domingo, 16 de maio de 2021

McLaren F1 - A obra prima de Gordon Murray

O McLaren F1 é um carro-esporte desenhado e produzido pela McLaren Automotive. Originalmente um carro conceito concebido por Gordon Murray, que convenceu Ron Dennis a voltar ao projeto que havia sido suspenso; e contratar Peter Stevens para desenhar o exterior do carro. Em 31 de março de 1998, ele bateu o recorde mundial de carro mais rápido de rua, atingindo 231 mph (372 km/h) com o limitador de rotações acionado, e 240,95 mph (390,99 km/h) com o limitador desligado. Este recorde só foi batido em 2005 pelo sueco Koenigsegg CCR, fazendo 395 km/h, e no mesmo ano, o Bugatti Veyron ultrapassou a marca com 407,5 km/h. Em 2007 o americano SSC Ultimate Aero atingiu 413 km/h e em 2010 o Bugatti Veyron Super Sport reconquistou o título de carro mais veloz do mundo com 431 km/h, mas foi passado para trás pelo Hennessey Venom GT que atingiu 435 km/h, porém não foi homologado pois ele não é um veículo de produção.

Fato notável é que todos os carros que superaram as marcas do McLaren F1 são equipados com turbo compressores, que incrementam em muito a potência dos motores, enquanto o F1 atingiu suas marcas sendo equipado com um motor naturalmente aspirado.

O carro possui diversas tecnologias e design sofisticado; ele é leve e tem uma estrutura aerodinâmica mais elaborada do que muitos modernos carros esporte., apesar de ter um assento a mais do que normal em carros esporte, com o assento do motorista (ou seria piloto?) situado ao centro (levemente avançado) em relação aos dois assentos dos passageiros. A visibilidade é superior ao posicionamento do layout convencional.

O conjunto motor é bastante potente, com alguma tendência de preparação para pista, porém num grau que não compromete a utilização diária e o conforto de marcha. Ele foi concebido como um exercício na criação do que os designers consideram o carro esporte definitivo.


Murray especificou que o propulsor deveria ter 600mm com todos os equipamentos e acessórios montados; pesar 240 kg e gerar no mínimo 550 hp. Além disso, não queria que fosse turbinado, pela complexidade mecânica e o turbolag na resposta às acelerações. Somente três empresas eram capazes de fornecer um motor desses: Ferrari, Honda e BMW. Por motivos óbvios, a Ferrari estava fora de questão. A Honda, àquela época ligada à McLaren via Fórmula 1, era uma escolha óbvia, mas os japoneses declinaram a oferta. Restava apenas a BMW.

Paul Rosche, que trabalhara com Murray nos Brabham-BMW da época de Piquet, dirigia agora a M-Power, divisão de Performance da marca bávara. Ele aceitou o desafio e reuniu um grupo de 12 engenheiros experientes, criando um novo motor V12 em tempo recorde, uma usina de força compacta e  leve, gerando 618 hp a 7500 rpm, com 66 m.kgf de torque a 7000 rpm. O motor sobe de giros mais rápido que qualquer outro, pois não tem volante, papel feito pela embreagem de carbono.

Apesar de não ser desenhado como uma máquina de pista, o carro preparado para corridas venceu várias competições, incluindo as 24 Horas de Le Mans em 1995, onde se confrontou com protótipos desenvolvidos especialmente para competições em pistas.

A produção começou em 1992 e se encerrou em 1998, ao todo 106 exemplares foram construídos, com algumas variações no design.


Em 1994, a revista britânica Autocar afirmou em um teste de estrada com o F1: “O McLaren F1 é a mais sofisticada máquina construída para rodar nas ruas” e “O F1 será lembrado como um dos grandes exemplares na história do automóvel, e possivelmente será o mais rápido carro de produção que o mundo jamais viu”.

O conceito do design elaborado pelo Engenheiro-chefe Gordon Murray tinha vários pontos em comum com o de outros designers de carros de alta performance: baixo peso e alta potência. Isto era alcançado com o uso de materiais avançados e muito caros, tais como fibra de carbono, titânio, ouro, magnésio e Kevlar. O F1 era o primeiro carro de produção a usar um chassi monocoque de fibra de carbono.

Os três assentos do F1


Gordon Murray vinha pensando em um carro esporte de três lugares desde a sua juventude. Quando Murray estava aguardando um voo para retornar à sua casa depois do Grande Prêmio da Itália de 1988, ele rabiscou um esboço de um carro esporte de três lugares e o apresentou a Ron Dennis. Ele lançou a ideia de criar o carro esporte de rua definitivo, um conceito que viria a ser fortemente influenciado pela experiência e tecnologia da McLaren na Fórmula 1, e portanto, refletir esta habilidade e conhecimento  através do McLaren F1.

O McLaren F1 pode ser considerado com justiça obra de Gordon Murray. Desde que entrou para a Equipe Brabham de Fórmula 1, e projetou o BT42, aos 26 anos, Murray construiu uma carreira de alguns sucessos, mas muito inovativa. Como esquecer o famoso Brabham Alfa Romeo, com os dois ventiladores para extrair o ar debaixo do carro e assim conseguir maior aderência nas curvas? Ou quando introduziu a fibra de carbono, primeiro nos freios, e depois na construção de chassis? E as especificações do chassi McLaren MP4, que até hoje carrega essa nomenclatura nos bólidos de Fórmula 1?

"Por anos, você dirige muitos carros esporte, e todas as vezes, você nota alguma coisa que você não gostou. Isso vai formando uma lista no seu subconsciente do que você gostaria e do que não gostaria se você tivesse a chance de construir e produzir um carro".

Em 1990, ele fez o movimento de deixar a McLaren de competição para criar um carro para as ruas, através da McLaren Cars. O resultado foi o F1, que elevou as especificações dos chamados “Supercarros” para níveis muito acima do que se considerava alta performance e velocidade.

Murray declarou que durante o desenvolvimento do F1, puderam fazer uma visita com Ayrton Senna ao Centro de Pesquisas Tochigi da Honda. Na época, os carros de Fórmula 1 da McLaren eram equipados com os motores Honda, então, havia uma possibilidade de colocar um motor japonês no F1. Embora Murray houvesse pensado em colocar um motor maior, ao dirigir o Honda NSX, todas as referências de Ferrari, Porsche e Lamborghini que ele tinha para desenvolver o F1 desapareceram da sua mente. O F1, claro, precisava ser mais rápido do que o NSX, mas a suavidade de marcha e manuseio do NSX se tornaram uma nova meta para o F1. Murray ficou fã dos motores Honda e em duas ocasiões, foi ao Centro da Honda em Tochigi para que a Honda considerasse a construção de um V12 de 4,5 litros ou um inédito V14, tentou convencê-los mas não conseguiu seu intento, e o F1 acabou equipado com uma unidade BMW.

Um par de carros Ultima MK3 (fabricado pela Noble Motorsports), de chassis 12 e 13, os últimos montados pela Noble, apelidados de “Albert” e “Edward”, foram usados como “mulas” para testar vários componentes e conceitos antes dos primeiros carros serem construídos.

“Albert”, com o chassi 12 foi usado para testar a caixa de câmbio acoplada a um V8 de 7,4 litros da Chevrolet pela similaridade do torque gerado pela unidade da BMW, a posição central do piloto e os freios de fibra de carbono. “Edward”, com o chassi 13 foi usado para testar o motor BMW V12, junto com os Sistemas de exaustão e refrigeração. Ambos os chassis foram bastante alterados com as adaptações dos componentes em testes. Após os testes, ambos foram destruídos para que os jornalistas especializados não associassem os MK3 com o F1.

O carro foi mostrado pela primeira vez em 28 de maio de 1992, no Clube Esportivo de Monaco. A versão de produção manteve o mesmo design do protótipo original (XP1) exceto o reposicionamento do espelho retrovisor do alto da coluna A para a base do vidro dianteiro. Alguns clientes solicitaram que a McLaren alterasse os retrovisores conforme o protótipo, que trazia os piscas embutidos neles (uma solução adotada mais tarde por muitos fabricantes).

O nível de segurança do F1 foi comprovado durante um teste na Namíbia em abril de 1992, quando um piloto vestindo apenas uma Bermuda e camiseta bateu numa rocha e capotou várias vezes, e escapou ileso. Um segundo protótipo foi construído para os testes de colisão, e passou com os arcos de rodas intactos.

Desde o início, Murray especificou um motor aspirado para o F1, pois acreditava que era mais confiável e fácil de controlar. Motores turbinados ou com compressores tem um incremento considerável de potência, porém são mais complexos mecanicamente, reduzindo sua confiabilidade. Além disso, Murray considerava que o intervalo de resposta nas acelerações e desacelerações reduzia o controle pleno do motor por parte do piloto. De início, havia a intenção de se aplicar uma unidade Honda de 550 hp derivado do motor de Formula Um aplicado nos monopostos da McLaren; mas a Honda não concordou em fornecer o motor. A Isuzu planejava entrar na Formula Um com um motor V12 de 3,5 litros, e estava testando num chassi da Lotus, e ofereceu a possibilidade de equipar o F1, mas Murray queria um motor mais confiável e comprovadamente eficiente.

Como já dito, a BMW projetou e construiu para Murray o V12 a 60 graus com 6,1 litros (exatos 6.064 cc) denominado BMW S70/2. Ele produzia 618 cv e 266 kg de torque, no final ficou 14% mais potente e apenas 16 kg mais pesado do que as especificações originais de Murray, e tinha o mesmo comprimento de bloco, para caber no cofre do motor. O bloco era de liga de alumínio, com 86 mm de diâmetro e 87 mm de curso; quatro comandos de válvulas com aberturas variáveis (uma tecnologia relativamente nova), acionados por correntes, e cárter seco.

Para manter o isolamento térmico do cockpit e preservar o monocoque de fibra de carbono, Murray revestiu o compartimento do motor com folhas de ouro, que é um material altamente eficaz para refletir o calor. Aproximadamente 16 g de ouro foram aplicados em cada carro.

O motor tinha uma taxa de compressão de 11:1, gerando 618 hp a 7400 rpm e saída de torque de 651 Nm a 5600 rpm. As rotações eram limitadas a 7500 rpm, quando ocorria o corte da ignição.

Murray queria manter o carro leve, para ter a melhor relação peso/potência, que no F1 era de 550 hp/ton., ou apenas 3,6 lb/hp. Comparativamente, o Ferrari Enzo tinha 434 cv/ton. (4,6 lb/kg), o Bugatti Veyron 530,2 cv/ton. (4,1 lb/kg) e o SSC Ultimate Aero TT com 904 cv/ton. (2,2, lb/kg).

Os mancais dos eixos-comandos, tampas, tanque de óleo, cárter seco eram todos fundidos de magnésio; a admissão de ar tinha doze borboletas individuais e o sistema de escape vinha com quatro catalizadores Inconel com sondas Lambda individuais. Os comandos eram continuamente variáveis para um melhor desempenho, usando um Sistema muito próximo do VANOS aplicado no BMW M3. Um mecanismo de fase atuando hidraulicamente, retarda a abertura da válvula de admissão em relação à de exaustão, estabilizando e aumentando o torque em baixas rotações. Em altas rotações, ocorria o inverso, para ter mais mistura na admissão, e assim aumentando o desempenho.

Outros detalhes que podem ser creditados a Murray no projeto do motor podem ser vistos nos dois injetores Lucas por cilindro, para que o combustível atomize completamente. O primeiro injetor localizado perto da válvula de admissão opera a baixas rotações, enquanto o segundo fica mais acima no conduto de admissão, opera em altas rotações. O motor não tem sensor de pré-detonação, pois as condições de combustão não permitem que isso ocorra.

Cada cilindro tem sua própria bobina de ignição em miniatura, e os pistões são forjados em alumínio, correndo nos cilindros com revestimento de nikasil, com um alto grau de resistência ao desgaste. O BMW V12 LMR que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1999 utilizou um motor com esta tecnologia.

O tempo para desenvolvimento do motor pela BMW foi curto, fazendo com que a equipe utilizasse somente tecnologia confiável e já testada. O motor não usa válvulas de titânio, nem esse material nas bielas. A geometria de admissão variável foi considerada, mas rejeitada pois poderia trazer complicações desnecessárias. Quanto ao consumo de combustível, o motor consegue, em média, 15,2 mpg (15 L/100km).

O McLaren F1 foi o primeiro carro de rua a usar uma estrutura de chassi monocoque de plástico reforçado com fibra de carbono (CFRP). O alumínio e o magnésio foram aplicados em pontos de fixação para o sistema de suspensão, perfeitamente integrados so CFRP.

O layout com o assento do piloto avançado em relação aos dos dois passageiros laterais, criou espaço para o tanque de combustível logo atrás do assento central e à frente do motor. As aberturas das portas ficaram conhecidas por “tesouras”, pois abrem para cima, como o movimento das lâminas de uma tesoura, e não para os lados, nem como as “gull-wing” ou “asa-de-gaivota” como nas Mercedes 300 SL.

Portas com abertura tipo "tesoura"
Como o calor gerado pelo motor afeta o CFRP, o compartimento do motor não foi feito neste material, além disso tem um revestimento em folhas de ouro para refletir e isolar o calor do chassi.

A aerodinâmica do McLaren F1 foi exaustivamente estudada e testada em túnel de vento, com um coeficiente de arrasto de 0,32, contra 0,36 do Bugatti Veyron e 0,357 do SSC Ultimate Aero TT, que foi o carro de produção mais rápido de 2007 a 2010. A versão normal não apresenta apêndices aerodinâmicos para produzir o downforce, mas o fundo do carro e o difusor traseiro contribuem para a estabilidade mesmo em altas velocidades. Dois ventiladores elétricos de Kevlar ajudam a diminuir ainda mais a pressão sob o carro, podendo ser desligados pelo piloto quando julgar não serem necessários.

Várias entradas de ar proporcionam fluxos de ar para alimentar o motor (na parte superior da cabine), refrigerar o tanque de óleo e equipamentos eletrônicos (sob cada porta) e refrigerar os freios dianteiros (aberturas frontais).

Há apenas um spoiler traseiro que é acionado junto com os freios, colaborando para criar resistência aerodinâmica nas frenagens. Ao se levantar, duas aberturas na zona de alta pressão criada à sua frente, conduzem o ar para refrigerar os freios traseiros que estão sofrendo plena carga e gerando altas temperaturas. O coeficiente de arrasto sobe para 0,39 e o mecanismo só é ativado em velocidade igual ou superior a 40 mph (64 km/h).

Steve Randle, responsável pela suspensão do McLaren F1, definiu a premissa de um rodar confortável, mas orientado para o desempenho, porém não tão rígida e baixa como um carro de pista, já que o uso predominantemente rodoviário para o qual se destinava não poderia ter um rodar áspero e com vibrações, reduzindo o conforto no rodar.

O layout sempre teve como meta centralizar as massas do carro, não alterando os percentuais de peso sobre os eixos quando abastecido e com o peso do piloto. A proporção se mantinha próximo de 42% na dianteira e 58% na traseira, variando pouco mais de 1% quando abastecido e com pilotos e passageiros. Isso reduzia os efeitos que a transferência de peso provocava em frenagens e acelerações, proporcionando uma dinâmica de condução mais constante. Randle até considerou o uso de uma suspensão inteligente controlada por computador, mas foi descartada pelo aumento de peso que acarretaria, além do aumento da complexidade dos sistemas, e por tabela, um item a mais para manutenção e reparos em caso de panes. As versões de pista (LM, GTR, e outras) tinham uma especificação de suspensões pouco diferente dos carros de rua, para não prejudicar o conforto de marcha aos que rodavam com seus carros em rodovias.

Equipado com pneus 235/45ZR17 na dianteira e 315/45ZR17 na traseira, especialmente concebidos e desenvolvidos para o McLaren F1 pela Goodyear e Michelin, são montados em rodas de magnésio fundido de 17 polegadas de diâmetro e 9 polegadas na frente e 11,5 na traseira. O raio de giro é de 13 m e o volante vira 2,8 voltas de batente a batente.

Com toda a tecnologia, os freios feitos pela Brembo não são assistidos, mas ventilados e perfurados, com discos de 332 mm na frente e 305 mm atrás. A decisão foi devido ao aumento da massa, complexidade do sistema e a perda de sensibilidade por parte do piloto, ao custo de exigir mais do motorista nas frenagens. Murray cogitou em utilizar os freios de carbono da Formula Um, mas os testes indicaram que a tecnologia para uso em ruas ainda não estava suficientemente madura. Uma das principais razões era o nível de aquecimento necessário para atingir a melhor eficiência nas frenagens, algo que não ocorria em condução de não-competição; no entanto, a versão GTR foi equipada com discos de carbono-cerâmica.

Os calipers são de alumínio, com quatro pistões, e um controle computadorizado aciona mecanicamente as pinças traseiras fazendo-se de freio de estacionamento. Os calipers são usinados a partir de uma só peça, em contraste com o padrão de duas metades fixadas por parafusos.

O acionamento do spoiler traseiro força o ar em direção aos condutos de refrigeração que se abrem quando em operação.

A caixa de velocidades manual tinha seis marchas, com uma embreagem de discos triplos, em carbono AP, numa carcaça de alumínio (a GTR tinha uma carcaça de magnésio). As relações de marchas eram 3,23:1 – 2,19:1 – 1,71:1 – 1,39:1 – 1,16:1 e 0,93:1, com 2,37:1 na relação do diferencial. Esta caixa foi desenvolvida especialmente para o F1 pela Weissmann, e o diferencial Torsen LSD (Limited Slip Differential) tinha um bloqueio de 40%.

O volante era de alumínio com dimensões e massa absolutamente necessários para que o torque do motor seja transmitido ao câmbio. A meta era diminuir a inércia rotacional e aumentar a capacidade de resposta do conjunto Motor/Câmbio às mudanças de marchas e acelerações. Isto foi possível devido ao virabrequim não ter contrapesos ou amortecedores contra vibrações, sendo muito equilibrado dinamicamente.

Amenidades num carro de alto desempenho

Surpreendentemente, o McLaren F1 tinha um sistema de ar-condicionado, raridade na maioria dos carros esporte (roubam potência do motor). A razão era que Murray possuía um Honda NSX, com que rodou por sete anos, sem nunca precisar ajustar os controles automáticos, e queria o mesmo no F1. Outros recursos incluíam o descongelador/desembaçador do para-brisas e vidros laterais, que eram de acionamento elétrico, trava central de acionamento remoto, um Sistema de Som Estéreo CD Kenwood de dez discos, portas de acionamento elétrico, compartimento de bagagens na cabine, quatro faróis de alta performance, luzes de nevoeiro traseiras, luzes de cortesia em todos os compartimentos, luz de leitura para mapas, um kit de ferramentas de titânio Facom e kit de primeiros socorros. Acompanhava também um kit de malas de viagem feito especialmente para aproveitar o porta-malas (que abria na lateral do carro), que era acarpetado. Um brinde adicional era uma bolsa de golfe sob medida com seus tacos.

O carro não tinha air-bags, mas cada cliente recebeu uma edição especial do relógio cronógrafo TAG-Heuer 6000 Chronometer com seu número de série gravado no console central.

Para um carro tão exclusivo, para clientes especiais, as regulagens de bancos e volante eram feitas na fábrica, para cada cliente no posicionamento ideal; portanto, banco, altura do volante e pedais eram ajustados numa visita do cliente e assim eram montados, permanecendo fixos, sem possibilidade de outros ajustes para outro condutor. Os bancos são recobertos de couro Light Connoly, e feitos à mão pela CFRP. Murray ficou obcecado com a economia de peso, e por isso todos os materiais eram o mais leve possível, assim também o revestimento estético do painel tinha apenas 0,5 mm de espessura.

Nem o sistema de som escapou das manias de Murray. Encomendado para a Kenwood, foi projetado um sistema muito leve para o F1, e de acordo com o gosto musical de cada cliente, mas o rádio foi omitido porque Murray nunca ouviu radio nos carros que usava.

O McLaren F1 tinha também um sistema com modem que permitia o atendimento ao cliente acessar remotamente as informações da ECU (Electronic Central Unit) para ajudar o motorista no caso de uma falha no veículo.

Foram fabricadas 106 unidades do F1, sendo 64 carros de rua padrão, 5 eram LM (versão preparada para corridas GT), 3 eram versões GT de cauda longa, 5 protótipos (XP), 28 unidades de corrida (GTR) e 1 protótipo LM (XP LM). A produção começou em 1992 e terminou em 1998. Um carro levava cerca de um mês e meio pra ficar pronto.

Embora encerrada em 1998, há oito centros de atendimento autorizados em todo o mundo, para suporte e assistência aos proprietários, que podem receber a visita de um técnico especializado para os casos mais sérios. Em casos de acidentes ou necessidade de reparos mais graves, o carro pode ser enviado para a McLaren para a execução dos serviços conforme as especificações originais.

Dados de aceleração:

0-30 mph (48 km/h): 1.8 s

0–60 mph (97 km/h): 3.2 s

0–100 mph (160 km/h): 6.3 s

0–124.28 mph (200.01 km/h): 9.4 s

0–150 mph (240 km/h): 12.8 s

0–200 mph (320 km/h): 28 s

30 mph (48 km/h)-50 mph (80 km/h): 1.8 s, using 3rd/4th gear

30 mph (48 km/h)-70 mph (110 km/h): 2.1 s, using 3rd/4th gear

40 mph (64 km/h)-60 mph (97 km/h): 2.3 s, using 4th/5th gear

50 mph (80 km/h)-70 mph (110 km/h): 2.8 s, using 5th gear

180 mph (290 km/h)-200 mph (320 km/h): 7.6 s, using 6th gear

0–400 m (0.25 mi): 11.1 s at 138 mph (222 km/h)

0–1,000 m (0.62 mi): 19.6 s at 177 mph (285 km/h)

TESTES DE DESEMPENHO

Circuito de Tsukuba, volta mais rápida: 1:04.62.

Campo de Provas Millbrook, Bedfordshire, 2-mile (3.2 km): média de 195.3 mph (314.3 km/h), máxima de 200.8 mph (323.2 km/h) (pilotado por Tiff Needell, protótipo XP5).

Circuito de MIRA, 2.82-mile (4.54 km): média de 168 mph (270 km/h), máxima de 196.2 mph (315.8 km/h) (pilotado por Peter Taylor).

RECORDES HOMOLOGADOS

O título de “Carro de produção Mais Rápido do Mundo” está sempre em questionamento, especialmente pela expressão “Carro de Produção”, que não tem uma definição clara.

O McLaren F1 tinha uma velocidade máxima de 240 mph (386 km/h), restrito pelo limitador de rotações em 7500 rpm. A velocidade máxima real obtida pelo modelo foi em abril de 1998, pelo protótipo XP5, de cinco anos de idade. Andy Wallace pilotou o carro por uma extensão de 9 km, na pista de testes da Volkswagen, em Ehra-Lessien, Alemanha, registrando o novo recorde de 241 mph (391 km/h) a 8300 rpm. O piloto Mario Andretti comentou que se o McLaren F1 tivesse uma sétima marcha, provavelmente atingiria uma velocidade maior, pois o dado foi conseguido a 7800 rpm, ao passo que a potencia máxima é atingida a 7400 rpm.

PRODUÇÃO TOTAL POR VERSÕES:

Versões

Road

Protótipos

Racing

Totais

F1

65

5

 

70

F1 LM

5

1

 

6

F1 GT

2

1

 

3

F1 GTR

 

 

28

28

Totais

72

7

25

107

Das versões de rua, os 64 exemplares vendidos tinham várias modificações conforme eram produzidos e entregues, sendo que um exemplar permaneceu no Showroom da McLaren em Londres por uma década, até ser vendido em 2004, aumentando para 65 o total da versão de rua.

PROTÓTIPOS

Cinco protótipos foram construídos, denominados de XP1 a XP5: o XP1 foi o protótipo apresentado ao público e que depois acabou destruído na Namíbia. O XP2 foi usado para testes de colisão e também destruído. O XP3 fez testes de durabilidade, o XP4 foi usado para testes das transmissões e o XP5 foi usado para as fotos publicitárias e testado por reporterEs nas apresentações à mídia especializada. Todos tinham cores diferentes  ̶  exceto o XP2 que não recebeu pintura  ̶  e cada um era identificado pelo Código do chassi pintado no painel lateral. O XP3 está em poder de Gordon Murray, o XP4 foi visto por muitos espectadores do Top Gear, apresentado por Tiff Needell em meados da década de 1990, enquanto o XP5 foi usado no teste de velocidade máxima na pista de testes da VW.

AMERITECH

O Ameritech McLaren F1 era um modelo standard adaptado para as normas americanas, como redução das emissões, e consequentemente da potência do motor. Devido à impossibilidade de instalação de airbags para os dois passageiros, a versão Ameritech tinha apenas o assento do piloto central, além de outras modificações/adaptações menos visíveis.

Dick Fritz, da Amerispec Corp usou seus contatos e algumas brechas na lei de importação de veículos nos EUA para trazer sete exemplares do F1 para as terras americanas. Cada um deles recebeu um novo VIN (Vehicle Identification Number), com o dado de 1995 como o ano de fabricação, no entanto, os chassis #042, #044 e #045 eram realmente de 1995, o #055 era de 1996 e os #062, #067 e #074 eram de 1997.

Seis exemplares eram na cor cinza prata, mas o sétimo era em preto, e esse pertence a Jay Leno, Famoso apresentador de TV e possuidor de uma grande coleção de carros famosos.

DDR Motorsport

DDR Motorsport

O construtor DDR Motorsport constrói uma replica do F1 baseado no Toyota MR2 SW20 Turbo. Os modelos são feitos em fibra de vidro, com volante à esquerda ou direita, conforme o país do cliente. A mecânica é toda do Toyota MR2.


MCLAREN F1 LM – FICHA TÉCNICA

Ano do lançamento

1995

Classe

Carro esporte

Configuração

Coupe duas portas com 3 lugares

Layout

Motor central traseira, tração traseira

Motor

BMW 6,1 Litros, V12

Transmissão

Manual de 6 velocidades

Entre-eixos

2.718 mm (107,0 polegadas)

Comprimento

4,365 mm (171,9 polegadas)

Largura

1,820 mm (71,7 polegadas)

Altura

1,120 mm (44,1 polegadas)

Peso seco

1.062 kg (2,341 lb)

Apenas cinco McLaren F1 LM (LM significava Le Mans) foram construídos, em homenagem aos cinco carros que terminaram as 24 Horas de Le Mans em 1995, incluindo o vencedor.

O peso foi reduzido em cerca de 75 kg no total de 1.062 kg, pela remoção de várias peças de acabamento (isolamento de ruídos, Sistema de som, revestimentos internos, ventilador traseiro que removia ar de baixo do carro e mecanismo do spoiler móvel) e uso de equipamento opcional. O carro tinha o eixo traseiro modificado e novos elementos aerodinâmicos, rodas de liga de magnésio de 18 polegadas com desenho especial, e nova caixa de câmbio. O F1 LM usava o mesmo motor da versão F1 GTR de 1995, porém, sem os limitadores de rotações, atingindo 680 hp a 7800 rpm e 520 lbf.ft a 4500 rpm, e chegando a 225 mph (362 km/h), que era menos do que a versão standard, por causa do maior arrasto aerodinâmico.

McLaren F1 LM
Dados oficiais indicavam uma aceleração de 0-60 mph (97 km/h) em 3,9 segundos e 0-100 mph (161 km/h) em 6,7 segundos. A versão LM também mantém o recorde de 0-100-0 mph em 11,5 segundos, pilotado por Andy Wallace na pista da Base Aérea da RAF Alconbury em Cambridgeshire.

Os F1 LM podiam ser identificados pela sua cor Orange Papaya; eles foram pintados nessa cor em memória de, e num tributo a Bruce McLaren, cuja cor official era sempre essa Papaya Orange.

Apesar de cinco exemplares terem sido vendidos, uma sexta unidade existe na forma do XP1 LM, o protótipo baseado no F1 normal que recebeu as modificações para se tornar o novo F1 LM. Esta unidade também tem a cor Papaya Orange e está em poder da McLaren Cars. É avaliado em cerca de US 4 milhões, e foi prometido em 2008 pelo CEO da McLaren, Ron Dennis, para o seu piloto Lewis Hamilton se ele vencesse o bi-campeonato de Formula Um, o que não aconteceu.

F1 GT

A última versão do carro para Estrada, o F1 GT foi concebido para ser especialmente homologado na FIA para correr contra os Porsche e Mercedes na antiga BPR Global GT e no novo Campeonato FIA GT. As alterações que a categoria exigia obrigou a McLaren a construir carros de rua com estas especificações para atender a homologação na competição.

McLaren F1 GT

O F1 GT apresentava a mesma Carroçaria com a traseira estendida que os GTRs para conseguir maior downforce e reduzir a resistência aerodinâmica, mas não tinha o aerofólio como no F1 LM. O downforce conseguido com este design foi considerado suficiente para não precisar do acessório. A dianteira também era semelhante ao LM, com aberturas extras e para-lamas alargados para acomodar rodas e pneus maiores. O interior foi modificado e um volante de corrida foi incluído no lugar do padrão.

Os Mclaren F1 GT foram construídos com base nos chassis de rua, mantendo os seus números de série. O GT Protótipo, conhecido como XPGT, era um F1 de chassis #056, e ele ainda está de posse da Mclaren. Tecnicamente, a empresa poderia construir apenas um exemplar, e nem teria de vendê-lo. Entretanto, os pedidos dos consumidores levaram a Mclaren a construir duas versões de produção que foram vendidas. Elas receberam os códigos de chassis #054 e #058.

MOTORSPORTS – McLaren F1 GTR


Na sequência do lançamento do F1 de rua, as escuderias convenceram a McLaren a construir versões de corrida para competir na series internacionais. Três diferentes versões foram desenvolvidas de 1995 a 1997. Muitos F1 GTR’s, depois que não puderam mais competir devido às mudanças de regulamento da FIA, foram convertidos para uso em rodovias. Adicionando silenciadores, assentos dos passageiros, reajustando as suspensões para maior altura de rodagem e conforto, remoção dos equipamentos de corrida, permitiam que os carros fossem homologados para circular normalmente nas ruas e estradas.

F1 GTR 1995

Construído a pedido das escuderias, como a de Ray Bellm a Thomas Bscher, para competir na BPR Global GT Series, o McLaren F1 GTR era um carro de corridas especialmente preparado, com um motor cujo modulo de gerenciamento aumentava sua Potência  ̶  entretanto, as normas do regulamento que restringia as entradas de ar reduziam a Potência para cerca de 600 hp a 7500 rpm. As maiores modificações incluíam alterações nos painéis da Carroçaria, suspensão, apliques aerodinâmicos e no interior. O F1 GTR iria obter seus melhores resultados nas 24 horas de Le Mans de 1995, conquistando o primeiro, terceiro, quarto, quinto e decimo-terceiro lugares, batendo inclusive os protótipos da classe GT.

No total, nove F1 GTR’s foram construídos em 1995.

F1 GTR 1996


Para o ano seguinte, a McLaren continuou a desenvolver o modelo de 1995, buscando o ganho de peso para conseguir maior desempenho. Nove unidades foram construídas para 1996, enquanto os modelos de 1995 ainda competiam pela equipes privadas. O F1 GTR 1996 de chassi #14R ficou Famoso por ser o primeiro carro não-nipônico a vencer uma corrida do Campeonato All-Japan Grand Touring Car (JGTC). O modelo foi piltado por David Brabham e John Nielsen. O peso havia sido reduzido em cerca de 100 kg em Relação ao modelo de 1995 e o motor mantinha os 600 hp conforme o regulamento da época.

F1 GTR 1997


Com a homologação oficial do F1 GTR, a McLaren foi motivada a desenvolver o F1 GTR para a temporada de 1997. O peso foi novamente reduzido, atingindo agora 910 kg (2000 lb); e um câmbio sequencial foi instalado. O motor teve sua cilindrada reduzida para 6.0 litros ao invés do original que tinha 6.1 litros. Devido às alterações no design da traseira, o modelo ficou designado como “Longtail”, devido à carroceria estendida para aumentar o downforce. Um total de dez exemplares do F1 GTR 1997 foram construídos.



Uma história real

Em 1994, o banqueiro alemão Thomas Bscher correu em Le Mans com um Porsche 968 Turbo. Feliz com seu desempenho, resolveu comprar um carro para competir mais seriamente no ano seguinte. Como era amigo de Ron Dennis, adquiriu um F1 GTR de competição e outro F1 normal, de rua.

Nessa época, o banqueiro/piloto costumava, duas vezes por semana, sair de sua casa em Köln (Colônia) para visitar a bolsa de valores em Frankfurt, uma viagem de 210 km em autobahn. Com seu 911 Turbo fazia a viagem em 1h20min, de porta a porta. Com o McLaren passou a realizá-la em apenas 1h. Com duas semanas de uso, porém, acendeu-se no painel do F1 a luz de check engine. Em casa, Bscher plugou o carro ao modem e os engenheiros da McLaren na Inglaterra descarregaram os dados para análise - o F1 grava cada movimento seu, como uma caixa-preta de avião. No dia seguinte, Bscher recebeu uma ligação:

"Senhor, estamos com algum problema na caixa-preta. Ela registrou velocidades de 325, 340, 320 km/h, um monte delas, em um período de apenas duas semanas! Certamente há algo errado..."

Do outro lado, o engenheiro da McLaren somente ouvia em resposta boas risadas, de um homem obviamente feliz com a forma como investiu um milhão de dólares.

50 anos da morte de Bruce McLaren

Bruce McLaren fundou sua equipe de corridas para fazer os Formula 1 em que competia, depois construiu os poderosos M8A e B para correr na Can-Am. E foi num deles, um M8D, quando testava na pista de Goodwood que faleceu aos 32 anos, em 2 de junho de 1970. A McLaren prestou sua homenagem a Bruce, colocando uma estátua de bronze em sua sede em Woking, em 2 de junho de 2020. Ela foi desvelada pela filha de Bruce, que tinha apenas 4 anos quando seu pai faleceu, agora Embaixadora da Marca McLaren Automotive.

No Youtube, há um vídeo feito em homenagem a Bruce, vale a pena assistir (no link das REFERÊNCIAS).

EM ESCALA

Diversos fabricantes foram licenciados pela McLaren para fabricar modelos em escala do F1, tanto em Die-Cast, como em kits para montar. Empresas como a Mattel, AutoArt, Maisto, UT Models, Minichamps/Paul Model’s Art, Guiloy, AutoBarn; Revell e Tamiya colocaram no Mercado diversos modelos em várias escalas. Muitos destes modelos já estão fora de produção, fazendo com que os anúncios da alguns modelos à venda sejam disputados pelos colecionadores.

F1 GTR Papaya Orange, da UT Models na escala 1:18



F1 GTR de Le Mans 1995, da Minichamps 1:43


As que tenho na minha coleção são estas: F1 GTR na escala 1:18, da UT Models na tradicional cor Papaya Orange; duas F1 GTR em 1:43, uma da Minichamps GULF Racing de Le Mans 1995, e outra laranja da equipe Franck Muller Le Mans de 1996. As duas F1 GTR em 1:64, da Hot Wheels, uma da Série Car Culture GULF Racing sem identificação da corrida ou ano de participação; e outra branca do Set Exotic Cars com cinco outras minis.

Ainda outra F1 GTR, da série British Horse Power, decorada com o logo da GULF Racing, nº 21, Real Riders, com rodas especiais e pneus de borracha, bem detalhada nos decalques, os faróis marcados. A outra laranja é uma F1 normal, um casting diferente das GTR, que vem com o aerofólio na traseira, essa recebeu pneus da AC Custon, com o logo da Goodyear nas laterais.

A última é da TOMICA, em 1:62, muito caprichada, com os recortes na carroçaria, apesar de não ter nenhuma parte móvel, mas é muito bonita, as rodas bem parecidas com as originais, na cor laranja tradicional dos McLaren, faróis e lanternas de plástico, separadas do metal.

  

F1 GTR Le Mans 1996, da Minichamps 1:43

F1 GTR GULF Racing, da Hot Wheels 1:64 - Série Car Culture GULF
McLaren F1, Mainline Hot Wheels 1:64

McLaren F1 GTR_GULF Racing Nº 21 - da Série British Horse Power


F1 GTR da Série Exotic Cars, Set com cinco minis da Hot Wheels
McLaren F1 - TOMICA 1:62



REFERÊNCIAS

http://www.autoentusiastas.com.br/2018/05/wd-40-e-o-mais-importante-carro-esporte-dos-tempos-modernos/

https://en.wikipedia.org/wiki/McLaren_F1

Road&Track Magazine, Special Series, January 21, 1994

https://jalopnik.com/hey-jay-leno-great-news-theres-a-mclaren-f1-ameritech-1548875316

https://en.wikipedia.org/wiki/McLaren_F1_GTR

https://www1.uol.com.br/bestcars/supercar/mclaren-1.htm

https://cars.mclaren.com/en/latest/post/bruce-mclaren-50th-anniversary

https://www.youtube.com/watch?v=w3dkwXGaETE









quinta-feira, 6 de maio de 2021

Carros e Filmes: Grumobile de "Meu Malvado Favorito"


Veículo de Felonius Gru, personagem da animação Meu Malvado Favorito (Despicable Me, Julho/2010). É um enorme veículo propelido por uma turbina, capaz de alcançar altas velocidades em poucos segundos.

O carro é alto, com a cabine no topo da dianteira, e deduz-se que há um espaço abaixo onde ficam os passageiros, especialmente as meninas Agnes, Edith e Margo, órfãs adotadas por Gru para atingir seu objetivo de roubar a Lua, e assim, praticar o Roubo do Século, em contraponto ao roubo da Pirâmide de Gizé, até então dona do título. Gru tem a ajuda dos Minions, criaturas amarelas que sempre necessitam de um líder para os guiar em tudo o que fazem.



Assim como em alguns filmes, esses coadjuvantes acabaram fazendo mais sucesso do que os personagens principais, e mereceram estrelar animações separadas da série original: Minions (2015) e Minions: The Rise of Gru (previsto para Julho/2022).

Pelo aspecto das chapas metálicas rebitadas, o casco do Grumobile parece ser blindado, como a carroçaria de um tanque de guerra. O Grumobile aparece em todas as três animações (Despicable Me 2 em 2013, e Despicable Me 3 em 2017) com Felonius Gru, os Minions, as meninas Agnes, Edith e Margo. Na terceira animação o Grumobile é transformado numa nave, capaz de voar, e seu design é alterado para as novas funções do veículo.








EM ESCALA

Várias empresas reproduzem o Grumobile, entre elas, a Matell, com seu Hot Wheels, e a TOMICA, incluindo Dave no cockpit do modelo.






domingo, 11 de abril de 2021

Carros e Filmes: Toyota Supra MK IV 1995 - The Fast & The Furious (2001)


Uma das mais famosas cenas da franquia de "Velozes e Furiosos" foi o "racha" entre Brian O'Connor e Dominic Toretto, com o Supra e o Charger 70 exibindo o poderoso Blower sobressaindo pelo capô.

A customização do Supra começa pela cor laranja perolizada da Lamborghini, com um 'body kit' da Bomex, dando a impressão que estava em velocidade, mesmo estacionado.

Enormes rodas de 19 polegadas, da Racing Hart M5 Rims; faróis de Xenon e sistema de luz neon dava o charme do veiculo ao rodar à noite.

O capô de compósito dianteiro veio da TRD (Toyota Racing Division), o aerofólio elevado da APR fornecia o downforce na traseira e os gráficos feitos por Troy Lee Graphics (algumas fontes registram San Diego's Modern Images) completavam seu visual.


No interior, nada menos do que três telas de DVD, uma delas escondida no capô traseiro. Havia um console PlayStation 1 no painel; woofers de 12 polegasdas da Image Dinamics, e até uma filmadora Minolta VHS-C. Os bancos SPARCO "Pista" de corrida estofados em suede na cor Viper Blue; acabamento no volante e cintos de segurança e painel em fibra-de-carbono, que exibia um conta-giros de 5 polegadas, além de inúmeros outros mostradores.

De fábrica, trazia no cofre do motor um seis em linha de 3 litros (código 2JZ-GTE), duplo comando e 24 válvulas, dois turbos sequenciais em vez de paralelos e 320 hp, mas o carro de Brian foi tunado e produzia 544 hp a 6800 rpm, fazendo de 0-60 mph em 4,3 segundos, com máxima de 185 mph (297 km/h). Alguns equipamentos adicionados ao modelo eram os intercoolers da GReaddy, coletores de admissão e exaustão especiais, radiadores de óleo, comandos especiais, cabeçote especial e cilindros ambos polidos, turbinas Turbonetics T-66 roletados e válvulas de alívio Delta II, e o sistema NOS (Nitrous-Oxide System), que somava mais 100 hp durante alguns segundos. O câmbio GETRAG/Toyota V160 era manual, tinha seis marchas com um adaptador sequencial, com uma embreagem Stage III de competição para mudanças mais rápidas.




Na suspensão, conjuntos de mola-amortecedor Bilstein com molas Eibach; barras estabilizadoras Stillen e buchas especiais. Discos de freio perfurados também da Stillen, com pinças de seis pistões da AP Racing completavam o conjunto com as rodas de aluminio de 17 polegadas.

Para as filmagens de Fast & Furious (2001), foram preparados diversos exemplares do Supra, por Eddie Paul, da The Shark Shop, em El Segundo, California. O exemplar que rodou a cena do racha final na verdade não era equipado com motor turbo, tendo apenas 230 hp. Este carro foi leiloado em maio de 2015 pela Mecum Auctions, em Indianapolis, por US$ 185,000.

Paul Walker, como Brian O'Connor e o Supra.


EM ESCALA


O modelo da ERTL em 1:18 traz um bom detalhamento, na cor laranja vibrante, e os decalques correspondentes do modelo do filme, não há o teto removível, pode-se ver o interior com os assentos de corrida, painel com os instrumentos, volante e câmbio, assim como os botões do NOS. As portas, capô dianteiro e traseiro se abrem, este, exibindo os cilindros de NOS no porta-malas.

O exemplar da TOMICA, na linha Dream, que agrega os temáticos associados aos filmes, e desenhos animados, em 1:64 também tem bom acabamento, e detalhamento razoável devido à escala. As rodas são as padrões da TOMICA, não correspondendo em design, ao original.



https://www.topspeed.com/cars/toyota/1995-toyota-supra-turbo-mk-iv-the-fast-and-the-furious-ar161437.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Toyota_Supra

https://www.motorauthority.com/news/1029273_original-fast-and-furious-toyota-supra-sells-for-185000-at-auction

sábado, 30 de janeiro de 2021

Corvette - Geração C1 - 1953-1962

Assim como as linhas do Corvette impressionaram Ed Cole, engenheiro-chefe da Chevrolet, o público da Motorama de 1953 também se apaixonou pelo Corvette, porque o design era inegavelmente bonito, e sua carroceria de fibra-de-vidro era uma inovação no mercado. Sua distribuição de peso era muito boa, favorecendo a maneabilidade, junto com uma direção mais rápida, ajudava a ter a sensação de um carro nervoso. A suspensão dianteira era independente, com braços triangulares superpostos e molas helicoidais, e a traseira era por eixo rígido (por isto, esta geração ficou apelidada desolid-axle Corvettes’); e os freios eram a tambor nas quatro rodas. E o motor Blue Flame, seis cilindros em linha, de 235 cid (3.859 cc), com diâmetro dos pistões de 90,4 mm e curso de 97,5 mm; equipado com três carburadores Carter horizontais simples e duas válvulas por cilindro, rendia 150 HP de potência bruta, chegando a 170 km/h; chegou a 160 HP com alterações no comando no ano seguinte. O câmbio automático Powerglide de duas marchas, tinha a primeira bem curta, apenas para tirar o carro da inércia; enquanto a segunda era direta, para manter a velocidade de cruzeiro. O controle das variações para mais força, quando necessário, ou velocidade, era ajudado pelo conversor de torque, que funcionava sob o princípio de alavancagem hidráulica mediante uma roda de palhetas localizada entre o impulsor e a turbina, que atua até uma determinada rotação. O sistema elétrico era de 6 volts.

No entanto, mesmo para a engenharia da época, esta combinação de motor e câmbio eram patéticos para um carro esporte.

Além disso, o Corvette não era um carro barato. O valor de US$ 3.498 era 75% mais caro do que Harley Earl intencionava para o carro. Era 1.225 dolares mais caro do que o Chevy 210 Station Wagon de luxo para oito passageiros, 272 dolares mais caro do que o Chevy 150 Sedan de duas portas. Em relação ao tamanho, era muito maior do que os esportivos europeus, mas bem menor do que os sedans americanos. Media 4,25 m de comprimento, 1,77 m de largura e 1,31 de altura. Com entre-eixos de 2,493 m, bitola dianteira de 1,447 m e traseira de 1,493 m, pesava 1.310 quilos, e seu tanque de combustível tinha capacidade de 68 litros de gasolina. Os únicos opcionais disponíveis eram o aquecedor e o Radio AM com a antena embutida na tampa do porta malas.

A Revista Motor Trend testou um dos primeiros Corvette e marcou 11,5 segundos na aceleração de 0 a 60 mph. Mas a publicação não ficou impressionada com o carro. O jornalista escreveu: “Provavelmente, uma das maiores surpresas que tive com o carro foi quando fiz algumas curvas fechadas numa boa velocidade. Eu tinha ouvido falar que a Chevrolet tinha projetado uma suspensão para que o Corvette ficasse estável e aderisse bem nas curvas. Ele é melhor do que alguns carros importados que já dirigi.”.

Corvette 1953 na cor Polo White e interior Sportsman Red

Todas as 300 unidades do Corvette produzidos em 1953 eram na cor Polo White, com interior na cor Sportsman Red, pois a linha em Flint, Michigan, fora improvisada para colocar o carro em produção o mais rápido possível. Alguns problemas, como infiltração de água e portas que se abriam com o carro em movimento, foram sendo corrigidos à medida que a produção caminhava; pois o Corvette era praticamente o show-car colocado em produção. Seu grande apelo comercial era o design que cativou o público, mas o fraco desempenho do motor Blue Flame de seis cilindros, para um modelo esportivo, decepcionava os compradores e fez a má fama do Corvette no seu primeiro ano de vida. Dos 300 exemplares que foram fabricados, 255 sobreviveram e estão registrados oficialmente.

Em dezembro de 1953, o modelo 1954 já era produzido no prédio da antiga marcenaria em St. Louis, Missouri, e não mudou praticamente nada, apenas que agora poderia ser encomendado nas cores Pennant Blue, Sportsman Red, Sportsman Black e claro, ainda a Polo White. Um total de 3.640 unidades saíram de St. Louis, mas muitas delas ficaram nos concessionários por meses, e algumas por anos, à espera dos compradores. Apesar do design atraente, a menos que ele tivesse o desempenho correspondente, os compradores não estavam interessados nele. O desempenho com o motor seis cilindros Blue Flame definitivamente não correspondia ao que o visual prometia, e o público rejeitou o Corvette. Nuvens negras sobre o seu futuro começavam a se formar no horizonte da Chevrolet.

O Corvette e os demais conceitos.

O índice de vendas não foi muito promissor. No final de 1954, as concessionárias tinham 1.500 unidades encalhadas, e o ambicioso projeto parecia caminhar para um desfecho negativo. Naquela época, o carro custava US$ 3.523, quase o dobro do que Earl imaginava sobre o preço de venda. O Corvette acabou convertido em um automóvel para estudantes.

Mas as coisas começaram a mudar para o Corvette. Zora Arkus-Duntov, no seu segundo ano de GM, assumiu a unidade Corvette em 1955 como engenheiro-chefe, preocupado com os baixos números de vendas (foram apenas 700 unidades produzidas em 1955) e com o desempenho do carro, reivindicou mudanças no modelo. Concorrentes como a Ferrari 410 S e o 375 America possuíam motores V12 com mais de 300 cv. Para o ano-modelo 1956 foram feitas mudanças que não só o atualizaram, mas também revigoraram o estilo e aumentaram a potência e desempenho. Por isso, os conhecedores da marca consideram este como o primeiro Corvette “verdadeiro”, no que se refere às características básicas do esportivo.

Zora Arkus-Duntov,
Engenheiro-Chefe da Chevrolet
O lançamento do Ford Thunderbird no Detroit Auto Show, em 1954, era a resposta da Ford para o Corvette da GM. Ao invés de posicionar o Thunderbird como um carro-esporte, a Ford criou um novo segmento: o carro pessoal de luxo. Com dois lugares, e um V8 debaixo do capô, o T-Bird, como ficou apelidado, esbanjava desempenho, e era focado no conforto aos seus ocupantes. Colocado à venda em 22 de outubro de 1954, como modelo 1955, vendeu 3.500 unidades em apenas 10 dias; estimado para vender 10.000 unidades, o ano de 1955 viu 16.155 deles tomarem as ruas. Diversos comentaristas afirmam que o sucesso do Thunderbird foi o fator que fez a GM manter o Corvette em produção.

Em 1954, o então Engenheiro-chefe da Chevrolet Mauri Rose (três vezes vencedor da Indy 500), junto com o lendário Smokey Yunick instalou um V8 de 283 cid (4.637 cc) num Corvette mula de teste, recebendo o codinome EX87. Após os testes iniciais de desenvolvimento, o carro foi transferido para Duntov, na Engenharia da Chevrolet, recebendo então o código 5951.

Duntov aumentou a cilindrada de 283 para 307 cid, instalou o comando de válvulas Duntov High-Lift de sua própria concepção; também modificou o carro trocando o para-brisas por um curvo, bem menor, de plexiglass, e cobrindo o lugar do passageiro com um painel de fibra de vidro. Atrás do piloto, ele colocou um apoio de cabeça com uma barbatana, copiando o estilo do Jaguar D-Type. Levado ao Campo de Provas de GM, o carro atingiu 163 mph (262 km/h), uma marca excelente em 1955.

O Corvette EX87, início das competições.
Esse motor com estas modificações foi transferido para outro Corvette, de codinome 6901. Duntov trabalhava muito para deixar o Corvette competitivo nas pistas, e consequentemente fortalecer sua imagem no mercado. Além do comando Duntov High-Lift, ajudou a equipar o Corvette com injeção de combustível em 1957; credita-se a Zora também a primazia de equipar carros de grande produção com freios a disco nas quatro rodas.

O Corvette agora atingia a máxima de 200 km/h mas seu câmbio ainda tinha três marchas, opcionalmente podia vir com dois carburadores, capaz de desenvolver 225 hp. Neste ano, o sistema elétrico foi alterado para 12 volts, enquanto os equipados com o motor seis cilindros mantinham o sistema de seis volts.

O novo motor acarretou alterações na suspensão dianteira, e na parte dianteira do habitáculo, que geraram críticas ao novo modelo. A primeira era que os assentos ficaram um tanto elevados, prejudicando condutores mais altos, especialmente quando a capota estava levantada. A segunda era que os pedais ficaram muito verticais, o que provocava cansaço em viagens mais longas. Mesmo assim, o Corvette retomou seu espírito esportivo, com sua alma renovada pelo novo motor.

Com muitos exemplares de 1954 entupindo as lojas, em 1955, a Chevrolet restringiu a produção a apenas 700 unidades, dos quais apenas meia dúzia ainda com o seis em linha.

Corvette 1956

O Corvette 1956 foi o que determinou o padrão de dois lugares do legítimo carro esportivo americano. Mantendo o mesmo chassi dos anos anteriores, retoques na carroceria deixaram o modelo 56 realmente lindo. A grade cromada na abertura frontal, os recortes laterais dos para-lamas avançando pelas portas, a traseira com design mais limpo e arredondado; os faróis dianteiros passaram a ser mais proeminentes, o cockpit, com os assentos encaixados numa moldura na cor da carroceria que descia entre os bancos, a capota rígida removível (que ficou conhecida como “hard top”), com um vidro traseiro no lugar do plástico transparente, era oferecida como opção pela primeira vez, fez com que muitos considerem os modelos 56 e 57 como os mais belos Corvette de todos os tempos. A publicidade argumentava: “Parece diferente, e realmente é.”. Ao todo, 3.467 exemplares deixaram a fábrica, reacendendo as esperanças da GM com o modelo.

Sobre o design da lateral do Corvette, comenta-se que foi inspirado em uma versão da Ferrari 375 America, feita a pedido do cineasta italiano Roberto Rosselini para presentear a sua mulher, a bela atriz sueca Ingrid Bergman. Neste modelo único da Ferrari, o desenho original de Pininfarina sofreu alterações realizadas em Modena pelo carrozziere Sergio Scaglietti. Dentre elas, destacava-se uma cavidade na lateral, acompanhando o corte das rodas dos para-lamas dianteiros.

Não podemos esquecer que Harley Earl tinha como estratégia investir em desempenho para elevar os conceitos da GM junto ao público jovem, e a vinda de Zora Arkus-Duntov estava dentro do escopo para atingir seus objetivos. O ano de 1956 foi um marco na história do Corvette, pois foi com este modelo que a Chevrolet começou a participar de competições. O único motor V8 que tinham era o 265 cid, com carburador de quatro corpos e três versões de potência: 210, 225 e 240 hp, conforme a taxa de compressão e comando de válvulas. O câmbio de três marchas manual Borg-Warner constava junto com a Power Glide no catálogo, mas em pouco tempo, esta passou a equipar apenas 20% dos modelos vendidos.

O Corvette em Daytona Beach
No Florida Daytona Speedweeks, em fevereiro de 1956, Duntov apareceu com novos “Vettes” para John Fitch e Betty Skelton. Cabeçotes retrabalhados, compressão de 10,3 :1, e algumas peças especiais faziam o “Small Block” produzir 255 hp. Pedais de alumínio e para-brisas reduzidos para diminuir a resistência ao ar, cobertura para o assento do passageiro com o mesmo objetivo, eram detalhes que fizeram diferença. Os Corvettes fizeram bonito na prova, com Fitch atingindo 145,5 mph (234,1 km/h) e Skelton 137,8 mph (221,7 km/h); enquanto o terceiro colocado, um Ford Thunderbird chegou apenas a 134,404 mph (216,2 km/h).

Na sequência, depois de Daytona Speedweeks, nas 12 Horas de Sebring a Chevrolet levou o SR-2 de corrida; com um desenho exuberante e aerodinâmico. Conta-se que quando Harley Earl soube que seu filho Jerry iria correr as 12 Horas de Sebring com uma Ferrari 250MM, ele imediatamente começou a trabalhar num Corvette para Jerry. A Chevrolet já tinha pilotos para a corrida, mas Earl e seus designers criaram um Corvette espetacular para seu filho correr.

O Corvette SR-2 de 1956, feito para Jerry Earl correr em Sebring,
e com as alterações de 1957.

Construído sobre o chassi #1522 saído da linha de montagem, a abertura da grade foi avançada, instalaram uma cobertura cônica sobre os faróis e faróis de neblina no lugar dos piscas; afixaram dois pequenos para-brisas, aberturas no final do recorte das portas, e uma pequena barbatana vertical no centro do capô traseiro. No inverno de 1956 para 57, foi acrescentado um domo traseiro semelhante ao do Jaguar D-Type, com uma barbatana maior ainda.

Fizeram ainda um segundo Corvette SR-2 para Bill Mitchell, este pintado em vermelho, sobre o chassi #1532 que saiu das linhas de montagem em 1956. Este carro correu as 12 Horas de Sebring com o Nº 2, pilotado por Paul O’Shea e Peter Lovely; chegando em 16º lugar a 31 voltas do vencedor. Além do SR-2, havia três carros C1 com carroceria normal, apenas com a preparação de corrida, chegando o nº 3 em 15º e o nº 4 em 12º lugares, sendo que o outro nº 6 abandonou por quebra de válvulas.

Havia ainda o Corvette SS, com o nº 1, pilotado por John Fitch e Piero Taruffi, mas que não terminou a corrida por quebra da suspensão traseira.

Como curiosidade, Harlow Curtice era o presidente da GM durante o período em que o SR-2 foi desenvolvido. A equipe do Departamento de Estilo construiu um Corvette especial com traços do SR-2 para presentear Curtice. Tinha rodas raiadas, em vez das Hallibrand de competição, e foi construído sobre o chassi #1636, em 1956.

O Corvette especial de Harlow Curtice
A versão de 1957 tinha poucas mudanças em relação ao ano anterior, mas já a caixa de quatro marchas sincronizada Borg-Warner (T-10), com carcaça de alumínio, estava disponível para toda a linha Corvette. O motor cresceu para 283 cid (4.637 cc), e 220 hp. Alimentado por um único carburador de corpo quádruplo, o Corvette começava a mostrar o desempenho de um verdadeiro carro esportivo, com opcionais de um duplo carburador quádruplo, que fazia o motor gerar 220, 245 ou 270 hp, e melhor ainda, tinha a injeção de combustível mecânica Rochester, que fazia a potência chegar a 250 hp (taxa de 9,1:1) e 283 hp a 6.200 rpm (comando especial e taxa de 10,1:1), rotações bem elevadas para um V8 americano da época. A velocidade máxima atingia 215 km/h. O sistema de injeção de combustível foi visto pela primeira vez no Mercedes Benz 300SL (conhecido como “Asa de Gaivota”), dois anos antes. O sistema da Mercedes era similar à injeção de combustível dos motores Diesel, ao passo que o do Corvette utilizava um sistema de fluxo constante, e equipado com o sistema que foi denominado Rochester, produzia 290 hp no motor 283 cid. A injeção Rochester mais tarde demonstrou ser pouco confiável, pois necessitava de ajustes constantes para manter o seu bom funcionamento, sendo instalado em apenas 240 unidades. Foi um dos primeiros motores da história a atingir o índice de 1hp/polegada cúbica, fato explorado pela agência de publicidade da GM em seus anúncios. Ainda constava no catálogo a caixa manual de três marchas e a Automática de duas. Foram construídas 6.339 unidades em 1957.

Corvette 1958, o primeiro carro americano
com faróis duplos
No ano de 1958, com o motor rendendo 290 hp, as versões mais potentes do Corvette já alcançavam a velocidade de 225 km/h. Foi o primeiro carro americano a ter faróis duplos na dianteira, junto com novas entradas de ar, tornando a frente mais agressiva. O interior foi atualizado, um novo painel de instrumentos com o conta-giros diretamente na frente do motorista; e os bancos receberam novos revestimentos e cintos de segurança originais de fábrica (ao invés dos instalados pelos concessionários), e a produção saltou para 9.168 unidades no ano.

Para o modelo 1959, motores e potência não se alteraram. Os interiores foram ligeiramente revistos com novos grafismos para os instrumentos do painel e adição de um porta-luvas para o lado do passageiro. Quando equipado com o câmbio Borg-Warner de quatro marchas, recebia alavanca de mudanças em formato de “T”. Este ano-modelo foi o único em que podia ser encomendado com uma capota conversível azul turquesa; e os modelos com tanque de 24 galões não podiam receber a capota conversível devido à falta de espaço para o mecanismo da capota. Entre os opcionais disponíveis, havia freios de maior capacidade e suspensões mais firmes, rodas de aro 15, vidros elétricos e acionamento elétrico para operação da capota. O ano fechou com 9.670 unidades produzidas.

Alguns detalhes nos modelos 1960 eram as lanternas embutidas nos para-lamas traseiros, e nova grade dianteira. Incluíam também radiador de alumínio, e motores com 270 ou 290 hp, e adição de uma barra estabilizadora no eixo traseiro. Destaque para a cor Cascade Green metálica, disponível somente neste ano-modelo, e uma das mais raras entre as 140 diferentes cores que o Corvette já teve. O Corvette vai se firmando no mercado, e 10.261 exemplares foram vendidos.

Corvette 1961
No modelo 1961, a traseira foi redesenhada com traços do Sting Ray Concept e surgiram pela primeira vez as quatro lanternas traseiras, que permanecem até hoje. Os motores permaneciam com 283 cid, mas os cabeçotes foram redesenhados e fundidos em alumínio, incrementando as potências dos motores injetados de 275 a 315 hp, com comando especial. Para os motores equipados com dois carburadores quádruplos os números se mantinham entre 245 e 270 hp, e foi o último ano em que estiveram disponíveis na linha. Este modelo antecipava o desenho de alguns protótipos que estavam sendo desenvolvidos pelo Departamento de Estilo. O mercado percebeu que o Corvette estava mudando e a curva de crescimentos das vendas voltou a subir: 10.939 unidades foram vendidas em 1961.

O ano-modelo 1962 foi o último equipado com eixo-rígido na traseira. Havia dois novos motores mais potentes. A cilindrada aumentou para 327 cid (5.360 cc), com válvulas de tucho hidráulico equipando o motor de base com 250 hp e opcional de 300 hp. Tuchos mecânicos eram padrão no motor opcional carburado de 340 hp e no de 360 hp injetado. Isto o tornou o automóvel mais potente fabricado em série do mundo, superando os 240 km/h. Foi também o último modelo com faróis expostos até o modelo 2005 eliminar os faróis escamoteáveis; e também o último da ter capô acessando o porta-malas, até o modelo 1998. O ano fechou com 14.531 unidades vendidas.

Ao todo, foram produzidos 69.015 unidades da Geração C1 (a geração C1 dividiu o ano de 1962 com a geração C2).

Corvette 1962, já com o design do painel traseiro da Geração C2

UM MISTÉRIO DE 70 ANOS DESVENDADO

Por mais de 70 anos, o destino do primeiro Chevrolet Corvette produzido, VIN 001, chassi 3950, permaneceu um dos grandes mistérios da história automotiva. Acreditava-se que o carro havia sido destruído durante os rigorosos testes de engenharia da GM, e simplesmente desapareceu dos registros. Mas o historiador do Corvette, Corey Petersen, finalmente descobriu a verdade após uma investigação exaustiva que o levou de volta a uma pequena oficina mecânica em Tulsa, Oklahoma.


Petersen passou anos vasculhando os arquivos da GM, cruzando informações de ordens de serviço que mostravam 22 modificações de engenharia incomuns realizadas no chassi 3950 em 1953. Esses detalhes estranhos permaneceram em sua memória e, quase duas décadas depois, ele percebeu que os tinha visto antes em um "Corvette misterioso" que estava na oficina do restaurador Lloyd Miller. Aquele carro, discretamente guardado e nunca totalmente identificado, de repente se tornou o principal suspeito.

Construído às pressas em uma linha de montagem temporária em Flint, Michigan, em junho de 1953, o Corvette nº 001 nunca chegou a uma concessionária. Em vez disso, tornou-se o principal protótipo de testes da GM durante o caótico período de desenvolvimento do Corvette. Executivos o dirigiram para avaliação, a Chevrolet o exibiu durante o anúncio do Corvette de 1954 no resort The Greenbrier, e os engenheiros o desmontaram repetidamente enquanto trabalhavam para corrigir as falhas iniciais de projeto do carro. Quando sua vida útil em testes terminou, o carro desapareceu. Alguns acreditavam que havia sido destruído; outros pensavam que de alguma forma havia sobrevivido como um veículo de exibição no Motorama. Nenhuma teoria jamais foi comprovada.

A descoberta crucial ocorreu quando Petersen constatou que a GM havia emitido a Declaração de Origem do Fabricante do carro internamente, em vez de por meio de uma concessionária, indicando que o carro havia sido vendido diretamente a um funcionário da GM após seus testes, o mesmo destino dos veículos com VIN 002 e VIN 008. Quando Petersen finalmente conheceu o atual proprietário da Costa Leste e inspecionou o carro pessoalmente, encontrou a confirmação que faltava: uma placa com o VIN da porta, jogada em uma caixa de papelão no porta-malas, com a inscrição “001”.

Hoje, o Corvette há muito perdido repousa na garagem de Petersen em Utah, aguardando documentação completa, autenticação cuidadosa e uma restauração historicamente precisa. A carroceria precisa de reparos significativos e o chassi provavelmente revelará ferrugem oculta, mas o carro está notavelmente completo para um protótipo de 72 anos que antes se acreditava estar destruído. Se as pesquisas em andamento confirmarem tudo conforme o esperado, o VIN 001 poderá em breve se tornar o Corvette mais valioso do planeta, eclipsando até mesmo os lendários modelos L88 e ZL1, que custam milhões de dólares.

EM ESCALA

Os Corvette da Geração C1 são bastante numerosos, com várias empresas produzindo modelos Die-Cast ou em Kits plásticos em diversas escalas. Dentre as mais conhecidas, temos a Mattel/Hot Wheels, Johnny Lightning, Matchbox, Greenlight, Burago, Road Signature, AutoArt, ERTL. Maisto, Jada, AutoWorld, Road Signature, Motormax, Route 66. E em kits, a Revell , AMT, Tamiya, Monogram, Aurora, MPC tem kits da Geração C1 para montar.

O modelo 1953 é o primeiro Corvette, e toda a produção do ano saiu na cor branca (Polo White) com interior vermelho (Sportsman Red), e seu design era praticamente igual ao protótipo exibido na Motorama do ano anterior. A miniatura da Mira na escala 1:18 reproduz com fidelidade os detalhes, inclusive a tela aramada dos faróis dianteiros, e a capota de lona.

Corvette 1953 - Mira, escala 1:18
O modelo 1957 verde claro é da Burago, na escala 1:18, reproduzindo bem fielmente o modelo com as alterações de design na carroçaria e o motor V8 debaixo do capô. As portas, capô dianteiro e traseiro se abrem, e as rodas dianteiras esterçam. 

O modelo 1962 com faróis duplos é da ERTL, na escala 1:18, que apareceu numa cena rápida numa loja de carros usados, no filme American Grafitti, de Spielberg. É um hardtop na cor Roman Red, com interior em preto. O teto pesava 25 kg, e podia ser retirado para se tornar um roadster.



Corvette 1962, o primeiro com quatro faróis.














Corvette 1957, Burago na escala 1:18












A Mattel tem os Corvette C1 de vários anos, em castings mais simples ou mais detalhados. O azul claro de 1958 é um da Série Real Riders, com um acabamento melhor, abre o capô do motor e rodas de resina com pneus de borracha, um Roll Bar simplificado atrás do piloto e rodas traseiras maiores do que as dianteiras: um resquício dos carros preparados para as corridas e Dragsters, muito apreciadas pelos americanos. Pode-se notar que o casting do modelo 1962 (cinza de faróis duplos) é o mesmo do de 1958, mas traz uma pintura simplificada, com recorte lateral na mesma cor do restante da carroçaria, e as rodas comuns dos Mainlines. Os modelos de 1953 (azul e preto) são Mainlines com decorações variadas que a Mattel solta a cada ano, não tem detalhes como grades cromadas ou faróis e lanternas demarcadas, assim como rodas padrões de plástico. O de 1957 é o mais fiel em termos de proporções e modelo das rodas, bem fiéis às originais da época, assim como a abertura do capô, item valorizado nesta escala.

Os modelos da Johnny Lightning tem um nível de detalhamento melhor do que o da Mattel, e o modelo 1953 reproduz muito bem o primeiro Corvette apresentado na Motorama do Waldorf Astoria, em 1953, com a capota de tecido que foi disponibilizada quando entrou em produção. O outro exemplar de 1953 homenageia o Bloomington Gold, um evento que reunia os donos dos Corvette e que passou a ter venda dos carros, daí, passou a certificar os modelos comercializados e em 1977 passou a ser o maior evento reunindo os donos, vendedores e compradores de Corvette dos Estados Unidos. Apesar das rodas não serem fiéis traz o detalhe do aramado nos faróis dianteiros. O 1957 dourado também tem bom nível de detalhes, as rodas são determinantes para elevar o nível de qualidade da miniatura, assim como o recorte lateral em cor diferente do restante da carroçaria; e o preciosismo da placa de licença abaixo da grade dianteira. O outro 1957 na cor preta vem com o teto rígido removível, e apresenta rodas e pneus esportivos diferentes dos que vinham de fábrica.
Todos os exemplares da Johnny Lightning tem abertura do capô dianteiro.

Em 2022, a Mattel lançou um Corvette 1962 Gasser, uma classe de carros preparados para arrancadas nas pistas de Dragsters que foi regulamentada em 1955 e seguiu até o ano de 1972, quando a NHRA extinguiu a categoria. A preparação, além dos motores supercomprimidos se projetando do capô, contemplava a substituição da suspensão dianteira por um eixo rígido, levantado, mais leve e simplificado, além de partes da carroçaria ou toda ela em fibra-de-vidro, com janelas de plexiglass no lugar do vidro. A miniatura se baseia no casting originalmente desenhado por Larry Wood em 2009, e tem o decal "Schmid's Chevrolet" na lateral traseira, uma homenagem ao designer dos Sets HW Track&Play Paul Schmid, que amava os Corvette.






O modelo "Mad Mouse" foi customizado com rodas da AC Custon, além de receber uma suspensão dianteira elevada mais fiel às que equipavam estes Gasser, e o modelo com a decoração "Holley" saiu em 2023.

Veja a matéria sobre os Corvette C1 na escala 1:64 em:


Os exemplares apresentados neste post fazem parte de minha coleção particular, e não estão à venda.