CHECKER TAXI CAB NEW YORK CITY
Os famosos taxis amarelos de Nova York eram os Checker
Marathon, fabricados pela Checker Motors Corporation, de Kalamazoo, Michigan, e
tanto a companhia de taxis como a montadora eram de propriedade de Morris
Markin.
Os Checker se tornaram muito populares em todos os Estados
Unidos entre 1958 e 1982, com várias cidades adotando os carros para sua frota
de táxis. São comparáveis aos táxis de Londres, com seu estilo que se manteve
durante os anos, adquirindo status de verdadeiros ícones.
A origem da empresa remete ao início do século XX, quando
a cidade de Chicago começou a se motorizar, devido à grande demanda de
passageiros no terminal ferroviário, que ligava Chicago ao restante do país. Em
1920, duas empresas disputavam o mercado: a Yellow Cab e a Checker Taxi.
A Yellow Cab foi fundada por John Hertz, em 1910, que
posteriormente, estabeleceu sua própria fabricação de taxis em 1917. Já a
Checker Taxi não possuía a fabricação de taxis, mas usava os Mogul Cabs,
fabricados pela Commonwealth. A empresa estava à beira da falência, e para
honrar seus compromissos de fornecimento às empresas de taxi, fundiu-se com a
Markin Automobile Body, cujo dono era Morris Markin, um lojista de roupas de
Chicago, que fundou a Markin Automobile Body em Joliet, Illinois, com um
capital de US$ 15.000,00.
 |
| Checker 1923 |
Os carros eram bem resistentes, e ganharam aceitação do
mercado. A partir de 1924, Markin começou a comprar licenças de operação dos
Checker Taxi, e adquiriu o controle total da empresa em 1937. Equipou os
motoristas com uniformes, e foi a primeira companhia a contratar
afro-americanos como motoristas, e consequentemente, exigir que os taxis
atendessem também os negros, e não apenas os brancos.
Isso criou uma animosidade contra Markin, além da
competição no mercado em Chicago, e o atentado contra sua casa o levou a
transferir a administração e produção de carros para Kalamazoo, Michigan. Por
sua vez, John Hertz havia vendido parte de sua empresa na Yellow Cab para a
Parmalee Transportation Company, e em 1929, um incêndio suspeito em seus
estábulos, matou os seus cavalos de corrida premiados. Isso fez com que ele
vendesse suas ações para Markin, que logo mais, comprou a participação da
Parmalee, assumindo o controle da empresa. A empresa viria a se tornar a maior
empresa de taxis dos Estados Unidos.
Antes de vender sua parte na Yellow Cab, em 1925, Hertz
havia vendido o setor de Taxis, Caminhões e Ônibus para a General Motors, que
em certo momento, ofertou as operações para Markin, mas este recusou. Ao invés
de desativar a operação, a GM entrou no negócio de taxi na cidade de Nova York,
com o nome de Terminal Taxi Cab, fazendo concorrência direta com a Checker, de
Markin.
A disputa entre as companhias se acirrou a tal ponto, que
o prefeito teve de intervir, criando a comissão Taxi Cab, que emitia as
licenças para os operadores de taxis na cidade, e determinou que os carros
tivessem capacidade para cinco passageiros no banco traseiro. Isso favoreceu
Markin e outros fabricantes que atendiam este requisito, e ao longo das
próximas três décadas, Markin seguiu formando as “Checker Taxi” ou “Checker
Cab” em diversas cidades dos Estados Unidos.
Depois do período da II Guerra Mundial, a Checker voltou a
produzir os carros, similares aos modelos pré-guerra, mas já denominados
“Sedans” O modelo de 1947, tinha 127 polegadas no entre eixos e carroceria
monobloco, sendo produzidos até 1956.
 |
| Checker 1950 |
Em 1954, Nova York revisou suas especificações, eliminando
a exigência dos cinco passageiros no banco traseiro e o mínimo de 120 polegadas
de distância entre eixos. A Checker então desenvolveu um novo modelo, o A8,
cujo estilo e formas básicas seriam mantidos até o final de sua produção, em
1982.
Com um design que lembrava os carros da GM, os faróis
duplos vieram em 1958, uma nova grade dianteira, detalhes como lanternas
traseiras, e a vigia traseira com a coluna “C” mais estreita proporcionava
melhor visibilidade aos passageiros.
Em 1960, a Checker apresenta o A9 e pela primeira vez, começaram
a ser vendidos ao público a versão A10 Superba. Em 1961 surgiram as versões de
luxo do A10 Superba, a Marathon e Station Wagon. O Superba foi descontinuado em
1963, e os Taxi Cab foram denominados A11, e o Marathon veio a se tornar o A12.
A partir de 1965, os Checker eram equipados com motores de
seis cilindros da Chevrolet, os “small-block” 283 e opcionalmente o V8 com 327
cid, com válvulas no cabeçote. A partir dos anos 1970, o “small-block” passou
para 350 cid, que ficou até o final da produção. Nos anos 1980, a GM ofereceu
os novos V6 com 229 cid como padrão, e um “small-block” V8 de 305 ou 350 cid,
como opcional.
A caixa de velocidades era padrão desde a década de 1930:
manual com 3 velocidades. Em 1956, era ofertada uma caixa automática
Borg-Warner, para os motores Seis-em-linha Continental com comando na cabeça.
Na década de 1970, a caixa Turbo-Hydra-Matic 400 da GM se tornou padrão em
todos os Checker.
Com o aumento das exigências de segurança e legislação nas
décadas de 1960 e 1970, os Checker foram recebendo melhoramentos para
adequação. Luzes direcionais e de estacionamento âmbar em 1963; cintos de
segurança em 1964; coluna de direção absorvedora de energia em colisões em
1967; cintos de três pontos e luzes de seta nos para-lamas em 1968; apoio de cabeça
para todos em 1969.
 |
| Checker A11 Superba 1982 |
Para-choques resistentes a impactos de até 5 mph em 1973;
motores que funcionavam com gasolina sem chumbo em 1975; novo volante em 1978;
direção hidráulica e freios a disco dianteiros com assistência se tornaram
padrões na década de 1970, e em 1978 os limpadores de para-brisa passaram a
funcionar em paralelo.
Apesar de serem carros voltados para o trabalho de taxis,
alguns Checker Marathon foram produzidos como luxuosas limusines nos últimos
anos. Um modelo A12E, especialmente construído para a esposa do CEO da empresa,
mantém sua condição de novo, com menos de 50 milhas rodadas no odometro. As limusines
eram equipadas com tetos de vinil, “opera-windows”, diversos acessórios
motorizados e um luxuoso estofamento em couro e acabamentos em madeiras nobres.
Os últimos Checker A11/A12 foram fabricados em 1982, quando
a Checker saiu do negócio de fabricação de carros. A empresa continuou operando
em capacidade parcial, fabricando peças para a General Motors até janeiro de
2009, quando declarou falência.
CHECKER
AEROBUS
Esta era uma versão estendida, com três fileiras de
assentos, cada qual com suas portas de acesso. O Aerobus foi oferecido em
associação com aeroportos e estações de trem, e também acabou sendo usado por
hotéis e resorts no transporte de hóspedes e convidados.
Era equipado com um motor V8 350 cid da Chevrolet, com
caixa de câmbio Turbo 400 Automatic. Vinha com Ar Condicionado, pintura
especial, freios servo-assistidos e interior acarpetado.
CHECKER
CAB EM TAXI DRIVER
O Checker Marathon se tornou uma marca registrada na
cidade de Nova York, a ponto de diversos filmes contarem com a presença deles,
inclusive na série “Taxi”, a fictícia companhia “Sunshine Cab Company” tinha os
Checker como personagens principais, e os dramas pessoais dos motoristas e
passageiros da cidade como coadjuvantes. Um dos mais famosos filmes com forte
presença do Checker Cab foi “Taxi Driver”, de 1976, com direção de Martin
Scorcese, onde Travis Bickle (Robert de
Niro), um neurótico motorista de Checker que leva o seu destino trágico de
acabar com a escória de Nova York. O filme também tinha Iris (Jodie Foster), uma prostituta de rua com
12 anos, e “Sport” (Harvey Keitel),
seu cafetão e explorador.
Travis Bickle é um taxista de 26 anos frustrado e alienado
do meio-oeste dos Estados Unidos, que alega ter sido recentemente dispensado do
Corpo de Fuzileiros Navais. Ele sofre de insônia e arranja um emprego de
taxista na cidade de Nova York, trabalhando de madrugada na periferia de Manhattan.
Passa seu tempo livre assistindo a filmes pornográficos e nas ruas, observa a
escória da sociedade que contamina a sociedade, sentindo-se incomodado com o
declínio moral ao seu redor.
 |
| Jodie Foster como Iris |
Quando Iris entra no seu carro, para fugir de seu cafetão,
Travis torna-se obcecado para salvá-la, não sendo correspondido por ela nas
suas intenções; ela diz que estava drogada quando tentou fugir e que Sport, seu
cafetão, é uma pessoa gentil e prestativa.
O filme caminha numa tensão crescente, nos relacionamentos
de Travis, até que ele resolve assassinar o Senador Palantine, cortando seu
cabelo no estilo moicano, segue para um comício, mas levanta suspeitas e
desiste. Armado até os dentes, segue para o bordel onde Iris trabalha e provoca
a maior carnificina, matando a todos no local e depois tentando se suicidar;
mas a munição acaba; a polícia chega e ele imita um revolver com a mão, “atirando”
na cabeça. O tiroteio final teve a saturação das cores reduzida, para amenizar
o vermelho do sangue abundante nas cenas, visando ajustar o filme para a
classificação R nos EUA.
Na preparação para o papel, De Niro, que estava filmando
1900 com Bertolucci, na Itália, pegava um avião na sexta-feira para Nova York,
onde conseguiu uma licença de taxista; pegava um carro (um taxi de verdade) e
dirigia pela cidade, devolvendo-o no domingo para retornar a Roma. Ele também
usava as folgas das gravações para visitar uma base militar no norte da Itália
e gravava o sotaque de alguns presentes no local, para ajudar na caracterização
de seu personagem.
 |
| Connie e Jodie Foster |
Jodie Foster tinha 12 anos na época, e foi examinada com
testes psicológicos para assegurar que seu papel não a afetaria emocionalmente,
e não podia fazer algumas cenas mais fortes. Sua irmã Connie Foster, de 19 anos,
foi contratada para fazer as cenas de dublê de corpo. Mais tarde, ela disse que
estava presente durante a montagem dos efeitos especiais usados durante as
cenas, e o processo foi explicado e demonstrado para ela, passo a passo. Em vez
de ficar traumatizada ou transtornada, Jodie disse ter ficado “fascinada e
entretida” com a preparação exigida nos bastidores para compor as cenas. A atriz
que interpretou a amiga de Iris no filme era uma prostituta de verdade, com
quem Jodie fez um treinamento para compor o seu papel.
Taxi Driver ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes
em 1976, e De Niro ganhou o Oscar de melhor Ator pelo papel de Travis Bickle.
CHECKER
CAB EM FRIENDS
A personagem Phoebe Buffay (Lisa Kudrow), do
seriado “Friends”, muitas vezes tomava emprestado, e depois herdou de sua avó
um Checker Cab, que ela dirigia para visitar a família ou encontrar com os
amigos nos fins-de-semana numa estação de esqui.
O táxi da avó de Phoebe aparece em diversos episódios de
Friends, incluindo um em que Phoebe usa o táxi para ir de Las Vegas até Nova
York e até em um episódio de natal, onde ela pega o Checker 1977 emprestado
para tentar encontrar seu verdadeiro pai. Chandler pega carona com ela no banco
dianteiro, mas só até descobrir que não há cinto de segurança porque “Os
paramédicos tiveram que cortá-lo”. Em outro episódio, Phoebe surta ao notar que
um estranho entrou no táxi quando ela estava apressada para levar Ross ao
aeroporto: “Get out of the Cab!” (saia do táxi!) gritam os dois para o homem
que insistia em querer uma corrida no táxi fora da praça.
CHECKER
CAB EM ESCALA
 |
| Checker A11 SunStar na escala 1:18 |
Após a interrupção da fabricação dos Checker em 1982,
diversos fabricantes de miniaturas começaram a produzir peças dos famosos A11 e
A12. A SunStar produz várias versões do A11 1981, de Nova York, juntamente com
o de Chicago e Los Angeles, com suas cores características, em escala 1:18.
Estes modelos apresentam interiores detalhados, motores, chassis e decoração com
logotipos e pinturas bastante exatas na carroceria. Com cerca de 11” de
comprimento, 4” de largura e 3,75” de altura, tem abertura de capô, portas e
porta-malas.
A Matchbox produziu um Checker amarelo que apresentava o
logotipo bem conhecido “Checker Special” em suas portas traseiras.
 |
| Checker A11 Greenlight na escala 1:18 |
A Greenlight colocou no mercado um exemplar do A11 de
1977, usado pela personagem Phoebe Buffay, de Friends, com um detalhamento
bastante caprichado, nas escalas 1:43 e 1:18, esta parece ser a mesma produzida
pela SunStar. Em 2022 a Greenlight lançou o Checker do filme Taxi Driver na escala 1:64, na Séire "Hollywood". A Franklin Mint produziu um Checker 1963 de Nova York na sua escala
usual de 1:24, muito bem detalhada. Da Sunnyside, temos um modelo em 1:34 do
mesmo ano, e que foi bem distribuído como uma lembrança de várias cidades,
assim como Nova York e Miami; tinha pneus com faixa branca e calotas pequenas;
um motor Continental com cabeçotes em “L”, câmbio manual com alavanca no assoalho
e freios servo-assistidos. _20cm.jpg) |
| O Checker de Travis Bickle da Greenlight, em 1:64 |
REFERÊNCIAS: