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domingo, 19 de março de 2023

Carros e Filmes: Batmobile The Animated Series


No início da Série Animada, Batman usava um Batmóvel semelhante ao do começo dos anos 1960, com uma grande face de morcego na frente do carro. Este Batmóvel foi criado e era mantido por Earl Cooper e sua filha Marva (no episódio “O Mecânico”); a pedido do Batman depois que seu primeiro Batmóvel foi destruído. Earl Cooper equipou o carro com todo tipo de recursos, como a turbina a jato, ganchos e cabos, assentos ejetáveis, sistema de navegação on-board, sistema de vídeo, lançadores de óleo contra perseguidores, lanças que se projetavam das rodas para se defender/atacar outros veículos; e o Batmóvel se tornou não só um belo carro para se ver, mas um mortal adversário a se enfrentar.

O Pinguim conseguiu rastrear as peças especiais que Earl estava comprando pela Wayne Enterprises, e invadiu sua oficina, e obrigou Earl a transformar o carro numa armadilha para Batman, sob ameaça de matar sua filha Marva. Earl conseguiu avisar Batman e alterar o mecanismo para não causar dano quando acionado. Batman consegue resgatar Marva e prender o Pinguim.


Earl constrói outro Batmóvel, aperfeiçoando os recursos do primeiro, incluindo um gerador de cortina de fumaça, um motor mais potente e a turbina a jato para superacelerações, e reversores para redução de velocidade, lançadores de mísseis; painéis reforçados com titânio, rodas de liga, modo escudo blindado e modo camuflagem, além do sistema computadorizado mais avançado para controle e comunicação com o veículo.

Seu design combina elementos já vistos em diversos Batmóveis, perfil baixo, capô longo com linhas retas, longas barbatanas lembrando asas de morcego, uma frente agressiva com uma grade que poderia ser dos anos 30 a 90. Ele lembra as proporções do Batmóvel de Tim Burton, inclusive o modo de escudo blindado, que protege o carro enquanto estiver estacionado nas ruas, replica o escudo que Tim Burton usou no seu filme.


A Serie Animada de Batman foi lançada pela Warner Bros em 1992, desenvolvida por Bruce Timm e Eric Radomski, originalmente exibida pela Fox Kids de setembro de 1992 a setembro de 1995, num total de 85 episódios. Após o final desta série, a nova temporada foi denominada The New Batman Adventures, com mais 24 episódios. A Série foi aclamada pelo público pelo tom soturno, com roteiros mais adultos e temas complexos, com o design da animação muito elogiado, trilha sonora orquestrada e atores famosos fazendo as dublagens, em destaque para o Coringa, feito por Mark Hamill, o Luke Skywalker, de Star Wars.

A Serie Animada também foi notável pela introdução de novos personagens no universo do morcego, especialmente Harley Quinn, como assistente do Coringa, e que se tornou popular, até ganhando um spin com Suicide Squadron (Esquadrão Suicida, 2016), e ganhou os quadrinhos com a série Birds of Prey (Aves de Rapina). Também a tenente Montoya e Harvey Bullock passaram a integrar o Batverso ao final dos episódios.

Da minha coleção

Batmobile da ERTL

BatCycle da ERTL

Bruce Wayne Car da ERTL

Os Batmóveis da Série Animada basicamente são da ERTL, que havia conseguido o primeiro licenciamento com a Warner Bros para comercializar os produtos. São dela o Batmóvel, o carro de rua de Bruce Wayne, com design semelhante ao do Cord, e a Batmoto com design aerodinâmico.

Hot Wheels "normal"

Hot Wheels com perfurações de balas

Da Mattel, tenho os Hot Wheels, creio que são de antes de 2010, o Batmóvel da Mainline que saiu em 2021; e outros dois com rodas especiais “normal”, e o outro com decais de furos de balas nas laterais da carroçaria. Estes, são do tempo em que eu não fotografava as cartelas, então não tenho informações de que série são, e não obtive dados da Web sobre estes modelos.

Batmobile Hot Wheels 1:50

Ainda da Mattel tenho o Batmóvel em escala 1:50, que saiu numa série com diversos outros Batmóveis, Tumbler (Black e Camouflated), BatPod e The Bat (estes três dos filmes de Chris Nolan), BatCycle, Batcóptero e a BatBoat (estes três últimos do Seriado de 1966).

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Batman:_The_Animated_Series_Batmobile

https://en.wikipedia.org/wiki/Batmobile

https://batman.fandom.com/wiki/Batmobile_(DC_Animated_Universe)

https://batmantheanimatedseries.fandom.com/wiki/Batmobile

https://batmantheanimatedseries.fandom.com/wiki/Earl_Cooper

quarta-feira, 16 de março de 2022

SHELBY COBRA (Roadster)

Shelby Cobra é a expressão mais conhecida do AC Cobra, vendido no mercado americano como Ford/Shelby AC Cobra, produzido desde 1962.

Como diversos fabricantes especializados britânicos, a AC Cars usava os motores seis em linha da Bristol, na sua pequena produção de roadster de dois lugares, denominado AC Ace. Construído artesanalmente, o chassi tubular de aço (desenhado por John Tojeiro para o seu próprio carro de corridas em 1952, e posteriormente adquirido pela AC Cars) composto por dois tubos de grande diâmetro com pesadas travessas frontal, central e traseira, recebia os painéis de alumínio moldados pelas “wheeling machines”, ferramentas para dar forma às chapas de alumínio, que eram então afixadas ao chassi. Tinha suspensão independente nas quatro rodas com triângulos inferiores e molas de lâminas transversais superiores. O motor era um projeto da BMW de antes da II Guerra, e por volta de 1960, já estava obsoleto. A Bristol decidiu então encerrar sua produção, substituindo-o pelo V8 da Chrysler de 331 cid (5,4 litros). A AC começou a usar um motor do Ford Zephyr de 2,6 litros em seus carros. John Tojeiro havia também desenhado a carroceria, com formas que lembravam a Ferrari 166 Mille Miglia.

AC Ace Bristol - 1959-61
A Inglaterra era um fértil campo para os pequenos fabricantes de automóveis, e diversos profissionais se encarregavam de customizar os pequenos roadster com motores mais potentes.

Ken Rudd, dono de uma revenda e piloto de corridas customizava os AC Ace na sua Performance Shop Ruddspeed, conseguindo certa fama junto aos aficcionados com os 37 exemplares que preparou para corridas. Na metade dos anos 1950,  ele instalava o motor Bristol 2.0 litros de seis cilindros em linha, com 120 hp nos AC Ace; e quando este motor parou de ser fabricado em 1961, ele passou a colocar o 2.6 litros do Ford Zephyr, conseguindo extrair dele 170 hp.

AC Ace Ruddspeed
Este modelo deve ter chamado a atenção de Carrol Shelby; e em setembro de 1961, Carrol Shelby escreveu à AC perguntando se poderiam construir um carro que pudesse receber um motor V8 americano. Com a concordância da AC, Shelby bateu às portas da GM para ver se podiam fornecer os motores para equipar os chassis da AC; mas a GM não queria criar um competidor para o seu Corvette, e recusaram o pedido de Shelby.

Entretanto, a Ford queria um carro à altura para brigar com o Corvette, e tinham um novo motor pronto para isso: o V8 de 260 cid (4,2 litros) de bloco pequeno, com paredes mais finas, preparado para alta performance.

Shelby Cobra CSX2000
A Ford cedeu a Shelby dois motores, e em janeiro de 1962, a AC Cars, em Thames Ditton, Surrey, instalou um deles no chassis CSX2000, emprestado num acordo pela Ford Britânica. Foram feitas as adaptações necessárias, e depois de testadas, o motor e a transmissão foram retirados e o chassi foi enviado por avião para Shelby em Los Angeles em 2 de fevereiro de 1962.

Em menos de oito horas, os mecânicos de Shelby instalaram o motor na oficina de Dean Moon, em Santa Fé, California; e os testes de pista começaram a ser feitos.

PRODUÇÃO

As alterações que a AC havia feito se provaram bem sucedidas, para adaptar o novo motor no chassi e uma atualização no design dianteiro da carroçaria. A mais importante modificação foi ajustar o diferencial traseiro para suportar o aumento de potência do novo motor. A instalação de freios in-board Salisbury 4HU ajudaram a reduzir o peso não suspenso (iguais aos aplicados no Jaguar E-Type); mas nas versões de produção foram instalados out-board para diminuir os custos. Na dianteira, a caixa de direção teve de ser deslocada para abrir espaço para o motor V8, que era mais largo do que o antigo 2,6 litros.

A AC exportava os carros completos, pintados e acabados (mas sem motor e câmbio) para a Shelby finalizar os carros em Los Angeles com os motores e câmbios da Ford Americana. Um pequeno numero de exemplares foi finalizado na costa leste por Ted Hugus, de Pennsylvania.

Cobra 289 - FIA Roadster
Os primeiros 75 exemplares do Cobra MkI (incluindo o protótipo) foram equipados com o Ford 260 cid (4,3 litros). Os restantes 51 receberam uma versão aumentada do Windsor Ford V8 de 289 cid (4,7 litros). No final de 1962, Alan Turner, engenheiro-chefe da AC Cars alterou a dianteira do carro para acomodar a nova caixa de direção de pinhão e cremalheira, mantendo ainda a suspensão com mola transversal.

O novo carro entrou em produção no início de 1963 e foi designado como Mark II. Foram produzidas 528 unidades do Mark II de 1963 até o verão de 1965, sendo que a última unidade do Mark II destinada aos Estados Unidos foi produzida em novembro de 1964.

Cobra MkII
Ao final de 1962, o novo Corvette Stingray da GM foi mostrado ao público, e o programa do Grand Sport prenunciava 125 unidades para competir diretamente na classe GT da FIA. A Ferrari tentava homologar a 250 LM, depois do “imbróglio” envolvendo a 250 GTO, em que a FIA antecipou a homologação para o comendador, com previsão de 100 unidades/ano; mas apenas trinta e seis vieram a ser feitos ao longo de três anos. Neste cenário internacional, os Shelby Cobra 289 cid dominavam a cena doméstica dos Estados Unidos (USRRC), perdendo apenas uma corrida em três anos.

Mas os resultados na classe GT da FIA eram diferentes, devido aos circuitos que tinham velocidades elevadas. A aerodinâmica dos Cobra os colocavam em desvantagem frente aos principais competidores.

Cobra 427
A solução de aumentar os motores para conseguir maior potência passou por um V8 de 390 cid e até um 427 com bloco de ferro foi considerado; mas havia pouco tempo para desenvolver um veículo de corrida competitivo. A linha de produção do Cobra estava lenta e disponibilizou um numero insuficiente para atender a homologação da FIA. A saída foi produzir a versão S/C (Semi-Competição), colocada à disposição com opções de corrida completos na rua. Enzo Ferrari estava tendo problemas para evitar a derrota de sua requisição para homologar a 250 LM na classe GT, e teve de se contentar com a classificação do modelo como Protótipo. Deste lado do Atlântico, a GM puxou o tapete do projeto Grand Sport, e apenas cinco chassis foram finalizados, frustrando os objetivos dos fabricantes americanos de participarem nas corridas.

Shelby começou o ano de 1964 correndo com um Cobra equipado com um motor Ford FE de 390 cid (6,4 litros) para o CXS2196; mas seu desenvolvimento não foi satisfatório, mesmo com os recursos que a Ford empenhou para tomar a coroa da Ferrari na classe GT da FIA. Ken Miles correu com o Mark II em Sebring e seu diagnóstico era que o carro era “inguiável”. Não terminou a corrida devido à quebra de amortecedor. Um novo chassi foi aprontado e designado como Mark III. O CSX2196 foi revisado para a corrida em Nassau, e a maior liberdade do regulamento permitiu que os Cobra corressem contra protótipos da Ford, Grand Sport da GM e o Lola Mark 6. Um motor V8 de 390 cid (6,4 litros) com bloco de alumínio foi preparado, mas o carro não conseguiu terminar a competição.

Cobra 427 1966


O novo modelo do concebido em colaboração com a Ford em Detroit. O novo chassi foi construído utilizando tubos de 102 mm de diâmetro na estrutura principal do chassis e de 76 mm nos demais. A suspensão contava com conjuntos de mola espiral e amortecedor. Os para-lamas foram alargados e a abertura do radiador ficou maior. O motor Ford 427 (7 litros) produzia 425 hp, levando o carro a 164 mph (262 km/h) no modelo padrão e 485 hp com máxima de 185 mph (298 km/h) no modelo de competição.

