terça-feira, 17 de outubro de 2023

Plymouth AAR Cuda 1970

 

Plymouth AAR Cuda

Este carro ganhou este nome quando fazia parte da equipe All-American Racers (AAR) do piloto Dan Gurney, competindo na popular série Trans-Am do SCCA (Sports Cars Club of America). Gurney pilotou o carro nas duas primeiras corridas do campeonato de 1970 e o sueco Swede Savage nas últimas oito provas da temporada. Apenas em Mid Ohio nenhum dos dois participou.


Gurney e Savage com o AAR Cuda


Dan Gurney é reverenciado pelos americanos porque é um dos poucos pilotos a vencer nas categorias da Indy car, NASCAR, Can-Am e Trans-Am; e na histórica vitória nas 24 Horas de Le Mans de 1967, com A. J. Foyt pilotando o GT40 Mk.IV.  Sua equipe, a All-American Racers, fundada por ele e Carrol Shelby, em Santa Ana, California, correu com os AAR Cuda e se aposentou no final de 1970.

O Filtro sobre os carburadores Holley

Embora decorado com o visual esportivo, o AAR Cuda não era o mais potente. Ele foi preparado para homologar o motor V8 “Small Block” de 340 cid (5,6 litros) no campeonato. Os registros indicam que foram construídas 2.724 unidades entre março e abril de 1970, na fábrica da Chrysler em Hamtrack, Michigan; destes, 1.452 exemplares sobrevivem nas mãos de colecionadores e pilotos que participam de Vintage Races.

As faixas decorativas nas laterais

O motor V8 de 340 cid produzia 290 hp a 5000 rpm, com torque de 350 lb-ft a 2800 rpm; tinha três carburadores Holley duplos, e coletores de alumínio Edelbrock. O câmbio podia ser manual de quatro velocidades A-833; ou automático A727 TorqueFlite, com diferencial Sure Grip padrão de 3,55:1 ou opcional de 3,91:1. 1.120 unidades receberam o câmbio manual e 1.601 o automático de três velocidades.

Amortecedores e molas especiais elevavam a traseira em 1,75 polegadas, os escapes saindo à frente das rodas traseiras, os enormes pneus Goodyear Polyglas GT G60x15” na traseira e E60x15 na dianteira, passavam o recado que este não era um Barracuda normal. O visual agressivo contava ainda com o capô do motor de fibra de vidro preto fosco, com uma tomada de ar funcional, as laterais tinham uma faixa “estroboscópica” com o emblema AAR; finalizado pelo spoiler preto na traseira

Da minha coleção



A miniatura da Hot Wheels é da Série Vintage Racing, e saiu em 2011, design de Phil Riehlman; tem base de metal, ZAMAC sem pintura, e rodas especiais com pneus de borracha.



O Plymouth AAR Cuda de 1970, com a decoração que correu na temporada de 1970 da Série Trans-Am, tem o número 48, usado por Dan Gurney, com chassi #50231. O motor V8 de 340 cid foi reduzido para 302 cid, conforme exigia o regulamento da Série; Dan Gurney correu com ele pela última vez em 4 de outubro de 1970. O carro ainda correu em Le Mans no ano seguinte, com um motor HEMI V8; atualmente, ele voltou a ser equipado com o V8 de 340 cid, restaurado com o visual da Trans-Am, ele faz parte da coleção de Craig Jackson, de Scottsdale, Arizona.


Detalhe: a Hot Wheels patrocinava o carro, o logotipo (da época) no para lama acima da roda traseira está no carro original de Dan Gurney.

Referências:

https://hotwheels.fandom.com/wiki/%2770_Plymouth_AAR_Cuda

https://www.motortrend.com/features/70-dodge-plymouth-trans-season-crazy-insider-story/

https://www.youtube.com/watch?v=DdjwZRSfYCw

https://the70aarcuda.com/aar-%60cuda

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Porsche 917 KH – Chassis 007 – Gesipa Racing Team

 

O Porsche 917 KH, da Gesipa Racing Team

Sempre que tratamos do Porsche 917, em suas várias versões, associamos a imagem aos carros da GULF em azul e laranja, ou aos da Martini Racing, os brancos com as faixas multicores, e o “Hippie” ou “Psycho Paint”, aquele azul arroxeado e verde que ganhou este apelido da mídia automotiva.

Mas dos 25 Porsche 917 que foram construídos e apresentados  para a FIA homologar, nem todos estavam em nível operacional, por isso, dez unidades foram entregues para as equipes de corridas, enquanto as demais 15 voltaram à fábrica para serem finalizadas posteriormente.

