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quarta-feira, 4 de outubro de 2023

’67 Shelby GT500 (Mustang Shelby GT500)

O Shelby GT 500 clássico na cor branca e faixas azuis

O Shelby Mustang é uma variante de alta performance do Ford Mustang, construído pela Shelby American de 1965 a 1967, e depois assumida pela Ford Motor Company de 1968 a 1970.

Carroll Shelby estava bem envolvido com a Ford pelo fornecimento dos motores para os seus Cobra Roadsters, e Lee Iacocca pediu a ele que fizesse uma versão esportiva do Ford Mustang. “Eu realmente não queria fazer isso”, confessa Shelby, “porque não achava que poderia fazer um carro decente com o Mustang”. Por insistência de Iacocca, Shelby fez uma grande reengenharia – transformando o Mustang em um dois lugares de manuseio tenso. O GT350 original que estava equipado com o motor do 289 Cobra logo se juntou ao GT500 de bloco grande e modelos conversíveis. Cerca de 14.000 Shelby Mustangs foram construídos de 65 a 70. Os preços para eles hoje chegam a US $ 50.000 no mercado de colecionadores.

Shelby GT350 – 1965-1966

O GT350 de 1966

O GT500 de 1967

Os Shelby GT350 de 1965-66 eram equipados com o V8 Windsor de 289 cid (4,7 litros) HiPo K-Code com 271 hp, que depois de receber modificações, entre elas a instalação de umm enorme carburador Holley quádruplo de 715 cfm (Cubic Feet per Minute – pés cúbicos por minuto), produzia 306 hp a 6000 rpm e 329 ft-lb de torque a 4200 rpm. O câmbio era Borg-Warner T10  de quatro marchas manuais e Shelby modificava o cabeçote, sistema de escapamento duplo lateral, e instalava os enormes tambores do Ford Galaxie nas rodas traseiras, e discos Kelsey-Hayes nas dianteiras. As rodas eram as Cragar Shelby de magnésio fundido de 15”, com tampas centrais cromadas, com um “CS” estilizado, e tinham o estepe no lugar do banco traseiro, configurando ser um carro de apenas dois lugares, para atender às normas da SCCA como um “Carro-Esporte”.



O GT350 de 1965

Todos os carros de 1965 eram pintados de Wimblendon White, com faixas laterais na cor Guardsman Blue, e poucos exemplares receberam as largas faixas duplas azuis que iam do capô, passavam pelo teto e terminavam na traseira do carro. Alguns dados informam que dos 562 modelos de 1965 apenas 157 tinham esta configuração.

Estes modelos não eram fáceis de dirigir, nem muito confortáveis, pois suas especificações eram para correr segundo as regras da SCCA, e foi campeão por três temporadas seguidas na Classe B-Production. Já o GT350 de 1966 era mais confortável, pois mantinha o banco traseiro, ainda que apertado; podia ser encomendado com cores diversas opcionalmente, e até a transmissão automática era disponibilizada. Esta tendência se manteve nos modelos dos anos seguintes, com os carros ficando maiores, mais pesados e mais confortáveis, perdendo sua esportividade e competitividade nas pistas.

Os GT350 e GT500 de 1966 recebiam muitas modificações em relação aos Mustang de fábrica, e com o afastamento de Shelby, a Ford assumiu a produção dos Shelby Mustang de 1968 a 1970. Eles eram comercializados como Shelby GT 350, perdendo o nome “Mustang” , e podiam ser adquiridos em outras cores, como Azul, Preto, Verde e Vermelho. Outras modificações incluíam a substituição das saídas de ar na coluna traseira por uma janela triangular; tomadas de ar laterais para os freios traseiros, uma caixa de transmissão opcional SelectShift automática de três velocidades, bem como um compressor Paxton. Neste ano, os modelos tinham os escapamentos saindo na traseira do carro e não nas laterais.

Os primeiros 252 GT350 de 1966 eram todos Fastbacks K-Code, especialmente para conversão da Shelby, e recebiam uma nova série de identificação, não necessariamente na ordem do número da Ford. A produção atingiu 1.373 exemplares, incluindo dois protótipos e quatro Shelby preparados para corridas de Dragsters. Para ajudar na escala de produção, a Ford, que tinha participação majoritária na Locadora Hertz, persuadiu a empresa a comprar 1.000 exemplares, incluindo dois protótipos; e era comum os clientes alugarem os Shelby na sexta feira, participarem de corridas no fim de semana e devolverem os carros na segunda com os pneus carecas.

Shelby GT350 e GT500 1967




O GT350 com motor 289 cid (4,7 litros) vinha com o kit de alto desempenho (COBRA), produzindo 306 hp a 6000 rpm, e 329 lb-ft de torque e o GT500 foi adicionado à linha, equipado com o V8 FE Series 428 cid (7,0 litros), com dois carburadores quádruplos Holley de 600 cfm; produzindo 355 hp a 5400 rpm e 420 lb-ft de torque a 3200 rpm. Com Shelby começando a ter problemas financeiros, a Ford decidiu encerrar o acordo com Shelby e em maio de 1967, assumiu a produção dos GT350 e GT500, fechando as instalações de Los Angeles. A frente e a traseira ganharam um novo design, ficando mais agressivos e diferenciando os Shelby dos Mustang normais,

O GT500 "Little Red"

O primeiro GT500 tinha o chassi 0100; o 0131 foi um dos únicos com carroçaria Coupe, e ficou conhecido como “Little Red”, protótipo de um Mustang direcionado para o estado da California, que comprava 20% de todos os Mustang e Thunderbird produzidos num ano. Lee Grey era o gerente de vendas da Ford para o sul da California, e ao ver o Shelby GT500 Coupe vermelho numa apresentação da Ford, convenceu Lee Iacocca a usar a Shelby para fazer um carro customizado para a California. A maioria deles era equipada com o V8 Small Block de 289 cid, dois carburadores duplos e uma caixa de câmbio C-4 automática.

As alterações visuais incluíam faróis de neblina, travas DZUS no capô dianteiro, tomadas de ar à frente da caixa das rodas traseiras, spoiler traseiro e lanternas do Thunderbird 1965. Faixas laterais identificando o modelo “GT/CS”; as cores eram as disponíveis para o Mustang de 1968, e as partes em fibra-de-vidro eram feita pela A.O. Smith, de Ionia, Michigan, a mesma que produzia as carroçarias em fibra do Corvette para a Chevrolet.

Não havia notícias do destino deste exemplar, mas ele foi redescoberto em 2018, mais de 50 anos depois; rastreado pelo VIN, pelos muitos proprietários de o tiveram, foi achado num campo aberto em Weatherford, Texas. Sua designação inicial era “GT/SC”, de Sport Coupe, mas acabou sendo denominado GT/CS.

O outro GT500 coupe foi apelidado de “Green Hornet EXP-500”, construído pela Shelby em abril de 1968, baseado num GT/CS, ele recebeu um V8 428cid CJ Big-Block com injeção Conelec, um câmbio de seis marchas automático, suspensão traseira independente, freios a disco nas quatro rodas, e decoração especial. Craig Jackson, Chairman e CEO da Barret-Jackson Auctions era o proprietário dele, e no Leilão de Scottsdale, em 2013, foi ofertado por US$ 1,8 milhão, mas não foi arrematado, apesar de sua cotação no mercado de colecionadores estar nos US$ 2,5 milhões.

O GT35- Conversível, que não passou do protótipo

Shelby construiu um conversível com o chassi 0139, em 1967, mas ficou no exemplar único do protótipo, e a versão nunca chegou ao mercado. Um exemplar Fastback 1967 foi equipado com o motor V8 427 FE do Ford GT40 de corrida, que produzia 650 hp, e ficou conhecido como “Super Snake”. O carro podia atingir mais de 240 km/h, e numa demonstração da Goodyear dos pneus Thunderbolt, pilotado pelo próprio Carrol Shelby, bateu na marca de 274 km/h. O carro foi arrematado no leilão da Mecum em Indianápolis, em 2013, por US$ 1,3 milhão.

Shelby construiu 26 unidades do Mustang Coupe, K-Code para correr no Grupo 2 da FIA, no SCCA, classe A-Sedan e na Trans-Am Series

Shelby GT350 e Shelby Cobra GT350 (1967)

Um facelift no nariz do Shelby deixou mais avançado, e os faróis de milha instalados na grade, assim como o emblema “Shelby GT350” deu mais agressividade ao design, diferenciando mais os Shelby do Mustang “normal”. Havia duas aberturas no início do capô que levavam ar fresco ao compartimento do motor. Shelby instalou lanternas traseiras sequenciais do Cougar 67 e um spoiler na tampa traseira, e as entradas de ar à frente da caixa das rodas traseiras eram funcionais para refrigerar os freios. As rodas de 15” tinham dez raios, calçadas por pneus radiais com o logo da Goodyear nas laterais. O motor era um V8 com bloco de ferro, 289 cid (4,7 litros) com 306 hp a 6000 rpm, e 329 lb-ft de torque; o carburador único era um Holley quádruplo, o câmbio de quatro marchas manuais tinha embreagem a seco de disco único. Uma caixa de três marchas automática era opcional. Acelerava de 0-60 mph em sete segundos e atingia 140 mph (230 km/h).

Shelby Cobra GT350 (1968)

Para 1968, o nome “Cobra” foi aplicado em ambos os modelos; o GT350 vinha com o V8 302 cid de 230 hp; e o GT500 vinha com o Big Block V8 de 428 cid que a Ford disponibilizava para os Interceptor da Polícia dos EUA, com um carburador quádruplo e 360 hp a 5400 rpm e 420 lb-ft de torque a 3200 rpm. Ainda em 1968, Shelby apresentou o GT500KR (King of Road), com o mesmo V8 428 cid com declarados 355 hp, mas testes posteriores indicaram que o motor produzia 435 hp. Estes vinham com tampas das válvulas em alumínio gravadas com “Cobra Le Mans”, referindo-se às vitórias da Ford sobre a Ferrari em Le Mans de 1966 e 1967.

Shelby GT350 Hertz (1966)

O GT350 Hertz

Estes 1000 modelos foram disponibilizados pela Ford para a Hertz alugar na sua frota, e após o término do contrato, eles retornariam para a Ford, para serem reformados e vendidos ao público como “GT350H”. A maioria deles era na cor preta, com faixas douradas Le Mans e nas laterais, embora poucos saíram na cor branca com listras azuis. Os primeiros 85 carros estavam equipados com transmissões manuais de quatro marchas e a Hertz os anunciava como carros “Rent-a-Racer” (Alugue um Corredor”). Além dos pneus gastos na devolução, relata-se que alguns modelos tinham sinais de soldas de barras de proteção. Um número não confirmado de unidades também era equipado com transmissões automáticas.  

Shelby GT500KR (1968)

Iniciando a produção em abril de 1968, já na fábrica da Ford, o GT500KR (King of the Road – O Rei da Estrada), o Mustang recebia o motor FE 428 cid conhecido como “Cobra Jet”, por isso ele ficou conhecido também pelo nome de The Cobra GT500KR.

Os anos 1969-1970



Os Shelby GT deixaram de ter a designação “Cobra” para 1969, sendo denominados simplesmente Shelby GT350 e Shelby GT500; recebendo um facelift que acompanhava os Mustangs do ano, crescendo 4 polegadas no comprimento, com alguns modelos aumentando até 10 polegadas. As decisões da Ford aumentavam, ao passo que as de Carrol Shelby diminuíam sobre o estilo dos Shelby GT. O GT350 recebia agora o V8 de 351 cid, e Shelby encerrou seu contrato de cooperação com a Ford no verão de 1969.

O ano de 1970 não teve nenhum exemplar Shelby produzido, mas as unidades do ano anterior foram remarcadas no VIN como de 1970, soba supervisão do FBI. As únicas alterações que sofreram era, o spoiler dianteiro e duas listras prestas no capô, além das alterações relativas à lei das emissões para aquele ano. O GT500 teve o carburador modificado (assinalado com “ed” na sua etiqueta; e os distribuidores de ambos os modelos foi alterado para uma versão de 1970. Um total de 789 Shelby (não informados números de cada modelo) receberam estas alterações (re-VIN).

O MUSTANG ELEANOR DE “60 SEGUNDOS”

É o único Mustang a receber crédito como personagem de um filme, Gone in 60 seconds, de 1974, refilmado por Jerry Bruckheimer em 2000.

Da minha coleção

O Mustang GT 500E da Shelby Collectibles, na escala 1:18, é o modelo licenciado pela Touchstone Pictures, e reproduz com grande fidelidade as linhas clássicas do Mustang, com todas as modificações feitas para o filme.

O Mustang Eleanor, da Shelby Collectibles, na escala 1:18


A frente modificada, com os faróis deslocados para o centro e abaixo da grade, e as faixas avançando pelo capô, os apliques na carroceria e as rodas especiais indicam um carro de alto desempenho. A miniatura abre as portas e o capô dianteiro, que ao abrir revela a boa reprodução do motor, com cabos de vela, radiador especial, correias nas polias e as traves de reforço das torres de suspensão, e a bateria. O item discrepante são os cabos de velas, em que as fotos do carro real indicam que são vermelhos, e no modelo são azuis.

Muitos detalhes fiéis ao do filme


Abrindo o porta-malas, encontramos o cilindro de NOS (Nitrous Oxide System) com um desenho um tanto diferente do carro real; passando ao interior do modelo, temos os bancos em couro, os pedais customizados, o volante com aro de madeira e o painel de instrumentos. A alavanca de câmbio original tem o pomo de cambio com um botão vermelho para acionamento do NOS, mas o modelo em escala traz uma alavanca tradicional, sem este detalhe.

A primeira vez em que o Shelby GT500 surgiu na linha dos Hot Wheels foi em 2008, na Série Modern Classics, com design de Jun Imai, baseado na versão do Mustang Eleanor, do filme “60 Seconds”. Este casting tinha a gravação GT-500 na base, separado com um hífen, e em setembro de 2009, na Série 2010 New Models, A Mattel lançou outro casting, com um capô redesenhado e algumas pequenas diferenças.





O novo casting é bem mais detalhado e foi baseado no Shelby GT500 que Carrol Shelby preparava para a Ford em 1967. Este é o modelo que entrou agora na coleção, na cor Metallic Olive Green. Saiu na Série Hot Wheels Garage: Ford, número 1/20, base de metal, rodas RRC com pneus de borracha, com as faixas White Rally.

'67 Shelby GT500, Hot Wheels

O Hot Wheels branco com faixas azuis é um Shelby 1967 GT500, teve as rodas customizadas da AC Custon, detalhamento de faróis, lanternas e escapamentos, fica bem mais caprichado com pouca coisa. Em comemoração aos 60 anos do lançamento do Mustang, a Mattel lançou a série Mustang 60th, com cinco modelos variados do Mustang, entre os quais o ’67 Shelby GT500, uma na cor branca e outra preta, com a mesma decoração.

'67 Shelby GT500, Hot Wheels, Serie Mustang 60th


'67 Shelby GT500, Hot Wheels, Serie Mustang 60th





GT350 1965, da M2 Machines

GT500 1966, da M2 Machines

O Shelby GT350 de 1965 é da M2 Machines, na cor branca e faixas azuis tradicionais, abre o capô e as portas, tem rodas especiais e pneus de borracha. O outro GT350 na cor Verde também é da M2 Machines, mas do ano de 1966, e abre somente o capô; ambos têm a base de plástico onde estão afixados.
1965 Shelby GT 350, Majorette



A Majorette lançou uma coleção especial em 2025, e o Shelby GT 350 é uma mini muito bem detalhada, vem num case com base e caixa de acrílico, com o nome do carro na base.

A Greenlight faz o Mustang Eleanor na escala 1:64, e reproduz fielmente o design criado para o filme.

O Mustang Eleanor da Greenlight, em 1:64





sábado, 18 de fevereiro de 2023

FORD MUSTANG PARTE III – SEGUNDA GERAÇÃO: 1974-1978

O Mustang de 1974

Lee Iacocca já estava insatisfeito com os rumos que o Mustang estava seguindo nos últimos anos, e a crise do petróleo provocada pelos países da OPEP justificaram uma nova geração para o Mustang. Porém, nesta tentativa de fazer um downsize, o Mustang II, introduzido na metade de 1973 como ano-modelo 1974, saiu pior do que a encomenda. Apresentado dois meses antes da crise do petróleo de 1973, tinha como objetivo combater os cupês esportivos subcompactos tais como o Buick Skyhawk, Oldsmobile Starfire, Pontiac Sunbird, Chevrolet Monza, e os importados, como o Toyota Celica, Datsun 240Z, Mazda RX-3 e o Capri, da Ford Europe. Inicialmente, era para ser montado na plataforma do Maverick, mas acabou sendo feito na plataforma do Ford Pinto. Era bem menor que o de anos anteriores, e até menor do que o original de 1964, e no entanto, mais pesado por conta dos equipamentos de redução de emissões e da legislação de segurança.

Mustang Mach I - 1974

Mustang 1975

Motorizado com um quatro cilindros de 2,3 litros (feito em Taubaté), e um V6 de 2,8 litros (do Capri europeu, feito na Alemanha), eram as únicas unidades disponíveis; o único ano em que o Mustang não tinha um V8 na linha. Também não teve a versão conversível pelos próximos 12 anos; o Mach I ainda permaneceu (este somente na carroçaria Fastback), mas despencou do V8 429 cid para um V6 de 170 cid (2,8 litros) e 105 hp. Muitos ficaram chocados com estas medidas, mas funcionaram a contento: o Mustang  II fazia mais de 20 mpg (milhas/galão) e vendeu 385.000 unidades em 1974.

As configurações eram um cupê, designado como Hardtop, e um hatchback, com uma boa variedade de opcionais, como a Rallye, que trazia diferencial autoblocante, suspensão mais firme, escapamento mais livre, rodas e pneus especiais, volante revestido em couro; além de itens individuais como ar-condicionado, direção assistida, teto revestido de vinil, alarme antifurto e caixa de câmbio automática motivaram os americanos a fazer do Mustang II um sucesso.

Mustang Ghia 1975

O ano de 1975 teve o retorno do V8 de 302 cid (5,0 litros), entretanto, gerava apenas 122 hp, devido à adoção do catalisador para adequação às normas antipoluição. Com a aquisição do Estúdio Ghia pela Ford, surgiu uma versão de acabamento Silver Ghia do Mustang, feito na carroçaria do Hardtop, com o teto revestido de vinil e equipado com o motor V6 do Mach I. Trazia uma larga coluna traseira com um apequena janela lateral no estilo dos Lincoln e Cadillac.

O posicionamento do Mustang como esportivo passava agora a um compacto de luxo para quem deseja ter prazer em dirigir, e opcionais condizentes com essa postura eram o teto solar, forração em veludo, apliques de madeira no interior, relógio digital, radio AM/FM estéreo, entre outros.

Apesar do marketing da Ford, a imagem esportiva do Mustang ainda pesava, e era necessário que pelo menos uma versão mantivesse o espírito original do Mustang, e 1976 viu a chegada do Stallion (Garanhão) e o Cobra II. O Stallion tinha apenas modificações estéticas, mas o Cobra vinha na carroçaria hacth com grandes spoilers dianteiro e traseiro, o vidro lateral traseiro tinha uma máscara como nos anos 1960; o capô tinha um scoop para captação de ar, e o cavalinho foi substituído por uma Naja, pois a expressão “Cobra” designa esta espécie de serpente.

Mustang Silver Stallion - 1976

O motor 302 subiu para 134 hp, o que melhorava um pouco o seu desempenho, e oferecia a opção de câmbio manual. Para 1977 a esportividade do Mustang continuou a ser resgatada, mas as mudanças não foram suficientes para manter o mesmo nível de vendas. Surgiu uma opção de teto parcialmente removível (tipo Targa), como os concorrentes como Corvette, Camaro e Firebird ofereciam na época; para compensar a ausência de um legítimo conversível na linha. O King Cobra vinha para reforçar o lado esportivo do Mustang, mas a Ford já preparava a terceira geração do Mustang para um mercado que superava as limitações da crise do petróleo de 1973, e buscava novamente carros com melhor desempenho, e se dispunham a pagar por isso.

Foram anos sem muito entusiasmo para modelos esportivos, e o Mustang pagou o preço de ficar no limbo, com motores de baixa potência e poucas versões em comparação às da primeira geração.

REFERÊNCIAS

https://www.imnpal.com/ford-mustang/

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang_II_(concept_car)?msclkid=5f025128c04111ecb770c28c473f092f

https://www.motortrend.com/news/from-concept-to-showroom-1965-ford-mustang-sketches-241873

https://themustangsource.com/forums/attachments/f761/181288d1472648185-1963-mustang-ii-concept-imag8037.jpg

https://www.cjponyparts.com/resources/who-invented-the-mustang?msclkid=f6bce887c03611eca2e3b0fc4c34bf5f

https://en.wikipedia.org/wiki/Joe_Oros?msclkid=b5e2e434c03511ecad92b6cec61e98d5

https://www.motortrend.com/features/one-off-the-mustang-ii-styling-exercise-that-set-world-on-fire/

https://www.curbsideclassic.com/blog/car-show-classic/roped-off-classic-1963-ford-mustang-ii-concept-the-hamtramck-falcon/

mustang?msclkid=f6bce887c03611eca2e3b0fc4c34bf5f

https://www.customponycars.com/pony-car-vs-muscle-car/

https://classicmustang.com/1964-mustang-information/

https://www.netcarshow.com/ford/1964-mustang/

https://en.wikipedia.org/wiki/Shelby_Mustang

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang_(second_generation)


segunda-feira, 30 de maio de 2022

FORD MUSTANG PARTE I – CONCEPT CARS

Depois da década de 1950, com a consolidação dos grandes sedãs, as montadoras começaram a considerar diferentes segmentos de mercado para criar novos modelos de carros. As pesquisas indicavam que o público buscava carros menores, mais baratos, mas sem abrir mão do desempenho, e por tabela, mais esportivos e joviais.

A Ford tinha o Thunderbird, mas sua esportividade se foi na reformulação de 1957, quando ganhou mais dois lugares e virou mais um cupê de luxo do mercado; enquanto o Corvette da GM subia nas vendas com o V8 sob o capô afirmando toda a esportividade que o mercado ansiava.

Mustang Concept: Roadster com inspiração européia

Mustang Concept: motor traseiro e arco tipo "Targa"

Henri Ford II então, solicitou a Lee Iacocca, presidente da Divisão Ford, que desenvolvesse um “carro pessoal”, barato com apelo esportivo, estilo jovial e de pequeno porte (para os padrões americanos). John Najjar e Philip T. Clark criaram então o conceito Mustang em 1961 (depois que veio o Mustang II, este foi nomeado Mustang I), um roadster de dois lugares, com design futurista, carroçaria de alumínio com uma frente em cunha (mais tarde esse mesmo design apareceu na frente do Dodge Charger Daytona) e chassi tubular, como convinha a um verdadeiro esportivo. Havia grades tomadas de ar nas laterais à frente da caixa das rodas traseiras, uma barra de proteção larga, e escapes saindo do painel traseiro. Sua primeira apresentação foi em 7 de outubro de 1962, no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glenn, onde teve boa repercussão entre o público. Dan Gurney deu algumas voltas de demonstração na pista com o segundo protótipo “Racer”, este, um exemplar plenamente funcional, ao passo que o outro era apenas um “mock-up” estático.

Este protótipo tinha suspensões independentes nas quatro rodas, ao invés do eixo rígido na traseira. O motor entre eixos na traseira era um quatro cilindros em V, do Taunus da Ford Europa, com apenas 90 hp. O câmbio de quatro marchas e o diferencial (transeixo) formavam um conjunto só, a direção era por pinhão e cremalheira, e os freios dianteiros já eram a disco. Com 3,91m de comprimento e 2,28m nos entre eixos, pesava apenas 700 kg; não tinha capota, e como era um protótipo, não tinha diversos acessórios como um carro de linha.

O protótipo foi levado para vários “focus group” para avaliação de vários aspectos, tanto o design como configuração mecânica; e os resultados demonstravam que este protótipo tinha apelo limitado junto ao público em geral. Também, os executivos da Ford se preocupavam que um carro esportivo de motor central trazia complexidade para entrar numa produção regular.

Iacocca lançou um desafio entre os designers dos três estúdios de design: Ford, Mercury e Advanced Corporate Design para encontrar o modelo ideal deste carro que por enquanto estava somente em sua cabeça. Entre vários esboços e propostas que recebeu, deparou-se com um desenho feito por Gale Halderman e soube imediatamente que aquele era o carro que a Ford precisava fabricar agora.

Mustang II: frente longa, traseira curta

No verão de 1962, numa tarde quente de agosto, cada estúdio exibiu no pátio da Ford Design seus projetos esculpidos em argila, e a opção de Oros/Ash/Halderman foi claramente o vencedor. Era inspirador, evocava emoção, e foi unânime.
Em 1963, o protótipo foi construído, designado como "X 8902-SB-208", com um layout mais tradicional, motor dianteiro, frente longa, quatro lugares mas com pouco espaço no banco traseiro, no que se convencionou classificar como 2+2. Os bancos dianteiros eram individuais, teto rebaixado em 2,7 polegadas (para destacar a esportividade), a grade dianteira já apresentava sua forma característica, só que vários estudos foram feitos e alguns modelos feitos em argila traziam o logotipo do Cougar na grade dianteira, pois era uma opção de nome nos grupos de pesquisa. O chefe de projeto Joe Oros, junto com L. David Ash, Gale Halderman e John Foster, trabalhando nos estúdios da Divisão Lincoln-Mercury produziram o design vencedor daquele esboço que Iacocca escolheu.

Mustang II

Relata-se que o Mustang II foi baseado na plataforma do Ford Falcon, mas isso não é comprovado. Apesar do Mustang e o Falcon compartilharem alguns painéis e elementos mecânicos, eles têm plataformas diferentes com medidas diferentes de comprimento e largura. O protótipo estava equipado com um V8 de 289 High Performance com 271 hp, com dois carburadores quádruplos.  




Uma opção do Mustang para a Mercury, com o logotipo
do Cougar no lugar do cavalinho galopante

Joe Oros comenta: “Eu disse à equipe que queria um carro que atraísse as mulheres, mas que os homens também o desejassem. Um Maserati, mas por favor, não um Trident – e eu queria entradas de ar na lateral para resfriar os freios traseiros. Eu disse que deveria ser o mais esportivo possível e parecer relacionado ao design europeu.”


Ao mesmo tempo em que o design do Mustang II foi aprovado e começou a construção do protótipo funcional, o Depto. de Design e Engenharia trabalhava simultaneamente no Mustang que deveria ser lançado como modelo 65. Estilistas, engenheiros e marketing planners trabalharam sete dias por semana em rodízio, para o carro ficar pronto na primavera de 1964 a tempo de ser exibido na Feira Mundial de Nova York.

Há relatos divergentes sobre a origem do nome “Mustang”. O primeiro deles nos diz que John Najjar era um fã dos caças P-51 Mustang da II Guerra, e batizou o projeto com o mesmo nome.

A outra versão conta que Robert J. Eggert, gerente de pesquisa de mercado da Ford, era um criador de cavalos Quarto-de-milha, e recebeu de presente de aniversário de sua esposa o livro intitulado “Os Mustangs”, escrito por J. Frank Dobie em 1960. Enquanto fazia a pesquisa para nomear o novo projeto, Cougar e Torino já eram registrados pela Ford (até uma campanha publicitária usando o nome Torino havia sido preparada), e Henry Ford queria “T-Bird II” – Eggert adicionou “Mustang” na listagem dos “focus group” para testar a receptividade dos nomes propostos. “Mustang” ganhou por larga margem.

De todo modo, ao registrar o novo nome nos países onde a Ford fabricava carros, “Mustang” não pode ser usado na Alemanha, pois a Krupp, fabricante de caminhões, detinha a propriedade da marca em veículos fabricados desde 1951 até 1964, e a Kreidler, fabricante de ciclomotores também usava este nome nos seus produtos. A Ford recusou a comprar os direitos de marca por US$ 10,000 na época, então os Mustang eram comercializados na Alemanha com o nome de “T-5” até dezembro de 1978.

Apesar do Mustang II ser chamado de protótipo, ele era mais um exercício de estilo e ferramenta de vendas do que um protótipo. Era um Concept-Car e um instrumento de marketing para captar as respostas do público e nada mais. Mesmo tendo já estudos com o teto em Fastback, optou-se por apresentar o modelo como uma prévia do conversível, com uma capota de fibra-de-vidro destacável, para a versão hard-top. Seguindo o que foi feito com o Mustang I, o exemplar funcional do Mustang II foi apresentado no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glenn, no dia 5 de outubro de 1963, apenas sete meses antes do lançamento oficial do Mustang (7 de abril de 1964) no mercado americano.

Lançamento de Impacto

Como bom homem de vendas, Iacocca planejou fazer o lançamento do Mustang num período em que não tivesse de dividir as atenções com nenhum outro fabricante, e num local em que poderia maximizar a cobertura de mídia. Finalmente, depois de muito discutir com o seu time, decidiu junto com Henry Ford II apresentar o Mustang na Feira Mundial de Nova York, em 17 de abril de 1964.

O que ajudou em muito as vendas do Mustang foram os protótipos, mas também os rumores sobre o carro. Quando as pessoas viram o Mustang II, isto foi uma bomba emocional que fez exatamente o que precisava: fazer as pessoas e a mídia falarem sobre ele, criando uma enorme expectativa sobre o novo carro esportivo da Ford.

Mustang Conversível 1964 1/2

Mustang Coupé 1964 1/2

Na sexta-feira, 16 de abril de 1964 a Ford colocou no ar comerciais do lançamento do Mustang nas três principais redes de televisão americanas com um impacto nunca visto antes. No sábado, dia 17 de abril, todos os revendedores Ford de costa a costa tinham pelo menos um exemplar do Mustang em seus Showrooms. O resultado foi um número recorde de 22.000 pedidos fechados naquele primeiro dia após o lançamento. A estratégia de Iacocca deu certo, pois ganhou uma “publicidade gratuita” por parte da mídia com mais de 2.600 artigos referentes ao Mustang nos jornais do dia seguinte em que foi revelado ao público.

Lançado nas versões conversível e Notchback (ou Hardtop), os exemplares comercializados nos  meses seguintes acabaram sendo identificados como 1964 ½, pois abril era muito cedo para classificá-lo como modelo 1965; no entanto, o VIN (Vehicle Identification Number) de todos consta como ano-modelo 1965.

Mustang Fastback 1965

Essa denominação de 1964½ mudou quando o modelo Fastback veio a fazer parte da linha em 17 de agosto de 1964, já como ano-modelo 1965. A Ford tinha previsão de vender 100 mil carros no primeiro ano, mas o sucesso foi tão grande que as vendas atingiram 681.000 unidades até o final de 1965, e bateu em um milhão de unidades no dia 1 de março de 1966.

Depois de sair dos holofotes, conta-se que o Mustang II chegou a ser colocado em um trailer para seguir para o triturador, mas alguns engenheiros pensaram um usá-lo como carro-mula para testar alguns componentes e evitaram que ele fosse destruído. O único exemplar do Mustang II acabou perdido em algum armazém, próximo a Dearborn até o final dos anos 1960. Em meados da década de 1970 ele foi doado ao Museu Histórico de Detroit, mas não recebeu muita atenção pelos próximos 30 anos, sendo posto em funcionamento ocasionalmente para mantê-lo mecanicamente operacional. No entanto, com o passar do tempo, ficou quieto e em triste deterioração; até que em 1996 o Owl Head Transportation Museum, do Maine solicitou o carro por empréstimo, onde foi carinhosamente restaurado por uma equipe de voluntários; e após cinco anos, voltou ao Museu Histórico de Detroit como a peça-chave na história de sucesso do Mustang.

DA MINHA COLEÇÃO

Os protótipos iniciais do Mustang são mais facilmente encontrados na linha da Mattell, os pequenos Hot Wheels na escala 1:64. Tenho o Mustang I e II na cor branca com as faixas azuis como nos originais. O nível do detalhamento é o padrão da Mattell, mas pode-se dizer que reproduzem adequadamente os carros originais, com as habituais rodas padrão que sacrificam a fidelidade e não fazem jus aos icônicos modelos da história do Mustang.

Mustang I Concept - 1962

Mustang Concept II 1963
Do primeiro Mustang, tenho na coleção o fastback de 1965, em várias decorações, conforme aparecia nas edições anuais, e o branco com as faixas azuis mereceu um upgrade nas rodas e detalhamento nos nichos dos faróis e lanternas, mas como foi uma das primeiras miniaturas que detalhei, ela merece ser refeita.

Hot Wheels 1965 cinza

Hot Wheels 1965 laranja

Hot Wheels 1965 vermelho


Hot Wheels 1965 branco com faixas azuis - original e customizado

Na escala 1:18, consta o Mustang Fastback da Mira, numa decoração de pista, em azul escuro e faixas brancas, uma inversão das cores oficiais dos carros americanos em competições, padrão convencionado no final dos anos 1950 e 1960. Design classico que consagrou o Mustang, pintura bem feita, decalques bem finalizados, faróis, limpadores, maçanetas, grades e lanternas e parachoques são bem feitos. As rodas são bem detalhadas. O interior tem acabamento normal, bancos, painel com instrumentos, volante e pedais, console com a alavanca de câmbio e espelho retrovisor interno corretos. Revestimento das portas com manivelas de vidro, sem vidro nas janelas.


Mustang Fastback 1965 - Mira 1:18


REFERÊNCIAS

https://www.imnpal.com/ford-mustang/

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang_II_(concept_car)?msclkid=5f025128c04111ecb770c28c473f092f

https://www.motortrend.com/news/from-concept-to-showroom-1965-ford-mustang-sketches-241873

https://themustangsource.com/forums/attachments/f761/181288d1472648185-1963-mustang-ii-concept-imag8037.jpg

https://www.cjponyparts.com/resources/who-invented-the-mustang?msclkid=f6bce887c03611eca2e3b0fc4c34bf5f

https://en.wikipedia.org/wiki/Joe_Oros?msclkid=b5e2e434c03511ecad92b6cec61e98d5

https://www.motortrend.com/features/one-off-the-mustang-ii-styling-exercise-that-set-world-on-fire/

https://www.curbsideclassic.com/blog/car-show-classic/roped-off-classic-1963-ford-mustang-ii-concept-the-hamtramck-falcon/

mustang?msclkid=f6bce887c03611eca2e3b0fc4c34bf5f

https://www.customponycars.com/pony-car-vs-muscle-car/

https://classicmustang.com/1964-mustang-information/

https://www.netcarshow.com/ford/1964-mustang/

https://en.wikipedia.org/wiki/Shelby_Mustang

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Mustang_(second_generation)