quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dodge Viper - a víbora da Chrysler

Dodge Viper RT-10 1992 - Burago 1:18
O conceito do Viper em 1992 era um carro sensacional, hipnotizando as multidões com seu espetáculo de ser um carro desafiadoramente fora do politicamente correto. Ele não era um veículo com novas tecnologias, mostrando um caminho alternativo para o futuro. Era uma besta selvagem, celebrando a embriaguez pela gasolina fóssil e fritando borracha no asfalto das ruas a cada saída de semáforo.

O Viper era todo força bruta, um carro ridiculamente impraticável, sem capota para os dias de chuva, ou sol, não tinha vidros nem maçanetas nas portas, e os escapes laterais esquentavam a lateral da cabine; mas mobilizou os desejos do público pela potência e força selvagem que aquela máquina podia despejar ao pressionar o pé direito no acelerador.
Dodge Viper GTS Coupe 1996  - Burago 1:18
Em outubro de 2015, a agora Fiat-Chrysler Automobiles (FCA) anunciou que encerraria a produção do Viper em 2017, alegando poucas vendas, enquanto outras fontes alegavam que o carro não atendia os requisitos para a instalação dos airbags de cortina para as janelas laterais. A Chrysler anunciou que faria cinco edições especiais no ano-modelo que encerrasse a linha.

Assim, um carro que recolocou a Chrysler e a Dodge na boca de todos os aficionados por velocidade e desempenho, está saindo de cena, depois de 25 anos no mercado, cinco gerações e inúmeras versões de rua e de pista, um carro único que era pura força bruta, um troglodita devorador de asfalto, que evoluiu recebendo mais e mais tecnologia e conforto no decorrer de sua vida, tornando-se mais civilizado, mas sem perder o poder de gerar adrenalina ao pressionar o pé direito.
Dodge Viper GTRS 2004 - Hot Wheels 1:18
Fruto de homens apaixonados, como Lee Iacocca, Bob Lutz e Carrol Shelby, atravessou tempos difíceis e fusões com a Daimler e a FIAT, sobrevivendo às reconfigurações corporativas e mudanças do mercado, em que cada vez mais a sofisticada tecnologia da informática toma o lugar do homem na condução automotiva, o Viper é um verdadeiro gerador de emoções, dando o irrestrito prazer de dominar uma máquina violenta, selvagem e feita para existir em velocidade.



Leia a história completa do Viper, atualizada em agosto/2017, com o anúncio do final de sua produção, em:

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

DODGE VIPER - 1991-2017

Dodge Viper R/T-10
Escapando da falência em 1979, graças aos empréstimos que Lee Iacocca que viera da Ford para tentar salvar a Chrysler conseguira com os bancos americanos, em 1981 a empresa lançou a plataforma K para fazer seus carros, e nos anos seguintes, utilizou extensivamente dela para sobreviver no mercado americano.
A plataforma K era para fazer carros pequenos e econômicos, mas a Chrysler estava tirando leite de pedra, e em 1988 praticamente toda a sua linha era baseada nesta plataforma. Desde os sedans, limousines e minivans, até mesmo os modelos esportivos eram baseados nela.
Claro, o mercado acaba percebendo certas coisas mais sutis, e a concorrência não perde tempo, então, a Chrysler começou a ter vendas menores, devido à falta de competitividade de sua linha frente às outras montadoras, e Iacocca começou a ficar preocupado com outra crise em gestação.
O trunfo que a Chrysler tinha chamava-se Bob Lutz. Vindo da Ford, recrutado por Iacocca em 1986, acreditava firmemente que os produtos eram a coisa mais importante das industrias, a verdadeira alma das empresas. Ex-Fuzileiro Naval, sabia que as tropas (seus colegas de trabalho) precisavam de um carro que fizessem os consumidores se apaixonarem por ele, e consequentemente, pela empresa. São os carros que encantam os consumidores, e fazem com que as companhias ganhem dinheiro, criam valor no mercado e entusiasmam as pessoas que os dirigem.
Conta-se que num domingo, Lutz quis sair para dar uma volta de carro, para refrescar suas idéias, e na sua garagem havia um Autokraft AC Cobra MkIV. A Autokraft era uma empresa inglesa que adquiriu os direitos de uso da marca AC e seu ferramental, e decidiu retomar a produção do clássico que dera origem ao Cobra de Carrol Shelby. Pegou o melhor de tudo, a carroceria e o chassi do MKIII (que usava os Big Block V8 de 427 cid), e instalou o Small Block V8 de 302 cid, o mesmo que equipou os nossos Maverick e Landau anos atrás. Além da atualização mecânica, a Autokraft caprichava no acabamento, na carroceria de alumínio feita à mão e o interior idem.
Bob Lutz havia comprado um ao sair da Ford, e foi com este carro que saiu para passear nas sinuosas estradas das montanhas de Michigan numa ensolarada manhã de 1988.
Ao rodar com o Cobra, seus pensamentos eram de como a Chrysler poderia suportar até que os novos produtos da linha LH de cabine avançada e a linha de pick-ups RAM fossem lançados, e ele sabia que seriam um sucesso; mas e até lá?
Pensou também como era delicioso dirigir o Cobra, e sentiu uma pontada de remorso de não estar andando num carro da Chrysler, e que talvez pudesse colocar um V8 da companhia no cofre daquele carro; mas não havia na empresa uma unidade que pudesse atender à demanda de potência que um carro assim pedia. Só se pusesse um V8 de pick-up, e com alguma preparação, quem sabe...
Aí a “ficha caiu”! E se fizermos um Cobra moderno? Não uma reedição do clássico, como da Autokraft, mas uma releitura moderna com um V10 de oito litros das pick-ups RAM?
Já na segunda-feira, cooptou Francois Castaing, vice-presidente de engenharia, e Tom Gale, chefe de Design Criativo e Hot Rodder nas horas vagas. Sem falar em Carrol Shelby, que havia trocado a Ford pela Chrysler nos anos 80 e era amigo de Iacocca, por conta do que fizeram juntos com os Mustang esportivos na Ford. Um modelo em argila foi apresentado a Lutz alguns meses depois, e com as devidas aprovações, um modelo em metal foi construído pela Metalcrafters.
Em janeiro de 1989, no Salão de Detroit, a Chrysler apresentava o protótipo do Viper R/T 10, com um motor de pick-up de oito litros, 400 hp e rodas e pneus de um tamanho nunca visto antes.
Tom Gale, Carrol Shelby, François Castaing e Bob Lutz no lançamento do Viper
Cartas começaram a chover, pedindo para a Chrysler produzir o Viper, inclusive, muitas com notas de 100 dolares dentro. Amigos e conhecidos de Iacocca, executivos e políticos ligavam para ele reservando um lugar na fila para comprar um deles.
Não só na América, mas no mundo todo, a repercussão do Viper foi igual. Não havia como desistir agora; e Iacocca alocou 50 milhões de dólares, autorizando Lutz a montar um time de engenharia. E algo inusitado ocorreu: todos queriam trabalhar no projeto do Viper, a chama da inovação se acendeu até mesmo em ex-funcionários que já estavam aposentados, mas que se voluntariavam para participar do projeto, pois sabiam que ele faria história. Todos sabiam do brilho que um grande carro provoca no mercado, e queriam brilhar junto com ele!
Roy Sjoberg, Engenheiro-chefe, foi encarregado de desenvolver o Viper de produção, convocando 85 engenheiros para formar o “Team Viper”, começando a trabalhar em março de 1989. A encomenda do motor foi feita para a Lamborghini em maio, e a estrutura do chassi de produção ficou pronta no outono, colocando para rodar em dezembro, ainda com um motor V8 no carro-mula. A Lamborghini entregou o motor em fevereiro de 1990, e com os toques finais, Lee Iacocca deu seu OK final em maio de 1990.
A revista Road & Track comentou: “Há três razões pelas quais o Viper é um carro importantíssimo para a Chrysler: primeira, se for produzido, será um carro excepcionalmente musculoso, com um dos motores mais poderosos que já se tem notícia, o V10 de oito litros! Possivelmente terão de recalibrar os dinamômetros para poder aferir a potência do bruto. Segunda: o Viper traz um estilo que quebra todos os parâmetros dos esportivos até agora, indo muito além da pele muito esticada dos Ford Aero-Ovais. Chame-o de chapa de metal barroca. Advogados descrevem o estilo do Viper como apaixonado, complexo e voluptuoso. Seus críticos alegam que suas linhas beiram o grotesco. E em terceiro lugar, as linhas do Viper foram concebidas como um exercício mecânico minimalista. Numa época em que os “econoboxes” podem vir com tração nas quatro, Compact-disc players e assentos aquecidos eletricamente, este Dodge é despojado, com tração nas rodas traseiras, e se entrar em produção, poderá não ter nem um teto de lona sobre os ocupantes.”
O conceito do Viper era um carro sensacional, hipnotizando as multidões com seu espetáculo de ser um carro desafiadoramente fora do politicamente correto. Ele não era um veículo com novas tecnologias, mostrando um caminho alternativo para o futuro. Era uma besta selvagem, celebrando a embriaguez pela gasolina fóssil e fritando borracha no asfalto das ruas a cada saída de semáforo.
A reação do público foi esmagadora. Era o único assunto de que todos falavam no Salão de Detroit, a mídia especializada o cobria como se Abraham Lincoln tivesse retornado dos mortos apenas para dirigí-lo, e de repente, as crianças do mundo todo tiveram algo novo para desenhar nas salas de aula. Alguns disseram que a única questão que restava era se a Dodge tinha a audácia – e colhões de liga de berílio e titânio – para colocá-lo em produção. Outros achavam que a Dodge não tinha escolha: se não colocassem o Viper em produção, arriscava a ter uma multidão irritada (e provavelmente armada) acampada na frente de sua sede por uma década.
O que realmente importava era que o Viper se tornou uma realidade de produção apenas três anos depois.

