domingo, 25 de dezembro de 2016

Carros e Filmes - Mustang Eleanor

GONE IN 60 SECONDS
Henry Blight “Toby” Halicki começou a trabalhar num posto de gasolina bem jovem, e apaixonado por carros antigos, aos 16 anos já tinha uma pequena coleção deles, e aos 17 anos, abriu sua própria empresa e galgou o sucesso rapidamente, até chegar ao cinema. O amor pelos carros abriu-lhe as portas da indústria cinematográfica, e em 1974, escreveu, produziu, dirigiu e atuou no seu primeiro filme - Gone in 60 seconds - que teve um sucesso relativo, não chegando a ser um “blockbuster” na época.
Depois dele, participou em outras produções, e seu prestígio no setor foi subindo. Assim, em maio de 1989, após se casar com Denice Shakarian, decidiu realizar a sequência de Gone in 60 seconds, onde sua esposa atuaria e seria também a produtora executiva da nova versão. Infelizmente, durante a preparação de uma cena de perseguição para o filme, acabou sofrendo um grave acidente no set de filmagem e faleceu em 20 de agosto de 1989, aos 48 anos de idade.
O tempo passou e a viúva de Halicki, Denice, decidiu fazer uma homenagem ao marido, e assinou um contrato com a Disney e o produtor Jerry Bruckheimer para uma refilmagem de Gone in 60 seconds, em que seria também a produtora executiva.
Desta forma no ano de 2000, surge nas telas a nova versão de Gone in 60 Seconds, dirigida por Dominic Sena, com Nicolas Cage como Memphis, e Angelina Jolie como Sway.
“Eleanor” é o único Mustang a receber crédito como participante de um filme, Gone in 60 Seconds (na versão de 1974), uma versão Sportsroof de 1971 amarelo, repaginado como 1973 para o filme.
Gone in 60 Seconds conta a história de Randall “Memphis” Raines, o maior ladrão de carros em Los Angeles (“Eu não fazia isso por dinheiro, eu o fazia pelos carros”). Ele se aposentou a pedido de sua mãe, que temia que seu irmão mais novo também seguisse as pegadas de Memphis. De todo modo, Kip (Giovanni Ribisi) acabou se tornando um, e pisou na bola com uma encomenda de 48 carros (no original de 1974 e 50 no remake de 2000) que deveriam ser roubados e entregues por Raymond Calitri (Christopher Eccleston) a um traficante de drogas sul-americano.
Memphis é obrigado a voltar para livrar seu irmão, capturado por Calitri e ameaçado de ser esmagado dentro de um carro no ferro-velho de Calitri. Memphis pode salvá-lo roubando os 50 carros da encomenda que Calitri precisa entregar. Sem opção, tenta contatar seus antigos colegas e formar uma equipe para dar conta do trabalho. Os carros recebem codinomes de mulheres, para despistar a polícia, e Eleanor é o nome do Mustang que Memphis nunca conseguiu roubar.
O remake de 2000, produzido pela Touchstone Pictures e distribuído pela Walt Disney Productions, com o mesmo título, teve o Mustang Shelby GT500 1967 como protagonista. 
Eleanor é a linda e maravilhosa paixão de Memphis, o Unicórnio, um ser mitológico que não podia ser capturado. Qualquer automóvel podia ser roubado por Memphis em 60 segundos, mas com Eleanor era diferente, ele nunca sabia se o final seria feliz. Na preparação para ação, ele conversa com o carro, acertando uma cumplicidade, para que fiquem juntos desta vez; e durante a perseguição, quando o espelho retrovisor se quebra numa manobra imprevista, Eleanor reluta em dar a partida, e Memphis implora a ela que não o deixe na mão, mostrando haver uma paixão entre eles como se um dependesse do outro.
Memphis precisa da ajuda de velhos e novos companheiros para dar conta do recado. Otto Halliwell (Robert Duvall) era o receptador que picotava os carros roubados por Memphis, e agora era um respeitável e talentoso restaurador; Sara “Sway” Wayland (Angelina Jolie), ex-namorada que trabalha numa mecânica e dá duplo expediente como garçonete numa lanchonete para sobreviver; Donny Astricky (Chi McBride), Atley Jackson (Will Patton), The Sphinx (Vinnie Jones), entre outros.
Kip havia formado sua “equipe” com Mirror Man (T.J. Cross), Toby (William Lee Scott), Tumbler (Scott Caan) e Freb (James Duvall). São eles que abrem o filme, ao roubar um Porsche e se envolver num racha de rua em que a polícia os persegue até o galpão onde estão reunindo os carros para Calitri, e são obrigados a abandoná-los, despertando assim a ira de Calitri contra Kip.
Como antagonista, o detetive do departamento de furtos de veículos Roland Castlebeck (Delroy Lindo) fica de olho nos movimentos do grupo, com seu parceiro detetive Drycoff ((Timothy Olyphant) e empreende uma das melhores cenas numa perseguição alucinada a Memphis e Eleanor na área do porto de Los Angeles.
Cage, que é colecionador na vida real, comenta que há uma diferença entre o original de 1974 e a versão de 2000. “O filme de Halicki, foi sim toda a inspiração para a realização deste novo ’60 Segundos’. Porém, Halicki enfocou as perseguições, os automóveis. Há 40 minutos de perseguições no seu filme. Este se foca mais nas relações humanas”
E Jerry Bruckheimer, Produtor do novo filme afirma: “O filme não é apenas sobre carros, mas sim sobre um homem que quer desesperadamente fazer alguma coisa certa na vida e precisa, para isso, voltar a ser aquilo que outrora havia abandonado. É um filme sobre fazer escolhas, tendo maravilhosas máquinas ao redor”.
 Lançado em 2000, Gone in 60 Seconds não é um filme muito antigo, mas pode ser considerado um clássico do cinema, um daqueles filmes que você deve ter na sua coleção, com outros filmes cool, como Pulp Fiction e Kill Bill entre outros.
Conta-se que a produção queria colocar o Ford GT como Eleanor, mas com o orçamento de US$ 90 milhões, uma frota de Ford GT era proibitiva, então voltaram para o Mustang.
“Nós estávamos olhando para um GT500 de 1967. É um carro legal, sem dúvida", continua Jeff Mann, da equipe de produção. “Mas ele se compara com os outros veículos? Temos Ferraris e outros supercarros em cena. Não vai ser a coisa mais quente passando na tela. Foi quando Jerry abriu a nossa mente para uma variação, uma arte feita pelo famoso ilustrador de Hot Rods Steve Stanford sobre o Mustang GT500 1967”.
O sketch de Steven Stanford
Chip Foose foi contratado pela produção para transformar o sketch de Stanford em realidade. Foose instalou um par de faróis PIAA na grade frontal, customizou o capô, as entradas de ar, o spoiler dianteiro, as saias laterais e outras peças em fibra-de-vidro aplicadas ao carro. A grade dianteira veio de uma Chevy Astrovan e calçou as rodas de 17x8 polegadas com os P245/40ZR17 Goodyear Eagle F1.
Ao todo, Foose levou 250 horas de trabalho para deixar o carro pronto para as filmagens, incluindo a gaiola de segurança com tubos internamente para proteção em caso de capotagens. Este exemplar foi levado para a CVS - Cinema Vehicle Services, já tradicional em preparar carros para muitos filmes de Hollywood.
Dependendo da fonte, onze ou doze carros foram construídos pela CVS para o filme (sem incluir um 13º clone adicional com motor 428 cid, polegadas cúbicas  para o produtor Bruckheimer). Nove eram apenas mock-ups (clones visuais, sem a preparação mecânica, para aparentarem ser o principal, visto que os roteiros exigiam que alguns fossem destruídos nas cenas), e três eram veículos realmente funcionais, denominados “hero cars” ou aquele(s) em que o personagem utiliza efetivamente nas filmagens. Relata-se que sete sobreviveram às filmagens e retornaram à Cinema Vehicle Services. De todos os sobreviventes, três exemplares foram ofertados ao público com certificados de originalidade e atestados de participação no filme.
A coluna CVS traz o número que identificam os carros para produção do filme; o VIN (Vehicle Identification Number) é o número que o fabricante registra o carro quando o comercializa no mercado.
CVS
VIN
Histórico do veículo
Não informado
7R02S211287
Vendido em 2009 para Barret-Jackson, de Scottsdale, Arizona, foi a leilão por US$ 216,700
7
7R02C173895
Vendido no leilão da COYS Autosport International (Birmingham, Reino Unido) por £ 95,000. Em 12 de Dezembro de 2014 foi ofertado no leilão da Mecum, de Austin, Texas por US$ 380,000.
9
7R02C179710
Vendido no leilão da Mecum de Indianapolis, em 18 de maio de 2013 por US$ 1,000,000. É o principal carro do filme e que foi usado para as fotos promocionais.

Assegura-se que os três eram os carros funcionais do filme, e são considerados como “hero cars”. E que dois deles foram reconstruídos por danos que sofreram durante as gravações, ou eram mock-ups que foram completados na sua adaptação conforme os modelos iniciais. Não há notícias dos demais exemplares.
Um quarto exemplar, com o VIN (Vehicle Identification Number) #7F02C229830, foi colocado à venda em Dubai, alegando ser original do filme, porém sua autenticidade não foi comprovada.
Todos os Mustangs são de 1967, apesar de diversos serem equipados com o motor 289 ou 390 cid, nenhum era efetivamente uma versão da Shelby. Muitos exemplares tinham câmbio automático, o que facilitava algumas manobras feitas pelos dublês nas perseguições pelas ruas de Los Angeles.
Dois carros foram destruídos na cena de salto da ponte Vincent Thomas, no final do filme. Um deles decolou para o salto e se destruiu na aterrissagem. Outro caiu sobre uma pilha de caixas para amortecer o impacto. Apesar de danificado, estava em boas condições para ser reparado. Dois outros exemplares foram destruídos no ferro velho de Calitri, ao serem prensados para reciclagem.
O Mustang Eleanor pilotado por Nicolas Cage não apenas parecia ser rápido, como o é realmente. Sua ficha técnica indica que é equipado com um Ford V8 de 351 cid, de 400 hp e cambio de quatro marchas manual e um diferencial Positraction, com um comando de válvulas de maior abertura, e um carburador Holley 700 cfm (cubic foot meter – pés cúbicos por minuto) quádruplo. O radiador especial de alumínio era da Fluidyne Racing Products. 
 A Total Control Products rebaixou a suspensão, instalou barras de amarração nas torres dos amortecedores, colocou discos Willwood nas quatro rodas, com seis pistões na dianteira e quatro pistões na traseira. As rodas eram estilo Hallibrand, Schmidt 8x17”, com pneus Goodyear F1. A CVS instalou um Body-kit com para-lamas alargados, saias laterais, capô dianteiro com presilhas e traseiro customizados, escapes laterais e o bocal de abastecimento do Mach-1 na coluna traseira. Era equipado com NOS (Nitrous Oxide System), mas não funcional na prática.
As saídas de escapamento laterais não eram funcionais, e algumas cenas mostram as acelerações com a fumaça sendo expelida na traseira do carro; no entanto, a CVS acabou instalando o equipamento nos carros após as filmagens terem terminado.
O interior recebeu o volante da Lecarra, e o painel foi composto por instrumentos da Auto Meter Sport Comp, além do ar condicionado. A pintura foi feita com a cor Pepper Grey da Dupont. A placa do carro era da California, LYN 274.

LEILÃO
O famoso Ford Mustang "Eleanor" que participou a refilmagem de "60 Segundos", no ano 2000, foi leiloado em 18 de maio de 2013 pela Dana Mecum 26th Original Spring Classic Auction em Indianapolis, alcançando o valor de US$ 1 milhão.
Este era o exemplar pilotado por Nicolas Cage na maior parte das filmagens nas perseguições por Los Angeles. O carro é acompanhado por um certificado de autenticidade pela CVS - Cinema Vehicle Services, que preparou todos os carros da produção; e adicionalmente tem uma placa com o VIN – Vehicle Identification Number – código da montadora para registrar o carro quando o coloca no mercado.
Em dezembro de 2014, o proprietário tentou vende-lo também pela Mecum Auction, porém não foi bem sucedido. Comentou-se que ou os compradores não se conscientizaram do real valor do carro (visto que os outros exemplares não atingiram cifra tão elevada), ou o valor pedido estava obscenamente elevado. Não foi desta vez que o icônico veículo mudou de mãos.

O MUSTANG SHELBY GT 500 REAL
Carol Shelby se tornara um construtor porque queria fazer um novo tipo de carro esporte. “Eu não iria muito longe como piloto devido aos problemas com meu coração”, disse ele, “então comecei a fazer planos para construir o meu próprio carro”.
Assim, ele negociou os chassis da Ace inglesa e instalou neles os motores Ford V8, iniciando com o 289 cid, passando para o 350 cid e chegando até os de 427 cid para enfrentar os Corvette da GM. Lee Iacocca, então Gerente de Vendas da Ford, convenceu a montadora a fazer um acordo com Shelby para desenvolver carros de competição, pois Henry Ford queria fazer frente aos Ferrari nas 24 Horas de Le Mans.
Com a ascensão de Iacocca à presidência da Divisão Ford, e o advento do sucesso que o Mustang estava fazendo no mercado, o pedido de Iacocca para que Shelby criasse uma versão esportiva do Mustang foi questão de tempo.
“Eu realmente não queria fazer isso”, confessa Shelby, “porque eu não achava que poderia fazer nada decente com o Mustang”. Começando com o 289 cid que equipava o Cobra roadster, Shelby criou o GT 350, e o passo natural foi elevar a motorização para o 390 cid, e migrar para o motor 427 cid foi um pulo, e nasceria então o GT500.
Em 1965-66, o Mustang havia recebido uma receita que o fazia um verdadeiro carro de pista, equipado com o V8 427 cid (4.23 x 3.78 pol de diâmetro x curso), podia rodar as 500 Milhas de Daytona ou as 24 Horas de Le Mans sem problemas de durabilidade. A Ford, percebendo o interesse dos clientes, pediu que Shelby desse uma “amansada” neles para que motoristas comuns pudessem “pilotar” um Mustang de alto desempenho.
Os motores V8 de 428 cid (4.13 x 3.98 pol de diâmetro x curso, também com 7 litros) apesar de muito parecido com o 427, era um motor de rua, e não de pista. Equipados com dois carburadores quádruplos Holley de 600 cfm (pés cúbicos por minuto, ou 17 m³/min) e outras modificações para obter uma potência conservadora de 360 cv, eram quase 1,000 dolares mais baratos do que o 427. O cambio podia ser um manual de quatro marchas ou automático de três, com uma relação de diferencial variando de 3,5:1 a 4,11:1. Ele fazia de 0-60 mph em 6,2 segundos.
A suspensão era reforçada com molas mais rígidas, freios a disco dianteiros e pneus E70 em rodas de 15 polegadas. Ar condicionado e direção hidráulica eram opcionais, mas o painel vinha equipado com o conta-giros de 8000 rpm e velocímetro de 140 mph (225 km/h), e um arco de proteção acolchoado.
Na parte estética, Shelby equipou o GT 500 com apliques de fibra de vidro, alongando o nariz do carro, instalou tomadas de ar funcionais no capô dianteiro e mais quatro entradas laterais. A traseira tinha um defletor na tampa do porta-malas, as lanternas com os piscas sequenciais foram pirateadas do Mercury Cougar. Faróis de longo alcance foram instalados no centro da grade dianteira, e as faixas duplas “Le Mans” eram opcionais oferecidos pelas concessionárias. Foram fabricadas 2.050 unidades com esta configuração

EM ESCALA
O Mustang Eleanor da Shelby Collectibles na escala 1:18
O Mustang GT 500 Eleanor da Shelby Collectibles, na escala 1:18, é o modelo licenciado pela Touchstone Pictures, e reproduz com grande fidelidade as linhas clássicas do Mustang, com todas as modificações feitas para o filme.
A frente modificada, com os faróis deslocados para o centro e abaixo da grade, e as faixas avançando pelo capô, os apliques na carroceria e as rodas especiais indicam um carro de alto desempenho. A miniatura abre as portas e o capô dianteiro, que ao abrir revela a boa reprodução do motor, com cabos de vela, radiador especial, correias nas polias e as traves de reforço das torres de suspensão, e a bateria.

O item discrepante são os cabos de velas, em que as fotos do carro real indicam que são vermelhos, e no modelo são azuis.
Abrindo o porta-malas, encontramos o cilindro de NOS (Nitrous Oxide System) com um desenho um tanto diferente do carro real; passando ao interior do modelo, temos os bancos em couro, os pedais customizados, o volante com aro de madeira e o painel de instrumentos. 


A alavanca de cambio original tem o pomo de cambio com um botão vermelho para acionamento do NOS, mas o modelo em escala traz uma alavanca tradicional, sem este detalhe.

RÉPLICAS DE ELEANOR

Com o sucesso do filme “60 Segundos”, Carrol Shelby começou a construir réplicas do “Eleanor”, já que o carro do filme foi baseado exatamente num Shelby GT500 de 1967. MaS Denice Halicki, viúva de Henry Halicki, o criador do filme original de 1974, entrou com um processo contra Shelby por infringir os direitos da marca “Eleanor” e de uso da imagem do carro, processo que se arrastou por anos, e vencida por ela em 2008.

A Halicki Films Company, que produziu os filmes, fez um acordo com a Classic Recreations, para licenciar a construção de réplicas do Mustang Eleanor, como aparecem no filme de 2000. Os entusiastas de carros e filmes podem então estacionar em sua garagem um exemplar icônico e exclusivo.


O fato de a Ford ter liberado recentemente a fabricação da carroceria do clássico de 1967 abriu a possibilidade de se ter um exemplar novo, legalizado e licenciado pela Halicki Films. Os clientes podem escolher entre um motor FI de 535 hp, prometendo 172 mph e 4,9 segundos de 0-60 mph, por cerca de US$ 139,900; ou equipá-lo com uma unidade FIS de 770 hp, com modificações na suspensão traseira, por US$ 189,900.

O modelo traz toda a documentação e certificação do licenciamento pela Halicki Films Company, direitos autorais, marcas registradas e comerciais, além do carro trazer os logotipos do filme “Gone in 60 seconds” e “Eleanor”.

A Shelby Estate, entrou com um processo argumentando que “Eleanor” não é um personagem sobre o qual deve incidir direitos de proteção de marca e imagem, e mais recentemente, em 2022, Denice Halicki perdeu o direito de ter exclusividade para “fabricar” réplicas do “Eleanor”.


REFERÊNCIAS: 


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

AUDI SPORTSWAGEN ROSEMAYER

O Audi Sportswagen Rosemayer é um carro conceito construído inicialmente para a Autostadt 2000, e outros auto-shows após este evento. Apesar de não ter a intenção de colocá-lo em produção, seu design marcante e sua vocação esportiva atraiu as atenções do público à marca, ao ponto de muitos compradores em potencial expressarem o desejo de adquiri-lo, mas sem sucesso.
Seu design é claramente inspirado no “Tipo 52” de Ferdinand Porsche e do Dr. Erwin Komenda, na década de 1930, como uma possível versão de estrada das “Flechas de Prata”, mas que nunca viram a produção efetiva.
A engenharia era a mesma dos antigos “Silver Arrows” dos Auto Union de competição da década de 1930, notadamente no carro de 16 cilindros pilotado por Bernd Rosemayer para quebrar o recorde mundial de velocidade.

O TIPO 52
No início dos anos 1930, antes de ter a sua própria fábrica de carros esportivos, Ferdinand Porsche fundou a Hochleistungs Motor (motores de alta potência) com o parceiro e ex-piloto Adolf Rosenberger. Mesmo sem contratos em vista, passaram a construir um carro para disputar os Grand Prix (que eram os precursores dos Grandes Prêmios de Formula um).
Raio-X baseado nos esboços de Porsche
O carro com um motor V16 sobre alimentado, posicionado logo atrás do piloto, englobava tudo o que os dois haviam aprendido sobre engenharia de competições. Esta máquina seria o seu cartão de visitas.
Ao mesmo tempo, as montadoras alemãs Audi, Horch, DKW e Wanderer se fundiram e formaram a Auto Union GmbH. Em 1933, Adolf Hitler anunciou um programa de corridas patrocinada pelo estado alemão. A Auto Union ganhou uma injeção de dinheiro para desenvolver o maior carro de corrida do mundo (competindo com a compatriota Mercedes Benz). Devido aos planos de Porsche já elaborados, a Auto Union comprou o projeto de Porsche e foi para as competições.

Os carros da Auto Union ganharam 25 corridas entre 1935 e 1937, trazendo reconhecimento internacional para nomes como Nuvolari, Rosemeyer e Colagem. Mas, mesmo antes de as vitórias surgirem, Porsche (que trabalhava simultaneamente no “carro do povo” de Hitler) e o engenheiro-chefe Karl Rabe sempre pensaram em aplicar os princípios dos “Flechas de Prata” no desenvolvimento de um carro esportivo que pudesse rodar nas estradas.
Assim surgiu o Tipo 52, desenhado por Porsche e Erwin Komenda. Equipado com o V16 de 4,4, litros com 200 HP, o piloto se posicionava no centro do carro (como no recente McLaren F1, 60 anos depois), com um passageiro de cada lado. Com máxima prevista para 125 mph (201 km/h) em quinta marcha, o Tipo 52 faria 0-60 mph em cerca de 8,5 segundos, um patamar inédito para a época.
O estilo desenvolvido por Komenda foi futurismo puro, fortemente influenciado pelos avanços da aviação da época. Não se sabe por que o Projeto do Tipo 52 não foi adiante. A única aprova de sua existência são alguns desenhos e plantas encontrados no arquivo de Ferdinand Porsche.
Mas ainda que jamais construído, pode-se considerar que o Tipo 52 foi o avô do Porsche 911 e também do Audi R8, sem contar o McLaren F1 e o Ferrari 365P Guida Centrale desenhado por Pininfarina.

O CONCEITO DE 2000
O motor do conceito Audi Rosemayer é um W16, com 8004 cc, cinco válvulas por cilindro, que desenvolve 780 cavalos e tem o sistema de tração nas quatro rodas permanente Quattro, da Audi. É equipado com uma transmissão manual de seis velocidades. Com um torque de 761 Nm a 4000 rpm, chegava à velocidade máxima (prevista) de 350 km/h.
A carroceria era de alumínio polido, sem pintura, mas com acabamento fosco, com muita eletrônica embarcada e sua aerodinâmica não deixavam dúvidas sobre a herança dos velozes Auto Union de antigamente. Até os espelhos retrovisores foram substituídos por câmeras, que projetavam as imagens em pequenas telas no interior do carro.
Enormes rodas de 20 polegadas pareciam sobressair da carroceria, abrigando também enormes discos de freios ventilados e perfurados para melhor desempenho.
Um dos fatores que impediram de chegar à produção comercial foram os altos custos da tecnologia empregada no veículo e a possível competição interna que haveria com a Lamborghini, que o Grupo Volkswagen havia adquirido na década de 1990.
De todo modo, o motor W16 foi parar no cofre do Bugatti Veyron, lançado em 2005, mas com dois turbo-compressores, entregando 1.001 cv. Pode-se notar alguns traços que remetem ao AUDI, como a aparência frontal e a cabine avançada, com o design do teto traseiro sem visão do piloto para trás.
De certa forma, o Lamborghini Gallardo e o Audi R8 (eles tem a mesma plataforma estrutural), apesar de serem equipados com um motor V10, podem ser considerados os sucessores do Rosemayer.

