sábado, 3 de julho de 2021

CORVETTE GRAND SPORT

Em 1963, os Shelby Cobra, desenvolvidos por Carrol Shelby junto com a Ford, faziam sucesso nas pistas americanas e na Europa.
Zora Arkus-Duntov, engenheiro-chefe da Divisão Chevrolet sempre foi adepto de participar de competições para endossar as qualidades dos carros da Chevrolet. Assumiu a missão de criar um competidor à altura dos Cobras, e iniciou-se o programa para criar um carro para competir nas 24 Horas de Le Mans de 1963.

O primeiro fruto foi o Corvette Sting Ray Z06, da geração conhecida como C2.

Este carro demonstrou as potencialidades do Corvette nas pistas, mas também revelou suas deficiências principais: com mais de 3.100 libras do carro de produção, era quase 50% mais pesado que a concorrência, e mesmo com enormes tambores de freio, sua eficiência era muito comprometida.

A solução era projetar um carro de corridas, usando todos os materiais mais leves disponíveis, e no caso dos freios, disco nas quatro rodas. Uma suspensão avançada, sofisticada e independente nas quatro rodas, com a vantagem da potência do grande V8 completava o pacote.

Devido ao acordo feito desde 1957 com a AMA (Automobile Manufacturers Association) de não ter envolvimento direto com as competições, o projeto do Grand Sport começou em segredo, com a aprovação de Bunkie Knudson, Vice-Presidente Executivo da GM.

A produção prevista para 125 exemplares (para homologação no regulamento da FIA na classe GT) seria vendida para escuderias amadoras, contornando a proibição da AMA.

Cinco protótipos foram construídos, com a meta inicial de reduzir o peso total. O chassi era formado de uma gaiola de tubos de alumínio, substituindo os de aço do carro normal de produção. A carroceria de painéis de fibra de vidro eram mais finas e foram colados na nova estrutura. As rodas de aço estampadas foram trocadas pelas de magnésio fundido. A caixa de direção e a carcaça do diferencial fundidos em alumínio também ajudaram a diminuir ainda mais o peso. Ao final, pesavam 2.150 pounds (975 kg), 1.000 pounds (220 kg) mais leve que os Corvette de linha.

Os cinco protótipos foram concluídos e a Chevrolet apresentou um pedido de homologação para a FIA.

Duntov levou o Grand Sport #001 a Sebring em dezembro de 1962 para testes. Ainda sem o motor definitivo de 377 pol3, foi instalado um L84 modificado com 327 pol3 injetado. Os freios a disco mostraram-se problemáticos, sendo substituídos por discos maiores e ventilados, e os tempos obtidos ficaram a segundos do recorde da pista, provando que os testes foram um sucesso.

Apesar destas boas notícias terem chegado a Frederic Donner, Presidente da GM, em janeiro de 1963 desabou sobre a equipe a notícia de que todos os esforços de competição deveriam ser cancelados, segundo o acordo com a AMA, e o processo de homologação junto à FIA foi retirado apressadamente.

O Grand Sport #003 foi emprestado a Dick Doane, e o #004 para Grady Davis, para disputar as corrias do SCCA. Devido à falta de apoio da fábrica, seus resultados foram tímidos, mas a Escuderia de Davis, com o Dr. Dick Thompson ao volante do #004, foi capaz de uma vitória no SCCA Nationals, em Watkins Glenn, em agosto de 1963. Desde que ambos os carros pareciam Corvettes e foram equipados com motores de produção, não despertaram muita atenção. Ambos foram devolvidos à Chevrolet em outubro de 1963.

As experiências de pista com estes carros resultaram em algumas modificações; as mais notáveis sendo diversas aberturas na carroceria para melhorar a refrigeração do motor e freios, aumento dos freios e relação do diferencial, e a instalação de rodas e pneus mais largos de 9 polegadas e meia, obrigaram a colocar extensões os para-lamas, que se tornaram assim uma marca registrada dos Grand Sport.

O motor que Duntov tinha planejado instalar no GS finalmente ficara pronto. Um “small-block” de 377 cid, alimentado por quatro carburadores Weber de 58 milímetros, com coletor especial de alumínio de fluxo cruzado. Anunciava 485 cv de potência a 6.000 rpm.

O Grand Sport com as persianas no capô
Em dezembro de 1963, os Grand Sport coupés  #003, #004 e #005 foram enviados a Nassau para a Speed Week anual. O texano John Mecom chefiava esta equipe “privada”, com os pilotos Roger Penske (nº 50), Dick Thompson (nº 80), Jim Hall, John Cannon e Augie Pabst (estes últimos com o nº 65). Aliás, vários engenheiros da Chevrolet tiraram férias nas Bahamas naquele ano. Dois Grand Sport foram inscritos para o Tourist Trophy de domingo, classificando-se em segundo e terceiro no grid. Na corrida, o super-aquecimento do diferencial tirou os dois carros da prova. Radiadores de óleo para refrigerar os diferenciais foram enviados apressadamente por um “portador”, outro engenheiro que “tirou férias nas Bahamas”, para equipar os Grand Sport na Copa do Governador na sexta-feira.

O resultado apareceu logo: os Grand Sport terminaram em terceiro, quarto e sexto lugares, bem à frente dos Cobra de Shelby. Na Nassau Trophy de domingo, dois Grand Sport terminaram em quarto e oitavo, novamente deixando os Cobra muito atrás, e as Ferrari que participaram mais ainda. O potencial dos carros - e seu calcanhar de Aquiles - ficou evidente durante essas corridas na pequena ilha ao largo da costa da Flórida. Jim Hall resumiu sua experiência ao volante do Grand Sport: “Aquele carro era muito rápido”, lembra Hall. “Mas a traseira não era boa no carro que eu dirigi, e não durou muito na única corrida que eu dirigi em Nassau.”

De volta a Warren, Michigan, os engenheiros buscavam resolver os problemas identificados na Nassau Speed Week. O acúmulo de pressão dentro do cofre do motor exigiu aberturas para exaustão do ar, sob pena dos capôs serem ejetados nas altas velocidades. Esta pressão, combinada com a grande área frontal e o perfil elevado do Grand Sport agravava a tendência alarmante do carro levantar a frente em alta velocidade.

Para as 24 Horas de Daytona, em fevereiro de 1964, Duntov e seus engenheiros converteram os Grand Sport Coupe #001 e #002 em roadster, amputando os tetos para reduzir o perfil e a área frontal. Os capôs do motor traziam persianas para aliviar a pressão no compartimento do motor.

Infelizmente, as notícias do sucesso dos Grand Sport em Nassau chamaram a atenção da direção da GM, e em vista da vigência da proibição da AMA das montadoras se envolverem em competições, veio a ordem para que os carros fossem destruídos.

Imediatamente, funcionários da equipe que trabalhava nos Grand Sport levaram três dos coupes para fora da companhia, para equipes privadas, que competiram com eles nos anos seguintes. Os dois roadster permaneceram escondidos nos labirintos de Warren, e foram vistos poucas vezes, antes de serem vendidos para Roger Penske e George Wintersteen no começo de 1966. Eles competiram com estes carros por um breve tempo e depois foram vendidos para pilotos particulares.

Grand Sport #002
Carroll Shelby ficou muito aliviado com a ausência de patrocínio oficial da GM, já que certa vez observou que, devido à interferência corporativa, Duntov “realizou apenas 25% do que era capaz”.

Steve Temple, que trabalhou na Shelby American como Diretor de Marketing, comentou: "Carrol Shelby uma vez me mencionou em particular que se a GM não tivesse parado de correr, seus Cobras não teriam sido tão bem-sucedidos - um grande elogio, de fato, para um rival sério. Em um momento atípico, comentando sobre seu tão elogiado encontro do Cobra com o design de Duntov, ele declarou simplesmente: "Estávamos em desvantagem"".

Foi uma admissão sem precedentes do homem que construiu o sucesso do Cobra. Ele não só reconheceu que o Grand Sports tinha mais potência e melhores freios, mas também sua estrutura tubular era muito mais rígida do que a estrutura de escada flexível do 289 Cobra. Estremecendo com uma das poucas derrotas em sua histórica carreira de automobilismo, Shelby acrescentou que, "A única maneira de o Cobra se manter em pistas de estrada era usando os pneus de corrida de composto extra-macio da Goodyear."

Os Grand Sport mudaram de donos diversas vezes durante os anos, mas todos estão em mãos de colecionadores, preservados e em condições de rodar, mas apenas o #004 tem participado regularmente de Vintage Racing, e o #003 muito raramente. Os demais aparecem em exposições e eventos automobilísticos, mas não participam de corridas. O #001 pertence a um colecionador chamado Harry Yeaggy de Cincinnati, Ohio. O chassi #002 faz parte da coleção do Simeone Foundation Automotive Museum em Philadelphia, Pennsylvania. É o único dos cinco modelos que não foi restaurado até hoje, mantendo seu aspecto original, com os devidos desgastes do tempo. O #004 pertence ao Miles Collier Collection e fica em exibição no The Revs Institute em Naples, Florida. O #005 pertence a Bill Tower, um colecionador de Plant City, Florida. 

Grand Sport #004
O exemplar #003 é de propriedade de Larry Bowman, um grande colecionador de Corvettes e Cobras, que o adquiriu de Tom Armstrong em 2004. Depois de vários anos sendo dono do Grand Sport, Bowman é franco sobre sua relação com o carro: "É meio amargo, como namorar uma supermodelo maluca", diz ele com um olhar estranho e distante. "Você a ama, então você a odeia, então você a ama." Como é isso, então?

“Ela vai te morder na bunda”, explica ele sobre a contradição de como um carro tão poderoso e lendário quase poderia arruiná-lo, mas o faz se sentir tão bem ao mesmo tempo. Ao pilotá-lo de verdade, já que ele não se restringe de levar uma peça de coleção tão rara para a pista ou mesmo para rodar nas ruas, e ele confirma a tendência que o GS tem de levantar a frente na aceleração, e a frente escapa ao frear nas curvas.

E não só isso; a traseira dá uma "estilingada" quando se alivia o acelerador. “Este carro faz você realmente apreciar A.J. Foyt.” (referindo-se à pilotagem de Foyt quando correu com o GS com John Cannon nas 12 Horas de Sebring, em 1964).

O CORVETTE GRAND SPORT REPLICA

Gary Hunt, de Naples, Florida, que construiu vários Hot Rods e restaurou inúmeros carros para colecionadores, é um grande fã dos Grand Sport. Claro que ele não podia comprar um deles, mas se sentia capaz de criar uma réplica do carro que muito admirava.

Enquanto estava no hospital, convalescendo de uma cirurgia no coração, recebeu uma ligação de um amigo dizendo que o Grand Sport #005 estava em Naples, na oficina de um amigo comum, para alguns serviços de reparação. Assim que pôde, Gary foi ver o carro, tirou dezenas de fotos, tirou varias medidas e ali tudo começou.

Inspirado para construir uma réplica, Gary começou a buscar um carro "doador". Em seis meses, encontrou um Coupé 65 na cor Milano Maroon, atrás de um posto de gasolina em Marco Island, Florida.

"O carro estava batido, muito estragado. O chassi estava torto, e toda a traseira estava faltando; o motor havia sido instalado em um El Camino. Tentei comprá-lo, mas o dono recusava todas as ofertas para vender". Finalmente, Gary perguntou a ele o que seria necessário para ele vender o carro, e o dono disse: "Um kit de solda". Isso e mais US$ 500 foi o bastante para o Corvette mudar de mãos. Em 11 de agosto de 1985 Gary o levou para sua oficina.

Ele foi para Bloomington Gold em 1986 para ver o #004, fotografá-lo e tirar as medidas que pudesse. Também comprou o livro "Star Splangled Sportscar" escrito por Karl Ludwigsen, onde havia muitas referências que podia utilizar.

Gary fabricou o chassi tubular seguindo as medições de fábrica e os desenhos que havia feito com base no #005. Também fabricou os braços de controle dianteiro da suspensão e fez os buracos nos traseiros como no original, para reduzir o peso. A caixa de direção era a original do carro, mas foi pintada de prateada para simular a original de alumínio.

Ele fez várias alterações no cofre do motor e nos acessórios para replicar o original com todas as modificações que Duntov criou para o Grand Sport. O V8 de 327 cid veio de um antigo barco Chris Craft, e manteve muitas especificações normais para andar nas ruas.

O câmbio e o diferencial com relação de 2,72:1 veio de um Corvette 69, e o radiador de alumínio Modine recebeu um ventilador elétrico do Pontiac Fiero. Trocou os vidros por Plexiglass e um amigo construiu o tanque de alumínio de 36 galões. conforme o original.

Claro que no final, o carro não é uma réplica exata de um dos cinco modelos do Grand Sport, mas "acreditem ou não, um monte de pessoas pensa que é um dos originais mesmo. Eu apenas o fiz para o meu prazer. Adesivei o número cinco para homenagear os cinco exemplares construídos por Zora Arkus-Duntov nos anos 1960" diz Gary.

O carro foi terminado em 25 de junho de 1988, e Gary o dirigiu por 16 milhas naquele dia. Durante os três anos que passou construindo seu Grand Sport, Gary participou sempre do NCRS Winter Regional Meet em Cypress Garden, levando o carro  como "work in progress"; e nesse tempo, conheceu todos os proprietários dos Grand Sport originais.

Depois de 14 anos dirigindo seu Grand Sport, Gary o vendeu em 2002 para um entusiasta de Fort Myers. "Eu sabia que viveria para me arrepender de vendê-lo", diz Gary, "mas ele simplesmente ficou parado na garagem. Tive de construir uma casa e criar uma família e estava pronto para seguir em frente com outros projetos. Mas você sabe, tenho todos os planos e padrões e sempre posso construir outro. Eu só tinha cerca de US $ 3.500 quando comecei, e despendi pouca coisa, porque construí tudo sozinho."

O carro não durou muito nas mãos do novo dono, foi vendido para o colecionador Rick Treworgy, de Punta Gorda, Florida, que o dirige regularmente, assim como Gary queria quando o construiu vinte anos atrás.

EM ESCALA

STANDOX

Grand Sport da Standox, em 1:18
Coupé com pintura “camaleão”, que muda de tom dependendo da incidência da luz. Como os originais sofreram alterações rápidas entre as competições em que participavam, a fidelidade da configuração entre os exemplares tem de ser deixada de lado, neste modelo, o atrativo é a pintura, nem tem adesivos na superfície.

YATMING

Para 1964, os chassis #001 e #002 foram transformados em roadsters, visando facilitar a troca de pilotos nos pit-stops e melhorar a aerodinâmica. O carro nº 12 (#002), pintado de branco com a larga faixa azul, foi pilotado por George Wintersteen, na Governor’s Trophy, chegando apenas em 40º lugar.

O Grand Sport #002 transformado em Roadster

Vendido em 1966 para Roger Penske, que o vendeu para George Wintersteen, que trocou o V8 de 377 cid por um de 426 Big Block e competiu na temporada de 1966 da USRRC.

Nos anos 1990, depois de vários proprietários, Jim Jaeger decidiu restaurar o carro,  removendo a carroçaria para replicar algumas peças e instalou um V8 de 377 cid de carter seco como era no original. Nestas condições, correu várias Vintage Races. Em 2009 foi levado a leilão mas não houve comprador para bater o martelo no lance de US$ 4,900,000. Hoje ele está no acervo do Simeone Foundation Museum.

A YatMing reproduz o #002 com excelente fidelidade nos detalhes, as largas rodas com enormes pneus, e também deixou de lado do detalhe da maçaneta embutida.

O Grand Sport da Welly reproduz o #001 Roadster, na cor azul.



EAGLE COLLECTIBLES 1:43


Estes modelos trazem um nível de detalhamento excelente, e retratam o #001 roadster nº 10 azul correu nas 12 Horas de Sebring, da equipe de Roger Penske, correu com os pilotos Dick Guldstand e Dick Thompson, abandonou na volta 65. O cupê nº 2 é o de chassi #003, e foi pilotado nas 12 Horas de Sebring de 1965, por George Wintersteen, Peter Goetz e Milt Diehl, chegando em 14º lugar.

HOT WHEELS

Corvette Grand Sport Roadster, mainline de 2023

O Grand Sport Nº 9 foi customizado com rodas da AC Custon,
e teve os escapamentos trocados também.

Grand Sport de Fast Five, filme dos Velozes e Furiosos
rodado em parte no Rio de Janeiro.



Este Grand Sport é um T-Hunt, mas veio na cartela errada,
coisa que acontece de vez em quando devido aos milhões de
Hot Wheels produzidos a cada ano.

Os modelos da Mattel são os mais numerosos, e surgem todos os anos com decorações diversas, deixando os colecionadores malucos atrás de todas as versões para completar suas coleções. As fotos mostram alguns que juntei na minha coleção nos últimos anos.
A curiosidade é o Grand Sport Nº 11, um Treasure Hunt, série limitada de 2011, que veio embalada na cartela do Olds 442. Um T-Hunt como este tem uma certa dificuldade para ser encontrada no mercado, e ainda  mais com erro na embalagem. 

REFERÊNCIAS





domingo, 13 de junho de 2021

De “carrinhos” a “modelos em escala colecionáveis”

Em maio de 2018, fazia 50 anos que chegou ao mercado o primeiro Hot Wheels, os famosos carrinhos de metal, que de brinquedos para meninos principalmente, passaram a ser colecionados pelos adultos, porque a cultura do automóvel está presente na vida de todas as pessoas. Carros que são objetos de desejo, carros em que os jovens aprenderam a dirigir, ou que fizeram parte de sua infância e juventude, se tornaram presentes primeiro nas gavetas e caixas, depois nas estantes e hoje forram as paredes de milhões de colecionadores, alguns contumazes compradores de modelos, que saem a cada ano com decorações diferentes.

A Hot Wheels é a maior fabricante de carros do mundo, com mais de 4 bilhões de unidades por ano, e o preço de 1 dólar/unidade se mantém desde que o primeiro Hot Wheels foi lançado. Com a inflação, este preço deveria estar por volta de US$ 2.50; portanto, hoje eles são bem mais baratos do que quando foram lançados.

Série comemorativa dos 50 anos

Nestes 50 anos, somam-se cerca de 3.500 modelos diferentes, e cerca de 175 bem raros e valiosos dentre os colecionadores e aficionados pelos carrinhos coloridos.

Modelos valendo 50, 500 ou 5000 dolares são comuns nas Convenções anuais, promovidas em diversos países, com tal importância que merecem edições especiais comemorativas de tais eventos. Até uma convenção no Brasil mereceu uma edição exclusiva nas terras tupiniquins.






Deco Delivery da Convenção Brasileira em 2010


Bruce Pascal, um corretor de imóveis de Washington, EUA, possui o mais valioso exemplar de Hot Wheels atualmente. Consta que pagou no ano 2000 US$ 70,000 pela Beach Bomb rosa, com a prancha de surf saindo pela janela traseira; um exemplar dos 144 protótipos feitos em 1969, que nunca chegou ao mercado; hoje, o modelo está estimado em USD$ 150,000! Ele conta que no mesmo evento, no dia anterior, um homem pagou USD$ 56,000 por um set de modelos, e ele estima que no eBay, eles renderiam no mínimo USD$ 80,000 vendidos separadamente.

A mais valiosa Mini Hot Wheels: Beach Bomb

Com todos esses fatos, os designers que criam os carrinhos também foram alçados a celebridades, participando de Convenções e sendo promovidos pela Mattel com séries exclusivas com o nome deles nas cartelas.

Sem dúvida, o mais famoso foi Larry Wood, designer da Ford, entrou na Mattel em 1970, e por 40 anos criou inúmeros modelos que ainda estão no Mainline da Hot Wheels. Talvez seus mais difundidos modelos sejam o Bone Shaker, um Hot Rod Ford 32 com uma caveira no lugar do radiador, com incontáveis versões até hoje, e o Purple Passion, baseado no Mercury 49, logo se tornou um dos preferidos do público.


Ou Ryu Asada, designer do Porsche 911 de 1971, com decalques de Magnus Walker, estilista britânico de roupas, dono da marca Urban Outlaw. Ryu faleceu em março de 2021 devido a um câncer, e foi lamentado nas redes sociais sendo reconhecido por seu trabalho com os Hot Wheels.

Temos também Brendon Vetuskey, designer do 55 Chevy Belair Gasser, muito procurado pelos colecionadores por versões nem sempre fáceis de encontrar, por causa de edições com baixa tiragem; e Brian Benedict, que criou os modelos da Série Star Wars, sendo que o modelo de Darth Vader mereceu ser construído pela Hot Wheels em escala real, baseado numa plataforma do Corvette, da GM.











Até o Brasil recebeu o privilégio de ter carros brasileiros no Line-up da Hot Wheels: o VW Brasilia, design de York Bleyer; o VW SP2 de Rob Matthes; o Chevrolet SS (Opala) e o Dodge Charger 1974 (Brazilian Edition), ambos de Phil Riehlman.

DESTAQUE

Um dos que mais me chamou atenção foi Jun Imai, que trabalhou na Mattel de 2004 a 2018. Apesar de ter muitos Muscle-cars e Fantasy cars no seu line-up, ele é mais conhecido pelos modelos japoneses que desenhou, além de muitos modelos europeus, de modo que o público do mundo todo teve seu interesse aumentado por ver modelos de seus países reproduzidos na escala 1:64.


Entre os muitos modelos que desenhou, estão vários Chevy, Mustang, Pontiac, a Ferrari 250 GTO, a Dodge Van, Toyota 2000GT, Celica, Supra, FJ40, Honda Civic, Odissey, Mazda RX-7, Repu, o Tyrrel P34 de seis rodas, vários Skylines, Nissan Laurel, o Ford Galaxie 65, Maverick Custom, o BMW 2002, Greenwood Corvette, Porsche 935, 934.5, RWB 930 e 993 GT2, Charger Daytona 69, só para citar alguns.


Ele fez réplicas de seus próprios carros 1:1 – um Datsun Bluebird Wagon 1971 e um Nissan Fairlady Z (ou Datsun 260 Z), ambos customizados por ele mesmo em sua garagem de casa. Durante sua gestão como Diretor de Design de Produtos, ele trouxe carros como o Toyota AE86, Datsun 510, Datsun 620 pick-up, Fairlady Roadster, Nissan Laurel, Mazda RX-7 antigos e novos, vários Nissan Fairlady Z’s, o Mad Manga inspirado no movimento Bosozoku (tuning de carros baseados no visual da categoria Silhouette – final dos anos 1970 e início dos 1980 - do Japão), Toyota 2000GT e quase todas as gerações do Nissan Skyline. Pode ser creditado a ele o crescimento do interesse pelo JDM (Japan Domestic Market) entre os colecionadores de Hot Wheels, com a Mattel lançando séries com esse tema, e percebemos também a Greenlight seguindo esta tendência com a Série Tokyo Torque, e Matchbox também com carros japoneses no Mainline.


Jun também foi um visionário ao trazer marcas gratuitas que eram reais e em sintonia com os colecionadores e a sociedade automobilística de hoje, como Yokohama, GReddy, Magnus Walker. Ele até convenceu a Yokohama a usar sua marca Advan nos Estados Unidos. A Momo ficou ausente da memória do público por um tempo, mas ele a trouxe de volta também, decorando vários modelos com o design desta famosa marca.

Depois de deixar a Mattel, Jun trabalhou como Diretor de Produtos na Roborace, e colaborou com a TARMAC, de Hong-Kong, que faz modelos Premium, num patamar bem acima da qualidade e acabamennto dos Hot Wheels.

Por anos, Jun customizou castings da Mattel sob sua marca própria, a Kaido House. O nome vem dos carros rebaixados pelos fanáticos japoneses para tunar seus bólidos.

NOVO PROJETO

Atualmente, ele se associou com a Mini GT, a divisão para 1:64, da marca da TSM, que faz modelos na escala 1:18 e 1:43. Um encontro casual entre Jun e o presidente da TSM, Glenn Chou, no Indonesian Diecast Expo em Jacarta, vários anos atrás, gerou uma ideia de colaboração entre os dois. “E se eu pudesse fazer meu estilo de carros, mas com os recursos de desenvolvimento e fabricação do MiniGT?” Jun perguntou.

Adivinhem qual o primeiro modelo para celebrar esta parceria?


Um Pro Street Datsun 510. Mas por que um Pro Street (Dragster num carro popular japonês) se Jun fez sua fama com os carros da cultura japonesa?

“Eu queria que fosse uma diferenciação clara do meu trabalho anterior. Não quero repetir o que fiz, então pensei,‘ Qual é uma das maneiras mais extremas de construir um 510? '”

“Ainda é totalmente estilo JDM”, explicou Jun, “tem um motor Nissan, não um V8 swap. Possui rodas de 4 raios. Os pneus são Advan drag slicks. ” Esse tipo de pneu não existe na vida real, mas Jun acrescentou: “Eu queria celebrar minhas parcerias com empresas como Yokohama e GReddy”, que patrocinaram seus projetos 1:1.


Mesmo que você não saiba nada sobre a cultura automotiva japonesa ou a história de Jun, o modelo em si é algo para se ver. Com acabamento caprichado sobre o verde pelo qual o Datsun Wagon 510 de Jun era conhecido, ele apresenta um capô de abertura com detalhes de motor incríveis, muitos gráficos sobrepostos e o que seriam peças de reposição autênticas se este fosse um carro real, com uma gaiola de segurança e spoiler Pro Street na tampa do porta-malas.

O modelo todo tem mais de 35 peças num nível fantástico de detalhamento. Apenas como exemplo, cada lente do farol dianteiro é uma peça separada, e é montada no corpo do farol que também é uma peça separada. “Trabalhar nesse nível foi uma experiência completamente nova para mim”, disse Jun.

O detalhamento desta mini é fantástico: O radiador reproduz uma unidade Koyorad real. O motor é uma réplica de um turbo Nissan KA24 construído e licenciado pela GReddy como kit completo, toda tubulação colocado por Kenji Sumino na preparação está lá.

“Eu queria preencher a lacuna entre 1: 1 e 1:64”, disse Jun, e ele é um homem de palavra - você verá essa configuração na Wagon 510 real de Jun em breve.


Costumo dizer que uma simples troca de rodas numa mini mainline já mudam completamente o aspecto dela. As rodas desta mini são unidades de duas peças reais e são inovadoras: é o primeiro 1:64 a ter aros de alumínio de verdade para as rodas. Cada um é usinado de um cilindro de alumínio, e há quatro deles por carro.

Claro, isso tem um custo, e as companhias acabam abrindo mão deste tipo de detalhamento nos modelos. Também, certos detalhes nunca serão percebidos se a mini passar todo o tempo dentro de uma caixa de acrílico, então a idéia é tirá-la da embalagem e colocar num expositor para poder manusear o modelo.

Jun afirma que todos os modelos da Kaido House terão rodas assim, e em tamanhos diferentes, pois como qualquer entusiasta de carros sabe, as rodas são uma parte importante do visual de um carro. Seria de esperar que o preço deles fosse alto, mas ele prevê que fique por volta de R$ 100,00 por unidade. Para racionalizar os custos , cada casting terá variações de cores e decorações diferentes, inclusive Edições Especiais. Sobre elas Jun foi inflexível sobre manter os modelos dentro das caixas, para que os revendedores e lojistas não possam distinguir dos modelos comuns e impedir que os colecionadores os adquiram normalmente.

Ao iniciar sua linha com o Datsun Pro Street, todos estão ansiosos de saber qual será o próximo modelo, e alguns especulam que o 510 Wagon de Jun será contemplado para seguir com a produção, mas ele comenta que “poderia fazer uma Shooting Brake de duas portas, ou um novo casting widebody com um motor RB26”, num tom entre sério e divertido...

Jun Imai e seu Datsun Bluebird 510 Wagon 1:1 e 1:64

“Esses carros representarão o que eu construiria na escala 1:1 se eu tivesse os meios”, disse Jun, mas isso seria colocar em termos mais literais. De modo geral, “é um pedaço da cultura automotiva que você pode segurar nas mãos”.

Então fiquemos na espreita e acompanhemos os lançamentos desta nova empreitada de Jun Imai.



REFERÊNCIAS:

Créditos das fotos: Japanese Nostagic Cars e hotwheels.fandom.com/wiki/

https://japanesenostalgiccar.com/minicars-jun-imai-leaves-hot-wheels/

https://jornaldocarro.estadao.com.br/carros/designer-da-hot-wheels-e-fa-do-opala-ss/

https://www.foxnews.com/auto/legendary-hot-wheels-designer-larry-wood-looks-back-at-the-brands-50-years

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Jun_Imai

https://japanesenostalgiccar.com/jun-imai-kaido-house-datsun-510-pro-street/

https://www.caranddriver.com/features/a15128597/in-the-minds-of-hot-wheels-collectors/

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Larry_Wood

https://hotwheels.mattel.com/explore/history

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Brendon_Vetuskey

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Ryu_Asada

 

sábado, 12 de junho de 2021

Ice Charger, The Fate of the Furious

Cenas finais de F&F 7
No final de Furious 7, este Dodge Charger apareceu ao lado do Toyota Supra 1998 de Brian. Era denominado de “Maximus Charger”, com carroçaria de alumínio escovado, com um motor de 2.000 cv. Na homenagem a Paul Walker, Dom dirige o Charger ao lado de Brian no Supra branco, até que a estrada se divide e a tomada aérea mostra Brian e Dom se separando.

No filme “The Fate of the Furious” (O destino dos furiosos) Dom dirige um Charger R/T 1968 altamente customizado, equipado com um Gerador a turbina para alimentar a Arma de Pulso Eletromagnético, foi construído por Dennis McCarthy, da Vehicle Effects, que tem feito os carros da franquia Velozes & Furiosos desde o filme The Tokyo Drift. Havia nove exemplares preparados, em vários níveis de acabamento, pois Dennis estima que metade deles foram destruídos ou sofreram muitos danos nas filmagens no gelo. Três com a motorização completa com tração nas quatro rodas; dois carros para as tomadas de saltos, com suspensões reforçadas; um exemplar somente com a carcaça para lançar contra o submarino e três exemplares para as colisões.


Este Dodge tem um chassi tubular, e a carroçaria do Charger de segunda geração é uma das mais largas já customizadas. Os paralamas são rebitados, assim como a moldura do parabrisa e das janelas, o escape Magnaflow de 5 polegadas logo antes da caixa da roda traseira cospe fogo nas fortes acelerações do poderoso LS3 V8, recuado em 60 cm; com uma caixa Turbo 400 que comanda três diferenciais, distribuindo a tração para as quatro rodas.

Para as cenas no fiorde gelado, os largos pneus foram equipados com mais de mil tachas em cada um, garantindo a tração na superfície gelada e escorregadia.


O Dodge Charger R/T 1968 Ice Charger, “Hero car” sobrevivente está no The Celebrity Car Museum, localizado em Branson, Missoury. De propriedade da família Velvet, o Museu tem em seu acervo diversos carros usados em filmes, e mais de dez exemplares da franquia Fast and Furious, entre eles o Charger de F&F 5; o Bentley de Roman e o tanque de Tej de The Fate of the Furious; mas a cereja do bolo é este Ice Charger.

EM ESCALA

Ice Charger Mainline 1:64

O Ice Charger mereceu reproduções da Mattel na Série Fast& Furious 8, na escala 1:55, e na Mainline HW Screen Time na tradicional 1:64. Esta com menos detalhamento e rodas padrões comuns a outros modelos, traz as perfurações de balas que recebeu na filmagem.

O outro exemplar, mais detalhado, não traz as perfurações, mas tem rodas mais fiéis ao original, assim como a turbina e o gerador de Pulso eletromagnético na traseira são bem caprichados.

Ice Charger 1:55









https://fastandfurious.fandom.com/wiki/1968_Dodge_Charger_R/T

https://www.hotcars.com/heres-where-the-ice-charger-from-fate-of-the-furious-is-now/

https://www.youtube.com/watch?v=m5p7beel22U


domingo, 16 de maio de 2021

McLaren F1 - A obra prima de Gordon Murray

O McLaren F1 é um carro-esporte desenhado e produzido pela McLaren Automotive. Originalmente um carro conceito concebido por Gordon Murray, que convenceu Ron Dennis a voltar ao projeto que havia sido suspenso; e contratar Peter Stevens para desenhar o exterior do carro. Em 31 de março de 1998, ele bateu o recorde mundial de carro mais rápido de rua, atingindo 231 mph (372 km/h) com o limitador de rotações acionado, e 240,95 mph (390,99 km/h) com o limitador desligado. Este recorde só foi batido em 2005 pelo sueco Koenigsegg CCR, fazendo 395 km/h, e no mesmo ano, o Bugatti Veyron ultrapassou a marca com 407,5 km/h. Em 2007 o americano SSC Ultimate Aero atingiu 413 km/h e em 2010 o Bugatti Veyron Super Sport reconquistou o título de carro mais veloz do mundo com 431 km/h, mas foi passado para trás pelo Hennessey Venom GT que atingiu 435 km/h, porém não foi homologado pois ele não é um veículo de produção.

Fato notável é que todos os carros que superaram as marcas do McLaren F1 são equipados com turbo compressores, que incrementam em muito a potência dos motores, enquanto o F1 atingiu suas marcas sendo equipado com um motor naturalmente aspirado.

O carro possui diversas tecnologias e design sofisticado; ele é leve e tem uma estrutura aerodinâmica mais elaborada do que muitos modernos carros esporte., apesar de ter um assento a mais do que normal em carros esporte, com o assento do motorista (ou seria piloto?) situado ao centro (levemente avançado) em relação aos dois assentos dos passageiros. A visibilidade é superior ao posicionamento do layout convencional.

O conjunto motor é bastante potente, com alguma tendência de preparação para pista, porém num grau que não compromete a utilização diária e o conforto de marcha. Ele foi concebido como um exercício na criação do que os designers consideram o carro esporte definitivo.


Murray especificou que o propulsor deveria ter 600mm com todos os equipamentos e acessórios montados; pesar 240 kg e gerar no mínimo 550 hp. Além disso, não queria que fosse turbinado, pela complexidade mecânica e o turbolag na resposta às acelerações. Somente três empresas eram capazes de fornecer um motor desses: Ferrari, Honda e BMW. Por motivos óbvios, a Ferrari estava fora de questão. A Honda, àquela época ligada à McLaren via Fórmula 1, era uma escolha óbvia, mas os japoneses declinaram a oferta. Restava apenas a BMW.

Paul Rosche, que trabalhara com Murray nos Brabham-BMW da época de Piquet, dirigia agora a M-Power, divisão de Performance da marca bávara. Ele aceitou o desafio e reuniu um grupo de 12 engenheiros experientes, criando um novo motor V12 em tempo recorde, uma usina de força compacta e  leve, gerando 618 hp a 7500 rpm, com 66 m.kgf de torque a 7000 rpm. O motor sobe de giros mais rápido que qualquer outro, pois não tem volante, papel feito pela embreagem de carbono.

Apesar de não ser desenhado como uma máquina de pista, o carro preparado para corridas venceu várias competições, incluindo as 24 Horas de Le Mans em 1995, onde se confrontou com protótipos desenvolvidos especialmente para competições em pistas.

A produção começou em 1992 e se encerrou em 1998, ao todo 106 exemplares foram construídos, com algumas variações no design.


Em 1994, a revista britânica Autocar afirmou em um teste de estrada com o F1: “O McLaren F1 é a mais sofisticada máquina construída para rodar nas ruas” e “O F1 será lembrado como um dos grandes exemplares na história do automóvel, e possivelmente será o mais rápido carro de produção que o mundo jamais viu”.

O conceito do design elaborado pelo Engenheiro-chefe Gordon Murray tinha vários pontos em comum com o de outros designers de carros de alta performance: baixo peso e alta potência. Isto era alcançado com o uso de materiais avançados e muito caros, tais como fibra de carbono, titânio, ouro, magnésio e Kevlar. O F1 era o primeiro carro de produção a usar um chassi monocoque de fibra de carbono.

Os três assentos do F1


Gordon Murray vinha pensando em um carro esporte de três lugares desde a sua juventude. Quando Murray estava aguardando um voo para retornar à sua casa depois do Grande Prêmio da Itália de 1988, ele rabiscou um esboço de um carro esporte de três lugares e o apresentou a Ron Dennis. Ele lançou a ideia de criar o carro esporte de rua definitivo, um conceito que viria a ser fortemente influenciado pela experiência e tecnologia da McLaren na Fórmula 1, e portanto, refletir esta habilidade e conhecimento  através do McLaren F1.

O McLaren F1 pode ser considerado com justiça obra de Gordon Murray. Desde que entrou para a Equipe Brabham de Fórmula 1, e projetou o BT42, aos 26 anos, Murray construiu uma carreira de alguns sucessos, mas muito inovativa. Como esquecer o famoso Brabham Alfa Romeo, com os dois ventiladores para extrair o ar debaixo do carro e assim conseguir maior aderência nas curvas? Ou quando introduziu a fibra de carbono, primeiro nos freios, e depois na construção de chassis? E as especificações do chassi McLaren MP4, que até hoje carrega essa nomenclatura nos bólidos de Fórmula 1?

"Por anos, você dirige muitos carros esporte, e todas as vezes, você nota alguma coisa que você não gostou. Isso vai formando uma lista no seu subconsciente do que você gostaria e do que não gostaria se você tivesse a chance de construir e produzir um carro".

Em 1990, ele fez o movimento de deixar a McLaren de competição para criar um carro para as ruas, através da McLaren Cars. O resultado foi o F1, que elevou as especificações dos chamados “Supercarros” para níveis muito acima do que se considerava alta performance e velocidade.

Murray declarou que durante o desenvolvimento do F1, puderam fazer uma visita com Ayrton Senna ao Centro de Pesquisas Tochigi da Honda. Na época, os carros de Fórmula 1 da McLaren eram equipados com os motores Honda, então, havia uma possibilidade de colocar um motor japonês no F1. Embora Murray houvesse pensado em colocar um motor maior, ao dirigir o Honda NSX, todas as referências de Ferrari, Porsche e Lamborghini que ele tinha para desenvolver o F1 desapareceram da sua mente. O F1, claro, precisava ser mais rápido do que o NSX, mas a suavidade de marcha e manuseio do NSX se tornaram uma nova meta para o F1. Murray ficou fã dos motores Honda e em duas ocasiões, foi ao Centro da Honda em Tochigi para que a Honda considerasse a construção de um V12 de 4,5 litros ou um inédito V14, tentou convencê-los mas não conseguiu seu intento, e o F1 acabou equipado com uma unidade BMW.

Um par de carros Ultima MK3 (fabricado pela Noble Motorsports), de chassis 12 e 13, os últimos montados pela Noble, apelidados de “Albert” e “Edward”, foram usados como “mulas” para testar vários componentes e conceitos antes dos primeiros carros serem construídos.

“Albert”, com o chassi 12 foi usado para testar a caixa de câmbio acoplada a um V8 de 7,4 litros da Chevrolet pela similaridade do torque gerado pela unidade da BMW, a posição central do piloto e os freios de fibra de carbono. “Edward”, com o chassi 13 foi usado para testar o motor BMW V12, junto com os Sistemas de exaustão e refrigeração. Ambos os chassis foram bastante alterados com as adaptações dos componentes em testes. Após os testes, ambos foram destruídos para que os jornalistas especializados não associassem os MK3 com o F1.

O carro foi mostrado pela primeira vez em 28 de maio de 1992, no Clube Esportivo de Monaco. A versão de produção manteve o mesmo design do protótipo original (XP1) exceto o reposicionamento do espelho retrovisor do alto da coluna A para a base do vidro dianteiro. Alguns clientes solicitaram que a McLaren alterasse os retrovisores conforme o protótipo, que trazia os piscas embutidos neles (uma solução adotada mais tarde por muitos fabricantes).

O nível de segurança do F1 foi comprovado durante um teste na Namíbia em abril de 1992, quando um piloto vestindo apenas uma Bermuda e camiseta bateu numa rocha e capotou várias vezes, e escapou ileso. Um segundo protótipo foi construído para os testes de colisão, e passou com os arcos de rodas intactos.

Desde o início, Murray especificou um motor aspirado para o F1, pois acreditava que era mais confiável e fácil de controlar. Motores turbinados ou com compressores tem um incremento considerável de potência, porém são mais complexos mecanicamente, reduzindo sua confiabilidade. Além disso, Murray considerava que o intervalo de resposta nas acelerações e desacelerações reduzia o controle pleno do motor por parte do piloto. De início, havia a intenção de se aplicar uma unidade Honda de 550 hp derivado do motor de Formula Um aplicado nos monopostos da McLaren; mas a Honda não concordou em fornecer o motor. A Isuzu planejava entrar na Formula Um com um motor V12 de 3,5 litros, e estava testando num chassi da Lotus, e ofereceu a possibilidade de equipar o F1, mas Murray queria um motor mais confiável e comprovadamente eficiente.

Como já dito, a BMW projetou e construiu para Murray o V12 a 60 graus com 6,1 litros (exatos 6.064 cc) denominado BMW S70/2. Ele produzia 618 cv e 266 kg de torque, no final ficou 14% mais potente e apenas 16 kg mais pesado do que as especificações originais de Murray, e tinha o mesmo comprimento de bloco, para caber no cofre do motor. O bloco era de liga de alumínio, com 86 mm de diâmetro e 87 mm de curso; quatro comandos de válvulas com aberturas variáveis (uma tecnologia relativamente nova), acionados por correntes, e cárter seco.

Para manter o isolamento térmico do cockpit e preservar o monocoque de fibra de carbono, Murray revestiu o compartimento do motor com folhas de ouro, que é um material altamente eficaz para refletir o calor. Aproximadamente 16 g de ouro foram aplicados em cada carro.

O motor tinha uma taxa de compressão de 11:1, gerando 618 hp a 7400 rpm e saída de torque de 651 Nm a 5600 rpm. As rotações eram limitadas a 7500 rpm, quando ocorria o corte da ignição.

Murray queria manter o carro leve, para ter a melhor relação peso/potência, que no F1 era de 550 hp/ton., ou apenas 3,6 lb/hp. Comparativamente, o Ferrari Enzo tinha 434 cv/ton. (4,6 lb/kg), o Bugatti Veyron 530,2 cv/ton. (4,1 lb/kg) e o SSC Ultimate Aero TT com 904 cv/ton. (2,2, lb/kg).

Os mancais dos eixos-comandos, tampas, tanque de óleo, cárter seco eram todos fundidos de magnésio; a admissão de ar tinha doze borboletas individuais e o sistema de escape vinha com quatro catalizadores Inconel com sondas Lambda individuais. Os comandos eram continuamente variáveis para um melhor desempenho, usando um Sistema muito próximo do VANOS aplicado no BMW M3. Um mecanismo de fase atuando hidraulicamente, retarda a abertura da válvula de admissão em relação à de exaustão, estabilizando e aumentando o torque em baixas rotações. Em altas rotações, ocorria o inverso, para ter mais mistura na admissão, e assim aumentando o desempenho.

Outros detalhes que podem ser creditados a Murray no projeto do motor podem ser vistos nos dois injetores Lucas por cilindro, para que o combustível atomize completamente. O primeiro injetor localizado perto da válvula de admissão opera a baixas rotações, enquanto o segundo fica mais acima no conduto de admissão, opera em altas rotações. O motor não tem sensor de pré-detonação, pois as condições de combustão não permitem que isso ocorra.

Cada cilindro tem sua própria bobina de ignição em miniatura, e os pistões são forjados em alumínio, correndo nos cilindros com revestimento de nikasil, com um alto grau de resistência ao desgaste. O BMW V12 LMR que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1999 utilizou um motor com esta tecnologia.

O tempo para desenvolvimento do motor pela BMW foi curto, fazendo com que a equipe utilizasse somente tecnologia confiável e já testada. O motor não usa válvulas de titânio, nem esse material nas bielas. A geometria de admissão variável foi considerada, mas rejeitada pois poderia trazer complicações desnecessárias. Quanto ao consumo de combustível, o motor consegue, em média, 15,2 mpg (15 L/100km).

O McLaren F1 foi o primeiro carro de rua a usar uma estrutura de chassi monocoque de plástico reforçado com fibra de carbono (CFRP). O alumínio e o magnésio foram aplicados em pontos de fixação para o sistema de suspensão, perfeitamente integrados so CFRP.

O layout com o assento do piloto avançado em relação aos dos dois passageiros laterais, criou espaço para o tanque de combustível logo atrás do assento central e à frente do motor. As aberturas das portas ficaram conhecidas por “tesouras”, pois abrem para cima, como o movimento das lâminas de uma tesoura, e não para os lados, nem como as “gull-wing” ou “asa-de-gaivota” como nas Mercedes 300 SL.

Portas com abertura tipo "tesoura"
Como o calor gerado pelo motor afeta o CFRP, o compartimento do motor não foi feito neste material, além disso tem um revestimento em folhas de ouro para refletir e isolar o calor do chassi.

A aerodinâmica do McLaren F1 foi exaustivamente estudada e testada em túnel de vento, com um coeficiente de arrasto de 0,32, contra 0,36 do Bugatti Veyron e 0,357 do SSC Ultimate Aero TT, que foi o carro de produção mais rápido de 2007 a 2010. A versão normal não apresenta apêndices aerodinâmicos para produzir o downforce, mas o fundo do carro e o difusor traseiro contribuem para a estabilidade mesmo em altas velocidades. Dois ventiladores elétricos de Kevlar ajudam a diminuir ainda mais a pressão sob o carro, podendo ser desligados pelo piloto quando julgar não serem necessários.

Várias entradas de ar proporcionam fluxos de ar para alimentar o motor (na parte superior da cabine), refrigerar o tanque de óleo e equipamentos eletrônicos (sob cada porta) e refrigerar os freios dianteiros (aberturas frontais).

Há apenas um spoiler traseiro que é acionado junto com os freios, colaborando para criar resistência aerodinâmica nas frenagens. Ao se levantar, duas aberturas na zona de alta pressão criada à sua frente, conduzem o ar para refrigerar os freios traseiros que estão sofrendo plena carga e gerando altas temperaturas. O coeficiente de arrasto sobe para 0,39 e o mecanismo só é ativado em velocidade igual ou superior a 40 mph (64 km/h).

Steve Randle, responsável pela suspensão do McLaren F1, definiu a premissa de um rodar confortável, mas orientado para o desempenho, porém não tão rígida e baixa como um carro de pista, já que o uso predominantemente rodoviário para o qual se destinava não poderia ter um rodar áspero e com vibrações, reduzindo o conforto no rodar.

O layout sempre teve como meta centralizar as massas do carro, não alterando os percentuais de peso sobre os eixos quando abastecido e com o peso do piloto. A proporção se mantinha próximo de 42% na dianteira e 58% na traseira, variando pouco mais de 1% quando abastecido e com pilotos e passageiros. Isso reduzia os efeitos que a transferência de peso provocava em frenagens e acelerações, proporcionando uma dinâmica de condução mais constante. Randle até considerou o uso de uma suspensão inteligente controlada por computador, mas foi descartada pelo aumento de peso que acarretaria, além do aumento da complexidade dos sistemas, e por tabela, um item a mais para manutenção e reparos em caso de panes. As versões de pista (LM, GTR, e outras) tinham uma especificação de suspensões pouco diferente dos carros de rua, para não prejudicar o conforto de marcha aos que rodavam com seus carros em rodovias.

Equipado com pneus 235/45ZR17 na dianteira e 315/45ZR17 na traseira, especialmente concebidos e desenvolvidos para o McLaren F1 pela Goodyear e Michelin, são montados em rodas de magnésio fundido de 17 polegadas de diâmetro e 9 polegadas na frente e 11,5 na traseira. O raio de giro é de 13 m e o volante vira 2,8 voltas de batente a batente.

Com toda a tecnologia, os freios feitos pela Brembo não são assistidos, mas ventilados e perfurados, com discos de 332 mm na frente e 305 mm atrás. A decisão foi devido ao aumento da massa, complexidade do sistema e a perda de sensibilidade por parte do piloto, ao custo de exigir mais do motorista nas frenagens. Murray cogitou em utilizar os freios de carbono da Formula Um, mas os testes indicaram que a tecnologia para uso em ruas ainda não estava suficientemente madura. Uma das principais razões era o nível de aquecimento necessário para atingir a melhor eficiência nas frenagens, algo que não ocorria em condução de não-competição; no entanto, a versão GTR foi equipada com discos de carbono-cerâmica.

Os calipers são de alumínio, com quatro pistões, e um controle computadorizado aciona mecanicamente as pinças traseiras fazendo-se de freio de estacionamento. Os calipers são usinados a partir de uma só peça, em contraste com o padrão de duas metades fixadas por parafusos.

O acionamento do spoiler traseiro força o ar em direção aos condutos de refrigeração que se abrem quando em operação.

A caixa de velocidades manual tinha seis marchas, com uma embreagem de discos triplos, em carbono AP, numa carcaça de alumínio (a GTR tinha uma carcaça de magnésio). As relações de marchas eram 3,23:1 – 2,19:1 – 1,71:1 – 1,39:1 – 1,16:1 e 0,93:1, com 2,37:1 na relação do diferencial. Esta caixa foi desenvolvida especialmente para o F1 pela Weissmann, e o diferencial Torsen LSD (Limited Slip Differential) tinha um bloqueio de 40%.

O volante era de alumínio com dimensões e massa absolutamente necessários para que o torque do motor seja transmitido ao câmbio. A meta era diminuir a inércia rotacional e aumentar a capacidade de resposta do conjunto Motor/Câmbio às mudanças de marchas e acelerações. Isto foi possível devido ao virabrequim não ter contrapesos ou amortecedores contra vibrações, sendo muito equilibrado dinamicamente.

Amenidades num carro de alto desempenho

Surpreendentemente, o McLaren F1 tinha um sistema de ar-condicionado, raridade na maioria dos carros esporte (roubam potência do motor). A razão era que Murray possuía um Honda NSX, com que rodou por sete anos, sem nunca precisar ajustar os controles automáticos, e queria o mesmo no F1. Outros recursos incluíam o descongelador/desembaçador do para-brisas e vidros laterais, que eram de acionamento elétrico, trava central de acionamento remoto, um Sistema de Som Estéreo CD Kenwood de dez discos, portas de acionamento elétrico, compartimento de bagagens na cabine, quatro faróis de alta performance, luzes de nevoeiro traseiras, luzes de cortesia em todos os compartimentos, luz de leitura para mapas, um kit de ferramentas de titânio Facom e kit de primeiros socorros. Acompanhava também um kit de malas de viagem feito especialmente para aproveitar o porta-malas (que abria na lateral do carro), que era acarpetado. Um brinde adicional era uma bolsa de golfe sob medida com seus tacos.

O carro não tinha air-bags, mas cada cliente recebeu uma edição especial do relógio cronógrafo TAG-Heuer 6000 Chronometer com seu número de série gravado no console central.

Para um carro tão exclusivo, para clientes especiais, as regulagens de bancos e volante eram feitas na fábrica, para cada cliente no posicionamento ideal; portanto, banco, altura do volante e pedais eram ajustados numa visita do cliente e assim eram montados, permanecendo fixos, sem possibilidade de outros ajustes para outro condutor. Os bancos são recobertos de couro Light Connoly, e feitos à mão pela CFRP. Murray ficou obcecado com a economia de peso, e por isso todos os materiais eram o mais leve possível, assim também o revestimento estético do painel tinha apenas 0,5 mm de espessura.

Nem o sistema de som escapou das manias de Murray. Encomendado para a Kenwood, foi projetado um sistema muito leve para o F1, e de acordo com o gosto musical de cada cliente, mas o rádio foi omitido porque Murray nunca ouviu radio nos carros que usava.

O McLaren F1 tinha também um sistema com modem que permitia o atendimento ao cliente acessar remotamente as informações da ECU (Electronic Central Unit) para ajudar o motorista no caso de uma falha no veículo.

Foram fabricadas 106 unidades do F1, sendo 64 carros de rua padrão, 5 eram LM (versão preparada para corridas GT), 3 eram versões GT de cauda longa, 5 protótipos (XP), 28 unidades de corrida (GTR) e 1 protótipo LM (XP LM). A produção começou em 1992 e terminou em 1998. Um carro levava cerca de um mês e meio pra ficar pronto.

Embora encerrada em 1998, há oito centros de atendimento autorizados em todo o mundo, para suporte e assistência aos proprietários, que podem receber a visita de um técnico especializado para os casos mais sérios. Em casos de acidentes ou necessidade de reparos mais graves, o carro pode ser enviado para a McLaren para a execução dos serviços conforme as especificações originais.

Dados de aceleração:

0-30 mph (48 km/h): 1.8 s

0–60 mph (97 km/h): 3.2 s

0–100 mph (160 km/h): 6.3 s

0–124.28 mph (200.01 km/h): 9.4 s

0–150 mph (240 km/h): 12.8 s

0–200 mph (320 km/h): 28 s

30 mph (48 km/h)-50 mph (80 km/h): 1.8 s, using 3rd/4th gear

30 mph (48 km/h)-70 mph (110 km/h): 2.1 s, using 3rd/4th gear

40 mph (64 km/h)-60 mph (97 km/h): 2.3 s, using 4th/5th gear

50 mph (80 km/h)-70 mph (110 km/h): 2.8 s, using 5th gear

180 mph (290 km/h)-200 mph (320 km/h): 7.6 s, using 6th gear

0–400 m (0.25 mi): 11.1 s at 138 mph (222 km/h)

0–1,000 m (0.62 mi): 19.6 s at 177 mph (285 km/h)

TESTES DE DESEMPENHO

Circuito de Tsukuba, volta mais rápida: 1:04.62.

Campo de Provas Millbrook, Bedfordshire, 2-mile (3.2 km): média de 195.3 mph (314.3 km/h), máxima de 200.8 mph (323.2 km/h) (pilotado por Tiff Needell, protótipo XP5).

Circuito de MIRA, 2.82-mile (4.54 km): média de 168 mph (270 km/h), máxima de 196.2 mph (315.8 km/h) (pilotado por Peter Taylor).

RECORDES HOMOLOGADOS

O título de “Carro de produção Mais Rápido do Mundo” está sempre em questionamento, especialmente pela expressão “Carro de Produção”, que não tem uma definição clara.

O McLaren F1 tinha uma velocidade máxima de 240 mph (386 km/h), restrito pelo limitador de rotações em 7500 rpm. A velocidade máxima real obtida pelo modelo foi em abril de 1998, pelo protótipo XP5, de cinco anos de idade. Andy Wallace pilotou o carro por uma extensão de 9 km, na pista de testes da Volkswagen, em Ehra-Lessien, Alemanha, registrando o novo recorde de 241 mph (391 km/h) a 8300 rpm. O piloto Mario Andretti comentou que se o McLaren F1 tivesse uma sétima marcha, provavelmente atingiria uma velocidade maior, pois o dado foi conseguido a 7800 rpm, ao passo que a potencia máxima é atingida a 7400 rpm.

PRODUÇÃO TOTAL POR VERSÕES:

Versões

Road

Protótipos

Racing

Totais

F1

65

5

 

70

F1 LM

5

1

 

6

F1 GT

2

1

 

3

F1 GTR

 

 

28

28

Totais

72

7

25

107

Das versões de rua, os 64 exemplares vendidos tinham várias modificações conforme eram produzidos e entregues, sendo que um exemplar permaneceu no Showroom da McLaren em Londres por uma década, até ser vendido em 2004, aumentando para 65 o total da versão de rua.

PROTÓTIPOS

Cinco protótipos foram construídos, denominados de XP1 a XP5: o XP1 foi o protótipo apresentado ao público e que depois acabou destruído na Namíbia. O XP2 foi usado para testes de colisão e também destruído. O XP3 fez testes de durabilidade, o XP4 foi usado para testes das transmissões e o XP5 foi usado para as fotos publicitárias e testado por reporterEs nas apresentações à mídia especializada. Todos tinham cores diferentes  ̶  exceto o XP2 que não recebeu pintura  ̶  e cada um era identificado pelo Código do chassi pintado no painel lateral. O XP3 está em poder de Gordon Murray, o XP4 foi visto por muitos espectadores do Top Gear, apresentado por Tiff Needell em meados da década de 1990, enquanto o XP5 foi usado no teste de velocidade máxima na pista de testes da VW.

AMERITECH

O Ameritech McLaren F1 era um modelo standard adaptado para as normas americanas, como redução das emissões, e consequentemente da potência do motor. Devido à impossibilidade de instalação de airbags para os dois passageiros, a versão Ameritech tinha apenas o assento do piloto central, além de outras modificações/adaptações menos visíveis.

Dick Fritz, da Amerispec Corp usou seus contatos e algumas brechas na lei de importação de veículos nos EUA para trazer sete exemplares do F1 para as terras americanas. Cada um deles recebeu um novo VIN (Vehicle Identification Number), com o dado de 1995 como o ano de fabricação, no entanto, os chassis #042, #044 e #045 eram realmente de 1995, o #055 era de 1996 e os #062, #067 e #074 eram de 1997.

Seis exemplares eram na cor cinza prata, mas o sétimo era em preto, e esse pertence a Jay Leno, Famoso apresentador de TV e possuidor de uma grande coleção de carros famosos.

DDR Motorsport

DDR Motorsport

O construtor DDR Motorsport constrói uma replica do F1 baseado no Toyota MR2 SW20 Turbo. Os modelos são feitos em fibra de vidro, com volante à esquerda ou direita, conforme o país do cliente. A mecânica é toda do Toyota MR2.


MCLAREN F1 LM – FICHA TÉCNICA

Ano do lançamento

1995

Classe

Carro esporte

Configuração

Coupe duas portas com 3 lugares

Layout

Motor central traseira, tração traseira

Motor

BMW 6,1 Litros, V12

Transmissão

Manual de 6 velocidades

Entre-eixos

2.718 mm (107,0 polegadas)

Comprimento

4,365 mm (171,9 polegadas)

Largura

1,820 mm (71,7 polegadas)

Altura

1,120 mm (44,1 polegadas)

Peso seco

1.062 kg (2,341 lb)

Apenas cinco McLaren F1 LM (LM significava Le Mans) foram construídos, em homenagem aos cinco carros que terminaram as 24 Horas de Le Mans em 1995, incluindo o vencedor.

O peso foi reduzido em cerca de 75 kg no total de 1.062 kg, pela remoção de várias peças de acabamento (isolamento de ruídos, Sistema de som, revestimentos internos, ventilador traseiro que removia ar de baixo do carro e mecanismo do spoiler móvel) e uso de equipamento opcional. O carro tinha o eixo traseiro modificado e novos elementos aerodinâmicos, rodas de liga de magnésio de 18 polegadas com desenho especial, e nova caixa de câmbio. O F1 LM usava o mesmo motor da versão F1 GTR de 1995, porém, sem os limitadores de rotações, atingindo 680 hp a 7800 rpm e 520 lbf.ft a 4500 rpm, e chegando a 225 mph (362 km/h), que era menos do que a versão standard, por causa do maior arrasto aerodinâmico.

McLaren F1 LM
Dados oficiais indicavam uma aceleração de 0-60 mph (97 km/h) em 3,9 segundos e 0-100 mph (161 km/h) em 6,7 segundos. A versão LM também mantém o recorde de 0-100-0 mph em 11,5 segundos, pilotado por Andy Wallace na pista da Base Aérea da RAF Alconbury em Cambridgeshire.

Os F1 LM podiam ser identificados pela sua cor Orange Papaya; eles foram pintados nessa cor em memória de, e num tributo a Bruce McLaren, cuja cor official era sempre essa Papaya Orange.

Apesar de cinco exemplares terem sido vendidos, uma sexta unidade existe na forma do XP1 LM, o protótipo baseado no F1 normal que recebeu as modificações para se tornar o novo F1 LM. Esta unidade também tem a cor Papaya Orange e está em poder da McLaren Cars. É avaliado em cerca de US 4 milhões, e foi prometido em 2008 pelo CEO da McLaren, Ron Dennis, para o seu piloto Lewis Hamilton se ele vencesse o bi-campeonato de Formula Um, o que não aconteceu.

F1 GT

A última versão do carro para Estrada, o F1 GT foi concebido para ser especialmente homologado na FIA para correr contra os Porsche e Mercedes na antiga BPR Global GT e no novo Campeonato FIA GT. As alterações que a categoria exigia obrigou a McLaren a construir carros de rua com estas especificações para atender a homologação na competição.

McLaren F1 GT

O F1 GT apresentava a mesma Carroçaria com a traseira estendida que os GTRs para conseguir maior downforce e reduzir a resistência aerodinâmica, mas não tinha o aerofólio como no F1 LM. O downforce conseguido com este design foi considerado suficiente para não precisar do acessório. A dianteira também era semelhante ao LM, com aberturas extras e para-lamas alargados para acomodar rodas e pneus maiores. O interior foi modificado e um volante de corrida foi incluído no lugar do padrão.

Os Mclaren F1 GT foram construídos com base nos chassis de rua, mantendo os seus números de série. O GT Protótipo, conhecido como XPGT, era um F1 de chassis #056, e ele ainda está de posse da Mclaren. Tecnicamente, a empresa poderia construir apenas um exemplar, e nem teria de vendê-lo. Entretanto, os pedidos dos consumidores levaram a Mclaren a construir duas versões de produção que foram vendidas. Elas receberam os códigos de chassis #054 e #058.

MOTORSPORTS – McLaren F1 GTR


Na sequência do lançamento do F1 de rua, as escuderias convenceram a McLaren a construir versões de corrida para competir na series internacionais. Três diferentes versões foram desenvolvidas de 1995 a 1997. Muitos F1 GTR’s, depois que não puderam mais competir devido às mudanças de regulamento da FIA, foram convertidos para uso em rodovias. Adicionando silenciadores, assentos dos passageiros, reajustando as suspensões para maior altura de rodagem e conforto, remoção dos equipamentos de corrida, permitiam que os carros fossem homologados para circular normalmente nas ruas e estradas.

F1 GTR 1995

Construído a pedido das escuderias, como a de Ray Bellm a Thomas Bscher, para competir na BPR Global GT Series, o McLaren F1 GTR era um carro de corridas especialmente preparado, com um motor cujo modulo de gerenciamento aumentava sua Potência  ̶  entretanto, as normas do regulamento que restringia as entradas de ar reduziam a Potência para cerca de 600 hp a 7500 rpm. As maiores modificações incluíam alterações nos painéis da Carroçaria, suspensão, apliques aerodinâmicos e no interior. O F1 GTR iria obter seus melhores resultados nas 24 horas de Le Mans de 1995, conquistando o primeiro, terceiro, quarto, quinto e decimo-terceiro lugares, batendo inclusive os protótipos da classe GT.

No total, nove F1 GTR’s foram construídos em 1995.

F1 GTR 1996


Para o ano seguinte, a McLaren continuou a desenvolver o modelo de 1995, buscando o ganho de peso para conseguir maior desempenho. Nove unidades foram construídas para 1996, enquanto os modelos de 1995 ainda competiam pela equipes privadas. O F1 GTR 1996 de chassi #14R ficou Famoso por ser o primeiro carro não-nipônico a vencer uma corrida do Campeonato All-Japan Grand Touring Car (JGTC). O modelo foi piltado por David Brabham e John Nielsen. O peso havia sido reduzido em cerca de 100 kg em Relação ao modelo de 1995 e o motor mantinha os 600 hp conforme o regulamento da época.

F1 GTR 1997


Com a homologação oficial do F1 GTR, a McLaren foi motivada a desenvolver o F1 GTR para a temporada de 1997. O peso foi novamente reduzido, atingindo agora 910 kg (2000 lb); e um câmbio sequencial foi instalado. O motor teve sua cilindrada reduzida para 6.0 litros ao invés do original que tinha 6.1 litros. Devido às alterações no design da traseira, o modelo ficou designado como “Longtail”, devido à carroceria estendida para aumentar o downforce. Um total de dez exemplares do F1 GTR 1997 foram construídos.



Uma história real

Em 1994, o banqueiro alemão Thomas Bscher correu em Le Mans com um Porsche 968 Turbo. Feliz com seu desempenho, resolveu comprar um carro para competir mais seriamente no ano seguinte. Como era amigo de Ron Dennis, adquiriu um F1 GTR de competição e outro F1 normal, de rua.

Nessa época, o banqueiro/piloto costumava, duas vezes por semana, sair de sua casa em Köln (Colônia) para visitar a bolsa de valores em Frankfurt, uma viagem de 210 km em autobahn. Com seu 911 Turbo fazia a viagem em 1h20min, de porta a porta. Com o McLaren passou a realizá-la em apenas 1h. Com duas semanas de uso, porém, acendeu-se no painel do F1 a luz de check engine. Em casa, Bscher plugou o carro ao modem e os engenheiros da McLaren na Inglaterra descarregaram os dados para análise - o F1 grava cada movimento seu, como uma caixa-preta de avião. No dia seguinte, Bscher recebeu uma ligação:

"Senhor, estamos com algum problema na caixa-preta. Ela registrou velocidades de 325, 340, 320 km/h, um monte delas, em um período de apenas duas semanas! Certamente há algo errado..."

Do outro lado, o engenheiro da McLaren somente ouvia em resposta boas risadas, de um homem obviamente feliz com a forma como investiu um milhão de dólares.

50 anos da morte de Bruce McLaren

Bruce McLaren fundou sua equipe de corridas para fazer os Formula 1 em que competia, depois construiu os poderosos M8A e B para correr na Can-Am. E foi num deles, um M8D, quando testava na pista de Goodwood que faleceu aos 32 anos, em 2 de junho de 1970. A McLaren prestou sua homenagem a Bruce, colocando uma estátua de bronze em sua sede em Woking, em 2 de junho de 2020. Ela foi desvelada pela filha de Bruce, que tinha apenas 4 anos quando seu pai faleceu, agora Embaixadora da Marca McLaren Automotive.

No Youtube, há um vídeo feito em homenagem a Bruce, vale a pena assistir (no link das REFERÊNCIAS).

EM ESCALA

Diversos fabricantes foram licenciados pela McLaren para fabricar modelos em escala do F1, tanto em Die-Cast, como em kits para montar. Empresas como a Mattel, AutoArt, Maisto, UT Models, Minichamps/Paul Model’s Art, Guiloy, AutoBarn; Revell e Tamiya colocaram no Mercado diversos modelos em várias escalas. Muitos destes modelos já estão fora de produção, fazendo com que os anúncios da alguns modelos à venda sejam disputados pelos colecionadores.

F1 GTR Papaya Orange, da UT Models na escala 1:18



F1 GTR de Le Mans 1995, da Minichamps 1:43


As que tenho na minha coleção são estas: F1 GTR na escala 1:18, da UT Models na tradicional cor Papaya Orange; duas F1 GTR em 1:43, uma da Minichamps GULF Racing de Le Mans 1995, e outra laranja da equipe Franck Muller Le Mans de 1996. As duas F1 GTR em 1:64, da Hot Wheels, uma da Série Car Culture GULF Racing sem identificação da corrida ou ano de participação; e outra branca do Set Exotic Cars com cinco outras minis.

Ainda outra F1 GTR, da série British Horse Power, decorada com o logo da GULF Racing, nº 21, Real Riders, com rodas especiais e pneus de borracha, bem detalhada nos decalques, os faróis marcados. A outra laranja é uma F1 normal, um casting diferente das GTR, que vem com o aerofólio na traseira, essa recebeu pneus da AC Custon, com o logo da Goodyear nas laterais.

A última é da TOMICA, em 1:62, muito caprichada, com os recortes na carroçaria, apesar de não ter nenhuma parte móvel, mas é muito bonita, as rodas bem parecidas com as originais, na cor laranja tradicional dos McLaren, faróis e lanternas de plástico, separadas do metal.

  

F1 GTR Le Mans 1996, da Minichamps 1:43

F1 GTR GULF Racing, da Hot Wheels 1:64 - Série Car Culture GULF
McLaren F1, Mainline Hot Wheels 1:64

McLaren F1 GTR_GULF Racing Nº 21 - da Série British Horse Power


F1 GTR da Série Exotic Cars, Set com cinco minis da Hot Wheels
McLaren F1 - TOMICA 1:62



REFERÊNCIAS

http://www.autoentusiastas.com.br/2018/05/wd-40-e-o-mais-importante-carro-esporte-dos-tempos-modernos/

https://en.wikipedia.org/wiki/McLaren_F1

Road&Track Magazine, Special Series, January 21, 1994

https://jalopnik.com/hey-jay-leno-great-news-theres-a-mclaren-f1-ameritech-1548875316

https://en.wikipedia.org/wiki/McLaren_F1_GTR

https://www1.uol.com.br/bestcars/supercar/mclaren-1.htm

https://cars.mclaren.com/en/latest/post/bruce-mclaren-50th-anniversary

https://www.youtube.com/watch?v=w3dkwXGaETE