PRIMEIRA GERAÇÃO: VIPER R/T 10 ROADSTER – 1992-95
Gale, Shelby, Castaing e Lutz no lançamento do Viper
Em novembro de 1991, o carro foi apresentado aos distribuidores e as entregas começaram em janeiro de 1992. Praticamente idêntico ao conceito, o Viper de produção trazia os imensos escapes laterais, o capô dianteiro em uma peça única parecendo ter uma milha de comprimento, conhecido como “flip-nose” abrindo ao estilo do Jaguar E-Type; gigantescos exaustores de ar quente do motor seguindo pelas portas; rodas de 17 polegadas de três raios, calçadas com os largos Michelin XGT-Z (P275/40ZR17 na frente e malvados P335/35ZR17 atrás), espaço para apenas duas pessoas, sem capota, nem maçanetas nas portas ou vidros nas laterais. Algumas indulgências foram feitas para a produção; o para-brisas era maior e mais alto, havia um arco atrás dos bancos para ter uma proteção contra capotamentos, faróis maiores e espelhos retrovisores grandes o suficiente para enxergar o que acontecia atrás do carro. De modo geral, pode-se dizer que o carro de produção seguiu fielmente o conceito apresentado em Detroit, três anos atrás.
A mecânica teve uma evolução, pois o conceito trazia o motor da Pickup V10 de oito litros, com bloco de ferro fundido, ao passo que o Viper entrou em produção com um motor em liga de alumínio, trabalhado pela Lamborghini, na época no grupo Chrysler. Os italianos desenvolveram um coletor de admissão  mais baixo e de melhor fluxo, cabeçotes retrabalhados e modificações no comando de válvulas e no virabrequim. Comparado ao bloco original da pick-up RAM, ele emagreceu quase 70 kg, regime necessário para gerar um desempenho digno dos melhores esportivos do planeta. Dick Winkles, engenheiro-chefe de motores, supervisionou todo o trabalho, passando boa parte do tempo na Itália.
O câmbio era um TREMEC T-56 de seis velocidades, suspensão totalmente independente nas quatro rodas, com braços triangulares assimétricos e molas helicoidais na dianteira e traseira, com amortecedores pressurizados a gás, acopladas num chassi tubular de aço. Os freios eram enormes discos perfurados e ventilados de 13 polegadas de diâmetro na frente e 12 atrás, sem ABS; e a direção era de pinhão e cremalheira. Sua carroçaria em fibra de vidro, baixa, com o longo capô era quase fálica em sua forma provocativa, original, e visualmente um dos carros mais surpreendentes jamais construído nos Estados Unidos.
Enquanto se falava em 300 hp na época do conceito, quando o V10 de alumínio entrou em produção, acusou 400 hp a 4600 rpm e uma locomotiva com 450 libra-pé (63,9 mkgf) no pico de torque a 3600 rpm. Não havia controle de tração, nem ABS, nem airbags ou ar condicionado, e a avaliação foi de um G nas curvas. Hoje pode não impactar tanto, mas em 1992, isso era arrasador no mercado de carros esportivos.
No primeiro teste feito pela revista Car and Driver o Viper foi cronometrado de 0-60 mph em 4,6 segundos e esmagou o quarto-de-milha em 13,2 segundos a 107 mph. Os números foram melhores do que os tempos que a revista havia obtido com outro ícone de desempenho no início dos anos 90: o Corvette ZR-1.
“E com o vento arrancando novas configurações em suas sobrancelhas e o motor grasnando pelos escapes laterais, você não vai dar a mínima para a falta das janelas ou maçanetas de portas. Os passeios mais emocionantes desde que Ben-Hur inventou as bigas em Roma”.
Infelizmente, o som que vinha do poderoso V10 surpreendia os que esperam o grave ronco dos tradicionais V8 americanos. Com os escapes laterais, na verdade, tínhamos cinco cilindros “grasnando” em separado, e não era uma melodia impressionante, mas que atendia ao limite federal de 80 decibéis. Então, o Viper parecia soar como um furgão de entregas da UPS (famosa empresa de logística americana) a 3000 rpm, roncando mais como um aspirador de pó dos deuses.
Antes de chegar ao mercado em 1992, o Viper serviu como carro-madrinha na Indy 500 em maio de 1991, e a razão de sua participação como um protótipo de pré-produção foi devido à Dodge ter concordado em fornecer um Dodge Stealth R/T com 300 hp com duplo turbo e tração total para a corrida. Mas alguém mencionou que o Stealth era de fato um Mitsubishi 3000 GT VR4 montado no Japão e travestido como um carro da Chrysler para o mercado americano. Os brios nacionalistas não podiam permitir que um carro não-americano fizesse tal papel na Indy 500, e com urgência, foi preparado então um exemplar do Viper que estava em desenvolvimento para honrar a casa nesta importante corrida. Pilotado por ninguém menos do que Carrol Shelby, este carro hoje repousa com sua glória no museu do Indianápolis Motor Speedway.
O Viper era todo força bruta, um carro ridiculamente impraticável, sem capota para os dias de chuva, ou sol, não tinha vidros nem maçanetas nas portas, e os escapes laterais esquentavam a lateral da cabine; mas mobilizou os desejos do público pela potência e força selvagem que aquela máquina podia despejar ao pressionar o pé direito no acelerador.

SEGUNDA GERAÇÃO: VIPER GTS COUPE  (1996) E VIPER R/T10 ROADSTER (1997)

Viper GTS Coupe (1996) e RT-10 Roadster (1997)
Se o roadster já era impressionante, o modelo 1996 GTS Coupe era ainda mais. Com um teto “double bubble” obviamente inspirado no clássico Cobra Daytona Coupe, que venceu o Campeonato GT da FIA em 1965, e um agressivo spoiler traseiro no melhor estilo “rabo-de-pato”, o GTS Coupe era simplesmente deslumbrante na viva cor azul com listras brancas clássicas. Se foi difícil acreditar que o estilo minimalista do Viper roadster pudesse ser superado, só outro Viper pôde fazê-lo. Mais e 90% do GTS era novo, em comparação com o Roadster, apesar da sua semelhança. O coupe foi o primeiro Viper que veio com Airbags, ar condicionado, maçanetas e vidros nas portas.
Além do novo teto, no GTS os escapamentos foram direcionados para a traseira do carro; produzindo um som mais agradável na saída dos 450 hp que o V10 de oito litros produzia nesta versão. Na mecânica, foi incluído o sistema de controle de emissões OBD-II, braços de alumínio no sistema de suspensão e na segurança, airbags frontais para motorista e passageiro. No Roadster, o motor gerava 415 hp e foi adicionado um teto de tecido opcional, para amenizar nas horas de sol ou chuva.
As principais queixas em relação ao Viper eram devido à natureza de seu projeto, espartano e brutal, um carro para acelerar inclusive os batimentos cardíacos de quem o pilotava. O acabamento interno era o item que mais gerava reclamações, e a Chrysler foi amenizando estes problemas a cada ano-modelo.
Viper SRT-10 ACR 2006
A partir de 1999, um novo pacote “American Club Racer” (ACR) fazia parte das ofertas opcionais da Viper. Destinado a compradores que usariam seus carros em pistas em vez meramente nas estradas, o ACR incluía rodas BBS fundidas de 18 polegadas, amortecedores reguláveis Koni de competição, molas especiais e um filtro de ar K&N, com decoração diferenciada, e um motor com 460 hp no longo cofre dianteiro. Não vinha com ar condicionado, nem radio, mas tinha retrovisores com controle elétrico.
Numa comparação feita pelo site Edmunds.com colocando o Viper contra um Corvette Z06 e um Mustang Cobra R preparado pela SVT, o Viper ficou em terceiro lugar. Por que?
Se você quiser possuir o carro que mais se aproxima de um carro de corrida SCCA Trans-Am ou NHRA , então o Viper deve ser a sua escolha. O Mustang Cobra R é um dos carros mais rápidos lá fora e o Viper absolutamente castigou-o, tanto quanto os números puros mostram. Deixe sua mente pulsar alegremente sobre estes resultados: zero a 60 mph em 4,2 segundos. O quarto de milha em 12.3 segundos a 115.9 mph. Nos cinco testes de desempenho instrumentados, o Viper ficou em primeiro lugar em 4. No percurso de estrada, seu tempo de volta mais rápido foi mais de 3 segundos mais rápido do que o Cobra. Quão grande é esta margem? Pilotos são conhecidos por matar suas mães, a fim de cavar um mero décimo de segundo por volta."
O que jogou a pontuação do Viper para baixo foi justamente a praticidade do carro. Tanto o Corvette como o Mustang são carros confortáveis, com décadas de desenvolvimento para satisfazer o conforto e praticidade dos seus condutores, e mesmo nas versões mais preparadas, seus projetos são bem mais “amigáveis” do que o do Viper. A entrada no carro já é um problema, com abertura da porta restrita e a largura da soleira dificultam o acesso ao interior. A alavanca do freio de mão em aço inox, os revestimentos internos de baixa qualidade (ainda), interruptores parecem colocados ao acaso no painel, e o sistema de som Alpine é tudo menso premium. E não há ar condicionado... por um preço de US$ 86,860; quase 40 mil a mais do que custa um Corvette!!!
Freios ABS vieram em 2001, e poucas “Edições Finais” foram costruídas em 2002; era tempo para a serpente que chutou os traseiros de todos uma década atrás se aposentar, porque o novo século precisava de um novo Viper!

TERCEIRA GERAÇÃO: VIPER SRT-10 CONVERTIBLE (2003) E COUPE (2006)
Viper SRT-10 (2003) e SRT Coupe (2006)
O novo Viper SRT-10 de segunda geração ainda era um Viper – bastante radical e mais rápido do que nunca – com a Chrysler mantendo o design geral impactante mas agora com um pouco mais de conforto e praticidade, mas ainda perigoso na condução cotidiana. Com a colaboração da Daimler-Chrysler, o Viper foi redesenhado, e a versão SRT-10 substituiu a R/T-10 e a GTS.
Retrabalhado pelo designer Osamu Shikado, teve as linhas do capô rebaixadas, mas com alguns vincos no que era antes uma concha bem curvilínea. Com um fundo mais liso e a traseira retrabalhada, o coeficiente de arrasto foi reduzido em cerca de 7%. E as aberturas do capô favorecem a circulação de ar admitido pela grade dianteira para ventilar o enorme compartimento do motor. Também, o capô agora vinha com abertura normal, e não mais em peça única, que era o terror das companhias de seguro em caso de batidas frontais.
Os pilares A são 3 polegadas avançadas em relação ao modelo anterior, e junto com as 2,6 polegadas a mais no entre-eixos, favoreceram para criar portas maiores, facilitando o acesso ao interior.
Outras melhorias não tão visíveis eram um aperfeiçoamento do chassi, um pouco mais longo e rígido, para acomodar o ainda monstruoso V10, agora com 505 cid (8,3 litros) que produzia 500 hp a 5.600 rpm, o que pedia reforços também no câmbio manual de seis marchas. Na sequência, freios e suspensão refinados para parar os 1.550 kg do bruto e melhorar o desempenho em curvas, e os pneus e rodas forjadas em alumínio, as dianteiras de 18 polegadas com pneus Michelin 275/35ZR18 e as colossais traseiras eram as mais largas já oferecidas num carro de produção nos Estados Unidos, com 19 de diâmetro e 13 polegadas de tala, calçadas com os 345/30ZR19, dignas dos hp que trazia no motor.
Esta combinação de potência e transferência ao solo dava uma sensação incrivelmente segura ao acelerar nas curvas mais fechadas. Podemos fazer o Viper girar sobre o seu próprio eixo usando apenas o pedal do acelerador, como também no modelo anterior, mas aquele era um pouco mais “arisco” do que o novo Viper.
Assim também a capota de lona perdeu a precariedade da proteção dada e melhorou a sensação de “estar dentro” do carro. Um painel redesenhado, com o Conta-giros no centro e o velocímetro ao lado que marca até 220 mph (354 km/h), e relógios em profusão no console central, voltados para o motorista, com uma aparência refinada e profissional, perdendo o aspecto de “brinquedo” dos modelos anteriores.
Apareceu o apoio para o pé esquerdo, há muito requisitado pelo público, apesar do exíguo espaço para os pés do piloto. Assentos mais confortáveis e controles melhorados, assim como maçanetas, pinos de travas e acabamento da alavanca de câmbio em metal ao invés de plástico, junto com um nicho de porta-objetos no console (porta-copos ainda não eram desta vez que viriam). O sistema de som deu um salto em qualidade com um CD-Player de seis discos integrado ao painel.
O Viper já era rápido, e este é ainda mais rápido; apesar de falar em rapidez nestes níveis em que tais carros andam, é necessário ter um radar em mãos para detectar a diferença de tempo em acelerações ou no quarto-de-milha. Falar em 100 kg mais leve, um sistema de escape que dá um ganho de 40 hp, com ganhos de tração com novos pneus e suspensão refinada, poderíamos estar falando de 11 segundos no quarto-de-milha, ou um pouco menos.
Novamente, a Edmonds.com na sua 2003 American Exotics Comparison Test, teve a chance de colocar lado a lado o Viper SRT-10 contra o Corvette Z06 e um Mustang SVT Cobra. Desta vez, o Viper ficou com o segundo posto, superando o bem balanceado Z06. “Estética à parte,” escreveu Ed Hellwig, “o Viper com o chassi mais rígido, entre-eixos aumentado e suspensão revisada se torna mais condescendente ao rodar nos pisos mais rústicos, mas não alimente falsas esperanças – ele é ainda um carro de ‘cair o queixo’ nas ruas. O mais problemático é o calor irradiado pelos escapes laterais; em velocidades de cruzeiro residenciais você se sente pilotando um forno de torradeira de 10 cilindros. O novo sistema de ar condicionado funciona bem o suficiente para manter as coisas suportáveis, mas o Viper continua como um peixe fora d’água nas ruas da cidade”.
Mas isso é deixado de lado do ponto de vista do Viper. Este carro é maldosamente rápido: “Os dados colhidos nos testes indicaram um tempo de 4 segundos na aceleração de 0-60 mph, e apenas 12 segundos e mais de 120 mph no quarto-de-milha, os tempos mais baixos que já tivemos nos testes que já realizamos”.
“Em última análise, pode ser que o Viper SRT-10 seja muito carro para qualquer mortal dirigir, mas agora ele é um carro esporte mais completo, em vez de um protótipo ainda em desenvolvimento” conclui Hellwig. “O fato de que ele perde pontos porque suas capacidades estão além do alcance de nossas habilidades de condução pode ser um pouco injusto, mas novamente, somos mais a regra do que a exceção. O Viper pode ser um exótico americano no verdadeiro sentido da palavra, mas quando se trata de escolher o carro que coloca tudo junto no pacote mais impressionante possível, esse é o que queremos”.
O coupe surgiu no Detroit Auto Show de 2005 como modelo 2006, e manteve sua aparência mais preservada com o GTS anterior, com o mesmo teto “double-bubble”, painel e lanternas traseiras, e a pintura azul com faixas brancas do primeiro coupe. Não houve alteração no chassis, mas o motor agora produzia 510 hp a 5.600 rpm, somados aos aperfeiçoamentos na suspensão, rodas e pneus, redução do coeficiente aerodinâmico e aumento da downforce  melhoraram a performance em velocidade final e maneabilidade.

QUARTA GERAÇÃO: 2008-2010
Viper Coupe e Convertible 2008
Em 2008, com a introdução do motor V10 de 512 cid (8,4 litros), o Viper rendia agora 600 hp a 6000 rpm, com 560 lb.ft (760 N.m) a 4600 rpm de torque, recebendo novos cabeçotes com fluxo melhorado e válvulas com maior diâmetro. Recebeu também um comando variável para exaustão dos gases queimados, desenvolvido pela Mechadyne, e o limite de giro foi elevado em 300 rpm com o cabeçote aperfeiçoado. O trabalho foi feito com assistência externa da McLaren Automotive e Ricardo Consulting Engineers. Com isso, o Viper acelerava de 0-60 mph em 3,6 segundos, 0-100 mph em 7,6 segundos e máxima de 197 mph (317 km/h) para o Roadster e 202 mph (325 km/h) para o coupe.
O câmbio agora era um TREMEC TR 6060 de seis velocidades com triplo sincronizador na primeira marcha e dois nas demais velocidades. O diferencial Dana M44-4 tinha o sensor GKN ViscoLok de deslizamento limitado, auxiliando sobremaneira a aderência dos pneus em fortes acelerações. Que agora eram run-flat Michelin Pilot Sports 2 com melhor aderência, deixando o Viper mais neutro nas curvas.
Confrontado com o Corvette Z06, o Ford GT, o Nissan GTR, e os Porsche 911 Turbo, 911 GT3 e 911 GT2, Audi A8, pela revista Motor Trend no Virginia International Raceway, o Viper foi o  mais rápido entre todos.
O sistema de escapamento recebeu melhorias, e ajudou a não esquentar demais a cabine, e ajudou a produzir notas mais agradáveis na saída do escape.
Em novembro de 2009, o Presidente da marca Dodge Ralph Gilles anuncia que o Viper terá sua produção encerrada no verão de 2010, ao mesmo tempo em que anunciava várias edições especiais do Viper 2010.
O Viper saiu de cena mas deixou saudades, tanto que no New York Auto show de 2012, Ralph Gilles, fazendo um “mea culpa”, anunciou o novo SRT Viper 2013. Na verdade, o carro passou três anos no limbo, e voltou a ser produzido com a nova denominação SRT (perdendo a paternidade da marca Dodge), reservada às máquinas de alto desempenho da Chrysler e convertida em marca da montadora. Vale lembrar que a Chrysler havia pedido concordata em 2010 e em 2011 teve parte de suas ações adquirida pela FIAT.

QUINTA GERAÇÃO: SRT VIPER E SRT VIPER GTS (2013-2014)
SRT Viper e SRT Viper GTS 2013

Apresentado em abril de 2012, no Salão de Nova York, a nova geração do esportivo Viper foi mostrada na cor vermelha, marcando o papel da italiana FIAT na ressurreição do esportivo mais brutal da montadora.

Com um novo motor todo de alumínio com 8,4 litros e 640 hp com 600 lb.ft de torque, com a caixa mannual TREMEC TR6060 de seis marchas, e chassi 50 % mais rígido contra torções, controle eletronico de estabilidade, controle de tração, ABS de 4 canais, carroçaria de fibra de carbono e aluminio, e coeficiente de 0,364 de arrasto, Pirelli P Zero Z, freios Brembo de 4 pistões com calipers de aluminio e discos ventilados de 355x32 mm (diametro x espessura), posição de pilotagem 20mm mais baixa, sistema de conectividade veicular da Uconnect RA3 ou RA4 Access para interatividade com celulares e tablets, com opcional Sirius XM Travel Link, Harman Kardon audio system, faróis bi-xenon com diodos emissores de luz branca, assim como luzes de posição diurna e piscas de LED também. Vários comandos estavam disponíveis para controle no volante, associado a uma tela de 4 polegadas no painel, que exibia todas as configurações das informações do veículo. As lanternas LED traseiras integravam as luzes de freio e piscas e vinham com uma textura semelhante à pele de cobra. Rodas de cinco raios em aluminio forjado estilo “Rattler” totalmente polidas, e opcionais pintadas de Hyper Black ou preto fosco. A velocidade máxima atingia 208 mph (335 km/h) e fazia de 0-60 mph em 3,5 segundos.
O SRT Viper GTS incluía couro nos assentos - que tinham controle elétrico e aquecimento - laterais de portas e console central. As conchas dos bancos de competição Sabelt eram de kevlar e fibra-de-vidro, capô, teto e porta-malas de fibra de carbono, painéis de portas em aluminio, rodas estilo “Venom” diamantadas de seis raios em aluminio forjado e acabamento grafite, opcionais pintados em Hyper Black ou preto fosco. Opcionais incluíam pneus Pirelli P Zero Corsa e rodas mais leves com o mesmo acabamento das  normais.
Em 2014 o equipamento mais significativo foi a inclusão de um terceiro modo no controle de tração, para melhor perfomance em chuva.
As vendas não foram boas e em outubro de 2013 a produção foi reduzida para um terço do previsto, pois os estoques estavam crescendo nas lojas. Em 2014 a Dodge reduziu o preço do Viper em 15 mil dolares e que os modelos 2015 viriam também com a mesma etiqueta de preço.
Dodge Viper 2015
Para 2015, a nomenclatura SRT foi eliminada e o Viper foi rebatizado de Dodge Viper apenas. O V10 recebeu um extra de mais 5 hp, chegando a 645 hp e o consumo em estradas ficou em 20 mpg (milhas/galão de 3,6 litros)
Havia uma versão intermediária entre o Viper básico e o GTS, a GT, que proporcionava aos proprietários ajustar a suspensão em dois modos diferentes e 5 opções de controle de estabilidade, assentos em couro Nappa com detalhes em couro Alcantara acentuando o contraste nos estofamentos.
A partir de 2015, diversas edições limitadas do Viper foram produzidas, para turbinar as fracas vendas do agora Viper em fim de carreira. Expressões como The Time Attack (TA – apenas 96 unidades fabricadas), Anodized Carbon Edition, Ceramic Blue (baseada no GTS e limitada a 40 unidades), Dodge Viper GTC, que podia ser customizado em 8000 cores diferentes e 24000 desenhos de filetes pintados á mão, 10 tipos de rodas, 16 acabamentos internos, 6 pacotes aerodinâmicos e outros opcionais que totalizavam 25 milhões de acabamentos possíveis para o comprador.

FINAL DA PRODUÇÃO
Em outubro de 2015, a agora Fiat-Chrysler Automobiles (FCA) anunciou que encerraria a produção do Viper em 2017, alegando poucas vendas ou questões sobre emissões, enquanto outras fontes alegavam que o carro não atendia os requisitos das normas de segurança para a instalação dos airbags de cortina para as janelas laterais; motivo este confirmado por ocasião do anúncio do final de produção do Viper.
Em junho de 2016 a Chrysler apresentou ao mercado as Edições de 25 anos do Viper, cada exemplar identificado com uma plaqueta no painel com o seu número de série e que podia receber o nome do proprietário também. Após mais de 30 mil exemplares produzidos nos 25 anos de produção, o Viper entra em seu último ano de vida com estas versões:
O Viper 1:28 Edition ACR (American Club Racer) comemora o recorde de tempo de volta no autódromo de Laguan Seca (1 min 28 s 65) estabelecido em outubro de 2015, vem em preto com faixas vermelhas e tem freios de carbono-cerâmica.
O GTS-R Commemorative Edition ACR segue a pintura tradicional americana, em branco com faixas azuis, e tem os mesmos freios e cintos em vermelho.
No Viper Voo-Doo II Edition ACR, que reedita a versão Voo-Doo /acre de 2010, a faixa sobre a carroceria foi inspirada numa pele de cobra; padrão de pintura que se repete na Snakeskin Edition GTC.
Edições Especiais dos 25 anos do Viper
Finalmente, a Viper Dodge Dealer Edition é uma versão ACR oferecida apenas nas concessionárias Tomball e Roanoke, líderes de vendas do modelo, e tem a pintura branca com as faixas azuis, freios de carbono-cerãmica e detalhes internos em vermelho. Todas estas versões trazem no cofre o motor V10 aspirado de 8,4 litros com 645 cv de potência.

Em 16 de agosto de 2017, o último e derradeiro Dodge Viper foi fabricado em Detroit, Michigan, EUA. O encerramento da montagem foi divulgado no Instagram por Ralph Gilles, chefe de estilo da FCA (FIAT-Chrysler Automobiles), que publicou: “A quinta geração teve um ótimo ciclo de cinco anos e a plataforma do Viper, que não mudou tanto com o tempo, teve um grande ciclo de 25 anos!”.
Assim, um carro que recolocou a Chrysler e a Dodge na boca de todos os aficionados por velocidade e desempenho, está saindo de cena, depois de 25 anos no mercado, cinco gerações e inúmeras versões de rua e de pista, um carro único que era pura força bruta, um troglodita devorador de asfalto, que evoluiu recebendo mais e mais tecnologia e conforto no decorrer de sua vida, tornando-se mais civilizado, mas sem perder o poder de gerar adrenalina ao pressionar o pé direito.
Fruto de homens apaixonados, como Lee Iacocca, Bob Lutz e Carrol Shelby, atravessou tempos difíceis e fusões com a Daimler e a FIAT, sobrevivendo às reconfigurações corporativas e mudanças do mercado, em que cada vez mais a sofisticada tecnologia da informática toma o lugar do homem na condução automotiva, o Viper é um verdadeiro gerador de emoções, dando o irrestrito prazer de dominar uma máquina violenta, selvagem e feita para existir em velocidade.

DODGE TOMAHAWK
Pegue o motor bestial do Viper e construa uma motocicleta propelida pelo V10 de 8,3 litros e 532 hp de potencia e 72,6 m.kgf de torque. Teremos então a Dodge Tomahawk, que pode alcançar teóricos 710 km/h.
Apresentada no North American International Auto Show, em 2003, fruto do design de Mark Walters (designer da Chrysler Group) e sua equipe, ele comenta: “Se eu não estivesse dormindo, eu estava trabalhando no projeto. Se eu estava dormindo, eu sonhava com isso. Na verdade, eu tinha sonhos com telas de Autocad. Ela foi minha obsessão nos últimos cinco meses que antecederam a sua apresentação”.
Walter diz que os pneus foram fabricados pela Dunlop, e sua inspiração foi o estilo Art Deco, com referências de todo os modelos de motocicletas, sistemas de desempenho e equipamentos de precisão”. O projeto foi ditado pelo desafio de encaixar um corpo humano em torno de um motor V10 do Viper.
Com quatro rodas de 20 polegadas, muitos questionam se ela é realmente uma motocicleta, mas não há dúvidas de que ela é um exemplo do que os projetistas são capazes quando deixam a imaginação correr solta! A distribuição de peso chega perto do ideal, com 49% à frente e 51% atrás, seu câmbio tem apenas suas velocidades (pra que mais?), e faz de 0-96 km/h em 2,5 segundos.
Faróis e lanternas de LED, eixos curtos e pneus 120/60 na dianteira e 150/50 na traseira, a transmissão final usa duas correntes e cada roda possui um disco de freio com 506 mm de diâmetro.
A engenharia aplicada à Tomahawk é cheia de inovações de alto nível: ela não tem quadro; todos os elementos mecânicos são ancorados no bloco do motor ou a outra estrutura ancorada nele. Para deixar o motor em posição mais baixa possível, o sistema de lubrificação foi mudado para carter seco e o tanque de óleo e radiador colocado à frente do motor. O radiador de água viraram dois pequenos e  foram posicionados entre o V dos cilindros, onde um sistema de indução de ar força o calor para fora, mas pela traseira da moto.
Partes do motor que entram em contato com o corpo humano foram revestidos com um revestimento térmico especial, que direciona o fluxo de calor para fora dos dutos. As medidas dos cabeçotes são diferentes e o sistema de escape perdeu 5 hp para melhorar o ronco do motor.
O projeto da Tomahawk previa apenas a fabricação de 100 unidades, que seriam comercializadas pela Neiman Marcus, que vende produtos de alto padrão para endinheirados americanos principalmente. Cotada em US$ 555,000 apenas nove foram vendidas, até porque elas não são habilitadas para rodar legalmente nas ruas. A Chrysler descreve o veículo como uma “escultura automotiva”, criada para exibição apenas, e ela é “dirigível”.
Testes e dados reais não foram confirmados pela Chrysler, nem unidades foram cedidas para que a imprensa pudesse efetuar avaliações técnicas como fazem com outros veículos “normais”. Wolfgang Bernhard, Chefe de operações da Chrysler disse em 2003 que ninguém que andou com a Tomahawk passou dos 160 km/h nos testes realizados pela empresa. Também a Chrysler declinou ofertas para avaliação da máquina em dinamômetros para simulação de velocidade real e não se tem notícia de alguém que levou a Tomahawk à sua velocidade máxima.

EM ESCALA
O Viper R/T-10 da Burago na escala 1:18 reproduz bem o carro que chegou às ruas em 1992, na marcante cor vermelha e as sinuosas curvas com o capô dianteiro “flip-nose” e as enormes rodas de três raios. Traz o interior em cinza e preto, abrindo as portas e o capô dianteiro e traseiro.
Viper R/T-10 1992 (Burago) - Viper GTS 2004  (Burago) - Viper GTRS 2004 (HotWheels)
O Viper GTS na cor azul com faixas brancas é o modelo 2004, também da Burago com seu tradicional acabamento em detalhes. Já o outro modelo azul é da HotWheels e reproduz o modelo de 2004, na versão GTRS, com o enorme aerofólio traseiro.
Diversas empresas foram licenciadas para reproduzir o Viper em suas várias gerações na escala 1:18 - Maisto, Jada, AutoArt, Hot Wheels, Motormax – e a HotWheels, quando lançou o Viper 2013 na sua tradicional escala 1:64 – não se sabe se acidental ou propositadamente – se antecipou à apresentação do carro real, com as miniaturas chegando às lojas antes do modelo ser lançado oficialmente pela Dodge.

REFERÊNCIAS: 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O MUSTANG 390 DE FRANK BULLIT

Na mais eletrizante perseguição do cinema, Frank Bullit e seu Mustang 390 correm atrás de dois gangsters em um Dodge Charger R/T pelas ruas de São Francisco, e os 9 minutos e 42 segundos na edição final imediatamente se tornaram um clássico.
Dois Mustang e dois Charger foram preparados por Max Balchovsky, amigo de McQueen, em 5 semanas de trabalho. Motores retrabalhados, reforços na suspensão, molas e amortecedores de competição, não foram suficientes para que um dos Mustang se desintegrasse nos saltos nas ladeiras de São Francisco, e um dos Dodge foi destruído numa explosão quando se choca com um posto de combustível, no final da perseguição.
McQueen pilotou o Mustang em várias cenas, mas quando sofreu um pequeno acidente, o dublê Loren Janes acabou fazendo as cenas mais arriscadas. O Dodge era pilotado pelo dublê Bill Hickman atuando mesmo como um dos gangsters. Como o Charger tinha um motor Magnum de 7,2 litros e 375 hp, contra os 6,4 litros e 325 hp do Mustang, Hickman tinha de aliviar o pé para que o Mustang conseguisse acompanhá-lo em algumas tomadas.
As filmagens levaram três semanas, com as habituais refilmagens, há problemas com a continuidade: a lateral do passageiro do Mustang mostra danos bem antes dos choques que os causaram. O Dodge perde oito calotas nas ruas de São Francisco, e ainda assim, numa cena da estrada, ele aparece com a calota na roda traseira.
As tomadas de uma mesma cena em vários angulos, após a edição, dão a impressão que os carros percorrem diversas ruas, mas um Volkswagen acaba se sobrepondo em duas delas, assim como um Pontiac Firebird branco 1968, um Cadillac e outros carros se repetem nas tomadas. Uma das razões era que diversos carros estacionados nas ruas eram da Warner, para o caso do Mustang ou do Dodge perderem o controle, evitariam ressarcir os danos a muitos proprietários.
EM ESCALA
Os modelos da AutoArt, ERTL e Greenlight
Há três fabricantes produzindo o Mustang de Frank Bullit na escala 1:18 – a ERTL, a Greenlight e a AutoArt. Num primeiro exame, o modelo da AutoArt parece mais exato. Os espelhos retrovisores são redondos como no carro do filme (o da ERTL e o da Greenlight tem espenhos retangulares), e a parte traseira do retrovisor interno é preta (AutoArt e Greenlight) como no filme (o da
Mustang 390 AutoArt
ERTL é prateado). As maçanetas das portas no AutoArt e a fechadura são corretos, ao passo que no ERTL são ligeiramente diferentes; mas na dianteira, o ERTL reproduz corretamente a frente do carro, sem o friso cromado em torno dos faróis (AutoArt e Greenlight tem cromados), e não traz nenhum emblema (ERTL e Greenlight - característica de um carro de policial nos EUA), ao passo que o da AutoArt traz a palavra Mustang no capô traseiro.
Em todos os casos, os modelos abrem as portas, capô dianteiro e porta-malas, e as rodas dianteiras esterçam. O da AutoArt é mais detalhado, o compartimento do motor apresenta cabos de velas, mangueiras de água, filtro de ar e carburação detalhados, com decalques de fábrica; freios a disco dianteiros, suspensão detalhada e estepe no porta-malas. A grade dianteira em metal reproduz o padrão do carro do filme, e os frisos que emolduram as janelas são bem acabados, e trazem até os pinos de travas das portas. Os cintos de segurança são feitos de tecido e os terminais de travas são feitos de metal, e o interior é carpetado. Por sua vez, o modelo da Greenlight traz a figura de McQueen ao volante.
Mustang 390 AutoArt

O modelo da Greenlight e o da AutoArt


sábado, 31 de dezembro de 2016

Carros e Filmes - Mustang 390 em "Bullit"

O Mustang fastback 1968, na cor Dark Highland Green, era movido por um V8 Big Block de 390 cid (cubic inch displacement, ou deslocamento em polegadas cúbicas). As modificações necessárias para o filme foram feitas por Max Balchowsky, um amigo de McQueen em 5 semanas de trabalho. Retratando um carro dirigido por um policial, o Mustang teve seus emblemas removidos, inclusive o “cavalinho” na grade frontal, e os faróis de neblina.
Dois veículos foram preparados, e de acordo com McQueen, um deles praticamente se desintegrou durante os saltos nas ladeiras de São Francisco, apesar das molas reforçadas e amortecedores Koni na suspensão, e as barras de amarração extra no subchassi. Eles tinham números de chassi sequenciais: 8R02S125558 e 8R02S125559, e o de final 8 foi usado para as tomadas de ação, ao passo que o outro ficou para as tomadas internas, fotos e promoção do filme, e foi o que sobreviveu para contar a história. Balchowsky colocou um comando de válvulas de competição, usinou os cabeçotes aumentando a taxa de compressão, modificou o sistema de ignição para alto desempenho e os carburadores foram retrabalhados. As rodas eram as Torq Thrust, da American Racing, calçadas com pneus BF Goodrich Radiais. O detalhismo de McQueen o levou a instalar um volante Secura e refazer todos os bancos em couro preto com o tapeceiro Tony Nancy.
Em 1968, o auge da guerra de potência entre os muscle-cars levou a Ford a oferecer o novo motor V8 de 390 cid no lugar do small block de 289 cid (4,7 litros) e 315 hp. O novo motor exigiu diversas alterações na plataforma do Mustang, para acomodar o motor maior, aumentando a largura do carro em 6,5 cm e as bitolas em duas polegadas, de modo que a carroçaria rolava menos. O Mustang ganhou em estabilidade e o desempenho em curvas ficou muito melhor.
O motor V8 390 cid (correspondendo a 6.388 cc) tinha 325 hp, com um câmbio manual de quatro marchas, e os carros foram emprestados pela Ford Motor Company, para a Warner Bros, como parte de um acordo promocional. Tanto o motor, freios e suspensões foram profundamente modificados, para suportar os saltos nas colinas de San Francisco, que a produção imaginava que as filmagens exigiriam dos veículos. Inicialmente, a Ford cedeu dois Galaxies, para usarem nas cenas com o Mustang, mas com poucos testes, os produtores perceberam que eles eram muito pesados para fazer os saltos. Eles foram substituídos por dois Dodge Charger 1968, um azul (não R/T) e outro amarelo, equipado com o V8 Magnum 440 cid de 375 hp, cujos motores foram deixados como originais, mas as suspensões receberam vários ajustes para as performances dos dublês.
O planejamento das sequências indicava um máximo de 75-80 mph (121-129 km/h) para as velocidades dos veículos, mas em alguns momentos, chegou-se a 110 mph (180 km/h). Em muitas tomadas, usou-se o ponto de vista dos pilotos para os enquadramentos de cena, para dar aos espectadores a real sensação da perseguição.
As filmagens levaram três semanas, resultando em 9 minutos e 42 segundos de perseguição. Com as habituais refilmagens, há problemas com a continuidade: a lateral do passageiro do Mustang mostra danos bem antes dos choques que os causaram. O Dodge perde oito calotas nas ruas de São Francisco, e ainda assim, numa cena da estrada, ele aparece com a calota na roda traseira.
As tomadas de uma mesma cena em vários angulos, após a edição, dão a impressão que os carros percorrem diversas ruas, mas um Volkswagen acaba se sobrepondo em duas delas, assim como um Pontiac Firebird branco 1968, um Cadillac e outros carros se repetem nas tomadas. Uma das razões era que diversos carros estacionados nas ruas eram da Warner, para o caso do Mustang ou do Dodge perderem o controle, evitariam ressarcir os danos a muitos proprietários.
Quando McQueen pilota o Mustang, o espelho retrovisor interno reflete seu rosto, mas quando o dublê de McQueen, Loren Janes pilota, o espelho está virado para baixo.
Um dos dois Mustangs usados nas gravações acabou destruído após as cenas, mas o outro estava praticamente inteiro; e ambos foram vendidos a um funcionário da Warner Bros, Robert M. Ross. Quando o editor do site Mustang360º (www.mustangandfords.com) o contactou, depois de localizar o carro remanescente, Ross concordou em prestar algumas informações, pois estava firmemente disposto a não falar nada, devido às anteriores tentativas de outros jornalistas não resultarem em matérias fidedignas sobre o carro.
Robert sugeriu que falasse com Bill Norton, que era dono de uma loja de carros em North Hollywood, e que havia dirigido o Mustang algumas vezes. Bill disse que o carro não estava tão danificado como o outro que fez os saltos. “Era muito divertido de pilotar. Muito potente e arisco, também era muito barulhento, porque haviam removido todo o material de isolamento acústico. O pessoal do filme deve ter feito isso para gravar diretamente de dentro do carro as acelerações que ouvimos no filme”.
Bill ainda conta que Robert ficou com o carro por um ano ou mais, e depois o colocou à venda na Hemmings Motor News. “Ele foi vendido para um policial do leste, e foi enviado por trem, pois era mais barato do que transportar de caminhão”. Os faróis de neblina estavam numa caixa de papelão quando Robert comprou os carros, mas eles acabaram não indo para o novo dono.
Ninguém sabe o nome do segundo dono. Robert não forneceu o dado, e Bill não conseguiu lembrar o nome dele, nem tinha nenhum registro disso em  outras entrevistas que dera. Sabiam apenas que ele era da Costa Leste, e o palpite era que ele ficou com o carro por cerca de dois anos, após o que o atual proprietário o viu em um anúncio num jornal.
Em 1972 o carro foi adquirido pelo seu proprietário atual, com a condição de permanecer anônimo. Na época, ele tinha 24 anos de idade e fez o negócio de sua vida, ao pagar um “preço incrivelmente baixo” pelo Mustang Bullit. Hoje um empresário bem sucedido, não tem intenção de vender o carro, mas o editor do site conseguiu convencê-lo a dar informações sob a condição de manter o seu anonimato.
Ele forneceu diversos documentos, incluindo o cartão do primeiro proprietário (em nome de Robert Ross em 14 de dezembro de 1968) e o registrado em seu nome em 7 de março de 1978. Eles contém o VIN 8R02S12559, que corresponde ao número da documentação da Warner Bros, confirmando que este e um outro identico foram os carros enviados para o sul da California para as filmagens de Bullit.
Ele não fez nenhuma alteração no carro, a não ser trocar a alavanca de câmbio e o volante na época em que o comprou. Em uma ocasião em que ele dirigia o carro em uma tempestade, perdeu o controle e rodou com o veículo, danificando-o levemente. O carro tinha 40.000 milhas no hodômetro, e o compartimento do motor, o interior e a pintura estão como no original.
O próprio McQueen fez uma tentativa frustrada de compra em 1977, mas apesar de lisonjeado com a oferta, o dono não cogita em se desfazer do carro.
Em 1997, o editor do site Mustang360º conheceu Chad McQueen, filho de Steve, e este ficou muito interessado ao saber que o Mustang ainda existia. Chad ficou entusiasmado para fazer algo com o carro, e junto com o editor, tentou adquirir o carro, mas sem sucesso.
Um ano mais tarde, o Museu Automotivo de Petersen, em Los Angeles, planejou uma mostra comemorativa dos 30 anos de Bullit, com vários itens de memorabilia do filme. O contato do Museu até mesmo aventou a possibilidade de Jay Leno, que era membro do conselho, telefonar para o dono do Mustang.
No contato que fizeram, o dono não ficou muito satisfeito com as demandas sobre o carro, que havia sido transferido de lugar por duas vezes em 10 anos. Ele foi levado para a garagem de seu pai em 1990, e depois, foi levado para um haras da família no meio-oeste, onde ficou armazenado num celeiro. Enquanto esteve lá, um empregado da fazenda comentou com um entusiasta de Mustang sobre um fastback verde escondido na fazenda com uma história interessante. As suspeitas de que era o Mustang Bullit foram imediatas, e este fanático conseguiu fazer algumas fotos sem permissão. Assim que o fato vazou para o público, o dono removeu o carro de lá e o trouxe para sua garagem no Sudeste, onde ele recebeu o editor do site nesta ocasião. Ele agradeceu por manter sua identidade em segredo, e mais uma vez reforçou sua intenção de não considerar qualquer oferta para vender ou mesmo exibir o carro. O Museu acabou realizando sua mostra exibindo uma réplica do Mustang, de propriedade de Dave Kunz.
Em 2000, em novo contato do editor com o proprietário, este relatou que ele não era o único a saber da existência do Mustang. Os produtores do filme “As Panteras” o localizaram e queriam que a atriz Drew Barrymore tivesse sua personagem dirigindo o Mustang. Fizeram várias tentativas para convencê-lo a ceder o carro, enviando presentes e aumentando substancialmente a oferta em dinheiro; além de uma viagem a Hollywood, e até um jantar com Drew Barrymore. Porém, como sua privacidade é muito prezada, ele teve de ameaçar os produtores com um processo caso não deixassem de incomodá-lo com suas investidas. Ele argumentou que ainda manterá o carro em segredo, pois seu filho quer dirigí-lo, assim que puder tirar a licença de motorista.
No entanto, ele considera que num futuro próximo, ele poderá exibir o carro ao público, se e quando um museu oficial do Mustang for organizado. “Caso contrário” diz ele, “é ficar na minha garagem”.

Sobre o outro exemplar do Mustang, que ficou danificado, surgiu uma notícia no forum Vintage Mustang de que ele havia sido levado ao Mexico e ficado lá desde o final das filmagens, e que seu proprietário tinha intenções de transformá-lo numa réplica do Mustang GT 500 Eleanor. Fede Garza, que tem uma loja de distribuição de parafusos, teve acesso ao dono da oficina que iria transformar o Mustang, e o mesmo forneceu o número do chassi e a documentação que comprova a origem do carro.

Garza, então, decidiu olhar o carro por conta própria e ficou surpreso ao constatar que o número de chassi batia com o do Mustang usado no filme. Ele também encontrou os reforços estruturais nas torres dos amortecedores, alguns buracos onde provavelmente foram instalados equipamentos de filmagem e um diferencial Ford de 9”, outra modificação realizada nos carros do filme.
Além disso, o carro tem várias avarias, como o assoalho amassado e uma das longarinas trincadas, comprovando que foi bastante judiado.
Alguns participantes do fórum ficaram bastante entusiasmados com a possibilidade do carro ser o outro exemplar do Mustang Bullit, usado por McQueen, mas outros expressaram ceticismo, argumentando que pode-se muito bem forjar um número de chassi. De todo modo, aparentemente o dono desistiu de transformar o carro num clone do GT 500 Eleanor, e em vez disso, vai restaurá-lo para recuperar a forma que tinha quando as gravações de Bullit foram feitas.
Historicamente, isso pode ser um erro, pois veículos como este podem ter o seu valor aumentado no estado em que se encontram, pois trazem as marcas como cicatrizes de guerra, feitas por Steve McQueen ao pilotar o Mustang nas ruas de São Francisco.
Em 2018, a Ford deve apresentar uma edição do Mustang Bullit em comemoração aos 50 anos do lançamento do filme, no North American International Auto Show em Detroit, e no momento, estão sendo feitos preparativos para exibir o Mustang original que foi pilotado por Steve McQueen nas gravações de 1968. Depois de vários anos em que se proprietário permaneceu no anonimato, revelou-se que o carro pertence a Sean Kiernan, cujo pai Robert Kiernan Jr. o havia comprado em 1974 por míseros 6.000 dolares.

Ele mantém sua intenção de não se desfazer do Mustang, apesar de algumas estimativas o avaliarem em quatro milhões de dolares, quantia que os especialistas consideram que seria facilmente atingida caso fosse a leilão.
DODGE CHARGER – COADJUVANTE DE PESO
Derivado da plataforma do Coronet, o Charger foi uma resposta da Chrysler para ter um competidor à altura do Mustang da Ford. Com design elaborado por Carl “CAM” Cameron, que definiu o perfil da capota em fastback e os faróis escamoteáveis, o Charger começou a conquistar seu espaço no mercado.
Em 1967, o motor 440 cid “Magnum” (7.210 cc) foi agregado ao 361 que substituiu o 383 cid. Ele produzia 375 hp e era alimentado por um carburador quádruplo. Vinha com um câmbio Torqueflite de três marchas automático. Fazia de 0-60 mph em 5.2 segundos, atingia 136 mph (218 km/h). O comentário dos pilotos sobre o Dodge era “brutalmente rápido, com manejo inadequado”.
Em 1968 Richard Sias realizou uma reestilização que ficou conhecida como perfil “Coke Bottle” devido às curvas dos para-lamas traseiros. A frente e traseira foram idealizadas por Harvey J. Winn, com as lanternas duplas que identificam o ano-modelo.
Os motores eram o V8 318 cid (5,2 litros); o 383 que voltava à linha e um novo pacote de alta performance R/T (“Road/Track” sem o “and” entre as palavras) era de série para o motor 440 cid e opcional para o 426 cid. Bill Hickman trocou os pneus, colocando mais estreitos, para reduzir a estabilidade do Dodge, de modo ao Mustang poder acompanhá-lo mais facilmente; mas mesmo assim, em alguns momentos, tinha de aliviar o pé para não se distanciar demais do Mustang de McQueen.
Estes modelos foram os selecionados pela produção para as filmagens, e diversos reforços nas suspensões foram feitos para suportar os saltos e melhorar a performance em alta velocidade.
Mike (Phil Genge) e Phil (Bill Hickman) no Charger R/T

Pilotado por Bill Hickman nas ruas de São Francisco, fazendo o papel de um dos gangsters que começam a seguir o Mustang de Frank Bullit, passam de repente de caçadores para caça, e tem de acelerar forte para escapar do Mustang que insiste em permanecer no seu retrovisor. Indo para a estrada, os bandidos perdem o controle e acabam numa explosão quando se chocam com o posto de combustível à beira da rodovia.
O Dodge Charger remanescente das filmagens também foi utilizado como Camera-Car, em algumas tomadas, originalmente era amarelo, sendo pintado de preto pela produção. Foi vendido de volta para a Glendale Dodge, concessionária onde havia sido comprado; repintado de amarelo e depois recebeu outra pintura, em dourado, ao ser vendido na California em 1970. Bill Hickman (o dublê que pilotou o Charger), que participou na compra dos carros para a produção, relatou que adquiriram um azul e outro amarelo (este era R/T, VIN XS29L8B259549), e os dois foram repintados de preto.
Arnold Welch é um aficcionado dos carros MOPAR, e claro, dos carros da Chrysler. Ele havia tentado comprar um Dodge Charger em 1996, mas o dono não quis fazer o negócio. Cinco anos depois (2002), ele soube que havia três Dodge Charger 1968 da California sendo anunciados em Tucson, no Arizona, e foi até lá para ver os carros. Ele encontrou o Dodge amarelo, e argumentou com o vendedor que não era a cor original, e também que as rodas de 10 polegadas não eram originais. Conseguiu fechar o negócio por um preço abaixo do pedido e ao reformar o carro, retirando as forrações do porta-malas, encontrou vários furos que não deveriam estar lá. Encontrou também diversas outras perfurações no piso do passageiro, na soleira das portas e em outras áreas do carro.
Com 62,000 milhas, aparentemente, o vendedor desconhecia a origem do carro, buscando mais informações do veículo, não houve como confirmar sua origem pelo VIN (Vehicle Identification Number) pois a Warner Bros alegou que a documentação sobre o assunto havia sido perdida ou destruída. Os dados referentes ao carro existente são de que sua construção terminou em 15 de janeiro de 1968, sendo que as filmagens de Bullit começaram em abril de 1968; e o carro foi revendido em outubro de 1968.
Arnold restaurou o carro durante os anos seguintes e o levou para exibição no SEMA SHOW em outubro de 2011, como o “Mais conhecido dos Chargers”. Em janeiro de 2013 o carro foi colocado à venda por 1 milhão de dolares, mas não há informações se o carro mudou de dono.



BULLIT – O FILME
Filme de ação dirigido por Peter Yates e produzido por Philip D’Antoni. Estrelado por Steve McQueen, Robert Vaughn e Jacqueline Bisset. O roteiro foi escrito por Alan R. Trustman e Harry Kleiner; baseado no romance Testemunha Muda, de Robert L. Fish (cujo pseudônimo era Robert L. Pike), em 1963. Lalo Schifrin compôs a trilha original, inspirada na pontuação do jazz, marcada para metais e percussão. Robert Duvall faz uma ponta como um motorista de taxi que fornece informações para McQueen.
O filme foi feito pela empresa Solar Productions de McQueen, com seu então parceiro Robert E. Relyea como produtor executivo. Originalmente, os direitos para produção foram comprados pela produtora de televisão de Philip D’Antoni como uma “virada para a aposentadoria” de Spencer Tracy, que fizera vários filmes no papel de policial. O interesse de McQueen trouxe várias mudanças no roteiro, incluindo a adição de cenas de perseguição intensa. O diretor britânico Peter Yates entrou no projeto pois era um ex-piloto que trabalhara como chefe de equipe com Stirling Moss. McQueen era diretamente interessado no filme, e credita-se a ele o poder de persuasão para com a prefeitura de San Francisco para conseguir as licenças para as filmagens de dois carros disparando nas ruas da cidade a 100 milhas por hora.
Lançado pela Warner Bros-Seven Arts em 17 de outubro de 1968, o filme foi um sucesso de crítica e de bilheteria, depois de ganhar o Oscar de Melhor Montagem (para Frank P. Keller) e receber uma nomeação para Melhor Trilha Sonora. Os roteiristas Trustman e Kleiner ganharam o Edgar Award em 1969 promovido pela Mystery Writers of America para Melhor Roteiro de Filme. Bullit é notável pela cena de perseguição de carro pelas ruas de San Francisco, e é considerado um dos mais influentes da história do cinema; sendo incluída na listagem das “Melhores seqüências de edição de todos os tempos”. McQueen praticamente rodou todas as cenas da perseguição, pilotando seu Mustang na cola do Dodge Charger preto, que era pilotado por Bill Hickman, um dos melhores dublês para este tipo de trabalho. Há um relato não confirmado que McQueen capotou três vezes numa das curvas mais difíceis do trajeto, e acabou substituído por dublês nas cenas mais arriscadas, mas boa parte delas foi feita por ele mesmo.
O realismo das cenas foi conseguido com o uso da nova câmera Arriflex, um equipamento leve que deu ao diretor de fotografia William Fraker uma tremenda mobilidade e flexibilidade. As cenas que acompanhavam os carros em disparada eram feitas de um Corvette, que foi adaptado como Camera-Car.
Além do Mustang e do Dodge, Jacqueline Bisset, a namorada de Bullit dirige um Porsche 356B Cabriolet.
SINOPSE
Frank Bullit (Steve McQueen) é tenente da polícia de São Francisco, e junto com mais dois policiais, são designados por Walter Chalmers(Robert Vaughn), um político ambicioso, para proteger Johnny Ross (Pat Renella), uma testemunha que deporá na segunda feira contra sua organização criminosa. Ross é baleado no sábado, sob custódia dos policiais, e levado ao hospital, ainda sofre uma segunda tentativa de assassinato, que é frustrada por Bullit.
Perseguindo os assassinos com seu Mustang verde pelas ruas de São Francisco em alta velocidade, protagoniza uma das melhores sequências de perseguição automobilística do cinema. Ambos vão para a estrada e o Dodge Charger em que estão os criminosos acaba explodindo em um posto de gasolina, matando os seus ocupantes.
A trama se complica quando Ross morre devido aos ferimentos e se descobre que ele ligou para Dorothy Renick (Brandy Carroll) em um hotel na cidade vizinha de San Mateo. Os policiais encontram uma mulher estrangulada no quarto de Dorothy Renick, juntamente com a bagagem, passaportes, folhetos de viagem sobre Roma, e vários milhares de dólares em cheques de viagem feitas em nome de Albert e Dorothy Renick.
Chalmers confronta Bullit, querendo sua cabeça por Ross morrer enquanto estava sob sua custódia, frustrando seus planos de conseguir projeção política em cima da delação de Ross contra sua antiga organização criminosa.
Descobrem que o Ross baleado e agora morto é na verdade Albert Renick, um vendedor de carros usados de Chicago. Bullit conclui que Ross usou Chalmers para que Renick fosse morto em seu lugar, e depois matou a esposa dele para não deixar rastros.
Ross, com os documentos de Renick, tenta embarcar para Roma, mas o avião é interceptado na pista, obrigando Ross a fugir pela pista e dentro do terminal de passageiros numa tensa perseguição de gato-e-rato entre a multidão inocente.
Bullit consegue atirar em Ross, matando-o e deixando Chalmers de mãos vazias.
EM ESCALA
Mustang 390 - AutoAt, ERTL e Greenlight
Há três fabricantes produzindo o Mustang de Frank Bullit na escala 1:18 – a ERTL, a Greenlight e a AutoArt. Num primeiro exame, o modelo da AutoArt parece mais exato. Os espelhos retrovisores são redondos como no carro do filme (o da ERTL e o da Greenlight tem espenhos retangulares), e a parte traseira do retrovisor interno é preta (AutoArt e Greenlight) como no filme (o da ERTL é prateado). 

Mustang 390 - AutoArt
As maçanetas das portas no AutoArt e a fechadura são corretos, ao passo que no ERTL são ligeiramente diferentes; mas na dianteira, o ERTL reproduz corretamente a frente do carro, sem o friso cromado em torno dos faróis (AutoArt e Greenlight tem cromado), e não traz nenhum emblema (ERTL e Greenlight - característica de um carro de policial nos EUA), ao passo que o da AutoArt traz a palavra Mustang no capô traseiro.
Mustang 390 da AutoArt
Em todos os casos, os modelos abrem as portas, capô dianteiro e porta-malas, e as rodas dianteiras esterçam. O da AutoArt é mais detalhado, o compartimento do motor apresenta cabos de velas, mangueiras de água, filtro de ar e carburação detalhados, com decalques de fábrica; freios a disco dianteiros, suspensão detalhada e estepe no porta-malas. A grade dianteira em metal reproduz o padrão do carro do filme, e os frisos que emolduram as janelas são bem acabados, e trazem até os pinos de travas das portas. Os cintos de segurança são feitos de tecido e os terminais de travas são feitos de metal, e o interior é carpetado. Por sua vez, o modelo da Greenlight traz a figura de McQueen ao volante.


O Dodge Charger R/T na escala 1:18 é feito pela Greenlight e AutoWorld, ambos com otimo nível de detalhamento, abrem as portas, capô dianteiro e traseiro. O motor tem cabos de velas e o modelo da Greenlight reproduz o mecanismo de abertura com molas por baixo do capô dianteiro.
Charger R/T da Greenlight





O Mustang 390 da Greenlight na escala 1:64

O Dodge Charger R/T 440, Greenlight 1:64






REFERÊNCIAS