terça-feira, 25 de agosto de 2015

Maridos de aluguel



As mudanças sociais vão se sucedendo sem parar, e com os relacionamentos efêmeros junto com a sobrecarga de ‘compromissos’ pessoais e sociais, cada vez temos menos tempo para cuidar de alguns problemas que a vida moderna traz.
Apesar de toda a tecnologia disponível, alguma coisa sempre necessita de reparo ou manutenção. Mas as pequenas coisas que vão quebrando em casa acabam sendo um transtorno para quem não tem habilidades para trocar uma lâmpada queimada...
Chuveiros queimados, tomadas que não funcionam, torneiras vazando e encanamentos entupidos, portas e janelas que não fecham, e por aí vai...
Com uma grande parte da população morando sozinha, tanto homens como mulheres sofrem com estas situações que seriam simples de resolver no passado.
De olho nesta necessidade das pessoas, as companhias de seguros estão atrelando ao seguro do carro vários destes serviços, e na cola do mercado há os “maridos de aluguel”, que prestam todo tipo de serviço para resolver estas situações.
Esta expressão é interessante porque surge daquele aspecto de que as mulheres que vivem sozinhas seriam mais dependentes de um “marido de aluguel”, para resolver os inconvenientes para manter o bom funcionamento de uma casa. E traz todo um histórico psicossocial do “homem da casa”, “provedor” que todos temos em nosso inconsciente.
A revolução sexual que começou nos anos 1960, e alçou as mulheres à emancipação pessoal trouxe muitos benefícios e abriu espaço para que as mulheres ampliassem seus horizontes, se tornassem menos dependentes financeiramente, podendo decidir por si sobre a maternidade, carreira, ou qualquer outras escolhas que antes não estavam ao seu alcance.
Vemos hoje mulheres em posições de liderança, até como presidente de nosso país (sem entrar no mérito de sua governança, claro...), em empresas ou outras instituições, ocupando espaços em todos os campos, e que antes eram predominantemente masculinos.
Como todas as coisas, o lado bom sempre se contrapõe com algum aspecto negativo.
Isso se reflete nas atitudes sociais (sem generalizar), como antigamente, se havia homens com quem as mulheres não queriam se casar (ou se relacionar), hoje há mulheres com as quais os homens não querem se relacionar...
O cafajeste de ontem, que se aproveitava das mulheres, impondo sua superioridade para dominar a situação para seu próprio proveito, se transferiu para algumas mulheres que se aproveitam, não só dos homens, mas também de outras mulheres, ditando suas regras e impondo seus conceitos distorcidos sobre que é viver em sociedade.
Com a oferta de sexo fácil no mercado (tanto para homens como para mulheres), as pessoas querem algo mais. É como a pirâmide de Maslow, em que na situação onde as necessidades fisiológicas e de segurança são preenchidas, se passa a buscar satisfazer a necessidade de amor e relacionamentos (de qualidade).
Neste estágio, algumas qualidades são fundamentais para que se crie relacionamentos com as pessoas que possam gerar o sentimento do amor, não apenas do amor romântico, mas o amor mais elevado, que se preocupa com o próximo, com o planeta, e a construção de um mundo melhor de se viver.
Com o estabelecimento da cultura do “primeiro eu”, torna-se difícil, para não dizer, impossível exercer ou demonstrar qualidades tais como a bondade, lealdade, fidelidade, voluntarismo, pois já não sabemos quem está realmente necessitado, e o que a pessoa realmente necessita, ou se deseja ser ajudado...  
No afã de se libertar da opressão masculina, algumas mulheres agora oprimem outros, sejam subalternos, amigos, maridos, ostentando sua “independência” com um recado velado de que “não preciso de homem” para ser feliz. E acabam constrangendo as mulheres também, pois não podem ver uma mulher se dar bem com um homem ─ ser bem tratada e amada por ele num relacionamento saudável de amor e cumplicidade ─ sem soltar uma farpa ou comentário ácido sobre sua “suposta” submissão.
Enfim, a qualidade dos nossos relacionamentos vão depender de nossa postura em relação aos valores que criamos. Os valores estão mudando cada vez mais, e mais rápido. Mas os princípios pelos quais vivemos não mudam: família, amigos, vizinhos e todos os que estão à nossa volta sofrem os efeitos de nossas ações.
Faça uma boa ação e seu mundo ficará melhor, porque você se torna uma pessoa melhor.


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Trânsito fatal: somos vítimas da guerra que não acaba

Trânsito é sempre um assunto recorrente no nosso dia-a-dia. Seja pelo impacto diário que sofremos cada vez que saímos de casa, para trabalhar ou para lazer, no problema de sair cada vez mais cedo para chegar no horário para uma reunião ou consulta médica, ou até para não se atrasar para uma peça de teatro; todos somos afetados pelo trânsito da cidade.
Pior são os acidentes, com mortes e ferimentos que afetam as pessoas e famílias, com todos os efeitos maléficos, mais do que conhecidos de todos os envolvidos.
Além de motorista e motociclista, também somos pedestres, e as estatísticas não estão ajudando muito.
Atropelamentos representam 44,4% das mortes no trânsito em São Paulo; subindo 8% em relação a 2013. Foram 555 pedestres mortos em 2014 contra 514 em 2013. Apesar de reduzido, o número de mortes de ciclistas foi o que mais aumentou: 34%: de 35 mortos em 2013 para 47 casos em 2014. Com o incentivo da Prefeitura de ampliar o uso da bicicleta (atualmente são 273,6 km de ciclovias na cidade), este número só  tende a aumentar em 2015.
Os números refletem a verdade: pedestres e ciclistas são muito imprudentes, ou não sabem se comportar num ambiente tão perigoso como as ruas da capital. Vemos a todo instante pessoas de todas as idades, ricos ou pobres, atravessando fora das faixas demarcatórias, andando no meio-fio ao invés das calçadas, passando atrás de carros que estão dando marcha-a-ré; ciclistas andando na contra-mão, nas calçadas, cruzando farol vermelho, fora da ciclofaixa, em ruas e avenidas que tem um espaço exclusivo para eles...
Não é de surpreender que as estatísticas estejam subindo. Existe até uma lei (Lei 9.503/97; art 254 do Código Nacional de Trânsito) que prevê multa ao pedestre que não observar a faixa que é disponibilizada para travessia.
A prefeitura anunciou que vai reduzir a velocidade das vias marginais do Pinheiros e Tietê de 90 para 70 km/h, visando reduzir as mortes. Piora o fluxo e aumenta a arrecadação, sem contar que pedestres e ciclistas não frequentam as marginais...
"Continuamos sem uma política nacional de redução de acidentes, com recursos, metas e responsabilidades definidas" afirma Luiz Carlos Néspoli, da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos).
"Não adianta só fazer propaganda ou aumentar multa, é preciso um programa permanente, em todos os governos. Não há, por exemplo, nenhuma ação séria para reduzir os acidentes com motos."
Ele citava uma estatística que mostrava que em dez anos, o número de mortes em ocupantes de carro subiu 32%, ao passo que as mortes de motociclistas subiram 130%.
Educação, conscientização, melhor preparação e treinamento na habilitação, fiscalização, as soluções não são tão difíceis; colocá-las em prática é que parece impossível.
Se você sai de casa e volta vivo, dê-se por feliz. Continuamos vítimas de uma guerra que não acaba.







domingo, 11 de janeiro de 2015

Scrambler, estilo aventureiro resgatado pela Ducati


Na Inglaterra de 1909, competições de moto começavam a ficar famosas, entre elas o famoso Six Days Trial Escocesa, considerada por muitos como a  mais antiga competição de motos do mundo. Por seis dias, um percurso de cerca de 100 quilômetros misturando asfalto e terra testavam a capacidade tanto das máquinas como a habilidade e resistência dos pilotos.
Em 1924, surgiu a expressão "motocross" para nomear estas corridas, juntando-se a palavra "moto" e "cross" oriunda do termo "cross-country", emprestada do hipismo. Durante as décadas de 1930 e 1940 o esporte se desenvolveu em popularidade, tendo consagrados marcas tais como a BSA (Birmingham Small Arms Company),  Norton, Matchless e AJS.
As motos ainda não eram tão diferenciadas dos modelos de rua, mas com o aumento de competitividade imposto pela supremacia esportiva, já na década de 1950, os quadros começaram a ser reforçados, as suspensões ganharam curso maior e mais eficiência (surgiu a balança de suspensão traseira), os pneus começaram a apresentar desenhos especiais na banda de rodagem, para melhor aderência em pisos de terra, cascalho e areia.
Com a desmilitarização do famoso Jeep usado na II Guerra, ganhando as ruas para trabalhar no campo e usar toda sua capacidade de enfrentar terrenos difíceis, as pessoas gostaram da idéia de chegar a lugares em que carros e motos comuns não conseguiam atingir, devido às condições adversas do terreno depois que o asfalto acabava.o asfalto quanto fora dele.
Estava criado o conceito dos 4x4 ou "fora-de-estrada" para os carros e o Scrambler ou Trail para as motos.
A expressão "scrambler" tem origem na eletrônica e designa um aparelho que mistura as frequências. Foi com base neste conceito que passou a designar motocicletas que misturavam a capacidade de andar tanto na terra como no asfalto.
Os anos 1960 ainda foram dominados pelas marcas européias, sobretudo as inglesas, italianas e alemãs, e as motos Scramblers ainda não eram tão diferenciadas de suas irmãs para o asfalto. Somente com a chegada das japonesas aos mercados mundiais o design delas começou a se destacar, com suspensões mais elevadas, altura livre do solo, escapamentos elevados (para cruzar pequenos riachos sem que a água entrasse no motor), pneus com "biscoitos" para maior aderência nos pisos de terra.
Os grandes fabricantes desenvolveram máquinas para Motocross, Enduro para competições de Rally e as Trails ficaram no mercado que usavam as máquinas para cidade/campo.
Assim como os proprietários dos SUV's que tem toda a capacidade de enfrentar um lamaçal e sair dele, mas que nunca vão sair do asfalto, as motos Trail também foram se urbanizando cada vez mais, tomando um caminho de volta, adaptando-se mais a rodar na cidade do que no campo. O visual ainda se mantinha "trail", mas as suspensões já não eram tão altas, os pneus principalmente ficaram mais adequados aos pisos urbanos, com menos "biscoitos" na banda de rodagem.
No entanto, o embalo do estilo aventureiro lançado pela FIAT com os modelos 'Adventure' e VW com a linha 'Cross' ainda se mantém forte. Os consumidores anseiam descobrir um lugar pitoresco, pouco visitado e muitas vezes de difícil acesso para ter a sensação de estar desbravando algo novo, descobrindo lugares não muito frequentados, ainda não tocados pela mão da civilização.
Virou um estilo de vida, assim como muitas coisas que consumimos, apenas aparentamos ser "aventureiros", sem nunca encarar uma estrada de terra para chegar no alto da montanha...

De todo modo, pelo lado do Design, temos o relançamento da Ducati Scrambler, que não é a mais veloz, nem a mais bonita, mas que resgata a personalidade da original, famosa nos anos 1960 e 1970.
Iinclusive, tem uma plaqueta no tanque com a inscrição "Born in 1962", mas o motor agora é o dois cilindros em L com comando desmodrômico e refrigeração a ar e óleo, prometendo alto desempenho. A potência chega a 75 hp com 22 quilos de torque. Seu câmbio tem seis marchas e rodas aro 17 calçadas com os Pirelli MT60 RS; freios Brembo com discos de 330 mm com quatro pistões tanto na dianteira como na traseira, e ABS de fábrica. Com toda esta tecnologia, mesmo usando muito alumínio, pesa 170 quilos. Para um consumidor cool, que não abre mão da personalização, a Scrambler vem em quatro versões com certa customização: Icon, Full-Throtle, Classic e Urban Enduro; mas seu proprietário poderá fazer alterações mais avançadas, deixando a moto com mais exclusividade ainda.
Já virou objeto de desejo...




domingo, 21 de setembro de 2014

Desgraça alheia dá mais audiência!

Dizia-se que se torcêssemos o jornal "Notícias Populares" sairia sangue, devido à quantidade de notícias escabrosas, mortes e tragédias que o jornal trazia em suas páginas.
Gil Gomes, fazia sucesso com o noticiário policial, primeiro no rádio, depois transposto para a TV no antológico "Aqui, Agora!"; do qual Datena é o seu herdeiro mais bem sucedido.
O fato é que as pessoas gostam de saber sobre as desgraças que acontecem com os outros, como as fofocas das comadres, ou a curiosidade dos motoristas ao passar por um acidente de transito.
Fiquei pensando um pouco sobre os motivos pelos quais a curiosidade humana pela desgraça alheia é tão grande assim.
Não que tais fatos não devam receber atenção dos noticiários. Acidentes de trânsito podem ser evitados por se observarem as estatísticas sobre algo que sucede constantemente; os chamados para reparo ou troca de determinado componente num veículo que está provocando ou pode causar quebras ou acidentes, quedas de aeronaves podem levar a medidas que aumentem sua segurança, e assim por diante.
Mas há notícias que não agregam em nada, e com os celulares que fotografam e filmam, a quantidade destes eventos proliferam sobremaneira através das redes sociais.
Poderia se argumentar que o fato de ficarmos sabendo do que acontece na sua cidade, estado ou país poderia melhorar as condições de vida, reduzindo as mazelas com saúde, segurança, desemprego e ordem social, mas com a complexidade que a vida nas grandes cidades assumiu, assistir todos os dias a exibição de um cenário com o que vemos nos noticiários, só pode levar á depressão profunda.
Tanto é que diversas pessoas com que converso comentam que não dá pra assistir ou ler jornal, de tantas notícias ruins que eles trazem.
Como alguém que fala sobre os defeitos dos outros para se sentir psicologicamente melhor, creio que a maior atenção dada às más notícias tem o mesmo paralelo: o fato de saber que outros estão sofrendo roubos, assassinatos, sequestros, tragédias, calamidades de toda sorte, conforta nossa psique sobre o nosso status quo, no fundo, no fundo, pensando: "Ainda bem que não foi comigo!".
Alguns psicólogos poderão dizer que temos um lado negativo dentro de nós, e esse lado nos atrai ao lado negativo dos fatos, buscando saber e se interessar pelas tragédias do cotidiano.
Por outro lado, quando você tem uma boa notícia a divulgar, pensa duas vezes antes de tornar pública, por causa da inveja que isso poderia provocar em algumas pessoas... Assim, ficamos de mãos atadas e deixamos de compartilhar boas novas com aqueles à nossa volta.
Não é para menos que há tempos, o Jornal Nacional sempre encerre suas edições com uma "notícia boa", como que para compensar a quase totalidade de notícias ruins que o jornal pauta todos os dias.
Tempos difíceis em que vivemos, onde fatos positivos, boas ações e boas notícias não dão audiência, e tem baixo interesse por parte dos telespectadores; e boas notícias despertam um dos piores sentimentos no coração dos invejosos de plantão!
Tenho fé de que um dia estas situações poderão ser coisas do passado e que todas as pessoas com quem convivermos só trarão notícias boas para nós.
Abraços e até a próxima!

domingo, 31 de agosto de 2014

Tempo do fim; do fim do mundo!