A produção do Mark III começou em janeiro de 1965; dois protótipos haviam sido enviados para os Estados Unidos em outubro de 1964. Apesar de ser um automóvel impressionante, o carro foi um fracasso financeiro e não vendeu bem. Na verdade, para economizar custos, a maioria dos AC Cobra 427 foram realmente equipados com um motor Ford de 428 cid (7,01 litros), um motor com curso mais longo e cilindros mais estreitos; um motor de custo menor, com uma vocação mais para estrada do que para pista. Calcula-se que cerca de 300 exemplares foram enviados para a Shelby nos Estados Unidos durante os anos 1965 e 1966, incluindo a versão de competição. Outras 27 unidades foram designadas como AC 289, e vendidas na Europa.


Infelizmente, o Mk III perdeu a homologação para a temporada de 1965 e não correu pela Equipe Shelby. No entanto, muitas equipes independentes usaram o Mk III em diversos campeonatos até a década de 1970, obtendo várias vitórias com muito sucesso nas competições em que participaram. Os restantes 31 exemplares não vendidos foram adaptados para uso em rua.

Um AC Cobra Coupe atingiu 186 mph (299 km/h) na autoestrada M1 em 1964, pilotado por Jack Sears e Peter Bolton durante os testes para as 24 Horas de Le Mans daquele ano. Comenta-se que o governo britânico foi levado a estabelecer o limite máximo de 70 mph (110 km/h) nas autoestradas do Reino Unido devido a este teste. Até então, não havia restrições de velocidade, embora funcionários do governo citassem a crescente taxa de mortalidade devido aos acidentes no começo da década de 1960 como motivação principal, a façanha da Equipe AC Cars acabou destacada nesta questão.

Designados pela sigla S/C de “Semi-Competição”, um exemplar original pode atualmente valer algo próximo de US$ 1,5 milhão, tornando-se um dos mais valiosos Cobra da História.

Shelby queria que os AC Cobra superassem os Corvette da GM, e com 500 libras (227 kg) a menos que o concorrente, o roadster venceu a Riverside International Raceway em 2 de fevereiro de 1963. Dave MacDonald, pilotando o CSX2026 ultrapassou um comboio de Corvettes, Porsches, Jaguares e Maseratis, gravando para sempre a primeira vitória histórica do AC Cobra. 

Em 1966, o chassi CSX 3015 S/C foi convertido num modelo especial chamado “Supersnake”, o “Cobra para por fim a todos os Cobras”. Originalmente era para fazer parte de um tour promocional pela Europa, um exemplar de corrida com escapamento, para brisas e para choques adaptado para rodar nas ruas. Motor, transmissão e freios eram os originais para pista, além da maior modificação que eram dois compressores Paxton.

Cobra Supersnake 427 Twinturbo - 1966

Shelby preparou outro modelo, o CSX 3303 e o deu de presente para o seu amigo e comediante Bill Cosby. Quando Cosby resolveu andar com ele, descobriu que era muito difícil manter o carro sob controle; e o devolveu para Shelby. Então, Shelby enviou o carro para um de seus distribuidores em São Francisco, S&C Ford na Van Ness Avenue. O carro foi vendido para Tony Maxey, que constatou os mesmos problemas que Cosby havia relatado, e numa ocasião, perdeu o controle do carro e caiu de um penhasco, mergulhando nas águas do Oceano Pacífico.

Shelby utilizou o CSX 3015 como seu carro pessoal por anos, em algumas vezes participando de corridas locais como a Cannoball-Run em Nevada, onde ele “acordava cidades inteiras, quebrava as vidraças, sofrendo de incêndio um par de vezes, mas terminando”. O CSX 3015 foi leiloado em Janeiro de 2007, no Collector Car Event de Scottsdale, Arizona, por US$ 5 milhões, um recorde na época para veículos fabricados nos Estados Unidos. 

Mais tarde, de olho nas corridas de Dragster em ¼ de milha, Shelby elaborou um kit chamado Dragonsnake, por US$ 8,000 para melhorar o desempenho do roadster, vencendo diversas corridas da NHRA com Bruce Larson ou Ed Hedrick ao volante do CSX2093. Cinco Dragonsnake foram construídos e três outros foram preparados por clientes.

Cobra Dragonsnake
A preparação incluía cabeçotes de alumínio e válvulas aliviadas em peso. Dutos de admissão e câmaras de combustão não eram polidos de acordo com as regras da NHRA para a classe Stock Sport. O comando podia ter maiores ou menores aberturas do que o especificado para o mercado. Shelby oferecia três níveis de preparação na carburação, desde um quádruplo simples no Estágio I, dois quádruplos a US$ 688 no Estágio II e os Weber no Estágio III, que equiparam a maioria dos carros Dragonsnake.

Cobra Dragonsnake
A suspensão dianteira e traseira eram modificadas, para que os pneus tivessem melhor contato com o piso, amortecedores Koni, pneus Goodyear Drag Slicks, diferencial 4,54:1, tomada de ar no capô, bateria instalada atrás do banco do passageiro, semieixos reforçados e santo-antonio homologado para a categoria.

Em 2011, o Cobra CSX2093, restaurado pela Ziegler Coach, de Los Angeles, foi a leilão pela Mecum Kissimmee, da Florida, e vendido por US$ 875,000.

Em contraste com tais valores, o AC Cobra foi um fracasso comercial na época, obrigando Shelby e a Ford a interromper a importação de carros da Inglaterra em 1967. A AC continuou a vender o AC 289 até o final de 1969, e outros modelos de sua linha até 1984. Ao encerrar suas atividades, o ferramental e a licença do nome AC foram comprados por uma empresa escocesa e licenciados para a Autokraft, de Brian A. Angliss, um revendedor de autopeças que começou a produzir réplicas do Cobra.

Pouco depois, Carrol Shelby entrou com uma ação contra a AC Cars e Angliss, pelos direitos de uso do nome Cobra para designar os carros que Angliss estava produzindo. Selaram um acordo que reconhecia Carrol Shelby como o fabricante e proprietário de registro de todos os automóveis AC Cobra nos Estados Unidos e que o próprio Shelby é a única pessoa autorizada a chamar seu carro de Cobra. Este caso é apenas uma amostra da febre de réplicas que tomou conta do mercado, com dezenas de pequenos fabricantes produzindo réplicas do famoso roadster e capitalizando a fama gerada pelo gênio criativo e empreendedor de Carrol Shelby.

Autokraft  AC MkIV - 1986

Brian Angliss deixou a Autokraft em 1996, e seus novos proprietários lançaram novas versões do “Cobra”, com motores supercomprimidos e carroçaria de alumínio e posteriormente em fibra de carbono. Em 2006 a AC Cars fechou sua operação no Reino Unido e mudou-se para Malta. Desde 2009, a AC licenciou a Gullwing GmbH da Alemanha para produzir o Mk IV, com carroçaria de compósito de alumínio e a AC Heritage de Brooklands, Reino Unido, produzindo o tradicional 289 e 427.

FALSIFICAÇÃO DOS COBRAS

Em 1993, o Los Angeles Times expôs um esquema de Carrol Shelby para “falsificar” seus próprios carros. Com o preço dos 427 originais subindo em disparada, Shelby havia declarado, sob pena de perjúrio, ao DMV (Departamento de Veículos Motorizados – órgão do governo responsável pelo registro de veículos e emissão de licenças de fabricação) que possuía 43 dessas licenças, de chassis de carros não-finalizados durante a operação da empresa no passado. Uma investigação confirmou que a AC Cars nunca havia fabricado tais chassis com tais numerações declaradas por Shelby. Apenas 55 Cobras 427 tinham sido originalmente produzidos a partir de um pedido inicial para um lote de 100 veículos.

Shelby havia se aproveitado de uma brecha no sistema da California, que permitia a obtenção do registro para um veículo a ser fabricado apenas com uma declaração escrita, sem o número de identificação do veículo que deve ser lançado na base de dados do DMV, ou com o declarante apresentando um veículo real para a inspeção do órgão. Shelby admitiu, mais tarde que o chassi fora fabricado em 1991 e 1992 pela McCluskey Ltd. Uma empresa de engenharia em Torrance, California, e não eram autênticos chassis originários da AC Cars.

A CONTINUIDADE DOS COBRAS

Desde o final dos anos 1980, Carrol Shelby, através da Shelby Automobiles, Inc.; e empresas associadas construíram o que são conhecidos como “Carros de Continuação”, como sequência autorizada dos carros Cobra originais da AC. Produzidos em Las Vegas, Nevada, estes carros mantêm o estilo e a aparência geral de seus antecessores dos anos 1960; mas são equipados com tecnologia moderna. Inicialmente, todos queriam uma continuação dos Cobra 427 S/C, que seguiam a codificação CSX4000, após o último exemplar produzido com o numero de série CSX3560 na década de 1960.