HOMENAGEM A BERND ROSEMEYER
Piloto alemão da equipe da Auto Union, tinha várias vitórias em sua carreira, incluindo três pódios consecutivos na pista de Nurburgring, além de vitórias na Copa Vanderbilt, dos Estados Unidos, ficando famoso também fora das pistas européias. Ficou famoso por ser o primeiro homem a quebrar a barreira dos 400 km/h em estradas abertas.
Rosemeyer faleceu em 28 de janeiro de 1938, aos 28 anos, em um acidente quando tentava quebrar o recorde mundial de velocidade na autopista que unia Frankfurt a Darmstadt. Em diversas tentativas, junto com Rudolf Caracciola, buscava atingir os 432 km/h.
Registros indicavam que já havia atingido os 429,6 km/h, um km/h mais rápido do que Caracciola, naquele dia. Ele estava em sua terceira e última tentativa, apesar de informações de que estava ventando no momento. Às 11:47, perdeu o controle do carro, talvez por uma rajada de vento, que desestabilizou o carro de Rosemeyer, para a esquerda. Ele ainda tentou corrigir a trajetória, conseguindo puxar o carro um pouco à direita, mas saiu da pista, voando em direção a um barranco e girando no ar. Rosemeyer foi lançado para fora do carro e morreu ao lado da pista.

EM ESCALA
O modelo em escala 1:18 da Maisto traz o design agressivo do Audi Rosemeyer, com sua cor prateada e as aberturas de ventilação no capô traseiro, remetem diretamente às “Flechas de Prata” que venceram várias competições antes da Segunda Guerra. A cabine avançada dá espaço ao enorme motor W16, porém o capô não abre, somente as portas são articuladas.
As rodas dianteiras esterçam e a qualidade do acabamento é muito boa, assim como a pintura. Os pneus são de vinil e as rodas impressionam pela proporção em relação à carroceria.


REFERÊNCIAS:
https://www.flatout.com.br/auto-union-type-52-quando-audi-criou-um-supercarro-moderno-em-1934/

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Espírito aventureiro: um estilo em alta hoje

Partir numa caravela para dar a volta ao mundo nos anos 1500 realmente era uma aventura, onde as possibilidades de retornar vivo eram bem pequenas. O mesmo pode-se dizer dos astronautas que foram à lua no Projeto Apollo.
Com o passar dos séculos, atingir novas fronteiras em qualquer campo da humanidade se tornou cada vez mais difícil. Com o mundo mapeado pelos satélites do Google, os avanços tecnológicos da medicina, engenharia e informática empurram as fronteiras do desconhecido para além do que meros mortais conseguem alcançar.
Apenas vontade e determinação não bastam para escrever seu nome na história; hoje uma quantidade imensa de dinheiro e equipamentos é necessária para se descobrir um novo medicamento, comprovar uma teoria na física ou descobrir algo relevante sobre o universo.
Todos os lugares do mundo já foram visitados, e as aventuras mais emocionantes são hoje custeadas por patrocinadores que desejam ver suas marcas exibidas na mídia e em redes sociais.
O que resta então para o homem comum, o jovem cheio de energia, ou o pai de família que deseja quebrar sua rotina e curtir uma adrenalina básica?
Nem todos querem ou podem se engajar numa modalidade de esporte radical, descer corredeiras num rio, saltar de paraquedas, ou pedalar 200 km numa bike especial; portanto, indo um pouco além de uma caminhada no parque no domingo de manhã, ou passar o fim-de-semana num hotel fazenda, todos acabamos nos tornando consumidores de atividades ao ar livre, e nem sempre praticantes de uma atividade esportiva..
Para sairmos de casa ou do apartamento, das paredes assépticas do escritório ou do ambiente cansativo de uma linha de produção, queremos ir para a natureza, um parque, uma praia ou montanha onde nos sentimos mais próximos do mundo natural, com todas as "incertezas" a que ficamos expostos no meio ambiente.
Estas tendências do mercado consumidor são identificadas pelos marketeiros de plantão, e nas últimas décadas, notamos o crescimento dos segmentos ligados à aventura, um retorno à natureza e um estilo de vida mais rústico e teoricamente mais simples.
O surgimento das Mountain-Bikes disparou o gatilho para usar sua bicicleta para chegar num lugar fora da cidade, numa trilha de terra que sobe o morro e possa descortinar uma vista panorâmica coma sensação de "conquistar" uma montanha e ver o mundo a seus pés...
Programas de TV ou reality-shows que mostram pessoas "comuns" enfrentando situações críticas de sobrevivência, em jornadas que exploram os limites da resistência humana, ou os colocam em ambientes inusitados, testando as suas habilidades de sair daquela situação, acabam tendo uma audiência cativa em qualquer país do mundo.

As cidades estão cheias de carros "Aventureiros" que prometem alcançar um lugar inóspito, onde as pessoas comuns não chegam, e lhe dão a (falsa) impressão de que você pode chegar em qualquer lugar que deseje. Assim como notamos que as cidades estão cheias dos poderosos SUV's com tração nas quatro rodas e todo tipo de aparato para enfrentar qualquer terreno, mas que seus proprietários jamais colocarão em uma estrada de terra.
O estilo aventureiro se tornou moda, e vemos aberrações tal como uma Spin da Chevrolet cheia de adereços e o estepe afixado na tampa do porta-malas, assim como a Citroen Aircross num comercial de TV parecendo participar do Rally Dakar...
Enfim, o marketing moderno promete que todos os nossos desejos podem ser satisfeitos, e se alguns realmente pegam um velho jipe ou um Land Rover e se enfiam mato adentro em busca de adrenalina, outros podem ter uma sensação parecida andando num pequeno hatch com alguns adereços que mimetizam um fora-de-estrada.
É a vida! Ou como queiram; "Estilo de vida"...

Até o próximo post!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Checker Taxi Cab - o taxi amarelo de Nova York

Marca registrada da cidade de Nova York, os Checker Taxi Cab amarelos prestaram serviços durante décadas aos nova-iorquinos e visitantes da Big Apple.
Fusão da Checker Taxi com a Yellow Cab (daí a cor amarela) em 1929, a Checker Motors fabricava os taxis, e o Marathon, modelo mais conhecido, surgiu em 1954, que manteve praticamente o mesmo design até o encerramento das atividades em 1982.
A partir de 1965, todos foram equipados com motores de seis cilindros da Chevrolet, um “small-block” 283 cid (cubic inch displacement, deslocamento em polegadas cúbicas, ou 4,63 litros de cilindrada). Nos anos 70, o motor passou para 350 cid, sendo que no final da produção, havia os V6 com 229 cid e opcionalmente um “small-block” V8 de 305 ou 350 cid.

FILMES E SERIADOS
Como não podia deixar de ser, vários filmes e seriados locados em Nova York tiveram a presença e participação dos Checker Cab, e especificamente o seriado “Taxi”, tinha a fictícia companhia “Sunshine Cab Company” com os Checker como personagens principais, e os dramas pessoais dos motoristas e passageiros ficavam como meros coadjuvantes.
Outro filme notável é “Taxi Driver”, em que Travis Bickle (Robert de Niro), um neurótico motorista de Checker que leva o seu destino trágico de acabar com a escória de Nova York. O filme também tinha Iris (Jodie Foster), uma prostituta de rua com 12 anos, e “Sport” (Harvey Keitel), seu cafetão e explorador. Ao fim da Guerra do Vietnã, o filme traz uma visão da decadência moral na cidade, capturando um clima tenso em vários campos da sociedade, reforçado pelos diálogos que Travis tem com os passageiros que leva em seu carro.
Quando Iris entra no seu carro, para fugir de seu cafetão, Travis torna-se obcecado para salvá-la, não sendo correspondido por ela nas suas intenções; ela diz que estava drogada quando tentou fugir e que Sport, seu cafetão, é uma pessoa gentil e prestativa.
O filme caminha numa tensão crescente, até que ele resolve assassinar o Senador Palantine, cortando seu cabelo no estilo moicano, segue para um comício, mas levanta suspeitas e desiste. Armado até os dentes, segue para o bordel onde Iris trabalha e provoca a maior carnificina, matando a todos no local e depois tentando se suicidar. O tiroteio final teve a saturação das cores reduzida, para amenizar o vermelho do sangue abundante nas cenas, visando ajustar o filme para a classificação R nos EUA.
A personagem Phoebe Buffay (Lisa Kudrow), do seriado “Friends”, muitas vezes tomava emprestado, e depois herdou de sua avó um Checker Cab, que ela dirigia para visitar a família ou encontrar com os amigos nos fins-de-semana numa estação de esqui.

EM ESCALA
Após a interrupção da fabricação dos Checker em 1982, diversos fabricantes de miniaturas começaram a produzir peças dos famosos A11 e A12. A SunStar produz várias versões do A11 1981, de Nova York, juntamente com o de Chicago e Los Angeles, com suas cores características, em escala 1:18. Estes modelos apresentam interiores detalhados, motores, chassis e decoração com logotipos e pinturas bastante exatas na carroceria. Com cerca de 11” de comprimento, 4” de largura e 3,75” de altura, tem abertura de capô, portas e porta-malas.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Carros e Filmes - Yellow Cab de Nova York

