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terça-feira, 1 de novembro de 2022

FORD MUSTANG PARTE II - PRIMEIRA GERAÇÃO: 1964 ½ - 1973

Mustang 1964 1/1 Conversível

Designado como Projeto T-5, chefiado por Donald N. Frey, mas supervisionado de perto por Lee Iacocca, a equipe levou 18 meses para colocar o Mustang na linha de montagem, e o primeiro exemplar, um conversível branco com interior vermelho, saiu rodando da fábrica em Dearborn em 9 de março de 1964.

O Mustang trazia um design renovador, com seu longo capô e traseira curta, a grade avançando além dos faróis, com o logo do cavalo galopante, lâminas dos para choques mais finos e elegantes, uma lateral bem esculpida sem cromados exagerados, sugerindo uma abertura de ventilação dos freios traseiros ou uma tomada de ar para carros esportivos com motor traseiro, as lanternas traseiras triplas; todo o seu visual era agradável de se ver em qualquer ângulo.

A receptividade do modelo foi tão grande, que virou matéria de capa das revistas Newsweek e Time, e logo em maio, já foi escolhido para ser o Pace Car Oficial das 500 Milhas de Indianápolis de 1964. Uma versão conversível foi especialmente adaptada para a função, pintada de branco com faixas azuis na extensão do capô e até a traseira. A Ford construiu 230 exemplares extras do pace-car entre conversíveis e hardtop. Os conversíveis eram equipados com o V8 de 289 cid e os hardtop com o V8 de 260 cid. Trinta e cinco conversíveis foram vendidos para concessionárias e 195 hardtops foram distribuídos em concursos de revendedores realizados em abril de 1964.

Mustang utilizado em Goldfinger

Além disso, um Mustang conversível 1964 ½ era usado por Tilly Masterson no filme de James Bond, Goldfinger, ajudando ainda mais a tornar o Mustang uma estrela no mercado. A Ford queria colocar um modelo fastback no filme, mas ela só teria esta versão disponível em setembro. As filmagens começariam em janeiro e terminariam em agosto; então foi usado um conversível e o Mustang ganhou uma fama cinematográfica logo em dezembro de 1964 quando Goldfinger foi lançado nas telas dos cinemas americanos. 

Várias revistas automobilísticas estamparam o Mustang em suas capas e dissecaram tudo o que se podia falar sobre o estilo e mecânica do carro, incrementando o desejo do americano comum para ter um deles na sua garagem. Denis Shattuck, editor da revista Car Life, tinha todas essas coisas em mente quando cunhou a expressão “pony car”, um apelido carinhoso para um carro que estava criando um segmento de mercado, o Mustang era um cavalo de menor porte em relação aos puro-sangue dos hipódromos ou outras raças de cavalos, mas veloz e ágil; assim como o carro tinha um porte menor em relação aos grandes sedãs comuns da GM, Ford e Chrysler; mas era ágil e veloz como os cavalos que lhe deram o nome.

Havia três motores disponíveis para o Mustang: um seis cilindros em linha de 170 cid (2,8 litros), com 101 hp; um V8 de 260 cid (4,2 litros) e 164 hp e um V8 de 289 cid (4,7 litros) e 210 hp. Os câmbios podiam ser de três ou quatro marchas manual (este somente acoplado ao V8 de 271 hp), ou um Cruise-O-Matic de três marchas automático. Com um peso de 1.182 kg (1.300 para o equipado com o motor 289 cid), tinha um bom desempenho e animava os preparadores para extrair mais cavalos com um pouco mais de trabalho.

A suspensão era tradicional, independente à frente com braços sobrepostos e um eixo rígido na traseira, solução de baixo custo, manutenção simples e robustez para suportar motores mais potentes nas preparações para as arrancadas de quarto-de-milha.

Havia diversos opcionais para escolher: diferencial de deslizamento limitado, direção hidráulica, freios com auxílio a vácuo, ar condicionado, console central, cobertura de vinil para o teto, diversos aparelhos de rádio, rodas e calotas especiais. Freios a disco opcionais vieram em 1965, e depois vieram os pacotes de conforto/acabamento e de desempenho, com molas mais duras, amortecedores de corrida, barras estabilizadoras, caixa de direção rápida e escapes duplos.

Para reduzir os custos de produção, diversos componentes mecânicos eram compartilhados com o Falcon e o Fairlane, mas o monobloco do Mustang era completamente diferente. Tinha um entre eixos menor, bitolas mais largas, a posição de dirigir era mais baixa, assim como a altura do carro, deixando-o mais esportivo.

Mustang 1965 Fastback

Para 1965, como já citado, o fastback foi lançado em 17 de agosto de 1964, e serviu de base para Carrol Shelby customizar o Mustang, a pedido de Iacocca, criando o Mustang GT350. Shelby substituiu os freios, eliminou o banco traseiro, trocou o capô do motor por um de plástico reforçado com fibra de vidro, rebaixou a suspensão dianteira, mudou a bateria para o porta malas para melhorar a distribuição de peso, e mexeu no motor 289 para render 306 hp a 6000 rpm, ao invés dos 271 hp normais trocando os carburadores  por um quadruplo Holley 715 CFM. A única cor disponível era carroçaria branca com faixas centrais azuis opcionais para simplificar a produção. Shelby construiu 34 exemplares deste GT350 com especificações para correr na SCCA, vencendo por três anos consecutivos na classe B-Production.

Mustang Shelby GT350

O motor de seis cilindros e 170 cid cresceu para 200 cid (3,3 litros) e a potência subiu para 120 hp; o V8 260 cid foi substituído por um V8 289 de duas válvulas por cilindro e 200 hp; outro V8 com  289 cid de quatro válvulas com 225 hp, mantendo o anterior 289 cid com 271 hp. Outras alterações incluíam o alternador no lugar do gerador, mudança do bocal de troca de óleo, integração do reservatório e bomba da direção hidráulica, melhor vedação da tampa de abastecimento do tanque, buzinas menores, maior área interna revestida com carpete, novas opções de acabamento para o interior, com novos painéis de portas com descansa-braços integrado, novas maçanetas, novo painel com cinco instrumentos, volante com revestimento de madeira, porta-luvas e novo console central opcional.

Mustang Coupe 1966

Mustang Fastback GT350 H 1966 - da locadora Hertz

Em abril de 1965 foi disponibilizado o pacote de equipamentos GT, apenas para os equipados com os dois carburadores quádruplos, onde constavam o painel com cinco instrumentos, freios a disco, barras estabilizadoras de maior diâmetro, caixa de direção rápida, escapes duplos com saídas pelo painel traseiro abaixo do para choque, faróis de neblina montados na grade central e faixas laterais inferiores.

Mustang Fastback 1967

Mustang Coupe 1967

A cada ano, o Mustang ficava maior mas não necessariamente mais potente. Facelifts na frente e traseira mantinham a identidade do Mustang, enquanto um V8 Big Block 390 cid com 320 hp apareceu na linha 1967. Outras alterações eram a coluna de direção retrátil, pisca-alerta para emergências, freios com sistema duplo, botões do painel que evitavam ferimentos em caso de impacto em acidentes vieram devido às normas de segurança da NHTSA (National Highway Safety Administration).

Mustang Shelby GT500 - 1967

A GM tratou de combater o Mustang com o Camaro e seu clone da Pontiac, o Firebird; e a Ford contra-atacava com o Mercury Cougar (clone do Mustang), posicionado num segmento mais caro e luxuoso, com uma nova frente e traseira, e acabamentos diferenciados. O Mustang GT350 H (o “H” era da locadora Hertz) foi uma edição especial que a Hertz disponibilizava no mercado para locação, e vários relatos dão conta de que estes Mustang eram alugados nas sextas-feiras, e voltavam na segunda com marcas de adesivos nas portas, além de outros sinais indicativos de terem participado de corridas no fim de semana; ganhando assim o apelido de “Rent-A-Racers”.

Mustang Shelby GT500 KR - "King of the Road" 1968

Em 1968, a lista de motores cresceu para um V8 Cobra Jet de 428 cid (7 litros) do Cobra roadster com 425 hp, mas amansado para 335 hp; e Shelby fez um upgrade no GT350 para um GT 500, e depois para o GT 500 KR (“King of the Road” -  Rei da Estrada); e mesmo com novos concorrentes, o GT 350 venceu novamente o Trans-Am Manufacturers Cup; além de ganhar o bi-campeonato do SCCA B-Production também pela segunda vez. Nos carros de linha, apenas pequenos detalhes como entradas de ar laterais, volante e tampa do tanque de gasolina foram redesenhados. Surgiram as luzes de posição laterais e cintos de segurança de três pontos nos bancos dianteiros.

Sobre a potência do Mustang GT500 KR, muitos alegavam que o valor declarado era menor do que a real, por causa das companhias de seguro, e calculavam que ele teria cerca de 400 hp. O KR fazia de 0-60 mph em 6,9 segundo e o quarto-de-milha em 14,6 segundos.

Mustang Boss 302 - 1969

Com o sucesso do Camaro Z/28 na categoria de 5,0 L na Série Trans-Am da SCCA desde 1967, e o Mustang com o motor Small-Block de 289 cid (4,7 L) e o de 390 cid (6,4 L) não se mostravam à altura dos carros da Chevrolet nas classes acima de 2,0 L (Trans-Am) e até 7,0 litros (NASCAR). Então, a Ford respondeu com o Mustang Boss em 1969 e 1970, equipado com o motor de 302 cid (4,9 L) e o Big-Block de 429 cid (7,0 L).

Mustang Boss 302, 1970

O V8 de 302 cid que equipava os Mustang Boss era bem diferente dos 302 padrões de linha. O small-block tinha paredes entre os cilindros mais fina e o bloco com muito mais teor de níquel. O motor V8 de 302 cid (4,9 litros) gerava 290 hp, e eliminou os anteriores 289 cid a partir de dezembro de 1967. O virabrequim era roletado de quatro mancais, cabeçotes com válvulas inclinadas, que podiam ser maiores do que as utilizadas no 351 Cleveland.

O câmbio tinha quatro marchas, direção com relação de 16:1, diferencial com relação de 3,5:1, amortecedores reguláveis na traseira, e as suspensões foram rebaixadas, os freios dianteiros eram a disco, as barras estabilizadoras tinham um diâmetro maior, os eixos e as torres de suspensões foram reforçadas também. O exterior vinha com capô dianteiro e traseiro em preto fosco, faixas laterais com a inscrição “302 C”, persianas no vidro traseiro semelhantes às do Lamborghini Miura, spoiler frontal, paralamas alargados e rodas Magnum 500 com pneus F60 de aro 15.

Larry Shinoda, que veio da GM, foi o responsável pelo estilo do Mustang Boss. Ele excluiu as falsas entradas de ar à frente da caixa das rodas traseiras; a carroçaria tinha diversos apliques aerodinâmicos, como o spoiler dianteiro e uma asa traseira, sendo o primeiro carro de produção a ter estes acessórios. Como curiosidade, certa vez, quando Shinoda foi questionado sobre o que estava fazendo com o Mustang, ele respondeu: “Estou fazendo o carro do chefe”, referindo-se a Semon “Bunkie” Knudson, que havia deixado a GM pela Ford e levou Shinoda para desenvolver um Mustang para as corridas da Trans-Am. “Boss”, além de significar “Chefe”, era uma gíria popular nos anos 1960 para “excelente” ou “muito legal”, então o nome acabou ficando para a versão que Shinoda estava criando.

Mustang Boss 302, 1970

A frente do Mustang Boss de 1969 era igual aos demais da linha, mas para 1970, os faróis foram deslocados para dentro da grade central, e o espaço foi ocupado por duas pequenas aberturas horizontais. A Ford ficou com o vice-campeonato em 1969 e conquistou a taça em 1970.

Mustang GT390 - 1968 - utlizado em "Bullit"

O mais famoso Mustang 1968 certamente foi aquele 390 utilizado nas filmagens de “Bullit”, com Steve McQueen interpretando Frank Bullit, atuando na que é considerada a mais emocionante perseguição do cinema de todos os tempos. Saiba mais sobre este Mustang no link:

https://leotogashi.blogspot.com/2016/12/carros-e-filmes-mustang-390-em-bullit.html

O Mustang de 1969 trazia quatro faróis, era maior e mais pesado, para acomodar os motores maiores debaixo do capô; com a suspensão dianteira levemente rebaixada, ficou muito mais agressivo visualmente. Tanto que a versão de 1970 perdeu os faróis que vinham na grade, para amenizar a “cara de mau”, que alguns executivos da Ford achavam que prejudicava as vendas. No entanto, as vendas de 1969 excederam as de 1970... A versão Fastback 2+2 foi renomeada SportsRoof, mantendo a mesma medida entre eixos desde que foi lançado, e o motor seis em linha de 200 cid (3,3 litros) se mantinha para o Mustang de entrada, mas havia um opcional de 250 cid (4,1 litros) seis em linha também. A gama de motores V8 ia aumentando, começando pelo 302-2V, e um opcional de 4 válvulas; um 351 cid (Windsor com 5,8 litros) de duas ou quatro válvulas; o 390 de duas válvulas deixou a linha mas o de quatro válvulas permanecia.

Algumas versões pouco conhecidas do público eram o Mustang “E”, basicamente um SportsRoof equipado com o seis cilindros em linha de 3,3 litros, um diferencial mais longo e um conversor de torque maior para o câmbio automático. Outra versão era o Mustang Grande, na configuração Cupê, teto revestido de vinil, com um pacote exclusivo de acabamento mais luxuoso no interior e estofamento quadriculado, relógio elétrico no painel, e um escape mais silencioso.

Mustang Boss 429 - 1969

Com o sucesso do Boss 302, surgiu na sua esteira o Boss 429, construído com o único propósito de homologar o motor ‘Semi-Hemi’ para as corridas da NASCAR. Para acomodar o enorme motor 429, as torres dos amortecedores foram deslocados para fora em uma polegada, e os braços em “A” da suspensão dianteira de corrida foram rebaixados em uma polegada. Vinha com spoiler frontal, para lamas alargados, dois espelhos de competição, rodas Magnum 500 cromadas de tala 7”, com os pneus F60 de aro 15, barra estabilizadora na traseira, freios a disco assistidos a dianteira, direção hidráulica, radiador de óleo, bateria posicionada no porta malas e diferencial autoblocante com relação de 3,91:1. 

 Apenas 857 exemplares dele foram feitos em 1969 e outros 499 em 1970, quando foi descontinuado. O ano de 1970 também marcou o fim do GT350 e do GT 500.

Mustang Mach I - 1969

Mustang Mach I - Cobra Jet 1969

Outra versão era o Mach 1, motorizado com os maiores V8 da linha, tinha acabamento especial no interior e encostos altos dos bancos dianteiros. Externamente, capô pintado de preto semi-fosco, com tomada de ar (falsa, exceto para os equipados com o V8 428 Cobra Jet), travas de segurança no capô dianteiro, dois retrovisores de corrida, faixas decorativas laterais, tampa de combustível pop-up, escapes duplos com ponteiras cromadas quádruplas. Vinha com uma suspensão revisada apara mais conforto e cerca de 25 kg de material isolante acústico para deixar o interior mais silencioso.

Anúncio do Mustang Mach I - 1969

O Mustang de 1970 recebeu poucas mudanças, a maioria refinamentos sutis, evitando ‘mexer em time que está ganhando’. Como já dito, os faróis quádruplos voltaram a ser duplos, as luzes de posição foram posicionadas nos para lamas, as tomadas de ar antes da caixa de rodas traseira foi eliminada, e as lanternas traseiras ficaram embutidas em recessos no painel traseiro. No interior, os bancos de encosto alto se tornaram padrão; um novo volante com formato levemente oval (supostamente para facilitar o acesso do motorista), e a chave de ignição foi para a coluna de direção, travando automaticamente o volante quando se desligava o carro. Na parte dos motores, o 390 foi descartado e os 351-2V e 4V cid Cleveland entraram no lugar dos antigos 351 Windsor. Este motor vinha com um comando mais bravo, com tuchos mecânicos, pistões forjados de alumínio e novos coletores de admissão. O Mach 1, Boss 302 e o Boss 429 se mantinham disponíveis no ano.

Mustang Conversível 1971

Mustang Grande 1971

Mustang GT 1971

Para 1971, o Mustang cresceu 8 polegadas no comprimento e 6 na largura, em relação ao modelo lançado em 1965. O Mustang passara a ser um Muscle-Car, além da classe dos ‘pony-car’ que havia criado, sofrendo as maiores alterações desde que foi lançado. Até o entre eixos aumentou para 109” (2,75m). O motor seis em linha de 200 cid foi substituído por um de 250 cid (4,1 litros) com 145 hp, assim como o  428 cid. A versão Boss 302 passou a ter o motor 351 cid (5,75 litros) com 330 hp, e a Boss 429 passou a se chamar Cobra Jet com 370 hp se manteve e ganhou uma outra versão Super Cobra Ram Air 429, com 375 hp. As versões Grande e Mach I se mantinham na linha. O destaque era para o Boss 351, que vinha com uma suspensão de competição, com amortecedores de duplo estágio na traseira, um cambio de quatro marchas com alavanca Hurst, freios dianteiros a disco com auxílio a hidrovácuo, escapamentos duplos e um diferencial com relação de 3,91:1.

A linha para 1972 recebeu apenas retoques cosméticos e não viram nenhuma mudança maior em termos de estilo, assim como a de 1973, prefigurando uma renovação mais drástica para 1974.

Debaixo da tutela de “Bunkie” Knudsen, o Mustang evoluiu com a demanda dos compradores para um carro maior e mais luxuoso, com um design mais “pesado”, que não combinava com o “pony-car” compacto, ágil e veloz. Apesar dos motores mais potentes, o aumento de peso prejudicou a performance de estrada do Mustang, e as vendas começaram a cair; com a concorrência interna do Ford Pinto e do Maverick. Adicionalmente, os preços da gasolina começaram a subir, os custos de seguro também, as leis sobre emissões, a eliminação do chumbo tetraetila – altamente poluente – reduziu sua octanagem, exigindo que os motores tivessem sua taxa de compressão reduzida, e a obrigatoriedade de adotar equipamentos de segurança colaboraram para dar fim na era dos Muscle-Cars. Lee Iacocca resumiu isso na frase: “O mercado do Mustang nunca nos deixou, nós é que o deixamos”.

DA MINHA COLEÇÃO

Mustang Fastback da Mira, em 1:18

Mustang Boss Trans-Am, da Replicarz 1:18

Shelby GT 500 KR, da road Signature em 1:18

Shelby GT 500 KR, da JADA Toys, em 1:18
Mustang GT Concept 2006, da Beanstalk Group

Mustang Mach III, da Maisto em 1:18


O Mustang Fastback 1965 azul com faixas brancas é da Mira, na escala 1:18, decorado com adesivos de corrida. O Shelby GT500 KR verde-claro com faixas brancas é da Road Signature, também em 1:18. Já o GT 500 KR azul com 'flames' é da JADA Toys, que reproduz carros tunados, e tem ótimo acabamento e detalhes. O Mustang Boss Trans-Am é da Replicarz, e o mais bem acabado, em detalhes de casting, decalques, cromados, rodas, faróis, e seu visual fica bem agressivo com a suspensão rebaixada para as corridas. O Mustang de 2006 com design renovado inspirado na versão de 1967 é o conceito apresentado pela Ford para alavancar as vendas do Pony-car, aproveitando a onda dos retrômobiles. ele foi feito pela Beanstalk Group, empresa licenciada pela Ford para produzir inicialmente estes modelos dentro da estratégia de marketing da empresa para diferenciar ao máximo até mesmo as reproduções oficiais dos carros Ford. O Mustang Mach III amarelo da Maisto foi um design vencedor que garantiu a sobrevida do Mustang quando a Ford teve intenções de tirá-lo de linha no início dos anos 1990.

Os mais numerosos são na escala 1:64, Hot Wheels, Greenlight, Johnny Lightning, M2 Machines, Majorette. Os Greenlight são temáticos, do seriado Walking Dead, Bullit e 60 Segundos; bem mais detalhados do que os da Mattell; assim como o Mach I 1970 da Johnny Lightning, com faróis e grade dianteira bem caprichada, e as rodas da época muito bem reproduzidas. A RAciong Champions reproduz o Boss de 1969, amarelo, com bom detalhamento, e decoração.

Os da M2 Machines vem com base, muito bem detalhadas e várias abrem as portas ou o capô. O modelo da Majorette abre as portas e tem a grade dianteira com o logotipo do Cavalinho Galopante muito bem reproduzida. 

Os modelos da GULF Racing, em azul e laranja, são dos mais procurados pelos colecionadores, e este primeiro HW que aparece abaixo se repete na foto conjunta da GULF Racing no final do post.


Hot Wheels: Boss 302 69; Custom 2012; Custom 2014 e Custom 2015.

Mustang Boss 320, 1970



Hot Wheels: GT 2015; 2005; Boss 302 69 e Concept 1962.

Hot Wheels: Coupe 65 Zamac; Dragster; FastBack 65 Blue e FastBack 65 Grey.

Hot Wheels: FastBack 65 Orange; FastBack 65 Red; FastBack 65 White e wsua versão customizada

Hot Wheels: FastBack 67 Blue; GT 67; GT Concept 2006 Police Car e Mustang II Concept 1963

Hot Wheels: Mach I 1970; Mach I 1971 Blue; Mach I 1971 Gold e FastBack 67 Tokyo Drift

Greenlight: Coupe 1967 Walking Dead; GT 390 Bullit e Shelby GT 500 Eleanor

Johnny Lightning: Mustang Mach I 1970

M2 Machines: Boss 1970; GT 350 66 e GT 350 65

Majorette: Mustang FastBack 

GULF Racing: Boss 69; Custom GT 2018; FastBack 2+2 66 e FastBack 67 


Custom Mustang Mudstanger, Matchbox

1969 Ford Mustang Boss 302, Racing Champions


Mustang Boss 302, Maisto




REFERÊNCIAS

https://www.imnpal.com/ford-mustang/

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang_II_(concept_car)?msclkid=5f025128c04111ecb770c28c473f092f

https://www.motortrend.com/news/from-concept-to-showroom-1965-ford-mustang-sketches-241873

https://themustangsource.com/forums/attachments/f761/181288d1472648185-1963-mustang-ii-concept-imag8037.jpg

https://www.cjponyparts.com/resources/who-invented-the-mustang?msclkid=f6bce887c03611eca2e3b0fc4c34bf5f

https://en.wikipedia.org/wiki/Joe_Oros?msclkid=b5e2e434c03511ecad92b6cec61e98d5

https://www.motortrend.com/features/one-off-the-mustang-ii-styling-exercise-that-set-world-on-fire/

https://www.curbsideclassic.com/blog/car-show-classic/roped-off-classic-1963-ford-mustang-ii-concept-the-hamtramck-falcon/

mustang?msclkid=f6bce887c03611eca2e3b0fc4c34bf5f

https://www.customponycars.com/pony-car-vs-muscle-car/

https://classicmustang.com/1964-mustang-information/

https://www.netcarshow.com/ford/1964-mustang/

https://en.wikipedia.org/wiki/Shelby_Mustang

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang_(second_generation)





quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O MUSTANG 390 DE FRANK BULLIT

Na mais eletrizante perseguição do cinema, Frank Bullit e seu Mustang 390 correm atrás de dois gangsters em um Dodge Charger R/T pelas ruas de São Francisco, e os 9 minutos e 42 segundos na edição final imediatamente se tornaram um clássico.
Dois Mustang e dois Charger foram preparados por Max Balchovsky, amigo de McQueen, em 5 semanas de trabalho. Motores retrabalhados, reforços na suspensão, molas e amortecedores de competição, não foram suficientes para que um dos Mustang se desintegrasse nos saltos nas ladeiras de São Francisco, e um dos Dodge foi destruído numa explosão quando se choca com um posto de combustível, no final da perseguição.
McQueen pilotou o Mustang em várias cenas, mas quando sofreu um pequeno acidente, o dublê Loren Janes acabou fazendo as cenas mais arriscadas. O Dodge era pilotado pelo dublê Bill Hickman atuando mesmo como um dos gangsters. Como o Charger tinha um motor Magnum de 7,2 litros e 375 hp, contra os 6,4 litros e 325 hp do Mustang, Hickman tinha de aliviar o pé para que o Mustang conseguisse acompanhá-lo em algumas tomadas.
As filmagens levaram três semanas, com as habituais refilmagens, há problemas com a continuidade: a lateral do passageiro do Mustang mostra danos bem antes dos choques que os causaram. O Dodge perde oito calotas nas ruas de São Francisco, e ainda assim, numa cena da estrada, ele aparece com a calota na roda traseira.
As tomadas de uma mesma cena em vários angulos, após a edição, dão a impressão que os carros percorrem diversas ruas, mas um Volkswagen acaba se sobrepondo em duas delas, assim como um Pontiac Firebird branco 1968, um Cadillac e outros carros se repetem nas tomadas. Uma das razões era que diversos carros estacionados nas ruas eram da Warner, para o caso do Mustang ou do Dodge perderem o controle, evitariam ressarcir os danos a muitos proprietários.
EM ESCALA
Os modelos da AutoArt, ERTL e Greenlight
Há três fabricantes produzindo o Mustang de Frank Bullit na escala 1:18 – a ERTL, a Greenlight e a AutoArt. Num primeiro exame, o modelo da AutoArt parece mais exato. Os espelhos retrovisores são redondos como no carro do filme (o da ERTL e o da Greenlight tem espenhos retangulares), e a parte traseira do retrovisor interno é preta (AutoArt e Greenlight) como no filme (o da
Mustang 390 AutoArt
ERTL é prateado). As maçanetas das portas no AutoArt e a fechadura são corretos, ao passo que no ERTL são ligeiramente diferentes; mas na dianteira, o ERTL reproduz corretamente a frente do carro, sem o friso cromado em torno dos faróis (AutoArt e Greenlight tem cromados), e não traz nenhum emblema (ERTL e Greenlight - característica de um carro de policial nos EUA), ao passo que o da AutoArt traz a palavra Mustang no capô traseiro.
Em todos os casos, os modelos abrem as portas, capô dianteiro e porta-malas, e as rodas dianteiras esterçam. O da AutoArt é mais detalhado, o compartimento do motor apresenta cabos de velas, mangueiras de água, filtro de ar e carburação detalhados, com decalques de fábrica; freios a disco dianteiros, suspensão detalhada e estepe no porta-malas. A grade dianteira em metal reproduz o padrão do carro do filme, e os frisos que emolduram as janelas são bem acabados, e trazem até os pinos de travas das portas. Os cintos de segurança são feitos de tecido e os terminais de travas são feitos de metal, e o interior é carpetado. Por sua vez, o modelo da Greenlight traz a figura de McQueen ao volante.
Mustang 390 AutoArt

O modelo da Greenlight e o da AutoArt


sábado, 31 de dezembro de 2016

Carros e Filmes - Mustang 390 em "Bullit"

O Mustang fastback 1968, na cor Dark Highland Green, era movido por um V8 Big Block de 390 cid (cubic inch displacement, ou deslocamento em polegadas cúbicas). As modificações necessárias para o filme foram feitas por Max Balchowsky, um amigo de McQueen em 5 semanas de trabalho. Retratando um carro dirigido por um policial, o Mustang teve seus emblemas removidos, inclusive o “cavalinho” na grade frontal, e os faróis de neblina.
Dois veículos foram preparados, e de acordo com McQueen, um deles praticamente se desintegrou durante os saltos nas ladeiras de São Francisco, apesar das molas reforçadas e amortecedores Koni na suspensão, e as barras de amarração extra no subchassi. Eles tinham números de chassi sequenciais: 8R02S125558 e 8R02S125559, e o de final 8 foi usado para as tomadas de ação, ao passo que o outro ficou para as tomadas internas, fotos e promoção do filme, e foi o que sobreviveu para contar a história. Balchowsky colocou um comando de válvulas de competição, usinou os cabeçotes aumentando a taxa de compressão, modificou o sistema de ignição para alto desempenho e os carburadores foram retrabalhados. As rodas eram as Torq Thrust, da American Racing, calçadas com pneus BF Goodrich Radiais. O detalhismo de McQueen o levou a instalar um volante Secura e refazer todos os bancos em couro preto com o tapeceiro Tony Nancy.
Em 1968, o auge da guerra de potência entre os muscle-cars levou a Ford a oferecer o novo motor V8 de 390 cid no lugar do small block de 289 cid (4,7 litros) e 315 hp. O novo motor exigiu diversas alterações na plataforma do Mustang, para acomodar o motor maior, aumentando a largura do carro em 6,5 cm e as bitolas em duas polegadas, de modo que a carroçaria rolava menos. O Mustang ganhou em estabilidade e o desempenho em curvas ficou muito melhor.
O motor V8 390 cid (correspondendo a 6.388 cc) tinha 325 hp, com um câmbio manual de quatro marchas, e os carros foram emprestados pela Ford Motor Company, para a Warner Bros, como parte de um acordo promocional. Tanto o motor, freios e suspensões foram profundamente modificados, para suportar os saltos nas colinas de San Francisco, que a produção imaginava que as filmagens exigiriam dos veículos. Inicialmente, a Ford cedeu dois Galaxies, para usarem nas cenas com o Mustang, mas com poucos testes, os produtores perceberam que eles eram muito pesados para fazer os saltos. Eles foram substituídos por dois Dodge Charger 1968, um azul (não R/T) e outro amarelo, equipado com o V8 Magnum 440 cid de 375 hp, cujos motores foram deixados como originais, mas as suspensões receberam vários ajustes para as performances dos dublês.
O planejamento das sequências indicava um máximo de 75-80 mph (121-129 km/h) para as velocidades dos veículos, mas em alguns momentos, chegou-se a 110 mph (180 km/h). Em muitas tomadas, usou-se o ponto de vista dos pilotos para os enquadramentos de cena, para dar aos espectadores a real sensação da perseguição.
As filmagens levaram três semanas, resultando em 9 minutos e 42 segundos de perseguição. Com as habituais refilmagens, há problemas com a continuidade: a lateral do passageiro do Mustang mostra danos bem antes dos choques que os causaram. O Dodge perde oito calotas nas ruas de São Francisco, e ainda assim, numa cena da estrada, ele aparece com a calota na roda traseira.
As tomadas de uma mesma cena em vários angulos, após a edição, dão a impressão que os carros percorrem diversas ruas, mas um Volkswagen acaba se sobrepondo em duas delas, assim como um Pontiac Firebird branco 1968, um Cadillac e outros carros se repetem nas tomadas. Uma das razões era que diversos carros estacionados nas ruas eram da Warner, para o caso do Mustang ou do Dodge perderem o controle, evitariam ressarcir os danos a muitos proprietários.
Quando McQueen pilota o Mustang, o espelho retrovisor interno reflete seu rosto, mas quando o dublê de McQueen, Loren Janes pilota, o espelho está virado para baixo.
Um dos dois Mustangs usados nas gravações acabou destruído após as cenas, mas o outro estava praticamente inteiro; e ambos foram vendidos a um funcionário da Warner Bros, Robert M. Ross. Quando o editor do site Mustang360º (www.mustangandfords.com) o contactou, depois de localizar o carro remanescente, Ross concordou em prestar algumas informações, pois estava firmemente disposto a não falar nada, devido às anteriores tentativas de outros jornalistas não resultarem em matérias fidedignas sobre o carro.
Robert sugeriu que falasse com Bill Norton, que era dono de uma loja de carros em North Hollywood, e que havia dirigido o Mustang algumas vezes. Bill disse que o carro não estava tão danificado como o outro que fez os saltos. “Era muito divertido de pilotar. Muito potente e arisco, também era muito barulhento, porque haviam removido todo o material de isolamento acústico. O pessoal do filme deve ter feito isso para gravar diretamente de dentro do carro as acelerações que ouvimos no filme”.
Bill ainda conta que Robert ficou com o carro por um ano ou mais, e depois o colocou à venda na Hemmings Motor News. “Ele foi vendido para um policial do leste, e foi enviado por trem, pois era mais barato do que transportar de caminhão”. Os faróis de neblina estavam numa caixa de papelão quando Robert comprou os carros, mas eles acabaram não indo para o novo dono.
Ninguém sabe o nome do segundo dono. Robert não forneceu o dado, e Bill não conseguiu lembrar o nome dele, nem tinha nenhum registro disso em  outras entrevistas que dera. Sabiam apenas que ele era da Costa Leste, e o palpite era que ele ficou com o carro por cerca de dois anos, após o que o atual proprietário o viu em um anúncio num jornal.
Em 1972 o carro foi adquirido pelo seu proprietário atual, com a condição de permanecer anônimo. Na época, ele tinha 24 anos de idade e fez o negócio de sua vida, ao pagar um “preço incrivelmente baixo” pelo Mustang Bullit. Hoje um empresário bem sucedido, não tem intenção de vender o carro, mas o editor do site conseguiu convencê-lo a dar informações sob a condição de manter o seu anonimato.
Ele forneceu diversos documentos, incluindo o cartão do primeiro proprietário (em nome de Robert Ross em 14 de dezembro de 1968) e o registrado em seu nome em 7 de março de 1978. Eles contém o VIN 8R02S12559, que corresponde ao número da documentação da Warner Bros, confirmando que este e um outro identico foram os carros enviados para o sul da California para as filmagens de Bullit.
Ele não fez nenhuma alteração no carro, a não ser trocar a alavanca de câmbio e o volante na época em que o comprou. Em uma ocasião em que ele dirigia o carro em uma tempestade, perdeu o controle e rodou com o veículo, danificando-o levemente. O carro tinha 40.000 milhas no hodômetro, e o compartimento do motor, o interior e a pintura estão como no original.
O próprio McQueen fez uma tentativa frustrada de compra em 1977, mas apesar de lisonjeado com a oferta, o dono não cogita em se desfazer do carro.
Em 1997, o editor do site Mustang360º conheceu Chad McQueen, filho de Steve, e este ficou muito interessado ao saber que o Mustang ainda existia. Chad ficou entusiasmado para fazer algo com o carro, e junto com o editor, tentou adquirir o carro, mas sem sucesso.
Um ano mais tarde, o Museu Automotivo de Petersen, em Los Angeles, planejou uma mostra comemorativa dos 30 anos de Bullit, com vários itens de memorabilia do filme. O contato do Museu até mesmo aventou a possibilidade de Jay Leno, que era membro do conselho, telefonar para o dono do Mustang.
No contato que fizeram, o dono não ficou muito satisfeito com as demandas sobre o carro, que havia sido transferido de lugar por duas vezes em 10 anos. Ele foi levado para a garagem de seu pai em 1990, e depois, foi levado para um haras da família no meio-oeste, onde ficou armazenado num celeiro. Enquanto esteve lá, um empregado da fazenda comentou com um entusiasta de Mustang sobre um fastback verde escondido na fazenda com uma história interessante. As suspeitas de que era o Mustang Bullit foram imediatas, e este fanático conseguiu fazer algumas fotos sem permissão. Assim que o fato vazou para o público, o dono removeu o carro de lá e o trouxe para sua garagem no Sudeste, onde ele recebeu o editor do site nesta ocasião. Ele agradeceu por manter sua identidade em segredo, e mais uma vez reforçou sua intenção de não considerar qualquer oferta para vender ou mesmo exibir o carro. O Museu acabou realizando sua mostra exibindo uma réplica do Mustang, de propriedade de Dave Kunz.
Em 2000, em novo contato do editor com o proprietário, este relatou que ele não era o único a saber da existência do Mustang. Os produtores do filme “As Panteras” o localizaram e queriam que a atriz Drew Barrymore tivesse sua personagem dirigindo o Mustang. Fizeram várias tentativas para convencê-lo a ceder o carro, enviando presentes e aumentando substancialmente a oferta em dinheiro; além de uma viagem a Hollywood, e até um jantar com Drew Barrymore. Porém, como sua privacidade é muito prezada, ele teve de ameaçar os produtores com um processo caso não deixassem de incomodá-lo com suas investidas. Ele argumentou que ainda manterá o carro em segredo, pois seu filho quer dirigí-lo, assim que puder tirar a licença de motorista.
No entanto, ele considera que num futuro próximo, ele poderá exibir o carro ao público, se e quando um museu oficial do Mustang for organizado. “Caso contrário” diz ele, “é ficar na minha garagem”.

Sobre o outro exemplar do Mustang, que ficou danificado, surgiu uma notícia no forum Vintage Mustang de que ele havia sido levado ao Mexico e ficado lá desde o final das filmagens, e que seu proprietário tinha intenções de transformá-lo numa réplica do Mustang GT 500 Eleanor. Fede Garza, que tem uma loja de distribuição de parafusos, teve acesso ao dono da oficina que iria transformar o Mustang, e o mesmo forneceu o número do chassi e a documentação que comprova a origem do carro.

Garza, então, decidiu olhar o carro por conta própria e ficou surpreso ao constatar que o número de chassi batia com o do Mustang usado no filme. Ele também encontrou os reforços estruturais nas torres dos amortecedores, alguns buracos onde provavelmente foram instalados equipamentos de filmagem e um diferencial Ford de 9”, outra modificação realizada nos carros do filme.
Além disso, o carro tem várias avarias, como o assoalho amassado e uma das longarinas trincadas, comprovando que foi bastante judiado.
Alguns participantes do fórum ficaram bastante entusiasmados com a possibilidade do carro ser o outro exemplar do Mustang Bullit, usado por McQueen, mas outros expressaram ceticismo, argumentando que pode-se muito bem forjar um número de chassi. De todo modo, aparentemente o dono desistiu de transformar o carro num clone do GT 500 Eleanor, e em vez disso, vai restaurá-lo para recuperar a forma que tinha quando as gravações de Bullit foram feitas.
Historicamente, isso pode ser um erro, pois veículos como este podem ter o seu valor aumentado no estado em que se encontram, pois trazem as marcas como cicatrizes de guerra, feitas por Steve McQueen ao pilotar o Mustang nas ruas de São Francisco.
Em 2018, a Ford deve apresentar uma edição do Mustang Bullit em comemoração aos 50 anos do lançamento do filme, no North American International Auto Show em Detroit, e no momento, estão sendo feitos preparativos para exibir o Mustang original que foi pilotado por Steve McQueen nas gravações de 1968. Depois de vários anos em que se proprietário permaneceu no anonimato, revelou-se que o carro pertence a Sean Kiernan, cujo pai Robert Kiernan Jr. o havia comprado em 1974 por míseros 6.000 dolares.

Ele mantém sua intenção de não se desfazer do Mustang, apesar de algumas estimativas o avaliarem em quatro milhões de dolares, quantia que os especialistas consideram que seria facilmente atingida caso fosse a leilão.
DODGE CHARGER – COADJUVANTE DE PESO
Derivado da plataforma do Coronet, o Charger foi uma resposta da Chrysler para ter um competidor à altura do Mustang da Ford. Com design elaborado por Carl “CAM” Cameron, que definiu o perfil da capota em fastback e os faróis escamoteáveis, o Charger começou a conquistar seu espaço no mercado.
Em 1967, o motor 440 cid “Magnum” (7.210 cc) foi agregado ao 361 que substituiu o 383 cid. Ele produzia 375 hp e era alimentado por um carburador quádruplo. Vinha com um câmbio Torqueflite de três marchas automático. Fazia de 0-60 mph em 5.2 segundos, atingia 136 mph (218 km/h). O comentário dos pilotos sobre o Dodge era “brutalmente rápido, com manejo inadequado”.
Em 1968 Richard Sias realizou uma reestilização que ficou conhecida como perfil “Coke Bottle” devido às curvas dos para-lamas traseiros. A frente e traseira foram idealizadas por Harvey J. Winn, com as lanternas duplas que identificam o ano-modelo.
Os motores eram o V8 318 cid (5,2 litros); o 383 que voltava à linha e um novo pacote de alta performance R/T (“Road/Track” sem o “and” entre as palavras) era de série para o motor 440 cid e opcional para o 426 cid. Bill Hickman trocou os pneus, colocando mais estreitos, para reduzir a estabilidade do Dodge, de modo ao Mustang poder acompanhá-lo mais facilmente; mas mesmo assim, em alguns momentos, tinha de aliviar o pé para não se distanciar demais do Mustang de McQueen.
Estes modelos foram os selecionados pela produção para as filmagens, e diversos reforços nas suspensões foram feitos para suportar os saltos e melhorar a performance em alta velocidade.
Mike (Phil Genge) e Phil (Bill Hickman) no Charger R/T

Pilotado por Bill Hickman nas ruas de São Francisco, fazendo o papel de um dos gangsters que começam a seguir o Mustang de Frank Bullit, passam de repente de caçadores para caça, e tem de acelerar forte para escapar do Mustang que insiste em permanecer no seu retrovisor. Indo para a estrada, os bandidos perdem o controle e acabam numa explosão quando se chocam com o posto de combustível à beira da rodovia.
O Dodge Charger remanescente das filmagens também foi utilizado como Camera-Car, em algumas tomadas, originalmente era amarelo, sendo pintado de preto pela produção. Foi vendido de volta para a Glendale Dodge, concessionária onde havia sido comprado; repintado de amarelo e depois recebeu outra pintura, em dourado, ao ser vendido na California em 1970. Bill Hickman (o dublê que pilotou o Charger), que participou na compra dos carros para a produção, relatou que adquiriram um azul e outro amarelo (este era R/T, VIN XS29L8B259549), e os dois foram repintados de preto.
Arnold Welch é um aficcionado dos carros MOPAR, e claro, dos carros da Chrysler. Ele havia tentado comprar um Dodge Charger em 1996, mas o dono não quis fazer o negócio. Cinco anos depois (2002), ele soube que havia três Dodge Charger 1968 da California sendo anunciados em Tucson, no Arizona, e foi até lá para ver os carros. Ele encontrou o Dodge amarelo, e argumentou com o vendedor que não era a cor original, e também que as rodas de 10 polegadas não eram originais. Conseguiu fechar o negócio por um preço abaixo do pedido e ao reformar o carro, retirando as forrações do porta-malas, encontrou vários furos que não deveriam estar lá. Encontrou também diversas outras perfurações no piso do passageiro, na soleira das portas e em outras áreas do carro.
Com 62,000 milhas, aparentemente, o vendedor desconhecia a origem do carro, buscando mais informações do veículo, não houve como confirmar sua origem pelo VIN (Vehicle Identification Number) pois a Warner Bros alegou que a documentação sobre o assunto havia sido perdida ou destruída. Os dados referentes ao carro existente são de que sua construção terminou em 15 de janeiro de 1968, sendo que as filmagens de Bullit começaram em abril de 1968; e o carro foi revendido em outubro de 1968.
Arnold restaurou o carro durante os anos seguintes e o levou para exibição no SEMA SHOW em outubro de 2011, como o “Mais conhecido dos Chargers”. Em janeiro de 2013 o carro foi colocado à venda por 1 milhão de dolares, mas não há informações se o carro mudou de dono.



BULLIT – O FILME
Filme de ação dirigido por Peter Yates e produzido por Philip D’Antoni. Estrelado por Steve McQueen, Robert Vaughn e Jacqueline Bisset. O roteiro foi escrito por Alan R. Trustman e Harry Kleiner; baseado no romance Testemunha Muda, de Robert L. Fish (cujo pseudônimo era Robert L. Pike), em 1963. Lalo Schifrin compôs a trilha original, inspirada na pontuação do jazz, marcada para metais e percussão. Robert Duvall faz uma ponta como um motorista de taxi que fornece informações para McQueen.
O filme foi feito pela empresa Solar Productions de McQueen, com seu então parceiro Robert E. Relyea como produtor executivo. Originalmente, os direitos para produção foram comprados pela produtora de televisão de Philip D’Antoni como uma “virada para a aposentadoria” de Spencer Tracy, que fizera vários filmes no papel de policial. O interesse de McQueen trouxe várias mudanças no roteiro, incluindo a adição de cenas de perseguição intensa. O diretor britânico Peter Yates entrou no projeto pois era um ex-piloto que trabalhara como chefe de equipe com Stirling Moss. McQueen era diretamente interessado no filme, e credita-se a ele o poder de persuasão para com a prefeitura de San Francisco para conseguir as licenças para as filmagens de dois carros disparando nas ruas da cidade a 100 milhas por hora.
Lançado pela Warner Bros-Seven Arts em 17 de outubro de 1968, o filme foi um sucesso de crítica e de bilheteria, depois de ganhar o Oscar de Melhor Montagem (para Frank P. Keller) e receber uma nomeação para Melhor Trilha Sonora. Os roteiristas Trustman e Kleiner ganharam o Edgar Award em 1969 promovido pela Mystery Writers of America para Melhor Roteiro de Filme. Bullit é notável pela cena de perseguição de carro pelas ruas de San Francisco, e é considerado um dos mais influentes da história do cinema; sendo incluída na listagem das “Melhores seqüências de edição de todos os tempos”. McQueen praticamente rodou todas as cenas da perseguição, pilotando seu Mustang na cola do Dodge Charger preto, que era pilotado por Bill Hickman, um dos melhores dublês para este tipo de trabalho. Há um relato não confirmado que McQueen capotou três vezes numa das curvas mais difíceis do trajeto, e acabou substituído por dublês nas cenas mais arriscadas, mas boa parte delas foi feita por ele mesmo.
O realismo das cenas foi conseguido com o uso da nova câmera Arriflex, um equipamento leve que deu ao diretor de fotografia William Fraker uma tremenda mobilidade e flexibilidade. As cenas que acompanhavam os carros em disparada eram feitas de um Corvette, que foi adaptado como Camera-Car.
Além do Mustang e do Dodge, Jacqueline Bisset, a namorada de Bullit dirige um Porsche 356B Cabriolet.
SINOPSE
Frank Bullit (Steve McQueen) é tenente da polícia de São Francisco, e junto com mais dois policiais, são designados por Walter Chalmers(Robert Vaughn), um político ambicioso, para proteger Johnny Ross (Pat Renella), uma testemunha que deporá na segunda feira contra sua organização criminosa. Ross é baleado no sábado, sob custódia dos policiais, e levado ao hospital, ainda sofre uma segunda tentativa de assassinato, que é frustrada por Bullit.
Perseguindo os assassinos com seu Mustang verde pelas ruas de São Francisco em alta velocidade, protagoniza uma das melhores sequências de perseguição automobilística do cinema. Ambos vão para a estrada e o Dodge Charger em que estão os criminosos acaba explodindo em um posto de gasolina, matando os seus ocupantes.
A trama se complica quando Ross morre devido aos ferimentos e se descobre que ele ligou para Dorothy Renick (Brandy Carroll) em um hotel na cidade vizinha de San Mateo. Os policiais encontram uma mulher estrangulada no quarto de Dorothy Renick, juntamente com a bagagem, passaportes, folhetos de viagem sobre Roma, e vários milhares de dólares em cheques de viagem feitas em nome de Albert e Dorothy Renick.
Chalmers confronta Bullit, querendo sua cabeça por Ross morrer enquanto estava sob sua custódia, frustrando seus planos de conseguir projeção política em cima da delação de Ross contra sua antiga organização criminosa.
Descobrem que o Ross baleado e agora morto é na verdade Albert Renick, um vendedor de carros usados de Chicago. Bullit conclui que Ross usou Chalmers para que Renick fosse morto em seu lugar, e depois matou a esposa dele para não deixar rastros.
Ross, com os documentos de Renick, tenta embarcar para Roma, mas o avião é interceptado na pista, obrigando Ross a fugir pela pista e dentro do terminal de passageiros numa tensa perseguição de gato-e-rato entre a multidão inocente.
Bullit consegue atirar em Ross, matando-o e deixando Chalmers de mãos vazias.
EM ESCALA
Mustang 390 - AutoAt, ERTL e Greenlight
Há três fabricantes produzindo o Mustang de Frank Bullit na escala 1:18 – a ERTL, a Greenlight e a AutoArt. Num primeiro exame, o modelo da AutoArt parece mais exato. Os espelhos retrovisores são redondos como no carro do filme (o da ERTL e o da Greenlight tem espenhos retangulares), e a parte traseira do retrovisor interno é preta (AutoArt e Greenlight) como no filme (o da ERTL é prateado). 

Mustang 390 - AutoArt
As maçanetas das portas no AutoArt e a fechadura são corretos, ao passo que no ERTL são ligeiramente diferentes; mas na dianteira, o ERTL reproduz corretamente a frente do carro, sem o friso cromado em torno dos faróis (AutoArt e Greenlight tem cromado), e não traz nenhum emblema (ERTL e Greenlight - característica de um carro de policial nos EUA), ao passo que o da AutoArt traz a palavra Mustang no capô traseiro.
Mustang 390 da AutoArt
Em todos os casos, os modelos abrem as portas, capô dianteiro e porta-malas, e as rodas dianteiras esterçam. O da AutoArt é mais detalhado, o compartimento do motor apresenta cabos de velas, mangueiras de água, filtro de ar e carburação detalhados, com decalques de fábrica; freios a disco dianteiros, suspensão detalhada e estepe no porta-malas. A grade dianteira em metal reproduz o padrão do carro do filme, e os frisos que emolduram as janelas são bem acabados, e trazem até os pinos de travas das portas. Os cintos de segurança são feitos de tecido e os terminais de travas são feitos de metal, e o interior é carpetado. Por sua vez, o modelo da Greenlight traz a figura de McQueen ao volante.


O Dodge Charger R/T na escala 1:18 é feito pela Greenlight e AutoWorld, ambos com otimo nível de detalhamento, abrem as portas, capô dianteiro e traseiro. O motor tem cabos de velas e o modelo da Greenlight reproduz o mecanismo de abertura com molas por baixo do capô dianteiro.
Charger R/T da Greenlight





O Mustang 390 da Greenlight na escala 1:64

O Dodge Charger R/T 440, Greenlight 1:64






REFERÊNCIAS