Shelby Cobra 289 - CSX8000
Estes exemplares da série CSX4000 foram concluídas a partir do chassis construído por McCluskey Ltd., bem como outras partes novas e motores Ford recondicionados.

Devido ao valor do veículo, diversos veículos “extras” surgiram ao longo dos anos, e alguns até mesmo compartilhando o mesmo número de chassis. Como a disponibilidade de peças não era tão farta, os carros foram montados com peças de diversos fornecedores, que ainda produziam estas partes, voltadas para o mercado “vintage”. A produção dos chassis CSX4001 a CSX4999 levou cerca de 20 anos e dependeu de diversos relacionamentos com fornecedores para serem completados.

Todos os modelos Cobra produzidos estão disponíveis agora como continuações. Em 2009, o CSX4999 foi produzido, encerrando a série 4000. A produção seguiu com os números de série CSX6000 e a versão 289 FIA (Leaf Spring) é reproduzida como CSX7000 e o carro de rua leva a numeração CSX8000.

A maioria das continuações é fabricada em fibra-de-vidro, mas alguns exemplares são pedidos com carroçaria de alumínio ou em fibra de carbono. Como não há como homologar o carro segundo as normas atuais (impacto e airbags) o Cobra é vendido com o chassi sem a mecânica para montagem final pelo comprador.

Em 2004, no Salão Internacional do Automóvel da América do Norte, em Detroit, a Ford lançou um conceito modernizado do AC Cobra. O Ford Shelby Cobra Concept era uma tentativa da Ford para trazer de volta os carros esportivos com espírito “retrô”, que estavam na memória do público na década de 1960, incluindo o Ford GT40 e a quinta geração do Ford Mustang.

O PRIMEIRO SHELBY COBRA BATE RECORDE EM LEILÃO

AC Cobra CSX2000

Em agosto de 2016, o primeiro Shelby Cobra foi a leilão pela RM Sotheby’s, alcançando o valor de US$ 13,75 milhões (cerca de R$ 70,26 milhões no câmbio de mar/2022). Com chassi CSX 2000 fabricado em 1962, o modelo superou a marca obtida em 2012 por um Ford GT40 de 1968, com US$ 11 milhões (R$ 56,21 milhões).

DA MINHA COLEÇÃO


O Shelby Cobra 427 é da ERTL na escala 1:18, bem reproduzido em detalhes. Na cor azul com largas faixas brancas, o longo capô se abre para exibir o Big Block Ford de 7 litros, pela boca frontal se vê o radiador, e os minúsculos para choques. A frente completa com os faróis e lanternas, e nas laterais, os grossos escapamentos com a saída logo à frente da caixa de rodas traseira. As pequenas portas sem maçanetas se abrem; o interior espartano mostra os assentos, volante de três raios, painel com diversos relógios, alavanca de câmbio e pedais completam o visual. As rodas tem a porca central “knock-off” e massivos pneus da época. As dianteiras esterçam ao girar o volante.

A traseira exibe as pequenas lanternas, para choques um tanto exagerados, em relação aos dianteiros; o capô traseiro não se abre. Há o bocal de abastecimento do tanque no paralama direito e um roll-bar atrás do assento do piloto. O para brisa com moldura cromada vem com pequenos quebra-ventos nas laterais, para sóis no topo e limpadores cromados.

Cobra Roadster, Hot Wheels, Mainline, 1995

O Roadster da Hot Wheels em 1:64 abre o capô, e o detalhamento padrão para a escala. Está um pouco judiado, adquirido ‘no estado’ num encontro de miniaturas; mereceria uma reforma/customização e rodas mais adequadas.
Em 2024 saiu o Roadster, no novo casting, desde 2020, que não abe o capô, na Serie HW Rolling Metal, sem pintura, como nas edições para o Wal-Mart. O chassi é de metal, e vem com rodas de plástico, mas com este novo design.

Shelby Cobra 427 S/C, Serie HW Rolling Metal, 2024



O Roadster azul claro é da Majorette, da Serie Racing Cars, remete às cores da GULF Racing, famosa escuderia de John Wyer, que venceu as 24 Horas de Le Mans com os GT40 em 1968 e 1969, mas não traz o logotipo da GULF, obviamente por não ter o licenciamento da marca. O casting é muito bem feito, e ainda abre o porta malas, incomum, pois o que mais vemos é a abertura do capô dianteiro. As rodas tem um bom desenho, apesar de não reproduzirem o estilo usado nos anos 1960.





terça-feira, 11 de janeiro de 2022

PONTIAC FIREBIRD TRANS-AM

Pontiac Firebird Trans-Am 1970
A segunda geração do Firebird Trans-Am foi apresentada tardiamente em 26 de fevereiro de 1970 (os demais modelos foram lançados em 18 de setembro de 1969), e permaneceu até 1981. Problemas de engenharia atrasaram o cronograma, e muitos consideram como ano-modelo 1970 e meio, enquanto os exemplares fabricados até o novo modelo ser comercializado saíram sem a designação de ano/modelo, pois eram do ano-modelo 1969, mas fabricados já em 1970. Esta geração dos Firebirds teve apenas a configuração coupé; os conversíveis voltaram apenas em 1989.

Compartilhando a plataforma com o Camaro, o design da frente era bem característica, com destaque para as duas aberturas de grade, agora com os faróis montados fora dela, diferentemente da geração anterior. A linha do teto tinha uma caída direto para o final do porta-malas, permanecendo como um detalhe marcante por um longo período dos Firebird. Este novo design trazia um largo “B-Pillar”, até 1975, quando os contornos da janela traseira passaram a avançar um pouco para a lateral.

O adesivo do "Pássaro de Fogo" no capô do Trans-Am

O Pontiac Firebird Trans-Am de 1973 é amplamente reconhecido como um dos mais "musculosos" Firebird's jamais construídos. Baseado na segunda geração que foi lançada em 1970 e permaneceu até 1980, o '73 vinha com o adesivo no capô dianteiro, rodas com detalhes hexagonais, painel completo com toda instrumentação de um puro-sangue, spoiler dianteiro e traseiro, extratores de ar nos paralamas dianteiros, volante NK-3 Fórmula com raios perfurados e o detalhe do capuz sobressaindo do capô dianteiro, que vibrava a cada aceleração do enorme V8 com 455 polegadas cúbicas.

Com 250 hp e 370 "foot pounds" de torque, era como se fosse um 'testamento' da atitude rebelde da Pontiac, diante dos anos que Detroit teve que resignar sob as estritas normas federais de emissão de gases dos enormes V8 que equipavam os esportivos americanos.

Literalmente, um "fritador de pneus", fazia os amantes da marca evocarem os famosos motores de 389 e 421 polegadas cúbicas dos anos 1960, quando a Pontiac reinava com os stock cars nos circuitos da NASCAR.

Os SD-455, como eram denominados, tinham o bloco especialmente reforçado, cárter seco, bielas e pistões forjados, comando especial, na configuração mais preparada, produzia 310 hp. Fazia o quarto-de-milha em 13,54 segundos a 104,29 milhas por hora.

Apenas 252 exemplares foram produzidos em 1973, 72 deles com câmbio de 4 marchas e 180 com transmissão automática.

Além das novas cores Buccaneer Red e Brewster Green, veio com um novo design da frente e tinha disponível um kit de adesivos opcional para o capô do motor, exclusivo para as versões Trans-Am; justamente com o adesivo Trans-Am bem maior do que o do ano anterior.

O interior era basicamente o mesmo de 1972, mas com novo estofamento dos bancos e das laterais das portas. Também foi ajustado para atender todas as especificações de segurança e emissão de gases para o ano de 1973. Havia reforços internos de aço nos para-choques e nos para-lamas.

O motor V8 d 455 cid

O motor do Trans-Am de 1973 era um V8 de 455 cid no básico L75 com 250 hp a 4000 rpm e 370 lb/ft a 2800 rpm; e um opcional Super Duty LS2 também com 455 cid mas que gerava 290 hp a 4000 rpm e 395 lb/ft de torque a 3600 rpm.

Havia um opcional denominado "Radial Tuned Suspension", que trazia mais conforto ao rodar, e melhorava o desempenho nas curvas. O kit incluía rodas de 15 polegadas com pneus radiais.

Os números de produção do ano cresceram em relação aos anos anteriores, com o L75 SD-455 chegando a 3.130 com transmissão automática e 1.420 com câmbio manual; o opcional LS2 SD-455 atingiu 180 exemplares com transmissão automática e apenas 72 com câmbio manual.

PONTIAC FIREBIRD CUSTOM 67

O Pontiac Firebird Custom 67 de Brendom Vetuskey, e o modelo correspondente da Hot Wheels

Brendon Vetuskey sempre foi apaixonado por carros de alto desempenho, e teve diversos carros, até chegar ao Pontiac Firebird 67, na famosa cor Vedoro Green com teto de vinil preto. Mas o carro começou a enferrujar e ao tentar repará-lo, descobriu mais e mais pontos enferrujados que no fim parecia mais um queijo suíço do que um carro.

Já que precisava mexer na carroçaria, começou por alargar os para lamas para acomodar as novas rodas e fez duas entradas de ar para resfriar os freios traseiros.

Depois de ficar por sete meses esperando pela pintura, resolveu deixar o carro sem pintar, com a chapa aparente, apenas aplicando um verniz para não enferrujar mais.

Como designer, poucos meses antes de adquirir o Pontiac, ele havia sido contratado pela Mattel para projetar novos modelos de Hot Wheels. E chegou o dia em que ele desenhou o seu Pontiac na escala 1:64, com todos os detalhes que havia feito no seu carro de verdade: os paralamas alargados, as rodas US Mags Bandit, o motor LS do Corvette, a suspensão DSE e tudo o mais.

O modelo da Hot Wheels faz parte de uma linha de carros denominada "Zamac", em que a carroçaria vem sem pintura, apenas com um verniz, e eventualmente, com decoração de faixas ou 'flames'. O Firebird de Brendon entrou nesta linha, e como o original, tem um círculo preto nas portas, o spoiler traseiro do modelo Trans-Am 69 e o topo dos paralamas dianteiros pintado de preto fosco; vem também sem o capô do motor, mostrando o topo do motor LS Turbocomprimido do Corvette com os dutos de ar e cabeçotes especiais.

DA MINHA COLEÇÃO

O Firebird da ERTL em 1:18

O Firebird Trans-Am de 1973 branco é da ERTL em 1:18, e traz uma versão do “Pássaro de Fogo” das lendas indígenas americanas, capô dianteiro com o topo da caixa de filtro sobressaindo, com a inscrição SD-455 indicando o V8 de 455 cid que o equipava, traz os apliques de para-lamas, com rodas estilo colmeia e pneus com as inscrições Firestone e Wide Oval nas laterais. Constam saídas de ar nos para-lamas dianteiros logo atrás da caixa das rodas, e um spoiler na tampa do porta-malas.

Cofre com o motor V8 455 cid

O cofre do motor traz o V8 razoavelmente detalhado, há a mangueira do filtro de ar e da água para o radiador, assim como o servo freio, e algumas polias e correias da bomba d’agua e alternador, mas nenhum outro cabo.

Firebird 67 - Hot Wheels

Custom 67 de Brendom Vetuskey


Firebird Twin Turbo 70

Firebird Trans-Am 400 de 1971

Firebird Trans-Am 1973 com várias decorações

Firebird Trans-Am 1977 com teto T-Top

Firebird 93

Na escala 1:64, temos Pontiac Firebird de várias gerações. Os Hot Wheels são os mais numerosos, e comparecem com muitas versões e decorações diversas. O Firebird de 67 com motor 400 cid; o 67 Custom de Brendom Vetuskey; o Firebird 69 Trans-Am azul; os Firebird 70 Twin Turbo branco e azul; o Firebird Trans-Am 400 de 1971; os Firebird Trans-Am de 1973 em várias decorações, inclusive com o “Pássaro de Fogo” das lendas indígenas; o Firebird de 1977 com teto T-Top e o Firebird 93.

Firebird 1988 - Greenlight 1:64

Firebird Trans-Am 77, do filme "Smokey & Bandit - Greenlight 1:64

Da Greenlight, nesta escala, temos o Firebird vermelho de 1988, que abre apenas o capô do motor; e o Trans-Am 77 preto do filme “Smokey & Bandit”, com o “Pássaro de Fogo” no capô, que se abre.

Firebird 1968 - M2 Machines 1:64

Da M2 Machines, temos o Firebird 1968 na consagrada cor Vedoro Green, mas equipado com o V8 400 cid e preparado com o Blower. A cartela vem com um jogo de rodas e pneus adicionais para trocar conforme o gosto do colecionador.

REFERÊNCIAS

https://www.hotrod.com/articles/hot-wheels-designer-built-firebird-made-toy/

https://en.wikipedia.org/wiki/Pontiac_Firebird