CHECKER TAXI CAB NEW YORK CITY
Os famosos taxis amarelos de Nova York eram os Checker Marathon, fabricados pela Checker Motors Corporation, de Kalamazoo, Michigan, e tanto a companhia de taxis como a montadora eram de propriedade de Morris Markin.
Os Checker se tornaram muito populares em todos os Estados Unidos entre 1958 e 1982, com várias cidades adotando os carros para sua frota de táxis. São comparáveis aos táxis de Londres, com seu estilo que se manteve durante os anos, adquirindo status de verdadeiros ícones.
A origem da empresa remete ao início do século XX, quando a cidade de Chicago começou a se motorizar, devido à grande demanda de passageiros no terminal ferroviário, que ligava Chicago ao restante do país. Em 1920, duas empresas disputavam o mercado: a Yellow Cab e a Checker Taxi.
A Yellow Cab foi fundada por John Hertz, em 1910, que posteriormente, estabeleceu sua própria fabricação de taxis em 1917. Já a Checker Taxi não possuía a fabricação de taxis, mas usava os Mogul Cabs, fabricados pela Commonwealth. A empresa estava à beira da falência, e para honrar seus compromissos de fornecimento às empresas de taxi, fundiu-se com a Markin Automobile Body, cujo dono era Morris Markin, um lojista de roupas de Chicago, que fundou a Markin Automobile Body em Joliet, Illinois, com um capital de US$ 15.000,00.
Checker 1923
Os carros eram bem resistentes, e ganharam aceitação do mercado. A partir de 1924, Markin começou a comprar licenças de operação dos Checker Taxi, e adquiriu o controle total da empresa em 1937. Equipou os motoristas com uniformes, e foi a primeira companhia a contratar afro-americanos como motoristas, e consequentemente, exigir que os taxis atendessem também os negros, e não apenas os brancos.
Isso criou uma animosidade contra Markin, além da competição no mercado em Chicago, e o atentado contra sua casa o levou a transferir a administração e produção de carros para Kalamazoo, Michigan. Por sua vez, John Hertz havia vendido parte de sua empresa na Yellow Cab para a Parmalee Transportation Company, e em 1929, um incêndio suspeito em seus estábulos, matou os seus cavalos de corrida premiados. Isso fez com que ele vendesse suas ações para Markin, que logo mais, comprou a participação da Parmalee, assumindo o controle da empresa. A empresa viria a se tornar a maior empresa de taxis dos Estados Unidos.
Antes de vender sua parte na Yellow Cab, em 1925, Hertz havia vendido o setor de Taxis, Caminhões e Ônibus para a General Motors, que em certo momento, ofertou as operações para Markin, mas este recusou. Ao invés de desativar a operação, a GM entrou no negócio de taxi na cidade de Nova York, com o nome de Terminal Taxi Cab, fazendo concorrência direta com a Checker, de Markin.
A disputa entre as companhias se acirrou a tal ponto, que o prefeito teve de intervir, criando a comissão Taxi Cab, que emitia as licenças para os operadores de taxis na cidade, e determinou que os carros tivessem capacidade para cinco passageiros no banco traseiro. Isso favoreceu Markin e outros fabricantes que atendiam este requisito, e ao longo das próximas três décadas, Markin seguiu formando as “Checker Taxi” ou “Checker Cab” em diversas cidades dos Estados Unidos.
Depois do período da II Guerra Mundial, a Checker voltou a produzir os carros, similares aos modelos pré-guerra, mas já denominados “Sedans” O modelo de 1947, tinha 127 polegadas no entre eixos e carroceria monobloco, sendo produzidos até 1956.
Checker 1950
Em 1954, Nova York revisou suas especificações, eliminando a exigência dos cinco passageiros no banco traseiro e o mínimo de 120 polegadas de distância entre eixos. A Checker então desenvolveu um novo modelo, o A8, cujo estilo e formas básicas seriam mantidos até o final de sua produção, em 1982.
Com um design que lembrava os carros da GM, os faróis duplos vieram em 1958, uma nova grade dianteira, detalhes como lanternas traseiras, e a vigia traseira com a coluna “C” mais estreita proporcionava melhor visibilidade aos passageiros.
Em 1960, a Checker apresenta o A9 e pela primeira vez, começaram a ser vendidos ao público a versão A10 Superba. Em 1961 surgiram as versões de luxo do A10 Superba, a Marathon e Station Wagon. O Superba foi descontinuado em 1963, e os Taxi Cab foram denominados A11, e o Marathon veio a se tornar o A12.
A partir de 1965, os Checker eram equipados com motores de seis cilindros da Chevrolet, os “small-block” 283 e opcionalmente o V8 com 327 cid, com válvulas no cabeçote. A partir dos anos 1970, o “small-block” passou para 350 cid, que ficou até o final da produção. Nos anos 1980, a GM ofereceu os novos V6 com 229 cid como padrão, e um “small-block” V8 de 305 ou 350 cid, como opcional.
A caixa de velocidades era padrão desde a década de 1930: manual com 3 velocidades. Em 1956, era ofertada uma caixa automática Borg-Warner, para os motores Seis-em-linha Continental com comando na cabeça. Na década de 1970, a caixa Turbo-Hydra-Matic 400 da GM se tornou padrão em todos os Checker.
Com o aumento das exigências de segurança e legislação nas décadas de 1960 e 1970, os Checker foram recebendo melhoramentos para adequação. Luzes direcionais e de estacionamento âmbar em 1963; cintos de segurança em 1964; coluna de direção absorvedora de energia em colisões em 1967; cintos de três pontos e luzes de seta nos para-lamas em 1968; apoio de cabeça para todos em 1969.
Checker A11 Superba 1982
Para-choques resistentes a impactos de até 5 mph em 1973; motores que funcionavam com gasolina sem chumbo em 1975; novo volante em 1978; direção hidráulica e freios a disco dianteiros com assistência se tornaram padrões na década de 1970, e em 1978 os limpadores de para-brisa passaram a funcionar em paralelo.
Apesar de serem carros voltados para o trabalho de taxis, alguns Checker Marathon foram produzidos como luxuosas limusines nos últimos anos. Um modelo A12E, especialmente construído para a esposa do CEO da empresa, mantém sua condição de novo, com menos de 50 milhas rodadas no odometro. As limusines eram equipadas com tetos de vinil, “opera-windows”, diversos acessórios motorizados e um luxuoso estofamento em couro e acabamentos em madeiras nobres.
Os últimos Checker A11/A12 foram fabricados em 1982, quando a Checker saiu do negócio de fabricação de carros. A empresa continuou operando em capacidade parcial, fabricando peças para a General Motors até janeiro de 2009, quando declarou falência.

CHECKER AEROBUS
Esta era uma versão estendida, com três fileiras de assentos, cada qual com suas portas de acesso. O Aerobus foi oferecido em associação com aeroportos e estações de trem, e também acabou sendo usado por hotéis e resorts no transporte de hóspedes e convidados.
Era equipado com um motor V8 350 cid da Chevrolet, com caixa de câmbio Turbo 400 Automatic. Vinha com Ar Condicionado, pintura especial, freios servo-assistidos e interior acarpetado.

CHECKER CAB EM TAXI DRIVER
O Checker Marathon se tornou uma marca registrada na cidade de Nova York, a ponto de diversos filmes contarem com a presença deles, inclusive na série “Taxi”, a fictícia companhia “Sunshine Cab Company” tinha os Checker como personagens principais, e os dramas pessoais dos motoristas e passageiros da cidade como coadjuvantes. Um dos mais famosos filmes com forte presença do Checker Cab foi “Taxi Driver”, de 1976, com direção de Martin Scorcese, onde Travis Bickle (Robert de Niro), um neurótico motorista de Checker que leva o seu destino trágico de acabar com a escória de Nova York. O filme também tinha Iris (Jodie Foster), uma prostituta de rua com 12 anos, e “Sport” (Harvey Keitel), seu cafetão e explorador.
Travis Bickle é um taxista de 26 anos frustrado e alienado do meio-oeste dos Estados Unidos, que alega ter sido recentemente dispensado do Corpo de Fuzileiros Navais. Ele sofre de insônia e arranja um emprego de taxista na cidade de Nova York, trabalhando de madrugada na periferia de Manhattan. Passa seu tempo livre assistindo a filmes pornográficos e nas ruas, observa a escória da sociedade que contamina a sociedade, sentindo-se incomodado com o declínio moral ao seu redor.
Jodie Foster como Iris
Quando Iris entra no seu carro, para fugir de seu cafetão, Travis torna-se obcecado para salvá-la, não sendo correspondido por ela nas suas intenções; ela diz que estava drogada quando tentou fugir e que Sport, seu cafetão, é uma pessoa gentil e prestativa.
O filme caminha numa tensão crescente, nos relacionamentos de Travis, até que ele resolve assassinar o Senador Palantine, cortando seu cabelo no estilo moicano, segue para um comício, mas levanta suspeitas e desiste. Armado até os dentes, segue para o bordel onde Iris trabalha e provoca a maior carnificina, matando a todos no local e depois tentando se suicidar; mas a munição acaba; a polícia chega e ele imita um revolver com a mão, “atirando” na cabeça. O tiroteio final teve a saturação das cores reduzida, para amenizar o vermelho do sangue abundante nas cenas, visando ajustar o filme para a classificação R nos EUA.
Na preparação para o papel, De Niro, que estava filmando 1900 com Bertolucci, na Itália, pegava um avião na sexta-feira para Nova York, onde conseguiu uma licença de taxista; pegava um carro (um taxi de verdade) e dirigia pela cidade, devolvendo-o no domingo para retornar a Roma. Ele também usava as folgas das gravações para visitar uma base militar no norte da Itália e gravava o sotaque de alguns presentes no local, para ajudar na caracterização de seu personagem.
Connie e Jodie Foster
Jodie Foster tinha 12 anos na época, e foi examinada com testes psicológicos para assegurar que seu papel não a afetaria emocionalmente, e não podia fazer algumas cenas mais fortes. Sua irmã Connie Foster, de 19 anos, foi contratada para fazer as cenas de dublê de corpo. Mais tarde, ela disse que estava presente durante a montagem dos efeitos especiais usados durante as cenas, e o processo foi explicado e demonstrado para ela, passo a passo. Em vez de ficar traumatizada ou transtornada, Jodie disse ter ficado “fascinada e entretida” com a preparação exigida nos bastidores para compor as cenas. A atriz que interpretou a amiga de Iris no filme era uma prostituta de verdade, com quem Jodie fez um treinamento para compor o seu papel.
Taxi Driver ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1976, e De Niro ganhou o Oscar de melhor Ator pelo papel de Travis Bickle.

CHECKER CAB EM FRIENDS
A personagem Phoebe Buffay (Lisa Kudrow), do seriado “Friends”, muitas vezes tomava emprestado, e depois herdou de sua avó um Checker Cab, que ela dirigia para visitar a família ou encontrar com os amigos nos fins-de-semana numa estação de esqui.
O táxi da avó de Phoebe aparece em diversos episódios de Friends, incluindo um em que Phoebe usa o táxi para ir de Las Vegas até Nova York e até em um episódio de natal, onde ela pega o Checker 1977 emprestado para tentar encontrar seu verdadeiro pai. Chandler pega carona com ela no banco dianteiro, mas só até descobrir que não há cinto de segurança porque “Os paramédicos tiveram que cortá-lo”. Em outro episódio, Phoebe surta ao notar que um estranho entrou no táxi quando ela estava apressada para levar Ross ao aeroporto: “Get out of the Cab!” (saia do táxi!) gritam os dois para o homem que insistia em querer uma corrida no táxi fora da praça.

CHECKER CAB EM ESCALA
Checker A11 SunStar na escala 1:18
Após a interrupção da fabricação dos Checker em 1982, diversos fabricantes de miniaturas começaram a produzir peças dos famosos A11 e A12. A SunStar produz várias versões do A11 1981, de Nova York, juntamente com o de Chicago e Los Angeles, com suas cores características, em escala 1:18. Estes modelos apresentam interiores detalhados, motores, chassis e decoração com logotipos e pinturas bastante exatas na carroceria. Com cerca de 11” de comprimento, 4” de largura e 3,75” de altura, tem abertura de capô, portas e porta-malas.
A Matchbox produziu um Checker amarelo que apresentava o logotipo bem conhecido “Checker Special” em suas portas traseiras.
Checker A11 Greenlight na escala 1:18
A Greenlight colocou no mercado um exemplar do A11 de 1977, usado pela personagem Phoebe Buffay, de Friends, com um detalhamento bastante caprichado, nas escalas 1:43 e 1:18, esta parece ser a mesma produzida pela SunStar. Em 2022 a Greenlight lançou o Checker do filme Taxi Driver na escala 1:64, na Séire "Hollywood". A Franklin Mint produziu um Checker 1963 de Nova York na sua escala usual de 1:24, muito bem detalhada. Da Sunnyside, temos um modelo em 1:34 do mesmo ano, e que foi bem distribuído como uma lembrança de várias cidades, assim como Nova York e Miami; tinha pneus com faixa branca e calotas pequenas; um motor Continental com cabeçotes em “L”, câmbio manual com alavanca no assoalho e freios servo-assistidos.
O Checker de Travis Bickle da Greenlight, em 1:64



REFERÊNCIAS: