quarta-feira, 17 de abril de 2024

Team Transport – Porsche 356A Outlaw & VW Transporter T1 Pickup

O primeiro Set, com o Porsche 356 Speedster e a Kombi T1

Em 2018, a Mattel lançou a Série dos Team Transport, conjuntos de dois veículos, um automóvel de linha já existente, com decoração de corrida, e um veículo de transporte que o levava para os autódromos para as competições. O primeiro Set saiu com um Porsche 356 Speedster, e uma Kombi T1 com plataforma para acomodar o carro. Outros sets vieram com caminhões, plataformas ou com baús e decorados com os patrocinadores das equipes de corrida da época.

Estes caminhões são numa escala mais aproximada das miniaturas 1:64, ficando melhor proporcionados no conjunto. Exceto a Kombi T1, o Ford C800, o Chevy Ramp ’72, o Mercedes-Benz Renntransport e o Toyota 4-Runner, estes dois últimos de 2023 e 2024 respectivamente, os caminhões não são licenciados, mas são modelos criados pela Mattel, economizando em royalties.

O Set #15, com o Galaxie e o caminhão Ford C800

O sucesso foi imediato, e logo a Mattel estava lançando novos conjuntos, denominados Mix 1, 2 e 3 a cada ano. Até o momento (Abr/2024), são 71 modelos, entre automóveis, pick-ups, vans, caminhões e trailers, com mais quatro previstos nos Releases deste ano. No Mix 3 de 2021, saiu o set com uma Rally Van, puxando um trailer sobre o qual ia o Ford RS200, e agora todos os anos sempre um dos Sets (3 peças) vem nesta configuração.

O Set #33, com a Rally Van, o trailer e o Ford RS200


Da minha coleção

O set #13, numa fotomontagem com o Blister ao fundo

O Set do Porsche 356A Outlaw é de 2018, número #13 na sequência dos Team Transport. O veículo que o transporta é uma Volkswagen T1 Pickup, equipada com uma plataforma deslizante, que se inclina para o carro subir e ser carregado, a única parte móvel. O casting do Porsche 356A é o mesmo que já saiu em diversas versões, e foi feito pela Mattel com base no exemplar da coleção de Magnus Walker, dono da grife Outlaw de vestuário e famoso colecionador de modelos Porsches.

O Porsche 356A Outlaw, com decais da MOMO Racing


A Volkswagen Transporter T1 Pickup

A decoração é da MOMO, bem discreta, nas miniaturas prateadas, os decais ficaram em preto e branco, faltando um pouco de cor no conjunto. As rodas são especiais, porém de plástico, e o Porsche tem o logo Firestone nas laterais dos pneus.



Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Car_Culture:_Team_Transport#Mix_2

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Volkswagen_Transporter_T1_Pickup

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Car_Culture:_Team_Transport

quarta-feira, 10 de abril de 2024

’98 Subaru Impreza 22B STi-Version

O Impreza 22B STi-Version de 1998

O Impreza foi lançado em 1992 e já no mesmo ano, a Subaru apresentou a versão WRX. Seu motor boxer de dois litros turbinado, vinha com 240 cv, e tração integral com diferencial central de acoplamento viscoso – herança dos ralis – nos quais a Subaru já tinha quase 15 anos de experiência. Em 1997, a FIA anunciou uma série de mudanças no regulamento do WRC, e uma delas era que os carros utilizados nas competições do WRC deveriam ser baseados em modelos de rua. Nada de novo, porque a Subaru já estava fazendo isso, mas era a chance de provar que ela era capaz de fazer um verdadeiro carro de Rally para as ruas.

Este modelo é uma recriação do Impreza que venceu consecutivamente o WRC (World Rally Championship – Fabricantes) de 1995, 96 e 97; foi terceiro em 98 e segundo em 99. No WRC de Pilotos, Colin McRae, foi campeão em 1995, Richard Burns em 2001, e Petter Solberg em 2003, os dois últimos correndo com os Impreza WRX de nova geração.

O Impreza de Colin McRae, em 1995

Preparado pela STi (Subaru Tecnica International), o braço esportivo da Subaru, foi reproduzido em apenas 400 exemplares; custando três vezes mais do que um carro de linha, mas não foi impedimento para estas unidades serem disputadas assim que as vendas foram abertas. Os mais entusiasmados não tiveram dúvidas em pagar até US$ 7 mil por um Certificado de Autenticidade. Tamanha demanda levou a Subaru a produzir mais 24 unidades do 22B. Dezesseis delas foram para o Reino Unido, cinco para a Austrália e dos três últimos não há informações de seus destinos.

Entre as alterações efetuadas no modelo, havia os para lamas dianteiros e traseiros alargados; o para choque dianteiro customizado (que trazia uma enorme entrada de ar para o motor), o capô de alumínio com tomada de ar, saias laterais e um grande spoiler ajustável traseiro. O carro era pintado na cor Sonic Blue Mica da STi.

Colin McRae e Carlos Sainz, em 1995

O motor boxer de quatro cilindros (EJ22G, sendo o 22 a cilindrada, 2,2 litros) teve a cilindrada ampliada de 2,0 litros para 2.212cc, com duplos comandos de válvulas no cabeçote. Embora a potência permanecesse em 280 cv a 5600 rpm (seguindo o acordo de cavalheiros entre os fabricantes japoneses; na prática, a potência beirava os 300 cv), ela estava disponível em quantidade excelente numa gama de rotações entre 2.800 e 5.200 rpm, ele girava sem problemas até o limite de 7.900 rpm. Com um câmbio manual de cinco velocidades e tração nas quatro rodas, o diferencial central podia ser acionado pelo piloto quando necessário, distribuindo a força de 36/64 para 50/50 entre os eixos; e todas as engrenagens receberam um revestimento especial para suportar os esforços de corrida. Assim também a embreagem de duplo disco suportava o alto torque produzido pelo motor, de 363 N-m (36,7 mkgf) a 3200 rpm.

O Impreza de Richard Burns, em 2001

A suspensão tinha amortecedores Bilstein (segundo se comenta, era a letra B da sigla 22B) com molas Eibach, e como no carro de rally, os pneus Pirelli P-Zero 235/40/17 foram montados em rodas de alumínio forjado BBS douradas. A caixa de direção Super Quick Steering tinha uma relação de 13:1, proporcionando um modo de pilotagem semelhante ao carro que corria no WRC.

Impreza WRX NBR Challenge, de 2018

Depois do sucesso consagrado nos Rallies, a Subaru buscou outro desafio, além das estradas de terra, passando para o asfalto, e o desafio selecionado foram as 24 Horas de Nürburgring. Os carros preparados para o “Nordschleife” foram tão bem-sucedidos que venceram a Classe SP3T (carros de produção, equipados com motor turbo de até dois litros) seis vezes, em 2011, 2012, 2015, 2016, 2018 e 2019. O carro que venceu em 2018 tinha um motor EJ20, boxer, turbo comprimido, com 340 PS a 5500 rpm, e 461 Nm (47 kgf-m) de torque a 3000 rpm. O câmbio tinha seis marchas sequenciais, operadas por paddle-shifts no volante. Amortecedores Bilstein e freios Brembo de seis pistões na frente e quatro atrás, rodas BBS de 18 polegadas, calçadas com pneus Falken. Foi pilotado por Carlo van Dam, Tim Schrick, Hideki Yamauchi e Takuto Iguchi.

Um pouco da história da Subaru

A Fuji Heavy Industries foi fundada em 1915 como uma empresa de pesquisa de aeronaves, e se tornou a principal fabricante de aviões durante a II Guerra Mundial. Depois da guerra, ela começou a fabricar automóveis, com a marca Subaru. Em 1968 a Nissan adquiriu 20,5% do capital da Subaru, fornecendo peças para os automóveis da Subaru, ao passo que a Nissan recebia ajuda para fabricar ônibus, esquema que vigora até hoje. Nos anos 1960 e 70, expandiu as vendas nos Estados Unidos e Canadá, com seu carro Leone, com tração nas quatro rodas, característica que se tornaria uma marca registrada nos automóveis da Subaru. Em 1989, numa parceria com a Isuzu, montou uma fábrica em Indiana para fabricar o Legacy, e junto com o Outback, expandiu sua presença no mundo, com destaque em segurança e tecnologia, e seu motor boxer - copiado da Porsche e Volkswagen - foi desenvolvido com os anos, atingindo alta potência e confiabilidade.

O primeiro automóvel da Subaru com este tipo de motor foi o Subaru 1000, carro compacto com um motor boxer de 1,0 litro que gerava 55 hp, em 1966. A tração nas quatro rodas foi incorporada nos anos 1980, junto com a transmissão automática tipo CVT.

Toyota GT86

Quando a Nissan se associou com a Renault, sua parte foi vendida para a GM, em 1999; e até 2005, diversos carros foram compartilhados pelas duas empresas em vários mercados. Nesse ano, a Toyota comprou pouco mais de 40% da participação da GM na Subaru ficando com 8,7 %, e o restante foi para um programa de recompra por parte da Fuji Heavy Industries. O modelo que representa esta parceria é o cupê esportivo Toyota GT86, equipado com o motor boxer da Subaru, que é comercializado também como Subaru BRZ.

Subaru BRZ


Atualmente, a Subaru tem uma excelente reputação como fabricante de veículos, com alto nível de segurança e tecnologia avançada, conseguindo uma imagem de performance e desempenho esportivo através do modelo Impreza nos campeonatos de Rally nos anos 1990 e início dos anos 2000.

Logotipo da Subaru

O nome Subaru é como é chamada a constelação das Plêiades em japonês, também chamada de “Sete Irmãs”, mas segundo se conta, uma das estrelas é invisível, por isso o logotipo da Subaru tem apenas seis estrelas na elipse azul.

Da minha coleção

Impreza 22B STi-Version, Hot Wheels customizado


O Subaru Impreza 22B STi-Version é um exemplar do lançamento do modelo na Série HW Turbo, em 2020. Na cor Sonic Blue Mica, originalmente trazia as rodas 10SP que foram trocadas por outras customizadas, com pneus de borracha. A decoração foi customizada com decalques da equipe oficial da Subaru que corria no WRC, exceto que não possui a numeração.


Subaru Impreza WRX STi NBR Challenge 2018, da TOMICA Premium

Já o modelo da TOMICA é da Linha Premium, reproduz o Impreza WRX NBR Challenge de 2018, custando cerca de três vezes mais do que um da linha normal (de ¥ 240 para ¥750 no Japão, em 2020). Ele é bem mais detalhado, especialmente devido à decoração de corrida, com diversos logotipos dos patrocinadores da Subaru Motorsport. O aerofólio traseiro vem separado devido ao tamanho não caber dentro do box, e a escala é de 1:62. Também tem uma suspensão funcional, mas não tem abertura de capô nem portas.

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2798_Subaru_Impreza_22B_STi-Version

https://www.sti.jp/en/completecar/heritage/cardetail/1998/impreza-22b/

https://flatout.com.br/subaru-impreza-sti-22b-a-historia-do-mais-lendario-dos-wrx/

https://en.wikipedia.org/wiki/Subaru

https://www.markmillersubarusouthtowne.com/history-of-the-boxer-engine-subaru/

https://mag.toyota.co.uk/history-of-toyota-86/

https://thenewswheel.com/subaru-brz-history/

https://tasug.jp/autosalonarchive/subaru-wrx-sti-nbr-challenge-2018


domingo, 7 de abril de 2024

FAB-1 – Thunderbirds TV Series

FAB-1, de Lady Penelope

O FAB1 é o veículo utilizado pela agente do Resgate Internacional Lady Penelope Creighton-Ward, na Série de TV Thunderbirds, nos anos 1965-66; e apareceu também nos longas-metragens Thunderbirds Are Go (1966) e Thunderbird 6 (1968).

Seu design é baseado num Rolls-Royce modificado por Brains, responsável pelos veículos do Resgate Internacional, e é dirigido por Aloysius Parker, mordomo de Lady Penelope. O carro possui diversos armamentos e dispositivos, como duas metralhadoras montadas na frente e duas na traseira, quatro lançadores de cabos, emissor de cortina de fumaça para despistar perseguidores, lançador de óleo na pista, dois canhões a laser, câmera de TV na traseira, blindagem à prova de balas, os pneus inclusive; e tem cravos que surgem em terrenos de pouca aderência, é equipado com um hidrofólio para se movimentar na água e esquis para neve. O motor é uma turbina movida a gás, e o carro alcança mais de 200 mph (320 km/h), em terra e até 50 nós sobre a água.


Gerry Anderson, criador da série, disse sobre o FAB1: “Considerando a personalidade (de Penelope) e o papel que ela desempenhou no Resgate Internacional, só poderia ser um Roll-Royce”. A empresa consentiu no uso da sua marca, e por ocasião do remake “Thumderbirds” no cinema em 2004, o chefe de relações públicas da Rolls-Royce da década de 1960 disse que a empresa “não via nenhum mal no pedido (da APF – AP Films, produtora de Gerry Anderson) e, como a série era voltada para as crianças, pensamos que seria bom para dar-lhes os carros – dar-lhes uma imagem moderna e, nunca se sabe, inspirar uma criança a possuir um, um dia”.

Relata-se que a única contrapartida que solicitaram foi que todas as referências ao carro nos episódios, usassem o nome completo: Rolls-Royce, em vez do termo abreviado “Rolls”.

Derek Meddings era o designer responsável pela construção do FAB1, e ele comenta que sua decisão de colocar seis rodas no modelo era puramente estética: “Minha desculpa... foi que o motor era tão grande e potente que precisava de seis rodas na frente, mas não havia nenhuma razão técnica para isso”.

Vários exemplares foram produzidos para as tomadas, alguns tão pequenos tendo 15 cm, e outros maiores, para acomodar os marionetes, com 1,80 ou 2,10 m de comprimento. O último exemplar, feito de madeira compensada, alumínio e latão cromado, custou aproximadamente £ 2,500 em 1966 (equivalente a £ 53,900 em 2021). Tinha direção funcional, faróis que acendiam, as portas e capota removíveis, para facilitar a filmagem dos marionetes.

A Rolls-Royce aprovou o projeto e forneceu uma de suas grades de radiador real, com a figura da Spirit of Ecstasy no topo, para ser usada nos close-ups do modelo maior, como a foto que fechava os créditos finais de cada episódio. Observando os armamentos e os dispositivos do FAB1, Robert Sellers (psicólogo que assessorava a produção de James Bond) e Marcus Hearn (biógrafo oficial dos Thunderbirds) comparam o carro com o Aston Martin de 007 nos filmes Goldfinger (1964) e Thunderball (1965).

International Rescue

Jeff Tracy

A International Rescue surgiu dos esforços do astronauta aposentado e homem mais rico do mundo, Jeff Tracy, para evitar desastres que provocasse a perda de vidas, como os eventos que ceifaram a vida de sua esposa. Com a ajuda de seus cinco filhos Scott, John, Alan, Virgil, Gordon e Alan, e a colaboração de Horatio Hackenbacker, que assumiu o codinome de Brains, engenheiro que é o construtor e responsável por todos os veículos e naves que utilizam para suas missões, e que tinha Tin-Tin Kyrano com sua assistente. Os nomes dos filhos de Jeff foram inspirados na tripulação da Mercury 7: Scott Carpenter, John Glenn, Virgil “Gus” Grisson, Gordon Cooper e Alan Shepard. A equipe conta ainda com agentes de campo, sendo a principal Lady Penelope Creighton-Ward, e seu fiel mordomo Aloysius “Nosey” Parker, ambos baseados em Londres. Outros agentes são Roger Lyon (Londres), Sir Jeremy Hodge (Cientista, financiador e agente em Londres), Jeremiah Tuttle (USA) e Gallup Din (India/Asia).


As marionetes tinham cerca de 22 polegadas de altura (50cm), portanto, todo o cenário e equipamentos do ambiente eram construídos para esta escala, cerca de 1/3 do tamanho real. Claro que muitas cenas e tomadas eram feitas com miniaturas, especialmente as que envolviam os veículos. O vídeo era gravado em 24 quadros/segundo, para reduzir os efeitos de movimentação truncada, e a iluminação era mais intensa do que o normal para criar um realismo maior nos cenários em miniatura. Os efeitos de exaustão de jatos ou explosões eram semelhantes aos que os japoneses utilizaram nos filmes de monstros, como o Godzilla.


Apesar das marionetes serem movimentadas com cordões, também possuíam componentes eletrônicos para a sincronização dos movimentos da boca e olhos através de solenóides embutidos nas cabeças (daí a proporção maior da cabeça em relação ao corpo). A energia era transmitida pelos fios que movimentavam as marionetes, que eram de tungstênio.

Baseados na Ilha Tracy, localizada no sul do Oceano Pacífico, a partir daí são acionados os pilotos e veículos mais adequados para atender às demandas do evento/desastre em andamento.

Thunderbirds 2004 e Thunderbirds Are Go (2013)

Para a filmagem com pessoas reais do filme de 2004, a produtora Working Title contactou a Rolls Royce para licenciar a marca para o novo FAB1, mas a empresa (agora de propriedade da BMW), recusou-se a se envolver no projeto. Consultaram a Ford, que aceitou a oferta e usou a 11ª geração do Thunderbird (ligação óbvia com o filme) para o redesenho do FAB1. O chefe de Marketing da Working Title comentou que foi uma “oportunidade de marketing loucamente perdida” para a Rolls-Royce, mas nesta área de licenciamentos e merchandising nem tudo que se planeja acontece como pensamos.

O FAB1 de 2004

Os designers da Ford tiveram as restrições de seguir o espírito do FAB1 original, mas conseguiram realizar um modelo totalmente funcional para o filme, seguindo o design do Thunderbird renovado que haviam feito.

O FAB1 de Thunderbirds Are Go, 2013

Para o remake do seriado para TV Thunderbirds Are Go (2013), o FAB1 recebeu uma atualização no design, mas preservando a identidade com o anterior de 1965 Roll-Royce, com a grade característica e a estátua no topo do radiador, mas o logotipo “RR” foi substituído pelas letras “IR” de International Rescue. O seriado passou para computação gráfica, com o visual dos personagens lembrando os originais de 1965.

Da minha coleção



O FAB1 do seriado original é na escala 1:87, Hot Wheels, numa ação conjunta com a Bandai,) o modelo faz parte da Série Charawheels, com diversas miniaturas de seriados, quadrinhos e animês japoneses. Ela saiu em 2001, e não mais teve reedições por parte da Mattel, provavelmente por não ter renovação do licenciamento. O detalhamento e acabamento são muito bons, as rodas são proporcionais ao modelo original.





A Série Charawheels, em associação com a Bandai japonesa


Referências:

http://www.sixmania.fr/pt/la-fabuleuse-histoire-de-la-vraie-fab-1-premiere-partie/

https://en.wikipedia.org/wiki/FAB_1

https://hotwheels.fandom.com/wiki/Charawheels

https://hotwheels.fandom.com/wiki/FAB1

 

Assista ao filme de 2004 no link:

https://www.youtube.com/watch?v=ll0fJVyBczQ


segunda-feira, 25 de março de 2024

BMW 3.0 CSL - 1973


Entre os admiradores dos BMW, este 3.0 CSL com certeza, consta no topo da lista como um dos mais icônicos sedans esportivos da BMW, e quem sabe do mundo. O estilo, a mecânica e sua herança esportiva dão razão para que ele seja um dos favoritos da marca bávara.

Baseado no 3.0 CS/3.0 CSi coupé (codinome interno: E9), o CSL foi desenvolvido para participar no German Touring Car Championship, recebendo os upgrades que o regulamento permitia para sua homologação na categoria. Ademais, foi com esse modelo que surgiu a divisão BMW Motorsport, e a sigla CSL (Coupe Sport Licht - “L” de Leicht, “leve” em alemão) indicando um modelo aliviado em peso para alta performance.


Apresentado no Geneva Motor Show de 1971, o BMW 3.0 CSL era equipado com um motor (M30) seis cilindros em linha ─ ampliado de 2.985 cm3 para 3.003 cm3 ─ com carburadores duplos, que logo recebeu uma injeção de combustível BOSCH e na versão final, tinha 3,2 litros (3.153 cm3) com 206 hp e 215 lb-ft de torque. Seu câmbio era manual com quatro velocidades, atingia 220 km/h de velocidade máxima. Mas seu grande trunfo não eram os números de potência e torque, mas sim os materiais com que foi construído: várias peças da carroçaria eram feitas de alumínio, os vidros das janelas e a vigia traseira eram de Perspex (ou Plexiglass), não havia isolamento acústico, sua suspensão especial tinha amortecedores Bilstein pressurizados a gás, molas espirais progressivas com 20mm a menos na altura, o camber incrementado (1.1º na frente e 1.0º na traseira) comparado com os modelos de linha. Mesmo as peças de aço entraram no regime: o teto, a parede do motor, as caixas de roda, e os painéis laterais foram feitos de uma chapa mais fina do que as do modelo normal, e até as molas que mantinham o capô aberto foram eliminadas e substituídas por um varão mais leve. O banco do piloto foi especialmente feito para o CSL, mais leve do que o normal de linha. Não havia vidros elétricos, nem para-choques dianteiro ou traseiro. O peso total do CSL chegava a 1.100 kg, contra 1.310 do modelo normal.


Recebeu também um body kit com um grande spoiler dianteiro, pequenas aletas nos para lamas dianteiros, um spoiler no final do teto sobre a vigia traseira e a asa traseira apoiada em enormes aletas verticais no final dos paralamas traseiros. As caixas das rodas com 2 cm mais largas acomodavam as largas rodas de liga com sete polegadas de tala. O spoiler dianteiro criava pressão no eixo dianteiro e o enorme aerofólio traseiro dava mais tração nas curvas. Devido à proibição dos aerofólios na Alemanha, ele seguia com o modelo para o comprador instalar a peça no momento da compra. Por causa do design do aerofólio traseiro, o modelo ganhou o apelido de “Batmóvel”, e também é conhecido como “Shark” (Tubarão).


A primeira vitória surgiu nas 6 Horas de Nürburgring, com Hans-Joachin Stuck e Chris Amon ao volante, cruzou a linha de chegada depois de 42 voltas liderando desde o início. Em segundo, outro CSL, da Alpina, marcou a volta mais rápida com Niki Lauda cravando 8m21s3.


Correndo com Toine Hezemans em 1973, o CSL venceu o European Touring Car Championship, e com Dieter Quester como copiloto, conseguiu a vitória na classe em Le Mans do mesmo ano. A dupla ficou com o vice-campeonato no German Touring Car Championship de 1973, sendo que o título daquele ano foi obtido por Chris Amon e Hans-Joachin Stuck em outro 3.0 CSL. O BMW 3.0 CSL foi muito bem-sucedido, conquistando seis campeonatos europeus sucessivamente, até o ano de 1979.


Foram produzidos apenas 167 exemplares do BMW 3.0 CSL entre 1973 e 1975, tornando o modelo bem raro, e os que sobreviveram às competições são bem disputados pelos colecionadores, atingindo cifras em torno de 300.000 Euros.

O BMW 3.0 CSL comemorativo dos 50 anos

Para celebrar os 50 anos do lançamento do BMW 3.0 CSL em 2023, a empresa reeditou o modelo com base no cupê BMW M4 GT4, colocando mais de 100 profissionais para montar 50 unidades de um CSL do século 21, seguindo os mesmos princípios que nortearam a criação do CSL original. Liderados por Christian Waldherr, Diretor de Tecnologia, estará lá o aerofólio traseiro que se tornou a marca registrada do CSL de 1973, além da pintura em Alpine White, e as faixas decorativas azuis e vermelha características do CSL quando foi lançado.

BMW Motorsport GmbH

Von Falkenhausen no Formula 2, em Hockenheim

No início dos anos 1970, a BMW tinha uma presença tímida no campo esportivo, apenas fornecendo motores e apoiando preparadores como a Schnitzer e ALPINA. Sob a direção técnica do Barão von Falkenhausen, ex-piloto e preparador de motos BMW ─ é dele a criação da suspensão Paralever na segunda metade dos anos 1950 ─ passou para os automóveis BMW em 1957, Falkenhausen assumiu o desenvolvimento de motores, e junto com o engenheiro Paul Rosche criou o motor M10 de quatro cilindros de alta performance, que ficou conhecido como “New Class”, equipando o BMW 1500 de 1961. Em 1966, colocaram um cabeçote de quatro válvulas e um duplo comando na cabeça, tornando o motor de 2 litros recordista em Hockenheim, equipando o Brabham de Fórmula 2, pilotado pelo próprio Falkenhausen, aos 59 anos de idade!


Esse motor passou a equipar o novo modelo pequeno da BMW, serie 2, e recebeu o código 2002, tornando o modelo um sucesso entre os pilotos pois era muito competitivo, e muitos creditam ao seu sucesso a recuperação da BMW no mercado automobilístico e financeiro.

A decisão da BMW criar sua divisão esportiva era o passo natural para consolidar sua imagem, e o sucesso nas pistas seria uma ferramenta de marketing perfeita para estabelecer uma imagem jovial e dinâmica, ao contrário da Mercedes-Benz, focada em clientes mais maduros. Falkenhauser estava se aposentando, então Paul Rosche foi convidado a chefiar a nova divisão esportiva.

Bob Lutz, um apaixonado entusiasta do automobilismo, assumiu a Direção das Vendas em 1972. Ele resolveu “roubar” o chefe de equipe da Ford Alemanha Jochen Neerpasch. Ele trouxe junto o piloto Hans-Joachin Stuck, e o engenheiro Martin Braungart, e seu primeiro trabalho era lançar o BMW 3.0 CSL. Além de Stuck, outros pilotos fizeram história com o CSL: o sueco Ronnie Peterson, o holandês Toine Hezemans e o austríaco Dieter Quester, correndo na Europa e nos Estados Unidos (IMSA GT).

O logotipo da divisão Motorsport

Neste ponto, o logotipo da Divisão BMW Motorsport merece um aparte. A formação da Divisão envolvia a captação de um patrocinador, e a BMW decidiu abordar a TEXACO, que justamente era a patrocinadora da Ford alemã, para fazer a parceria nas competições. Os designers elaboraram então um logotipo com a letra “M” e três faixas coloridas, sendo uma delas na cor vermelha, da TEXACO. A faixa azul identificava a BMW, cor presente no logo circular da BMW, cor da bandeira da Baviera. Entre as duas faixas, uma na cor roxa (ou púrpura), que seria a cor resultante da mistura de azul e vermelho. No entanto, a negociação com a TEXACO não se concretizou, por motivos até hoje não divulgados. Mesmo assim, o logo já estava pronto e a direção da BMW gostou dele, mantendo o design, e com o tempo, a faixa central roxa mudou para um azul escuro.

O CSL no projeto BMW Art Cars

O CSL decorado com a arte de ALexander Calder

O BMW Art Car Project foi apresentado pelo piloto e leiloeiro francês Hervé Poulain, que queria convidar um artista para criar uma tela em um automóvel. Em 1975, Poulain contratou o artista e amigo americano Alexander Calder para pintar o primeiro BMW Art Car. Este primeiro exemplo seria um BMW 3.0 CSL que o próprio Poulain correria nas 24 Horas de Le Mans de 1975. Desde então mais de vinte carros da BMW foram decorados por renomados artistas com vários estilos, dentre os quais, o M1 pintado por Andy Warhol é o mais valioso entre os colecionadores.

O CSL decorado por Roy Lichtenstein, em 1977

O CSL decorado por Frank Stella, em 1976


Da minha coleção

O BMW CSL 3.0 da Hot Wheels, com o número 68

O modelo da Hot Wheels é baseado no CSL que venceu o European Touring Car Championship (ETCC), e nos modelos de 1975 a 1979. O primeiro modelo Hot Wheels veio na cor Alpine White e as faixas decorativas do logotipo da Divisão M, mas saiu com o número 68 na sportas, ao invés do original, que tinha o número 12.

O CSL da Série Retro Racers, de 2024


A miniatura da foto é da Série Retro Racers, de 2022; e sua decoração é inspirada nas cores da bandeira alemã.




O modelo laranja é um Matchbox, lançamento de 2024, da Série Moving Parts, com abertura do capô dianteiro (pouca) e um detalhamento mais caprichado, mas sacrificado no estilo e tamanho das rodas, que deixam a desejar.

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2773_BMW_3.0_CSL_Race_Car

1973 BMW CSL 3.0 | Matchbox Cars Wiki | Fandom

https://www.bmwblog.com/2020/04/24/bmw-3-0-csl-one-of-the-most-iconic-cars-in-the-world/

https://www.bmwblog.com/2020/03/09/the-true-story-behind-the-meaning-of-the-bmw-m-colors/

https://www.bmwblog.com/2018/03/01/the-m-legacy-a-profile-on-jochen-neerpasch/

https://www.cbsnews.com/pictures/bmw-art-cars/39/

https://www.bmw-m.com/en/topics/magazine-article-pool/bmw-3-0-csl.html

https://www.hemmings.com/stories/article/baron-alexander-von-falkenhausen

https://flatout.com.br/paul-rosche-o-homem-que-inventou-os-supermotores-da-bmw/

https://www.bmw-m.com/en/topics/magazine-article-pool/bmw-3-0-csl-manufaktur.html