou carrinhos de golfe e outros veículos que circulam em recintos fechados, mas de carros que tem uma utilização diária como os automóveis de hoje.
Nesta metade do ano de 2018, os dados sobre o setor indicam números tais como abaixo:
Esta tabela engloba veículos elétricos de todos os tipos comercializados nos países.
Em Dezembro de 2017, a China era o país com maior quantidade de veículos elétricos vendidos ao público com 1,245 milhão de unidades, seguido pela Europa com 943 mil; Estados Unidos com 764 mil, sendo o estado da Califórnia responsável por metade do volume no país.Notícia recente nos diz que a Nissan emplacou 18 mil unidades do seu elétrico Leaf na Europa durante o primeiro semestre de 2018, liderando o mercado europeu no período. A versão de 40 kWh tem uma autonomia de aproximadamente 240 km, ao passo que a de 60 kWh permite rodar até 320 km com uma carga, com a potência do motor elétrico equivalendo a 150 cv.
Com um porte semelhante a um SUV médio, e equipado com os habituais recursos que temos em carros "normais", tem um preço abaixo dos 30 mil Euros, com faixas diferentes de incentivo governamental em cada país da Comunidade Européia. Seria por volta de R$ 120 mil numa conversão direta, mais elevado do que a média dos concorrentes em tamanho e equipamentos.
Mas o que importa é a mudança que se avizinha, e afetará todos os que necessitam se movimentar de carro hoje. Estudos da International Energy Agency indicam que até 2030, serão 125 milhões de veículos elétricos no mundo, transformando radicalmente o cenário de nossas ruas e estradas nos próximos dez anos.
A pressão por carros mais "verdes" e não poluentes, atendendo aos novos limites de emissão de poluentes e proteção ao ambiente serão os catalizadores desta mudança; junto com a queda dos preços das baterias e criação de sistemas de alimentação para os veículos elétricos, poderão alavancar as vendas destes carros para o consumidor comum.
O temor de que a terceira guerra mundial pudesse ter origem no domínio do petróleo - ou de que o estopim seria a falta de água potável no planeta - não teria razão de ser, pois a eletricidade pode ser gerada de inúmeras formas, por usinas hidroelétricas, nucleares ou térmicas, pelo vento ou pelo movimento das marés, de modo que as tecnologias para sua geração não seriam monopólio de nenhuma corporação ou nação.

Como disse Heráclito, "a única coisa que não muda é que tudo muda", as mudanças estão ocorrendo nas nossas vidas, e nada mais será como antes...

Referências:
https://motor1.uol.com.br/news/253072/nissan-leaf-vendas-europa-2018/
https://en.wikipedia.org/wiki/Electric_car_use_by_country
https://newsroom.nissan-europe.com/eu/en-gb/media/pressreleases/10637/nissan-announces-european-prices-of-nissan-leaf
https://en.wikipedia.org/wiki/Electric_vehicle
https://www.cnbc.com/2018/05/30/electric-vehicles-will-grow-from-3-million-to-125-million-by-2030-iea.html



terça-feira, 28 de março de 2017

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO - POR QUE É TÃO DIFÍCIL? Parte 1 de 2

Vivemos hoje num tempo de velozes mudanças na vida: a tecnologia, os costumes e estilos de vida, as empresas e os mercados se alteram rapidamente, exigindo de nós uma velocidade de mudança que muitos não estão conseguindo acompanhar.
Para os jovens, mudar é mais fácil, depois de passar pela adolescência - uma fase de grandes mudanças - eles ainda estão em transformação, formando sua identidade emocional, social e profissional; sendo mais maleáveis para se adaptar melhor a um cenário em transformação.
Já para alguém depois dos 30, 40 anos, com seus valores e comportamentos mais sedimentados, começam a ter dificuldade para assimilar essas mudanças e criar um novo comportamento de acordo com as mudanças que ocorrem em seu ambiente próximo.
Um dos grandes obstáculos para isso são os hábitos que desenvolvemos.
Hábito pode ser definido como um comportamento aprendido que é incorporado em nossa rotina. Nosso cérebro economiza trabalho quando repetimos regularmente certas atitudes ou comportamentos, tornando-os automáticos; assim ele não gasta energia para pensar sobre qual é o próximo passo naquele processo.
Um exemplo clássico é o processo de despertar e se arrumar para sair ao trabalho: acordar, desligar o despertador, levantar, fazer a toalete matinal, trocar de roupa, tomar café, sair. Depois de um mês fazendo isso, os processos ficam automáticos; exceto quando temos de escolher a roupa com que vamos hoje (no caso das mulheres, mais demorado...) em que gastamos um tempo maior para decidir o que combina com o que, para não pagar mico...
O hábito tem três componentes: o Gatilho, a Rotina e a Recompensa. Vejamos alguns detalhes sobre cada um deles:
GATILHO: É um evento (visual/sonoro/táctil - interno ou externo a nós) que o cérebro entende qual hábito deve selecionar para a sequencia automática a seguir;
ROTINA: Sequencia de atividades físicas, intelectuais ou emocionais pré-estabelecidas nas sinapses cerebrais que poupam a energia de escolher/decidir o próximo passo.
RECOMPENSA: Avaliação que o cérebro faz para ver se o processo automatizado vale a pena ser aplicado novamente no futuro.
Quanto mais esta sequencia é repetida, e a recompensa é confirmada como um bom resultado obtido, mais ela fica automática e o hábito vai ficando cada vez mais fortalecido, dificultando alterar o processo. Chegamos ao ponto em que apenas sendo expostos ao Gatilho, pulamos o processo da Rotina e focamos diretamente na Recompensa.
Os cães que Pavlov condicionou começavam a salivar quando ouviam o apito que indicava o fornecimento de alimento; e mesmo quando não recebiam a recompensa, salivavam apenas com o som do apito.
Será que somos diferentes dos cães de Pavlov?
Como nos comportamos quando ouvimos um "bip" do celular, indicando que chegou uma mensagem de e-mail, do Whatsapp, Messenger ou Facebook?
Quem será que enviou? Qual o "babado" que está rolando? 
Isso é uma verdadeira armadilha quando queremos mudar nossos hábitos, ou criar um novo comportamento necessário em novas circustâncias de nossas vidas.
Não é à toa que as situações que mais causam stress nas pessoas sejam aquelas em que há grandes mudanças em nosso universo pessoal: 
Morte do conjuge; divórcio e separação; prisão; morte de parente próximo; ferimento ou doença pessoal e casamento, nesta ordem, são as principais causas de stress, segundo um estudo feito pelos Drs. T. Holmes e R. H. Rahne — “Modern Maturity” (Maturidade Moderna).
São situações que exigem de nós novos comportamentos e novos hábitos, visto que nossas rotinas são drasticamente alteradas; se temos dificuldades para nos adaptar às novas situações, o sofrimento aumenta, até que desenvolvamos os comportamentos automáticos que nos trazem conforto e segurança, confirmando as recompensas desejadas de acordo com os novos "gatilhos" a que nos sujeitamos.
No próximo post, veremos como facilitar este processo e sofrer menos com as mudanças que nos atingem.

Referência: O Poder do Hábito, de Charles Duhigg.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Crenças e Sentimentos; Princípios e Valores.





Tenho observado que as crenças que temos (ou desenvolvemos durante a vida), são fundamentais para guiar nossas decisões frente aos dilemas pessoais. Sejam eles ligados à vida profissional ou pessoal, aquilo em que acreditamos influencia os objetivos que desejamos atingir, os meios que usaremos para chegar lá, e o modo que agiremos quando o conseguirmos.
Falamos então de Visão, Missão e Valores para classificar aspirações, sentimentos, a busca de recompensas e realizações na curta vida que temos neste mundo.
Tudo é muito bonito e elogiável na teoria, mas a prática nos mostra que a competitividade da sociedade humana atual faz cair por terra todos os maiores conceitos sobre solidariedade, altruísmo e cidadania. O que dizer então quando está em jogo um salário mensal de cinco dígitos? Ou uma possibilidade não tão correta de obter ganhos financeiros elevados com pouco investimento?
Do que não abrimos mão para manter o nosso ‘status quo’? O carro novo, a escola das crianças, as férias em Orlando, o tênis duas vezes por semana, restaurantes e uma adega de vinhos?
Para aqueles que estão em ascensão social, ter sua casa própria, um carro na garagem, fazer academia, uma TV de 50 polegadas, fazer uma faculdade...
Enfim, todos temos aspirações, e os sentimentos associados a estes objetivos que nos colocamos na vida surgem de nossas crenças, do que aprendemos que é certo ou errado (hoje, cada vez “mais ou menos certo ou errado”), dos princípios que assumimos para nós mesmos, e dos valores resultantes de tais princípios.
São estes que guiam nossas decisões quando temos questões para resolver.
Honestidade tem a ver com Verdade. Uma pessoa honesta sempre fala a verdade, mesmo que ela possa colocá-la numa aparente desvantagem momentânea. Digo aparente, pois a longo prazo, o benefício é claro: ela criará uma reputação de confiabilidade e integridade que não tem preço. Termos como “meia-verdade” ou uma “pequena mentira” já não são Verdade: são mentiras e ponto final.
Lealdade tem a ver com Fidelidade e Comprometimento. Uma pessoa leal se apega aos seus compromissos, tanto com outras pessoas, como com as atividades que exerce. Claro que a Lealdade precisa estar associada à Honestidade, senão ela seria desvirtuada, como a lealdade entre um traficante de drogas e seus capangas, ou entre um político corrupto e seus comparsas de fraudes.
Por isso, vemos cada vez mais pessoas com princípios, porém com seus valores distorcidos, devotadas a buscar objetivos questionáveis, utilizando para isso todos os meios (válidos ou escusos) para atingi-los.
Pessoas que criam visões de um mundo egoísta, onde não há lugar para o altruísmo ou solidariedade, onde o amor ao próximo só tem lugar no discurso de outros, e a bondade ou humildade são para os fracos de caráter...
Apesar de um cenário nada animador, tenho firme esperança de que as pessoas podem mudar. Tudo e todos tem o seu tempo, e as mudanças podem ser feitas, e nada mais correto do que aquela frase que diz:
“Se quiser mudar o mundo, comece com você mesmo”.
Mude, mude sempre, mas sem perder os seus valores. São eles que fazem a diferença na hora de tomar decisões na sua vida. São eles que podem fazê-lo feliz, e quem é que não quer conquistar a felicidade?

terça-feira, 23 de julho de 2013

Quem não quer subir na carreira?


Todos que iniciam uma vida profissional tem o desejo de progredir, avançar, ser promovido e subir os degraus construindo uma carreira de sucesso.
Claro, talento é fundamental, mas quantos talentosos conhecemos que não foram reconhecidos; não galgaram postos de liderança, nem se tornaram profissionais de sucesso?
Significa que o talento não basta. Avançar profissionalmente depende de uma soma de fatores, não de uma qualidade isolada que o faz destacar-se entre seus pares.
Além de todas as habilidades que precisa desenvolver para se tornar uma referência na atividade que exerce, outros fatores também podem colaborar para que sua carreira decole, somando impulso às ‘expertises’ adquiridas e aperfeiçoadas através de cursos e treinamentos.
Veja alguns deles:
1.    Tenha o chefe certo. Um chefe que te boicota e não quer que você seja uma sombra para ele bloqueia sua ascensão e fecha as portas para qualquer promoção; a não ser que a empresa tenha outras áreas em que você pode se dar bem.
2.    Pare de querer agradar todo mundo. Quem faz tudo para todos não tem tempo para fazer o que deve para si mesmo. Imponha limites e aprenda a dizer ‘não’.
3.    Insegurança não! Preparação e conhecimento aumentam sua confiança naquilo que faz. Em último caso, seja um bom ator/atriz e nunca demonstre que está inseguro naquilo que faz.
4.    Corra riscos calculados. O empreendedor conhece os riscos que corre, e tem sempre um Plano B para ser executado na hora certa.
5.    Seja rápido. Troque o ‘não estou pronto para isso’ por ‘vou agarrar esta oportunidade e aprender rápido’!
6.    Não tenha um conselheiro ou mentor:  tenha vários! Quanto mais gente você puder consultar e trocar idéias, melhor. De quebra, você criará muitos laços fortes com seus colegas de trabalho.
7.    Faça planos. Aliás faça dois planos para sua carreira. Um a longo prazo, sonhando alto; outro a curto prazo de um ano, ano e meio. Tenha objetivos mais imediatos; tal como aprender uma nova língua. Que tal Mandarim?
8.    Pergunte-se todos os dias: “O que posso fazer hoje para ficar mais afiado(a)?”
9.    Coloque este pôster no seu escritório: “Existe um lugar especial para quem ajuda os outros.”
10.    Por fim, seja uma pessoa de caráter. Ainda que seja um canalha, poderá tirar vantagem de outros e subir na carreira, mas sua reputação não permitirá que fique lá em cima, e a queda será inevitável.
Pense e reflita. Grandes mudanças são difíceis de fazer e não se fazem da noite para o dia. Faça pequenas mudanças sempre e se torne um profissional melhor a cada dia.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O que é que te incomoda?

Como seres humanos que somos, estamos sempre insatisfeitos com alguma coisa. Ainda bem, pois grandes progressos vieram exatamente por causa desta força motivadora de sempre buscar melhorias em tudo o que nos cerca.
No tipo de vida que levamos, seja numa grande metrópole, ou numa cidade do interior, todos os dias temos fatores que nos deixam incomodados. Seja o trânsito, a demora no atendimento de um serviço, a fila do banco, a internet que cai, a chuva que cancela seu piquenique, seu vizinho barulhento, o estresse do trabalho, a falta de segurança, a corrupção política, os desmandos na área da saúde e educação, a lista parece infindável.
Dois fatores precisam ser levados em consideração ao identificar este sentimento dentro de nós. Primeiro, a insatisfação pode tirar nossa alegria, levando à frustração, desânimo e até à depressão; então, cuidado com ela.
Pegou um congestionamento? Escute música no carro. A fila do banco tá grande? Medite sobre o que fará no fim-de-semana com a família ou amigos. Tá frio demais para dar uma caminhada? Aproveite para se vestir elegantemente, coloque seu cachecol e vá dar uma volta na praça ou no parque. Tá estressado no trabalho? Tire uma noite para ir ao cinema ou alugue aquele filme que você não conseguiu  ver na sala escura.
Não permita que as situações do dia-a-dia tirem sua alegria de viver, de encontrar as pessoas, de realizar coisas para si e outros. Faça o seu melhor a cada dia, para que sua vida seja melhor a cada dia.
Segundo, a insatisfação pode ser o primeiro passo para uma mudança. O atendimento de um serviço está demorando? Pense em criar um negócio que resolva esse problema: assim como você, certamente outros também sofrem com o mesmo problema, e pagariam bem em ter um serviço mais rápido. A internet está caindo toda hora? Procure saber as causas: é um problema técnico? Ou da sua região? Qual o tipo de acesso; discado, antena,  cabo, rádio ou satélite? Qual o horário em que o tráfego de dados é mais pesado? Fale com especialistas, adquira um pouco de conhecimento nesta área que será cada vez mais imprescindível  no futuro.
As demandas sociais mobilizaram nas últimas semanas milhões de pessoas insatisfeitas às ruas para protestar contra as mazelas de um governo que sempre deixa a desejar. Tudo isso é um desejo de mudança, e se observarmos, é altamente positivo que as pessoas desejem mudanças, para melhorar o transporte, a saúde, o serviço público, enfim... ter uma vida melhor e  ser mais felizes.
Observadores comentam que há muito o que fazer em vários campos da vida social, e muitos argumentam  que o povo tem o governo que merece.
Sem querer chover no molhado, as mudanças estão sempre ocorrendo, e não vão parar. A insatisfação nata do ser humano nos levará sempre a avaliar nosso “status quo”, e buscar alterar esta situação para melhor.
A diferença é a maneira em que se reclama, protesta, altera as situações atuais para uma outra forma desejável de se viver em sociedade. Muitas vezes queremos os "nossos direitos", e com razão. Mas as obrigações vêm junto, e não podemos nos esquecer que são estas que colaboram para que a vida em comum seja mais agradável para todos.
“Se você quiser mudar o mundo, comece mudando a si mesmo”.



quinta-feira, 14 de março de 2013

Resiliência


Muito se fala hoje em resiliência, uma qualidade desejável em muitos profissionais, devido às grandes pressões que sofremos dentro das organizações, seja pela carga de trabalho, seja pela busca de resultados, seja pela competitividade dos mercados globais.
Resiliência é um substantivo, do ramo da Física; denomina a característica mecânica que define  resistência aos choques de materiais.
Emprestado à psicologia, define a qualidade de um individuo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, sem entrar em surto psicótico.
O termo ganhou maior popularidade após o ataque terrorista ao World Trade Center, nos EUA, em 11 de setembro de 2001. O governo americano distribuiu uma cartilha às pessoas envolvidas com a tragédia para estimulá-las a retomar a vida normal, de modo a superar o trauma.
Aplicado ao mundo corporativo, o termo ganhou o significado de pessoas que sofrem fortes influências do meio em que estão, às vezes até o limite, mas que depois que as influências mudam ou são removidas, voltam ao seu normal, preservando suas características, e principalmente, enriquecidas com o aprendizado daquilo que sofreram, saindo renovadas e mais fortalecidas do que antes.
Claro que, em maior ou menor medida, todos temos tal característica, somos pressionados por situações que não desejamos passar, trabalhos estressantes, colegas e superiores nem sempre amigáveis, resultados que nem sempre nos satisfazem, o que dirá de nossos chefes?
Junte-se a isso as demandas de nossa vida familiar; esposa ou marido, namorada ou namorado, filhos ou sobrinhos, sogra, cunhado, cachorro, papagaio; a saúde que nunca é perfeita; o trânsito numa cidade grande (agora infestando também as pequenas); e temos aí um cenário perfeito para praticarmos nossa resiliência em toda a sua plenitude.
Um dos melhores exemplos, que até utilizo nas palestras sobre Mudanças & Valores que faço, é o do bambu, que diante de uma tempestade com fortes ventos, se verga quase até o chão, se balança pra lá e pra cá; mas depois que a tormenta passa, ele volta à sua posição normal, sem se quebrar, devido à flexibilidade de seu caule.
Outro ponto que nos chama a atenção sobre o bambu é que ele nunca está sozinho. Vários deles crescem juntos, formando um bloco bastante compacto, e isso nos lembra de que precisamos uns dos outros para resistir às pressões da vida.
Magali de Souza Alvarez, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, analisou o comportamento de moradores de rua em São Paulo por dez anos, vivendo num cenário agressivo, violento e cheio de preconceito e marginalização. Ela chegou à conclusão de que a interação com outros indivíduos; homens, mulheres e crianças, era fundamental para superar as dificuldades de tais moradores de rua; o relacionamento com outras pessoas fortalecia a determinação de lutar todos os dias contra um mundo desfavorável a eles.
Os bambus não crescem sozinhos...
Também esta qualidade não é nova; temos uma citação na Bíblia pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios, cap. 3, versículos 12 e 13 que diz:  “Ora, se alguém construir sobre o alicerce ouro, prata, pedras preciosas, materiais de madeira, feno, restolho, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o dia a porá à mostra, porque será revelada por meio de fogo; e o próprio fogo mostrará que sorte de obra é a de cada um.”  Falando sobre a edificação dos discípulos de Jesus, alguém que era como ouro ou prata poderia sofrer reveses, até mesmo se derretendo com o calor aplicado a ele, mas depois de novamente solidificado, seria de novo ouro ou prata; diferente da madeira, feno, que submetidos ao fogo, se tornam cinzas, e não mais adquirem suas características originais.
Todos podemos aprender ou desenvolver nossa resiliência, ou aumentar o grau de resiliência que já temos. Ter mais tolerância com e aceitar as mudanças, definir objetivos claros em sua vida (pessoal e profissional), ser mais otimista, respeitar o seu próprio comportamento e fortalecer sua estrutura emocional são passos decisivos para enfrentar as turbulências da vida.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Intolerância




Num mundo em que tudo acontece velozmente, e as transformações parecem cada vez mais rápidas, tornando-nos pessoas que desejam gratificações imediatas, e queremos que as coisas aconteçam sem demora.
Minutos em uma fila, o garçom que não vem à mesa assim que nos sentamos, a impaciência no saguão do elevador, o motorista que dirige à nossa frente em baixa velocidade, o e-mail que não chega em sua caixa postal, são coisas que nos deixam cada vez mais frustrados e irritáveis.
No extremo destas atitudes, chegamos à intolerância, não aceitando ou suportando determinadas situações e reagindo contra todo o bom senso da vida civilizada.
Tanto é que diversas leis são promulgadas visando proteger minorias étnicas ou sociais contra abusos e ofensas pelo fato de serem diferentes dos demais, em uma sociedade cada vez mais diversificada social, cultural e emocionalmente.
Parece que temos dificuldades para lidar com aquilo que é diferente ou incomum para nós; porém, numa sociedade cada vez mais global, como não se confrontar com pessoas, costumes, comportamentos, comida, roupas e crenças totalmente diversas daquelas com as quais convivemos uma vida inteira?
Segundo um estudo da ONU, as causas básicas da intolerância e a discriminação são a ignorância e a falta de compreensão.
O mesmo relatório diz então: "A Educação pode ser o instrumento primário de combate à discriminação e à intolerância".
Educação não apenas no sentido de adquirir conhecimento, mas de criar valores e guiar nosso comportamento, mesmo que muitos não concordem com nossas opiniões e crenças. A intolerância sem conhecimento leva a temer o que não conhecemos e tendemos a excluir aquilo que não combina com o que achamos "normal".
Claro, o oposto, que é a tolerância, não significa que todos devam pensar da mesma maneira, até porque é saudável que haja opiniões discordantes das nossas. "A verdadeira tolerância repousa em forte convicção" disse o sacerdote dominicano Claude Geffré, na revista Réforme. A pessoa satisfeita com suas convicções não se sente ameaçada pelas crenças dos outros, pois desenvolve sua capacidade de julgamento independente, pensamento crítico e raciocínio ético.
Portanto, devemos sempre examinar nossas convicções, encontrando conosco mesmos. Não pensemos que as pessoas estão contra nós, elas estão apenas a favor delas mesmas.
Num ambiente em constante mudança, é preciso sempre rever nossos comportamentos, ajustar as atitudes, mas mantenha sempre sua integridade, e se apegue aos seus valores.
Tenho certeza de que seremos mais felizes assim.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Tudo passa; tudo passará!



Num mundo em constante transformação, nunca esta verdade esteve tão próxima de todos nós. Assim como Lavoisier afirmou:
- “ Na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma”.
Não que devamos levar a vida como se tudo fosse provisório, mas que devemos encarar tudo o que acontece conosco como algo que não é permanente.
Mas qual a diferença entre estas atitudes?
Uma pessoa que considera tudo provisório ou temporário poderá não empenhar toda a sua capacidade ou recursos em algo que está realizando; de forma que tudo aquilo que produz, mesmo com um nível satisfatório, nunca será excelente, pois “poderia ser melhor”.
Já alguém que encara as coisas como não sendo permanentes, tem consciência de que tudo o que faz pode ser aperfeiçoado, então suas realizações vão sempre melhorando a cada vez que se empenha em algo.
Até as anedotas demonstram a sabedoria popular:
- “Tirando o motorista e o cobrador, tudo é passageiro” ou esta outra:
- “Na vida tudo passa. Até a uva passa.”
Especialmente as situações que não são agradáveis merecem esta consideração, pois são elas que acabam ocupando uma atenção maior de nossas emoções e do nosso raciocínio.
Há fatos e ocorrências das quais não conseguimos nos livrar, e ficamos “remoendo” aquelas lembranças ruins, como que tentando alterar aquilo que já passou.
Se a vida (em algum momento todos nós achamos isso) está uma droga, se está se sentindo infeliz com o que acontece ao seu redor, se as pessoas com que convivemos fazem ou dizem coisas desagradáveis, não se desespere.
Sempre temos a tendência de gravar mais lembranças ruins, fatos que não gostamos, palavras ferinas e comentários desfavoráveis sobre a nossa pessoa.
Nestas horas, reflita sobre a contraparte: as estatísticas provam que há 50% de chances de algo dar errado e também 50% de chances desta mesma coisa dar certo. O famoso “copo meio cheio ou meio vazio” depende única e exclusivamente de sua visão mental, ou do seu estado emocional naquele momento.
Deixe as palavras desagradáveis serem levadas pelo vento; permita que os acontecimentos ruins sejam degraus da sua escada rumo ao sucesso; e principalmente, considere as pessoas que não colaboram para você se tornar uma pessoa melhor, sejam como os passageiros do ônibus da vida: em algum ponto do trajeto, elas vão descer, e você deve continuar, até chegar ao seu destino.

Boa leitura e até a próxima!


Leo Togashi está sempre mudando, procurando ser melhor hoje do que ontem. E tendo fé de que um dia, todas as pessoas poderão ser realmente felizes, sem precisar suportar a atual natureza humana que tanto mal causa ao mundo.