Dias apocalípticos em que vivemos, não é surpresa o bombardeio diário, através da mídia, de tragédias pessoais e coletivas, com o crescimento de roubos, assaltos e latrocínios, seqüestros e mortes estúpidas por torcidas futebolisticas, terrorismo, guerras e conflitos étnicos, epidemias que ameaçam contaminar o planeta, a corrupção entre os que deveriam zelar pela manutenção da ordem e do serviço público; protestos, vandalismo, saques e incêndios de ônibus; calamidades climáticas de toda sorte, desde os terremotos, tufões, furacões, enchentes e tsunamis jamais vistos antes.
O cenário retratado para nós dia a dia se deteriora, carregando ao esgoto os valores morais, sociais, políticos, religiosos e outros mais.
Famílias que se desintegram: Uma pesquisa feita no Brasil em 2011 revela que 56,5% dos casais se divorciam antes de completar 15 anos de união. Neste ano, houve 351.153 divórcios no país. Na Europa, 50% dos casais se divorciará no mesmo período; situação parecida em diversos outros países.
As mortes no trânsito trazem números horripilantes, mas que não causam mais impacto, devido à rotina em que sucedem os acidentes nas ruas e estradas de nosso país: o Denatran reporta cerca de 35 mil óbitos por ano; já o Ministério da Saúde inclui os mortos até 30 dias após os acidentes, informando 43 mil/ano. Mas o que assusta mesmo são os números da Seguradora Líder, administradora central do Seguro DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), exibindo 54.767 indenizações por mortes em 2013: são 4.563 mortos por mês!
Só para dar uma idéia da dimensão deste número: 54.610 cadeiras é o número de lugares no Estádio da Fonte Nova, de Salvador, reformado para a Copa do Mundo no Brasil; 58.000 soldados americanos morreram na Guerra do Vietnã, que durou 20 longos anos! Média de 2.900 soldados mortos por ano! Na Guerra do Iraque, relatórios reportam 52.000 soldados mortos em todo o conflito, que durou 10 anos! Média de 4.333 mortes por ano!
Conclusão: nosso trânsito mata 10 vezes mais do que a Guerra do Iraque e 20 vezes mais do que a do Vietnã. E nem assim recebem atenção da sociedade ou de qualquer instituição para por um fim nestas estatísticas tão trágicas.
Ao mesmo tempo que os reservatórios começavam a dar o alarme reduzindo sua capacidade de abastecer a população de milhares de cidades pelo Brasil, a região sul do país era assolada por fortes chuvas, deixando mais de 420 mil pessoas desabrigadas devido às enchentes e desmoronamentos.
Alguns desesperançados (e como não se sentir assim?) começam a desconfiar que a Mãe Natureza está ficando brava com a humanidade, que tanto apronta no quintal que deveria cuidar. Outros, tem sua fé em Deus questionada, criando dúvidas em suas mentes se ele é realmente um Deus de Amor, devido à explosão de acontecimentos que subvertem a lógica da vida: o bem será recompensado e o mal será castigado. Será?
A figura que ilustra este post foi captada de uma matéria sobre as 10 melhores imagens de "street-art" ou grafitti, como é mais conhecida; e sua forte mensagem toca fundo em todos nós, ao exprimir de uma forma tão plástica, que o mundo está "indo para o ralo".
Por mais otimistas que sejamos, franzimos o cenho e apertamos os lábios, inconformados com tudo o que vemos, todos os dias, de todos os cantos do mundo, e tristemente, concluímos que o fim do mundo está próximo.
Mas, diferentemente dos proclamadores barbudos, cheios de miçangas, calçados com sandálias de couro e munidos de cartazes em locais de grande movimento; muitos começam a levar a sério esta possibilidade: o mundo está perto do fim.
Não é de surpreender que as profecias apocalípticas se multipliquem. O ano 2000 chegou e se foi, o mundo está aí. O ano de 2012, segundo o calendário Maia, era para ser o último; e ainda estamos aqui. Mas a sensação de que algo dramático irá realmente acontecer em breve ronda a todos nós; pois apesar de tantas desgraças ocorrendo, no fundo, esperamos que tudo isto acabe de verdade, os mais pessimistas, que sejamos todos punidos por cooperar para que esta situação se estabelecesse, ou pela omissão por não lutarmos para combatê-la; os mais otimistas, que seja estabelecido um novo mundo em que nada destas coisas estarão presentes.
Seja por um aspecto ou pelo outro, a certeza aumenta cada vez mais. E a sensação de desconforto vem do fato de que não sabemos de verdade qual será o resultados desta grande mudança.
Vale a pena examinar o livro profético mais publicado na história da humanidade e ver o futuro desenhado pelo Criador para aqueles que depositam fé nos Seus propósitos: um Paraíso, com vida eterna, e felicidade, um mundo em que haverá Justiça e Paz, e as pessoas que lá viverão serão muito diferentes das de hoje.
Quem viver, verá! E mesmo que venha a falecer antes de ver isso, ressuscitará! (Apocalipse 21:3, 4).


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Páscoa - Tradição com confusão

Uma das celebrações mais antigas é a Páscoa Judaica, em que se relembrava a libertação dos israelitas da escravidão do Egito, com Moisés confrontando o Faraó, e as 10 pragas que assolaram o Egito terminando com a morte dos primogênitos, e a nação indo para a Terra Prometida, uma terra que manava leite e mel.
Devido à importância do fato, ordenou-se aos israelitas que relembrassem este evento todos os anos, comendo pão não fermentado e um cordeiro assado, cujo sangue foi aspergido nas ombreiras das portas das casas dos israelitas para que o anjo de Deus não entrasse naquela casa e matasse o primogênito da família. A data era a mesma em que foram libertados, 14 do mês de nisã, segundo o calendário judaico.
Jesus, como israelita que era, também celebrou a Páscoa conforme os costumes de seu povo, comendo o pão ázimo e o cordeiro na noite do dia 14 de nisã, junto com seus apóstolos, no ano 33 de nossa Era Comum.
Segundo os desígnios divinos, Jesus, que em muitas passagens foi chamado de o "Cordeiro de Deus", deveria ser sacrificado no dia da Páscoa, para simbolizar a libertação das pessoas para que pudessem alcançar uma nova Terra Prometida, um paraíso em que teríamos uma vida perfeita sem sofrer os efeitos da imperfeição e da morte.
A mudança era que esta possibilidade deveria ser estendida não apenas para os judeus, mas para toda a humanidade. Então, na noite de 14 de nisã de 33 EC, depois de Jesus celebrar a Páscoa Judaica, e Judas sair para trair a Jesus, ele celebrou com seus 11 apóstolos um novo pacto "para um Reino, para que senteis em tronos". Passou para todos comerem do pão ázimo e tomarem do vinho, representando o corpo de Jesus e o sangue que ele iria derramar em favor de todos os que depositassem fé nele, para alcançar a Vida Eterna.
Os detalhes sobre esta noite dramática são mais do que conhecidos de todos, assim como os fatos que se seguiram sobre a sua ressurreição depois de três dias e suas aparições posteriores para os apóstolos e outras pessoas, e também a sua subida aos céus 40 dias depois.
Os cristãos então, passaram a celebrar este novo pacto que Jesus fez com seus seguidores, no dia 14 do mês de nisã.
Tudo ia bem nos primeiros anos e décadas.
A confusão toda começou quando a igreja se tornou um instrumento dos governos para dominar o povo, e deixando de seguir as orientações de Deus, começaram a misturar conceitos e tradições não cristãs para que as pessoas de outras religiões aceitassem mais facilmente os dogmas do governo que dominava o cenário político da época.
Ritos de fertilidade eram comuns nos templos "pagãos", onde prostitutas serviam àqueles que queriam ter uma família numerosa (símbolo de prosperidade). Ovos representando a continuidade da vida eram elementos óbvios em outras culturas não cristãs; assim como a figura dos coelhos facilmente associados à multiplicação da descendência remetiam à preservação da vida contra a morte.
O amálgama destes vários elementos pode ser visto em todo o mundo globalizado, em que se seguem tradições nem sempre conhecidas pelas pessoas que as praticam. E a Páscoa com certeza é uma delas.
Distorcida pela igreja, banalizada pelo comércio, globalizada pela tecnologia, a Celebração da Páscoa Cristã perdeu seu verdadeiro significado, o de relembrar o sacrifício de Cristo, abrindo a oportunidade de ter seus pecados perdoados e usufruírem a esperança de chegar ao Paraíso original.
Nem sempre as pessoas questionam os valores por trás de certos costumes e tradições, e para alguns, isto não tem grande importância, pois a fé e o zelo pelos conceitos corretos não são características presentes em muitos hoje.
À parte do humor extraído da Crônica de Luis Fernando Veríssimo, fica a certeza de que hoje se faz tanta coisa sem nem saber exatamente porquê, e o desconhecimento das origens de certas datas faz as pessoas aceitarem conceitos que acabam sendo contrários aos que Deus deseja que tivéssemos.
Leia a crônica de Veríssimo e reflita um pouco sobre alguns dos costumes de nossa civilização, sem pé nem cabeça.

http://www.paralerepensar.com.br/verissimo_duvidaspascais.htm



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Carros – de objetos de desejo a vilões da história – Parte II



Dando seqüência ao post da semana passada, vamos ver o outro lado da moeda, o lado negro dos automóveis, ou o que eles se tornaram para infernizar a vida do homem moderno.
Para uma parcela da população, os automóveis deixaram de ser o objeto de desejo, especialmente para muitos jovens do sexo masculino que atingem os 18/20 anos, ter um automóvel deixou de ser uma prioridade.
Cidades atravancadas pelo trânsito sempre congestionado, a poluição decorrente da queima de combustível fóssil, o aumento de roubos e acidentes provocados pela imprudência e bebida, a subida dos custos, não só do preço dos automóveis, mas também da sua manutenção, com impostos, combustível, seguros, estacionamento e demais serviços em alta, tem afastado os jovens de querer possuir um carro como primeiro bem de consumo.
Junte-se à maior conscientização ambientalista, em que produzir um carro, que polui durante sua vida útil e ainda vai prejudicar o ambiente depois que for descartado, mais toda a energia desperdiçada (na prática, gasta-se energia para deslocar uma tonelada e pouco para transportar uma pessoa e meia no trânsito de São Paulo), e temos um cenário nada favorável ao automóvel do Século 21.
Para estes jovens, a mobilidade deixou de ser sua prioridade, e hoje eles querem a conectividade; com seus smartphones, tablets, ipods, videogames e toda parafernália eletrônica com que interagem com o mundo à sua volta. As redes sociais aproximam as pessoas, e deslocar-se para encontrar os amigos já não parece ser tão importante assim.
Nova York, metrópole da nação  mais motorizada do mundo, tem uma infra-estrutura de transporte público excelente; e num estudo feito em 2012, apontou que 56% das residências da cidade não tem carro. Washington, segunda cidade e capital do país, com 38% de casas sem carro, seguida por Boston, com 37%, Filadélfia, com 33% e São Francisco, 31%. A surpresa do estudo foi Detroit, a “capital do automóvel”, onde 26 por cento das casas não têm carros.
Alguns especialistas já observam o fenômeno e preveem o declínio da indústria automotiva, com a mudança de foco dos jovens para os artefatos eletrônicos e digitais, viajar (não necessariamente de carro), adquirir formação acadêmica (educação está cada vez mais cara, notadamente no Brasil). Jovens casando-se cada vez mais tarde, usam o carro do pai ou da mãe; ou andam de transporte público mesmo. Ainda que namorem, a possibilidade da moça ter um carro é grande, então está resolvido seu problema de deslocamento...
A “Canção do aço que passa” já não atrai as multidões como antes... e se para muitos hoje, o carro ainda é uma necessidade, a busca de uma alternativa melhor mudará radicalmente o cenário em que vivemos. Sair de casa, seja para trabalhar, fazer compras ou para lazer faz as pessoas pensarem duas vezes antes de usar o carro.
A demanda por um transporte público eficiente, o vertiginoso crescimento das vendas de motocicletas no Brasil, o aumento do uso de bicicletas são a ‘ponta do iceberg’, juntando-se à piora da infraestrutura urbana e a mudança do perfil social e profissional das pessoas, e veremos logo, logo algo diferente acontecer.
Seria um fim inglório para uma invenção que tanto contribuiu para o progresso da humanidade, mas que agora está se tornando o grande vilão da história.