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quinta-feira, 27 de junho de 2013

O que é que te incomoda?

Como seres humanos que somos, estamos sempre insatisfeitos com alguma coisa. Ainda bem, pois grandes progressos vieram exatamente por causa desta força motivadora de sempre buscar melhorias em tudo o que nos cerca.
No tipo de vida que levamos, seja numa grande metrópole, ou numa cidade do interior, todos os dias temos fatores que nos deixam incomodados. Seja o trânsito, a demora no atendimento de um serviço, a fila do banco, a internet que cai, a chuva que cancela seu piquenique, seu vizinho barulhento, o estresse do trabalho, a falta de segurança, a corrupção política, os desmandos na área da saúde e educação, a lista parece infindável.
Dois fatores precisam ser levados em consideração ao identificar este sentimento dentro de nós. Primeiro, a insatisfação pode tirar nossa alegria, levando à frustração, desânimo e até à depressão; então, cuidado com ela.
Pegou um congestionamento? Escute música no carro. A fila do banco tá grande? Medite sobre o que fará no fim-de-semana com a família ou amigos. Tá frio demais para dar uma caminhada? Aproveite para se vestir elegantemente, coloque seu cachecol e vá dar uma volta na praça ou no parque. Tá estressado no trabalho? Tire uma noite para ir ao cinema ou alugue aquele filme que você não conseguiu  ver na sala escura.
Não permita que as situações do dia-a-dia tirem sua alegria de viver, de encontrar as pessoas, de realizar coisas para si e outros. Faça o seu melhor a cada dia, para que sua vida seja melhor a cada dia.
Segundo, a insatisfação pode ser o primeiro passo para uma mudança. O atendimento de um serviço está demorando? Pense em criar um negócio que resolva esse problema: assim como você, certamente outros também sofrem com o mesmo problema, e pagariam bem em ter um serviço mais rápido. A internet está caindo toda hora? Procure saber as causas: é um problema técnico? Ou da sua região? Qual o tipo de acesso; discado, antena,  cabo, rádio ou satélite? Qual o horário em que o tráfego de dados é mais pesado? Fale com especialistas, adquira um pouco de conhecimento nesta área que será cada vez mais imprescindível  no futuro.
As demandas sociais mobilizaram nas últimas semanas milhões de pessoas insatisfeitas às ruas para protestar contra as mazelas de um governo que sempre deixa a desejar. Tudo isso é um desejo de mudança, e se observarmos, é altamente positivo que as pessoas desejem mudanças, para melhorar o transporte, a saúde, o serviço público, enfim... ter uma vida melhor e  ser mais felizes.
Observadores comentam que há muito o que fazer em vários campos da vida social, e muitos argumentam  que o povo tem o governo que merece.
Sem querer chover no molhado, as mudanças estão sempre ocorrendo, e não vão parar. A insatisfação nata do ser humano nos levará sempre a avaliar nosso “status quo”, e buscar alterar esta situação para melhor.
A diferença é a maneira em que se reclama, protesta, altera as situações atuais para uma outra forma desejável de se viver em sociedade. Muitas vezes queremos os "nossos direitos", e com razão. Mas as obrigações vêm junto, e não podemos nos esquecer que são estas que colaboram para que a vida em comum seja mais agradável para todos.
“Se você quiser mudar o mundo, comece mudando a si mesmo”.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Intolerância




Num mundo em que tudo acontece velozmente, e as transformações parecem cada vez mais rápidas, tornando-nos pessoas que desejam gratificações imediatas, e queremos que as coisas aconteçam sem demora.
Minutos em uma fila, o garçom que não vem à mesa assim que nos sentamos, a impaciência no saguão do elevador, o motorista que dirige à nossa frente em baixa velocidade, o e-mail que não chega em sua caixa postal, são coisas que nos deixam cada vez mais frustrados e irritáveis.
No extremo destas atitudes, chegamos à intolerância, não aceitando ou suportando determinadas situações e reagindo contra todo o bom senso da vida civilizada.
Tanto é que diversas leis são promulgadas visando proteger minorias étnicas ou sociais contra abusos e ofensas pelo fato de serem diferentes dos demais, em uma sociedade cada vez mais diversificada social, cultural e emocionalmente.
Parece que temos dificuldades para lidar com aquilo que é diferente ou incomum para nós; porém, numa sociedade cada vez mais global, como não se confrontar com pessoas, costumes, comportamentos, comida, roupas e crenças totalmente diversas daquelas com as quais convivemos uma vida inteira?
Segundo um estudo da ONU, as causas básicas da intolerância e a discriminação são a ignorância e a falta de compreensão.
O mesmo relatório diz então: "A Educação pode ser o instrumento primário de combate à discriminação e à intolerância".
Educação não apenas no sentido de adquirir conhecimento, mas de criar valores e guiar nosso comportamento, mesmo que muitos não concordem com nossas opiniões e crenças. A intolerância sem conhecimento leva a temer o que não conhecemos e tendemos a excluir aquilo que não combina com o que achamos "normal".
Claro, o oposto, que é a tolerância, não significa que todos devam pensar da mesma maneira, até porque é saudável que haja opiniões discordantes das nossas. "A verdadeira tolerância repousa em forte convicção" disse o sacerdote dominicano Claude Geffré, na revista Réforme. A pessoa satisfeita com suas convicções não se sente ameaçada pelas crenças dos outros, pois desenvolve sua capacidade de julgamento independente, pensamento crítico e raciocínio ético.
Portanto, devemos sempre examinar nossas convicções, encontrando conosco mesmos. Não pensemos que as pessoas estão contra nós, elas estão apenas a favor delas mesmas.
Num ambiente em constante mudança, é preciso sempre rever nossos comportamentos, ajustar as atitudes, mas mantenha sempre sua integridade, e se apegue aos seus valores.
Tenho certeza de que seremos mais felizes assim.