Dos dez que já estavam prontos, o chassi 001 foi basicamente utilizado para fins promocionais e serviu depois para testes de desenvolvimento durante o ano de 1969.

O chassi 007 era um dos três 917 Langheck (LH ou “cauda longa”) que correram em Le Mans naquele ano. Dois deles eram carros de “testes” e o terceiro foi entregue ao piloto privado John Woolfe. O carro foi pilotado por rolf Stommelen e Kurt Ahrens Jr., estava pintado de branco com o nariz amarelo, e tinha um motor 4,5 litros que produzia 585 hp. Eles saíram da pole-position, mas tiveram de abandonar na volta 148 por vazamento de óleo.


Enquanto vários dos outros 917 de 1969 foram submetidos aos Testes de Durabilidade para Longa Distância da Porsche e sucateados, o chassi 007 escapou de tal destino.

No final da temporada, foi reconstruído para o acabamento Kurzheck (KH ou “cauda curta”) de 1970. 007 foi então vendido para Hans-Georg Biermann, que dirigia a GESIPA Blindniettechnik GmbH em Frankfurt, mais conhecida como Gesipa Rivets. O carro foi pintado com as cores da empresa azul claro e amarelo. Nesta configuração, disputou mais de uma dúzia de corridas durante 1970, incluindo um trio de eventos do Campeonato Mundial de Carros Esportivos e toda a campanha da Intersérie Européia.

O campeonato da Intersérie tinha seis corridas, e o Porsche conseguiu duas vitórias e três segundos, o que permitiu a Jurgen Neuhaus conquistar o título na primeira participação do 917 na competição. Jurgens Neuhaus também venceu corridas fora do campeonato em Zolder e Mainz-Finthen.


O 917 transformado para Spyder

No entanto, na corrida final de 1970, o chassi 007 foi fortemente danificado nos 1000 quilômetros de Paris, em Montlhery, França. Naquele fim de semana, Neuhas foi acompanhado no carro pelo novo piloto de testes da Porsche, Willi Kauhsen. Kauhsen sofreu um acidente monumental em Virage de la Ferme. O carro foi enviado à Porsche, e foi reconstruído na configuração Spyder do Grupo 7 da FIA, para a temporada de 1971. Neste ano, Michael Weber pilotou o 007, e seu melhor resultado foi um segundo lugar em Hockenheim, terminando o campeonato em terceiro lugar.

Ao final da temporada de 1971, o chassi 007 foi aposentado das corridas. Em 1974 o carro foi vendido ao industrial e colecionador alemão Hans-Dieter Blatzheim. Ao realizar um teste com um Porsche 917-10, em agosto de 1985, Blatzheim sofreu um acidente em que veio a falecer, sendo a primeira vítima fatal depois da reforma do Circuito de Nurburgring. Sua esposa Ellen e seus dois filhos passaram a cuidar da empresa e também de sua coleção, através do Motorsport Memorial.

Da minha coleção




O Porsche 917 KH da Gesipa Racing Team é da Majorette, saiu na Série Racing Cars em 2023, e reproduz o exemplar que correu nos 1000 Quilômetros de Paris, com o nº 3, em 1970. Pilotado por Jurgens Neuhaus e Willy Kauhsen, obtiveram a 12ª colocação. O modelo abre o enorme capô traseiro, mas o detalhamento do flat-12 da Porsche é bem simplificado.





Referências:

https://supercarnostalgia.com/blog/porsche-917-chassis-007

https://majorette-model-cars.fandom.com/wiki/Porsche_917

http://www.motorsportmemorial.org/focus.php?db=ct&n=1408

https://www.racingsportscars.com/race/Montlhery-1970-10-18.html

https://leotogashi.blogspot.com/2017/04/porsche-917-k-um-supercarro-de.html

Leo Togashi: PORSCHE 917 LH - Hot Wheels


segunda-feira, 9 de outubro de 2023

O DIA EM QUE SENNA SURGIU

A história pouco conhecida da reabertura de Nurburgring, quando um novato superou nove campeões mundiais da F-1

Adam Cooper, da “Stars & Cars” (reprodução da matéria publicada na Folha de São Paulo, Seção Esporte, no domingo, dia 27 de fevereiro de 2000)

Acima, o primeiro duelo em uma pista de Senna com Prost, uma imagem que acabou se tornando o símbolo da F-1 nos anos seguintes

Você já imaginou o que aconteceria de os melhores pilotos da F-1 atual enfrentassem os gigantes do passado em carros idênticos?

