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domingo, 13 de outubro de 2024

Lotus Esprit S1 - James Bond: The Spy Who Loves Me

Lotus Esprit, 1976

A história do Lotus Esprit começa com Tony Rudd, que veio para a Lotus em 1969, encarregado de desenvolver dois novos projetos de carros de rua para a Lotus. O primeiro criado por Rudd resultou no Elite, de 1974, e o segundo, denominado Project M70, era para substituir o Lotus Europa, um cupê duas portas, de teto rígido e motor central.

Uma reunião entre Colin Chapman e Giorgetto Giugiaro foi promovida pelo designer Oliver Winterbotton, que sugeriu a Giugiaro utilizar o design do Maserati Boomerang Concept como inspiração para o novo Lotus.

Maserati Boomerang,
a inspiração para o Esprit

Os trabalhos começaram em meados de 1971, e conforme relatos da Italdesign, Chapman ficou desapontado com os resultados aerodinâmicos dos modelos 1:4 no túnel de vento, e interrompeu o projeto. No entanto a Italdesign pressionou Chapman e construiu um mock-up em tamanho real sobre o chassi modificado de um Lotus Europa. O protótipo sem nome, chamado apenas “The Silver Car”, foi mostrado no estande da Italdesign no Turim Auto Show de 1972, e a boa receptividade do público convenceu Chapman a dar continuidade ao projeto.

Foi construído um novo protótipo, o “IDGG 01”, pintado de vermelho, ficou chamado “The Red Car”, um modelo funcional, e mesmo ainda não ter sido concluído, foi denominado oficialmente de Esprit. Segundo o Concise Oxford Dictionary, “Esprit” tem o significado de “vivacidade, sagacidade”.

Mike Kimberley, Diretor Geral da Lotus Cars, lembra que a reação do público ao protótipo concluído do Esprit foi tão favorável que uma equipe de design e desenvolvimento foi imediatamente criada para trabalhar com Giugiaro, e eles permaneceram na Itália por pelo menos 18 meses. Chapman e Kimberley voavam para Turim pelo menos duas vezes por semana, durante as quais o estilo da carroceria era refinado e se transformava em uma proposta produtiva.

Lotus Esprit, 1976

Lançado no Paris Motor Show em outubro de 1975, o Lotus Esprit S1 (de Series 1), entrou em produção em junho de 1976, conforme planejado, substituindo o Lotus Europa.

Equipado com o motor Lotus Type 907, com bloco e cabeçote de alumínio, quatro cilindros com 1973 cc (120,4 cid) e 160 hp a 6200 rpm para a Europa e 140 hp para o mercado americano. O torque era de 140 lb/ft a 4900 rpm, com o motor montado longitudinalmente atrás do compartimento dos passageiros, inclinado para a esquerda a 45° para manter o centro de gravidade baixo. Este motor recebeu um cabeçote com quatro válvulas e duplo comando, alimentado por dois carburadores Dellorto progressivos 45 DHLA e 9,5:1 de taxa de compressão. A tração nas rodas traseiras era por meio do câmbio Citroen C35 de cinco marchas manual aplicado no SM e no Maserati Merak, e o diferencial de deslizamento limitado proporcionava uma boa manobrabilidade ao Esprit. Os freios Girling a disco sólidos, nas quatro rodas tinham duplo circuito, e os traseiros eram inboard, as suspensões dianteiras tinham braços em “A” superiores e barras laterais inferiores triangulares com barras estabilizadoras. A suspensão traseira consistia em braços de arrasto cônicos e links laterais inferiores. Havia conjuntos de amortecedores/molas e as rodas de liga em 14 polegadas Wolfrace tinham 7 polegadas de tala na traseira e 6 na dianteira. A direção era feita por cremalheira e pinhão não assistidos.

O Chassi tinha uma trave central em aço e a carroçaria em fibra de vidro seguia o princípio da Lotus “Performance através do menor peso”, com o Esprit pesando apenas 953 kg. A aceleração de 0-97 km/h era de 6,8 segundos e a máxima atingia 222 km/h (18 mph), valores de fábrica, que os testes indicavam 0-97 km/h em 8 segundos e máxima de 214 km/h (133 mph).

O Esprit tinha vidros elétricos, o imenso para-brisa era laminado, desembaçador no vidro traseiro, pisca-alerta, cintos de segurança de dois estágios, espelhos com ajuste elétrico, e a falta de relógio, limpador no vidro traseiro e acendedor de cigarros eram omissões não comuns da época.

Com o Esprit, a Lotus entrava no mercado dos supercarros modernos, com seu design exótico, a produção se estendeu de 1976 até 2004, com suas várias versões.

O Esprit de James Bond


Don McLaughlan, então chefe de relações públicas da Lotus Cars, ouviu dizer que a produtora Eon estava comprando um novo carro para as filmagens de James Bond, no início de 1976. Ele dirigiu um protótipo do Esprit com a marca Lotus colada e o estacionou em frente aos escritórios da Eon nos estúdios Pinewood; ao ver o carro, a Eon pediu à Lotus que emprestasse os dois protótipos para as filmagens. As filmagens iniciais da sequência de perseguição de carros resultaram em sequências de ação decepcionantes. Enquanto pilotava o carro nas filmagens, o piloto de testes da Lotus, Roger Becker, impressionou tanto a equipe com seu desempenho do carro que, durante o resto das filmagens na Sardenha, Becker se tornou o dublê.


Como todos os carros de 007, o Esprit também tinha recursos para que Bond pudesse enfrentar todas as situações, e o roteiro pedia um carro que navegasse debaixo d’água. A produção preparou seis modelos para as filmagens: além do “Hero-Car”, três carroçarias (somente as carcaças) foram preparadas para a transição submarina, dois eram mock-ups sem motor para a tomada de entrada na água (lançado por um canhão de ar comprimido no píer) e saída da água (puxado por uma corda camuflada na areia), e outro carro foi preparado pelo engenheiro naval de Derby, Alex Leam, um submarino totalmente operacional, chamado de “Wet Nellie”, equipado com um motor construído pela Perry Oceanographics de Riviera Beach, Florida.


O nome faz referência à Little Nellie, um autogiro utilizado por Bond no filme You Only Live Twice, que por sua vez, recebeu este nome por causa da atriz britânica Nellie Wallace (*). Wet Nellie foi pilotado nas filmagens pelo ex-SEAL da Marinha dos EUA, Don Griffin.

Em outubro de 2013, o Wet Nellie foi a leilão, e arrematado por US$ 616,000 por Elon Musk, da Tesla, que tinha intenção de restaurar o veículo de modo a ter a capacidade de ser utilizado tanto na terra como na água, movido, claro, por motores elétricos.

O Lotus Esprit “Hero-Car” foi devolvido à Lotus depois das gravações, e reformado para o acabamento padrão e vendido. O suporte do relógio foi removido, os bancos e encostos de cabeça voltaram aos originais, o motor foi reparado e um emblema preto da Lotus foi recolocado. Um colecionador alemão acabou ficando com o carro por um longo tempo.

Da minha coleção



O Lotus Esprit branco é uma variação do modelo de lançamento, da Série HW Workshop: HW Garage, de 2015. O casting é trabalho de Ryu Asada, e adquiri esta mini no estado, fora da cartela, então tem alguns detalhes nos filetes laterais e na placa traseira. Ele tem apenas o logo Esprit na coluna traseira, no mais, reproduz as linhas limpas e belas do desenho de Giugiaro. 




O Wet Nellie foi reproduzido pela Hot Wheels em apenas uma edição, saiu na Série Hot Wheels Entertainment: The Spy Who Loves Me, em 2014, casting de Fraser Campbell, e desde então, não teve reedições.


Lotus Esprit Submariner






Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Lotus_Esprit_S1

https://en.wikipedia.org/wiki/Lotus_Esprit

https://www.imdb.com/title/tt0076752/?ref_=tt_mv_close

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Spy_Who_Loved_Me_(film)

https://www.supercars.net/blog/1976%E2%86%921980-lotus-esprit-s1/

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Lotus_Esprit_S1_(submarine)

(*) Nellie Wallace (1870-1948) foi uma artista britânica, atriz, dançarina, cantora, comediante e compositora que veio a ser uma das mais famosas e admiradas de seu tempo. Durante a II Guerra, criou-se o costume de apelidar as pessoas com sobrenome de Wallis ou Wallace de “Nellie”. Como o autogiro utilizado no filme de Bond You Only Live Twice era fabricado pelo ex-comandante da RAF Ken Wallis, ele recebeu o nome de “Little Nellie”; e o Esprit S1 submarino acabou sendo chamado de “Wet Nellie”.


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Alfa Romeo GTV6 3.0

 



Esta bela Alfa Romeo começou sua história em 1972 como um Notchback de três volumes (Berlina, em italiano), de quatro portas, com o nome de Alfetta (“Alfinha” em italiano), e seu nome vem de um carro do mesmo nome, o Alfetta 158/159, com que a Alfa Romeo corria na Formula Um em 1951. A referência se deve à configuração que ambos tinham, do câmbio/embreagem montado junto com o diferencial no eixo traseiro, conhecido como Transaxle, e a suspensão tipo De Dion, que otimizava o equilíbrio na distribuição de peso entre os eixos traseiro e dianteiro.

A maneabilidade do Alfetta era muito boa, devido ao Transaxle e à combinação com os braços em paralelogramo Watt’s, com discos de freio inboard, proporcionavam um bom equilíbrio e tração. Assim como no Alfetta original, a suspensão dianteira também era feita com barras de torção longitudinais, molas diretamente afixadas nos braços inferiores e amortecedores separados das molas.

Em relação à motorização, havia onze opções conforme a tabela abaixo:

Motor

Configuração

Cilindrada

Potência

Torque

Obs.

1.6

L4

1.570 cc

108 hp a 5600 rpm

105 lb-ft a 4300 rpm

 

1.8

L4

1.779 cc

120 hp a 4400 rpm

123 lb-ft a 4400 rpm

 

2.0

L4

1.962 cc

120 hp  4000 rpm

129 lb-ft a 4000 rpm

 

2.0

L4

1.962 cc

128 hp a 5400 rpm

131 lb-ft a 4000 rpm

 

2.0

L4 Turbo

1.962 cc

148 hp a 5500 rpm

170 lb-ft a 3500 rpm

GTV 2000 Turbodelta

2.5

V6

2.492 cc

158 hp a 5600 rpm

157 lb-ft a 4000 rpm

GTV6

3.0

V6

2.934 cc

183 hp a 6700 rpm

164 lb-ft a 4300 rpm

GTV6 3.0 South Africa

2.5

V6 Twin turbo

2.492 cc

230 hp a 5600 rpm

245 lb-ft a 2500 rpm

GTV6 Callaway

2.6

V8

2.593 cc

197 hp a 6500 rpm

199 lb-ft a 4750 rpm

GTV8, Autodelta Limited Edition

2.0

L4 Turbodiesel

1.995 cc

81 hp a 4300 rpm

119 lb-ft a 2300 rpm

Saloon Only

2.4

L4 Turbodiesel

2.393 cc

94 hp a 4300 rpm

145 lb-ft a 2300 rpm

Saloon Only

 

O Alfetta GT de 1974

Baseado no Alfetta Saloon, em 1974, Giorgetto Giugiaro reestilizou o carro para a configuração de cupê duas portas e quatro lugares, o Alfetta GT, com uma grade diferenciada, e design do teto em Fastback na traseira, inicialmente equipado com o motor de quatro cilindros em linha DOHC com 1.779 cc, cabeçote Cross-Flow e oito válvulas. Com a saída de linha dos Alfa Romeo GT 1300 Junior, 1600 Junior e do 2000 GTV, o Alfetta GT ganhou o status de uma linha da Alfa Romeo.


Em 1979, com algumas alterações, um motor revisado com novos comandos e avanço de ignição mecânico e a vácuo, o modelo ganhou a designação de Alfetta GTV 2000L. A Autodelta, braço esportivo da Alfa Romeo, apresentou uma edição limitada em 400 unidades para homologação no Grupo 4 da FIA, o Turbodelta. Equipado com o motor de quatro cilindros de 1.962 cc com um turbo KKK, levava a potência a 173 hp, e foi o primeiro carro de produção italiana e ser equipado com um turbo.


Reestilizado em 1980, tinha lanternas traseiras de uma só peça, para-choques de plástico em cinza, saídas de ar na coluna C e saias laterais, e o escudo triangular cromado da Alfa ganhou a cor preta fosca. O motor 1.6 foi descontinuado, e o modelo ficou conhecido apenas por Alfa Romeo GTV 2.0. O nome Alfetta deixou de designar o Saloon, mas permaneceu no cupê, que ganhou rodas de liga de 15 polegadas com pneus Pirelli Cinturato CN36 de série, ao invés das rodas de 14 polegadas anteriores.


Nesse mesmo ano, saiu o modelo Alfetta GTV6 2.5, equipada com o motor V6 de 2,5 litros da Berlina de Luxo Alfa 6, e o capô precisou de um ressalto para acomodar o sistema de alimentação do motor. Com a injeção de combustível Bosch L-Jetronic no lugar dos seis carburadores Dell’Orto do Alfa 6, o V6 ganhou muito em suavidade e facilidade de partida, além de melhorar os índices de emissões, que a Suíça e Suécia começaram a adotar em 1983. Este motor encontrou a sua verdadeira vocação debaixo do capô do Alfetta GTV, e a combinação motor/chassis foi ideal para alavancar a carreira esportiva do Alfetta.



O Alfetta (internamente designado Chassis Tipo 116) desenvolvido para as competições teve seu primeiro sucesso no Rally de San Martino de Castrozza, em 1974. Seguiu-se a consagração de quatro títulos no European Touring Car Championship, de 1982 a 1985; foi campeão no British Touring Car Championship em 1983, pilotado por Andy Rouse, e muitas outras vitórias com outros pilotos em Rallies da França e Itália. Um Alfetta GTV 6 pilotado pelo francês Yves Loubet venceu o French Supertouring Championship em 1983 e 1984, e o mesmo piloto conquistou a terceira posição no Tour de Corse de 1986, no Campeonato Mundial de Rally. Outro título do GTV 6 foi conseguido por Greg Carr e Fred Gocentas no Australian Rally Championship de 1987.

Capítulo Sul-Africano

O Alfetta GTV6 3.0 leiloado na Africa do Sul

A Automaker’s Rosslyn, de Pretoria, na África do Sul, em 1973 montava modelos da Datsun; e a partir de 1974, começou a montar modelos da Alfa Romeo na planta de Brits. Em 1982, inicialmente, eram montados os Alfetta GTV 6 2,5 totalmente produzidos na Itália, e logo começaram a montar o GTV 6 Turbo, com um turbo da Garrett e tomada NACA no capô. Estima-se que cerca de 750 unidades foram produzidas até o seu final em 1986. No ano seguinte, em cooperação com a Autodelta, foi apresentada a Alfetta GTV 6 3.0, e apenas 212 foram construídos para homologação para competições; sendo os últimos seis exemplares equipados com injeção de combustível.


A intenção era competir com os BMW 535i, com motor de 3,5 litros, e o primeiro Alfetta GTV 6 3.0 competiu na classe Lodge Group One International nas Duas horas de Kyalami, em 1983, conseguindo a vitória. Seguiu-se a Castrol Três Horas de Killarney, onde os Alfetta conquistaram o primeiro e segundo lugares no pódio. A injeção de combustível voltou a ter os seis carburadores Dell’Orto, que proporcionavam mais torque em baixas rotações do que picos de potência, e mesmo com relações mais curtas no câmbio, atingia 224,2 km/h de velocidade máxima.

Em dezembro de 2021, um dos 40 exemplares remanescentes do Alfetta GTV 6 3.0 foi leiloado  pela Creative Rides, de Johannesburg, e o cupê vermelho vibrante atraiu as atenções de 15.000 pessoas no leilão on-line, e acabou ficando nas mãos de um colecionador local, por 1,1 milhão de Rands (cerca de R$ 289.000,00 em agosto/2023)

Da minha coleção

Alfa Romeo GTV6 3.0 Hot Wheels

O Alfa Romeo GTV6 3.0 da Hot Wheels entrou na coleção em 2023, algumas miniaturas tem o casting muito bem feito, e combinam muito bem com os decalques e a decoração feita.

Adicionalmente neste caso, esta Alfa pintada na cor Rosso Alfa, traz as rodas L4, aplicadas pela primeira vez num carro da Mainline, e talvez, pela novidade, mesmo com rodas e pneus de plástico, o visual ficou bem caprichado. Ela saiu também na versão de cor branca, mas a vermelha é muito mais bonita, na minha opinião.





Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Alfa_Romeo_GTV6_3.0

https://en.wikipedia.org/wiki/Alfa_Romeo_Alfetta

https://www.timeslive.co.za/motoring/features/2021-12-09-watch-rare-alfa-romeo-gtv-6-30-auctioned-for-r11m/

https://www.dsf.my/2021/01/alfa-romeo-gtv6-came-with-a-3-0l-version-for-south-africa-only/