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terça-feira, 4 de abril de 2017

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO - POR QUE É TÃO DIFÍCIL - Parte 2 de 2

Nossos hábitos nos ajudam a ter um comportamento automático para as coisas básicas da vida, "economizando" nossa energia mental, já que o cérebro segue um padrão pré-estabelecido e não precisa "pensar" no que fazer.
O problema é quando um hábito começa a nos prejudicar, como beber quando se fica frustrado com algo que ocorre, ou comer uma barra de chocolate quando estamos com nossa auto-estima em baixa...
Como lidar com hábitos que pioram sua vida ao invés de melhorá-la?
Podemos mudar um mau hábito, ou ainda criar um novo, que nos livre do antigo. Mas é preciso ser realista, não dá pra mudar tudo de uma vez. Mudar ou criar novos hábitos leva tempo e dá muito trabalho.
Mas isso não deve ser um impedimento, senão nossa vida não vai ter melhorias que vão aumentar nossa qualidade de vida. Então, o que podemos fazer?
Primeiro, REGISTRE: faça duas listas: uma com hábitos que você quer criar e outra com hábitos que deseja eliminar. 
Segundo, PRIORIZE: Numere os itens das duas listas do mais importante para os menos importantes para você.
Terceiro, SELECIONE: um ou dois hábitos de cada lista para criar novo(s) e eliminar velho(s) e concentre-se neles até conseguir alcançá-los. Quando estiver satisfeito com o resultado, passe para mais um ou dois da lista.
Outro elemento muito importante para mudar nossos hábitos é o ambiente em que estamos. Será muito difícil largar de fumar se você está constantemente em lugares que as pessoas fumam, ou se tiver cigarros em casa. Livre-se deles, e evite ambientes ou companhias que tenham os hábitos que deseja eliminar!
Pessoas que desejam fazer atividades físicas vão para academias ou parques para se exercitar. Ficar em casa assistindo TV ou navegando na Internet não favorece mudar ou criar o hábito de realizar atividades físicas.
Muitos não conseguem seus objetivos porque não vêem resultados imediatos, e acham que não vão conseguir mudar. NÃO DESISTA!
É normal ter recaídas à medida que se esforça para mudar um comportamento arraigado durante anos. Ao contrário, concentre-se nas vezes que conseguir atingir sua meta. A paciência é a virtude que mais o(a) ajudará e vencer um mau hábito ou adquirir um novo.
Salomão, o rei sábio da Bíblia, disse: "Mesmo que o justo caia sete vezes, ele se levantará de novo" (Provérbios 24:16). Então, não importa quantas vezes caímos, mas sim quantas vezes nos levantamos de novo!
Nossas vidas estão em constante mudança, e precisamos nos adaptar a elas. Há situações em que não podemos evitar, como imprevistos da vida; e outras das quais não podemos fugir, pois são responsabilidades que assumimos para nós mesmos, como trabalho, família e amigos. Nosso comportamento é ditado por hábitos que temos, ou por princípios que estabelecemos como diretrizes para a vida.
Assim, é mais fácil e melhor mudar um mau hábito do que abrir mão de um princípio que rege nosso comportamento.

Referência: Revista Despertai, nº 4, 2016.
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/despertai-n4-2016-agosto/

terça-feira, 28 de março de 2017

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO - POR QUE É TÃO DIFÍCIL? Parte 1 de 2

Vivemos hoje num tempo de velozes mudanças na vida: a tecnologia, os costumes e estilos de vida, as empresas e os mercados se alteram rapidamente, exigindo de nós uma velocidade de mudança que muitos não estão conseguindo acompanhar.
Para os jovens, mudar é mais fácil, depois de passar pela adolescência - uma fase de grandes mudanças - eles ainda estão em transformação, formando sua identidade emocional, social e profissional; sendo mais maleáveis para se adaptar melhor a um cenário em transformação.
Já para alguém depois dos 30, 40 anos, com seus valores e comportamentos mais sedimentados, começam a ter dificuldade para assimilar essas mudanças e criar um novo comportamento de acordo com as mudanças que ocorrem em seu ambiente próximo.
Um dos grandes obstáculos para isso são os hábitos que desenvolvemos.
Hábito pode ser definido como um comportamento aprendido que é incorporado em nossa rotina. Nosso cérebro economiza trabalho quando repetimos regularmente certas atitudes ou comportamentos, tornando-os automáticos; assim ele não gasta energia para pensar sobre qual é o próximo passo naquele processo.
Um exemplo clássico é o processo de despertar e se arrumar para sair ao trabalho: acordar, desligar o despertador, levantar, fazer a toalete matinal, trocar de roupa, tomar café, sair. Depois de um mês fazendo isso, os processos ficam automáticos; exceto quando temos de escolher a roupa com que vamos hoje (no caso das mulheres, mais demorado...) em que gastamos um tempo maior para decidir o que combina com o que, para não pagar mico...
O hábito tem três componentes: o Gatilho, a Rotina e a Recompensa. Vejamos alguns detalhes sobre cada um deles:
GATILHO: É um evento (visual/sonoro/táctil - interno ou externo a nós) que o cérebro entende qual hábito deve selecionar para a sequencia automática a seguir;
ROTINA: Sequencia de atividades físicas, intelectuais ou emocionais pré-estabelecidas nas sinapses cerebrais que poupam a energia de escolher/decidir o próximo passo.
RECOMPENSA: Avaliação que o cérebro faz para ver se o processo automatizado vale a pena ser aplicado novamente no futuro.
Quanto mais esta sequencia é repetida, e a recompensa é confirmada como um bom resultado obtido, mais ela fica automática e o hábito vai ficando cada vez mais fortalecido, dificultando alterar o processo. Chegamos ao ponto em que apenas sendo expostos ao Gatilho, pulamos o processo da Rotina e focamos diretamente na Recompensa.
Os cães que Pavlov condicionou começavam a salivar quando ouviam o apito que indicava o fornecimento de alimento; e mesmo quando não recebiam a recompensa, salivavam apenas com o som do apito.
Será que somos diferentes dos cães de Pavlov?
Como nos comportamos quando ouvimos um "bip" do celular, indicando que chegou uma mensagem de e-mail, do Whatsapp, Messenger ou Facebook?
Quem será que enviou? Qual o "babado" que está rolando? 
Isso é uma verdadeira armadilha quando queremos mudar nossos hábitos, ou criar um novo comportamento necessário em novas circustâncias de nossas vidas.
Não é à toa que as situações que mais causam stress nas pessoas sejam aquelas em que há grandes mudanças em nosso universo pessoal: 
Morte do conjuge; divórcio e separação; prisão; morte de parente próximo; ferimento ou doença pessoal e casamento, nesta ordem, são as principais causas de stress, segundo um estudo feito pelos Drs. T. Holmes e R. H. Rahne — “Modern Maturity” (Maturidade Moderna).
São situações que exigem de nós novos comportamentos e novos hábitos, visto que nossas rotinas são drasticamente alteradas; se temos dificuldades para nos adaptar às novas situações, o sofrimento aumenta, até que desenvolvamos os comportamentos automáticos que nos trazem conforto e segurança, confirmando as recompensas desejadas de acordo com os novos "gatilhos" a que nos sujeitamos.
No próximo post, veremos como facilitar este processo e sofrer menos com as mudanças que nos atingem.

Referência: O Poder do Hábito, de Charles Duhigg.