segunda-feira, 25 de julho de 2016

Aprovação social - boa ou má?

Sylvan Goldman havia adquirido diversas mercearias por volta de 1934, e percebeu que seus clientes paravam de comprar quando as suas cestas de compras estavam pesadas demais para carregar. Isso o inspirou a inventar o carrinho de compras, que na sua forma inicial era uma cadeira de rodas equipada com um cesto de metal, e tinha um aspecto tão estranho que nenhum dos fregueses de Goldman estava disposto a usá-los. Colocou cartazes explicando como usar os carrinhos e destacando as vantagens para os clientes, mas nada!
Frustrado e quase desistindo, teve a idéia de reduzir a incerteza dos usuários, baseando-se na aprovação social. Contratou pessoas para se passar por compradores para ficarem andando pelas lojas com os carrinhos de compras. Rapidamente, os verdadeiros clientes começaram a imitá-los. Sua invenção alastrou-se pelos Estados Unidos e pelo mundo, e ao morrer, Goldman tinha um patrimônio de mais de 400 milhões de dólares*.
A propaganda usa e abusa deste recurso, exibindo "gente como a gente" em comerciais mostrando situações altamente convincentes consumindo produtos ou falando bem deles, e uma derivação utilizando celebridades e pessoas publicamente notórias que merecem ser "imitadas" por nós, pois queremos ser assim também como elas, bonitas, bem sucedidas e felizes com a vida.
Aprovação social é algo que todos perseguimos, desde o seio da família em que nascemos, até os círculos sociais e profissionais em que vivemos. Não é de surpreender que volta e meia nos colocamos nestas situações em que buscamos a aprovação social, seja num pequeno grupo de três amigos, ou no meio de uma torcida de milhares de fanáticos num jogo do seu time favorito.
Ou aquela hora em que o professor explicou a matéria nova e no final pergunta: "Alguém tem alguma dúvida?" você está tão cheio de incertezas mas não vai levantar a mão de jeito nenhum no  meio da classe!
Certamente não há nada de mal em querermos que outros gostem de nós, ou nos aceitem como somos, mas neste mundo tão cheio de carências, este comportamento pode nos causar problemas sérios.
É só ver os jovens que começam a fumar, usar drogas, se arriscar em esportes radicais ou beber e dirigir, para que sejam aceitos dentro de seus círculos sociais, e trilham um caminho sem volta.
Muitos barmen colocam notas de dinheiro nas caixinhas de gorjetas no início da noite para simular gorjetas deixadas por clientes anteriores, dando a impressão de que fazer isso é um comportamento aprovado no estabelecimento. Igrejas buscam um aumento dos donativos ao passar os cestos de coletas com várias notas dentro, ou pior ainda, falsos doadores no meio da assistência fazem suas doações de modo que os demais visualizem sua contribuição (às vezes agitando notas de grande valor) antes de as colocarem nos cestos de coleta.
No tempo em que trabalhei em feiras e exposições, uma das prioridades era manter o estande da empresa sempre movimentado e cheio de gente, pois as pessoas se sentem inibidas de entrar num estande vazio, que passa a impressão de não ter nada interessante para se conhecer. O mesmo princípio da aprovação social percebi quando minhas duas filhas eram pequenas e íamos ao shopping dar uma volta; entrávamos em uma loja que estava vazia de clientes, e enquanto ficávamos lá por uns 10 ou 15 minutos, logo outras pessoas iam entrando, só porque viam nossa família dentro da loja.
Casas noturnas forjam filas na entrada, mesmo tendo lugares vagos dentro do estabelecimento, para dar a impressão de que o local vale a pena ser frequentado.
E aqui temos uma pérola cultural: em tempos passados, um funeral tinha a presença das "carpideiras", normalmente mulheres, que tinham a função de "chorar" pelo(a) falecido(a), induzindo os presentes a chorar também.
Para nos defender deste tipo de comportamento a que nós mesmos estamos sujeitos precisamos prestar atenção às situações com que nos defrontamos quando estamos junto com mais pessoas em torno.
Primeiro, quando a situação é ambígua, e não temos claros indícios da decisão certa a tomar, temos a tendência de seguir ou imitar o que os outros estão fazendo (a famosa psicologia das multidões).
Segundo, quando somos impactados por exemplos de pessoas semelhantes a nós, ou tais personalidades nos pedem uma posição sobre qualquer coisa, seja um produto anunciado, uma opinião a ser emitida, ou até uma atitude que deva ser tomada, temos a tendência de obedecer às demandas que nos foram criadas, mas que não são necessariamente reais para nós.
Ter uma noção clara da psicologia envolvida tanto nas vendas ou na publicidade, pode nos ajudar a evitar gastos desnecessários com produtos ou serviços que nos são ofertados todos os dias pela grande mídia; e melhor ainda, podem nos proteger dos conceitos e idéias que podem gerar em nós um comportamento que poderá nos prejudicar literalmente.
O equilíbrio e a razoabilidade são elementos fundamentais para que o mundo à nossa volta nos influencie para sempre fazer o bem ao próximo, e buscar bons resultados naquilo que nos empenhamos, seja sua atividade profissional, familiar, a diversão e entretenimento; e evitemos as posições radicais com que a sociedade ou grupos dentro dela desejam impor a nós, utilizando o recurso da aprovação social (todos estão fazendo, por que não você?) para nos levar a aceitá-los como "politicamente/socialmente corretos".

Abraços e até o próximo post!

(*) As armas da persuasão (Influence: Science and Practice), de Robert B. Cialdini. Editora Sextante, 2012.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Stand by me


Apesar dos bilhões de pessoas no mundo, a solidão é muito presente em alguns momentos e temos sentimentos de que outros não se importam conosco.
Se os problemas que enfrentamos, seja em família, no trabalho, acabam sendo difíceis de solucionar, o que diremos da economia em crise, a violência das grandes cidades, a corrupção e o terrorismo presente todos os dias nos noticiários?
Não é de se admirar que a sociedade parece cada vez mais tomada pela atitude do "eu primeiro", reflexo da necessidade de sobreviver a qualquer custo, de abandonar os sentimentos pelo próximo, pois nada mais importa, a não ser se manter vivo.
Acabamos esquecendo que precisamos uns dos outros, e neste mundo que se tornou tão complexo, dependemos cada vez mais uns dos outros.
Tudo o que fazemos afeta os que estão à nossa volta, e vice-versa. Esquecemos que um dia precisamos de nossos pais para nos guiar para a vida, e quando crescemos o suficiente, achamos que podemos resolver tudo à nossa própria maneira.

Mas todos sabemos que muitas vezes, precisamos de um Pai Celestial, com seu infinito amor e paciência, para nos guiar nas piores situações em que nos metemos. A música pode atenuar alguns sentimentos de tristeza e depressão que inevitavelmente nos atingem, portanto, tire um tempo para ouvir e ver o vídeo no link do YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=Us-TVg40ExM

"Stand by Me" é uma canção originalmente criada pelo cantor e compositor americano Ben E. King, escrito por King, Jerry Leiber e Mike Stoller. De acordo com King, a canção foi inspirada por uma composição espiritual por Sam Cooke chamada de "Stand by Me Father" (embora Mike Stoller conteste a afirmação). Esta canção foi gravada pelo The Soul Stirrers, um grupo Gospel, com Johnnie Taylor fazendo o vocal. Houve mais de 400 versões gravadas de "Stand by Me" interpretada por muitos artistas. A canção foi destaque na trilha sonora do filme de 1986 "Stand by Me".

Em 2012 estimava-se que os royalties desta canção tenham alcançado £ 17 milhões (R$ 73.950.000), tornando-se a sexta maior canção de maior rentabilidade a partir desse momento. Metade dos royalties foram pagos a Ben E. King.

Em 2015, a versão original de King foi introduzido no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso por ser "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativa", um pouco menos de cinco semanas antes da morte dele.

Veja a letra da canção gravada por John Lennon em 1975, para o álbum Rock'n' Roll, depois de cinco anos afastado da indústria musical. A versão de Lennon é mais "rock" do que R&B, e assista no link à edição internacional desta canção.


Stand By Me - Fique comigo
When the night has come - Quando a noite chegar     
And the land is dark - E a terra ficar escura
And the moon is the only light we'll see - E o luar for a única Luz que se vê           

      No I won't be afraid,- Não, não vou ter medo   
    no I won't be afraid - não, não vou ter medo 
Just as long as you stand, stand by me - Enquanto você ficar, ficar comigo        
So darling, darling, - E querida, querida,  
stand by me, oh stand by me - fique comigo, fique comigo   
   Stand by me, stand by me - Fique comigo, fique comigo

If the sky that we look upon - Se o céu que contemplamos  
Should tumble and let fall - Despencar e cair                 
And the mountains should crumble to the sea - E a montanha se desmoronar para o mar          

            I won't cry, I won't cry - Não vou chorar, não vou chorar
                     no I won't shed a tear - Não, não vou derramar uma lágrima
Just as long as you stand, stand by me - Enquanto você ficar ficar comigo         
And darling, darling, stand by me - E querida, querida, fique comigo    
oh stand by me, oh stand now - Fique comigo, fique agora        
  Stand by me, stand by me - Fique comigo, fique comigo

               Whenever you're in trouble - Enquanto tiveres problemas não terás,
won't you stand by me - se estiveres comigo       
  Oh stand by me, stand by me, - Oh fique comigo, fique comigo, 
 stand by me, stand by me - fique comigo, fique comigo

  Darling, darling, - E querida, querida, 
 stand by me, oh stand by me - Fique comigo, fique comigo    
   Stand by me, stand by me, stand by me - Fique comigo, fique comigo, fique comigo

             Whenever you're in trouble  - Enquanto tiveres problemas não terás,
won't you stand by me - se estiveres comigo        
 Oh stand by me, stand by me, - Oh fique comigo, fique comigo, 
stand by me, stand by me - fique comigo, fique comigo


O vídeo já teve mais de 2.770 milhões de compartilhamentos, se emocione também, e até o próximo post!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A eternidade ao seu alcance

Desde que o ser humano se conscientizou sobre a passagem do tempo, e a curta duração da vida em relação ao mundo que nos cerca, ele tenta se eternizar, deixando sua marca para assinalar às gerações futuras a sua passagem por este mundo.
Desde as pinturas nas paredes das cavernas, pirâmides e templos, cidades e obras de expressão artística refletem o desejo de se eternizar no tempo.
Até mesmo colocamos o nosso nome em nossos filhos, apondo o "Junior", "Filho" ou "Neto" para nos diferenciarmos, mas com certeza é um desejo velado de nos eternizarmos. Bilhões são gastos para camuflar ou adiar os sintomas da velhice, desde um simples creme facial contra rugas até as cirurgias plásticas para ficar com uma aparência alguns anos mais jovem.
Por outro lado, a renovação das células de nosso corpo deveria ser indefinida, pois os cientistas consideram o corpo humano como a máquina mais perfeita jamais concebida, e não compreendem por que em determinado momento, ele vai se degradando até parar de funcionar.
É certo que as células cerebrais, os neurônios, não se reproduzem, mas mesmo elas acabam morrendo. Milhões delas morrem durante a vida média de um ser humano, e este índice aumenta com a idade. Uma teoria sobre o envelhecimento diz que as células vão perdendo a eficácia devido ao desgaste.
No entanto, os sistemas vivos tem um grande poder de regeneração, até o ponto de criar um novo membro perdido, no caso de alguns répteis. Como este mecanismo poderia ser "ativado" para o ser humano reconstruir partes danificadas do nosso corpo?
Ponce de León procurou a fonte da juventude na região que hoje é a Florida, nos Estados Unidos. Ele se baseava na mitologia grega de um Rio da Imortalidade que saía do Monte Olimpo, e que Hera se banhava nele para sempre parecer jovem e linda perante seus marido Zeus. Outros relatos vêm da mitologia Hindu, que Alexandre, o Grande, procurou durante a sua expedição de conquista ao Oriente; os sumérios tinham o relato sobre Gilgamesh, personagem semi-deus que busca a eternidade depois que seu amigo Enkidu morre.
"O Retrato de Dorian Gray", de Edgar Alan Poe é famoso permanecer sempre jovem, ao passo que seu retrato envelhecia.

Seria possível um ser humano viver para sempre?
Tema recorrente da teologia em diversas religiões, e em livros e filmes, o desejo de viver para sempre está em nossos corações: a passagem em Eclesiastes capítulo 3, versículo 11 diz que Deus (que é eterno) colocou este conceito em nossos corações; por isso, queremos nos manter vivos não importa qual a nossa situação na vida.
Ninguém quer morrer.
Mas o que faria se pudesse realmente viver para sempre, sem morrer jamais?
Com a realidade da morte muito presente hoje, é difícil para nós concebermos uma vida sem fim.
O primeiro aspecto que perderia o sentido seria  o contar o tempo. Todos vivemos sob a tirania do relógio, em que o tempo nunca é suficiente para fazermos aquilo que gostamos.
"Aproveitar o tempo" não teria mais sentido, visto que teríamos todo o tempo para fazer o que desejarmos, não importando mais a quantidade de tempo necessária para tal coisa.
Poderia empenhar todo o tempo em sua diversão preferida, viajar até o ponto mais distante que gostaria de visitar no continente em que vive, desenvolver uma habilidade, estudar um assunto e dominar qualquer técnica seriam possíveis, com a eternidade ao seu dispor.
Quantas possibilidades se abririam se o tempo perdesse o significado que tem hoje?

Fico por aqui, até o próximo post!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Decisões - por que é tão difícil tomá-las?

Grandes ou pequenas, simples ou importantes, sempre estamos tomando decisões, desde a hora em que despertamos, até a hora de dormir.
Algumas vezes, decidimos automaticamente, para economizar energia: qual o pé de meia que calço primeiro: o direito ou o esquerdo?
Outras vezes, demoramos mais: Qual o prato vamos pedir num restaurante que visitamos pela primeira vez?
Ainda outras acabam sendo verdadeiros dilemas: a compra de um carro ou imóvel; manter um relacionamento ou terminá-lo; ficar num emprego ou pedir demissão...
Não é para menos que a palavra grega para Indecisão signifique "de duas almas, alma dupla", a pessoa fica dividida entre duas opções, ou decisões, não conseguindo definir qual delas deve tomar.
De todo modo, decidir envolve considerar todas as opções e escolher uma delas. Parece fácil, mas nem todo mundo lida bem com as alternativas que tem e as consequências de suas decisões, especialmente se já tomou uma decisão que não deu os resultados esperados.
O mundo é feito de escolhas, e se temos o dom do livre-arbítrio, deveria ser mais fácil lidar com as decisões que temos de tomar. A frase "O que você faria se fosse eu?" revela mais do que uma indecisão; mostra no fundo uma fuga de sua responsabilidade, passando para outra pessoa o poder de decidir sobre sua vida. Caso o resultado seja ruim, poderá culpar o outro pela decisão que tomou...
Claro que consultar alguém antes de tomar uma decisão importante pode ajudar muito, se este alguém é confiável e se está realmente interessado em ajudá-lo. Considere os efeitos que sua decisão provocará, e imagine as consequências que advirão de sua decisão.
São fatores que poderão guiá-lo para selecionar a opção que produzirá melhores resultados para os envolvidos. Bom senso nestas horas nunca é demais. Vale a pena demorar um pouco para amadurecer o assunto, meditando em todos os aspectos para não se arrepender depois.
Mesmo que conheça alguém que passou pela mesma situação, procure não se basear nesta referência, pois pessoas diferentes devem tomar decisões diferentes, pois cada um deve "saber onde aperta o seu calo".
Cada pessoa tem seus princípios e seus valores, e é sobre eles que sua decisão deve ser baseada, para ser coerente e adequada para a sua realidade, pessoal familiar ou profissional.
Muitas vezes, uma decisão tomada demora a produzir os frutos. Não desanime tão cedo, nem mude sua decisão achando que deveria ter escolhido outra opção. Algumas decisões são difíceis de manter, e outras acabam tendo desdobramentos inesperados com que se tem de lidar.
Mesmo tentando salvar uma situação tomando a decisão correta, os efeitos de um erro no passado podem custar a passar: moças solteiras que engravidam, mesmo se casando com quem se gosta, terão de criar seu filho pelo resto de suas vidas...ou parar de fumar depois que se descobre ter câncer no pulmão...
Temos de tomar decisões inteligentes, pois não podemos voltar no tempo para desfazer tais erros.
Neste sentido, temos algumas obrigações e contas a prestar, para com o nosso criador: Ele nos deu a vida, para a vivermos de modo responsável, usufruindo todas as boas oportunidades para fazer o bem, primeiro para nós mesmos, e depois para o nosso próximo.
E aí?

Já decidiu qual boa ação vai praticar hoje?

Um abraço e até o próximo post!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

POR-DO-SOL


Um dia que se vai,
Quando o sol finda o seu caminho,
Descendo calmo atrás dos morros,
Fulgurante em sua luz alaranjada,
Num espetáculo soberbo e divino,
Enchendo os nossos olhos de beleza;
A apoteose celeste do seu trajeto,
Iluminando de vida a todos,
Vibrando de energia homens e plantas;
Anunciando a noite com suas trevas,
E a fria luz da lua e das estrelas.

Quem dera pudéssemos terminar
Nossas breves vidas como o por-do-sol,
Glorioso, luminoso e radiante,
Finalizar a vida com um espetáculo;
E não com lamentos e tristeza;
Em rugas e brancos cabelos,
Definhando o vigor de outrora,
Em doenças e sofrimento,
Sem poder, nem glória...

A vida, uma dádiva do Criador...
A morte, uma herança de Adão,
Um triste final para um começo promissor...
Que alívio será um dia ver
A dor desaparecer e o lamento não mais se ouvir,
Até mesmo da morte retornar,
E nenhum sofrimento ou lágrima brotar
Nos rostos apenas olhares a sorrir,
E felizes finalmente, ser...


Uma reflexão sobre a vida e a morte, enquanto estava com meu pai, aos 92 anos, no hospital. São Paulo, 24/03/2016.
Ele faleceu no dia 01 de abril de 2016.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Carros e Filmes: Vanishing Point (1971)

Das centenas de filmes produzidos a cada temporada, todos querem ser um sucesso de público, mas alguns despertam um fascínio inexplicável, que  se tornam mais do que um sucesso, o transformam num Cult, mantendo esta atração através dos anos.
Vanishing Point é um filme que nos fascina exatamente por aquilo que não nos diz explicitamente. Talvez esta seja a explicação do porque o público se sinta atraído por ele.
Kowalski (Barry Newman) é um motorista de entrega de carros em Denver, Colorado. Sabemos dele apenas isso, nunca seu primeiro nome é citado. Veterano da guerra do Vietnã com Medalha de Honra, ex-piloto de corridas e de motocicleta, também é ex-policial, expulso em retaliação ao prevenir seu parceiro de estuprar uma jovem mulher. Assombrado pela morte de sua namorada Vera, num acidente de surf, Kowalski agora vive de adrenalina.
Numa sexta-feira, tem a tarefa de entregar um Dodge Challenger R/T 440 Magnum em São Francisco na segunda, mas amarra com seu chefe uma aposta que entregaria o veículo em menos de 15 horas. Por que ele fez isso não fica explicado. Talvez porque queremos fazer algumas coisas sem ter de dar explicação nenhuma do porque queremos fazê-las.
Através do Colorado, Utah e Nevada, perseguido por policiais em motocicletas, carros e até por um helicóptero, tirando rachas com outros motoristas e violando todas as leis de trânsito, Kowalski passa a ser ajudado por um Disc-Jockey cego (Super Soul, papel de Clevon Little) que ouve a freqüência da polícia e o incentiva a fugir dos bloqueios no caminho. Super Soul o chama de "último herói americano", e Kowalski vira notícia nos meios de comunicação, e as pessoas começam a se reunir na estação de rádio KOW (de onde Super Soul transmite) para oferecer seu apoio.
Super Soul
Super Soul joga no ar o primeiro material gravado por Kim Carnes, também Rita Coolidge a David Gates (do Bread) aparecem na tela, e Big Mama Thornton canta algumas de suas músicas estilo Gospel.
Fugindo para o deserto, encontra todo tipo de pessoas, que ora o ajudam, ora o prejudicam. Kowalski suspeita que a transmissão de Super Soul esteja sendo monitorada para capturá-lo, mas consegue ultrapassar um bloqueio simulando ser um carro de patrulha da polícia.
Mais do que um Disc-Jockey, Super Soul é como um anjo da guarda, que sabe exatamente onde Kowalski está, e o que está fazendo a cada momento (apesar de ser cego).
Alguns argumentam que ele representa o “último homem livre da América”; por isso ele não tem um nome particular. Ele encontra hippies e motoqueiros e outras pessoas marginalizadas pela sociedade. 
Ele é um anti-herói, que dirige por puro amor à velocidade e busca reafirmar sua liberdade pessoal. A polícia está caçando-o porquê a América está mudando e a liberdade está se acabando. Para um filme realizado em 1971, após as convulsões sociais que a década de 1960 trouxe, até faz sentido.
A tentativa de calar Super Soul com pedradas na sua estação de rádio seria uma metáfora bíblica para castigar os que violam a lei.
Perseguido pela Polícia
Kowalski finalmente chega à Califórnia às 19:12 do sábado, mas a pequena cidade de Cisco será o seu destino final. Richard Sarafian, o Diretor do filme, disse que queria que Kowalski parecesse estar em outro mundo, pois momentos antes do impacto na barricada de Bulldozers, uma luz ilumina seu rosto, e ele sorri. Muitos interpretam isso como o arrebatamento que os evangélicos consideram como a salvação para ir ao céu. Uma contradição, pois os cristãos não aceitam o suicídio para atingir o céu.
Barry Newman especula que o filme inteiro é um ensaio sobre o existencialismo, e que Kowalski dá a própria vida para que ele possa definir a sua própria. A pequena fenda na junção entre as lâminas dos tratores era um ponto de fuga (tradução de ‘vanishing point’)  para Kowalski, e sua reafirmação de que não importa o quão longe ele chegue, ou quantos o persigam, ninguém pode tirar sua liberdade.
Os seres humanos são inerentemente atraídos por questões psicológicas profundas, porque lutamos para entender a nós mesmos, e queremos desesperadamente saber por que outros fazem estes tipos de escolhas emocionais sendo o suicídio o ato mais dramático que um ser humano pode realizar.
Os quilômetros de asfalto, deserto, o forte empurrão nas costas ao acelerar o Challenger fugindo da polícia, celebram a jornada selvagem para lugar nenhum. Quinze horas e 1.500 milhas depois, Kowalski segue sua corrida contra o destino, rugindo com o poder bruto do V8 de 440 polegadas cúbicas do Challenger branco.

Ficha do filme:
Vanishing Point (no Brasil: Corrida Contra o Destino, 1971)
Direção: Richard C. Sarafian
Elenco: Barry Newman, Cleavon Little (Super Soul), Dean Jagger, Gilda Texter (garota da motocicleta), Robert Donner (Policial)
Roteiro: Malcolm Hart, Guillermo Cabrera Infante
Música: Pete Carpenter, Mike Post, Kim Carnes

Em 1997, Vanishing Point foi refilmado, com Viggo Mortensen substituindo Barry Newman e Jason Priestly no lugar de Clevon Little. Ao contrário do original, Kowalski tem um nome completo, além de deixar claro para onde está indo (sua esposa está grávida). Super Soul também não tem nenhuma habilidade sobrenatural para ver Kowalski, e gasta o filme jorrando impropérios anti-governistas no rádio enquanto discute com os perseguidores sobre o que está motivando Kowalski.
Hollywood perdeu uma boa chance de refazer o carisma de um filme intrigante, explicando demais o que não precisa ter explicação. Vanishing Point é uma prova de que aquilo que não é dito, ainda é mais interessante do que o que se fala claramente.

DODGE CHALLENGER R/T 440 SIX-PACK MAGNUM
Em 1970, a Chrysler necessitava desafiar o Cougar e o Mustang, da Ford; e o Camaro da Chevrolet. Com base na plataforma E, a mesma do Plymouth Barracuda, a Chrysler apresentou no outono de 1969 o Dodge Challenger R/T (de Road and Track), equipado com o V8 de 6,4 litros e 290 hp; sendo opcionalmente disponível o R/T Magnum com um V8 de sete litros Hemi V8 com 425 hp de potência.
Dodge Challenger R/T 440
Desenhado por Carl Cameron, que também havia projetado o Charger de 1966. O Challenger foi bem recebido pelo público, vendendo 76.935 unidades em 1970. Apesar disso, o segmento dos "pony-cars" (carros compactos com motores potentes) estava em franco declínio, e vendeu apenas 27.800 carros em 1973. Em 1974, último ano-modelo com o design desta geração, o Challenger fechou com uma produção de 165.437 unidades no total, entre 1969 e 1974.
O motor básico era um seis cilindros em linha, com 225 polegadas cúbicas (3,7 litros), com opção pelo V8 de 318 polegadas cúbicas (5,2 litros) com 230 hp. Para 1970, incluíam-se motores V8 opcionais de 340 e 383 polegadas cúbicas, assim como um 426 e 440 (7.0 e 7,2 litros), todos com câmbio manual de três velocidades, exceto para o 383, que vinha com o TorqueFlite automático. Uma caixa de quatro marchas era opcional para todos os motores, exceto para o seis em linha e o 383.
Os modelos denominados R/T eram de maior performance, apelidados de "Magnum", todos com V8: o 383 com 300 hp; o 440 com 375 hp; o 440 Six-Pack com 390 hp e o 426 Hemi com 425 hp. Os modelos R/T eram disponíveis tanto com o teto hardtop como conversíveis. Alguns modelos tinham uma abertura no capô que ficou conhecida como "shake hood scoop" onde se encaixava o topo da caixa de filtro de ar, e quando se acelerava o motor era visível a vibração e o efeito giroscópico do motor.
O Challenger com o capô "Shaker hood"
Depois de sua aparição no filme "Vanishing Point", o carro se tornou instantaneamente "cult". Richard Zanuck, executivo da 20th Century Fox, escolheu usar o novo Challenger como uma forma de retribuir a Chrysler por seus anos de locação de veículos para as produções do estúdio, por apenas um dólar por dia.
Carey Loftin, coordenador de dublês do filme Vanishing Point e um veterano de grandes filmes de automóveis como Bullitt e Operação França, disse que também preferiu usar os Challengers por causa de sua potência e suspensão com barras de torção. Loftin descreveu o Challenger como um "bom e resistente carro para correr".
Estima-se que cinco carros foram empregados nas filmagens, quatro deles 440 Magnum e um 383 automático. Todos foram destruídos durante as filmagens, menos um, o carro dublê número dois, usado pela equipe de produção para as fotos estáticas ou com Newman ao volante.
Foi escolhida a cor "Alpine White" para ajudar a visualização nas tomadas do deserto de Nevada. Nem todos eram brancos, alguns tiveram de ser pintados. Quando Kowalski troca um pneu no deserto de Nevada, um pouco da cor original pode ser vista na lataria. Todos os carros receberam as placas OA-5599 do Colorado.

EDA MINHA COLEÇÃO

O Dodge Challenger R/T 440 é reproduzido pela ERTL (hoje Racing Champions ERTL Company) na escala 1:18, bem detalhado, com abertura de portas e capô, motor e interior detalhados, na cor Alpine White. De uma série limitada de 4.500 exemplares, é bem valorizada pelos colecionadores pela pequena quantidade produzida. A ERTL também tem a “Dirt Version”, reproduzindo o carro no final do filme, quando já está bem sujo com a quilometragem rodada. A Highway 61 também produz o modelo do filme, mas não informa se a quantidade é limitada.

Outra empresa que tem o Challenger na linha é a Greenlight; todos tem um bom acabamento e detalhes. De todo modo, assim como o filme se tornou “cult”, os modelos em escala “acompanham” este interesse do público. Um modelo comum do Challenger, pode ser adquirido por valores entre R$ 100,00 e R$ 170,00 (US$ 27 a 46) em sites como o eBay ou Mercado Livre, ao passo que o Dodge Challenger branco do filme é ofertado por valores entre R$ 700,00 e R$ 900,00 (US$ 192 a 247), confirmando que o carisma do filme extrapola as telas de cinema e chega ao modelo que representa a liberdade que Kowalski buscava velozmente.


Na escala 1:64. tenho o Challenger da Greenlight, com bom acabamento para o formato, com destaque para as rodas, onde muitos fabricantes pecam na fidelidade em relação ao original.


Challenger 440 R/T, da Greenlight, em 1:64
Da Mattel, temos o 71 Dodge Challenger, um Mainline Hot Wheels, com acabamento razoável, e uma decoração semelhante á época, mas com a liberalidade tradicional dos designers para tornar a miniatura mais atrativa aos colecionadores. A miniatura vem com spoiler traseiro integrado ao casting e o hood-shaker, cobertura do filtro saindo no capô, que mostrava a vibração do poderoso V8 quando se acelerava.

quarta-feira, 16 de março de 2016

O que vai ser do futuro?

Entre as características que nos diferenciam de outras criações de Deus, além da fala, é a preocupação com o futuro. Desde tempos imemoriais, o ser humano quer saber como será o amanhã.
Profetas, astrólogos, cartomantes, adivinhos, floresceram em todas as civilizações antigas para responder às grandes dúvidas que o homem tem sobre a sua existência, e o que acontecerá conosco adiante na linha do tempo.
A cada novo ano que começa, sempre temos as previsões sobre a economia, o tempo, as flutuações do câmbio, e o mundo globalizado de hoje sofre influências de todos os fatos que ocorrem em todos os lugares, muitas vezes com consequências imprevisíveis.
De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? é o título de uma pintura feita por Paul Gauguin, artista francês que passou os últimos dez anos de sua vida no Taiti, na Polinésia Francesa. A obra de 4 metros de largura, pintada em um mês, conta uma história, como muitas obras dele nesta fase. Gauguin quis mostrar que a vida começa ao nascermos, com o bebê á direita da tela, seguindo o sentido oriental de leitura, passando pelo homem colhendo uma fruta, a figura da divindade polinésia em azul, onde Gauguin queria mostrar o mundo do além, e o impacto que o cristianismo provocou na religiosidade dos nativos.
Na extrema esquerda, a figura de uma velha sentada indica o final do ciclo da vida, apenas esperando a morte, que pode ser a ave branca que afinal levanta voo e se vai. levando a vida das pessoas.
Na verdade, o nome do quadro de Gauguin representa as questões vitais que todo ser humano já se fez algum dia. Tentando encontrar um sentido para a sua vida, ou querendo saber de suas origens, e desejando conhecer o seu destino final, a humanidade busca as respostas a estas três fundamentais questões.
Muito mais do que saber se amanhã vai chover ou fazer sol, queremos saber se nosso futuro será promissor e brilhante, ou se as mazelas da civilização nos soterrarão debaixo do caos que se tornou a vida moderna.
Ao mesmo tempo em que a tecnologia traz as suas maravilhas para o nosso dia-a-dia, a natureza humana parece retroceder cada vez mais na barbárie, seja numa briga de vizinhos, numa batida no trânsito, seguindo pela corrupção do poder, a prosperidade dos traficantes de drogas e do crime organizado, chegando aos desmandos de grandes nações se debatendo nos conflitos mundiais e no terrorismo que assola algumas regiões do mundo, dizimando populações inteiras sob o domínio do fundamentalismo radical. Idéias e conceitos iguais aos que moveram os Cruzados, os traficantes de escravos na época das colonizações, e os que levaram o mundo à Segunda Guerra Mundial se repetem no cenário cada vez mais turbulento em muitos países.
Da forma como observamos o mundo hoje, o futuro não mostra uma boa cara...
Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso concluirá que a humanidade está entrando em colapso, seja pela guerra, pelas doenças que surgem como epidemias fora de controle, pela falta de alimento, carência de água e o aumento da poluição, que cada vez mais agride a natureza...
Mas, calma aí!
Mesmo não sendo um otimista de carteirinha, podemos esperar um futuro melhor: há milhares de anos, a Bíblia fala do Paraíso perdido, que um dia poderá ser recuperado pela humanidade; desde que as pessoas tenham um determinado comportamento.
O Paraíso: Paz até mesmo com os animais.
É verdade que a história desde que o homem perdeu o favor de Deus tem sido uma desgraça atrás da outra, ainda assim, os relatos de quem faz o que Deus pede são bem animadores, apesar de terem vivido num cenário que não favorecia a conduta correta esperada por Deus daqueles que alegam seguir os seus mandamentos, ou princípios.
Nomes tais como Abel, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Josué, Sansão, Davi, Salomão, para citar alguns, tiveram muitos problemas em suas vidas, Abel e Sansão perderam-nas devido à posição que assumiram perante Deus, Davi foi perseguido durante anos por Saul, antes de assumir o trono de Israel, e pode-se dizer que Salomão foi um dos únicos que usufruiu durante a sua vida a sabedoria, a riqueza e o poder que Deus lhe concedera por pedir sabedoria para reger a nação de Israel, ao invés de solicitar riqueza e poder apenas.
Salomão e a Rainha de Sabá

OK, no final de sua vida, pisou na bola, quando as suas 700 esposas e 300 concubinas o desviaram da adoração a Deus, seguindo aos deuses pagãos das nações de suas mulheres. O futuro dele parecia brilhante e ele esperava que ao final de sua vida poderia morrer feliz e satisfeito, com um bom nome diante de Deus; mas não foi isso que aconteceu...
Aliás, a morte é a única certeza quanto ao nosso futuro, pois dela não conseguimos escapar. O único que se pode dizer que iludiu a Morte foi Jesus, que três dias depois de morto e enterrado, foi ressuscitado, visto por diversas testemunhas em várias ocasiões, e subiu aos céus depois de 40 dias. Coisas de quem afirmava que era Filho de Deus.
Ora, Jesus falava do futuro com convicção: diversas profecias sobre a sua volta, sobre o que ele fará quando voltar, e como recompensará aos que seguirem o seu exemplo são fatores suficientes para milhões de pessoas seguirem os seus preceitos. Quase dois mil anos após a sua morte, estamos aqui fazendo o que ele mandou: pregando o Reino de Deus, amando a Deus em primeiro lugar e ao próximo como a nós mesmos!
Assim como ele burlou a morte, ele promete o mesmo aos que tiverem fé nele, e se fizerem o que ele ordena, poderemos viver para sempre, num paraíso que será restaurado para os que obedecerem os seus mandamentos.
Como este futuro pode se tornar realidade para você ou eu? Como acreditar que tal coisa realmente ocorrerá apesar do mundo parecer caminhar para o fundo do poço?
Todos os estudiosos das milhares de religiões existentes no mundo hoje, inclusive considerando a ciência quase como uma religião também, são unânimes em citar o mesmo elemento comum para isso: a FÉ.
A fé não se explica, nem se racionaliza; apenas se tem fé ou não se tem fé. A própria Bíblia define a fé, na passagem de Hebreus capítulo 11, versículo 1: "A fé é a firme confiança de que virá o que se espera, a demonstração clara de realidades não vistas". É o primeiro requisito para se acreditar em Deus, e consequentemente, nas promessas que ele faz de que restabelecerá a humanidade na glória e plenitude que intencionava antes de Adão e Eva desobedecerem as suas ordens.
Hoje, muitas pessoas perderam a sua fé; se decepcionaram com Deus e vivem à deriva, buscando explicações do por quê vivemos da maneira que vivemos, e sem encontrar respostas válidas para os acontecimentos, vêem suas esperanças se desvanecerem como fios de fumaça que se diluem ao subir pelo ar...
Há muitos caminhos, e o ser humano tem a liberdade de escolher o que melhor lhe parece. Não é de surpreender que os bilhões de pessoas no mundo hoje seguem cada um o seu caminho, julgando que ele seja o melhor para si.
Mas, pelo que a Bíblia diz, em breve ocorrerá uma mudança radical em todo o mundo, e contrariamente ao que os profetas do Apocalipse apregoam, a humanidade terá, sim, um futuro brilhante, em que as doenças, o crime, as guerras, a corrupção e a violência serão coisas do passado, e todos poderão usufruir a felicidade de morar num paraíso, e principalmente, as pessoas serão perfeitas, sendo possível viver para sempre, eliminando a morte do cenário da humanidade.
Especialistas afirmam que o futuro virá, você querendo ou não, o amanhã chegará trazendo um novo dia, um novo mês, um novo ano...poderá escolher entre recebê-lo passivamente da forma que chegar; ou fazer algo para que ele seja melhor do que o dia de hoje.
Construir o seu futuro dá trabalho, e talvez seja por isso que muitas pessoas vivam tão mal no final de suas breves vidas, quando chegam a alcançar este tempo...

O que vai ser do seu futuro?

Depende se você já fez a sua boa ação de hoje...