Parece um sonho impossível, mas foi exatamente o que a Mercedes-Benz fez em Nurburgring, num sábado, 12 de maio de 1984.

Naquele dia, seis pilotos em atividade desistiram de um final de semana de folga para correr contra uma turma que incluía alguns dos maiores nomes da história do automobilismo. A lista de inscritos incluía nada menos do que nove campeões mundiais, além de dois pilotos que atingiram a glória e que iriam dominar a F-1 nos dez anos seguintes.

Esse evento inédito, até hoje não igualado, foi organizado para celebrar a inauguração do novo traçado de Nurburgring e o lançamento do Mercedes 190 2.3 16V.

O ponto alto do final de semana foi uma corrida de 15 voltas com os novos carros. E os pilotos foram os primeiros a experimentar o novo Nurburgring, um ultra moderno circuito de 4,5 km, construído para levar o automobilismo de ponta novamente para a região, o que não acontecia desde que o antigo traçado passou a ser considerado perigoso demais.

A Mercedes estava determinada a formar a melhor lista possível de pilotos inscritos. Entre os que estavam em atividade, a empresa atraiu Niki Lauda e Alain Prost, da McLaren, Keke Rosberg e Jacques Laffite, da Williams, Elio de Angelis, da Lotus, e um novato chamado Ayrton Senna, da pequena Toleman. O jovem brasileiro, de 24 anos, era o único membro do sexteto que ainda não havia vencido um GP na F-1.

O responsável pela inscrição do desconhecido campeão da F-3 inglesa foi Domingos Piedade, atual chefe de equipe da AMG, então um dos maiores entusiastas da carreira de Senna.

“Para ele, aquilo foi extremamente importante”, recorda Piedade. “Era a abertura de Nurburgring, o que significava muito para o Ayrton. E era a primeira vez que ele tinha um carro igual aos dos figurões. Era importante para ele mostrar do que era capaz.”

Lauda e Rosberg já eram campeões mundiais (em 75 e 77 e em 82, respectivamente), mas representavam apenas a ponta do iceberg. Juntaram-se a eles Jack Brabham (59, 60 e 66), Phil Hill (61), John Surtees (64), Dennis Hulme (67), James Hunt (76), Jody Scheckter (79) e Alan Jones (80).

O pentacampeão Juan Manuel Fangio também apareceu para apoiar o evento, mas, sofrendo com problemas de saúde, preferiu não participar da corrida.

Os únicos campeões mundiais vivos que faltaram foram Mario Andretti e Emerson Fittipaldi, que estavam nos EUA, participando dos treinos para as 500 Milhas de Indianápolis, e Jackie Stewart, que sempre se manteve fiel à sua aposentadoria e, desde 1973, não corre nem de kart.

Além dos campeões, havia outras estrelas da F-1. Dos ex-integrantes da equipe Mercedes-Benz Stirling Moss e Han Herrmann aos recém-aposentados Carlos Reutemann e John Watson.

O grid foi completado por três astros da categoria esporte-protótipo: Klaus Ludwig, Manfred Schurti e Udo Schuetz.

“Adorei aquele evento”, diz Alain Prost. “Foi fantástico encontrar todos aqueles pilotos. Nos divertimos muito, mas, mesmo com o reencontro de tanta gente, era inacreditável ver o espírito de competição que havia no ar. Todos, mesmo os mais velhos, levaram muito a sério.”

O engenheiro da Mercedes responsável pelos carros lembra como alguns pilotos se interessaram em detalhes de acerto. Reutemann chegai a exigir um jogo de pneus novos em seu carro antes do treino classificatório.

Nem todos, porém, levaram a corrida com tanta seriedade.

“Tratei aquilo da maneira como deveria ser tratado, como uma diversão” diz John Watson. “E havia uma mistura de pilotos de gerações e idades diferentes. Velhos amigos, velhos adversários ou as duas coisas. Queria em sair bem, mas não precisava provar nada.”

Mas, para Senna, o fim de semana era uma oportunidade para deixar marcas. Saindo da F-3, ele havia corrido apenas quatro GPs na F1 pela Toleman antes de ir para Nurburgring.

Já havia obtido dois sextos lugares, mas seu nome ainda não era conhecido. Nem pelos outros iniciantes que disputavam posições com ele nem pelo homem que então liderava o Mundial de F-1.

“Foi a primeira vez que encontrei o Ayrton”, afirma Prost. “Como nossos vôos chegaram com uma diferença de 15 minutos, a Mercedes me perguntou se eu poderia lhe dar uma carona. Passamos metade do dia juntos. Ele não conhecia absolutamente ninguém, o que era engraçado.”

Phil Hill era um dos veteranos que não tinha a mínima ideia sobre quem era aquele brasileiro.

“Eu e minha mulher nos sentamos em uma pequena sala e tentamos puxar assunto com ele. Estávamos congelando de frio, e havia apenas um pequeno aquecedor elétrico. Ele só ficou parado, me olhando, e eu pensava ‘O que ele quer dizer?’ Então eu desisti, pensando que ele era apenas mais um novato. Pouco tempo depois, ele já teria gravado o nome da F-1.”

O grid de largada estava repleto de estrelas como Hill, mas quando a corrida começou, com o céu cinzento, todos os olhares se voltaram para um só homem, justamente o mais jovem na pista.

Senna alcançou a liderança logo na largada. Sem errar. O brasileiro seguiu firme até a vitória.

Watson foi um dos pilotos que se impressionaram.

“Para Ayrton, em primeiro lugar, ter sido convidado para a corrida era sinal de aceitação no grupo. Era também um ritual de passagem para ele. Ayrton certamente foi para lá com uma missão a cumprir”, diz o vice-campeão de 82. “Algo que ficou claro na minha memória era o modo inacreditável como ele ia para cima das zebras. Minha geração de pilotos não atacava as zebras dom tanta agressividade. Não era por menos que ele era tão rápido.”

Watson, pelo menos, já havia falado com o brasileiro. Mas, para muitos de seus colegas, Ayrton Senna foi uma revelação.

“Foi a primeira vez que ouvi falar de Senna”, diz Stirling Moss. “Surpreendeu-me ver um total desconhecido vencer aquela prova. Acho que foi, até então, a corrida mais importante de que ele já havia participado, porque era algo de muito alto nível.”

“O mais impressionante foi a maneira como ele veio”, afirma Surtees. “Tinha um monte de gente que estava na pista se exibindo, passando pela grama, e havia Senna, dirigindo corretamente, mantendo-se na pista e ultrapassando um por um. Após aquele evento, disse para o velho (Enzo Ferrari): ‘Se você quer um piloto, ele é quem você deveria pegar’.”

Na pista, enquanto Senna ganhava vantagem, acontecia todo tipo de confusão.

“Ayrton fez um trabalho muito profissional”, diz Surtees. “Mas ele foi ajudado pelo fato de que um ou dois pilotos fizeram manobras ridículas e atrapalharam todo o resto. James Hunt foi o rei de cortar caminho pela grama. Acho que poucos carros puderam ser aproveitados depois daquilo.”

Quinze anos depois da corrida, Prost, que foi ultrapassado por Elio de Angelis na primeira volta, pensa naquele final de semana e sorri. “Acho que deveríamos fazer aquilo de novo. Os carros eram muito bons, mas não era essa a questão. O importante era que se tratava de uma competição.”

Niki Lauda foi o segundo, seguido por Carlos Reutemann, Rosberg e Watson. Mas Senna deixou sua marca. E sabia disso.

“Eu estava nos Mil Quilômetros de Silverstone”, conta Piedade. “E no dia seguinte, Senna apareceu para assistir e me agradeceu a chance de ter podido correr contra tantos pilotos famosos. Ele ficou muito orgulhoso do fato de seu carro ter sido levado para o museu da Mercedes.”

Três semanas depois, sob muita chuva, Senna foi o segundo colocado no GP de Mônaco.

Ele se aproximava do líder, Prost, quando a corrida foi prematuramente encerrada.

E foi naquele dia que o resto do mundo passou a conhecer o jovem brasileiro.

Os pilotos reunidos em uma sala do autódromo de
Nurburgring antes da largada a prova

O novato brasileiro na liderança

Vestindo o macacão da Toleman, Senna,
então com 24 anos, ergue o troféu da vitória

Alain Prost, antes da largada


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BOX: Piloto deu show na F-1 logo depois.

Da Reportagem local

Apesar do show em Nurburgring, a corrida que entrou para a história como a primeira grande demonstração de talento de Ayrton Senna aconteceu três semanas depois, em Mônaco.

O motivo: ao contrário da prova na Alemanha, essa foi transmitida ao vivo, para todo o mundo, via satélite.

Foi, também, seu primeiro duelo na F-1 com Alain Prost. E o francês, então na McLaren, levou a melhor.

A corrida começou sob chuva forte. Prost largou da pole e manteve o posto.

Senna, 13º no grid, completou a primeira volta em nono. E Stefan Bellof, um alemão, também estreante, com um Tyrrel, saltou do 20º para o 11º lugar.

Na 18ª volta, Senna já era o segundo, seguido por Bellof. Prost cedia terreno. O brasileiro passou a se aproximar e, na 31ª volta, estava a apenas 7 segundos do líder.

Naquele momento, uma decisão jogou um balde de água fria nos dois novatos.

Jackie Ickx, diretor da prova, encerrou o GP. Alegou falta de condições, devido à forte chuva. “Certamente teia ultrapassado Prost”, disse Senna. “Mas, depois, não sei o que poderia acontecer. Eu estava no limite.”

Senna e Prost dominariam a F-1 nos dez anos seguintes. Bellof morreu num acidente com um protótipo, em Spa, um ano depois. (FSx)

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O jornalista inglês Adam Cooper escreveu sobre a reinauguração de Nurburgring originalmente para a revista “Stars & Cars”, editada pela Mercedes-Benz. Curiosamente, no texto, ignorou outro brasileiro, Nelson Piquet, que havia sido campeão de 1983, ano anterior à corrida na Alemanha.

Tradução de Fabio Seixas, da Reportagem Local.

Link para o video integral da prova da Alemanha:

Relembrando Senna: em 1984, um novato, o Mercedes e Nürburgring | voando baixo | ge (globo.com)



quarta-feira, 4 de outubro de 2023

’67 Shelby GT500 (Mustang Shelby GT500)

O Shelby GT 500 clássico na cor branca e faixas azuis

O Shelby Mustang é uma variante de alta performance do Ford Mustang, construído pela Shelby American de 1965 a 1967, e depois assumida pela Ford Motor Company de 1968 a 1970.

Carroll Shelby estava bem envolvido com a Ford pelo fornecimento dos motores para os seus Cobra Roadsters, e Lee Iacocca pediu a ele que fizesse uma versão esportiva do Ford Mustang. “Eu realmente não queria fazer isso”, confessa Shelby, “porque não achava que poderia fazer um carro decente com o Mustang”. Por insistência de Iacocca, Shelby fez uma grande reengenharia – transformando o Mustang em um dois lugares de manuseio tenso. O GT350 original que estava equipado com o motor do 289 Cobra logo se juntou ao GT500 de bloco grande e modelos conversíveis. Cerca de 14.000 Shelby Mustangs foram construídos de 65 a 70. Os preços para eles hoje chegam a US $ 50.000 no mercado de colecionadores.

Shelby GT350 – 1965-1966

O GT350 de 1966

O GT500 de 1967

Os Shelby GT350 de 1965-66 eram equipados com o V8 Windsor de 289 cid (4,7 litros) HiPo K-Code com 271 hp, que depois de receber modificações, entre elas a instalação de umm enorme carburador Holley quádruplo de 715 cfm (Cubic Feet per Minute – pés cúbicos por minuto), produzia 306 hp a 6000 rpm e 329 ft-lb de torque a 4200 rpm. O câmbio era Borg-Warner T10  de quatro marchas manuais e Shelby modificava o cabeçote, sistema de escapamento duplo lateral, e instalava os enormes tambores do Ford Galaxie nas rodas traseiras, e discos Kelsey-Hayes nas dianteiras. As rodas eram as Cragar Shelby de magnésio fundido de 15”, com tampas centrais cromadas, com um “CS” estilizado, e tinham o estepe no lugar do banco traseiro, configurando ser um carro de apenas dois lugares, para atender às normas da SCCA como um “Carro-Esporte”.



O GT350 de 1965

Todos os carros de 1965 eram pintados de Wimblendon White, com faixas laterais na cor Guardsman Blue, e poucos exemplares receberam as largas faixas duplas azuis que iam do capô, passavam pelo teto e terminavam na traseira do carro. Alguns dados informam que dos 562 modelos de 1965 apenas 157 tinham esta configuração.

Estes modelos não eram fáceis de dirigir, nem muito confortáveis, pois suas especificações eram para correr segundo as regras da SCCA, e foi campeão por três temporadas seguidas na Classe B-Production. Já o GT350 de 1966 era mais confortável, pois mantinha o banco traseiro, ainda que apertado; podia ser encomendado com cores diversas opcionalmente, e até a transmissão automática era disponibilizada. Esta tendência se manteve nos modelos dos anos seguintes, com os carros ficando maiores, mais pesados e mais confortáveis, perdendo sua esportividade e competitividade nas pistas.

Os GT350 e GT500 de 1966 recebiam muitas modificações em relação aos Mustang de fábrica, e com o afastamento de Shelby, a Ford assumiu a produção dos Shelby Mustang de 1968 a 1970. Eles eram comercializados como Shelby GT 350, perdendo o nome “Mustang” , e podiam ser adquiridos em outras cores, como Azul, Preto, Verde e Vermelho. Outras modificações incluíam a substituição das saídas de ar na coluna traseira por uma janela triangular; tomadas de ar laterais para os freios traseiros, uma caixa de transmissão opcional SelectShift automática de três velocidades, bem como um compressor Paxton. Neste ano, os modelos tinham os escapamentos saindo na traseira do carro e não nas laterais.

Os primeiros 252 GT350 de 1966 eram todos Fastbacks K-Code, especialmente para conversão da Shelby, e recebiam uma nova série de identificação, não necessariamente na ordem do número da Ford. A produção atingiu 1.373 exemplares, incluindo dois protótipos e quatro Shelby preparados para corridas de Dragsters. Para ajudar na escala de produção, a Ford, que tinha participação majoritária na Locadora Hertz, persuadiu a empresa a comprar 1.000 exemplares, incluindo dois protótipos; e era comum os clientes alugarem os Shelby na sexta feira, participarem de corridas no fim de semana e devolverem os carros na segunda com os pneus carecas.

Shelby GT350 e GT500 1967




O GT350 com motor 289 cid (4,7 litros) vinha com o kit de alto desempenho (COBRA), produzindo 306 hp a 6000 rpm, e 329 lb-ft de torque e o GT500 foi adicionado à linha, equipado com o V8 FE Series 428 cid (7,0 litros), com dois carburadores quádruplos Holley de 600 cfm; produzindo 355 hp a 5400 rpm e 420 lb-ft de torque a 3200 rpm. Com Shelby começando a ter problemas financeiros, a Ford decidiu encerrar o acordo com Shelby e em maio de 1967, assumiu a produção dos GT350 e GT500, fechando as instalações de Los Angeles. A frente e a traseira ganharam um novo design, ficando mais agressivos e diferenciando os Shelby dos Mustang normais,

O GT500 "Little Red"

O primeiro GT500 tinha o chassi 0100; o 0131 foi um dos únicos com carroçaria Coupe, e ficou conhecido como “Little Red”, protótipo de um Mustang direcionado para o estado da California, que comprava 20% de todos os Mustang e Thunderbird produzidos num ano. Lee Grey era o gerente de vendas da Ford para o sul da California, e ao ver o Shelby GT500 Coupe vermelho numa apresentação da Ford, convenceu Lee Iacocca a usar a Shelby para fazer um carro customizado para a California. A maioria deles era equipada com o V8 Small Block de 289 cid, dois carburadores duplos e uma caixa de câmbio C-4 automática.

As alterações visuais incluíam faróis de neblina, travas DZUS no capô dianteiro, tomadas de ar à frente da caixa das rodas traseiras, spoiler traseiro e lanternas do Thunderbird 1965. Faixas laterais identificando o modelo “GT/CS”; as cores eram as disponíveis para o Mustang de 1968, e as partes em fibra-de-vidro eram feita pela A.O. Smith, de Ionia, Michigan, a mesma que produzia as carroçarias em fibra do Corvette para a Chevrolet.

Não havia notícias do destino deste exemplar, mas ele foi redescoberto em 2018, mais de 50 anos depois; rastreado pelo VIN, pelos muitos proprietários de o tiveram, foi achado num campo aberto em Weatherford, Texas. Sua designação inicial era “GT/SC”, de Sport Coupe, mas acabou sendo denominado GT/CS.

O outro GT500 coupe foi apelidado de “Green Hornet EXP-500”, construído pela Shelby em abril de 1968, baseado num GT/CS, ele recebeu um V8 428cid CJ Big-Block com injeção Conelec, um câmbio de seis marchas automático, suspensão traseira independente, freios a disco nas quatro rodas, e decoração especial. Craig Jackson, Chairman e CEO da Barret-Jackson Auctions era o proprietário dele, e no Leilão de Scottsdale, em 2013, foi ofertado por US$ 1,8 milhão, mas não foi arrematado, apesar de sua cotação no mercado de colecionadores estar nos US$ 2,5 milhões.

O GT35- Conversível, que não passou do protótipo

Shelby construiu um conversível com o chassi 0139, em 1967, mas ficou no exemplar único do protótipo, e a versão nunca chegou ao mercado. Um exemplar Fastback 1967 foi equipado com o motor V8 427 FE do Ford GT40 de corrida, que produzia 650 hp, e ficou conhecido como “Super Snake”. O carro podia atingir mais de 240 km/h, e numa demonstração da Goodyear dos pneus Thunderbolt, pilotado pelo próprio Carrol Shelby, bateu na marca de 274 km/h. O carro foi arrematado no leilão da Mecum em Indianápolis, em 2013, por US$ 1,3 milhão.

Shelby construiu 26 unidades do Mustang Coupe, K-Code para correr no Grupo 2 da FIA, no SCCA, classe A-Sedan e na Trans-Am Series

Shelby GT350 e Shelby Cobra GT350 (1967)

Um facelift no nariz do Shelby deixou mais avançado, e os faróis de milha instalados na grade, assim como o emblema “Shelby GT350” deu mais agressividade ao design, diferenciando mais os Shelby do Mustang “normal”. Havia duas aberturas no início do capô que levavam ar fresco ao compartimento do motor. Shelby instalou lanternas traseiras sequenciais do Cougar 67 e um spoiler na tampa traseira, e as entradas de ar à frente da caixa das rodas traseiras eram funcionais para refrigerar os freios. As rodas de 15” tinham dez raios, calçadas por pneus radiais com o logo da Goodyear nas laterais. O motor era um V8 com bloco de ferro, 289 cid (4,7 litros) com 306 hp a 6000 rpm, e 329 lb-ft de torque; o carburador único era um Holley quádruplo, o câmbio de quatro marchas manuais tinha embreagem a seco de disco único. Uma caixa de três marchas automática era opcional. Acelerava de 0-60 mph em sete segundos e atingia 140 mph (230 km/h).

Shelby Cobra GT350 (1968)

Para 1968, o nome “Cobra” foi aplicado em ambos os modelos; o GT350 vinha com o V8 302 cid de 230 hp; e o GT500 vinha com o Big Block V8 de 428 cid que a Ford disponibilizava para os Interceptor da Polícia dos EUA, com um carburador quádruplo e 360 hp a 5400 rpm e 420 lb-ft de torque a 3200 rpm. Ainda em 1968, Shelby apresentou o GT500KR (King of Road), com o mesmo V8 428 cid com declarados 355 hp, mas testes posteriores indicaram que o motor produzia 435 hp. Estes vinham com tampas das válvulas em alumínio gravadas com “Cobra Le Mans”, referindo-se às vitórias da Ford sobre a Ferrari em Le Mans de 1966 e 1967.

Shelby GT350 Hertz (1966)

O GT350 Hertz

Estes 1000 modelos foram disponibilizados pela Ford para a Hertz alugar na sua frota, e após o término do contrato, eles retornariam para a Ford, para serem reformados e vendidos ao público como “GT350H”. A maioria deles era na cor preta, com faixas douradas Le Mans e nas laterais, embora poucos saíram na cor branca com listras azuis. Os primeiros 85 carros estavam equipados com transmissões manuais de quatro marchas e a Hertz os anunciava como carros “Rent-a-Racer” (Alugue um Corredor”). Além dos pneus gastos na devolução, relata-se que alguns modelos tinham sinais de soldas de barras de proteção. Um número não confirmado de unidades também era equipado com transmissões automáticas.  

Shelby GT500KR (1968)

Iniciando a produção em abril de 1968, já na fábrica da Ford, o GT500KR (King of the Road – O Rei da Estrada), o Mustang recebia o motor FE 428 cid conhecido como “Cobra Jet”, por isso ele ficou conhecido também pelo nome de The Cobra GT500KR.

Os anos 1969-1970



Os Shelby GT deixaram de ter a designação “Cobra” para 1969, sendo denominados simplesmente Shelby GT350 e Shelby GT500; recebendo um facelift que acompanhava os Mustangs do ano, crescendo 4 polegadas no comprimento, com alguns modelos aumentando até 10 polegadas. As decisões da Ford aumentavam, ao passo que as de Carrol Shelby diminuíam sobre o estilo dos Shelby GT. O GT350 recebia agora o V8 de 351 cid, e Shelby encerrou seu contrato de cooperação com a Ford no verão de 1969.

O ano de 1970 não teve nenhum exemplar Shelby produzido, mas as unidades do ano anterior foram remarcadas no VIN como de 1970, soba supervisão do FBI. As únicas alterações que sofreram era, o spoiler dianteiro e duas listras prestas no capô, além das alterações relativas à lei das emissões para aquele ano. O GT500 teve o carburador modificado (assinalado com “ed” na sua etiqueta; e os distribuidores de ambos os modelos foi alterado para uma versão de 1970. Um total de 789 Shelby (não informados números de cada modelo) receberam estas alterações (re-VIN).

O MUSTANG ELEANOR DE “60 SEGUNDOS”

É o único Mustang a receber crédito como personagem de um filme, Gone in 60 seconds, de 1974, refilmado por Jerry Bruckheimer em 2000.

Da minha coleção

O Mustang GT 500E da Shelby Collectibles, na escala 1:18, é o modelo licenciado pela Touchstone Pictures, e reproduz com grande fidelidade as linhas clássicas do Mustang, com todas as modificações feitas para o filme.

O Mustang Eleanor, da Shelby Collectibles, na escala 1:18


A frente modificada, com os faróis deslocados para o centro e abaixo da grade, e as faixas avançando pelo capô, os apliques na carroceria e as rodas especiais indicam um carro de alto desempenho. A miniatura abre as portas e o capô dianteiro, que ao abrir revela a boa reprodução do motor, com cabos de vela, radiador especial, correias nas polias e as traves de reforço das torres de suspensão, e a bateria. O item discrepante são os cabos de velas, em que as fotos do carro real indicam que são vermelhos, e no modelo são azuis.

Muitos detalhes fiéis ao do filme


Abrindo o porta-malas, encontramos o cilindro de NOS (Nitrous Oxide System) com um desenho um tanto diferente do carro real; passando ao interior do modelo, temos os bancos em couro, os pedais customizados, o volante com aro de madeira e o painel de instrumentos. A alavanca de câmbio original tem o pomo de cambio com um botão vermelho para acionamento do NOS, mas o modelo em escala traz uma alavanca tradicional, sem este detalhe.

A primeira vez em que o Shelby GT500 surgiu na linha dos Hot Wheels foi em 2008, na Série Modern Classics, com design de Jun Imai, baseado na versão do Mustang Eleanor, do filme “60 Seconds”. Este casting tinha a gravação GT-500 na base, separado com um hífen, e em setembro de 2009, na Série 2010 New Models, A Mattel lançou outro casting, com um capô redesenhado e algumas pequenas diferenças.





O novo casting é bem mais detalhado e foi baseado no Shelby GT500 que Carrol Shelby preparava para a Ford em 1967. Este é o modelo que entrou agora na coleção, na cor Metallic Olive Green. Saiu na Série Hot Wheels Garage: Ford, número 1/20, base de metal, rodas RRC com pneus de borracha, com as faixas White Rally.

'67 Shelby GT500, Hot Wheels

O Hot Wheels branco com faixas azuis é um Shelby 1967 GT500, teve as rodas customizadas da AC Custon, detalhamento de faróis, lanternas e escapamentos, fica bem mais caprichado com pouca coisa. Em comemoração aos 60 anos do lançamento do Mustang, a Mattel lançou a série Mustang 60th, com cinco modelos variados do Mustang, entre os quais o ’67 Shelby GT500, uma na cor branca e outra preta, com a mesma decoração.

'67 Shelby GT500, Hot Wheels, Serie Mustang 60th


'67 Shelby GT500, Hot Wheels, Serie Mustang 60th





GT350 1965, da M2 Machines

GT500 1966, da M2 Machines

O Shelby GT350 de 1965 é da M2 Machines, na cor branca e faixas azuis tradicionais, abre o capô e as portas, tem rodas especiais e pneus de borracha. O outro GT350 na cor Verde também é da M2 Machines, mas do ano de 1966, e abre somente o capô; ambos têm a base de plástico onde estão afixados.
1965 Shelby GT 350, Majorette



A Majorette lançou uma coleção especial em 2025, e o Shelby GT 350 é uma mini muito bem detalhada, vem num case com base e caixa de acrílico, com o nome do carro na base.

A Greenlight faz o Mustang Eleanor na escala 1:64, e reproduz fielmente o design criado para o filme.

O Mustang Eleanor da Greenlight, em 1:64