quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Customização do Corvette Sting Ray 1963


O Corvette é um dos carros mais admirados, pela história de como surgiu e se desenvolveu em mais de 50 anos no mercado, pelo perfil esportivo, incomum nos Estados Unidos, pátria dos grandes sedans e pick-ups tão ao gosto dos americanos.
Corvette Sting Ray de 1963.
O design do Corvette é algo que sempre se destacou desde o seu lançamento, e dentre as hoje 7 gerações que o Corvette já teve, a que considero mais marcante é a C2 de 1963, criada sob a direção dos lendários Zora Arkus-Duntov, Larry Shinoda e Bill Mitchell.
A história do vidro traseiro bipartido, que somente o modelo de 1963 teve, acaba sendo um diferencial, fazendo o modelo mais valorizado do que os de outros anos, devido à esse detalhe do design. Conta-se que Duntov não se agradava deste detalhe, argumentando que prejudicava a visibilidade traseira, mas Shinoda, que havia desenhado o carro, e Mitchell insistiam que fazia parte do design geral do modelo.
Para o modelo 1964, Duntov, que era chefe da engenharia, eliminou as entradas de ar decorativas, bem como a polêmica divisão do vidro traseiro. Hoje, os sobreviventes dos 10.594 exemplares construídos do modelo 1963 são mais valorizados exatamente pelo vidro traseiro dividido em dois.
Corvette '63 - Larry's Garage
O modelo da Hot Wheels é um Corvette de 1963, na escala 1:64, mas não é da “Mainline”, termo que designa os modelos da linha normal de 365 modelos que saem anualmente no catálogo da Mattel. Ele faz parte da “Larry’s Garage”, uma série com o nome de um dos maiores criadores de modelos para a Hot Wheels. Com uma cor diferente e suas rodas de metal com desenho diferente e pneus de borracha; além do chassi que é de metal e não de plástico como em alguns exemplares da “Mainline”.
Isso já é o bastante para o modelo ser mais valorizado entre os colecionadores, mas resolvi fazer um “upgrade” nele, e segue abaixo o passo-a-passo da customização. A primeira providência é desmontar o modelo, eliminando os rebites que prendem o chassi à carroceria, para separar o interior, os vidros e retirar os eixos com as rodas.
As rodas originais acabam se projetando para fora dos para-lamas, pois são mais largas do que o modelo “Mainline”. O chassi precisou ser estreitado para que as novas rodas da AC Custon coubessem dentro dos para-lamas, e os eixos cortados para a bitola ficar ajustada.
O modelo tem um estepe que é visível pela vigia traseira, então foi removido o que vem moldado com o interior e construído um novo nicho com apoio para o estepe, alinhado com as novas rodas e pneus.
Redução da bitola para acomodação nos para-lamas e novo estepe.
Removendo a tinta original, um leve lixamento da carroceria e limpeza das reentrâncias prepara o modelo para a pintura com primer e depois com a nova cor. Como todo modelo Die-cast, há as linhas de moldagem, onde o molde se fecha para o metal ser injetado, e essas linhas, mesmo sutis, precisam ser removidas para o visual não ficar prejudicado. E em modelos tão pequenos, os detalhes acabam sendo mais importantes, como as linhas de abertura das portas, e os faróis escamoteáveis, que precisaram ser trabalhados pois eram pouco profundos.
Remoção das linhas de moldagem, remoção da tinta original e lixamento geral com eliminação das maçanetas.
Resolvi abrir as janelas do motorista e passageiro, e percebi que o montante do quebra-vento era muito grosso, então ele foi limado para ficar mais fino e delicado, e também as maçanetas foram limadas para deixar o design mais “clean”. Finalizando o interior, foi colocada uma nova alavanca de câmbio no console.
Recorte dos vidros, santantonio interno e nov berço para o estepe.
Os vidros do para-brisa e da vigia traseira foram separados para caber a gaiola do santantonio (roll-cage), e o próximo passo foi piratear o motor de um outro modelo para “repontenciar” esse Corvette.
A unidade com Blower veio do Rigor Motor, e depois da nova abertura no capô, se acomodou perfeitamente no lugar.
Pirateando o motor, nova abertura no capô e encaixe do novo motor.
Depois da pintura em primer, uma conferência geral nos detalhes para verificar qualquer imperfeição, e passa-se para a pintura final, com pelo menos duas mãos de esmalte de unha violeta metálico, um dia para cura e aplicação de verniz/base brilhante para dar brilho.
Pintura em primer, detalhamento do chassi e pintura em Violeta Metálico.
O chassi foi estreitado nas laterais para acomodar novos escapamentos e depois de pintado de preto fosco, foi detalhado com tinta prateada para destacar alguns elementos da suspensão dianteira e traseira, assim como os para-choques dianteiros e traseiro.
Montagem e fechamento final.
A montagem final é o fechamento do modelo, com os vidros, interior com novo estepe, motor, acoplando o chassi na carroceria e fechando os orifícios dos rebites com novos parafusos.
Peças customizadas como esta valorizam a coleção e por serem únicas, o tempo se encarregará de aumentar o seu atrativo para os colecionadores.




segunda-feira, 23 de julho de 2018

Mudanças à vista no mundo do automóvel

Num cenário em que as mudanças se sucedem rapidamente e em maior quantidade, em todos os campos da vida humana, o mundo do automóvel sinaliza que a matriz energética do combustível fóssil está mudando irreversivelmente, para a eletricidade.
Os veículos elétricos (híbridos ou totalmente elétricos) estão em crescimento nos mercados mais avançados e dinâmicos, com novos players tomando o lugar dos tradicionais fabricantes de veículos. Nem a formação de grandes conglomerados impede que marcas e fabricantes dos quais só ouvimos falar nos últimos dez acabam roubando a cena na mídia.
Quando falamos sobre veículos elétricos, consideramos os veículos autônomos, que se movem independentes de receber a energia como trólebus ou bondes. Veículos elétricos autônomos são denominados PEV (Plug-in Electric Vehicles): recarregáveis em tomadas de força, com baterias que armazenam eletricidade; podem ser divididos como:
- BEV - Battery Electric Vehicles: os puramente elétricos, recarregados numa tomada e movidos unicamente por motores elétricos;
- PHEV - Plug-in Hybrid Vehicles: híbridos, que possuem um motor a combustão, que tracionam as rodas ou que funcionam como um gerador de eletricidade, alimentando os motores elétricos que movimentam o veículo.
Não vamos tratar dos veículos elétricos dedicados, como trólebus e ônibus elétricos, ou carrinhos de golfe e outros veículos que circulam em recintos fechados, mas de carros que tem uma utilização diária como os automóveis de hoje.
Nesta metade do ano de 2018, os dados sobre o setor indicam números tais como abaixo:
Esta tabela engloba veículos elétricos de todos os tipos comercializados nos países.
Em Dezembro de 2017, a China era o país com maior quantidade de veículos elétricos vendidos ao público com 1,245 milhão de unidades, seguido pela Europa com 943 mil; Estados Unidos com 764 mil, sendo o estado da Califórnia responsável por metade do volume no país.Notícia recente nos diz que a Nissan emplacou 18 mil unidades do seu elétrico Leaf na Europa durante o primeiro semestre de 2018, liderando o mercado europeu no período. A versão de 40 kWh tem uma autonomia de aproximadamente 240 km, ao passo que a de 60 kWh permite rodar até 320 km com uma carga, com a potência do motor elétrico equivalendo a 150 cv.
Com um porte semelhante a um SUV médio, e equipado com os habituais recursos que temos em carros "normais", tem um preço abaixo dos 30 mil Euros, com faixas diferentes de incentivo governamental em cada país da Comunidade Européia. Seria por volta de R$ 120 mil numa conversão direta, mais elevado do que a média dos concorrentes em tamanho e equipamentos.
Mas o que importa é a mudança que se avizinha, e afetará todos os que necessitam se movimentar de carro hoje. Estudos da International Energy Agency indicam que até 2030, serão 125 milhões de veículos elétricos no mundo, transformando radicalmente o cenário de nossas ruas e estradas nos próximos dez anos.
A pressão por carros mais "verdes" e não poluentes, atendendo aos novos limites de emissão de poluentes e proteção ao ambiente serão os catalizadores desta mudança; junto com a queda dos preços das baterias e criação de sistemas de alimentação para os veículos elétricos, poderão alavancar as vendas destes carros para o consumidor comum.
O temor de que a terceira guerra mundial pudesse ter origem no domínio do petróleo - ou de que o estopim seria a falta de água potável no planeta - não teria razão de ser, pois a eletricidade pode ser gerada de inúmeras formas, por usinas hidroelétricas, nucleares ou térmicas, pelo vento ou pelo movimento das marés, de modo que as tecnologias para sua geração não seriam monopólio de nenhuma corporação ou nação.

Como disse Heráclito, "a única coisa que não muda é que tudo muda", as mudanças estão ocorrendo nas nossas vidas, e nada mais será como antes...

Referências:
https://motor1.uol.com.br/news/253072/nissan-leaf-vendas-europa-2018/
https://en.wikipedia.org/wiki/Electric_car_use_by_country
https://newsroom.nissan-europe.com/eu/en-gb/media/pressreleases/10637/nissan-announces-european-prices-of-nissan-leaf
https://en.wikipedia.org/wiki/Electric_vehicle
https://www.cnbc.com/2018/05/30/electric-vehicles-will-grow-from-3-million-to-125-million-by-2030-iea.html



quarta-feira, 4 de julho de 2018

Hot Customs Garage

Há muitos anos sou apaixonado por carros, motos e miniaturas; no decorrer dos anos, colecionei diversos exemplares dos carros mais famosos do mundo, começando com os Matchbox da década de 1960, dos quais ainda tenho em meu poder três destas relíquias: uma Lotus 25 do Jim Clark, um Ford GT40 e um Pontiac GTO, além de um trator de esteiras da Caterpillar D6B, cujas esteiras eram de borracha e já se foram há muito tempo...
Passei um tempo montando kits de plástico, mas tudo era importado e os preços eram altos, então foram poucos durante muitos anos. Quando começaram a sair os modelos die-cast (em metal fundido) a Burago italiana lançou os modelos em 1:18, e comecei a juntar um acervo nesta escala. Também colecionei uns 120 modelos na escala 1:43, bastante popular na Europa, com dezenas de fabricantes produzindo milhares de modelos diferentes de todas as épocas da história do automóvel.
Com o tempo, o espaço e o dinheiro não eram mais suficientes para manter o crescimento da coleção, então começamos a ser mais criteriosos, selecionando o que vamos somar à coleção.
Sempre gostei dos carros das décadas de 1950 e 1960, então acabei me concentrando em modelos desta época, tanto americanos como europeus.
O Puma feito no Brasil era o sonho de muitos jovens.
A miniatura em 1:43 é bem fiel em detalhes.
A explosão dos Hot Wheels nos últimos anos e as ações das Editoras Salvat e Planeta De Agostini, com os carros e caminhões brasileiros a preços atrativos fizeram com que novos colecionadores e apaixonados entrassem no meio.
Depois de vários anos juntando modelos, veio a vontade de mudar/melhorar uma miniatura, com adesivos para uma nova decoração e pintura, até trocar as rodas, que é o jeito mais fácil de deixar um carro diferente e com a sua cara.
Já havia feito isso com os Matchbox antigos, usando decalques para carrinhos de autorama, então foi um resgate do passado, renovado com os recursos e materiais que temos hoje em dia.
Hot Customs Garage é a página onde meus trabalhos de customização das miniaturas são apresentados, com fotos prontas ou o passo-a-passo do original até a finalização das alterações aplicadas nos modelos.
A página também vai apresentar fotos de minis customizadas por outras pessoas que também fazem esse trabalho, assim como notas e fotos sobre eventos e encontros de colecionadores para venda e troca de modelos.


Corvette Stingray da Hot Wheels em 1:64

Matérias e artigos mais consistentes serão postados neste blog e os links divulgados na página do Facebook.
Este Corvette Split Window 63 é um exemplo de como uma miniatura comum da Hot Wheels pode ser incrementada em detalhes para se valorizar na coleção. O modelo acima teve as rodas trocadas, a bitola ajustada para caberem nos para-lamas, escapamento mais próximo do carro real, motor com compressor saindo do capô, estepe de acordo com as novas rodas, gaiola de proteção interna, abertura das janelas do motorista e passageiro, nova alavanca de cambio e pintura especial metalizada com verniz brilhante.
Ficou ou não mais legal?

É isso! abraços e até o próximo post!

Entre na minha página do Facebook: https://www.facebook.com/hotcustoms.garage

terça-feira, 26 de junho de 2018

FORD THUNDERBIRD 1957

Assim como a GM, a Ford também percebeu o interesse dos americanos pelos pequenos carros esporte europeus, e quase simultaneamente começou a desenvolver um modelo de dois lugares, com perfil esportivo, conversível com um desempenho mais elevado do que os sedans pelos quais a Ford era mais conhecida.
A criação do Thunderbird veio de um encontro de Lewis D. Crusoe, um executivo aposentado da GM, com George Walker, estilista-chefe e vice-presidente da Ford. Ambos se conheceram na França, em outubro de 1951, e numa ocasião, quando caminhavam pelo Grand Palais no Paris Auto Show, Crusoe apontou para um carro esportivo e perguntou a Walker: “Por que não podemos ter algo assim?”. Algumas versões da história afirmam que Walker respondeu dizendo a Crusoe: “Ah... estamos trabalhando nisso”; mas possivelmente ele se referia apenas a esboços de carros de sonho pela sua equipe de design, cuja maioria acaba nunca se tornando realidade.
Talvez Walker estivesse se referindo ao projeto que Henry Ford havia pedido,  para criarem um pequeno roadster de dois lugares, cujo resultado foi o Vega, em 1953. Os altos custos, o baixo interesse gerado pelo projeto na época e o design europeu acabaram sepultando a idéia, e nunca passou nem a ter um protótipo construído.
Após a conversa com Crusoe, Walker prontamente ligou para a Ford em Dearborn e contou a Frank Hershey (Estilista-Chefe da Divisão Ford) o que havia acontecido, e imediatamente Hershey começou a trabalhar na idéia: um pequeno conversível, com peso por volta de 1.200 kg, motor V8 com válvulas no cabeçote, que estavam preparando para a linha 1954, máxima de 100 mph (160 km/h).
Com a apresentação do Corvette em 17 de janeiro de 1953, na Motorama do Waldorf Astoria, os executivos da Ford se apressaram em retomar as diretrizes do pequeno roadster, mas se o Thunderbird era semelhante em conceito, passou a ter um estilo mais americano, era mais luxuoso e menos esportivo. Para diferenciá-lo e não concorrer no mesmo segmento da GM, a Ford buscou posicioná-lo num novo segmento, denominando-o como “personal luxury car”, enfatizando a individualidade dos que queriam um carro pessoal e sofisticado, mas com espirito jovem e esportivo.
William P. Boyer, designer do Body Development Studio da Ford, foi o estilista líder (se tornou o Gerente do Thunderbird Studio na primavera de 1955) e trabalhou junto com Bill Burnett, engenheiro-chefe, na criação do primeiro Thunderbird de dois lugares de 1955; Frank Hershey era o Estilista-Chefe da Divisão Ford, e todos se reportavam a George Walker, vice-presidente.
A partir de fevereiro de 1953, o Thunderbird passou da idéia para protótipo em cerca de um ano, sendo apresentado ao público no Salão do Automóvel de Detroit em 20 de fevereiro de 1954. O Clay-Model foi mostrado em 18 de maio de 1953, já com o design definitivo, e em setembro de 1953 recebeu a aprovação da diretoria e o 'OK' de Henry Ford, quando voltou do Los Angeles Auto Show.
Era um conversível de dois lugares, com uma capota hardtop removível em fibra-de-vidro e uma capota de lona retrátil. A produção teve início em 9 de setembro de 1954, e as vendas ao mercado começaram em 22 de outubro de 1954.
Com faróis redondos e lanternas semelhantes a outros modelos da Ford, e “rabos-de-peixe” discretos, o design do Thunderbird era mais elegante e atlético; o capô longo e um velocímetro que marcava até 150 mph (240 km/h) sugeria uma natureza mais agressiva em desempenho que outros Ford não possuíam.
Mecanicamente, seu chassi tinha entre-eixos mais curto do que qualquer modelo da linha, mas idêntico ao do Corvette (102 polegadas), e o motor era um padrão com 292 cid (4,8 litros) Y-Block V8 da Divisão Mercury. Gerava 193 hp com uma caixa automática de três velocidades. O Thunderbird tinha uma potência menor do que os motores V8 da GM, mas era suficiente para dar uma boa performance, e sua maneabilidade era melhor do que muitos carros. Numa comparação com outros esportivos importados de sua classe, no Daytona Speed Week de 1955, conseguiu a marca de 124,6 mph (200,48 km/h).
Apesar desta boa performance, o Thunderbird era um carro de imagem para  a Ford. Era estiloso, luxuoso, um modelo de classe médio-alta de passeio, perfeito para exibir sua namorada, esposa ou amante numa volta pela cidade.
Contrariamente ao que ocorreu com o Corvette, que tinha um visual esportivo, mas um motor que não correspondia ao que o carro prometia, e teve dois anos de recessão em vendas, o Thunderbird decolou logo de início, e a previsão de vender 10 mil unidades acabou com 16.155 T-Birds chegando às ruas em 1955, contra 674 Corvettes no mesmo ano.
O kit Continental, com o estepe coberto
Para 1956, o estilo permaneceu o mesmo, a ventilação interna foi melhorada e a condução ficou mais confortável. A potência subiu para 202 hp com cambio manual, e um motor de 315 cid veio a somar na linha, com 215 hp com cambio manual e 225 com a caixa automática. A mudança mais notável foi o Kit Continental, em que o estepe vinha num compartimento fora do porta malas, encaixado no para choque traseiro. Isto não só beneficiou o espaço para bagagens, mas ajudou também na distribuição de peso, equilibrando melhor o carro.
Vendeu menos, 15.631 unidades, mas subiu para 21.380 em 1957, sendo este ano-modelo considerado o melhor dois-lugares dos anos 1950. Ganhou um novo painel de instrumentos e o sistema Dial-O-Matic de regulagem dos bancos, que memorizava posições pre-estabelecidas e ajustava os bancos assim que o carro era ligado.
Em 1957 o motor tinha 292 cid com 212 hp na caixa manual, mas havia os opcionais V8 de 312 cid com 245, 270 ou 285 hp; e este último podia receber um supercharger levando a potência para 300 ou 340 hp, pacote para os que colocavam o T-Bird nas pistas. No Daytona Speed Week de 1957, o T-Bird alcançou 146,3 mph (235,4 km/h).
O T-Bird de 1958, começando a se distanciar do conceito
A partir de 1958 surgiu sua segunda geração, e o T-Bird passou a ter mais uma fileira de bancos, para quatro pessoas, e começou a ser descaracterizado de sua proposta original, ficando mais familiar e sisudo. O estilo acabou perdendo a grande personalidade que o carro conquistara, e o desempenho não era mais uma prioridade no desenvolvimento do modelo. O carro chegou até a décima geração, (1989-1997), como um sedã familiar de duas portas, e sem o brilho e personalidade do início.
O modelo 1962 e o de 1968.
O T-Bird de 1975 e 1978
Os modelos de 1981 e 1985.

A releitura do modelo de 1957 - durou de 2002 até 2005.
A Ford apresentou o Thunderbird Concept em 2001, com elementos do design da primeira geração, como a janela circular na coluna B, a entrada de ar sobre o capô dianteiro, faróis arredondados e de neblina. A Ford tentou relançar o T-Bird na onda retro-style em 2002, e apesar de ter sido considerado o Carro do Ano na promoção da Revista Motor Trend, tinha um estilo insosso, era um carro grande e não despertou paixões como o New Beetle; vendeu pouco e saiu de cena em 2005.

EM ESCALA
O T-Bird da Revell em 1:18
O T-Bird é produzido por vários fabricantes de modelos no mercado, como a Revell, MotorMax, YatMing (55-57), Welly (62), SunStar (60) para a escala de 1:18. Em 1:24 temos modelos da Danbury Mint (60 - diecast) e Franklin Mint (55 - Diecast), Motor Max (56), Revell (2002) e AMT (vários anos) em forma de kits para montar. Neo Models (79), RIO (55), Brooklin Models (56, 59); HighSpeed (55), FABBRI (2002) e Atlas (55) fazem em 1:43, e ARKO em 1:32. Nas escalas menores (1:63/1:64), Mattel e Matchbox (associadas em alguns países), Playing Mantis, Maisto produzem o T-Bird em várias versões (com capota e conversível, com kit Continental). Os acabamentos variam, mas as escalas menores acabam sendo as mais sacrificadas nos detalhes.
O vermelho da foto é da Revell em 1:18, 1957, não possui a janela circular na coluna. As portas e os capôs dianteiros e traseiro abrem, e as rodas dianteiras esterçam. Os pneus (finos da época) com faixa branca ficaram bem, e os cromados são bem acabados. A grade dianteira e a abertura sobre o capô poderiam ser vazados para maior fidelidade.


REFERÊNCIAS



sexta-feira, 25 de maio de 2018

Ford KA


O Ford Ka é um carro urbano produzido pela Ford na Europa, desde 1996. A segunda geração a partir de 2009, compartilhou sua plataforma com o Fiat 500 e foi produzido na fábrica da FIAT em Tychy, Polônia. Ambas as gerações tinham a configuração hatch de três portas, sendo que na primeira havia a versão de duas portas conversível, denominada Street KA, ao lado da versão esportiva, Sport KA.
Em 2014, a Ford apresentou em nível mundial, o Novo Ka, um hatch alinhado ao estilo “Kinetic”, com design mais convencional, e já de início, com quatro portas. O modelo também tinha a versão sedan, denominada K+. Este Ford Ka de terceira geração teve um desenvolvimento totalmente diferente do primeiro Ka, passando a ser o hatch de entrada da linha Ford, e atualmente (2018) é baseada na plataforma do Fiesta.

AS ORIGENS DO FORD KA
No início da década de 1990, a Ford vinha testando alguns conceitos de pequenos carros, baseado na plataforma bem sucedida do Fiesta europeu.
Debaixo da estratégia global “One Ford”, a empresa exibiu no Geneva Motor Show de 1990, dois pequenos carros, um roadster esportivo (barchetta) na cor Mica Black, e uma van esportiva em Branco Brilhante , denominados Zig e Zag, desenvolvidos pelo estúdio Ghia, de Turim.
O objetivo era mostrar a versatilidade da plataforma do Fiesta de 1989, para construir diversos tipos de veículos, tais como hatchbacks, sedans, pick-ups e vans. Nas palavras do diretor da Ghia, Filipo Sapino, “Tom Scott (do Departamento de Estilo Avançado da Ford) desenvolveu os conceitos, e nós desenvolvemos a forma, expandindo a gama de modelos da plataforma”.
O design do Zig remete aos carros de competição dos anos 1950 e 1960, com uma boa dose de estilo de motocicletas, para manter o tamanho bem compacto. Com linhas curvas e suaves, privilegiava a aerodinâmica, com seu para-brisa bem baixo, semelhante ao visor de um capacete de motociclista. Media apenas 3,54 m de comprimento com 2,23m de entre eixos, e trazia rodas de aro 16, com pneus 205/50.
Os faróis foram substituídos por sete orifícios em que a luz é emitida via fibra óptica, assim como as lanternas traseiras, igualmente com sete orifícios, suplementados por brake-lights posicionados atrás dos domos do condutor e passageiro.
O interior trazia os bancos revestidos com tecido azul claro e detalhes em verde fluorescente, contrastando com a aparência monocromática do exterior, quase todo em Mica Black. O painel de instrumentos era montado diretamente sobre a coluna de direção e o espelho retrovisor era apoiado em um suporte no centro do painel, como nos antigos carros de corrida abertos.
Já o Zag, uma van esportiva com rodas de 15 polegadas, compartilhava as mesmas sete aberturas nos faróis dianteiros, mas tinha nove orifícios como lanternas traseiras, todas alimentadas por fibras ópticas.
 A Ghia o descrevia como “uma van para pessoas com necessidade de um veículo versátil e prático para uso em variadas ocasiões tanto para família como para atividades de lazer. Para isto, havia um rack de teto embutido na capota, para ser usado para transportar bicicletas ou pranchas de surfe; assim como a porta do compartimento traseiro abria-se, mas podia ser movida para a lateral, de modo a facilitar o acesso aos objetos afixados no rack do teto.
O interior do Zag trazia os bancos montados em estruturas tubulares, cobertos com tecido de nylon de fácil limpeza, na combinação de cores verde-água e fúcsia, com os tubos aparentes revestidos em padrão de leopardo em branco-e-preto. Os bancos traseiros eram removíveis, para abrir espaço para cargas maiores, assim como havia ganchos e fixadores para prender os objetos no interior do compartimento de carga.
Assim como seu design experimental, em 1991, foi instalado no Zag um motor  de dois-tempos, orbital (semelhante aos motores aeronáuticos da I Grande Guerra) desenhado e construído no Centro Tecnológico Dunton da Ford no Reino Unido.
Ambos os carros foram leiloados pela Christie, em 2002, e apesar dos anos, os carros estavam em bom estado de conservação. O Zig atingiu a soma de US$ 49,350 e o Zag US$ 29,375.
Ka Concept - 1994
No Salão de Genebra de 1994, a Ford apresentou o Ford Ka Concept, um hatch pequeno, de linhas arredondadas e identidade visual semelhante ao dos outros modelos da época, que abusavam dos ovais, como o Taurus. Contudo, quase nada do visual seria aproveitado no modelo final cujo design seria baseado no conceito “New Edge”, mostrado no Ghia Saetta, apresentado dois anos depois, em Turim. Do conceito original, ficaram as proporções gerais, a mecânica e a idéia de oferecer um compacto urbano barato, mas estiloso.

CHEGANDO AO MERCADO
O Ford Ka foi apresentado em 11 de setembro de 1996, como um carro pequeno e de baixo custo na linha da Ford. Era baseado na plataforma Mark IV do Ford Fiesta europeu, mas com design exterior completamente diferente. O nome foi tirado de uma palavra egípcia que significa “vitalidade”; ou ainda “alma” ou “espírito”.
Seu estilo foi baseado no show-car Ghia Saetta, um roadster desenvolvido por Filippo Sapino. Com poucas alterações, ele chegou ao mercado com largos para-choques envolvendo os arcos dos para-lamas, visando facilitar os reparos em caso de necessidade. O carro era produzido em Valencia, Espanha, reduzindo os custos de produção por compartilhar a linha com o Fiesta.
Kevin O’Neill era o Engenheiro-Chefe do Programa e o designer era Chris Svensson, de Sunderland, que havia desenhado um carro com traços parecidos quando cursava o Royal College of Art, em 1992.
O Ghia Saetta, base do design do Ka.
Seu lançamento polarizou as opiniões do publico, gerando reações variadas, devido ao original e chamativo estilo “New Edge”, supervisionado por Jack Telnack e executado por Claude Lobo. Suas formas orgânicas e arredondadas proporcionavam um baixo coeficiente de arrasto e favorecia o aproveitamento do espaço interno para acomodar quatro passageiros adequadamente.
Ao lado de seu desenho controverso, o Ka, como seus “irmãos” Fiesta e Puma, foram considerados pela imprensa como um dos melhores carros em condução e estabilidade. Sob a supervisão de Richard Parry-Jones, que projetou a suspensão e o sistema de direção, o Ka tinha um nível altíssimo de estabilidade ao fazer curvas, com suas rodas nas extremidades da carroceria, tinha o comportamento parecido com o de um kart, parecia andar sobre trilhos ao fazer curvas; e isso o tornava um carro bem divertido de guiar para os que gostavam de andar rápido.
Opcionais como ar condicionado, direção hidráulica, ajuste de altura nos assentos, regulagem no banco traseiro, air-bags, trava central e vidros elétricos foram sendo acrescentados durante sua vida útil, sendo que recebeu ABS  (Anti-Lock Brake System) em janeiro de 1997.
Seu motor inicial era o Endura-E, de quatro cilindros; o motor Kent usado no projeto do Anglia dos anos 1950. Apesar de não ser nada moderno, tinha torque bastante para uma condução tranquila por parte dos motoristas. Em 2002, o Endura-E foi substituído pelo Duratec com comando de válvulas no cabeçote, melhorando a eficiência do motor. Dados de consumo indicavam cerca de 48 mpg (miles per galon, ou cerca de 21 km/l). Trazia a novidade de ter embreagem de acionamento hidráulico, que filtrava as vibrações do motor e trazia mais conforto ao condutor.
Os para-choques originais eram feitos de plástico flexível, visando reduzir os danos em pequenos choques ao estacionar o veículo, e não tinham pintura, dispensando o trabalho e reduzindo o custo em reparos. O plástico continha um protetor contra os raios UV, por isso a tinta não aderia perfeitamente a estas peças. No entanto, a Ford identificou que muitos proprietários queriam os para-choques na cor do veículo, e em 1999, ao reestilizar o ano-modelo, trouxe esta possiblidade para o pequeno Ka.
Apesar das margens de lucro serem reduzidas em modelos pequenos como o Ka, a Ford auferiu muitos lucros mesmo com o baixo preço cobrado ao consumidor. Em 2006, a Ford vendeu 17.000 unidades somente no Reino Unido. Na Austrália, o Ka foi lançado em outubro de 1999, e vendeu pouco mais de 2.000 unidades/ano, até 2002. Muito do insucesso do Ka na Austrália, foi creditado à falta de uma transmissão automática, praticamente padrão entre o público australiano. Ele também foi comercializado na Nova Zelândia, entre 1999 e 2004, sendo depois substituído pelo Fiesta de nova geração.
No Reino Unido, o Ka teve várias versões de equipamentos e acabamentos, além de um Ka Van, adaptação feita pelo BT Group, onde os bancos traseiros eram substituídos por uma placa de madeira plana, com proteção de borracha e os vidros laterais eram cobertos por uma película.
Em 2003, a versão Sport Ka trazia um kit esportivo, com adereços de carroçaria, bitola alargada com rodas de liga leve com 16 polegadas, e suspensão mais rígida. Para choques redesenhados incluíam faróis de neblina para ambos os modelos, e uma versão conversível denominada Street Ka foi apresentada no Paris Motor Show, com a ajuda da cantora Kylie Minogue. Esta versão trazia capota de tecido com operação manual, ou uma capota rígida (hardtop) na Winter Edition.
Para o modelo 2005, todas as versões receberam um novo motor Duratec, 1,6 litro, com 93 hp, com 8 válvulas movido a gasolina, sendo que as versões Ka, Ka Collection e Luxury Ka mantinham o 1,3 Duratec.

STREET KA e SPORT KA
Street Ka
Em 2003 o Ka teve adicionados na linha os modelos Street Ka e Sport Ka.
O Sport Ka vinha com um Body Kit com para choques maiores e faróis de neblina integrados, bitolas mais largas, uma suspensão revista para maior estabilidade e rodas de liga de 16 polegadas. Já o Street Ka foi desenhado pelo estúdio de style da própria Ford e produzido pela Pininfarina, baseado no Concept Car apresentado no Turim Motor show de 1995 construído pela Ghia de Turim.
O modelo de produção foi apresentado no Paris Motor Show de 2002, compacto e elegante, o pequeno conversível tinha uma capota de lona e ocupava o lugar dos passageiros atrás, ficando apenas com dois assentos. Mais do que uma versão conversível do Hatch, ele tinha um design muito bem resolvido, apesar de ser baseado no Ka normal de linha, acabava tendo uma personalidade exclusiva, com apliques nos faróis dianteiros, e uma traseira totalmente nova, e as barras de proteção para os passageiros.
O aspecto esportivo era destacado com os largos pneus e rodas maiores do que o hatch normal. Sua suspensão também foi revisada, e a direção era mais rápida, com apenas 2,6 voltas de batente a batente, para uma condução mais esportiva. O motor quatro cilindros, oito válvulas com 1,6 litro e 95 hp, associado a uma caixa de cinco velocidades manual proporcionava um bom desempenho devido ao baixo peso do conjunto. Fazia de 0-100 km/h em 12,1 segundos. Vinha com ar condicionado, volante esportivo revestido em couro, radio, alarme, vidros elétricos, rodas de liga, ABS, assentos aquecidos, air bags para motorista e passageiro.

GHIA TURING KA
O Touring Ka, uma perua de 4 portas.
 Apresentado no Salão de Turim de 1998, o Turing Ka também é de autoria do estúdio Ghia. Ele jamais foi planejado para entrar em produção, mas trata-se de um conceito bastante plausível: uma perua construída sobre a plataforma alongada do Ka — especialmente no entre eixos, de modo a possibilitar a adoção de duas portas a mais e proporcionar mais espaço aos ocupantes e à bagagem.
O interior era mais luxuoso do que o de um Ka de produção: com couro e suede marrons nos bancos, revestimentos de porta, porta-malas e até no volante que, assim como o painel, tinha detalhes em um material que imitava  madrepérola. O painel trazia o desenho que conhecemos no Ka de rua, mas tinha acabamentos e instrumentação exclusivos. Embora tenha mais espaço, porém, o Turing Ka ainda acomoda apenas quatro pessoas — em bancos individuais.
O visual externo é o de um Ka mais longo com duas portas a mais: dianteira e traseira têm faróis, lanternas e proporções gerais idênticas às do hatch. As diferenças estão nos detalhes: a carroceria amarela contrasta com o cinza metálico dos para-choques de desenho mais agressivo — que possivelmente influenciou o visual da dupla Sport Ka e Street Ka.
Ou um hatch alongado?
As proporções são muito bem acertadas mas, às vezes, o carro parece mais um hatchback extralongo do que uma perua propriamente dita. O visual era complementado por rodas OZ de 17 polegadas, calçadas por pneus Pirelli de medidas 215/40 — de perfil baixo e bem largos (ao menos para um Ka), dando à perua certo apelo esportivo. Traçando um paralelo mais atual, o Turing Ka remete ao Audi A3 Sportback. Também notamos certa semelhança de seu perfil com o do Mercedes-Benz CLS Shooting Brake.
Para a decepção geral o conceito não era 100% funcional: apenas as portas do lado do motorista abriam e fechavam normalmente, e todas as janelas, com exceção do para-brisa e do vigia traseiro, eram fixas, feitas de plexiglass e não vidro. Os instrumentos eram meramente decorativos, e toda a parte traseira é feita de fibra de vidro, não metal. Mesmo assim o Turing Ka parecia próximo da produção.
Nem todos aprovam o visual do conceito — aliás, há quem não curta muito o visual sem precedentes do Ka até hoje —, mas o mercado certamente apreciaria a ideia de um Ka um pouco mais espaçoso, com a mesma plataforma de excelente dinâmica. Seria uma boa perua compacta e, talvez, fizesse o mesmo sucesso que a Audi faz com o A3 Sportback ou a Mercedes com o CLS Shooting Brake. Ou até mais, dependendo do preço e motorização. Imagine só um “Turing Ka XR”.

KA CONCEPT 2010
Ka Concept 2010
Em 2010, a Ford levou para os Auto Shows um Conceito para renovação do pequeno Ka. A previsão era de lançá-lo em 2014, e seu design estava em conformidade com o desenvolvimento do primeiro Ka. Anunciado como Start Concept, levou o carro ao Beijing Motor Show para colher impressões do público sobre a novidade.
O carro chamou bastante atenção dos presentes. O protótipo foi executado em alumínio, e seu design futurista mantinha o mesmo espírito inovador em design do primeiro Ka, de 1994. O protótipo foi criado pelo Strategic Concepts Group Studios, da Ford, em Irvine, Califórnia. Os dados divulgados sobre o Start indicavam um motor de três cilindros, turbo-comprimido, com injeção direta Ecoboost e previa uma etiqueta de preços ao redor de US$ 13,000. Infelizmente, o desenvolvimento do Ka não seguiu por este caminho, sepultando o design personalíssimo do pequeno Ka, em detrimento das aspirações do público por um carro mais funcional e menos controverso em termos de design.

SEGUNDA GERAÇÃO NA EUROPA
Ford Ka, segunda geração na Europa
Em 2009, o Ka recebeu uma reestilização total, e compartilhava sua nova plataforma com o FIAT 500, sendo produzido em Tychy, Polônia. O design mantinha alguns traços da geração anterior, mas estava alinhada com o Kinetic Design, que começava a direcionar o estilo dos novos Ford em escala global.
Ainda remetia ao Ka original, com sua linha das janelas bem parecida, mas o estilo da dianteira estava alinhado com a do Fiesta. Mecanicamente, vinha com motores 1,2 litro, 8 válvulas a gasolina que produzia 69 cv a 5500 rpm e 10.2 kgf-m a 3000 rpm de torque; e uma versão 1,3 litro diesel com 75 cv a 4000 rpm e 14,4 kgf-m de torque. Ambos tinham emissão de CO2 abaixo de 120 g/km, e eram fornecidos pela FIAT.
Segunda geração era baseada na plataforma do FIAT 500
Em relação aos FIAT 500, o Ka tinha a barra de torção traseira mais rígida, com molas 30% mais flexíveis, combinadas com novos amortecedores, melhoravam o desempenho em pisos irregulares, por absorverem melhor os impactos na suspensão. Equipado com direção com assistência elétrica, transmitia menos vibrações ao condutor, deixando mais leve e eficiente do que a assistência hidráulica.
Itens de segurança como Airbags laterais e de cortina, ABS, alarme com imobilizador do veículo, luzes de alerta e travas elétricas, ESP (Programa Eletrônico de Estabilidade) com HBA (Assistente Hidráulico de Frenagem) e HLA (Assistente de Partidas em Rampas) completavam o pacote de segurança do Ka. Como curiosidade, este modelo foi apresentado no 22º filme de James Bond, “Quantum of Solace” e revelado em outubro de 2008 na Paris Motor Show.

O KA NO BRASIL
O Ka chegou ao Brasil em Março de 1997, apenas seis meses após a apresentação mundial em Paris. Assim como na Europa, a Ford queria disputar um nicho abaixo dos carros pequenos, como o seu Fiesta, focado em grandes volumes. O concorrente direto era o Renault Twingo. Com as habituais adaptações de suspensão e pneus de perfil mais alto, lanternas com duas luzes de ré (no europeu, uma delas era a de neblina), e diferenças no acabamento interno, como ajuste de altura no banco do motorista; o Ka era idêntico ao europeu.
Lançado com duas versões, uma como motor 1,0 e acabamento mais simples, e a CLX, com equipamentos adicionais e motor de 1,3 litro. Itens de série eram cintos de três pontos para todos os ocupantes, retrovisores com comando interno, banco traseiro bipartido com ajuste em duas posições. A CLX tinha como opcionais Airbags frontais, controle elétrico dos vidros e travas, rádio/CD-Player, ar condicionado e direção hidráulica, aumentando seu preço e chegando perto de modelos médios menos equipados.
Os motores Endura-E não acompanhavam a modernidade do Ka, o 1,0 litro produzia 53,5 cv, e o 1,3 chegava a 60 cv. A maior vantagem do motor maior era o torque: 10,4 ante 7,8 m.kgf.

As modernidades trazidas pelo Ka eram os faróis com duplo refletor de superfície complexa (foram os primeiros em um carro nacional) e lentes de policarbonato, imobilizador de motor com chave codificada, comando hidráulico da embreagem, injeção multiponto sequencial de quinta geração (EEC-V), corte de alimentação do combustível em caso de acidente (evitando incêndios). A suspensão dianteira era montada num subchassi, e a direção assistida do CLX tinha relação variável, mais rápida no centro e menos (portanto mais leve) ao esterçar mais.
Em 1999 os para-choques passaram a ser na cor da carroceria, e em 2000 a defasagem do motor foi eliminada com a chegada do Zetec RoCam, desenvolvido pela Ford brasileira e fabricado em Taubaté. Diferente da família Zetec europeia, que tinha 1,8 e 1,4 com 16 válvulas, aqui era de concepção mais simples, com bloco de ferro e cabeçote de alumínio, comando único e duas válvulas por cilindro, com o acionamento das válvulas por alavanca roletada, que reduzia o atrito e melhorava o rendimento. Assim, o 1,0 litro rendia 65 cv (mais do que o 1,3 antigo), combinado com uma caixa com relações muito curtas, ganhou muito em agilidade.
O Ka XR com motor Zetec RoCam 1,6 litro
Em 2001 surgia a versão XR, o mais potente Ka feito pela Ford até então: equipado como Zetec RoCam de 1,6 litro, gerava 95 cv de potência e 14,2 m.kgf de torque. Com reforços na suspensão dianteira para sustentar o motor maior, spoiler no teto traseiro que apresentava um ganho de 7 km/h na velocidade máxima, saias laterais e rodas de alumínio de 14 polegadas e pneus 185/60, o XR atingia 186 km/h de máxima, acelerando de 0-100 km/h em 10,8 segundos, desempenho de fazer inveja a modelos maiores e mais potentes. Os únicos opcionais eram o ar condicionado e a direção hidráulica.
Ka Action 
Ao longo dos anos, o Ka na América Latina veio a ficar diferente do europeu. A primeira intervenção (2002) ocorreu na traseira, bastante criticada no Brasil, mudando a configuração das lanternas traseiras, com a placa reposicionada na tampa do porta-malas e uma nova divisão do para choque traseiro, que vinha em três partes para facilitar a manutenção/reposição em caso de acidentes.
Da primeira geração, houveram séries limitadas como o Ka Tecno (2000) limitado a 800 unidades, tinha rodas de liga leve com desenho exclusivo, para choques pintados em tom prata mais escuro do que a carroceria, painel de instrumentos e relógio central com fundo preto e outros itens diferenciados. Esta versão era disponível somente com o motor RoCam 1,0 litro. Posteriormente, as versões básicas deram origem ao Ka Action, equipado com o mesmo motor RoCam 1,6 litro, mas sem os adereços esportivos e rodas de aço com calotas.
O Ka Black (2001) foi uma série com bancos de couro e interior diferenciado, também com 800 unidades, sendo 640 com motor 1,0 e 160 com motor 1,6 litro, estes com a configuração externa igual ao Ka XR. A versão Ka MP3 (2005 a 2007) foi lançado como série especial, depois incorporado à linha; vinha com sistema de som (CD Player) com capacidade para ler e reproduzir arquivos de música em MP3; era disponível apenas na cor preta com detalhes em cinza, e os motores podiam ser o 1,0 ou 1,6 litro, ambos Zetec RoCam.
Em 14 de dezembro de 2007, houve a reestilização do Ka brasileiro, ainda sobre a mesma plataforma, mas dando uma sobrevida ao carro com a criação de mais espaço no banco traseiro, para um terceiro passageiro e descaracterizando fortemente o estilo de grande personalidade do primeiro Ka. As linhas abandonaram o estilo New Edge, e perdeu a grande personalidade do modelo anterior. Faróis em formato de gota e grade com filetes horizontais, janelas posteriores longas e coluna C larga davam um ar de miniperua, e a traseira revista para o terceiro passageiro e maior volume no porta-malas (de 186 para 263 litros) elevaram o vidro traseiro e as lanternas não invadiam a tampa do porta-malas.
Ford Ka, reestilização brasileira em 2008 sobre a primeira geração
O comprimento aumentou para 3,83 m (20 cm a mais do que o anterior) a altura ficou em 1,42 (1 cm a mais). A largura e o entre eixos se mantiveram como no antigo: 1,64 m e 2,45 m respectivamente. Foi exportado para diversos países na América Latina, agora com a configuração para acomodação de cinco passageiros. Apenas a versão Sport vinha equipado com o motor Zetec-Rocam 1,6 litro.
Com o lançamento da segunda geração europeia, o Ka brasileiro separou-se completamente de sua ligação com o resto do mundo. De 2006 em diante o Ka brasileiro recebeu o motor Zetec-Rocam quatro cilindros de 1,6 litro, com 94 hp a gasolina, com a tecnologia do comando de válvulas roletado sendo estendido também à versão com 1,0 litro, também com quatro cilindros e oito válvulas. No modelo reestilizado (2007 modelo 2008) o motor era flex, o 1,0 gerando 68,5 e 72,7 cv (respectivamente com gasolina e etanol) e o 1,6 com 102 e 107 cv (gasolina/etanol).
Para um carro de entrada, o Ka tinha diferenciais interessantes, como abertura do porta-malas no painel, alarme com sensor de presença, trava elétrica com controle remoto e abertura remota do porta-malas, chave codificada, luz de advertência da revisão programada e trava automática das portas ao atingir 15 km/h.
Com o motor 1,6 litro e o baixo peso do Ka, seu desempenho ficou muito esportivo, fazendo de 0-100 km/h em torno de 11 segundos, número próximo do Astra que tinha motor 2,0 litros.
O Ka Sport com faixas "à la Mustang".
Para a linha 2012, o Ka recebeu a dianteira da linha Kinetic (que ficou conhecida como “bocão”), novas lanternas transparentes traseiras e quadro de instrumentos com nova grafia e iluminação revistos. O interior recebeu novos revestimentos, porta-copos no console central, rodas de liga leve e calotas para as rodas de aço com novo design e opcionalmente os retrovisores podiam ter os repetidores de seta. Na parte mecânica, novos amortecedores traseiros com isolamento acústico mais eficiente e novas buchas, para reduzir os ruídos e aumentar o conforto e a dirigibilidade.
A versão Ka Sport era a única que tinha o motor 1,6 litro, vinha com rodas de liga leve aro 15, pneus Pirelli P7 195/55, spoiler, saias e faixas chamativas no capô dianteiro e laterais, lembrando a decoração do Mustang Boss, especialmente na cor laranja com faixas pretas.
Um total de 63.766 unidades foram vendidas no Brasil em 2011, fazendo do Ka o 14º modelo mais vendido no país; e no total, cerca de 850 mil unidades foram fabricadas de 1997 a 2012. No final de 2012 a Ford suspendeu a produção

NOVO KA
No Salão do Automóvel de São Paulo, em 2014, a Ford apresentou o Novo Ka, alinhado com o estilo Kinetic Concept, totalmente reformulado e em nada lembrando os modelos anteriores; incluindo aí o descarte do estilo apresentado pelo conceito KA mostrado em Beijing em 2010. Baseado na nova plataforma do Fiesta, que começou a ser importado do México e passou a ser fabricado no país, trazia a configuração hatchback de quatro portas e cinco passageiros, motor de quatro cilindros 1,0 Ecoboost (8 válvulas) e 1,5 litro (16 válvulas); câmbio de 5 ou 6 marchas. Posteriormente teve acrescido a nova unidade motriz com três cilindros e doze válvulas, dentro da concepção de “downsizing” que tomou conta da engenharia nos últimos anos.
O motor 1,0 três cilindros é o mais moderno e potente propulsor do mercado brasileiro, com 85 hp e 10,7 kgfm de torque, superando o VW up!, que tem 82 hp. Movido a gasolina ou etanol, dispensa o uso do tanque suplementar para partidas a frio e é o único da categoria equipado com duplo comando variável de admissão e escapamento, recurso que melhora o fluxo dos gases no interior do motor e otimiza o rendimento e consumo.
Atualmente, o Ka também apresenta a versão Ka+, um sedan compacto quatro portas, com capacidade de porta-malas maior.
O Ka+, sedan com 4 portas.

PARTICIPAÇÃO DO FORD KA NO MoMA DE NOVA YORK
Em julho de 1999, o MoMA, The Museum of Modern Art, de Nova York, realizou uma exposição intitulada “Different Roads: Automobiles for the Next Century”, uma visão de como seriam os automóveis do Século 21 e seu impacto na sociedade. As preocupações sobre os impactos de uma nova geração de automóveis, confrontada com as demandas de um novo consumidor nas áreas social, econômica e ambiental e da indústria automotiva. Sete diferentes veículos da Ford (Ka), Toyota (Prius), Fiat (Multipla), General Motors (EV1), Daimler (Smart), BMC (Rover Mini) e Honda (VV Insight) foram expostos como sucessores do Ford T e do Volkswagen Beetle. As ideias e conceitos por detrás destes veículos, associados ao design de cada um foram os fatores preponderantes para a seleção destas unidades para a mostra, que teve também um Simpósio intitulado “Qual é o futuro do Automóvel?”, envolvendo apresentações de designer automotivos, engenheiros, executivos, historiadores e sociólogos, que discutiram que problemas deveriam ser considerados para o uso, desenho e produção do automóvel no século 21.
De todos os carros expostos, o Ka foi o que teve maior presença no mercado, apesar de seu perfil urbano europeu, e seu design muito avançado para a sua época, fez sucesso em muitos mercados e cativou muitos fãs através dos anos.

EM ESCALA
Street Ka da Welly, na escala 1:18
O Ford Ka é reproduzido por alguns fabricantes de miniaturas, mas não tem muitas versões que acompanham seu desenvolvimento. Da primeira geração, na escala 1:18 e 1:24 temos o Street Ka feito na Europa, pela Welly, com bom acabamento e detalhamento. Em 1:43, temos o Ka 1997 normal de linha feito pela Minichamps (preto) e pala Cararama (amarelo), um modelo na escala 1:32 da Kinsmart, que ficou conhecido como “Ka de Padaria”, visto que foi comercializado predominantemente nestes estabelecimentos em São Paulo; um exemplar (chaveiro) em 1:64 também da Kinsmart, com mecanismo de fricção no eixo traseiro. Muito bem acabado pelo tamanho. Nesta escala a Maisto também fez um modelo do Street Ka. A Rietze faz um modelo em 1:87.
Ford Ka 1997 da Minichamps em 1:43
Ford Ka da Kinsmar, em 1:32 e 1:64 com fricção.

Cararama em 1:43; Maisto em 1:64 e Rietze em 1:87.
O Ford Ka da segunda geração europeia saiu na coleção dos carros de James Bond pela Universal Hobbies na escala 1:43, cuja embalagem reproduz um cenário do filme onde o carro aparece, e a Minichamps também reproduz o modelo do filme, mas sem o cenário.
Ford Ka do filme Quantum of Solace, da Universal Hobbies

Ford Ka 2008 da MotorMax em 1:24 e Minichamps 1:43
O Ka moderno de 2008 (segunda geração européia) tem reproduções da Motor Max em 1:24, decorado com faixas brancas que remetem à pintura do Mustang Shelby GT500 de 2007.

REFERÊNCIAS: